janeiro 31, 2005

Imperdível

Hoje à noite, na 2, Ana Sousa Dias entrevista Gonçalo Cadilhe, certamente um dos meus heróis. Espero que não seja demasiado inspirador. Conheço várias pessoas que não me perdoariam por deixar a licenciatura incompleta. VM

Publicado por vascomendonca em 09:44 PM | Comentários (5)

janeiro 30, 2005

O desejo de ser inútil

Naturalmente que é verdade que os mundos que me acontece visitar, através das minhas buscas, podem ser considerados pueris ou inúteis, de tal modo estão distantes dos problemas quotidianos, mas, hoje, quando me recordo de todos aqueles que me acusavam de ser inútil, e penso naquilo que consideravam ser útil, não apenas tenho prazer em ser inútil, mas sinto mesmo o desejo de o ser.
Hugo Pratt, Março de 1991.
PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 08:56 PM | Comentários (0)

janeiro 27, 2005

Alerta

Foi esta semana publicado um estudo que nos mostra o quão negro pode vir a ser o nosso futuro se, no prazo de até 10 anos, não invertermos o rumo suicida que tomamos, como espécie humana. Parece distante entender o que nós, surfistas anónimos e comuns, podemos fazer para inverter esta tendência global, este caminho para a auto-destruição, aplaudido pelo W da dinastia Bush quando desprezou o Protocolo de Quioto. Tudo parece ser imenso e irreversível.
Pensar global, agir local.
É um slogan sim e poderá valer exactamente aquilo que nós quisermos que valha.
Parece estranho pedir um pouco de utopia quando ainda encontro lixo na praia, a minha maior vergonha quando sei que quem fez aquilo, desta vez, não foi o banhista veraneante mas quem adora ter a praia só para si no Inverno, mas eu acredito que as coisas mudam porque nós sonhamos, como quando sonhámos com o primeiro take-off, com a primeira batida, com o primeiro tubo. Temos uma imensa capacidade de sonhar.
Temos agora é que ter a capacidade de alertar, denunciar e sobretudo, agir - esta ideia tem que ir para a frente.
Portugal é um país umbiguista. "Só acontece aos outros". Pois os "outros", se calhar, não tem 40 % da costa em erosão grave, a mesma costa que assim recua cerca de 10 metros por ano em certas zonas do país (principalmente no Norte) e não têm, sobretudo, o mar como fronteira privilegiada, imensa e imutável.

Se os efeitos mais globais desta crise planetária passam pelo aumento da temperatura, pela subida do nível do mar, pela alteração da morfologia da costas, pela alteração de correntes marítimas com todas as consequências que daí advirão, alguns efeitos locais já estão aí.
Porquê?
Sobretudo por dois motivos. Pela construção em zonas de risco e pela extracção absurda de areias, que têm uma vergonhosa carta branca no nosso país. Pois aí, como noutras intervenções na costa – por exemplo, na construção de molhes e de marinas a torto e a direito – nós teremos que ter uma palavra a dizer. Obrigatoriamente. Mais que uma palavra, actos. Temos que ter tolerância menos zero. Proteger e lutar pelo que é nosso, localmente. É o mínimo que podemos fazer por quem nos deu a dádiva das ondas e do surf. Vamos em frente. MCG

Publicado por manuel castro em 12:55 PM | Comentários (11)

janeiro 25, 2005

Quebrar o gelo

MCG

Publicado por manuel castro em 05:58 PM | Comentários (3)

janeiro 23, 2005

A perfeição

a perfeição não existe. o que há são provas da sua existência. PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 10:09 PM | Comentários (5)

janeiro 20, 2005

Mais um para a galeria dos Heróis

Já me tinham contado a história, mas de um modo algo difuso. Falaram-me num tal de André que tinha aparecido no telejornal, que tinha enfrentado o mar ontem. Falaram-me no Guincho. Não sabia o que pensar. Alguém entrar sozinho num mar como o de ontem seria qualquer coisa que eu demoraria a processar. E contado deste modo, falaria sempre de alguém completamente inconsciente, restaria saber se o seria convictamente ou por mera falta de conhecimento.
A história confirma-se, em parte. O único André que me lembrei na altura foi mesmo este, o Pedroso, da Praia Grande, que se atirou, à grande e à portuguesa, com coragem, no mar absurdo de ontem, também na Baía de Cascais (e não no Guincho), juntando-se, com uma prancha e a remar, aos outros surfistas que faziam a histórica sessão de tow-in de que falei ontem. E não é que a Polícia Marítima apareceu mesmo metida ao barulho? (o que confesso, nada tem haver com a minha última interrogação no post de ontem). De loucos, o dia de ontem. De loucos. MCG

PS: Apesar do que foi feito e dito, fica um conselho: não tentem isto em casa.

