abril 29, 2007

A ASP devia criar uma regra especial que obrigasse ao início do campeonato em Teahupoo já hoje. Para os que não se conformam, a Billabong resolveu manter a webcast a funcionar durante mais algum tempo e chamar-lhe "free surf webcast", isto depois de Manoa Drollet ter vencido uma final electrizante em condições meio traiçoeiras mas, ainda assim, magníficas.

P.S. - Este campeonato atende às necessidades de qualquer pessoa presa ao horário de trabalho das nove às cinco. Chega-se a casa às sete da tarde e são nove da manhã em Teahupoo. Maravilha.

Publicado por vascomendonca em 11:51 PM | Comentários (4) | TrackBack

Este é Taumata Puhetin, atleta tahitiano com modestas aspirações competitivas, e aqui vemo-lo a competir nos Trials do Billabong Pro em Teahupoo. Para todos os efeitos, pode ter sido esta a sua melhor onda. Tem ar disso, mas não chegou para vencer. E eu pergunto: que raio de desporto competitivo é este em que o perdedor guarda tamanha recordação da batalha travada? Resposta: é o melhor desporto do mundo. Dirão os mais objectivos que ninguém anda nisto a feijões, e eu até posso anuir. Mas, à medida que o desporto evolui e cresce no seu apelo de massas, uma coisa permanece: o prazer incrível que só pode ser apanhar esta onda. Mesmo que se perca. E perde-se porquê? Porque se passou menos um segundo no tubo, porque o tubo não foi suficientemente profundo e naquela onda ninguém quer saber de cutbacks magnificamente desenhados. O pior de perder, no surf, em ondas como esta e muitas outras, parece-me ser a eventual impossilidade de voltar a surfar nesse dia, naquelas ondas, a certeza de ter que esperar meia dúzia de horas na sala de castigo (o lado de cá da linha de costa) de crianças derrotadas que, certo, certíssimo, pagam contas, compram casas, apaixonam-se, têm filhos, mas - e isto é tudo o que me interessa na dimensão competitiva do surf - não podiam perder de forma mais admirável. Sinceramente, não me interessa a vida real de 9 em cada 10 homens destes, apenas a linha que eles desenham ali. Há 3 anos ou coisa parecida que faço com frequência o exercício masoquista de me tentar convencer de que o surf é um desporto como todos os outros. Não dá. É impossível igualar isto. Pode este blogue ter os seus momentos de languidez poética exacerbada (é o caso), conterá em si uma multitude de defeitos literários (epá, possivelmente), mas, e aqui agradeço aos visitantes, há quem veja nisto o mesmo que nós. O surf, o mar, as ondas, são poesia da mais pura. Há 3 anos, mais coisa menos coisa, que me petece esquecer as palavras e apagar o post. Está lá tudo.

Publicado por vascomendonca em 06:11 PM | Comentários (7) | TrackBack

abril 28, 2007

Super heróis

Vestem uma segunda pele bastante justa que apenas os protege de águas mais frias. Perseguem as ondas sem estas lhes terem feito qualquer mal (nem sempre é assim). Salvam-se primeiro a eles mesmos. Os seus rivais não temem pela vida, mas pela próxima onda. O vento on-shore é a sua kryptonite. São uns super heróis comezinhos, pouco solidários. Têm amigos mas nem sempre gostam de os ter por perto no exercício da sua actividade cada vez menos secreta. Se chego à praia, lá estão eles. Uns, dentro de água, a braços com vilões de meio metro, outros, cá fora a avaliar o tamanho do monstro, aguardam por vilanias que dêem luta. Alguns deles fizeram disto carreira. Não se lhes reconhece outro emprego do tempo, visto o tão acentuado bronze, a omnipresença, e o respectivo lugar marcado num parque de estacionamento com vista para o mar. Como é que conseguem? Onde é que estas criaturas vivem? Do que se alimentam estes super heróis? Da água? Do ar? Dos raios de sol? Contem-me tudo, não sejam egoístas. Ainda há vagas no parque de estacionamento? Com quem é que devo falar para reservar um lugar com vista para o mar?

