março 30, 2011

Uma breve reflexão sobre coisas

Não sei se isto que vos vou contar será do agrado da senhora Merkel. Tenho vivido acima das minhas possibilidades. Esta é a verdade. Quando comprei a minha primeira prancha estava, de facto, a contrair um empréstimo para a vida toda: nem a praia, nem as ondas, nem o sol, nem o sal, nem o calor, nem o frio, nada – nada daquilo é de facto meu. É a crédito. Está certo: a prancha é minha. Comprei-a. Mas sem que toda uma conspiração cósmica dos elementos se construa no começo de cada dia, a prancha, lamentavelmente, não serve para nada. Venderam-nos, desde cedo, a ilusão dos direitos adquiridos – com excepção para as bolas de Berlim – da democracia da praia. E nós, estúpidos, fomos atrás. E agora, acabou. O que é que o mundo pensará de nós? A esta hora está um especialista na televisão a denunciar o que se passa e com as soluções na ponta de um sorriso cínico: “Portaram-se mal. Agora ninguém empresta a estes senhores.” É verdade: as Lisbon Sisters dos académicos económicos de Lisboa e Porto é que têm razão.

Pensavam que era tudo à borla? Minutos, horas, manhãs, tardes, dias, noites, madrugadas – quanto tempo perdido. O solzinho na cara, os pés nas poças da maré vazia, o cheiro a bronzeador, a alta velocidade na escala da metafísica, uma parede de onda pintada pelo sol da manhã, o som do deslize numa superfície aquática imaculada, as paisagens admiráveis, os fundos multicor, os amigos, os peixes, os pássaros, as cores da confusão do céu, do mar e do sol que se tocam nas ondas. Passar o wax numa prancha limpinha, as tretas do gajo da loja, as tretas do gajo na praia, as tretas do gajo no line-up, as tretas do gajo no parque de estacionamento. O dropino sem querer, a espuma que nos afunda mais, a corrente que nos leva para onde não queremos e o êxtase do fim da corrida inglória numa massa de água em movimento. O serpentear do tapete mágico no verdinho, os sorrisos inesperados e a maresia. A luta contra Golias. Foi tudo tempo perdido. E tempo é dinheiro. Desde quando é que o surf é um bem transaccionável? E a competitividade? E a produtividade? “Só mais uma e saio”. Eis a nossa noção –aliás, moção - das duas. Se até a nós nos enganamos de propósito, como havia a politica da verdade resultar connosco? Agora já sabem de quem Medina Carreira fala quando profere a palavra “trafulhas” na televisão.

Aí está: enganámos os portugueses. Com sound bites. Fotografias. Filmes. Livros. Excitação em código. Off-shore. Altas ondas. Incrível. Tubular. Perfeito. Com publicidade de luxo e as aldrabices das revistas: destinos exóticos, mulheres na praia, sol e álcool ao pôr-do-sol. Toda a gente sabe que isso só é possível nas revistas. E na Praia Grande.
E o nosso fetiche por cenas de borla que deu cabo da economia? Raspadores, cordinhas para o leash, leashes, quilhas do Kelly Slater, calções, t-shirts, chinelos, fatos e pranchas. Somos uns borlões. Espetámos uma faca na costa do crescimento económico negociando directamente na praia. PIB? Toda a gente sabe que é o nome de um pico (xiu).

E a Europa – o que aprendemos com a Europa? Com hordas de bárbaros despejados nas nossas escolas de surf e surfcamps (maluquinhos por galão, essa grande especialidade nacional) oferecendo-lhes explicações mal sucedidas sobre como ir em frente numa onda e sem querer tentar perceber, em troca, como funciona o Estado Social escandinavo ou que foi isso da Constituição de Weimar.

