agosto 27, 2008

À espera que o outro Verão comece

In the New Year - The Walkmen

Oh, I’m still living
At the old address
And I’m waiting on the weather
That I know will pass

Publicado por vascomendonca em 05:26 PM | Comentários (4) | TrackBack

agosto 26, 2008

cenas da vida doméstica


porta com 9’1’’, esfregona, estendal da roupa e desumidificador

subtítulo: Até domingo Portugal descobre-se, inusitadamente, transformado no centro do mundo no que aos desportos de ondas diz respeito, desde a Praia Grande até Ribeira d’Ilhas estendem-se as atenções dos amantes de ondas. Mas enquanto aí alguns surfistas vão surfando para ganhar a vida, no resto do mundo, outros surfistas vão ganhando a vida para poderem surfar, de vez em quando…

Publicado por pedroarruda em 11:01 PM | Comentários (4) | TrackBack

agosto 21, 2008

O Marco Fortes deve ter acordado com os festejos dos vizinhos

Publicado por vascomendonca em 05:04 PM | Comentários (32) | TrackBack

agosto 20, 2008

Surfar pela Vida

Aqui há uns tempos o caderno P2 do jornal Público deu tema de capa e fez duas páginas de reportagem sobre o Jaime Jesus. Para quem não sabe, o Jaime Jesus é um dos melhores bodyboarders nacionais e passa também por ser o surfista representado na foto de Miguel Barreira que ganhou um 3º prémio no concurso da World Press Photo de 2008, na categoria de desporto. A foto foi tirada durante o Nazaré Special Edition e mostra os segundos antes do Jaime, projectado no ar, ser engolido por um turbilhão furioso de espuma e água. O título da reportagem era qualquer coisa como, “fomos à procura do rapaz da foto” e nesta ficava-se a saber que o Jaime, para ganhar a vida, vai passar o verão a trabalhar como nadador salvador nas praias da Figueira da Foz.

Também pela mesma altura, creio eu, a SurfTotal TV fez uma entrevista com o Luís Pereira, mais conhecido como “Porkito”. O Porkito é um dos melhores surfistas nacionais de ondas grandes. Quem não viu o Antípodas e gosta de ondas, independentemente do suporte que utiliza para as descer, vá ver o filme. Há um segmento do Porkito a dropar Teahupoo que é absolutamente impressionante. Longe daquela perfeição oleosa que vemos muitas vezes nas fotografias das revistas, o Porkito aparece a dropar Teahupoo num dia agreste, em ondas cheias de espuma, açoitadas pelo vento, num swell não particularmente amigável. O Porkito foi também campeão nacional de esperanças, mas nessa entrevista ele confessa que este verão vai trabalhar como nadador salvador e que pondera no futuro candidatar-se à Polícia Marítima.

Estes dois exemplos são paradigmáticos do que são os desportos de ondas em Portugal. Temos aqui dois atletas de topo, bons competidores, bons freesurfers, com tudo para darem retorno às marcas e poderem ganhar a vida a fazer aquilo que mais gostam e em que são melhores: apanhar ondas. No entanto, têm que procurar outros trabalhos para fazerem pela vida: para sair de casa dos pais, para comprar um carro, pagar a hipoteca da casa, para ter o mínimo dos mínimos que qualquer jovem da classe média trabalhador de um banco tem. Podem responder-me que são bodyboarders, um desporto onde não há dinheiro, mas na verdade quantos surfistas – daqueles de pranchas de resina – vocês conhecem que ganhem a vida através do surf? Da próxima vez que forem à água olhem à volta, depois pensem se a relação entre o número de praticantes e o número de profissionais, ou dito de outra maneira o número de pessoas cuja profissão está directa ou indirectamente ligada às ondas, é legítima?