Previamente publicado na Onfire

Publicado por vascomendonca em 11:48 AM | Comentários (20) | TrackBack

abril 25, 2007

O dia perfeito

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de manhã clara

Zeca Afonso, Canto Moço

Publicado por pedroadãoesilva em 11:18 AM | Comentários (6) | TrackBack

abril 21, 2007

Duelo de Titãs

Red 1 12.83 Neco Padaratz BRA
White 2 12.57 Tiago Pires PRT

9º lugar, 1650 pontos. Este é mais um resultado grande do nosso Saca, daqueles que se guardam e desembrulham no final. Venha agora a susceptível irmã escocesa dos Coxos, Thurso East, a sua água a 7º graus cor de coca-cola sem gás e os ventos gélidos que sopram do Mar do Norte.

Publicado por manuel castro em 10:03 AM | Comentários (15) | TrackBack

abril 20, 2007

O nosso "spaniard" Tiago Pires

Já sabe que não sai da África do Sul sem pelo menos um nono lugar e mais 1650 pontos. Mais duas ou três prestações destas, um brilharete cá em casa, e temos finalmente o Saca no WCT. Não se preocupem que eu não vou dar azar. Este ano o Tiago passa bem sem superstições, contas, ou continhas.

Publicado por vascomendonca em 06:54 PM | Comentários (3) | TrackBack

abril 18, 2007

A maravilha de Portugal


Há cerca de 2200 anos, conta a lenda, um só homem, o engenheiro grego Philon de Bizâncio, escolheu as 7 maravilhas do mundo. Fê-lo com dois propósitos: elaborar um “guia turístico” para os atenienses e sublinhar a capacidade do homem para transformar o espaço natural. Daí que todas as 7 maravilhas se situassem em redor do Mediterrâneo – o mundo então conhecido – e todas elas fossem monumentos que revelavam os progressos da ciência e da técnica. As maravilhas da antiguidade clássica eram um espelho do mundo de possibilidades que então se abria para a humanidade.
Este ano, já não através da escolha de um só homem, mas através de uma ilusão de democracia cibernáutica, está a decorrer a escolha das 7 novas maravilhas do mundo. Ao mesmo tempo, alguns países escolhem as 7 maravilhas nacionais. As escolhas têm recaído de novo em monumentos construídos pelo homem. Acontece que, 2200 anos depois, o que é verdadeiramente maravilhoso já não é só a capacidade do homem em construir, é também a capacidade em preservar. O que é especialmente verdade no caso português.
As 77 maravilhas portuguesas pré-nomeadas – castelos, igrejas, mosteiros, aquedutos, palácios – são todas monumentos construídos. Isto serve para lembrar que a principal maravilha que o País tem para apresentar, capaz de competir à escala mundial, ficou esquecida: a faixa costeira. Mas esta não resultou da construção humana - pelo contrário, a mão humana tem-se empenhado em destruí-la.
Por uma sinistra coligação de inércia e desarticulação do poder central, desinteresse das populações e terrorismo urbanístico do poder local, temperada por uma ideia perversa de progresso, a costa portuguesa tem sido descaracterizada aos poucos. Primeiro, pela construção abarracada e caos urbanístico, depois, pelo abandono ambiental. Ao ritmo actual, mais uns anos e nada sobra para amostra. Do Norte a Sul, os exemplos de maravilhas destruídas pela acção do homem estão aí para nos envergonhar enquanto País. Como se não bastasse, nem sequer somos capazes de aprender com os erros do passado. A ameaça constante que paira sobre o “sul surf”, as zonas ainda relativamente preservadas da Costa Alentejana e Algarvia é disso prova.
Esta tendência é tanto mais estranha quanto sistematicamente os discursos públicos sublinham o papel do Mar como recurso estratégico para Portugal e o turismo, que entre nós está muito associado à praia, como cluster privilegiado para o desenvolvimento. A “marca Portugal” deveria estar muito associada ao mar, diz-se. Deveria, mas não só não está como temos uma política de quase abandono da nossa faixa costeira. O que deveria preocupar muito os surfistas.
Senão vejamos: Portugal tem uma faixa costeira que é ímpar na Europa em extensão e qualidade; um clima ameno durante o Inverno – o que possibilita a prática de surf na maior parte dos dias do ano; muitos picos que recebem diversos swells, de diferentes intensidades e para todos os níveis de surf; uma relação qualidade/oferta de hotelaria que não sendo entusiasmante, não envergonha. Ou seja, o surf poderia estar para o turismo português como os desportos na neve estão para os Alpes suíços. Mas este raciocínio obrigaria a que o surf fosse olhado não apenas como uma modalidade desportiva ou um estilo de vida, mas, também, como um bem económico com enorme potencial de expansão, de que o conjunto da sociedade beneficiaria. E, naturalmente, também os surfistas portugueses (basta pensarmos no que se tem passado nos últimos anos na Caparica, onde a partir da meia maré o backwash é a regra, para se perceber como a desprotecção do litoral prejudica os interesses dos surfistas).
O assustador é que, ao ritmo de degradação actual, se nada fizermos, não teremos na nossa costa uma maravilha para apresentar daqui a um par de décadas, quanto mais daqui a uns longínquos 2200 anos. A escolha de abandonar a maravilha de Portugal, optando, por inércia ou acção, por um caminho assente na degradação do território, continua a ser, em pleno século XXI, sinal de enorme pobreza. Que os surfistas sejam agentes passivos desse processo, envergonha-nos enquanto comunidade e, além do mais, diminui a possibilidade de, a médio prazo, podermos fazer o que mais gostamos: apanhar umas ondas.

