outubro 30, 2008

Há algo de podre no reino da Dinamarca *

Algo vai muito mal no reino da ASP. A debandada geral do Hang Loose Pro já indiciava o descontentamento, ou o desinteresse, e se alguns até podem ter "boas" desculpas (lesões, casamentos, depressões, recuperações, férias…) para se baldarem ao Brasil, o facto é que o exorbitante número de faltas a uma prova do WT não pode deixar de causar estupefacção e é muito mais do que apenas bizarro. No fundo, este é apenas mais um dos sinais do desnorte da ASP. A saída nunca devidamente explicada da Foster’s levou a que a ASP se visse completamente à mercê das marcas de surfwear, que são hoje plenipotenciárias no governo dos destinos da organização. Contrariamente à opinião e vontade dos atletas manteve-se Mundaka, mas deram para descarte três provas, logo quem não está atrás de pontos literalmente “cagou” no Brasil. Depois anunciaram o novo formato, com decisões discricionárias a serem tomadas pelas marcas, ainda antes da definição dos rankings finais, o que levou também a que alguns atletas optassem por regressar a casa e descansar antes do ano que vem. Um exemplo quase paradigmático disto é o Pancho Sullivan, número 36 do ranking, com uma oportunidade de ouro para amealhar pontos no Hang Loose Pro, optou por competir num 4**** no quintal de casa e com isto não pretendo nenhuma crítica ao Pancho, que é dos poucos havaianos que fez pela vida e foi atrás de correr o mundo em lugar de querer ser o melhor da sua rua. Assim vai a glória da ASP.

* William Shakespeare

Publicado por pedroarruda em 11:44 PM | Comentários (34) | TrackBack

outubro 27, 2008

Dream Tour

Depois de meses, anos até, de burburinho e de conversas de bastidores, da entrada e da saída da Foster's, das criticas e invenções do Kelly Slater, da contestação interna dos organismos regionais da ASP, nomeadamente Europa e América do Sul, que buscam mais e melhor protagonismo, depois do afirmar da crise económica mundial, a ASP anunciou ontem aquela que promete ser a maior revolução no surf competitivo desde a criação do Dream Tour. Na minha modestíssima opinião e assim à primeira vista algumas mudanças parecem ter tanto de radicais como de benéficas – desaparece a loosers round; a entrada do top 15 do WQS; a unificação do ranking num único ranking mundial. Por outro lado, mesmo sendo um ano de transição, a liberdade de serem as marcas patrocinadoras a decidirem que modelo utilizar fragiliza a imagem e a solidez do circuito, mas todos somos reféns de alguma coisa. De qualquer modo e na sua globalidade esta pode ser uma medida que vai no bom sentido – obriga a uma maior interligação entre os dois circuitos, Wourld Tour e Qualifing Series o que aumenta a competitividade. O coelho está fora da cartola, veremos agora se foi um passe de magia ou se não é mais do que fogo fátuo.

