setembro 30, 2008

Ribeira Grande Pro na RTP-Açores

Publicado por pedroarruda em 02:06 AM | Comentários (12) | TrackBack

setembro 28, 2008

Se o Surf quer ser respeitado, o Surf tem que se respeitar

No início do ano, no campeonato em Snapper, toda a gente falava do cancelamento da etapa de Mundaka. E depois dos dois últimos anos acho que ninguém ficou surpreendido. Depois a mesa virou e afinal sempre haveria a prova do País Basco. Provavelmente a poderosíssima Billabong terá feito valer os seus interesses. Chegamos a Outubro e Kelly Slater está a uma unha de ser campeão mundial pela nona vez. O resto das estrelas do firmamento surfístico estão em estado depressivo e a ASP dá cambalhotas para tentar manter uma réstia de credibilidade. Por razões que não são noticiadas os irmãos Irons e Mick Fanning desistem de competir em Mundaka, a ASP nem dá conhecimento do facto e as notícias vêm via FantasySurfer e Surfline, nem no site do campeonato está escrito seja o que for sobre quem não vai comparecer e porquê. Depois num triplo mortal encarpado a ASP decide não realizar a segunda ronda, a loosers round, e passar directamente para o round três, sendo que quem ficar em terceiro é imediatamente classificado como "dirty third", 33. Numa altura do ano em que cerca de 20 surfistas lutam pela manutenção e em que qualquer oportunidade para amealhar pontos é bem-vinda há uma ronda que é liminarmente posta de fora e a desculpa é poder fazer o campeonato em menos dias. As decisões corporativas da ASP sempre foram e continuam a ser tão subjectivas como as do painel de 5 juízes e do meio de tudo isto tresanda um ar de amadorismo e de decisões em cima do joelho que em nada dignifica um desporto que se quer profissional e que deseja conquistar a respeitabilidade. Mais valia terem cancelado Mundaka. Mas se calhar sou só eu que penso assim...

Publicado por pedroarruda em 02:14 PM | Comentários (1421) | TrackBack

setembro 27, 2008

O nosso novo site favorito


http://www.surfportugal.pt
A bíblia do surf português tem finalmente morada online. É passar por lá

Publicado por vascomendonca em 01:06 PM | Comentários (283) | TrackBack

setembro 26, 2008

profissionalismo

Em Pipe Dreams, a biografia do primeiro terço da vida de Kelly Slater, um dos temas recorrentes é a comparação da vida e do retorno financeiro de um atleta profissional de surf, com outros desportos. Slater constata e crítica o pouco dinheiro que o surf profissional movimenta quando comparado com outros desportos de grande visibilidade. Vindo de Kelly Slater é mais do que normal e aceitável este tipo de perplexidade, estamos a falar de um dos maiores atletas de todos os tempos, com um currículo competitivo insuperável, e ainda vamos a meio… Mas, se bem que eu até concorde com as críticas de Slater, a verdade é que o maior inimigo do surf competitivo é ele próprio, não o Slater mas o Surf Competitivo. Enquanto os patrocinadores, as quatro ou cinco marcas do meio que bancam as principais etapas do World Tour, continuarem a branquear o comportamento irresponsável dos seus principais atletas e enquanto a direcção da ASP se mantiver impávida e subserviente a este cenário o Surf nunca poderá almejar a mais do que meia dúzia de milhares de dólares e malta como nós agarrada à net para ver, aos soluços, uns quantos heats em directo.

For various reasons neither Andy or Bruce Irons are going to be in Spain,

Publicado por pedroarruda em 07:37 PM | Comentários (6) | TrackBack

setembro 25, 2008

Mundo Perfeito #40


"I can gather all the news I need on the weather report.
Hey, I've got nothing to do today but smile."
Paul Simon
(para se perceber melhor o post do vasco aqui em baixo)

Publicado por pedroadãoesilva em 11:56 AM | Comentários (0) | TrackBack

coisas realmente importantes

Musica Surfica

Publicado por pedroarruda em 12:43 AM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 24, 2008

curiosidades

Alguém tinha o Adrian "Ace" Buchan na equipa do FantasySurfer?