publicado na coluna 'Sal na Terra' da Surf Portugal

Publicado por pedroadãoesilva em 10:58 AM | Comentários (13) | TrackBack

abril 16, 2007

Os que partem


Há muita gente a fazer surf, mas, em Portugal e em todo o mundo, há muito pouca gente com vontade de arriscar e escrever sobre o surf. O André Parente não só arrisca fazê-lo como dá ainda um outro passo, bem mais difícil e corajoso – viaja sem rede para fazer surf e para escrever sobre o que viu e viveu. Depois de amanhã, o André vai partir para uma viagem de oito meses em volta do mundo e em volta das ondas. A viagem vai poder ser seguida aqui, num blogue criado para o efeito. Entretanto, também o livro de viagens a propósito do surf que publicou pode ser comprado aqui, ou em qualquer livraria.
Nisto, nós, todos aqueles que ficamos, não podemos deixar de olhar com um misto de inveja e admiração para aqueles que partem. É isso que agora sinto ao ler o blogue do André e, não podendo ir, deixo-lhe um abraço de boa viagem e melhores ondas.

Publicado por pedroadãoesilva em 12:14 PM | Comentários (6) | TrackBack

abril 13, 2007

Vuelvo Al Sur(f)

Publicado por manuel castro em 04:45 PM | Comentários (2) | TrackBack

abril 12, 2007

Kurt vonnegut [1922-2007]

"The most important thing I learned on Tralfamadore was that when a person dies he only appears to die. He is still very much alive in the past, so it is very silly for people to cry at his funeral. All moments, past, present and future, always have existed, always will exist. The Tralfamadorians can look at all the different moments just that way we can look at a stretch of the Rocky Mountains, for instance. They can see how permanent all the moments are, and they can look at any moment that interests them. It is just an illusion we have here on Earth that one moment follows another one, like beads on a string, and that once a moment is gone it is gone forever."