Publicado por pedroarruda em 12:05 PM | Comentários (11) | TrackBack

outubro 26, 2008

Um campeonato que não existiu


Comecemos pelos aspectos positivos: a realização de um 6* nesta altura do ano, em Lisboa, pode entreabrir a porta para que recuperemos uma etapa do CT (tanto mais que se somos capazes de ter dois 6*, porque não um CT, eventualmente realizado entre o Estoril e a Ericeira, com vários spots disponíveis) – mais uma vez, a Alfarroba está de parabéns, pela capacidade de iniciativa e pelo modo como tem promovido o surf de competição em Portugal; depois, esta etapa terá garantido a qualificação do Saca e do Marlon, ainda que como as coisas têm andado em termos de pontuações, com muita gente muito próxima, nada esteja garantido. Mas isso são os aspectos positivos, porque, não vale a pena escondê-lo, esta etapa deixou muito a desejar, em diversos domínios.
Um campeonato organizado entre Carcavelos e o Guincho é um enorme risco. Entre poucas horas diárias de surf em Carcavelos e a improbabilidade de haver condições no Guincho, o risco é sempre imenso. Esta etapa acabou por correr bem, mas podia ter corrido mal. Mas uma coisa que me parece evidente é que, ao longo de uma semana, os momentos em que há condições para ter público a assistir a um campeonato no Guincho são invariavelmente reduzidos (aquele vento que entra sempre...). Dir-me-ão: isso não é um problema, na maior parte das etapas do CT há pouca gente a assistir in loco. Verdade, mas isso é compensado por boas transmissões online. Bem, quanto a isto, nem sei bem o que dizer. O que se passou esta semana terá inaugurado um novo conceito de webcast, certamente não admissível numa etapa de 6*. Desconfio que não foi problema da minha ligação à net, mas, na verdade, eram mais as alturas em que não se conseguia seguir os heats, do que aquelas onde dava para ver o campeonato. Depois, a distância a que os heats eram filmados tornava basicamente impossível perceber o que se estava a passar. Tudo, claro, poderia ter sido compensado pelos comentários, que poderiam enquadrar e contextualizar e comentar o surf. Em lugar de comentários, tivemos uma semana de um chat com acesso livre. A Carla Tomé, que não conheço, tem, pelo que me foi dado ouvir, uma qualidade enorme, que aliás tende a escassear, é genuinamente simpática. Mas, pura e simplesmente isso não basta para fazer um webcast de surf. Se se tornassem regra os comentários do Estoril Coast no QS, o surf regrediria uma década em termos mediáticos. Aliás, as coisas só melhoraram nos momentos em que o Nuno Jonet acumulou a função de speaker com o webcast. Não teria sido preferível ter o som do speaker sempre? Depois a própria página do campeonato. Imagino que não seria muito difícil ir fazendo algumas actualizações da mesma quando havia interrupções no campeonato. Após a interrupção hoje em Carcavelos, foi um autêntico totoloto saber que o etapa já havia recomeçado no Guincho. Já se disputava a segunda meia-final e ainda se lia “on-hold” na página de abertura. Finalmente, a presença do campeonato nos media não especializados. Posso ter andado muito distraído, mas foi mais uma vez muito escassa. A Sport TV deu uns resumos diários, mas parece-me que estes resumos não ajudam nada o surf. Umas peças com pouco surf, com total desenquadramento entre os lançamentos e os textos, por um lado, e as imagens, por outros. E uma singularidade que não chego a perceber: o organizador da prova (o António Pedro, com quem simpatizo e a quem reconheço grande dinamismo na promoção do surf) ocupa uma parte importante dos resumos, a comentar o que se passou. Um pouco à imagem do que se passa no futebol, também no surf parecem falar mais os dirigentes do que os protagonistas.
Com pouco público na praia, com poucas condições para seguir online e com fraca presença nos media não especializados, não me parece que seja possível fazer o surf crescer como desporto competitivo e não me parece que se tenha dado um passo muito importante para tornar Portugal um destino do WCT. A menos que se queira que tudo funcione em circuito fechado. Sem público, sem net, sem meios não especializados, o Estoril Coast Pro, de facto, não existiu.

Publicado por pedroadãoesilva em 03:40 PM | Comentários (25) | TrackBack

outubro 24, 2008

localismos

absolutamente genial!

via Fundo de Pedra

Publicado por pedroarruda em 01:17 AM | Comentários (15) | TrackBack

outubro 23, 2008

mudar de vida

Por razões óbvias, uma das minhas musas de juventude, foi a Daniela Freitas. A Dani aliava duas premissas fundamentais aos meus devaneios adolescentes: um bodyboard fluido e atirado juntamente com uma beleza e feminilidade inigualáveis. Outra das minhas primeiras musas foi a Glenda Kozlwoski, que veio a tornar-se estrela de TV. A Dani, casou com o Lanson Ronquilio e estabeleceu-se no Hawai’i. Terminada a carreira profissional no Bodyboard e mãe de dois filhos a Dani parece que decidiu mudar de vida e é agora atleta de Bodybuilding e ao que parece campeã. Vale a pena ver esta reportagem da Globo, não só para recordar os idos de 90 mas também para ver a censura da avó à nova carreira da neta…

