maio 31, 2008

AÍ O HORROR!

São cada vez menos os momentos em que consigo fazer surf com os meus amigos. Desde que comecei a trabalhar que se torna mais difícil telefonar ao Pedro, aqui do ondas, para ir fazer uma surfada rápida à Costa, Praia Grande e com alguma sorte à Ericeira.

Desde que comecei a ficar mais ocupado que as sessões semanais de surf com o meu melhor amigo, o Manel, se tornaram sessões mensais, e isso custa-me, sinto falta de me rir dentro de água com ele, de gritar para as suas ondas, de lhe perguntar como correu a minha, mesmo se ele me ignorar no final.

Gosto quando o Pedro vem dos Açores e consigo ter um pouco de tempo de ir ao mar com ele, normalmente acompanhados do outro Pedro. Gosto de perspectivar surfadas com o Vasco, que normalmente acabam por nunca se realizar, é uma questão de desencontros consecutivos e engraçados.

Para lá de todos os meus outros amigos com quem também faço surf, este pessoal do ondas são os surfistas com quem mais me identifico. São aqueles com quem falo do Slater, do Irons e do Saca. Sentimos todos o Saca como qualquer maluco que fica até às cinco da manhã acordados para o ver surfar, e ficamos chateados com uma derrota dele tal como – interrupção grande (outra das coisas que nos torna ainda mais amigos é porque temos todos o mesmo clube, vivemos o nosso clube com um certo nível de humor, e gostamos de nos rir desta nossa vivência. Deste nosso clube falamos por mail, no telefone, mas nunca deixamos de falar na água, quando estamos a surfar, é inevitável falar de transferências, dos jogadores, da última vitória, da última derrota, do treinador, do último jogo, ou mesmo da mística se estivermos para aí virados. Faz parte da nossa vivência como amigos.) continuar depois da interrupção – uma do Benfica!

As pessoas que se passeiam neste blogue não se podem esquecer que isto é um reflexo da nossa vivência como surfistas, e como amigos. Eu fiz uma aposta com o pessoal, quem ganhou foi o Vasco, estou afastado do meu mail há um dia inteiro, mas fica já aqui confirmado que temos de combinar vir aqui a minha casa para eu pagar ao Sô Vasco, uma geladinha directamente da Bélgica!

Ao pessoal indignado com posts sobre o Benfica, ou o Porto, respondam por favor com humor, como um amigo nosso no lineup de outro clube, acicatado com provocações. Estamos todos aqui à espera da próxima altura em que iremos surfar, é o que um surfista mais faz, espera... enquanto isso podemos divertir-nos da melhor maneira, até ficarmos chateados durante uns tempos se for preciso, mas nunca levem isto demasiado à sério! Isto é surf! Isto é falar sobre surf!

Pessoal calma e... viva o Benfica!

PS: Foi pena o Vasco ter de ter feito uma adenda ao post dele... parece que foi obrigado a fazer algo devido a um crowd atrofiado, que estragou uma surfada que era suposto ter sido engraçada. Enfim...

Publicado por miguel bordalo em 12:28 AM | Comentários (62) | TrackBack

maio 30, 2008

A crise

Numa altura em que se fala de pobreza estrutural, de como mesmo aqueles que trabalham são cada vez mais afectados pela conjuntura económica, é importante fixar exemplos como o de Laird Hamilton, que acaba de se lançar no mundo dos negócios com uma colecção de roupa low cost. Não é a invenção da roda, mas só lhe fica bem.

Um brevíssimo excerto daquilo que pode ser lido aqui: "With the economy stalled and the price of everything moving up due to gas price woes, the concept of inexpensive surf clothing is intriguing."

Publicado por vascomendonca em 10:26 AM | Comentários (17) | TrackBack

maio 29, 2008

Pessoas de quem não gostaríamos mesmo que fizessem surf #1

Viva o Benfica. Prendam o Papa.

PS - FCP na segunda divisão e fora da Liga dos Campeões!

Estimados leitores,

O post acima foi escrito na sequência de uma aposta com os restantes colegas de blogue. Em jogo estava uma cerveja belga à escolha do vencedor. Decerto compreenderão.

Publicado por vascomendonca em 08:02 PM | Comentários (95) | TrackBack

maio 27, 2008

fiji - live

http://globe.wetsand.com/live.html esta "porta" parece, repito parece, funcionar melhor... experimentem. (e na opção low band embora quase não se veja nada de tão pequena fica a imagem ao menos não tem cortes)

