abril 29, 2005

para o vasco


Kalani Chapman, Teahupoo [tchopoo], 28 de Abril, 2005.

Publicado por pedroarruda em 06:00 PM | Comentários (1)

Eu ia pôr a foto que se encontra aqui ao lado

Mas optei por este descontraído momento de um tipo sortudo na plena posse das suas faculdades, prestes a encaixar na perfeição tahitiana. Effortless.

Infelizmente ainda não há live webcast, mas as fotos são magnifícas e mostram bem a qualidade das condições do mar durante os últimos dias. Rezando para que, mesmo sem swells maiores, possa, pelo menos, ficar tudo como está. VM

Publicado por vascomendonca em 01:16 AM | Comentários (0)

abril 27, 2005

Quando o surf entrou na Baía

O surf está na moda. Melhor, o surf está outra vez na moda. O surf esteve na moda em meados dos anos 80, no tempo em que se dançava à surfista e se vestia de fluorescente. Então, os surfistas quase não existiam, pelo que pouco tiveram a ver com a moda do surf. Depois, em meados dos anos 90, o surf voltou a estar na moda. Por essa altura, gerou-se um hype em torno do ser radical. O Portugal Radical surfou os sinais do tempo e mostrou ao país o surf e, pela primeira vez, juntou-lhe os surfistas. Depois disso, a história é conhecida: os surfistas desentenderam-se, gerou-se algum vazio competitivo e, entretanto, o surf passou a actor secundário.
Mas como que para provar que o retorno não se baseia num eterno mito, o surf volta a estar na moda. Os sinais são muitos: telenovelas em que o surf cria o contexto; a surf music (ou música tocada por surfistas) que esgota o Coliseu; as surf schools que inundam o litoral de novos praticantes e, ainda, as escolas secundárias nas quais é difícil vislumbrar alguém que não se vista à surfista. Ainda assim, as revistas de surf mantém as vendas quase inalteradas e os surfistas pouco têm lucrado com a popularidade do surf. No meio disto, uma parte significativa dos tops nacionais são ainda da geração PR e Portugal, que tem uma longa e apreciável costa e um número significativo de participantes, tem praticamente apenas um solitário corredor no circuito mundial.
Mas há dias que, quando chegam, podem fazer com que nada seja como dantes. Pense-se naquela “quarta-feira” de ondas grandes, o dia do tow-in na Baía de Cascais. Um dia solarengo de Inverno. Centenas de pessoas a assistir, aparato mediático, discussões acesas na net, notícias nos telejornais das oito. Houve de tudo um pouco. Dos bravos às bravatas. Dos patrocinados aos outcasts. Mas, acima de tudo, o que até há uns anos seria impensável: o surf naquele lugar e com aquelas condições.
Antes de mais, o cenário. A Baía de Cascais. Uma baía, lugar de abrigo, de águas paradas e Cascais, o sítio, por excelência, da integração, da não-contracultura. O espaço do sucesso e paradigma do bem-estar na vida. É que, ainda que o surf em muitos casos tenha nascido naqueles ambientes – e em Portugal foi em larga medida assim –, a verdade é que sai deles e, quando regressa, volta transformado, mudando o lugar, mas, principalmente, as pessoas. Por isso, aquele dia revelou, também, que o surf pode regressar aos lugares da normalização e tornar-se aceitável, conforme aos padrões. Que isso seja feito com condições extremas não deixa, ainda assim, de ser paradoxal.
Depois, numa altura em que vivemos a terceira vaga da moda do surf, aquele dia de tow-in foi um momento para os surfistas participarem na tendência. Nas telenovelas ou no surfwear, os surfistas pouco participam. Naquele dia, o meio do surf foi, por momentos, (re)apropriado pelos surfistas, que ao surfarem aquelas ondas como que forçaram, pela mediatização, a sua entrada no surf integrado e gerador de lucros.
Há momentos que, por si só, mudam o contexto e o sentido das coisas. Aquele dia de tow-in na Baía de Cascais pode ter sido um deles. É provável que já tenham sido surfadas ondas maiores em Portugal. É ainda mais provável que muitos, um pouco por todo o país, tenham estado em situações mais limite. Mas as coisas só existem quando são visíveis, apropriadas pelos media. E foi isso mesmo que aconteceu com a entrada do surf na Baía. Resta saber se os surfistas vão continuar à margem dessa notoriedade ou, pelo contrário, vão aproveitá-la. É que seria uma estupidez deixar que o destino do surf não fosse tomado nas mãos pelos surfistas e que, estando o surf na moda, todos não lucrassem com o fenómeno. Os que vivem do surf e todos os outros que vivem para o surf. Os primeiros com melhores patrocínios e prémios; os segundos com uma maior preocupação dos poderes públicos com as ondas, a sua preservação e valorização. PAS
artigo previamente publicado na Surf Portugal.