É óbvio, até para mim, que a situação melhorou muito nos últimos anos, Muitos surfistas foram à luta em busca de formas de ganhar a vida, se não pela via de surfista profissional, pelo menos em negócios ligados ao surf. Nos últimos anos surgiram as escolas, as lojas, as revistas, os clubes, os eventos e um outro sem número de actividades paralelas ao gesto de apanhar ondas, que permitem que os surfistas vivam da sua paixão e ganhem a vida com isso. Mas será que isso é suficiente, quando alguns dos nossos melhores não sobrevivem apenas das ondas? Já o disse e volto a dizer, é inadmissível que ao fim destes anos todos o Surf em Portugal ainda esteja neste ponto de infantilidade e pedinchice. Nunca ninguém tem dinheiro, tudo é feito no favor.

Uma actividade económica e um sector da sociedade que apresenta um número tão elevado de praticantes e/ou simpatizantes tinha que, quanto mais não seja estatisticamente, ter um número muito maior de volume de negócios e de profissionais no activo. Custa ver tanto talento nas ondas ser desperdiçado em empregos alternativos. E a incapacidade do mundo do Surf português em aproveitar e sustentar o talento dos seus melhores é um problema de todos nós. Enquanto os melhores tiverem que ser nadadores salvadores para fazer pela vida é o Instituto de Socorros a Náufragos quem ganha e o Surf que perde. O Surf quanto muito, e na melhor das hipóteses, apenas ganha uns quantos nadadores salvadores que não vão passar o dia todo a soprar no apito para os surfistas saírem da água ou remarem mais para um lado ou para o outro e isso não me parece que seja ganho nenhum.

Pessoalmente não tenho nada contra a ideia neo-hippie de viver numa combi, pescar para comer, ser vegetariano, fazer yoga e andar pelas costas desertas da Europa e do Norte de Africa em busca de ondas. Já passei por isso e gostei, se bem que sem o yoga e o ser vegetariano e foi no México e na Califórnia. Mas gostava de acreditar que hoje, depois de todos os sacrifícios e escolhas de vida que muitos de nós fizemos, gostava de acreditar que a prestação do carro e da casa, as fraldas da criança, e o resto da vida do dia-a-dia de um dos novos talentos do Surf nacional pudesse ser pago com os lucros do seu trabalho e que esse trabalho fosse, somente, apanhar ondas.

publicado na FREESURF

Publicado por pedroarruda em 03:49 PM | Comentários (12) | TrackBack

agosto 12, 2008

O moço alemão

Para o caso de ainda alguém não ter reparado, Marlon Lipke está em 9º lugar no ranking do WQS com excelentes hipóteses de conquistar o seu merecido lugar no WCT.
Rankings valem o que valem, mas a história do Marlon é no mínimo interessante. Não fez o Circuito Nacional português, nem se preocupou muito com isso. No início da sua carreira, houve quem o criticasse por não se ter assumido como português ou alemão, mas antes como europeu. Como é seu hábito, ignorou o “diz que disse” e preferiu seguir em frente e fazer o seu caminho. Na altura, os pais definiram como prioridades para o jovem Marlon os estudos, viajar desde muito cedo e gerir os patrocínios conquistados na Alemanha e Europa.
A própria personalidade - metido consigo mesmo, tranquilo, humilde - torna-o num daqueles casos em que a postura em terra não joga de forma nenhuma com o surf poderoso que exibe na água.
Numa altura em que o surf europeu parece estar de muito boa saúde e rodeado de tanto “ruído”, é entusiasmante ver um surfista tão low profile chegar lá. O moço alemão, nascido e criado entre as praias do Algarve e viagens por esse mundo fora, depois de muitas lesões e uma recente mudança de patrocinadores, está cheio de força e garra para ganhar.
Para mim, que o vi, de boca aberta, surfar com o seu estilo e força tão característicos pela primeira vez no Zavial com uns 13 anos, o moço é alemão, mas muito português, claramente europeu e um grande surfista.

