junho 30, 2010

O surf anda nas bocas do mundo

Publicado por vascomendonca em 04:51 PM | Comentários (3) | TrackBack

junho 28, 2010

Ainda sobre o post anterior

Vão mas é soprar esta Vuvuzela! E parem de chatear o pessoal com isso!

Publicado por miguel bordalo em 01:09 PM | Comentários (4) | TrackBack

O meu fantasy surfer J-bay 2010

Vem aí! Ele vem aí!

O campeonato mundial de surf está a chegar à minha etapa preferida. Não sei da importância ou não do campeonato para a situação dos surfistas no escalão principal, são contas para fazer durante o campeonato. Só sei de duas coisas: adoro ver tipos a surfar aquela onda na África do Sul, e que ia odiar que a merda da moda das vuvuzelas pegasse no mundial de surf.

É que não há som mais inestético! Eu que gosto de futebol e de surf, do desporto em geral já agora, porque para mim desporto é arte, é algo estético, bonito de se ver, nunca tinha dado a devida importância ao som. Quer dizer, já me queixei aqui do gosto duvidoso de alguns webcasts que decidem dar-nos música, o que faz com que muitas vezes nem os consiga ouvir, porque gosto de estar a ouvir a minha música. Mas aqueles que decidem dar só a voz, fazem com que se consiga ouvir uma boa música ambiente a acompanhar o campeonato com qualidade. Agora se o raio da moda pega, e o pessoal se põe na praia a suprar na vuvuzela... não há som, por mínimo que seja, que aguente! Nunca vi tão poucos jogos de um mundial de futebol...

Tirando as faixas sonoras, a minha equipa no Fantasy não vai sofrer alterações. O Kelly vai estar na onda em que eu gosto mais de o ver surfar. Há quem diga que o Joel Parkinson e que o Mick Fanning surfam aquilo melhor do que ele, porque poucos se comparam a surfar em velocidade. Mas a verdade é que ninguém lê melhor uma onda do que o Kelly, qualquer onda, e para surfar Jeffreys essa parece-me a condição essencial.

Com as novas "regras", que têm beneficiado muito as manobras, e pouco a fluidez na onda, vai ser interessante ver como se ajuíza, principalmente se estiver clássico. É quase um pecado não aproveitar tudo o que aquela onda tiver para oferecer, mesmo com um aéreo 360, um superman, e um "kerr-upt flip" no início da onda, mas perdendo a oportunidade de fazer mais seis manobras no final. E que pena será se estas manobras atrás, substituírem por completo uma "tay-cabum-lor rasgada"... principalmente numa onda como Jeffreys.

O Fanning por lá continua e deverá manter-se todo o campeonato. O Jordy idem idem, aspas aspas. Mas a mais acrescento que uma eventual vitória do menino gigante, e o Kelly que se cuide.

O Owen Wright, o Bret Simpson e o Dusty Payne estão lá por três razões diferentes, mas unidos pelo facto de os ter comprado barato e não encontrar nenhum que eu goste mais. Apesar da corda estar a ficar fina para o Dusty. Bret está a encontrar as dificuldades de um puto que é magnífico, mas que não estava bem a ver onde se estava a meter (Ele vai ser o campeão mundial norte-americano do futuro). O Owen é sucesso garantido.

Tinha ainda Jeremy Flores, mas que estou num conflito comigo mesmo para o tirar e substituir pelo Andy Irons. Sim, ouviram-me bem. Pelo Andy Irons. Este é o campeonato decisivo para o Andy mostrar que ainda pode fazer qualquer coisa este ano, esperem, não, há Teahupoo a seguir, depois ainda há Pipeline, entretanto se é verdade que já pôs a cabeça no sítio ele tem França e Portugal, tubos, tubos, ali intervalado com Trestels, que nem que fosse o Andy dos três campeonatos mundiais, não o escolheria. Mas se calhar está na altura de pegar nele. Mas sei que no momento em que largar o Jeremy, ele me vai responder com um "a la merde", e me vai fazer um brutal resultado... o Jeremy está tão baratinho que sou capaz ainda assim de o largar só por um campeonato ou dois, em Trestels pego nele outra vez. Estou aqui a pensar com vocês! Ajudem-me!