Publicado por pedroadãoesilva em 06:38 PM | Comentários (0)

Estar onde não se está

É a paz de uns e o desassossego de outros. VM

Publicado por vascomendonca em 02:02 PM | Comentários (0)

abril 26, 2005

a minha própria e privada liga de Inverno 04/05

Pranchas partidas, 2 (Dez. 04; 23 Abril 05) - Eu, 0
PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 03:44 PM | Comentários (2)

abril 25, 2005

a liberdade é um prazer que se conquista

Publicado por pedroarruda em 10:24 AM | Comentários (5)

abril 23, 2005

Billabong XXL


Vencedor de 2005. Dan Moore, Jaws/Peahi, 68ft [mais ou menos 22 metros] 15/12/04, foto de Robert Brown.

Publicado por pedroarruda em 12:58 PM | Comentários (4)

abril 21, 2005

Cine Surf

Somos um país de mar, para o mar, do mar. Somos em potência um país de surf, de surfistas, de gente do mar e das ondas. De gente que, não fazendo surf, gosta também de coisas simples e bonitas, gosta da estética e da plastia aquática que o surf expressa e gosta de se fascinar ao descobrir o que é o surf para além do que os olhos vêem.
Também somos um país de pessoas, que, mesmo longe do surf, desespera pelo estilo de vida (eu sei, é mais bonito dizer lifestyle, fica para a próxima) em nome de uma moda, transformada em produto, socialmente correcta que hoje o surf carrega.
Temos espaço –chamam-lhe mercado se quiserem- para que se faça pelo menos um pouco mais em relação a esta imensa multidão que delira e vibra com as ondas. Não queria ser tão linear, tão objectivo, mas mesmo para quem só quer do surf nada mais que uns pontos na balança das vendas, há um mundo de coisas para fazer.
Ficámos sem o WCT, ficamos sem o nosso melhor WQS, ficámos quase sem nada.
É o fado. Vamo-nos queixando e o tempo passa. É o fatalismo. Não podemos fazer nada contra isso...
Eles é que sabem. Eles é que decidem. Eles é que mandam.

Entretanto, tudo continua a acontecer à nossa volta. Um mundo de coisas, já vos disse?
Fábio Fabuloso, diz quem viu e diz quem tem pena de não ter visto, um dos melhores filmes de surf que já foi feito, estreia na tela brasileira, arrecada prémios e nós, que havemos de fazer?, vamos esperar pela edição dvd.
E porque não pensar que, se calhar, não seria má ideia de todo, passar este filme numa qualquer sala de cinema portuguesa? Pode ser caro o rebuçado ao surfista e ao amante do mar e das ondas. É possível que sim, que seja, mas também já ouvi dizer o caro sai barato e o barato sai caro.
Vamos esquecer a promoção, o retorno, a publicidade, demasiadas potencialidades para quem só procura o lucro imediato e não olha para a frente um segundo e meio para pensar. Vamos voltar à essência. Porque não há caro nem barato que paguem os olhos vorazes, vidrados e deliciados que veriam um filme de surf no cinema, como aqueles que viam os seus ídolos nos campeonatos. A rendição não entra no relatório e contas.
Conheço uma sala de cinema que já encheu duas vezes para ver outro filme de surf –o único que a terra das ondas por excelência alguma vez recebeu (!!) - e encheria mais dez vezes se possível fosse. Como é que um país de ondas não tem interesse –chamem-lhe mercado se quiserem- em mostrar filmes de surf na tela?
Há por aí telas, velhas salas de cinema, que, tenho a certeza, não se importavam nada com isso. E acho que nós, também não.

MCG

Publicado por manuel castro em 04:47 PM | Comentários (6)

THERE'S NOTHING LEFT TO LOSE


Adeus, minha cidade amada, vou partir, irei percorrer mares e continentes, de terras do Reino de Marrocos ao éden dos recém-casados, a Polinésia Francesa, passando pelo seu país mais próximo, Nova Zelândia.
Irei desfrutar de dias inteiros debaixo de um coqueiro numa praia de areia branca ou a surfar as esquerdas de Raglan em comunhão com o pôr-do-sol. Nada é tão forte como o poder do Adeus e as minhas noites têm sido abaladas com sonhos que retrataram o momento em que percebo que não tenho nada a perder. Digo Adeus à cidade onde vivo, ao curso de engenharia de electrónica e computadores que frequento, ao part-time que arranjei num armazém de publicações, ao crowd cada vez mais intenso no sítio do costume, e em 60 segundos volto as costas e parto em busca do meu sonho. Não seria um Adeus para sempre, seria apenas coisa para alguns meses e muitas garrafas de água, litro e meio, cheias de moedas de 2 euros.
De todo o fascínio que o Surf exerce em mim, o que me deixa mesmo com um brilho nos olhos seria poder surfar ondas diferentes em lugares longínquos onde o tempo não existisse, onde um dia significasse 48 horas, onde perdesse a noção das horas a surfar picos perfeitos, será que ainda existem no mundo lugares assim? Alguém tem sugestões de roteiros? Vou continuar a encher garrafas de água, litro e meio, de preferência.
Post enviado pelo João Eusébio.