Publicado por pedroarruda em 01:31 AM | Comentários (21) | TrackBack

maio 26, 2008

O surf nos media


caro provedor do leitor,
bem sei que o assunto é surf, uma modalidade normalmente vista como marginal (por remeter frequentemente para a contra-cultura, mas, também, por apenas esporadicamente ultrapassar as fronteiras da comunicação social especializada), mas ainda assim, e tendo em conta que o assunto ocupa as páginas centrais da edição de hoje, não posso deixar de fazer notar que a legenda de dois parágrafos que acompanha a foto do Tiago Pires está errada do princípio ao fim. Aliás, já não é a primeira vez que tal acontece quando o surf é escolhido para ilustrar o jornal. Em Setembro, o público também publicou uma foto de duas páginas de uma etapa do WCT, com uma legenda sem sentido nenhum (tema que na altura foi justamente tratado pelo provedor de então).
Vamos aos factos: a foto é de facto do português Tiago Pires (o primeiro português a integrar os top-44 que correm as 10 etapas do circuito que apura o campeão mundial de surf, o WCT) e corresponde a uma onda da eliminatória contra o norte-americano de origem mexicana (e não americano, como erradamente se escreve), Bobby Martinez. O Tiago Pires ganhou também o heat com as pontuações assinaladas. Acontece que a foto não é do Billabong Pro em Tahiti, mas sim da quarta paragem do campeonato, o Globe Pro nas ilhas Fiji - como se pode ler na camisola de competição. Quanto ao segundo parágrafo, ele reporta-se à etapa anterior (que ocorreu há duas semanas) e não à que se iniciou este fim-de-semana. Aliás, é provavelmente essa confusão que faz com que no título se fale em mar calmo - pois em Teahupoo a ondulação não esteve particularmente favorável. Já em Fiji, como bem atesta a foto, as ondas têm estado com um tamanho muito significativo.
Dir-me-á que o assunto é surf, ou seja, relativamente marginal. Mas tendo em conta que é um assunto que acompanho com muita atenção - e que como tal conheço -, o que é que me diz que o Público não comete sucessões de erros idênticas quando trata temas que não domino e sobre os quais confio na credibilidade da informação do jornal. Não saindo do desporto, o que seria se o público tivesse hoje escrito sobre o grande prémio de fórmula 1 da Turquia, realizado há um par de semanas, com uma imagem da corrida do Mónaco, que ocorreu este fim-de-semana, misturando tudo na legenda. O que me parece particularmente grave é que não será difícil pensar em situações semelhantes estando em causa assuntos bem mais sérios. Gostava, quando leio o jornal, de ter a certeza que posso confiar no que nele vem escrito (se nada mais, pelo menos do ponto de vista factual). Ao ler as páginas centrais de hoje, é-me sugerido que nem sempre é assim.
cumprimentos,
pedro adão e silva
(mail enviado hoje ao provedor do leitor do público)

Publicado por pedroadãoesilva em 02:32 PM | Comentários (92) | TrackBack

maio 25, 2008

Muitos parabéns

...ao Mick Fanning, ao Andy Irons e ao Kelly Slater. Eles merecem. É que, afinal de contas, estes foram os três únicos surfistas a conseguir superar a pontuação total que o Saca fez no primeiro round do Globe Pro Fiji. Nada mau para principiantes.

Publicado por manuel castro em 04:11 PM | Comentários (42) | TrackBack

Fiji

Ontem levei a tarde toda a tentar arranjar desculpas para não ter que sair de casa e sentar-me confortavelmente, às oito, em frente do computador, com uma cervejinha e umas pipocas, a ver os heats em Fiji. Mas uma serie de compromissos que a boa educação e a amizade obrigaram a não deixar de cumprir fizeram com que só chegasse a casa por volta da meia-noite. Nessa altura o campeonato já ia a meio e a boa notícia foi que o Saca tinha passado o heat dele, mas de resto foi só isso. Passei uma hora e tanto a tentar ver o Live sempre sem conseguir, por mais voltas que desse, por mais links que usasse não houve maneira de conseguir ver um heat que fosse. Esperamos que o pessoal da Globe melhore aí o serviço, é que a malta aqui em Portugal sofre. Mas, se calhar é melhor não ver, para não dar azar… digo eu que não sou supersticioso. É que se não o Rabbit vai dizer outra vez que os portugueses perdem a cabeça muito facilmente. Voltando ao que interessa – Força Tiago, estamos a torcer por ti.

Globe Pro Fiji 2008 - ASP Systems
Men / Round 1 - Last Update : 25/May/2008
Heat # 2
Red 2 14.63 Bobby Martinez USA
Green 3 0.00 Luke Munro AUS
Black 1 16.17 Tiago Pires PRT [ 7.67 - 8.50]

Tiago Pires (PRT) led a legion of rookies and Europeans finding their feet today. Pires beat Bobby Martinez (USA) 16.17 to 14.63 – Luke Munro (AUS) sat their heat out after tweaking his knee freesurfing yesterday. He will instead try his luck in Round 2.

“Bobby and I got to surf a man-on-man heat because Luke Munro hurt himself yesterday,” Pires said. “It’s really good training. Even though Bobby has to surf the second round now, he had a really fun surf out there and we had a bit more practice than anyone. With three guys out there, there is a bit more hassling and jockeying for position and stuff like that so that didn’t matter and we were pretty lucky.”
Fonte ASP

Vai Saca!!!

Publicado por pedroarruda em 12:10 PM | Comentários (3730) | TrackBack

maio 24, 2008

Fora da zona de conforto


Os Band of Horses lançaram um dos bons discos de 2007 (Cease to Begin). Na altura escrevi na SP: "toda a música carrega uma herança. Os Band of Horses são de Seattle e gravam para a Sub-Pop e, parafraseando o título do seu novo e segundo disco, não estão interessados em começar nada de novo. O que aqui se ouve é bom rock de guitarras, umas vezes sem medo de acelerações (‘is there a ghost’), outras em baladas muito convincentes (‘no one’s gonna love you’). Um disco que mostra a superioridade das guitarras, do baixo e da bateria e, não menos importante, das bandas que usam camisas aos quadrados e não se envergonham de usar barba". O que não sabia é que eles faziam surf. O novo teledisco está aí como prova. E, como nos lembra, desde Londres, o leitor do ondas José Leal: é bom ouvir "música feita por surfistas que escapa a zona de conforto da guitarra acústica e letras mais ou menos banais".