via VERT

Publicado por pedroarruda em 12:47 PM | Comentários (6) | TrackBack

outubro 22, 2008

ondas

Mais uma vez preciso de dizer, aprioristicamente, que não estou à procura de polémicas, nem de insultos. Mas, acho que é importante afirmar o seguinte – o Surf são as ondas, nós apenas as tentamos acompanhar, independentemente do utensílio que usamos para o fazer.

Vem isto a propósito do meu post anterior relativo ao sucesso dos bodyboarders portugueses nos World Surfing Games da ISA, do comentário do João Capucho, que num acesso legítimo, mas espero que irreflectido, de liberdade de opinião disse o que lhe ia na alma e na reacção também sincera do Hugo Marinho.

Noutro post mais abaixo, uma ironia do Vasco, sobre como não basta falar várias línguas para ser um bom webcaster, descambou nos comments numa discussão sobre o nível global do Surf nacional face aos restantes países participantes nos ISA. De toda essa quezília, para mim, sobressai um dado: Portugal é um país demasiado pequeno para se perder no luxo de discutir detalhes inúteis.

A dimensão do país e o estado de desenvolvimento dos desportos de ondas em Portugal não permitem que se perca tempo, inteligência e empenho em pequenas guerrilhas entre interesses, atletas, géneros, ou posições na onda. O que urge fazer é unir esforços, talentos e competências na organização e promoção dos desportos de ondas, todos os desportos de ondas, de forma a, finalmente, quebrar esse condicionalismo histórico que fez, injustamente, da França a líder do Surf europeu.

Aqui há tempos o Hugo fez uma série de posts no Conversas do Mar sobre o dropknee, numa reflexão tão importante como interessante sobre o lugar dessa disciplina particular, desse método único de apanhar ondas, no contexto actual do bodyboard, ou, diria eu, no contexto do Surf.

Quando me perguntam, eu digo que sou surfista. Tenho o maior orgulho em ser bodyboarder, ou para ser mais preciso de ser dropkneer (99% de todas as minhas ondas são surfadas com um joelho e um pé!), mas nunca me passa pela cabeça agitar essa particularidade como uma bandeira. Desde o início que o meu maior amor foi e é pelas ondas e não considero que o que mais me distingue seja o método ou a disciplina que escolhi para as surfar. Independentemente das necessárias compartimentações e classificações tão próprias do mundo moderno é absolutamente imprescindível que os surfistas portugueses, todos eles, compreendam o erro dessa segregação inútil. Pensar os desportos de ondas em termos de rivalidades entre Surf e Bodyboard, sapos e bicudos, rastejantes e fibras é de uma nulidade tal que ultrapassa o limite do aceitável.

Esse suposto antagonismo está imbuído de uma arrogância abominável que insulta tudo o resto e, em última instância, insulta as próprias ondas.

Skimming, bodysurf, paipo, bodyboard, kneeboard, dropknee, stand up, retro, thruster, quad, malibu, longboard, tow, stand up paddlle, wind surf, kite, hobie cat, mind surf…

O Surf são as ondas, nós apenas remamos pelo privilégio de as apanhar.


Bud Miyamoto, Waterman.

Peace

Publicado por pedroarruda em 01:13 AM | Comentários (46) | TrackBack

outubro 21, 2008

Fun, Fun, Fun?

Até ao início da massificação durante a década de oitenta, para os leigos a imagem do surf estava muito associada aos Beach Boys. O modo como a banda californiana utilizava a iconografia do surf confundiu-se durante décadas com o modo como o mundo via o surf. Pranchas longas e coloridas, rapazes louros com camisas havaianas, sol e, claro, praia. Tudo resumido nas melodias aparentemente fáceis da banda dos irmãos Wilson e na atitude descomprometida cantarolada em harmonias afinadas sobre ‘cars and girls’. O presente da Califórnia dos anos sessenta era também uma promessa de futuro para os adolescentes de todo o Ocidente: um universo de hedonismo alimentado pelo surf. Os Beach Boys foram a banda sonora desse sonho.