Por fim, el Tiago! Como não podia deixar de ser! O Saca vai até aos quartos, pelo menos, sinto-o. Depois só a sorte o dirá. Mas até aos quartos o homem vai chegar. O Tiago foi feito para aquela onda, ele é que ainda não sabe! Mas eu vejo o Tiago relaxado, a encontrar os tubos e a fazer aquelas rasgadas lindas no verde. Sem pressão vejo-o como um potenciais melhores surfistas por ali, rivalizando com Taylor, Kelly, Taj, Mick e Joel.

Força Saca! O sucesso do meu Fantasy depende de ti! É pressão? Um pouco de pressão nunca fez mal a ninguém, relaxado ou não! RELAXADO OU NÃO! VAMOS EMBORA PORTUGAL! FORÇA SACA!

Publicado por miguel bordalo em 01:06 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 24, 2010

Bright Lit Blue Skies

Com o mar mais negro que nunca (como se vê pelo post anterior), nada como gerir a impotência pondo os olhos no céu. Tudo isto é possível por uns míseros 8 euros, amanhã a partir das 22:00 no Espaço M (antiga Casa d'Os Dias da Água), número 175 da rua de D. Estefânia. Vão por mim.

Publicado por vascomendonca em 04:29 PM | Comentários (4) | TrackBack

Boat captain, despondent over spill, commits suicide

Parecem versos de um poema desolador, mas não são. É o título de mais uma notícia sobre o serviço prestado pela BP à humanidade.

Publicado por vascomendonca em 12:50 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 21, 2010

junho 09, 2010

A bela e o monstro

O surf é um desporto incrível, com muitas, mas mesmo muitas coisas boas. Quem tem a sorte de surfar há uns anos sabe, que apesar de não ser um desporto completo, é uma actividade para todas as ocasiões. Como um amigo com quem podemos estar quando estamos tristes, contentes, deprimidos, a festejar, normais, apáticos, por vezes doentes, ou desgostosos, outras vezes eufóricos e entusiasmados. E a companhia do surf ajuda mesmo, a reflectir, a estar em contacto com algo que é maior do que nós.

E chega aqui o trágico. O monstro. O mar é realmente maior do que nós. No mar já passei por alguns sustos valentes. Quando uma pessoa de fora olha e pensa que está uma coisa, e lá dentro a história é outra. Os perigos do mar são imensos, e há dias em que estar no mar com dois metros é mais tranquilo do que estar no mar com meio metro e com umas correntes valentes.

É da responsabilidade de qualquer surfista evitar que situações destas aconteçam. Nós podemos estar aqui a discutir de ausências de cartões, ou dos SOS ondas. Mas o mais importante para nos definir como comunidade é sabermos protegermo-nos uns aos outros.

É fácil perceber quando é que vemos um tipo mais inexperiente dentro de água. É fácil ver que a remada ainda é fresca, que o corpo está normalmente mal equilibrado na prancha, com prancha a mais á frente, o bico de pato difícil. Ao risco de parecer prepotente já me dirigi várias vezes a surfistas, com um sorriso na boca e a dizer - o mar hoje está difícil, um pouco perigoso. Fazes surf há quanto tempo? - Não custa nada sabermos dos mais novos. Não custa nada estarmos atentos. Não há um surfista na área de Lisboa que não tenha tirado outros surfistas da água. Não há um surfista na área de Lisboa que não tenha tirado não surfistas da água. E esse esforço de comunidade tem de continuar. Não só aquela vontade pessoal de ajudar o próximo. Protegermos um desporto e aqueles que se querem iniciar nele.

Aparentemente este surfista era surdo. Teve o azar da vida dele porque não foi avisado por ninguém que as correntes estavam difíceis, e o material poderia estar desadequado, a morte de alguém é sempre complicado de lidar. Mas serve o momento para avisar que temos de estar atentos. Que tudo começa nas lojas e de quem está a vender o material. Continuando pelos professores de surf. E terminando em todos nós estarmos atentos e sabermos quem metemos e como os metemos dentro de água. Se os informamos dos perigos ou só da beleza extraordinária do surf. E por fim, estarmos sempre atentos dentro de água a sinais de perigo, para nós e para os outros.

