agosto 31, 2004

O senhor das águas


Há o Slater, o Andy Irons, a rapaziada australiana e depois há este senhor – Laird Hamilton. A entrevista, apenas disponível on-line, à surfer magazine, vale a pena ser lida. O futuro das pranchas e das ondas e da coragem passa muito provavelmente por aqui. Os qualificativos para o senhor é que já estão esgotados. PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 04:39 PM | Comentários (3)

agosto 30, 2004

Os dias em que estive em parte nenhuma

Há dias que se seguem uns aos outros assim, chegando a formar inteiras semanas. Olhamos para as previsões, observamos os mapas, lemos o que nos dizem os reports na net e, mesmo, assim, quando chegamos à praia, as ondas não são como as previramos. Ficamos como que perdidos. Perdidos na decepção. Perdidos por chegarmos à praia e ouvirmos os costumeiros: “devias ter cá estado ontem”; “com meia-maré é que estava a dar”, “agora levantou-se vento e ficou desordenado”. Há sempre qualquer coisa que falta, ou qualquer coisa que está a mais. A ondulação, os ventos e as marés. Há três semanas que regressei do país das ondas absolutamente perfeitas e, talvez também por causa disso, ando há três semanas a sentir-me como se estivesse em parte nenhuma. Do Alentejo a Peniche, passando pela Praia Grande, Ericeira, Costa e Carcavelos, em todo o lado me senti em parte nenhuma. Mesmo quando as ondas estavam para Agosto aceitáveis, foi isso que me pareceu sentir. Mas eu sei que um destes dias a ondulação, as marés e os ventos vão-se reencontrar comigo. PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 12:33 PM | Comentários (5)

agosto 25, 2004

Moral da História

Aquilo que no início da semana passada causou tanta tenção, em mim e em mais uns quantos surfistas aqui da ilha, acabou por não se confirmar totalmente. A Danielle ao subir pelo atlântico foi perdendo força, passando de furacão para tempestade tropical devido à temperatura da água (como seria se este fosse ano de el niño?). Por isso o swell chegou na quarta e na quinta e não no fim-de-semana como esperado e também não tão grande como desejado. De qualquer modo foram três dias de altas ondas. Só para terem uma ideia aqui fica o registo de Pópulo na Quinta-Feira, dia 19 de Agosto de 2004. Obrigado Danielle.

P.S. Obrigado ao Luis Melo pela foto.

PA

Publicado por pedroarruda em 11:32 AM | Comentários (5)

agosto 23, 2004

A Placa


Durante o mês de Julho a placa lá esteve. Quem chegava a Padang-Padang, e enquanto as ondas não vieram suficientemente compostas para que o campeonato se realizasse, deparava com a placa. Em inglês e, pasme-se, em português. Em mais nenhuma língua. Mas porquê o português? Porque diabo? ali onde, mesmo tendo em conta os brasileiros, quase não se houve o nosso linguajar. PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 12:19 PM | Comentários (3)

Sigamos o Saca


As coisas não correram bem em Lacanau. Hossegor será melhor. Sigamos o Saca, aqui. PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 12:06 PM | Comentários (0)

agosto 18, 2004

metrinho

Já chegaram. Ontem ao início da noite recebo uma mensagem no telemóvel a dizer “pópulo já está a bombar”, hoje de manhã quebravam umas esquerdas perfeitas com um metrinho ultra apetecível. Se tudo continuar a correr bem, a Danielle já se desviou um bocadinho mais para oeste, continua cheia de força, amanhã já vai estar um pouco maior e para o fim-de-semana, ah no fim-de-semana, vai estar clássico...

Publicado por pedroarruda em 02:53 PM | Comentários (7)

agosto 17, 2004

ansiedade

Como em tudo na vida não se pode ter só o bom, como numa surfada em que por cada tubo de cinco segundos há dois ou três malhos daqueles de tirar o fôlego. De acordo com os últimos mapas a Danielle está a tornar-se numa amante madrasta caminhando com toda a força mesmo para cima de nós, ou seja, para além de ondas vamos ter também borrasca e da grande. A antecipação já deu lugar à ansiedade e, espera-se, para o fim-de-semana muita adrenalina, com ondas ou sem elas.