Publicado por pedroadãoesilva em 02:13 PM | Comentários (208) | TrackBack

maio 23, 2008

.

"Another who impressed was rookie Tiago Pires. He won his opening heat handsomely and had Joel Parkinson on the ropes in Rd 3 before making a huge rookie error.

After losing priority for a blocking tactic Tiago failed to check the priority disc before ping in on Joel on a wave he simply did not need. He had Joel totally combo’d, with a scintillating 10 and then something like an 8.9 back-up. Joel had like two 6’s and looked well beaten when he identified a rookie mistake had been made. It was a gift horse, one that comes around once every 5 years, and there isn’t a single guy in the Top 45 who would not have seized the opportunity of a technical knockout. Tiago, along with the whole nation of Portugal, was understandably bewildered, and while he accepted the decision and put it down to a lesson learnt at great expense, bewilderment turned to anger in web land, most viewers still struggling to come to terms with this perceived outrage.

Wow, I’m glad they weren’t web casting in our day. The atrocities committed before the priority system was deployed may have resulted in declarations of war", Senhor Wayne "Rabbit" Bartholomew.

Depois de desejar boa sorte e muita força ao T.P para Fiji, queria só terminar dizendo que pagava para ter visto a cara do Parko no canal quando o Saca fez aqueles dois tubões. Pagava mesmo. É que, afinal, e principalmente para aqueles 45 tipos, o que conta é o surf.


Publicado por manuel castro em 12:12 PM | Comentários (53) | TrackBack

O BODYBOARD NAS NOTÍCIAS

Excerto de uma peça da edição de hoje do Diário de Notícias, a ler na íntegra aqui:

"Dos primeiros passos do body-board, quando as manobras incluíam apenas a rotação 3600, o off lip (deslizar na crista da onda) , o tubo e o cut back (realizar uma curva a partir do cimo da onda), actualmente os atletas se esmeram em manobras absolutamente radicais como o ARS - air roll spinner - um rolo aéreo com uma rotação de 3600 no fim, ou o aerial reverse - uma manobra aérea invertida, com um salto no ar e uma rotação 3600 invertida."

Publicado por vascomendonca em 10:51 AM | Comentários (1753) | TrackBack

maio 22, 2008

summertime

Para fãs dos Junior Boys, dos Stone Roses e do Verão. Aqui.

Publicado por vascomendonca em 07:47 PM | Comentários (1443) | TrackBack

maio 21, 2008

Mundo Perfeito #34

Civilization has been a permanent dialogue between human beings and water.
Paolo Lugari (roubado daqui).

Publicado por pedroadãoesilva em 11:49 AM | Comentários (22) | TrackBack

maio 19, 2008

O meu Fantasy Surfer II

Pois é os nervos deram-me cabo da equipa, já me dizia o meu querido pai, quando era mais novo – Miguel, nunca estudes no dia do teste, que isso só dá confusão. – Era o que eu tentava fazer, porque nunca fui de estudar, e foi exactamente o que eu fiz para o Tahiti, com tanto falatório sobre as ondas estarem pequenas, alterei por completo a minha equipa uma hora antes da competição começar, dei entrada ao Fanning, tirei o Bruno Santos (ele não ia fazer nada com o mar pequeno, ou ia?), escolhi outro gajo a 1500, porque entretanto larguei mais um conjunto de surfistas que só iam dar-se bem com o mar duro, como o Andy Irons. Bom... as coisas não correrem lá muito bem, e estudar um pouco antes do teste só cria dúvidas e mais nada!

Para o futuro há três surfistas que, se tudo correr bem, vão fazer a minha equipa durante todo o ano, são eles Kelly Slater, Dane Reynolds e, claro está Tiago Pires. O Saca, de entre todas as minhas escolhas desgraçadas, ainda conseguiu dar-me uns pontinhos a mais do que me deu anteriormente.

Em fim... um resultado para descartar em Teahupoo, mas vou levantar-me e esperar que Fiji seja bem diferente, em Fiji espero ver este meu trio a ir, pelo menos até aos quartos-de-final.

O Saca vai continuar a provar que a minha aposta nele para ganhar a tal viagem é segura, e vai provar, com o surf que tem, que pode bater qualquer um em qualquer onda. Algumas vozes mais gozonas desta minha aposta patriótica já se começaram a calar, e no futuro, adivinho, vão-se juntar-se a mim.

SACA O TOP 5!

Publicado por miguel bordalo em 10:36 PM | Comentários (189) | TrackBack

maio 18, 2008

How’s that for irony?

