maio 29, 2011

Longe do mar

O Vasco fez um post aqui há pouco tempo, em que fazia referência a um personagem curioso do surf nacional que vive agora em Leça da Palmeira. É uma entrevista bem esgalhada, um pequeno olhar para um tipo excêntrico.

A excentricidade abre sempre o olho. Ser excêntrico não é difícil, ser excêntrico com estilo e dedicação a um epígrafe inabalável, é muito raro.

Curiosamente, ou não, todo o fascínio esmoreceu perante a frase pelo Vasco anunciada. "O Mar é o melhor remédio de todos." E é porque não tenho dúvidas nenhumas disso que me senti tão atraído pela entrevista e pelo momento.

Tenho várias alergias. Alergia de viajar. Alergia de comer sushi. Alergia de comer vegetariano. Alergia de ver televisão, curiosamente uma alergia que me deu tarde na vida, eu serei das pessoas que conheço que mais televisão alguma vez viu. Alergia de ler maus livros. Alergia de pagar mais de 15 euros por um jantar em Lisboa. E outras tantas mais pessoais e complicadas. Mas talvez a mais difícil de lidar seja a alergia aos ácaros. Associada ao facto de ser alérgico a limpar a minha casa com regularidade. Assim fico com asma. Quando não vou ao mar é pior. Quando não vou ao mar fico assim dias e dias seguidos, limpe ou não a casa.

Para limpar o sistema o Miguel necessita (o Miguel sou eu):

- Pelo menos três surfadas numa semana.
- Duas das surfadas na Ericeira.
- Cada surfada com um mínimo de duas horas e meia.
- Cada surfada com um mínimo de 20 ondas surfadas. (Contando por alto, podem ser mais.)
- Estadia na praia num mínimo requerido para atravessar a zona do parque de estacionamento às ondas, estadia prolongara no mar, regresso ao carro rápido e conciso.

Possíveis efeitos secundários:

- Sonolência imediatamente após a tomada do medicamento.
- Relaxamento profundo do sistema nervoso central.
- Relaxamento profundo do sistema nervoso periférico, circular, intermédio, das pontas ou de seja que sistema nervoso houver.
- Corpo reernegizado a uma forma melhor do que a anterior num espaço de poucas horas.
- Vontade de fazer o remédio novamente no próprio dia, e certamente no dia a seguir.
- Possivelmente prejudicial para os horários de trabalho.
- Certamente benéfico para a eficácia no trabalho.
- Se sentir o corpo queimado nas zonas da cara, mãos e pés, a pele seca, músculos doridos, ossos doridos, especificamente na zona final das costelas, consultar imediatamente a tabela de marés, será necessário combinar surfadas adicionais. São estados físicos que não se devem sentir.

Amanhã não vou surfar. A razão? Epá, os filhos da mãe não baixam a gasolina a preços decentes. Pronto. Assim tenho dito.

Ps: Desculpem, sei que tenho ali escrito reernegizado, mas tirando isso terei mais coisas. Não reli, escrevi o que me apetecia enquanto ficava melhor de uma noite mais longa. Amanhã tento salvar isto. Se tiver salvamento possível. Sempre o posso apagar...

Publicado por miguel bordalo em 05:18 AM | Comentários (36) | TrackBack

maio 23, 2011

No centro não

Estou a passar por uma altura em que me apetece desligar. Não posso, não o vou fazer, mas este altura lembra-me o que o surf me faz falta. O surf não é realmente um desporto, pelo menos não para mim. É uma peça integrante da minha vida, que faço com agrado, como ir fazer uma refeição com a minha família, como ir sair com os meus amigos, como ir passear os meus cães. É um elemento da minha vida que me traz de volta a um local de conforto. E a minha vida procura conforto.

É um destes elementos, mas de todos os que me lembro é o que aumenta a sua necessidade, consoante a minha vida está montada em extremos. Se ando muito feliz, quero ir surfar, com amigos, partilhar esse momento, ser efusivo, tentar manobras novas, arriscar um floater com as rochas já a borbulhar. Ou se ando deprimido, quando quero ir sozinho, alisar, talvez fazer um chapéu ou outro.

O surf põe-me confortável com esses momentos, como ouvir uma música igual ao estado de espírito. Quando alguém encontra exactamente a maneira como te estás a sentir, aquele sentimento de harmonia e identidade. É o surf.

E é quando a minha vida está normal que o surf passa a rotina. É uma boa rotina, mas no meio as coisas não são tão vividas. O centro é inócuo, e o surf mostra-me isso. Mostra-me que quando estou desinteressado dentro do mar, que algo tem de mudar na minha vida. O centro não é conforto, o centro é enfadonho.

Não estou num momento desses agora, mas definitivamente tenho saudades do Outono. Odeio o Verão, e o calor insuportável, e as pessoas na minha praia, aquela gente que vai para ali e nem sabe o que aquilo é, e o trânsito, e o sol, e os tipos que aparecem de prancha de borracha, no seu quarto ou quinto ano de surf, com a prancha toda saída da água, com o peito colado ao deck, prancha toda saída de fora, a remarem que nem uns desalmados para a moleza de mar que me apraz tão pouco.

Isto do Verão nunca mais passa... E eu que queria ir alisar umas descansado.

