fevereiro 29, 2004

Reflexo de mim mesmo

Mesmo no meio da cidade, perdidos no trânsito, a caminho do trabalho, fechados na secretária. Mesmo quando tudo nos afasta do surf, não há nenhum surfista que não esteja atento ao vento lá fora, escutando de onde vem, que não tenha uma tabela de marés mental, que não check as previsões on-line. Mas há dias, não muitos, em que o tempo escapa-se de tal modo que nada disto fazemos. Os meus últimos dias foram assim e com eles esqueci-me da cartografia mental que todos os dias começo a fazer quando pela manhã subo a Rua de São Bento. Mas hoje, quis voltar aos dias normais. Levanto-me da cama de manhã e antes de olhar pela janela, para ver para que lado sopram as roupas estendidas, ligo o computador. Não há ondas. Está sol lá fora, frio mas sol, mas não há ondas. E eu tento preencher a cabeça. E faço-o não com exercícios de cartografia mental, procurando imaginar o lugar onde este não-swell pode funcionar, mas, sim, vendo um reflexo de mim mesmo num dia de ondas perfeitas, água quente e sol forte. Para não enfrentar um Domingo sem surf, que fará a semana mais difícil, eu fujo para a frente. Para as ondas do Verão perfeito, do Verão indonésio. PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 02:25 PM | Comentários (3)

fevereiro 26, 2004

o contrário de rotina

O bom do carnaval foi o feriado e a possibilidade de gastar o dia rumando a Oeste em busca de outras ondas. Viver numa ilha tem destas vantagens, é mar em toda a volta e quatro pontos cardeais de picos, praias, baias, enseadas e possibilidades. Mas a pequenez de terra traz também inconvenientes, é que hoje uma viagem de meia hora de carro parece-me uma ida aos antípodas. Quando vivia em Lisboa e já de carro, fazia quilómetros e horas até encontrar aquela onda, ou aquela praia sem crowd, ou aquele vento. Aqui o tempo normal de uma simples ida de Lisboa à Costa da Caparica é uma eternidade de curvas contra curvas, um calvário. Não é preguiça é malandragem, mesmo. Eu explico: tenho a sorte de viver num sítio privilegiado em matéria de ondas, a dez minutos de minha casa tenho pelo menos quatro spots de altas ondas, basta haver swell e vento de feição, um é um point-break como poucos em Portugal, os outros três são beach-breaks estupendos e francamente regulares. Ora quem tem bife de lombo em casa não vai comer costeleta de porco fora. É por isso que muitas vezes tenho que combater a minha própria indolência e investir em uns quantos quilómetros para ir surfar outras ondas. Surf é, também, nunca perder o sonho de experimentar novas ondas. Ter sempre o horizonte como destino e não deixar de viajar, nem que seja para ir à praia ao lado da habitual. O surf é o contrário de rotina.

Publicado por pedroarruda em 07:57 PM | Comentários (5)

fevereiro 25, 2004

Altas Marés


Costumava acordar a meio da noite com o barulho intenso do mar, das Ondas, na Ericeira. Mesmo no Verão isso acontecia algumas vezes. Interrogava-me: “vai subir?”, “vai descer?”, “será a Lua?”, “marés vivas?”, “vi bem a tabela?” . No silêncio da noite o som daquele mar é, por vezes, retumbante e perturbava a tranquilidade do meu sono, lançando a maior das incertezas em relação ao “amanhã de manhã”. À “sessão matinal”. Dúvidas, muitas dúvidas. Uma ânsia infantil. Um desejo tremendo de ir ver o mar naquele instante, confirmar as minhas expectativas.
Mas evoluir, viver e entender o surf e o mar simplifica as coisas. Dizia o Pedro Adão e Silva num post recente que “o que faz da Sophia uma poetisa das ondas que nós apanhamos é a simplicidade no gesto e a forma depurada sem nada de excessivo”. Absolutamente de acordo.