Publicado por pedroarruda em 11:38 AM | Comentários (0)

agosto 16, 2004

Danielle

No meio de um zapping apanho a noticia na CNN, “Hurricane Danielle”, um furacão que começou a ganhar força a sudoeste de Cabo Verde e que está a aumentar e a descrever um pequeno arco para noroeste. Imediatamente fico com a pulga atrás da orelha, vou ao computador e depois de um quarto de hora e de três sites de meteorologia a Danielle torna-se a minha mais recente paixão, a minha obsessão dos próximos dias. O potencial é enorme e este tipo de potencial para dar ondas em pleno Agosto na costa sul da ilha é raro. Se tudo correr bem a Danielle vai continuar a ganhar força, vai subir um pouco mais para norte, os barcos vão se afastar dela e eu vou cá estar esperando os melhores efeitos de um furacão: as ondas.

Publicado por pedroarruda em 12:00 PM | Comentários (1)

agosto 15, 2004

Boa Saca

2º lugar no O'Neill Pro em Anglet, França

"After trailing Portuguese ripper Tiago Pires for the main part of the 30-minute final, Brooks finally found his stride and tore into a tally of high scoring right-handers to relegate the sole European in the final to the runners up spot."

Força!!

Publicado por pedroarruda em 12:40 AM | Comentários (2)

agosto 12, 2004

Estrangeiros

Ainda me lembro do Almir Salazar ser campeão nacional, para mim ele não era brasileiro era surfista. Um surfista experiente que não deu hipótese para ninguém e pôs toda a gente a surfar melhor no ano a seguir. No surf não existem emigrantes, existem viajantes. Se Duke Kahanamoku não tivesse feito de embaixador do espírito Aloha nós hoje éramos todos pescadores e esta revista era sobre caça submarina. Que venham os Justin e os Nuande, que haja mais Dapins e Sacas querendo ir para fora, só correndo riscos é que se ganha, só procurando é que se pode encontrar. Nacionalidade no surf é pura burocracia. Abram os campeonatos a quem quiser competir e deixem as ondas escolher os seus habitantes. Se o Marlon Lipke ganha lá fora é alemão ou português? O Eric Rebiere é brasileiro ou europeu? A única nacionalidade de um surfista é o mar, o resto é papelada.

Post publicado na revista ONFIRE

PA

Publicado por pedroarruda em 11:37 AM | Comentários (1)

agosto 11, 2004

Ribeira II

As ondas portuguesas continuam ameaçadas pela ilógica amadora com que se encara o nosso litoral. Não é só o facto de serem ondas de eleição que me revolta. Não deixa, no entanto, de ser uma triste coincidência. O facto é que o nosso património não pára de ser destruído. A nossas ondas, o nosso mar, as nossas praias. Património natural para todos e património espiritual, cultural e afectivo para quem faz desses espaços a sua segunda casa, nós, surfistas. Refiro-me, neste caso, mais um, à questão de Ribeira D´Ilhas que se eterniza numa indefinição preocupante para a nossa comunidade.
No jogo do empurra das responsabilidades e das eternas promessas que se tornam em tristes realidades, vamos tornar este fado à portuguesa em qualquer coisa menos fatalista e vamos agir, unidos, antes que nos digam que as "ondas" continuam lá, mas Ribeira, a nossa Ribeira, nem vê-la.
É que esta é uma onda que vamos ter que apanhar todos juntos.

MCG

Post previamente publicado na revista Onfire

PS: Já me referi a este assunto aqui, há vários meses.
Desde então, entre maus cheiros e (já) uma ligeira descaracterização da onda, decorreram várias reuniões entre surfistas e as autoridades responsáveis, foram realizados vários campeonatos e, na última semana, foi mesmo atríbuida a Bandeira Azul a esta praia. O melhor mesmo é ficarmos calados. "Hão-de" já ter resolvido o problema. Não é?