Publicado por pedroarruda em 06:43 PM | Comentários (5) | TrackBack

setembro 22, 2008

O Surf Report do Quiksilver Pro France é uma das melhores coisas que aconteceu ao desporto este ano. Quem já viu sabe do que falo. Quem não viu vai concordar.

Publicado por vascomendonca em 05:12 PM | Comentários (17) | TrackBack

setembro 19, 2008

O "circo" nos Açores

Por razões profissionais não pude acompanhar o dia todo de competição. Os heats começaram às 10:00 da manhã, hora local, e depois de completa a primeira ronda o campeonato fez pause até cerca da seis da tarde para os quatro primeiros heats da segunda ronda. O mar não colaborou, num exemplo típico da velha máxima - “devias ter cá estado na semana passada!”. Metrinho, on-shore, o tipo de mar que qualquer local desdenharia como flat e insurfável, mas eu sou testemunha de aéreos e de surfistas a fazerem a ligação entre o outside e o inside em algo parecido com pequenas bossas na superfície da água, mas em tudo menos ondas. Onde qualquer um de nós afundaria eles fluem… Independentemente da questão do nível, um dado adquirido a priori, o que a mim me impressionou foi a vontade e o empenho. É um campeonato, é o mar que está, vamos para a água fazer o melhor possível. Ponto final.

Depois o Luís. Entre mais de 40 dos melhores surfistas nacionais o Paulo Luís Sousa, nado e criado a olhar para este mar e estas ondas, mas sem nunca ter surfado um campeonato destes na vida, entrou na água e passou um heat. O feito é altamente significativo para o surf dos Açores e merece ser elogiado. O Luís é um talento natural, o Luís tem uma coisa que mesmo muitos surfistas profissionais não têm, linha, linha de onda, flow e essa é uma qualidade que é inata. O Luís começou com a geração da escola do Brilhante e nunca perdeu o sentido das ondas e o gosto pelo mar, isto numa terra onde as ondas são um terror e o mar é visto, pela população em geral, como um perigo. Chegar aqui é uma grande conquista pessoal para ele e também para o resto dos amantes de ondas nos Açores. È também de certo modo a prova de que se este evento estivesse agora na sua 10ª ou 20ª edição muitos outros surfistas açorianos teriam já ganho rodagem e colocado o seu nome no mapa do surf nacional. Repito a minha mensagem do outro dia: Campeonato Nacional, bem-vindo aos Açores. Cabe-nos agora a responsabilidade de que este não seja apenas um acto isolado.

Publicado por pedroarruda em 11:09 PM | Comentários (17) | TrackBack

setembro 17, 2008

Assinar e espalhar palavra

Press Release

Surfers are some of the most travelled people in the world. Pioneering and exploring remote parts of the world to find that beautiful gem of a wave. These airlines would not even be making money from a lot of prime destinations if it hadn't been for surfers, places like Bali, Costa Rica, Central America, The Maldives, Sri Lanka and many remote destinations in Indonesia just for starters.

What is shameful & discriminatory is that most airlines have imposed fees for the handling of a surfboard. Some airlines have banned surfboards altogether! And they do this while other sporting equipment travel for free.

Delta has upped the anti by imposing the single largest fee compared to all airlines except for those carriers that have banned us surfers from flying with them, namely British Airways and Bahamas Air.

Below is a link to a petition to speak out against ALL airline carriers that have banned surfboards altogether and those airlines that charge surfers exorbitant fees for no benefit. Often when charged for boards to fly, the insult to injury is they will most often arrive damaged.

Please sign the petition below & voice your comments and let the airlines know we will not stand for outright discrimination.

http://www.surfers-against-airline-fees.com

We also would like to take the opportunity to express thanks & show support to the airlines that do not discriminate against surfers. They are: Qantas, Air New Zealand, Singapore Airlines, South African Airlines, TACA and Virgin Atlantic

Surfline has an extensive list of airline fees here:
http://www.surfline.com/travel/boardbag_charges.cfm?id=15425

Any company can support this cause by emailing us your logo to be pasted on the main www.surfers-against-airline-fees.com page with a link to your site.