Contudo, de todos os membros dos Beach Boys, apenas um fazia surf. O baterista Dennis Wilson, um dos três irmãos que fazia parte da banda. Apesar do seu lugar inicial ter sido secundário – a sua presença aliás resultou de uma imposição da mãe ao irmão mais velho, o génio demencial Brian Wilson – a relação de Dennis com o surf foi um ponto de viragem para os Beach Boys. Depois de algum tempo a tocarem versões e a escreverem canções inócuas, um dia Dennis regressou exausto de uma longa surfada e terá convencido o irmão Brian a compor uma música sobre o assunto. Estávamos em 1961, surgiu Surfin’, o primeiro sucesso, e o álbum Surfin’ Safari. Assim começava a carreira e a identidade dos Beach Boys, cristalizada nas palavras de Dennis: “não percebo por que razão toda a gente não vive na praia, no oceano. Não faz sentido nenhum para mim (...). É por isso que sempre gostei e me senti orgulhoso de ser um Beach Boy. Sempre gostei da imagem. Na praia pode viver-se em felicidade”.
Depois, a banda evoluiu à imagem do que aconteceria à Califórnia na passagem dos sessenta para os setenta: uma espiral de drogas, mas, também, de crescente densidade nas composições e nos temas. Brian Wilson assumiria progressivamente o controlo das operações e, obcecado com a produção dos Beatles e de George Martin em Rubber Soul, acabaria por gravar Pet Sounds, uma obra-prima, sozinho no estúdio, acompanhado por músicos convidados, enquanto a banda original partia em tournée. Ainda assim, conta a lenda, para recriar o imaginário que sempre havia acompanhado os Beach Boys, Brian mandou encher o estúdio de areia, tocando descalço com os pés na “praia”.
Esta é a página mais conhecida da história dos Beach Boys. Mas há uma outra e essa tem a ver com o percurso do surfista da banda: Dennis Wilson.
O rebelde, o surfista mais interessado nas raparigas, nos carros e nas ondas do que na música, escondia também um compositor improvável, comparável ao génio do irmão Brian. A prová-lo, ‘Pacific Blue Ocean’, o único disco de Dennis Wilson, editado em 1978. Depois de duas décadas perdido, o álbum foi agora reeditado numa edição muito cuidada, com vários extras. Trinta anos depois, ouve-se um conjunto de canções entre o soul e o psicadelismo, mas sempre com um negrume que não seria de esperar do surfista boémio que havia dado o mote ao tom inicial dos Beach Boys. Alguém disse, com razão, que ‘Thoughts of You’, o momento alto do disco, são os três minutos mais tristes da música pop.
Concretizando uma espécie de profecia, Dennis acabaria por, paradoxalmente, morrer bêbado e afogado numa praia californiana no início dos anos oitenta. Nas palavras de um amigo, a sua morte prematura pareceu sempre inevitável: “Dennis não era o tipo de pessoa que poderia viver para ser um velho. Não fazia parte do modo como via as coisas. Ele esteve constantemente a desafiar as fronteiras”. No início dos anos oitenta, a Califórnia idílica dos anos sessenta já não existia e o futuro estava longe de concretizar a banda sonora adolescente em que Dennis havia participado. O surf era também, então, o espelho desse novo mundo: uma mercadoria massificada e com um lado negro potenciado pelas drogas e pelos ácidos. Pacific Ocean Blue revela uma música sobre um passado perdido: um espaço inicialmente feito de calmaria, de lugares abertos, mas onde o divertimento acabaria por levar a uma agonia sombria. Uma história que acabaria num lugar muito distante do mundo como definido em Surfin’: surfin’ is the only life/the only way for me.
publicado na coluna Sal na Terra da SurfPortugal.