Dual
"Altas Marés no tumulto me ressoam
E paredes de silêncio me reflectem"

Sophia de Mello Breyner Andresen

O mar já não faz barulho toda a noite. Recita poemas e já não me acorda. Embala-me num sono profundo na esperança dum dia melhor. MCG

Publicado por pedroadãoesilva em 03:05 PM | Comentários (3)

fevereiro 24, 2004

Disjunção


"Ao mergulhar, o mar entrou-lhe de roldão no pensamento e deslocou-lhe os sentimentos para uma zona de tal modo abstracta e afastada de qualquer tipo de emoção, que por momentos deu duas ou três braçadas num plano de si mesmo a que jamais tivera acesso e que, por muito pouco democrático desígnio da natureza, lhe pareceu que até então estivera reservado a deus. Fruto de alguns segundos, que cada poro do seu corpo registou de maneira diferente, acrescentando-lhe ao que acima se descreve uma sensação de elasticidade cronológica de que se lhe afiguraram pouco dignos os seus órgãos, esta experiência foi interrompida por um regresso à superfície que lhe devolveu a presença do areal e dos rochedos a que naquele instante a aragem insuflava uma realidade disjuntiva."
Luís Miguel Nava in O CÉU SOB AS ENTRANHAS (1989)

A poesia e a prosa poética de Luís Miguel Nava estão inundadas de mar, que é a forma quase hegemónica do elemento dominante nos seus textos. Mas este texto em particular, que narrará uma outra experiência do contacto do corpo com a àgua, é, em quase tudo, semelhante quer ao plano de nós mesmo que, muitas das vezes, depois de um duck-dive temos, quer à "elasticidade cronológica" que o surf dá. É por isso que, não sendo sobre surf, estas palavras são sobre o modo e o tempo diferentes que o surf transmite. Um modo e um tempo disjuntivos. PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 05:13 PM | Comentários (0)

fevereiro 23, 2004

Palavras

O poema que eu queria escrever é neste momento impossível de escrever. Passou a circunstância. São pequenas as coisas que nos fazem querer escrever poemas e essas pequenas coisas trazem em si o mais elementar da vida. Quando nos escapam ficamos perdidos, impossíveis. Eu não sou eu, sou o poema que queria ser...

Publicado por pedroarruda em 01:58 AM | Comentários (1)

fevereiro 22, 2004

Paciência

O Surf é feito de paciência. No Surf a maior parte do tempo que passamos passamo-lo à espera. À espera da melhor onda, do melhor swell, do melhor vento, do set, da maré, da baixa pressão, do fundo certo e, para quem trabalha, infelizmente, à espera do fim de semana. Se há coisa que se aprende numa vida de Surf é a ter paciência e a saber esperar. Confesso que por vezes é extremamente difícil vencer a sensação de angustia causada por uma semana inteira de espera e depois ver isso frustado por um swell errado, ou um vento errado, é desesperante, mas logo há a certeza que amanhã pode estar melhor e que já está uma nova baixa a formar-se e que pode ser que daqui a uns dias o mar esteja de gala. Uma vida de Surf ensina a sonhar, a ter fé nos elementos que se modificam sempre, sem parar, num equilíbrio eterno de altos e baixos e mutações e reviravoltas. È isto que nos faz acreditar na vida. Saber que amanhã tudo pode estar melhor. Porque todos nós já vivemos dias em que todos os elementos convergem, em que todas as condições se acertam, em que tudo parece fluir para o mesmo fim. Porra, não deve haver muitas coisas no mundo tão incríveis como a emoção que uma onda perfeita provoca no coração de um surfista.