EMAIL: info@surfers-against-airline-fees.com

Publicado por vascomendonca em 02:13 AM | Comentários (17) | TrackBack

setembro 15, 2008

Lagartos que se mexem


O primeiro número da revista Surfer, publicado em 1960, tinha apenas um artigo. Tudo o resto eram fotos. Ontem como hoje, eram estas que alimentavam o imaginário dos surfistas enquanto indolentemente aguardavam o regresso à praia ou esperavam pelo próximo swell. Ainda nos nossos dias, é com cepticismo que são olhados os textos sobre surf. Não por acaso, Dave Parmenter, no texto que introduz a antologia recentemente publicada dos melhores artigos da Surfer, questiona-se sobre se existe de facto um ‘surf writer’.
Não vale a pena pensarmos muito na resposta. Basta folhear uma revista de surf para termos a certeza que a palavra escrita ganhou relevância por direito próprio, em muitos casos independentemente das fotografias, que continuam a dominar as revistas. No entanto, há um género dominante entre o surf escrito: os artigos sobre viagens. Mas no princípio não era assim. Bem pelo contrário. O que nos leva de volta ao princípio da Surfer.
‘Malibu Lizards’, assim se chamava o artigo isolado do nº1 da Surfer. Nele se descrevia a letargia sedentária de dois locais de Malibu, corporizando as principais características então associadas à comunidade surfística: preguiça, passividade e uma total incapacidade de sair da praia de que se era local. Perante uma promessa de viagem para o Sul, ultrapassando a fronteira mexicana até Tijuana, o que fica é a ideia de uma torpor que prende os surfistas às areias de Malibu, perdidos entre latas de cerveja vazias.
Mas se os surfistas tal como retratados no início da Surfer nasceram sedentários, presos às praias que frequentavam, cultivando uma cultura de localismo e construindo micro-comunidades com os seus ritos e as suas histórias próprias, foram-se tornando, ao longo do tempo, a materialização do nomadismo.
Primeiro, as viagens faziam-se em busca da onda perfeita em praias límpidas, com massas de água quente a quebrar sobre fundos perfeitos. Mas hoje, depois de descobertas e redescobertas as ilhas da Indonésia ou as ondas perfeitas do Pacífico, já não é apenas a perfeição que move o surfista viajante. Nos últimos tempos as revistas de surf estão repletas de viagens a locais inóspitos, onde o surf é improvável, quanto mais o surf com ondas de qualidade. Do frio polar do surf na Rússia ou na Noruega, passando pelas ondas dos beach-breaks da China, até Malta, bem no meio do Mediterrâneo, tenho lido de tudo.
Lidos os relatos sobre a “Hossegor do mar da China” (com ondas de meio metro barrentas e pouco apelativas) ou sobre o surf com temperaturas sub-humanas perto dos círculos Polares, não posso deixar de pensar no que nos fez evoluir de lagartos a tostar ao sol das praias californianas para viajantes incansáveis, em busca de uma Ítaca, feita onda perfeita – mesmo tendo a certeza, à partida, que ela não existirá no ponto de chegada. O surf hoje confunde-se com a experiência de viagem, de busca de uma onda cristalina e de preferência imaculada.
Dave Parmenter enuncia um conjunto de hipóteses para que os surfistas tenham abandonado o sedentarismo inicial e tenham abraçado o nomadismo: a promessa de uma onda perfeita, tal como a do cabo St. Francis revelada pela lente de Bruce Brown em Endless Summer; uma espécie de darwinismo social estimulado pela fuga ao crowd; ou até uma razão menos prosaica – o consumo de droga (afinal muitos dos primeiros destinos de surf caracterizavam-se pelo acesso fácil e económico a estupefacientes). Contudo, nenhuma das explicações parece satisfatória ou pelo menos suficiente.
Para Parmenter há uma razão que explica a vontade de viajar dos surfistas. A permanência dos surfistas na mesma praia faz com que estes sejam os primeiros a detectar a mudança: primeiro a chegada de outros surfistas à sua onda de eleição, depois a expansão urbanística. Para quem vive na praia, o tempo deixa uma marca indelével que vai destruindo a memória inicial. É em busca dessa imagem perdida da praia, tal como a visualizaram pela primeira vez, que os surfistas partem. Para usar a formulação de Parmenter, desejam partir numa tentativa de recuperar o refúgio da infância. Nisso os surfistas não são diferentes do resto das pessoas: o desejo é sempre um regresso à memória que se projecta no futuro. A diferença é que a nossa memória é povoada por ondas. Ainda que muitas delas de facto nunca surfadas.

publicado na coluna Sal na Terra da SurfPortugal.