A vitória de Bruno Santos em Teahupoo possui a intrigante beleza da espécie de anonimato, da improbabilidade de tamanha demonstração do seu talento. Não que o brasileiro seja um perfeito desconhecido, mas é bom sermos surpreendidos pela improbabilidade competitiva num desporto que vive da imprevisibilidade da natureza. Com a evolução da cobertura mediática do WCT, passámos a saber que música ouve o Fanning antes de uma bateria, que prancha o Slater utilizou entre as três um quarto e as três e quarenta e cinco do dia 25 de Abril de 2004, ou aquilo que dizem as tatuagens do Bobby Martinez. Tanta informação transformou-se num vício, e é boa para os analistas de sofá como eu, mas foi bom saber pouco ou nada acerca de Bruno Santos a não ser que o brasileiro sabia surfar em ondas buracosas. Os comentadores tiveram que se limitar ao óbvio. O espectáculo como hoje o conhecemos pode até ter decrescido em qualidade, mas foi bom voltar a acreditar que existem figuras exteriores ao circo que chegam lá e podem ganhar. Num desporto sujeito e comprometido com a ditadura da natureza, num campeonato em que o nosso representante foi eliminado pela fria inteligência competitiva que, segundo alguns, decide quem são os campeões mundiais, foi giro, delicioso até, ver um wildcard dar na pá aos restantes. How’s that for irony?

Publicado por vascomendonca em 03:31 AM | Comentários (18) | TrackBack

maio 16, 2008

chôpô

e no mais atipico campeonato em Teahupoo de sempre dois wildcards, Manoa Drollet e Bruno Santos, chegam à final, eliminando tudo e todos e fazendo 10's pelo caminho

entretanto parece que o Ondas é "citado" por Nick Carrol na Surfing:

"Two guys today scored 10s and lost their heats. Leonardo Neves lost because he wasn’t able to convincingly back up his ace against a savvy and consistent Bruce Irons. Tiago Pires lost because he made an enthusiastic Chopes-rookie error, letting Joel Parkinson get the better of him on a priority switch. It almost sent the event website into meltdown. “Parkinson not come to Europe…REAL,” warned one ominous anonymous post. Others quoted the ASP rulebook at length, surprising your correspondent, who thought he and head judge Perry Hatchett were the only two people on earth who’d read it. Tiago himself just sucked it up: “I made a mistake,” was his simple summary."

e para melhorar as coisas a minha namorada, que não surfa, tem os dois wildcards na equipa dela do Fantasysurfer...

Publicado por pedroarruda em 01:20 AM | Comentários (30) | TrackBack

maio 15, 2008

18.47 take 3

Aqui está, então, o vídeo do Heat do Tiago. Trata-se, obviamente, de um clip editado e em que os critérios de escolha fizeram apagar o momento mais polémico. Mas o melhor momento é sem margem para discussão o tubaço do Saca, aquele 10 lindo. Para ver e rever. O resto, bem o resto são os imponderáveis da vida.

Publicado por pedroarruda em 12:46 PM | Comentários (53) | TrackBack

18.47 revisited

É verdade que a interferência do Saca foi mais do que duvidosa (por mais que se leia o rule book, não se vislumbra o conceito de "bloquear" como motivo para interferência. Do mesmo modo que não há nenhuma referência a aceno de braços, que parece ter sido a variável decisiva para a mudança de prioridade a favor do Parko), mas isso agora pouco importa. O que fica é que, após duas etapas em que o Tiago não apanhou nenhuma onda boa, ontem - e também anteontem - ele mostrou a razão porque está e deve estar a correr o WCT. Se alguém tinha dúvidas - e este alguém é extensível a todos os que estavam ontem naquele canal - deixou de as ter. Essa é, desde já, a primeira e a mais importante das conquistas. As outras terão de vir a seguir, desde já nas ilhas Fiji. O melhor agora é mesmo voltar a ver as ondas de ontem. Primeiro, aquele tubo descomunal, bem profundo e rodeado de espuma (e o equilíbrio na saída, quando a prancha faz um movimento contrário ao corpo, que dizer daquilo?), mas, também, o segundo tubo, sem mãos no rail, cheio de raiva. Tenho para mim que a última coisa a morrer não é a esperança, mas, sim, a raiva. Aquele 8.47, depois de um 10 perfeito, provou isso mesmo. Mas para ser útil, tem de ser o princípio do resto da temporada e não um motivo para a lamúria nacional. Parabéns e obrigado Saca. Há muito tempo (desde o golo do Luisão ao Ricardo na Luz, para ser exacto) que não me emocionava tanto com uma conquista desportiva.
(o site do campeonato não permite link directo para o video, mas é facil: sigam o link video e procurem o heat do Saca).

Publicado por pedroadãoesilva em 11:48 AM | Comentários (18) | TrackBack

18.47

O resultado honesto, o resultado verdadeiro, das ondas surfadas, dos tubos profundos, seria este, 18.47. Mas baseado no palavreado todo que está aqui em baixo o banana do Perry Hatchet vai dizer que o Saca fez isto e aquilo e que remou e que se fez à onda anterior e que bloqueou e o caralho. A verdade é que enquanto a ASP for este kindergarden pueril e ranhoso de crianças crescidas e obtusamente anglo-saxónicas isto vai sempre ser assim. Tiago, força. Não desistas. O teu Surf falará mais alto.