Pipeline. 20 de Fevereiro de 2004

Publicado por pedroarruda em 01:26 PM | Comentários (3)

fevereiro 20, 2004

Ribeira


Não teria melhor inspiração possível para este post do que um regresso mais que ansiado e desejado. O meu regresso ao mar esta semana, após semanas de ausência, saudado por uma leve brisa de leste e um metro convidativo num mar ordenado. Um quadro quase perfeito, mas que esteve praticamente estragado. Ribeira d´Ilhas, a lendária onda da Ericeira, esteve quase a desaparecer. Como o Jardim do Mar. Às mãos do betão e da incompreensão. Seria chocante ver desaparecer não só uma Onda de grande nível, como também um local de culto e reunião para várias gerações de surfistas, naquilo que significaria um desrespeito enorme para uma comunidade que ali se estabeleceu há vários anos por causa desta e doutras Ondas.
Compreendo que nem toda a gente consiga entender o quão sagrada é uma Onda, mas asseguro que ultrapassa largamente a questão da diversão e do simples, mas extremo, prazer que dá surfá-la.
Uma e não qualquer Onda é um autêntico espaço sagrado, repleto de mística e magia, feito de recordações, sonhos e momentos. Como uma casa antiga que conhecemos desde pequenos, da qual conhecemos o mais ínfimo recanto e onde reconhecemos todas as perfeições e imperfeições. Vimo-la com olhos de criança e vemo-la agora com olhos de adulto, sempre com admiração, sempre com entusiasmo. Caímos nas suas pequenas armadilhas. Fizemos asneiras, aprendemos, seguimos em frente, crescemos. Vivemo-la e sentimo-la.
Espero continuar a viver e a sentir Ribeira. MCG

PS: Pormenores e desenvolvimento da questão de Ribeira d´Ilhas, aqui.

Publicado por pedroadãoesilva em 04:07 PM | Comentários (7)

sons de surf 3

Queens of the Stone Age
Rated R
2000 Interscope

O mar é descompassado, imprevisível, súbito, amoroso, melódico, abrupto, selvagem, grosso, destemperado, absoluto, amigo, único, ínfimo, eterno, água, gelo, evaporação, vento, ondas...

O mar que para mim é sempre tudo. Não é sempre mas por vezes há coisas na vida que nos fazem parar e olhar em volta e achar que nem tudo está perdido e são essas mesmas coisas que trazem prazer aos dias e são quase como ondas pelo contentamento que nos dão e que eu conheça só existem duas coisas assim as ondas e o amor.

É tudo o que posso dizer sobre este disco, um som de surf. Nada mais.

Publicado por pedroarruda em 12:59 AM | Comentários (1)

Surfer Rosa


Há momentos felizes. Os Pixies foram um deles. Quando tudo começou, já lá vai mais de uma década, ninguém tinha ainda ouvido aquela combinação única de guitarras surf, com um baixo sensualmente ululante, uma batida fixa e uma voz sempre a acelerar, como que para passar uma secção que está para fechar, só para depois poder atrasar e ganhar velocidade de novo. No primeiro LP, juntavam tudo isto a uma capa fantástica, com a marca forte do Vaughan Olivier, e a um título intrigante – Surfer Rosa. Agora, todo este tempo depois, estão de novo juntos e vêm tocar a Lisboa.
Se existe surf music, era isso exactamente que aqueles três rapazes e aquela rapariga faziam. Resta saber se faz sentido, hoje, voltarmos aos lugares onde fomos felizes. PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 12:47 AM | Comentários (2)

canção para um poeta ausente

Tua voz tua voz uma bandeira ao vento
árvore plantada à beira da ternura
pássaro voando na amplidão do sangue
poema espada flor ou pedra dura

Tua voz tua voz um vinho um vime
fustigando as ideias vigilantes
urgente como o apelo de um amigo
próxima como o povo mais distante

Tua voz tua voz um raio um rio
ardente como o querer do semeador
grito junto à manhã anúncio da chegada
de um navio branco como o nosso amor

Tua voz tua voz uma bandeira ao vento
espada plantada à beira da ternura
pássaro ardendo na amplidão do sangue
foice poema flor ou pedra dura