Publicado por pedroadãoesilva em 12:52 PM | Comentários (7) | TrackBack

setembro 11, 2008

Exercício

Pensem no último momento de grande inspiração que tiveram ou num momento particularmente inspirado a que tenham assistido (fora do mar). Agora comparem isso com a manobra que o Jordy Smith fez há 2 ou 3 dias atrás na primeira ronda. Já está? Agora imaginem que todos os dias, desde que houvesse ondas, com maior ou menos esforço, vocês eram capaz de repetir esse momento de génio (nos intervalos que separam cada um desses momentos também ele trabalha arduamente para os atingir, o ar effortless dele demorou tanto tempo a ser aperfeiçoado como a figura de uma miss venezuelana). Pronto. Não estou a falar de um afundanço à air jordan - a tabela não foge de quem afunda, limita-se a esperar pelo artista. Não é que os desportos em geral não tenham imponderáveis resultantes da genialidade dos seus intervenientes, mas é raro isso acontecer quando um dos intervenientes é, de forma tão clara, um dos cinco elementos. Os desportos de ondas estão numa outra galáxia de interacção. Bom, isto tudo para dizer que o rapaz Jordy merece todos os elogios e que dele se diga que é genial ou, no mínimo, de outro planeta. Estou-me borrifando para os resultados vindouros. Seguindo essa linha de raciocínio, a carreira competitiva do Bruce Irons pode levar-nos a crer que o senhor é burro que nem uma porta. E talvez seja, o que nesse caso daria origem a uma nova categoria de atleta: o burro genial. Burro em competição, genial fora dela. Ou talvez sejam os moldes dessa competição que nos levam a crer que o génio ou o burro ali se confirmam e tristemente se quedam. Nada mais falso. É claro que, ao longo da carreira, Jordy, Dane, e outros que tais, não sei se muitos mais porque dois destes não aparecem todos os dias, mas conforme dizia, claro está que estes burros geniais nos vão tentar provar o contrário, que são humanos temerários, cidadãos terrestres como nós todos, cometendo erros, falhando manobras em momentos cruciais, perdendo heats por estupidez (veja-se Bruce Irons, essa expressão máxima da inteligência competitiva) ou, muito simplesmente, não sendo ambos deca-campões mundiais, o que é uma possibilidade de contornos trágicos para a qual os organismos competentes deveriam fechar inteligentemente os olhos criando 20 circuitos mundiais nos próximos 10 anos. A procissão destes dois ainda pode ir no adro, e eles podem até parecer mortais como nós comuns, mas a mim não me enganam.

Publicado por vascomendonca em 03:24 PM | Comentários (17) | TrackBack

setembro 09, 2008

Saca

Taylor Knox - 16.83 (8.83 e 8.00)
Saca - 16.43 (8.43 e 8.00)

Tudo bem, o Saca surfou muito, duas ondas brutais, dos melhores heats dele em todo o ano, o surf está todo lá, no pocket, preciso, seguro, com muita àgua a voar pelo ar, só faltou um manguito no fim da segunda onda. Sim, porque a segunda onda do Taylor foi sobrevalorizada, as 40 décimas que os separaram no fim do heat ficam pelo manguito...

Publicado por pedroarruda em 10:18 PM | Comentários (19) | TrackBack

A Indústria


A celebração de tudo o que o Surf tem de competição, marketing, comercialismo, interesses das multinacionais e $$$€€€. Para assistir em directo (pelo menos para aqueles soul surfers que não tiverem que trabalhar amanhã…) on-line. Thank God for the Internet!!! :)
Como diria o grande Julio Adler, clicka na imagem e vai...