Excerto retirado de Slaughterhouse-Five

Publicado por vascomendonca em 11:00 AM | Comentários (2) | TrackBack

abril 08, 2007

Uma condição muito comum aos recém-apaixonados é aquela coisa de não saber o que fazer com as mãos. É uma chatice não saber o que fazer com as mãos por se estar próximo de alguém que ainda nos deixa encavacado (isto para os que se encavacam). É uma chatice perguntarmos a nós mesmos, a meio de uma interacção que pede de nós elevados níveis de concentração e encanto: "o que é que eu faço às mãos?". Não raras vezes, não saber o que fazer com as mãos conduz a comportamentos muito pouco graciosos na presença de alguém que gostaríamos de impressionar positivamente - na esperança, enfim, de uma correspondência em igual medida. Desejável será, portanto, que se saiba o que fazer com as, ou às, mãos. Ninguém nasce ensinado, mas não convém fazer da timidez um defeito crónico. Sob pena de nos faltar graciosidade para sempre. Pois agora reparem nas mãos de Stephanie Gilmore, vencedora da etapa do 'CT em Bells. Era aqui que eu queria chegar. Plantado na desembocadura deste post, peço-vos que atentem na mão direita desta rapariga de 19 anos e me digam se isto não é graciosidade e reconhecimento de um amor recíproco. Estas coisas não vão lá só com treino e pilates. É preciso muito amor para fazer este bottom e ter aquela mão direita quase, apenas quase, a tocar ao de leve na face de uma onda que se antecipa sem, por um segundo que seja, menosprezar os encantos que esta tem para nos oferecer.

Publicado por vascomendonca em 03:44 AM | Comentários (7) | TrackBack

abril 05, 2007

Mundo Perfeito #22

"Man marks the earth with ruin - his control stops with the shore"
Lord Byron (Childe Harold's Pilgrimage)

Publicado por pedroadãoesilva em 10:59 AM | Comentários (2) | TrackBack

abril 02, 2007

Rip Curl Pro - Bells Beach Australia


1973 - 2007
on

Publicado por pedroarruda em 11:01 PM | Comentários (5) | TrackBack

abril 01, 2007

parabéns Tiago

Drug Aware Pro presented by O'Neill
6* WQS Men / Final - Last Update : 31/Mar/2007
1st:3000Pts, A$15,000
2nd:2625Pts, A$7,500

6* WQS Men
Final

singlet plc pts name from
Red 2 9.50 Tiago Pires Prt
Blue 1 14.34 Kieren Perrow Aus

Publicado por pedroarruda em 08:56 AM | Comentários (19) | TrackBack

AMAZING

previous results, 6* WQS Men / Semi Finals , Heat # 1
1st Blue-Tiago Pires,Prt 7.17 6.OO,Win by 1. -> 13.17pts
2nd Red-Dane Reynolds,USA 8.93 3.17, Needs 4. -> 12.10pts

O Tiago acabou de vencer o "homem do evento" Dane Reynolds. Tiago na final!!!

Publicado por pedroarruda em 07:22 AM | Comentários (1) | TrackBack

SACA NAS MEIAS

6* WQS Men / Quarter Finals , Heat # 2
1st Red-Tiago Pires,Prt
8.17 4.33,Win by 1. -> 12.50pts
2nd Blue-Cory Lopez,USA
6.OO 5.OO, Needs 6. -> 11.00pts

Vai Saca!!

Act: É uma maneira fantástica de passar uma madrugada, mesmo com as condições do mar, demasiado furioso para ser um evento perfeito, mas o tamanho das ondas, a força de algumas secções, fazem deste dia de competição um bom punhado de horas de olhos colados no monitor do PC. E que prazer que é ver o Tiago a passar heats sucessivos, com mais ou menos unhas roídas, mas com surf, muito surf e garra e vontade. Quase que apetece, do lado de cá do ecrã, ir lá remar com ele, dar um extra de força nas manobras, fazer de almofada nas aterragens de cada paulada no limite. E a maneira como o Tiago falou depois do heat das quartas, a simplicidade, o desportivismo e a motivação. Aconteça o que acontecer, escrevo isto enquanto o Neco se tenta manter no evento, nessa final antecipada contra o Dane Reynolds (é ganhar…..) obrigado Tiago, foi um prazer e um orgulho acompanhar-te neste campeonato.

Publicado por pedroarruda em 06:04 AM | Comentários (1) | TrackBack

O número 1

Vai amanhecer português no 'QS.

Publicado por manuel castro em 01:39 AM | Comentários (45) | TrackBack