Ricardo Bravo

(agora que o precedente foi aberto, o Ricardo vai ter de começar a escrever por aqui. como é natural, a foto é também dele)

Publicado por pedroadãoesilva em 11:25 AM | Comentários (37) | TrackBack

agosto 08, 2008

Mundo Perfeito #39


"Mesmo que não conheças nem o mês nem o lugar
caminha para o mar pelo verão"

Ruy Belo (faz hoje trinta anos do dia da sua morte)

Publicado por pedroadãoesilva em 12:01 AM | Comentários (11) | TrackBack

agosto 06, 2008

Instigar ambição

Numa série de ensaios acerca do papel da fotografia na evolução cultural, Susan Sontag – escritora, crítica de arte e activista norte-americana que se tornou referência em todas estas áreas na segunda metade do séc. XX – afirmou que a fotografia dá às pessoas um sentido de posse imaginária de um passado que não lhes pertence. Através da fotografia, as pessoas apropriar-se-iam de um passado irreal. Por outro lado, dizia Sontag, as fotografias ajudam as pessoas a afirmarem-se num espaço no qual se sentem inseguras.

O que é que isto tem a ver com o bodyboard? Tudo. A evolução dos desportos de ondas reflecte claramente a importância do meio visual na formação da identidade colectiva do desporto. Com a evolução deste formato, emergiu um novo código visual para as massas. Não só a difusão das imagens se tornou mais eficaz e abrangente como a fixação de momentos para a posteridade passou a ser cada vez mais fácil. A fotografia é hoje uma prática ao dispor de qualquer um. Não há nada que não possa ser fotografado e, se porventura houver, queremos provas.

Precisamos de ver para crer. No caso do bodyboard e do desportos de ondas mais mediáticos, gostamos de analisar escrupulosamente muitas imagens de revistas antes e depois de surfar. Durante a surfada recordamos esta ou aquela imagem marcante que gostaríamos de replicar, um momento de uma história anónima que gostaríamos de tornar nossa. O que esta avalanche de fotografias fez por nós foi tornar-nos mais sonhadores, viajantes, reflexivos. Aos mais perseverantes dentro de água, tornou-os combatentes, sacos de pancada de mares zangados, e, em última análise, vencedores extasiados de um campeonato em que todos competimos de uma forma ou de outra, seja para ganhar o respeito dos nossos pares dentro de água ou simplesmente para nos tornarmos bons em qualquer coisa. O passado que não nos pertence e que consumimos vorazmente em publicações como a Vert é muitas vezes o princípio de um sentimento de pertença, ou a percepção de que ali não pertencemos. Começamos por sentir o apelo de uma imagem, até que eventualmente nos transformamos nessa própria imagem. Replicamos o que vemos para nos tornarmos melhores. Apesar de esta não ser uma relação inteiramente linear, vejo no meu dia-a-dia que os melhores desportistas são, não raras vezes, excelentes profissionais, pessoas convictas, vencedores mesmo quando derrotados. Malta que os tem no sítio em mais do que um sentido. Ainda me recordo, há não muitos anos atrás, de ver o Gonçalo Campos - o nome artístico do senhor é "Pitaça" - dentro de água a apanhar umas espumas no inside num dia não tão grande assim. Hoje em dia é um dos meus bodyboarders favoritos. Ele não me conhece de lado nenhum e eu pouco mais sei do que aquilo que tenho visto, mas o que eu admiro em casos como o dele é a capacidade de transformar uma paixão inadiável – que se reconhecia naquelas espuminhas apanhadas no inside - num talento indiscutível. Sinto que as fotografias de uma publicação como a Vert estão intrinsecamente ligadas à evolução do atleta que existe dentro de nós, que é uma extensão da pessoa, e, claro, à evolução do desporto e da sua identidade. A fotografia é uma das muitas formas que esta cultura tem de formar vencedores. Através do sonho e da ambição que instiga nos curiosos e persistentes. A fotografia é a perpétua constatação de que ali podíamos estar nós. E todos os que desafiam esta curiosidade, anónimos ou célebres, fotografados ou não, acabam por ter o seu momento de glória.

Publicado na Vert

A foto é do Salvador Colaço, que tem mais como esta aqui ou aqui.

Publicado por vascomendonca em 03:55 PM | Comentários (36) | TrackBack

agosto 05, 2008

O dia em que não houve insultos

Recomenda-se um pouco mais de paz e amor nas caixas de comentários. Seria desejável que a isso acrescesse um uso criterioso e cuidado da língua portuguesa. Se não tiverem tido aulas de português na escola, por favor ignorem este post. Se acham que é normal usar este espaço para insultar gratuitamente outras pessoas, por favor ignorem a existência da caixa de comentários (antes que isto obrigue os autores do blogue a moderação mais atenta).