Publicado por manuel castro em 03:28 PM | Comentários (5)

janeiro 19, 2005

As ondas



Foto Gonçalo Guarita/Surftotal

Tiago Pires, José Gregório, Paulo do Bairro e mais uns quantos irredutíveis gauleses fizeram hoje história no surf português, no surf de consequências sérias e reais, um verdadeiro jogo de impossibilidades e coragem, enfrentado ondas enormes na Baía de Cascais. Sem esquecer nomes como José Seabra, Miguel Fortes, Tó Gama ou João Pedro Caldas (e mais haverá), surfistas de coragem, que já enfrentaram situações à beira da ruptura, hoje, estes surfistas inauguraram uma nova era no surf nacional, a era do tow-in. Hoje ficará para a História como o dia em que os verdadeiros monstros do mar foram conquistados. Parabéns.
MCG

PS: Este post antecipa-se a outro que já tinha escrito em que era referido o que esta "dupla dinâmica e o sempre que possível presente Tiago Pires" tem vindo a fazer nos mares da Ericeira. Eis senão quando somos confrontados com o culminar desse imenso trabalho (?). Será que a Marinha apareceu para multar?

Publicado por manuel castro em 11:13 PM | Comentários (3)

Carcavelos, 19.01.2004

Havia maiores, claro.

Publicado por vascomendonca em 10:55 PM | Comentários (8)

Já saudade

Virar as costas ao mar, guardar a prancha, e arrumar a alma dizendo "até um próximo agora". VM

Publicado por vascomendonca em 11:54 AM | Comentários (0)

Ver o mar

Hoje deveria ser obrigatório ir ver o mar. Todos hoje deveriam ir ver o mar. Largar os empregos, as aulas, as outras responsabilidades e ir ver o mar. À hora do almoço ir ver o mar. Surfistas, não surfistas. Mas ver o mar. Há uns quantos dias que o mapa aqui mesmo ao lado ameaçava: na quarta-feira ia ser dia de ver o mar. Ver o mar grande. Ver, porque é pouco provável que, hoje, dê para aproveitar de outro modo as ondas do mar. Eu, a 2.500 km de distância, fechado pelo vento frio, pela chuva que chega a todos os lados, e afastado de um mar verdadeiro, limito-me a olhar para as webcams, e imagino-me a ver o mar. O que por vezes, e por algum tempo, parece chegar. PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 11:44 AM | Comentários (4)

janeiro 18, 2005

Preciso de Mar

Ainda tenho o fato molhado dentro da caixa, esquecido, a ganhar mofo, desde a última vez que estive na água que foi há 10 dias e nessa altura já não surfava há 15 e nestes últimos dois meses se entrei 5 ou 6 vezes na água foi muito. Às vezes não sei quem é que anda a fugir de quem, quando há ondas eu não posso, quando eu posso não há ondas, ou não há as ondas que eu posso. Será que se pode chamar a isto uma ausência, um afastamento do caminho traçado, ou apenas um daqueles acasos da vida que é perita em criar curvas na estrada. Não vale a pena dizer que sonho com água salgada, ou que fiquei doente de tanto imaginar tubos. Não é preciso justificar ou explicar a distância que nestes dias me afastou do mar, para quê? Explicar o corpo que se contorce, a ruína do espírito, as alterações do humor, a depressão, ficar no sofá a ver imagens sem definição específica, vegetar, deixar de ser. Assim como as estrelas só existem na noite um surfista só existe no mar, sem isso é como um fóssil, uma memória de um tempo longínquo. Fora do tempo. A razão do surfista é um balanço de mar, uma forma de água e espuma, tons variados de azul e verde e cinzento, o som particular da linha de água. Estar sem mar é o fim de um surfista. E escrever não melhora as coisas, andar aqui a pensar em palavras que descrevam, em metáforas que sejam verdadeiras, todo este aglomerado inútil de ideias sem mar dentro delas, não serve para nada, a única coisa que um surfista deveria escrever são medidas de pranchas num pedaço de cartão velho apanhado do chão da sala do shaper. Escrever não é a linguagem do mar. O mar só comunica por gestos, gestos e a quase telepatia da emoção de uma onda surfada. Socorro, preciso de mar. PA