Podemos sempre culpar outras pessoas: os especuladores. Quem é essa gente, afinal? Quem ousa, a dias de distância, afiançar a validade ou não – atribuindo-lhe uma qualificação perfeitamente aleatória - de uma ondulação que se está a formar a milhares de quilómetros de distância, obrigando-nos a construir, a partir dessa leitura, uma realidade completamente alternativa, comprometendo irremediavelmente o nosso dia-a-dia? Que nos faz enganar a família, amigos e patrões por causa de um mapa que vemos na internet. Eis-nos. Rendidos às Moody’s dos miradouros. Devedores. Falidos. A viver acima das nossas possibilidades. E ainda temos a ousadia de querer mais?

A verdade é que sim. Gosto muito da vida que levo.

Ericeira, Março de 2011.

Publicado por manuel castro em 02:44 PM | Comentários (5) | TrackBack

março 25, 2011

Surfrider Foudation

Amanhã e Domingo há duas acções de limpeza de praia em Lisboa. A Surfrider Foundation em Portugal vai juntar-se à sua congénere europeia numa acção aqui descrita no site www.initiativesoceanes.org.

Sábado 26 de Março – Costa da Caparica – São João – Lorosae – 14:00
Domingo 27 de Março – Carcavelos – Angels – 14:00

Portanto, quem se quiser juntar à iniciativa vai ter companhia pela certa. Limpar as nossas praias é importante sempre, mas há dias em que é fundamental espalhar a mensagem, agir em grupo e não só individualmente.

Publicado por miguel bordalo em 01:45 PM | Comentários (4) | TrackBack

março 23, 2011

março 21, 2011

Odeio a primavera

É olhar para as previsões e não ser difícil chegar a essa conclusão...

Publicado por miguel bordalo em 12:15 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 18, 2011

Porque a lei é implacável

E há coisas que não se fazem... (Qual delas?) De que lado da onda é que estão?

Publicado por miguel bordalo em 01:44 PM | Comentários (7) | TrackBack

março 15, 2011

O que é que nós queremos que o Kelly Slater queira?

Há vários momentos na vida de um desportista em que o adepto e o próprio desportista têm de lidar com decisões.

O Fábio Coentrão vai sair do Benfica no final deste ano, com muita probabilidade. Como adepto Benfiquista eu queria que ele quisesse ficar. Que brilhasse nas próximas épocas de águia ao peito. Como adepto de futebol, gostava que o Fàbio saísse do Benfica para um dos 5 mais competitivos clubes da Europa. Porque os anos de águia ao peito me fizeram acreditar que esse é o único sítio indicado para ele, saindo do Benfica.

Isto é o que eu quero. O que o Fábio quer é outra coisa, só ele é que sabe, só ele é que tem de saber.

Ora chegando ao Slater. Há a noção de que todos os grandes desportistas tiveram dificuldades de se retirar. O Ali, o Shumacher (a ver...), o Armstrong, o Jordan, entre outros. A dificuldade em retirarem-se alia-se ao facto de eles serem tão bons naquilo que são. Não porque eles são bons. A razão pela qual são bons, isso sim. A competitividade, a capacidade de luta, a procura do desafio, e o último afrodite deles todos "consigo vencê-los mesmo velho e uma sombra do que já fui". Ora, eu, como fã do Jordan, gostava que ele nunca tivesse jogado nos Wizards. Eu como fã de basket, gostei de o ver jogar uns jogos, e de ver uns jogos de um tipo com quarenta anos a fazer cinquenta pontos, e a fazer um dos abafanços mais incríveis de todos os tempos, engripado. Ele gostou de o fazer. E só aqueles dois anos em Washington é que lhe apagaram o fogo competitivo.

Imagino o que é ter o talento e capacidade de um Slater. Ir para casa amanhã. Não aparecer em Bells. Não aparecer mais, e depois o quê? Ficar em casa triste porque não estou onde queria estar só porque é assim que as pessoas me querem ver? Não saber se o meu corpo ainda aguentava mais uma, duas, ou três épocas? A dúvida é a pior das sensações numa mente obsessiva, e qualquer campeão na categoria do Slater, tem de ter uma mente obsessiva, tem de ser obstinado, e teimoso. Retirar-se quando o desafio começa a ter piada?