P.S. - Este post está-me atravessado desde que a discussão estimulada por este blogue se começou a revelar mais embaraçosa do que interessante. Isto exclui, obviamente, os muitos contributos valiosos, críticos, informados, ou pelo menos bem intencionados, que diariamente acompanho desde a criação desde blogue. Isto aqui, o Ondas, não é o site do Record. E também não é a secção "Desportos de Ondas" do Correio da Manhã. Convençam-se disso.

Publicado por vascomendonca em 09:57 PM | Comentários (16) | TrackBack

O dia em que o Saca ganhou

Há coisas que não se esquecem. Eu não sei se foi exactamente assim, mas lembro-me como se fosse hoje. Estava muito calor e era de tarde. Aliás, nessa altura o futebol era à tarde e parecia que estava sempre muito calor. O Brasil jogava com a Itália e o Brasil acabaria por perder com a Itália. Foi nesse dia, nesse jogo do Mundial de 1982, que se abriu caminho para que o cinismo dominasse o futebol mundial. Mas eu, nessa derrota do escrete comandado por Telê Santana, descobri o futebol. Os nomes não se esquecem: Júnior, Cerezo, Sócrates, Falcão, Zico e Éder. Quem viu, viu. Quem não viu, não volta a ver. Não apenas porque seis jogadores assim são irrepetíveis, mas porque depois dos golos oportunistas de Paolo Rossi, durante muitos anos ninguém arriscou jogar futebol.

Eu vi, e lembro-me como se fosse hoje. E quando tenho dúvidas se gosto de facto de futebol, faço o exercício mental de me recordar daquelas horas. Tenho como primeiro desgosto sentido o momento em que a bola vem ter com Rossi, no meio da pequena área, para este marcar o terceiro golo ao Brasil. Mas tudo isso é nada, comparado com a memória daquele meio-campo que fazia tudo o que deve ser feito. Não era geometria porque isso tem regras. Era um acaso que afinal obedecia a uma lógica, feita de passes improváveis mas que vistos depois são óbvios. Criatividade e uma forma romântica de chegar à baliza adversária. Revejam os golos do Brasil de então. Não há um único que nasça de uma jogada fortuita. Não há um único que comece apenas no momento da finalização. Todos. Todos são jogadas de golo desde o momento em que se iniciaram, bem atrás no campo. Mas o Brasil perdeu e os cínicos tendem a dizer que foi mais uma vitória moral. Não foi.
O Javier Marías, que durante anos a fio publicou, no El País, textos espantosos sobre futebol, escreveu a frase que melhor explica o fascínio dos homens pelo desporto rei: “o futebol é o regresso semanal à infância”. Pois, para mim, o Brasil de 1982 é o futebol e a infância. Devo isso ao Zico, ao Sócrates e ao Telê Santana.
Claro que tenho mais alguns momentos – escassos, cada vez mais escassos – em que uma jogada, um golo, uma finta, por vezes até, apenas uma ilusão de jogada, de golo e de finta, servem para reafirmar a minha relação com o jogo. Mas, devo também confessar, hoje não é só o futebol que tem essa capacidade única de me devolver à infância. Quando vi o Slater há três anos a recuperar de uma combinação impossível perante o Bruce Irons em Teahupoo ou a vencer na buzina a final em Jeffreys com o Andy Irons, senti o mesmo que com as fintas do Chalana no EURO-84 ou com o golo do Luisão ao Sporting que deu o último título ao Benfica. Por vezes, encostado ao ecrã do meu computador, enquanto sigo os webcasts do WCT, também a ver surf sou devolvido à infância, a sensações desprovidas de racionalidade, em que a emoção competitiva se combina com o deslumbramento estético com uma manobra perfeita.
Lembrei-me de tudo isto enquanto via o heat do Saca contra o Joel Parkinson em Teahupoo. A história é conhecida: o Tiago fez um 10, num tubo descomunal, bem profundo e rodeado de espuma e depois de lhe ter sido marcada uma interferência que deitou tudo a perder, fez ainda um 8.47, num tubo sem mãos no rail, pleno de raiva. Como acontece muitas vezes em Portugal, a leitura imediata era clara: o Saca perdeu, mas terá conquistado uma vitória moral.