Publicado por manuel castro em 11:44 PM | Comentários (0)

agosto 09, 2004

Ondas gigantes


Porque a realidade é, entre todas as coisas, a mais surpreendente. Senão, veja-se. PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 06:31 PM | Comentários (5)

Verão Sem Fim?


Haverá poucos estereótipos tão associados ao surf como o do verão sem fim. Por força das imagens que ficaram da Califórnia dos anos 60 ou do mitificado Endless Summer de Bruce Brown, o surf ficou irremediavelmente associado aos dias longos e quentes. Mas neste caso, como em muitos outros, na associação esquece-se o lugar geográfico. Verão sem fim?
Em Portugal, o verão confunde-se com a nortada que teima em não desaparecer, com os dias que se seguem uns a seguir aos outros sem que a ondulação os acompanhe. Claro que há o calor, a areia para nos espraiarmos depois do surf e a água tépida e, por vezes – poucas é certo –, os finais de tarde em que tudo se conjuga para que nas ondas possamos desfrutar da perfeição terrena. Mas, tudo isto é a excepção. O verão sem fim fica noutras latitudes. Entre nós, o tempo do surf é outro. E para que ele chegue temos agora de saber suportar a espera. Caso não consigamos fazê-lo, nada como partir em busca de outros verões. PAS
post previamente publicado na revista On-Fire.

Publicado por pedroadãoesilva em 12:09 PM | Comentários (0)

agosto 06, 2004

alcunha

Não quero lançar foguetes antes da hora, mas num ano em que as coisas não têm corrido de feição ao nosso Saca ele chega ao Japão e pimba passa logo um heat, realmente a terra do sol nascente é mesmo o cantinho da sorte do Tiago, que tal uma nova alcunha: Tiago "o japonês" Pires.

Força Saca!!

actualização: Saca foi até às meias-finais, um bom resultado era muito importante e ele conseguiu, agora é apostar tudo na Europa.

Publicado por pedroarruda em 11:45 AM | Comentários (2)

agosto 03, 2004

Frederico Morais

Parabéns Frederico, Vice Campeão do Mundo de Surf Sub-12.

Publicado por pedroarruda em 11:35 AM | Comentários (164)

agosto 02, 2004

Ausente

O Surf também é ausência. Uma ausência que nasce da absoluta plenitude do ser no gesto de surfar e que nos distancia do tudo, do resto, do que não está ali no surfista e na onda. Surfar é ser ausente da espuma que engalfinha os dias.

PA

Publicado por pedroarruda em 08:28 PM | Comentários (0)

Agosto inteiro


Fui à praia para me despedir do mar. Só lá para dia 25 voltarei a vê-lo. Enquanto subia uma daquelas imitações de dunas - bonitas ainda assim - que se encontram nas praias da margem sul, ouvi um som inesperado. Música para os meus ouvidos. A areia escondia o mar, mas as ondas faziam-se ouvir. O som vinha ao meu encontro, mas esvaía-se à medida que a espuma se reconvertia a tonalidades mais serenas. O mar ao longe é uma conspiração, uma saborosa armadilha, uma incrível teia de sedução. Encontrei a plenitude mais ou menos azul, como a tinha visto da última vez. É-me um pouco impessoal. As ondas, essas sim, são-me familiares. As ondas dão ao mar uma morada. Ao surfista dão uma casa, são abrigos não emparedados, construções do sentir.

Cheguei à praia sem qualquer tipo de expectativa, não sonhando sequer que o mar me faria a vontade, e saí de lá a pensar no regresso, em como todos os retornos deviam ser assim, agradáveis e inesperados múrmurios adensando-se em prazeres pouco exigentes de uma meia maré, e que o simples contentamento de ali estar à hora certa era um feliz destino em doses mais ou menos salgadas, em maiores ou menores metáforas daquilo que se é. Que todos os regressos sejam assim. VM

Publicado por vascomendonca em 12:40 PM | Comentários (0)