Publicado por pedroadãoesilva em 12:45 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 20, 2008

Medalhas

Não quero alimentar polémicas, nem acicatar pequenos ódios, mas julgo ser importante assinalar a prestação do Bodyboard português em mais uma edição dos ISA World Surfing Games. A força competitiva e a pura garra, dos três Bodyboarders nacionais, Rita Pires, Manuel Centeno e Hugo Pinheiro, merece ser assinalada e aplaudida. Deveria até ser, neste momento, um grande motivo de orgulho para todos os amantes de ondas aqui do rectângulo. Três medalhas para Portugal num desporto supostamente underground

Publicado por pedroarruda em 12:57 PM | Comentários (18) | TrackBack

outubro 19, 2008

Ponto alto dos Mundiais ISA

Final de bodyboard masculino na água, e Carla Tomé, comentadora oficial da prova, pessoa que mereceria todo o meu respeito enquanto espectadora anónima de campeonatos, afirma que Hugo Pinheiro e David Lee estão numa "tough situation needing two big scores" - isto após terem cometido interferências que os obrigariam a somar um total de 21.45. O comentador sentado ao seu lado diz que sim, que vai ser duro. Passam-se uns instantes até que um espectador mais atento reponha a verdade da matemática. Carla Tomé soma 10 mais 10 e percebe que 20 é um número inferior a 21.45. Faz o possível por dignificar o papel dos juízes num uso da língua inglesa apenas comparável a um top 45 brasileiro sob o efeito de ácidos. Foi uma semana antológica. Foi sim senhor.

Adenda: este post refere-se tão somente à prestação da comentadora oficial do campeonato. Por aquilo que vi, achei o desempenho da selecção portuguesa muito menos embaraçoso. Não foi o melhor possível mas andou lá perto.

Publicado por vascomendonca em 01:26 PM | Comentários (26) | TrackBack

outubro 18, 2008

Não perder isto

http://www.facebook.com/Film - Estreia mundial, online, de One Track Mind, novo filme do Chris Malloy.

PS - Que grande banda sonora!

Publicado por vascomendonca em 09:38 AM | Comentários (2) | TrackBack

outubro 17, 2008

só + uma

Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!

Agora não, que é hora do almoço...
Agora não, que é hora do jantar...
Agora não, que eu acho que não posso...
Amanhã vou trabalhar...

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos vencer!

Agora não, que me dói a barriga...
Agora não, dizem que vai chover...
Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...

Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, é esta a direcção!

Agora não, que falta um impresso...
Agora não, que o meu pai não quer...
Agora não, que há engarrafamentos...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...

Publicado por vascomendonca em 01:04 PM | Comentários (3) | TrackBack

+ coisas boas que se fazem em Portugal


Sam Alone

Publicado por pedroarruda em 12:12 AM | Comentários (2) | TrackBack

coisas boas que se fazem na Austrália

como diria o grande Júlio, clicka e vai, literalmente...

Publicado por pedroarruda em 12:03 AM | Comentários (2) | TrackBack

outubro 16, 2008

coisas boas que se fazem em Portugal

Sim, isto também é SURFMUSIC!

Publicado por pedroarruda em 04:14 PM | Comentários (7) | TrackBack

outubro 13, 2008

Layne

Se a Lisa Anderson era o Tom Curren do surf feminino, então certamente que a Layne Beachley é o Occy. Num desporto eminentemente machista, como é o surf, estas comparações não pretendem menorizar o papel e a importância destas duas figuras na historia do desporto, antes pelo contrário. Só começo desta forma para vincar ainda mais a singularidade destas atletas. Layne Beachley é a surfista que mais barreiras quebrou, não apenas contra os preconceitos machistas que imperam no surf, mas contra os próprios limites do que se entendia como surf feminino, tanto em matéria competitiva, como inclusive em matéria de ondas, de tamanho das ondas. Por outro lado nas questões organizativas da competição e nos aspectos comercias do surf, Layne foi, é e será sempre uma figura incontornável, no avanço do surf em geral. De certeza que ainda vamos ouvir falar muito sobre Layne Beachley. Ontem, aos 36 anos, a surfista com maior número de títulos conquistados anunciou a sua retirada da competição. No mesmo dia, num campeonato com o seu nome, uma australiana de 14, venceu o evento. Quem disse que a história não têm sentido?