Publicado por pedroarruda em 08:07 PM | Comentários (5) | TrackBack

Obama é Fixe (sim, outra vez)

Publicado por manuel castro em 02:14 PM | Comentários (3) | TrackBack

e agora para algo completamente diferente

ou talvez não

Na solarenga California, Orange County, Lower Trestles, Pat O'Connel a comentar no webcast do Boost Mobile Pro, a não perder.

...entretanto o Tiago perdeu num disputadíssimo primeiro heat e vai apanhar o Taylor Knox na segunda ronda, Vai Saca!

Publicado por pedroarruda em 01:02 AM | Comentários (9) | TrackBack

setembro 07, 2008

sobre ondas em locais isolados

O post anterior abriu a porta, de uma forma que eu não esperava, a uma série de questões. Antes de mais porque pensava eu, erradamente, que só havia meia dúzia de açorianos que liam o Ondas regularmente e que eu os conhecia a todos, pelos vistos não. Mas vamos por partes e tentar perceber o porquê destas polémicas. A primeira questão e talvez uma das mais interessantes foi posta pelo Luís – porque é que o Surf açoriano, que já existe há mais de trinta ou quarenta anos, não foi capaz nunca de se organizar internamente, de forma a existirem clubes, associações, competições e uma infra-estrutura local de surfistas que zelem pelos interesses desses mesmos surfistas? Na minha opinião há várias explicações para esta realidade mas um ou dois factores foram/são os mais determinantes. Primeiro que tudo a sociedade açoriana, e a micaelense em particular, é e sempre foi, historicamente, desligada do mar. Talvez pela fúria do mar açoriano ou apenas por questões de classe social a sociedade açoriana sempre foi mais agrícola e rural do que costeira e piscatória. As actividades ligadas ao mar sempre foram deixadas a uma minoria pobre da população. A bravura do mar de inverno nos Açores nunca permitiram que as actividades marítimas fossem particularmente rentáveis, mesmo a baleação do séc. XIX nunca foi tão forte economicamente como a Laranja, por exemplo. Este fatalismo histórico e geográfico levou a que a grande maioria da população dos Açores se afastasse do mar enquanto fonte de rendimento ou até mesmo de lazer.
Para perceber melhor este determinismo é preciso entender que há cerca de vinte anos atrás íamos surfar para a Ribeira Grande (Monte Verde e Areais) às escondidas dos nossos pais. A mesma praia que agora vai receber a etapa do Campeonato Nacional era vista como particularmente perigosa e proibida. Essa é também uma das razões pelas quais os desportos de ondas nos Açores foram, ao longo dos últimos trinta anos, sempre praticados por uma minoria de pessoas, não era só o facto de o material ser caro, era que os nossos pais tinham medo do mar.
Depois há uma segunda questão. A maioria dos surfistas açorianos começou na adolescência, enquanto ainda no Liceu, ora uma grande maioria desses surfistas deixou os Açores para ir para a Universidade, numa altura de grande potencial e dinamismo, os surfistas açorianos estão no continente e apenas cá vêm nas férias, esta é uma das principais razões impeditivas da criação de um verdadeiro movimento associativo e de organização. Ao fim de trinta ou quarenta anos estamos finalmente a assistir à fixação nos Açores de uma geração que já se formou, que está a estabilizar as suas vidas e que finalmente tem a possibilidade de poder fazer alguma coisa pela sua paixão pelas ondas. Nos últimos anos foi a isso que assistimos, com maior ou menor sucesso, à tentativa de estabelecer as bases do que pode ser o futuro dos desportos de ondas nos Açores. É óbvio que nem tudo foi bom, nem tudo correu bem, somos muito poucos e não temos obviamente que ser todos amigos uns dos outros, pelo que muitas das iniciativas não tiveram sucesso ou continuidade. Oxalá que as movimentações a que agora assistimos possam ser a base de um futuro melhor, com mais organização, com mais apoios e até com mais surfistas na água durante o ano todo.
E aqui entra outra das polémicas que está a correr nos comentários aí em baixo – a desvirtuação do surf açoriano pelo crowd. Permitam-me que diga que os Açores nunca, repito nunca, vão ter crowd. Crowd não é numa tarde de Setembro ao fim-de-semana estarem trinta ou cinquenta surfistas nos Areais. Isso não é crowd, crowd seria num mesmo dia em Novembro, com swell de norte sólido de três a quatro metros e vento sul, desde a Praia dos Mosteiros até à Fajã do Araújo estarem os mesmos 50 surfistas em cada um dos picos surfáveis da costa norte e isso, feliz ou infelizmente, nunca vai acontecer. Primeiro, porque a população dos Açores não vai crescer até esse ponto e depois porque a verdade é que há sítios por esse mundo fora muito melhores onde gastar mil euros numa surftrip.
Mas, e voltando às questões importantes, há outra critica que também merece discussão que é o facto de a ASSM ter como primeira grande medida e evento de alta visibilidade uma etapa de Campeonato Nacional? Bem, talvez porque foi a primeira que surgiu e talvez seja aquela que permite criar a base para tudo o resto que poderá acontecer depois. Se esta organização for um sucesso, e não estou a pensar sequer em termos de ondas, mas em termos de organização e de projecção mediática do surf nos Açores junto de políticos e patrocinadores, podem ter a certeza que será bem mais fácil daqui para a frente haver políticos e patrocinadores interessados em dar o dinheiro necessário para haver bons circuitos de ilha, de um Campeonato Regional e de levar atletas açorianos a correr campeonatos nacionais e internacionais. Mas para isso é preciso começar por algum lado e este pode ser um bom início. Quanto mais não seja o capital de experiência que os surfistas açorianos vão ganhar na organização, no conhecimento dos critérios de julgamento e tudo o resto de know-how que este evento pode deixar nos Açores, só isso já é muito importante, para depois podermos organizar um nosso. Quanto ao resto, é como eu digo, não temos que gostar todos uns dos outros, mesmo sendo tão poucos e podemos sempre continuar a falar mal, e esse sim é um desporto que sempre foi muito praticado nos Açores.