Publicado por miguel bordalo em 12:23 PM | Comentários (15) | TrackBack

junho 07, 2010

Prazeres inúteis

Dormir ao relento; observar as sombras; sentir o vento na cabeça; ficar deitado de papo para o ar no campo; fazer ressaltar pedras na água; encostar-se às cancelas; resolver andar à chuva; estar deitado numa rede. Estes são apenas alguns dos prazeres inúteis descritos por Tom Hodgkinson e Dan Kieran em “o livro dos prazeres inúteis” (Quetzal, 2010). Como começam por escrever os autores, o Ocidente acreditou na ilusão de que o divertimento é um negócio, além do mais caro. Organizamos o nosso quotidiano de modo a ganharmos dinheiro (a trabalhar, sempre a trabalhar) para, depois, podermos gastá-lo nas coisas de que, de facto, gostamos. Acontece que os melhores prazeres são os que são inúteis, logo não produtivos, mas também grátis. Não nos custam nada, mas, também, não custam nada a ninguém. Existem, aliás, muito mais prazeres destes do que somos capazes de conceber, sendo que se encontram, frequentemente, mesmo à mão de semear. Basta que enfrentemos o legado da ética do trabalho e tenhamos vontade de a eles regressar, com a inclinação de espírito adequada para darmos conta deles e, não menos importante, para deles desfrutarmos.
Uma das marcas distintivas dos prazeres inúteis é ligarem-nos à natureza, conferindo-nos com isso um sentimento de liberdade e de autonomia. Quando desfrutamos do prazer primeiro de atirar uma pedra à água, fazendo-a ressaltar, estamos também a ser devolvidos à terra. Afinal, “ninguém teve de comprar o seixo, ou alugar a água, ou assistir a uma aula de lançamento de seixos. Há seixos de sobra para toda a gente”. Tudo isto carrega um lastro de ociosidade, que não só é amigo do ambiente (“não há nada que seja menos prejudicial ao ambiente do que não fazer nada”), como potencia a criatividade, na medida em que nos obriga a divertirmo-nos pelos nossos próprios meios.
O mar é frequentemente um lugar de destino para a ociosidade. “Quem é que não gosta de uma cadeira de lona?”, questionam os autores. Pois a cadeira de lona simboliza a indolência, sestas furtivas, entremeadas por uma leitura, e banhos de sol improvisados. Mas “fala-nos também do mar, onde quer que esteja. No meu escritório, enquanto me descontraio nela, oiço o chamamento longínquo de gaivotas”. Ou quem é que não gosta de se deixar “transportar para calmas fantasias” recostando-se num barco, de preferência à deriva? Ou, ainda em contexto marítimo, o acto de pescar, que é uma espécie de “ociosidade desculpável”, onde se cria a ilusão de que se combina inactividade (a oportunidade de contemplar com todo o tempo o horizonte) com actividade (apanhar eventual e furtivamente um peixe).
O surf não só em nada se distingue de outros prazeres inúteis como é, para quem o pratica, um estado superior de uma vida hedonista e deliciosamente ociosa. Não custa nada (o mar é domínio público e, de facto, há ondas para todos); devolve-nos à natureza, fazendo de cada surfista, por momentos, uma espécie de Tom Sawyer em usufruto de uma liberdade sem regras; sendo que cada onda percorrida contém todo o tempo do mundo – o que nos deixa com a certeza de que a asserção de Santo Agostinho de que “um instante é a eternidade” pode ser, de facto, verdadeira. O filósofo belga Raoul Vaneigem, um dos pais do situacionismo, escreveu que a sua ambição era “lutar por mais prazer, e não por menos sofrimento”. É essa a razão do vício em surf. Uma luta por mais prazer, mas, também, por um prazer inútil. À imagem de muitos outros que estão por aí, desde que queiramos desfrutá-los.

publicado na coluna Sal na Terra da SurfPortugal.

Publicado por pedroadãoesilva em 04:35 PM | Comentários (5) | TrackBack

junho 04, 2010

dois minutos e vinte segundos

É o tempo que dura a melhor curta de surf que já foi feita em Portugal. Obrigado Alex Botelho.

Publicado por manuel castro em 01:10 PM | Comentários (5) | TrackBack