agosto 15, 2005

Sonho de Verão

Todos os sonhos de Verão deviam ser assim. Surpreendentes, como a leve brisa que corta o ar quente a meio da noite despida de nuvens. Noites que antecipam dias quentes, de fraca ondulação.
Depois da rotina laboral diária, que vai provando que há ainda uma certa esperança quanto à minha utilidade social, convenço-me que o melhor é ir para casa porque há coisas a fazer. Bastantes coisas.
Mas com o vento zero e um par de horas de luz pela frente até ao fim do dia, as coisas, que até eram bastantes, ficam para trás. Cinco minutos e estou na praia.
Delírio. Ondas. E glass. Mais delírio. E enquanto dou por mim já a remar para fora – para fora também das coisas que eram bastantes – percebo que, como num sonho de Verão, dificilmente tudo poderia estar melhor. Sai quase toda a gente de dentro de água e só fica quem interessa. Para além da satisfação egotrípica e da histeria colectiva que se instalam com a perfeição, a calma suprema do glass só é perturbada pelo deslizar das pranchas, na parede que se confunde com o fundo. E pelo rasgar das quilhas. Como a leve brisa, que corta o ar quente a meio da noite despida de nuvens. Assim, como todos os sonhos de Verão deviam ser. Surpreendentes. MCG

post previamente publicado na revista Onfire

Publicado por manuel castro em agosto 15, 2005 06:31 PM
Comentários

É o que irei fazer hoje... quando sair da obrigação laborar, apanhar um bocado de trânsito, e siga para a praia... e ainda por cima tão umas onditas...

Afixado por: João em agosto 17, 2005 01:12 PM