ASP RULE BOOK 2008

CHAPTER 8: INTERFERENCE & PRIORITY RULES
Article 115: Application of Interference and Priority Rules The Articles in this Chapter are applicable to all ASP Sanctioned Events unless specifically stated otherwise in this Chapter or a Rule directly conflicts with these Rules, in which case, the conflicting Rule in its respective Chapter will apply. For an explanation of any jargon, terms or phrases, refer to Appendix G.
Article 116: Interference Rules
116.01 The surfer deemed to have the inside position for a wave has unconditional right of way for the entire duration of that Ride. Interference will be called if during that Ride a majority of judges feel that a competing Surfer has hindered the scoring potential of the surfer deemed to have right of way
for the wave.
11 6.02 Anyone who stands up in front of a surfer with right of way in non-one on one heats has the chance to Ride or kick out of the wave without being called interference, unless they hinder the scoring potential of the surfer with right of way by any means. These include excessive hassling, leg rope
pulling or breaking down a section.
116.03 Anyone riding a wave in one-on-one heats has the chance to kick out of the wave immediately without being called interference when the priority surfer using their right of way catches that wave, unless they hinder the scoring potential of the surfer with right of way by any means. These include excessive hassling, leg rope pulling, breaking down a section or other applicable paddling interference. If they continue to Ride the wave, and they do not hinder the
scoring potential of the surfer with right of way, they will be scored a zero and the wave will count as one of their maximum allowable Rides but not as one of their scoring Rides.
11 6.04 A surfer who remains in the water after their maximum number of waves will be penalized for interference if:
(a) A surfer Rides any extra waves that obviously deprive another Surfer of a Ride.
(b) A surfer interferes with any other Surfer by paddling, positioning or some other reason.
Article 117: Right of Way in 4-man, 3-man and Non-Priority oneone
Situations
117.01 Wave possession or right of way in these situations will vary slightly under the following categories as determined by the nature of the contest venue. Basically it is the responsibility of the judge to determine which surfer has the inside position based on whether the wave is a superior right or left, but
never on which surfer is first to their feet.
EXCEPTION: see Article 117.04(a). If at the initial point of take-off neither the right nor left can be deemed superior, then the right of way will go to the first surfer who makes a definite turn in their chosen direction as determined by the
Head Judge.
11 7.02 Point Break
When there is only one available direction on any given wave, the surfer on the inside shall have unconditional right of way for the entire duration of that wave.
117.03 Reef or Beach Break - One Peak Situation
If there is a single well defined peak with both a left and a right available, at the initial point of take-off and neither the right or left can be deemed superior then the right of way will go to the first surfer who makes a definite turn in their
chosen direction (by making an obvious right or left turn). A second surfer may go in the opposite direction on the same wave without incurring a penalty, providing they do not interfere with the first surfer who has established right of way (i.e. they may not cross the path of the first surfer in order to gain the opposite side of the peak unless, in the majority of judges opinion, they do so without possibly hindering the inside surfer).
11 7.04 Reef or Beach Break - Multiple Peak Situations
With multiple random peaks wave possession may vary slightly according to the nature of an individual wave.
(a) With two peaks, there will be cases where one swell will have two separate, defined peaks far apart that Eventually meet at some point. Although two surfers may each have inside position on those respective peaks, the surfer who is first to their feet shall be deemed to have wave possession and the second surfer must give way by cutting back or kicking out before hindering the right of way surfer.
(b) If two surfers stand at the same time on two separate peaks that Eventually meet, then:
(i) If they both give way by cutting back or kicking out, so that neither is hindered, there will be no penalty.
(ii) If they collide or hinder one another, a Surfer will be penalized by the judges if either or both indicate aggression at the point of hindrance.
(iii) If neither surfer gives way by exiting the Ride and both share responsibility for the confrontation, then a double interference will be called. Both Surfers will score a zero for that wave, and each of their second scoring waves are halved. Article118: Right of way in priority One-on-one situations
118.01 In a one-on-one heat the priority disc system will determine wave possession. The surfer with priority has unconditional right of way for both directions on the wave selected. The second surfer cannot take-off on the same wave as the priority surfer, regardless of direction or the distance
between them, unless the second surfer does not hinder the scoring potential of the surfer with priority, in which case the second surfer will score a zero (0).
118.02 As soon as the priority surfer begins to stand on their chosen wave the second surfer must stop paddling at that point and give way. If the second surfer continues to paddle for or Ride the same wave as a priority surfer, they will be called priority interference, unless the second surfer does not hinder the scoring potential of the surfer with priority.
118.03 If they incur an interference penalty they will also lose priority.
Article 119: The Right of Way Criteria.
The choice of right-of-way criteria for each of the above possible situations is the responsibility of the ASP Head Judge or the senior available touring ASP judge in that order.
Article 120: Priority Rules
120.01 Priority rules are mandatory in all one-on-one heats.
120.02 The Head Judge will make any Priority decisions using coloured discs corresponding to the surfer’s competition vest colours in the water to indicate priority and may consult the judging panel for close calls.
120.03 Priority discs must be located on one end of the judging booths.
120.04 A buoy, where applicable (as decided by the Contest Director, ASP Head Judge and Surfer Representative), will be placed just outside the surfing break, which surfers use by paddling around to gain priority.
120.05 Wave priority is lost as soon as surfer Rides a wave, or paddles for a wave and misses the wave.
120.06 At the start of a heat once the first wave has been ridden, the second surfer gets automatic priority for any other wave they choose, unless the surfer Rides the wave before the heat starts. If this happens then that wave will not count and the remaining surfer will get automatic first priority. The Head Judge will indicate wave priority by displaying a coloured disc, which corresponds to the surfer’s competition vest. If no surfer has wave priority, no discs are shown and the normal interference rule will determine right of way.