Emanuel Félix (1977)

Publicado por pedroarruda em 12:45 AM | Comentários (0)

fevereiro 18, 2004

Foi no mar que aprendi

Foi no mar que aprendi o gosto da forma bela
Ao olhar sem fim o sucessivo
Inchar e desabar da vaga
A bela curva luzidia do seu dorso
O longo espraiar das mãos da espuma

Por isso nos museus da Grécia antiga
Olhando estátuas frisos e colunas
Sempre me aclaro mais leve e mais viva
E respiro melhor como na praia

Sophia de Mello Breyner Andresen


Esta não é a primeira vez, nem será certamente a última, que aqui posto poemas da Sophia. Poderá pensar-se que é por as suas palavras estarem cheias de mares e de praias que a sua poesia lembra o surf e as ondas. Acontece que também a Ode Marítima do Álvaro de Campos nos remete para os mares e ninguém vislumbrará nela uma sombra de surf. O que faz da Sophia uma poetisa das ondas que nós apanhamos é a simplicidade no gesto e a forma depurada sem nada de excessivo. Se pensarmos o surf feito fluidez e escutarmos o ressoar dos leques de água das rasgadas, e se disso quisermos fazer palavras, elas soarão tal e qual como os poemas da Sophia. Uma poesia que, como os movimentos que entrevemos nas ondas, se repete, ainda que contada sempre de um modo que é novo.
Quando, no primeiro post que aqui publicou, o Manuel escreveu que, com o surf, era “escandalosamente fácil ser-se feliz”, não pude deixar de pensar na poesia da Sophia, que feita de jogos de palavras simples e parecendo fácil é provavelmente da mais difícil de encontrar. E nisto ficam as palavras que ecoam, quando faço surf “sempre me aclaro mais leve e mais vivo. E respiro melhor como na praia.” PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 12:22 AM | Comentários (8)

fevereiro 17, 2004

Partilha Salgada


Porquê escrever sobre surf? Porquê este desejo incessante de querermos partilhar o nosso mundo?
A experiência de escrever sobre surf remete-nos para o próprio significado do surf nas nossas vidas. Escrever sobre surf é escrever sobre paixão. Sobre terapia. Sobre aventura. Sobre filosofia. Factores combinados que nos proporcionam uma perspectiva incomparável da Vida e do que nos rodeia, tolhendo-nos as emoções, os pensamentos e as palavras. É sob(re) essa perspectiva que eu quero escrever.
O surf é, apesar dos conceitos de “comunidade” e de “tribo” lhe estarem associados, algo de muito individual, muito singular.
Só cada um de nós sabe o que surf significa para si. Só cada um de nós sabe que tipo de papel tem o surf na sua vida, de que modo esse papel acaba (ou não) por se assumir como a verdadeira essência da nossa vida e do modo como molda o nosso espaço na sociedade.
O surf é uma experiência única. Vibrante. Sublime. Transcendental. E isso traz-me aqui. Quero partilhar. Partilhar e aprender, tendo na mente uma só certeza, a maior lição que o surf me deu: É escandalosamente simples ser feliz.
PS: Um agradecimento especial e um abraço aos locais do Ondas. Vou tentar fazer por merecer a presença neste excelente line up. MCG

Publicado por pedroadãoesilva em 03:04 PM | Comentários (3)