Pois eu, sentado em casa, em frente ao computador, quando aquele heat acabou, tive a certeza que o Saca tinha ganho. Como milhares de portugueses que seguiam a transmissão, eu posso ter-me emocionado, mas o Tiago, mesmo tendo perdido, tinha acabado de ganhar o seu lugar no WCT. Aquelas duas ondas em Teahupoo, num heat perdido perante o cinismo do Parko, só podem ter sido o princípio das vitórias que acabarão por chegar. Mas, para mim, aquelas duas ondas foram também um regresso à infância – o que é a maior das vitórias individuais a que podemos ambicionar. Afinal, passados vinte e seis anos, é do Brasil derrotado no Mundial de 1982 que eu me lembro e não da cínica Squadra Azzurra, campeã do mundo.
publicado na coluna Sal na Terra da SurfPortugal

Publicado por pedroadãoesilva em 11:47 AM | Comentários (21) | TrackBack

agosto 03, 2008

Grande

10.16 Fredrick Patacchia HAW
8.50 Tiago Pires PRT

Saca em 3º lugar no Rip Curl Pro Search 2008.

adenda: esta noite foi vivida aos solavancos, com o despertador a tocar permanentemente e a confundir-se com as mensagens que iam chegando ao telemóvel. Lembro, do começo da noite, no webcast português, as palavras do lendário Ricardo Bocão sobre o Saca e, mais a meio da noite, uma mensagem que caiu no webcast - a de Gustavo Lima, acabado de chegar à China, onde vai disputar os Jogos Olímpicos na Classe de Laser, em Vela, a dar a sua força ao Tiago. Bonito de ver. Por agora, só falta dizer uma coisa: obrigado Saca.

Publicado por manuel castro em 09:26 AM | Comentários (6) | TrackBack

Os meus vizinhos estão a chamar a polícia

Red 2 11.34 Kieren Perrow AUS
Yellow 1 12.00 Tiago Pires PRT

Já está difícil de controlar a emoção, o Tiago está a surfar bem, e quando as ondas não colaboram está a surfar esperto. Agora é contra o Fred Patacchia, nas meias. Esperamos para ver. Ainda cedo demais para o barulho que estou a fazer em casa.

Até a minha namorada está a colaborar com a barulheira! VAMOS EMBORA!

Publicado por miguel bordalo em 07:50 AM | Comentários (0) | TrackBack

Bustin' Down the Door

2 5.06 Dayyan Neve AUS
1 13.77 Tiago Pires PRT

Agora vem ai o Kieren Perrow. E...

Publicado por manuel castro em 04:14 AM | Comentários (11) | TrackBack

agosto 02, 2008

O dia em que a casa foi abaixo

A última madrugada vai ficar na nossa memória para sempre. Slater, o rei dos adjectivos, subjectivos e objectividades, foi dominado pelo Tiago de uma maneira que tão cedo não vai esquecer. Valendo o que vale, é uma vitória histórica. Quanto ao surf em si, nada me surpreendeu – aquele é o Saca e aquilo é o tipo de coisas que ele pode fazer. Ontem, a noite foi longa, uma amálgama de emoções, espelhadas em palavras, rostos e abraços, acho que ainda nem sequer consegui gerir tudo aquilo que vivi – até porque, diga-se em abono da verdade, ainda estou com uma ressaca monumental.
Queria só aqui lembrar umas palavras de um dos fãs número um do Saca, o Luís Reis, o Pizzas, aqui da Ericeira, que tem tido uma luta tão significativa pela sua saúde nestes últimos tempo, o que nunca lhe retirou a força e o entusiasmo para torcer pelo seu Tiago – o que é para inspirar, admirar e aprender. Falava ele, no começo da noite, do imenso privilégio que tínhamos em conhecer o Saca, o mesmo que daí a umas horas ia enfrentar um ícone mundial do mundo desportivo. “Já viram isto? Em 6 mil milhões de pessoas na Terra, nós conhecemos aquela que agora vai entrar num heat com o Slater”. Pode chegar a parecer simples, num era onde a facilidade se vende sob várias formas, mas não é. Tem tudo menos de simples, até porque um português no WCT é quase um freak accident. Já o Saca no WCT era um destino inevitável, se é que dá para perceber a diferença subtil.
Só uma invulgar capacidade de acreditar e sonhar permitiu ao Saca poder estar ali, naquele momento, algures na Indonésia, e ter meia-hora de oportunidade para dar cabo do maior mito que o surf já produziu. E só uma rara combinação cósmica nos permite viver esse momento com uma intensidade ainda maior que o normal – a que nos ofereceu o enorme privilégio de conhecer este bigodudo. Ontem, no canal, depois daquela última onda, o Nicolau (pareceu-me ser ele) foi nós todos ali, naquele momento, a felicitá-lo. E isto é só o começo.