Publicado por pedroadãoesilva em 12:58 PM | Comentários (1)

abril 20, 2005

post tardio e eventualmente chocante

Perdoem-me, que não quero ferir susceptibilidades, mas se as ondas são a minha religião será que este é o meu Papa em plena catedral?


Publicado por pedroarruda em 02:36 AM | Comentários (5)

abril 19, 2005

Uma história distante


"(...)
cada um de nós jaz por terra muito depois que se levanta
tudo o que possui não cobre metade do seu reino
e apesar do domicílio fixo, das horas certas
dormimos a céu aberto, pelas estradas"

José Tolentino Mendonça, A Estrada Branca (2005)
PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 02:25 PM | Comentários (1)

abril 18, 2005

O mundo perfeito


As ondas. E o mergulhar deslizante das quilhas. PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 01:13 AM | Comentários (2)

abril 15, 2005

A melhor onda de sempre neste momento #2

Publicado por vascomendonca em 12:07 AM | Comentários (4)

abril 14, 2005

Ler os outros

Tinguinha Lima, 41 anos, agora morador em Portugal e que já ganhou (e inventou) tudo no surf brasileiro e mundial, na Surf Portugal deste mês, sobre o nível do surf lusitano:

"tem bons surfistas. tem muito trabalho para fazer mas tem bons surfistas. Eu gosto muito do Ruben mas o nível geral é fraco. Acho que há uns dez surfistas com nível razoável a bom. (...) Acho que muita gente aqui gosta mais do estilo de vida do surf do que do surf mesmo. Eu vejo muita mulher aprendendo a ser surfista com mais vontade, mais garra que os homens. Eles gostam de estar na praia, dão uma caída rápida e logo depois já estão tomando um café, fumando um cigarrinho, conversando com os amigos. Não treinam como deve ser, parece que não existe aquela vontade de aprender a surfar bem, de realmente ser bom na coisa. A minha primeira vez em Portugal foi em 1989. Tinha viajado pela Europa toda e, quando cheguei cá, achei que os melhores surfistas europeus estavam aqui. Entretanto, França e Espanha superaram Portugal. Porquê? Porque teve investimento, competição, apoio ao atleta. Não acho possível que um país com tanta onda não tenha um atleta no WCT. Tem que ter! É obrigado a ter!."
PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 07:25 PM | Comentários (5)

abril 11, 2005

Go Surf

Os sonhos são imunes ao tempo. Nós, nem por isso. MCG

Publicado por manuel castro em 01:38 PM | Comentários (4)

abril 10, 2005

A melhor onda de sempre neste momento #1

Publicado por vascomendonca em 02:01 AM | Comentários (3)

abril 09, 2005

Ocean Rhythms

Wave after wave,
Each wave
a beat
each beat
repeating
each stretch
receding.
This Earth's old wild heart
beating.

Constance Levy

Publicado por vascomendonca em 08:19 PM | Comentários (1)

abril 08, 2005

Vais?

Não, deixa estar. Mas obrigado.

VM

Publicado por vascomendonca em 06:34 PM | Comentários (5)

Espectadores de Inverno

Acabara de chegar à praia da Torre, cheio de febre, perfeitamente consciente de que viera apenas assistir. Um dia de semana, o mar voltara a fazer das suas. Os brincalhões do costume despromovidos a espectadores. Um dia como outros num parque de estacionamento com vista para o mar. Nisto, uma carrinha com matrícula estrangeira. Com tão pouca gente dentro de água estão cheios de sorte, pensei eu. Sai de lá um, saem dois, três, quatro. Um fotógrafo, dois fotógrafos. Todos eles apresentam o ar intratável de quem conhece penas uma estação do ano. Australianos, hawaianos, de Tondela é que não são de certeza. Olham para o mar com ar de dúvida. Um deles torce o nariz. Diz a outro que gostava de ver aquilo maior. O embaraço torna-se colectivo entre a massa humana de surfistas lusos - e potenciais náufragos. Eu, claro, estava com febre. Uns segundos depois, reparo num rosto que conheço de algum lado. Era o Pat O' Connell, a uns metros de distância, pronto para entrar. Deixei-me ficar por ali pelo menos mais uma hora, e foi assim. Chegaram, viram, entraram, e mostraram a todos que os close-outs não eram bem close-outs, que aos locais nem sempre pertencem as melhores ondas, e que aquela esquerda a quebrar perto do pontão, essa, não faz mal a ninguém. Foi como se, lá dentro, personificassem o Verão. E nós, cá fora, feitos Inverno a passear o cão. VM