fevereiro 16, 2004

velhos são os trapos

Foram três dias de grandes ondas. Areais clássico, sempre entre o metro, metro e meio, dois, off-shore, umas vezes forte outras das vezes limpo, uma brisa moderada que passa nas ondas e as faz veludo puxando uma leve cabeleira para trás, picos triangulares de direitas e esquerdas, perfeitos, tubulares, clássico, mesmo clássico e estou a tentar ser o mais honesto e sincero que é possível nestas circunstâncias. Tanto é assim que hoje fugi de tudo para ir ao mar no final do dia. Eram três da tarde e já todos os átomos do meu corpo chamavam por ondas, não havia nada que me impedisse de surfar hoje de tarde. É claro que fugi de todos os compromissos profissionais que tinha e fui a correr para a praia, chego, salto rapidamente do carro, quase que nem olho para o mar, já sei que está clássico, começo a trocar o fato de pessoa responsável pelo fato de neoprene e sou, subitamente, surpreendido por uma realização, já quase familiar mas sempre estranha: estou velho. E estou velho não pelas razões triviais da vida que nos calham a todos, não por ter barriga, não por estar a perder cabelo onde ele deveria estar e por me estar a crescer noutros sítios onde nunca tinha estado, não por me doerem certos músculos e ossos cada vez que acabo de surfar, não por ter joanetes, não pela idade ou pela responsabilidade. Estou velho porque há pessoas que me olham e vêem em mim um adulto. Se calhar foi por isso que fui para a água e na terceira onda fiz uma rasgada como já não fazia desde os meus 18 anos. Mas sobre manobras, as que imaginamos na cabeça, as que tentamos na água e as que quem olha nos vê fazer, que, no fundo, são as que realmente fazemos, isso é matéria para outro post.

Publicado por pedroarruda em 11:46 PM | Comentários (1)

fevereiro 15, 2004

as palavras dos poetas

Quando entrei na água hoje de manhã tinha a cabeça povoada de palavras de poetas. São dias que por aqui passam que são todos cinzento e verde e de nevoeiro e de chuva, mínima, mas ininterrupta, são dias que trazem interioridade e sortilégio. Hoje quando entrei na água e olhei as ondas que se aproximavam á medida que também eu me aproximava delas, pensei nas palavras dos poetas e na forma como elas nos tocam como espuma das ondas cobrindo-nos o espírito. Hoje quando entrei na água não havia horizonte, todo o mar se fundia no céu num imenso manto cinzento e imaginei-me vivendo numa redoma em que as ondas são já não vento mas as mãos de uma criança agitando um globo. Hoje na água o vento soprava e fustigava-nos a face com o sal das ondas, a chuva caia em lágrimas pelo rosto, o mar que é benéfico e maligno sem a moralidade dos homens recebeu-me e tocou-me com o toque das palavras dos poetas, com a mesma brutalidade e doçura das palavras dos poetas. Ontem um poeta morreu, hoje a minha vida seguiu o seu caminho.


Para um poeta que morreu. Emanuel Felix (1936-2004)

Publicado por pedroarruda em 10:49 PM | Comentários (1)

Charlie don’t surf


Haverá poucas cenas em cinema onde a experiência do surf seja tão perturbadora como no Apocalypse Now, de Coppola. Naqueles minutos onde o Robert Duvall, sob intenso bombardeamento, obriga um Capitão, em quem vislumbra um famoso surfista californiano, a apanhar umas ondas, dá-se mais um passo no absurdo daquela jornada rio acima, metáfora de todo o absurdo que foram aqueles anos e aquela guerra. No seu jeito operático e grandiloquente, Coppola faz com que o surf ali não seja, como costuma ser representado, sublimação dos males e superação da vida quotidiana. Neste caso, como em mais nenhuma imagem que me recorde do surf feito cinema, F. F. Coppola transforma a experiência de apanhar ondas, não num outro mundo, de descontracção e descanso, mas, sim, num intensificar da doença mental deste mundo.
Vi sempre o "Charlie don’t surf" – a frase que Duvall usa para referir que o inimigo (Charlie) não usa aquelas ondas – como mais um exemplo, dos muitos ao longo do filme, de que a guerra travada ali, a guerra travada contra o “Charlie”, mas também entre cada um dos soldados e de cada um consigo mesmo, havia contaminado tudo e todos. E, por isso, também, o mundo idílico que a Califórnia representava por esses anos. Aqueles que em Malibu remavam para as ondas, estavam também envolvidos na loucura e aquela loucura enredava toda a sociedade americana.
Hoje, quando surfava, cedo pela manhã, em Carcavelos, já com um crowd imenso, que fazia com que apanhar uma onda fosse uma experiência de guerrilha urbana, veio-me à cabeça o “Apocalypse Now” e, por momentos, tive a sensação que o surf não era “outra coisa”, diferente da vida de todos os dias, mas podia ser, como no Vietname de Coppola, mais uma face do caos urbano. A verdade, contudo, é que pouco demorou para que me lembrasse do Robert Duvall, em tom autoritário, debaixo de bombardeamentos de napalm, a dizer: “if I say it’s safe to surf this beach, Captain, then its safe to surf this beach”.
Um pouco mais de audácia e de capacidade de abstrair-me que outros estavam no pico, ajudou-me a apanhar muitas ondas. Mas quando saí de dentro de água, já só pensava nas ondas do Alentejo do próximo fim de semana. Sem guerras na remada. O surf como deve ser: outra coisa e outra vida. PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 07:02 PM | Comentários (8)