Publicado por miguel bordalo em 05:13 PM | Comentários (4) | TrackBack

maio 20, 2011

Ganda Mineiro

Não é dos meus surfistas favoritos, mas a comoção do Adriano de Souza, depois de ganhar finalmente em casa, é uma coisa bonita.

Vitória totalmente merecida, apesar de ainda não ter percebido bem aquele score do Owen Wright. Entre outras coisas. Os juízes passaram o tempo todo a tentar acertar o critério, sem sucesso. Foi um bocadinho sofrível.

Publicado por vascomendonca em 05:55 PM | Comentários (23) | TrackBack

maio 18, 2011

Beat Connection - In The Water

Beat Connection - In The Water (OFFICIAL) from Panaframe ▲ on Vimeo.

Publicado por vascomendonca em 11:39 AM | Comentários (1) | TrackBack

maio 17, 2011

maio 13, 2011

E as vezes que esta ideia me passa pela cabeça

"Se pudesse ir de férias para um lugar onde não tivesse ninguém, onde tratassem de mim, eu até escrevia o dia todo. Mas não escrevia nada. É um sonho."
José Rentes de Carvalho que pode ser lido aqui, hoje no Público.

Publicado por pedroadãoesilva em 09:17 PM | Comentários (10) | TrackBack

O maior comprimido do mundo

Vice: O governo está caótico… E quando ficas doente? Quem te acode ou o que fazes?
Capitão Zé: Eu quando vejo que estou a ficar doente, vou ao mar, dou umas braçadas e quatro goladas de água salgada. Passa tudo. Por exemplo, quando tenho dores de cabeça, mergulho até ao fundo e volto à superfície. E se a dor continuar, repito até passar. Acredita que passa sempre... Não saio de lá enquanto tiver dores de cabeça. O mar é o maior comprimido do mundo.

(...)

Adoro marisco. Aliás, estou a viver numa antiga marisqueira e espero ter todo o marisco à minha disposição. Tenho uma grande fixação pelo mar. Todas as vezes que me distanciei dele, deu sempre para o torto. Não tenho um único projecto de vida que tenha vingado por mais de três anos seguidos, nem o meu próprio casamento. O mar é a minha salvação. É a minha eterna namorada. É o que me alivia o stress e me cura as depressões.

O resto aqui: http://www.viceland.com/pt/v3n3/htdocs/capitao-ze-759.php

Publicado por vascomendonca em 03:01 PM | Comentários (1) | TrackBack

maio 11, 2011

Cara!

Agradecido a Diogo Alpendre! O Dalai Lama disse ao gajo para fazer aquilo ao segundo 24. Aquela coisa ali. Sim. Essa mesmo. Não sei descrever não.

E aquilo ali aos 11 segundos também é coisa para ter magoado a bichinha...

Publicado por miguel bordalo em 11:24 PM | Comentários (26) | TrackBack

BRRRRRAZIUU!!!

Está aí à porta o campeonato do mundo do Brasil. Para infelicidade de 32 surfistas o Kelly Slater foi fazer uma visita ao Dai Lai Lama e vai querer destruir todo o campo competitivo, aniquilar todas as ondas que lhe aparecerem à frente, obliterar cada adversário individualmente, e dedicar a vitória ao seu não novo líder espiritual.

Tirando isso. Quem vai dar cartas? Não faço ideia. Vou gostar de ver. Porque é que eu escrevo textos sobre competição hoje em dia? Sei lá, porque gosto.

Assim, vou gostar de ver:

O Kelly. Porque eu gosto sempre de ver aquilo que, o desporto em geral, tem de mais próximo com um Deus na terra, em acção. Porque ele vai querer ganhar num palco brilhante, e num palco que poderá ter ondas épicas.

O Joel. Eu gostei muito de ver o Joel no último campeonato. O tipo surfou muito. É um surfista incrível e consegue mudar o seu estilo de surf de linhas perfeitas de Bells para direitas nervosas no Rio de Janeiro. Desde que não sejam esquerdas...

O Jadson e o Adriano. Porque os brasileiros vão continuar a surfar como ó "catrafalho" como têm estado a fazer. E cada pequena festa que fizerem depois de uma onda, exactamente igual às festas que os australianos fazem, não vão ter um tipo na praia a desdenhar os brasileiros por terem pica, vão ter sim uma multidão aos gritos, abafando o "pfff" do comentador de café de dedão enfiado na areia.

O Jordy. Porque é sempre bom ver o Jordy. Só é pena não se poder ver o Reinaldo. Esse tipo faz falta. No Brasil então devia ser um espectáculo inesquecível.

O Saca. Porque é sempre bom ver o Saca. E melhor ainda vão estar ondas para o Saca. Quem sabe uns pequenos tubos seguidos de uma cacetada tão grande na onda que até se vai sentir o tremor nas favelas! "Que é isso cara? É tsunami?" Cheira-me que vem aí mais um grande resultado.

O Júlio. Garantia de bons textos do Júlio, directamente do Rio de Janeiro. O nosso carioca favorito a escrever as suas crónicas no seu sofá.

Publicado por miguel bordalo em 07:17 PM | Comentários (9) | TrackBack

Viva Lo Júlio

"Manda bem, manda bem demais!"

Publicado por manuel castro em 12:23 PM | Comentários (4) | TrackBack

maio 03, 2011

Publicado por vascomendonca em 01:49 PM | Comentários (3) | TrackBack