Post previamente publicado na Onfire

Publicado por vascomendonca em 06:18 PM | Comentários (2)

Sete


Foto: Tom Servais

Sete é um número mágico. No surf também. Detona esperanças, prazer e angústias, sempre moldado pelas circunstâncias que lhe temperam o gosto, mais ou menos doce, fazendo e desfazendo egos ao sabor do desespero que pode ser não estar no sítio certo ou estar no sítio errado. Uma escolha, que não é nossa, perdida entre as variáveis e que quando desperta, nos mostra o verdadeiro humor do mar que, ora de nós se ri, ora connosco sorri. MCG

Post previamente publicado na revista Onfire

Publicado por manuel castro em 04:08 PM | Comentários (3)

abril 07, 2005

Guilty Pleasures

Acordar cedo, ir surfar “metrinho” para o guincho (com crowd, mas com sol e calor!) e no regresso, como que contrariando a vida pura do surf, parar no Mcdonalds de Birre e empanturrar-me em hamburgers. Uma coisa sem a outra não faz sentido. Uma ida ao Guincho sem aquela paragem no regresso não faz sentido. PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 03:23 PM | Comentários (5)

...

Cyclops, Oeste da Austrália

MCG

Publicado por manuel castro em 12:22 AM | Comentários (3)

abril 05, 2005

Dancing Naked in the Mind Field


Dancing Naked in the Mind Field, Kary Mullis, 1998*

As ondas conseguem ser surpreendente subversivas. Ainda que pragmáticas e mecânicas na lógica do seu funcionamento, embora susceptíveis e sensíveis à imprevisibilidade dos elementos, há sempre qualquer coisa de verdadeiramente surpreendente em cada onda que ultrapassa o domínio do natural. Sabemos o que nos espera no mar, certezas feitas em sensações familiares e o que nos move, de e para as ondas, mas o desconhecido e uma estranha atracção pelo abismo é o que nos continua e continuará a fascinar.
Subversivo, esse desejo que inspira revoltas –na nossa mente, na nossa vida, pelas ondas e por este estranho modo de vida. Porque temos que passar por cima de muito do que é certo para os outros –e o problema é deles, porque nós vamos continuar a rir e a sorrir- para sermos nós próprios de um modo pleno.
E às vezes é bom pensar que, se calhar, nem tudo o que é tido como certo, o é. E é bom haver quem o diga, exclame até, em viva voz, sem se importar muito com as consequências. Porque as consequências são uma surpresa do desconhecido. E esse fascina-nos.

MCG

* Sugestão brilhante de Gonçalo Cadilhe na Surf Portugal. Arranjei a edição da Bloomsbury, que recomendo.

Publicado por manuel castro em 11:58 PM | Comentários (4)

abril 04, 2005

Mais uma e saio


Há muitas expressões no léxico do surf. Quase todas vão mudando ao sabor das modas. Muitas mesmo, ouvidas hoje, soam-nos ridículas, chegadas dum passado de roupas florescentes de que os surfistas parecem envergonhar-se. Mas no meio das expressões passageiras, há uma que perdura. Uma que ouço desde de que faço surf. A frase provavelmente mais usada pelos surfistas e que mais nos remete para o confronto mais violento que enfrentamos. O confronto com o tempo. Com o passar do tempo. “Mais uma e saio”, dissemos ou pensámos vezes sem conta.
“Mais uma e saio” porque esperam por nós na praia, no carro, em casa ou no trabalho. A frase é, no entanto, falsa. De quando a dizemos até ao momento em que efectivamente saímos vai invariavelmente uma enorme distância. A distância que num dia mau nos obriga a esperar tempos sem fim, pela onda que não chegou a vir ou a distância que num dia bom nos faz voltar, depois de apanharmos a onda do dia, para procurar apanhar ainda mais uma, igual à anterior. Antes de sair.
Os doentes das ondas mentem. Os doentes das ondas, mesmo com os atrasos, vivem presos ao dilema da frase. Apanhar mais uma para sair? Ainda mais uma, porque quando saímos fazemo-lo com o medo de nos próximos tempos não voltarmos ao mar. E, depois, quem é que já saiu da água totalmente satisfeito? Com uma satisfação suficiente para fazer com que a primeira prioridade não seja pensar quando é que voltamos a entrar. PAS
post publicado na on-fire #14.

Publicado por pedroadãoesilva em 11:10 AM | Comentários (7)