fevereiro 13, 2004

Post Scriptum

Ainda sobre esta questão do Surfista Prateado. Todos nós comandamos as nossas pranchas com a mente, pelo menos tudo começa na mente. A grande diferença é que ao Silver Surfer e ao Kelly Slater a prancha obedece e a nós, meros mortais, muitas das vezes a prancha contraria.

Publicado por pedroarruda em 11:38 AM | Comentários (1)

fevereiro 12, 2004

Surfista Prateado

O arauto de Galactus, cruza os céus sobre uma longboard que obedece aos seus pensamentos. Cintilante, sobre-humano, o Surfista Prateado paira acima dos homens questionando a existência. Criado por Stan Lee e Jack Kirby em 1966 para a Marvel, o Silver Surfer é o mais poético e filosófico herói dos comics. A história começa com Galactus, o semi Deus dono do poder cósmico, o ser que se alimenta de planetas, que chega a Zenn-La, um planeta do Sistema de Deneb na Via Láctea, para saciar a sua fome. Norrin Radd, um jovem príncipe, sacrifica-se para salvar o seu planeta, tornando-se, imbuido do poder cósmico de Galactus, no Silver Surfer, cuja tarefa será a de descobrir outros planetas para satisfazer Galactus. É assim que chega à Terra, onde se vai apaixonar pela humanidade e rebelar-se contra Galactus, ficando condenado a nunca mais deixar a Terra e não poder voltar a Zenn-La. Essa abnegação, a sua entrega pelos outros é um dos aspectos mais marcantes e cativantes do Surfista Prateado.

Stan Lee, digam o que disserem, é um génio, criador de centenas de personagens, e autor de alguns dos mais poderosos diálogos que qualquer arte narrativa já teve. Esquecido durante várias décadas, pertença apenas de uns quantos nerds dos comics, a sua obra começa agora a ser devassada pelo cinema e, por arrasto, a cair no domínio público. Não tenho informação de que se esteja a preparar uma adaptação ao celulóide do Surfista, mas se algum produtor de Hollywood, estiver a pensar no assunto e tiver a sorte de ler este post, a minha escolha de casting vai para o Laird Hamilton - é só rapar-lhe o cabelo e pintá-lo de prateado, o resto, a figura imponente, o ar distante, o olhar poético, já lá está , alguém se lembra do North Shore, o filme...