Publicado por pedroarruda em 11:11 PM | Comentários (3) | TrackBack

outubro 10, 2008

Mundo Perfeito #41

Em condições normais (ou seja, sem estar atolado em trabalho e compromissos que me impedem, desde logo, de fazer surf), não teria deixado passar os 30 anos da morte de Brel ontem. Dir-me-ão: não tem a ver com o surf. Enganados, o Brel está próximo do surf. O Brel é como o surf, a vidinha vivida, por breves momentos, intensamente. Um breve vestígio de luz.

Rêver un impossible rêve
Porter le chagrin des départs
Brûler d'une possible fièvre
Partir où personne ne part
Aimer jusqu'à la déchirure
Aimer, même trop, même mal,
Tenter, sans force et sans armure,
D'atteindre l'inaccessible étoile
Telle est ma quête,
Suivre l'étoile
Peu m'importent mes chances
Peu m'importe le temps
Ou ma désespérance
Et puis lutter toujours
Sans questions ni repos
Se damner
Pour l'or d'un mot d'amour
Je ne sais si je serai ce héros
Mais mon coeur serait tranquille
Et les villes s'éclabousseraient de bleu
Parce qu'un malheureux
Brûle encore, bien qu'ayant tout brûlé
Brûle encore, même trop, même mal
Pour atteindre à s'en écarteler
Pour atteindre l'inaccessible étoile.

Publicado por pedroadãoesilva em 11:53 AM | Comentários (6) | TrackBack

outubro 06, 2008

Talento

O surf aprende-se melhor vendo ou fazendo? A receita perfeita seria vendo e fazendo, em doses iguais. Depois, para aperfeiçoar a equação, ou em muitos outros casos dificultar a equação, vem o talento, esse ingrediente indefinível que faz a diferença entre os predestinados e os esforçados. Pela minha parte devo confessar que em matéria de talento para essa coisa de correr ondas, sempre fui um dos esforçados. Tudo o que sei hoje foi fruto de muito ver e de muito fazer, ver e fazer, repetidamente, durante anos. E em muitas alturas da vida sem ver, nem fazer o suficiente ao ponto de ter que voltar tudo quase ao início. Um mês de frequências e aquele floater que em Dezembro saía sempre perfeito, em Março era apenas uma batida no lip e um mergulho de cabeça. Ou duas semanas de reuniões com fins-de-semana de mau tempo pelo meio e o drop atrasado de back side seguido de uma rasgada transforma-se num take off desajeitado, um drop manhoso e uma secção perdida até encontrar o equilíbrio. (ou, como diz o Perna num comment aqui em baixo, ao fim de não sei quantos anos, o corpo passa a mandar mais do que a cabeça...) É provavelmente por isso que sempre me fascinaram aqueles que estavam do outro lado da fronteira do talento, aqueles predestinados que não precisavam de ver para saber e que não precisavam de repetir para imediatamente fazer.