120.07 A surfer cannot lose second priority by paddling for, and missing a wave but if the surfer catches the wave and their hands leave the rails, as they attempt to stand, they lose second priority.
120.08 If a surfer inside has second priority and their opponent paddles for, but misses a wave, the inside surfer automatically assumes first priority. Therefore, if they also paddle for, but miss the wave, then they have also lost priority. That is, both surfers have then lost priority even though only one wave has passed and there was not sufficient time to change the priority disc.
120.09 The surfer who has priority will also not be allowed to paddle in front of the other surfer to deliberately impede them from catching a wave or they will lose priority. The surfer will also lose priority if in the opinion of the Head Judge they place themselves in the take off zone to prevent the other surfer from catching that wave.
120.10 Priority interference may be called individually by the Head Judge only if the majority (3 of 5) of the judging panel do not see the incident.
120.11 Allocation is based on who the Head Judge believes has reached the primary take off zone first. In cases where both surfers appear to reach the line-up at the same time, priority will go to the surfer who did not have the last priority. Under priority allocation it is the surfers responsibility to continually check the priority disc for verification. Under no circumstances must the priority rule be suspended in one-on-one heats.
120.12 If it is impossible to establish who has priority, no priority will be given unless the surfers in the heat, when asked agree that only one has priority. If neither agrees, then no priority will be given and once the first wave from then on has been ridden, the second surfer will get automatic priority for any
other wave they choose.
120.13 When there is no priority the interference rule shall determine wave possession. Both surfers may Ride the wave in opposite directions provided they do not interfere with each other.
120.14 In all cases where a dispute results from a malfunction of the priority system, the ASP Head Judge, Contest Director and Surfer’s Rep will arbitrate.
Article 121: Snaking
121.01 The surfer who is farthest inside at the initial point of takeoff and has established wave possession is entitled to that wave for the duration of their Ride, even though another surfer may subsequently take off behind them. The judges will not penalize the surfer because they have right of way even though they are in front.
121.02 If the second surfer has not hindered the original surfer with right of way, then the judges may choose not to penalize them and will score both surfers’ Rides.
121.03 If in the opinion of the judges, the second surfer has interfered with (snaked) the original surfer with right of way, by causing them to pull out or lose the wave, then interference may be called on the second surfer, even
though they were behind the first when the penalty was called.
121.04 The above situations apply only to multiple surfer heats or one-on-one in non-priority situations. In one-on-one it remains as one person, one wave, if a surfer has priority. Refer to Article 118.02 for clarification.
Article 122: Paddling Interference
122.01 In 4-people heats or non-priority one-on-one situation another surfer paddling for the same wave should not excessively hinder a surfer who has inside position.
122.02 Paddling interference may be called if:
(a) The offending surfer makes contact with or forces the inside surfer to change their line while paddling to catch the wave causing possible loss of scoring potential.
(b) The offending surfer obviously causes a section to break down in front of the inside surfer which would not normally have done so causing loss of scoring
potential.
122.03 When a surfer is put in a position while paddling out that they cannot get out of the way and a collision happens due to this, it is up to a majority of the judges to call interference based on whether it is felt to be accidental or not.
Article 123: Interference Penalty
123.01 For priority situations, if a majority of judges call interference, then that wave will count in the final tally as a zero score. This applies to a riding interference or a paddling interference, where the surfer catches that particular wave. In non-priority situations, the Surfer’s second scoring wave
will be halved.
123.02 For a straight paddling interference a loss of that scoring Ride applies where the surfer or surfers do not catch the wave.
123.03 If a surfer has less than the required minimum scoring Rides and receives an interference then they will be scored on one less wave, (i.e. if they have caught only three waves and the best four count, then only their best two will be scored).
123.04 3 of the 5 or 4 judges must call interference to be considered a majority.
123.05 Interference will be shown as a triangle, as described below, on each judge’s scorecard with an arrow drawn to the Surfer’s score who was interfered on.
(a) The triangle placed around their score if caused by riding
(b) The triangle placed above their score if they Ride a wave but cause interference while paddling for that wave ridden
(c) The triangle placed between scores if caused by paddling for that Ride
123.06 In the case of a tie where one surfer has an interference marked against them any count back will result in them winning as they have already had one wave deducted.
123.07 Under 2 best waves the interfering surfer will be penalized with a loss of 50% of his second best scoring Ride in nonpriority situations only. The wave that the interference was called on by the majority of the judges will count in the final tally as a zero. If this surfer incurs another interference penalty during the same heat his best wave score will be halved also. If the interfering surfer has only one other wave then that wave is halved (i.e. he counts his interfering wave as a zero and halves the other wave).
123.08 A Head Judge or Event Referee may be included, and in this case interference would be determined on three of five judging sheets.
123.09 Any interfering surfer must be penalized and once an interference decision is made, it is irrevocable. The Judges and/or ASP Tour Manager will not enter into any discussion over the interference call. All discussion must be directly with the ASP Head Judge, if he wishes to discuss the situation.
123.10 The Surfer who is interfered with will be allowed an additional wave beyond their wave maximum, within the prescribed time limit.
EXCEPTION: where a double interference could be called, neither surfer gets an extra wave. An extra wave or heat
delay as decided by the ASP Head Judge at the time will also apply to interference from water photographers, water security personnel or other outside interference. Refer to Article 97.03.
123.11 Where any surfer incurs two or more interference penalties they must immediately leave the Competition Area. Failure to do so will result in a penalty in accordance with Chapter 11 of this Rulebook.