Por aqui ficam as reacções um pouco por todo o mundo. Na Surfer, Surfing, Surfine e na Australian Surfing Life.

Publicado por manuel castro em 09:42 PM | Comentários (12) | TrackBack

good waves come to those who wait

Rookie Pires Bests ASP Ratings Leader Slater in Rip Curl Pro Search Round 3
SOMEWHERE, Indonesia (Saturday, August 2, 2008) – Tiago Pires (PRT), 2008 Dream Tour rookie and current No. 39 on the ASP World Tour ratings, caused a sensational upset today, eliminating eight-time ASP World Champion and current ratings leader on the ASP World Tour, Kelly Slater (USA), from Rip Curl Pro Search competition in Round 3.

Running in solid six foot (2 metre) waves at the primary venue ‘somewhere’ in Indonesia, Round 3 of the Rip Curl Pro Search was treated to some fantastic performances, none moreso than Pires’ come-from-behind victory over Slater. Needing a 7.16 in the dying moments, Pires watched a priority-holding Slater take the first wave of the set, leaving the European to pig-dog an incredible backdoor pit for an 8.40 and the win.

“There were two waves at the end of that heat and he went on the first one and I took the second and it turned out to be a really good wave,” Pires said. “When I came out of the barrel and into the channel, everyone was screaming. This is the biggest win of my career. I have won a few ASP WQS events, but to beat Slater here in these conditions is amazing.”

Pires’ victory was well celebrated on the cliff by several members of the ASP Top 45 as the young Portuguese surfer is the first Dream Tour competitor to defeat Slater in 2008.

“When I came up through the cave it felt like I won the event,” Pires said. “There were so many people screaming and cheering. It felt really good. I guess it’s a big deal that no one else had beat him this year, but I’ve been training hard and I hope to be going much further in this event.”

Slater, who has won a staggering four out of five events thus far on the 2008 ASP World Tour, was gracious in his defeat, congratulating his opponent while considering his tactical mistake.

“I knew I shouldn’t have gone on that first wave,” Slater said. “Congratulations to Tiago (Pires) as he surfed really well. He’s definitely not one who I underestimate and he is probably one of the best barrel-riders in the world. It was one of those situations that I played through in my head about a minute before it actually happened, but that happens from time to time. Before the contest started, I said my luck would have to run out somewhere and I guess it was here.”

Still sitting with a comfortable lead in the race for the 2008 ASP World Title, Slater will regroup and look towards the next event at Lower Trestles, California in September.

“It’s an unfortunate result here – no one likes a 17th,” Slater said. “However we get two throwaways and when I do that, I’m still counting four wins this year which is pretty good. Lowers has always been a good venue for me. It feels like my backyard and it is typically one where I do really well. You can never discount any one in any heat though, these are the best surfers in the world and they’re all dangerous.”


Vai Saca!!

Publicado por pedroarruda em 11:32 AM | Comentários (19) | TrackBack

Cuidado com o senhor do bigode...

Publicado por vascomendonca em 08:20 AM | Comentários (5) | TrackBack

agosto 01, 2008

Algures é um lugar bom

Publicado por manuel castro em 03:06 PM | Comentários (9) | TrackBack