É evidente, que se ele estiver cansado, e quiser ir para casa. Quem sou eu para lhe dizer, epá, não! Gosto tanto de te ver surfar! Ainda és o melhor, de longe! Não sou ninguém, nem é ninguém aquele que o diz para ele se retirar.

Porque 10 é bom, mas 11 é melhor, e 12 não é nada mau.

Como já disse aqui, se querem o título tirem-lho. E para contradizer o meu amigo Júlio. No ano passado o Jordy foi melhor que o Slater? Se o Slater não tivesse ganho no ano passado a injustiça teria sido gritante. Neste campeonato o Taj foi melhor do que o Slater? Mostrou muito surf. Melhor, não sei. Sei que o Slater por mais renhidas que tenham sido as suas baterias mereceu passá-las. O Taj devia ter perdido contra o Mineirinho, e aquela final foi ridícula. Parecia que tinha sabão na prancha em vez de wax. O Slater levou justo!

Publicado por miguel bordalo em 01:48 AM | Comentários (0) | TrackBack

março 11, 2011

da relatividade das coisas


photo Reuters

Publicado por pedroarruda em 04:44 PM | Comentários (2) | TrackBack

Em modo repetição?

99% de probabilidade que alguém já colocou este vídeo aqui uma vez- 75% de probabilidade que alguém já o colocou aqui duas vezes. 50% três e 25% quatro.

Só para avançar com as probabilidades.

Publicado por miguel bordalo em 03:20 PM | Comentários (3) | TrackBack

março 09, 2011

Deixem-nos sonhar

Photobucket

Publicado por manuel castro em 04:26 PM | Comentários (6) | TrackBack

Resultados

O Saca conseguiu mais um terceiro lugar. É no pódio que ele pertence. Agora é lugar por uma final e ganhar uma também. É uma questão de tempo.

Para o Slater. Bom... Está difícil largar uma coisa assim... todos os anos os surfistas são melhores, todos os anos ele consegue superá-los.

A final foi uma bela porcaria. Mas o Taj, mais uma vez, podia ter feito bem melhor. Caiu em muitas ondas decentes. E assim, o Kelly come-o todos os dias!

Não sei se o Slater vai sequer retirar-se este ano. Ele já confirmou Bells, não me parece que vá falhar Teahupoo, muito menos Nova York, Jeffreys será sempre bom, e Brasil... porque não...

É agora uma questão de ver se os surfistas o vão deixar continuar a vencer sem sequer surfar uma maravilha. Mas a verdade é que surfou melhor todas as baterias em que esteve presente.

Publicado por miguel bordalo em 06:04 AM | Comentários (0) | TrackBack

março 08, 2011

O Saca

A testar o meu coração... no último segundo... meu deus...

Adenda: Se o Saca foi roubado na primeira ronda do dia, o Adriano foi roubado, violado, depois roubado, novamente violado, depois roubaram-lhe a casa, voltaram a violá-lo, e depois atiraram-no ao fundo de um poço e gozaram com ele no final. Absolutamente incrível a última boa nota do Taj Burrow... Incrível...

Publicado por miguel bordalo em 05:00 AM | Comentários (4) | TrackBack

março 07, 2011

Caso para dizer

Que rrrrroubalheira! Mas pronto. Ao menos que se roube nesta ronda. O Tiago surfa outra vez daqui a umas horas... mas que roubalheira horrorosa...

Publicado por miguel bordalo em 10:06 PM | Comentários (2) | TrackBack

março 04, 2011

Tavira rules

O'Neill - Close Encounter 2011 from O'Neill on Vimeo.

Hei-de sempre tirar o chapéu a quem, sem fazer muito barulho, se vai distinguindo assim, com muito surf, saber estar e atitude. Não acredito em karmas mas que os há...

Publicado por manuel castro em 03:15 PM | Comentários (52) | TrackBack

Nada

Semana toda de surf e eu nada... é o fim do mundo...

Publicado por miguel bordalo em 12:45 PM | Comentários (1) | TrackBack