possível email para os "Srs" da ASP:

Dear Mr Hatchet

you're a complete ass, take your stupid rules and shove it where the sun doesn't shine.

Yours truly

Portuguese Surfer

ASP International Office
Office B, Suite 213, Level 2
Showcase on The Beach, 72-80 Marine Parade
Coolangatta, QLD, 4225
Australia
Ph: 61-7-5599 1550 Fax: 61-7-5599 3550
Email: asp@aspworldtour.com
Postal Address
PO Box 1095
Coolangatta, QLD
4225 Australia

CEO
Brodie Carr President
Wayne 'Rabbit' Bartholomew

Chief Financial Officer
Scott Loffler Chief Technical Officer
'Mano' Ziul

ASP World Tour Manager
Renato Hickel ASP Women's World Tour Manager
Brooke Farris

Media Manager
Melissa Buckley
Email: melissa@aspworldtour.com

Media Manager
Dave Prodan
Email: dave@aspworldtour.com

WQS Tour Manager
Al Hunt Online Developer
Ben Frawley

Systems Operator
Robson Andueza Machado

Digital Imagery
Covered Images

Publicado por pedroarruda em 12:31 AM | Comentários (189) | TrackBack

A frustração

Digam o que disserem o Saca ganhou aquela bateria, mas a verdade é que o homem não precisava daquela onda, e com a vantagem que tinha, era preciso esperar pelo 8.tal que fez mais tarde.

O parko foi mais esperto, o Saca surfou muito, e mostrou que é mais do que capaz de ganhar aos melhores e ganhar com domínio!

Fico à espera de Figi, irei para a Ericeira ver as baterias e ver o Saca a surfar ainda melhor e a ir ainda mais longe.

Publicado por miguel bordalo em 12:12 AM | Comentários (31) | TrackBack

maio 14, 2008

PERFEITO PARA JÁ

Um 10!

Publicado por miguel bordalo em 11:55 PM | Comentários (31) | TrackBack

...

Heat # 4

Red 2 10.44 Jeremy Flores FRA
White 3 3.07 Roy Powers HAW
Black 1 15.17 Tiago Pires POR


"Já falei com muita gente e todos me dizem que é um estilo de surf diferente. Não estás tão concentrado na técnica em si, é só tubos. A técnica de tubos é básica, ou tens ou não tens. Não estás preocupado com manobras, ou prancha, é tudo mais simples, é aquele estilo de campeonato mais survival. Em caso de ondas grandes, vai ser a atitude que vai contar. Nesse aspecto, considero dos campeonatos mais fáceis e onde posso estar mais calmo. Não precisas assim de tanto treino. É botar para baixo, agarrar na borda e tentar ficar o mais deep possível."
Tiago "Saca" Pires, in SurfPortugal #184, pág. 85.

Publicado por pedroarruda em 01:49 AM | Comentários (31) | TrackBack

maio 13, 2008

OBRIGADO TIAGO

9.17

Nem mais...

Publicado por miguel bordalo em 08:18 PM | Comentários (27) | TrackBack

Bipolar

O amante de plantas e animais que no mar se comporta como um Mobutu de trazer por casa.

Publicado por vascomendonca em 12:55 PM | Comentários (21) | TrackBack

maio 12, 2008

outlier

"the great white hope" (ontem, na aula magna).

Publicado por pedroadãoesilva em 12:29 PM | Comentários (17) | TrackBack

maio 10, 2008

surf sound

Esta coisa da música pop, da brit-pop, é mais volátil do que uma surfada no Guincho, num domingo, com o crowd full on e o vento meio side. Há muitas ondas, são difíceis de apanhar e nem todas são boas, mas de vez em quando há uma que é uma pérola. Do oceano de boas edições discográficas que o ano de 2008 já deu, chegou recentemente à costa o The Age of the Understatement dos The Last Shadow Puppets. Devo dizer que sou um fã e que fiquei totalmente viciado neste disco desde a primeira audição. Alex Turner, famoso pelos seus Arctic Monkeys, confirma aqui os seus créditos como um dos melhores fazedores de canções deste novo milénio e se alguns já o comparam a Damon Albarn, eu gosto de o classificar como o novo Paul McCartney. Aliás, olhando estes clips ao vivo, gravados em New York, é impressionante a semelhança entre Alex Turner e Miles Kane com Lennon e McCartney e não é só pela roupa preta e o corte de cabelo. A juntar ao brilhantismo deste disco os arranjos e orquestrações magistrais de Owen Pallet, que alguns reconhecerão como um dos responsáveis pelo sucesso dos Arcade Fire. As referências sonoras destes Shadow Puppets são vastas e os anos 60 são uma das mais presentes, mas para nós, surfistas, o universo sonoro que mais sobressai do som de The Age of the Understament é o da chamada surf guitar. Há muito de Dick Dale neste disco e isso só ajuda a torná-lo ainda mais fabuloso. Dick Dale disse uma vez numa entrevista que se não fosse tocado por uma Fender Stratocaster e através de um Fender Dual Amp não era surf sound. Aparentemente é isso mesmo que fazem estes Last Shadow Puppets. Não sei se Alex Turner, Miles Kane e Owen Pallet surfam, se não o fazem deviam, mas uma coisa é certa eles conhecem o feeling. Always listen to good music….

Publicado por pedroarruda em 01:58 AM | Comentários (110) | TrackBack

maio 08, 2008

Inspiração...

No meu trabalho, com dificuldades em concentrar-me, só consigo ouvir isto, decidi deixar este registo...