Publicado por pedroarruda em 05:47 PM | Comentários (23) | TrackBack

setembro 05, 2008

o "circo" vai chegar à cidade


foto SurfAzores

Parece confirmado que a próxima etapa do Campeonato Nacional de Surf, a terceira no circuito deste ano, vai mesmo realizar-se aqui no quintal de casa. Primeiro que tudo devo dizer, para locals e não locals, que sou a favor, sublinho sou a favor. Dito isto umas quantas considerações: 1º Peca por tardio, já há muito que um evento deste género devia ter sido feito nos Açores; 2º É pena que tenha sido preciso alguém vir de fora para se aventurar em organizar um evento deste género (aqui abro um parêntesis para elogiar o Rodrigo Herédia por ter tido a corajosa ousadia de correr todos os riscos de organizar algo assim); 3º Veremos como a coisa vai funcionar – os Açores são uma localização ingrata, o swell é demasiadamente inconstante e imprevisível, o destino é caro, a logística local é má, e os locals, bem os locals são locals… Depois disto a esperança que este Ribeira Grande Pro seja o início de um período áureo no que aos desportos de ondas diz respeito na ilha de São Miguel e nos Açores em geral. O potencial existe, haja quem o saiba aproveitar, já que nós não tivemos nem a força nem o engenho para o fazer. Como único título fica-me o íntimo prazer de saber que em muitos destes picos fui um dos primeiros a dropar. Campeonato Nacional Bem Vindo aos Açores!

Publicado por pedroarruda em 12:06 AM | Comentários (60) | TrackBack

setembro 02, 2008

www.ricardobravo.com

Para além de ser amigo cá da malta, é alguém que tem sido fundamental nos desportos de ondas em Portugal. Porquê? Porque a história do surf ou do bodyboard, tal como nós a temos visto, pelo menos tal como eu a tenho acompanhado desde que me lembro, depende, em grande parte, da capacidade e do talento do Ricardo. Bom, serve a breve nota para dizer que agora há um website onde podemos constatar aquilo que eu acabei de escrever: www.ricardobravo.com

P.S. - Curiosamente, a única coisa que falta a este post é uma foto do Ricardo Bravo. Contentem-se com o cabeçalho.

Publicado por vascomendonca em 01:51 PM | Comentários (3) | TrackBack