Publicado por pedroarruda em 11:57 AM | Comentários (3)

janeiro 17, 2005

Inocentes

"It’s memories that I’m stealing
But you’re innocent when you dream
When you dream
You’re innocent when you dream"
Tom Waits

PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 12:25 PM | Comentários (2)

janeiro 14, 2005

Sons inundados

Há a música para ouvir a caminho do surf, há também música para o pós-surf e, por vezes até, conseguimos pensar na música que gostaríamos de ouvir enquanto fazemos surf. Música que serve para esses momentos, porque parece replicá-los. Mas há também música que imita o que sentimos debaixo de água, nos segundos em que fazemos um duck-dive, ou em que levamos um “caldo” que nos faz perder o sentido do sítio onde estamos. Música com camadas de guitarras sobrepostas, separadas apenas por água e em que os tempos aparentam fugir uns dos outros. Quando penso em mim debaixo de água e fecho os olhos é isto que ouço. PAS

P.S. uma música que aliás, ganhou um novo sentido, desde que a Scarlett Johansson encostou a cara ao vidro húmido do Táxi e, com o Bill Murray a dormir ao lado, olhou para fora enquanto a ouvia (ou enquanto nós a víamos a ouvi-la?).

P.S.II escrevi este post sem som, pelo que só agora percebi que a música que queria que se ouvisse não era a que de facto se ouvia - apesar de ser do mesmo álbum.

Publicado por pedroadãoesilva em 12:07 PM | Comentários (1)

janeiro 07, 2005

"Surfistas escaldados"

Até agora as informações são pouco claras. Mas o que é claro é que vai haver algum tipo de intervenção na praia de Carcavelos que poderá influenciar a formação das ondas. De outras experiências sabemos que é preciso estarmos atentos e mobilizados desde o início, para que possamos impedir o desastre bem antes dele acontecer. Hoje, às 18 horas, haverá uma sessão de esclarecimento da Câmara Municipal de Cascais sobre a intervenção que se propõe realizar. Convém estarmos muitos e atentos. A sessão realizar-se-á no Auditório da Sociedade Recreativa e Musical de Carcavelos, na Rua Júlio Moreira (rua das antigas instalações dos Bombeiros). Como noutros casos, o Pedro Bicudo, para além das previsões bastante fiáveis que costuma fazer, tem assumido um importante papel na alerta da situação. PAS

P.S. este novo caso, a somar a muitos outros, lembra-me que talvez seja a hora de nos organizarmos numa associação com o fim de proteger as ondas nacionais, ou pela menos algo que “federe” as diversas associações locais e que permita que tenhamos respostas rápidas, know-how técnico e capacidade de passar as preocupações da comunidade surfística para a comunicação social generalista, e não apenas para a especializada. Que vos parece?

Publicado por pedroadãoesilva em 03:24 PM | Comentários (12)

janeiro 04, 2005

Inscrição Sobre as Ondas

Mal fora iniciada a secreta viagem,
um deus me segredou que eu não iria só.

Por isso a cada vulto os sentidos reagem,
supondo ser a luz que o deus me segredou.

Inscrição Sobre as Ondas, David Mourão-Ferreira. MCG

Publicado por manuel castro em 06:41 PM | Comentários (1)

janeiro 03, 2005

2005

Num conhecido dicionário online, as palavras mais procuradas em 2004 foram (por ordem alfabética): affect, belligerent, cynical, democracy, effect, fallacious, gregarious, hyperbole, inept, jealousy, knowledge, love, metaphor, naive, oxymoron, paradox, quibble, rhetoric, satire, turpitude, ubiquitous, virtue, www, xenophobia, yield, zeal. A especulação não teria fim. Eu seria pessimista, por isso limito-me a desejar aos leitores do Ondas um ano de intensa busca de significados - dentro de água. Uma espécie de alfabetização emocional. VM

Publicado por vascomendonca em 12:07 AM | Comentários (3)