Felizmente ao longo da vida tive a sorte de conhecer alguns, foi a vê-los também a eles que aprendi. O gesto de apanhar ondas apesar de ser um acto iminentemente individual é feito de partilha, de comunhão. A partilha do line up com outros surfistas, a comunhão de sentimentos e emoções com o mar, as ondas, a natureza no seu todo e todos os outros surfistas como nós que nesse momento na mesma praia ou em todas as praias do mundo comungam da mesma emoção, do mesmo gesto de apanhar ondas. Muitas vezes a comunhão começa numa imagem, uma fotografia numa revista, um excerto de um vídeo, uma manobra mesmo à nossa frente. Um milésimo de segundo preso na nossa retina que nos leva ao desejo inabalável de o repetir. Mas agora imaginem um tempo, ou um lugar, onde não chegam os filmes, onde quase não há revistas, onde nem sequer há outros surfistas mais velhos e mais experientes com quem aprender. Um lugar onde apenas o vosso talento vos pode levar a passar aquela secção, a completar aquela manobra, a sair daquele tubo. Para mim tudo começou na Costa da Caparica dos anos 80 onde já havia muitos surfistas com talento, mas foi nos Açores que tudo se cimentou e aí encontrei e compreendi pela primeira vez a linha de separação entre os predestinados e o resto de nós, mortais. Nos Açores não havia filmes, as únicas revistas que chegavam, quando chegavam eram a Fluir e a SurfPortugal, de filmes apenas umas imagens de arquivo que passavam nos intervalos da RTP-Açores, durante o telejornal nacional, para preencher o espaço dos anúncios. E no entanto surgiram sempre nos Açores, ao longo do tempo, uma série de predestinados, de talentos naturais, que sempre terminavam uma manobra que mais ninguém sabia fazer, que passavam todas as secções impossíveis. Que faziam parecer fácil aquilo que para mim levava uma eternidade de dificuldades para conseguir.

O Zé Albergaria, o Valdinho, o Bernardo Rodrigues, o Vasquinho, o Ricardo Moura. O puro talento que brotava deles, a quase magia com que faziam as coisas, deixou-me sempre extasiado. Não deve haver outra explicação para a maneira como eles completavam à primeira uma manobra nunca vista, ou como passavam uma secção impossível, que não seja o talento puro, natural, inato e inimitável. Mas foi no talento deles que eu e muitos outros fomos beber a inspiração para repetir e repetir até conseguir fazer, se não igual pelo menos parecido com eles. Um outro caso especial de talento era um rapaz franzino que surfava na Costa chamado Ricardo Horta. Não havia na altura, nem creio que tenha havido depois, ninguém que surfasse em drop knee como ele. O seu talento era só dele. Mas esse talento, como o de todos os predestinados, foi o fermento que fez crescer em mim, e creio que em muitos como eu, a vontade de repetir e repetir e repetir, se repetir preciso fosse, até completar aquela manobra, e passar aquela secção e…

O surf aprende-se fazendo, mas que levante a mão quem nunca tenha dado um urro quando mesmo à nossa frente, quando remamos para o outside, alguém muito melhor do que nós faz uma manobra inacreditável. O surf faz-se também vendo.

publicado na FREESURF

Publicado por pedroarruda em 12:38 PM | Comentários (13) | TrackBack

outubro 03, 2008

Slater x 9

"Deus e Diabo. Louco genial. Científico analítico. Tudo ou nada. No começo de 2008, as mesmas perguntas dos últimos anos: “Kelly, vai ou racha?” As respostas há muito que estavam dadas, assentes nos rumores pós oitavo título em 2006, que davam conta de uma milionária oferta da Quiksilver, avançando um bónus de dez milhões de dólares para o eventual Big Ten de Slater. Mas assentes, sobretudo, numa vontade doentia de ganhar que faz da dourada cenoura do patrocinador uma espécie de cereja murcha pousada no topo do bolo que realmente inspira The Hell: o domínio total do seu desporto. Diz o dicionário que domínio é poder, império, propriedade, influência, jugo. Slater diz que não chega."

Ler mais aqui

Hail Mary of Bells, o momento do circuito?

Publicado por manuel castro em 07:23 PM | Comentários (10) | TrackBack

Sinto harmonia nesta manhã de sexta-feira


O Tiago passou mais uma ronda, o melhor surfista de sempre sagrou-se campeão do mundo, e o Benfica voltou a confirmar a sua grandeza. É bom quando tudo faz sentido.

Publicado por vascomendonca em 12:14 PM | Comentários (23) | TrackBack

Sl9ter

Publicado por pedroarruda em 11:10 AM | Comentários (0) | TrackBack