Blow Out (Radiohead)

É porque nunca mais vai haver ondas, nunca mais!

Raios...

Publicado por miguel bordalo em 05:15 PM | Comentários (23) | TrackBack

maio 07, 2008

Mundo Perfeito #33

You get mistaken for strangers by your own friends
when you pass them at night under the silvery, silvery citibank lights
arm in arm in arm and eyes and eyes glazing under
oh you wouldn’t want an angel watching over
surprise, surprise they wouldn’t wannna watch
another uninnocent, elegant fall into the unmagnificent lives of adults

The National, Mistaken for Strangers (já no próximo Domingo, na Aula Magna)

Publicado por pedroadãoesilva em 07:01 PM | Comentários (8) | TrackBack

maio 05, 2008

O mar como redenção

De tempos a tempos, o cinema clássico norte-americano regressa para ganhar uns Oscars. Este ano foi de novo assim com “Haverá Sangue”, mas, também, em importante medida, com a adaptação do romance de Cormac McCarthy pelos irmãos Cohen, “Este País não é para Velhos”. Não é por acaso, este cinema – em especial os westerns – cria um contexto ideal, adequado, para reflectir sobre os conflitos essenciais, os que acompanham a natureza humana. No fim, nunca importa quem é a presa ou o caçador, ou quem dispara sobre quem; o que conta é o sub-texto, sempre o mesmo e com poucas variações. O espaço dos westerns – o Oeste, a nova fronteira a explorar – sugere uma paisagem de vocação redentora, onde o homem, enquanto busca isoladamente a sua identidade (o “I’m a lonesome poor cowboy” do Lucky Luke, a versão romanticamente caricaturada do herói solitário), constrói também a identidade da comunidade a que pertence. O território a desbravar concede uma oportunidade de melhoria das condições materiais (“o ouro, o ouro”, lê-se no magnífico livro de Blaise Cendrars escrito a propósito dos pioneiros da Califórnia), mas serve, também, como pretexto para a busca, não com um fim em vista, mas apenas pelo prazer supremo de procurar. Depois, por detrás da narrativa, está sempre uma tensão que trazemos todos cá dentro desde que há memória: entre o nosso limite físico e o espaço infinito à nossa frente.


É assim nos westerns e é assim no surf. Os westerns regressam porque os seus temas não passam de moda – acompanham-nos como um espectro que paira sobre nós desde a tragédia clássica até aos nossos dias –, do mesmo modo que cada vez que surfamos, está também em jogo uma tensão primeira, anterior a nós, e própria da natureza humana.
Há um lado puramente material no acto de surfar, uma sensação física de prazer. Depois de cada onda que apanhamos, de cada braçada que damos ou de cada duck-dive que fazemos, podíamos exclamar como fez o garimpeiro do livro de Blaise Cendrars: “o ouro, o ouro”. Mas, também, na vontade de busca nos confundimos com os heróis solitários dos westerns: procuramos uma mitificada onda perfeita e vivemos uma insatisfação permanente quando parece que estamos prestes a encontrá-la (o famoso, “devias ter cá estado ontem”). Testamos ainda os nossos limites físicos: ainda que por vezes apenas em sonhos delirantes, pensamos sempre em ondas maiores, mais perfeitas, as quais dropamos empurrados pela adrenalina do risco. E, claro, se bem que surfemos sempre de facto sozinhos, cada um de nós constrói a identidade da nossa comunidade, através de uma narrativa não escrita, plural e muitas vezes divergente – mas ainda assim partilhada.


Mas, e é isso que é decisivo, tal como os westerns têm sempre amplos espaços abertos, também o surf assenta na tensão entre o mar como espaço ilimitado e a nossa dimensão física, frágil e facilmente quebrável – à imagem da prancha que nos acompanha. É esse o lado mais cinematográfico do surf: a relação com o mar como espaço de redenção, como lugar onde testamos os nossos limites físicos, mas, também, onde nos libertamos da vida quotidiana, limitada e insatisfatória. É por isso que eu, que gosto de westerns, quando os vejo, não deixo de pensar que a história que nos conta o John Ford no “The Searchers” com o John Wayne, ou o William Wyler no “Big Country” com o Gregory Peck ou agora o P.T. Anderson, no “Haverá Sangue” com o Daniel Day-Lewis é a mesma do surf, onde somos, ao mesmo tempo, espectadores e actores principais – uma história individual de escapismo e redenção em cada onda que apanhamos. Ainda não houve foi quem fizesse do mar do surf um pretexto para o cinema de recorte clássico.

publicado no Sal na Terra da SurfPortugal

Publicado por pedroadãoesilva em 11:08 AM | Comentários (169) | TrackBack

maio 01, 2008

Mundo Perfeito #32

Deixa-te estar na minha vida
Como um navio sobre o mar.

Se o vento sopra e rasga as velas
E a noite é gélida e comprida
E a voz ecoa das procelas,
Deixa-te estar na minha vida.

Se erguem as ondas mãos de espuma
Aos céus, em cólera incontida,
E o ar se tolda e cresce a bruma,
Deixa-te estar na minha vida.

À praia, um dia, erma e esquecida,
Hei, com amor, de te levar.
Deixa-te estar na minha vida.
Como um navio sobre o mar.

João Cabral do Nascimento

Publicado por pedroadãoesilva em 04:32 PM | Comentários (18) | TrackBack