Voltando ao Surfista Prateado. Stan Lee criou um personagem inimitável e completo. Solitário, como todos os surfistas, romântico como todos os soul surfers; poético, como todos os fins de tarde passados dentro de água; filosófico, como todos os horizontes distantes que olhamos quando remamos para fora; condenado, como todos os surfistas desde o momento que apanham a primeira onda. O Silver Surfer representa no imaginário de quem o admira a hipótese de comunhão com o cosmos que, julgo, todos ambicionamos. Mas se nada disto interessa, há pelo menos uma característica do Surfista Prateado que, penso, todos gostaríamos de ter, ele comanda a prancha com a mente. Isto faz-me pensar numa coisa, será que o Kelly Slater é o Surfista Prateado??

A melhor história do Surfer, na minha opinião, é Parable, escrita por Lee e desenhada por outro génio, Moebius.

Publicado por pedroarruda em 08:39 PM | Comentários (2)

Tubos

Haverá imagem mais espectacular do que a de um lip perfeito rodando sobre si próprio e caindo na base da onda para formar um tubo oco, seco, primoroso? Nem a Vénus de Milo, nem o binómio de Newton, nem a Tabacaria de Pessoa. Nada feito pelo homem é vagamente comparável e poucas coisas na natureza se equiparam à imagem de um tubo. Já nem falo na emoção de estar dentro de um tubo, a inexplicável comoção interior que faz os segundos parecerem minutos, que contorce o tempo como um buraco negro. O interior do tubo é onde habita a eternidade. E o lip, o lábio, é a porta, a brecha que marca o início e o fim. Estou a escrever isto e não posso deixar de pensar nas conotações sexuais. Isto é mais do que uma metáfora, muitas das palavras que utilizei até agora são eminentemente sexuais. O lábio da onda que nos cobre quando penetramos a sua parte mais empolgante. A união absoluta entre surfista e onda no interior do tubo. O corpo que no extremo do físico se torna ausência e êxtase. O arrebatamento puro. O orgasmo cristalino de penetrar, ser coberto, passar e sair de um tubo em frenesim. Nada se iguala a isto. Se fumasse, agora ia fumar um cigarro...

Publicado por pedroarruda em 07:36 PM | Comentários (1)

fevereiro 11, 2004

metáfora

Flatada total por aqui, como já devem ter reparado. Mas há uma baixa pressão a noroeste por isso é possível que entre um swell nos próximos dias.

Publicado por pedroarruda em 11:27 PM | Comentários (0)

Os próximos dias


Há quatro meses que penso todos os dias no mesmo. Quando é que regresso àquele lugar encantado. Àquele lugar que, parecendo de naufrágios, é de encontros.
Os dias passam uns atrás dos outros e no desejo de Bali, das esquerdas em Ulu, da tranquilidade indolente de Dreamland, do vento quente que pela manhã sopra, da água tépida que nos obriga a ir ficando nas ondas para lá do que a maré aconselha, vou encontrando um sorriso aberto para olhar para os próximos dias. PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 11:12 AM | Comentários (1)

fevereiro 10, 2004

O puto da pin-tail

Desde 1988, quando comprei a minha 1ª Surf Portugal, que o João Alexandre "Dapin" é o meu surfista português preferido.
Nessa edição da Bíblia do surf português, Dapin afirmava, numa longa entrevista, que queria ser surfista profissional e que, para tal, partiria para a Austrália.
Essa entrevista marcou-me para sempre e ainda hoje sei algumas frases de cor. Dapin tinha ganho em Portugal na altura, tudo o que havia para ganhar, e como pessoa inconformada que sempre me pareceu ser, partia para o país dos cangurus, para evoluir no seu surf.
Quando voltou, falhou por pouco o título de campeão europeu, mas o seu surf estava melhor que nunca.
Lembro-me de uma sessão dele, João Antunes e Fernando Bento, transmitida no Portugal Radical, na Praia do Castelo, em que o homem deu um show de surf. Outra sessão memorável é a do video Miradouro Sagres, em que, em Peniche, Dapin com o seu estilo característico de base ligeiramente aberta e mão esquerda dobrada para trás, desfere os snaps mais poderosos e bonitos que já vi em ondas nacionais.
Há umas semanas atrás, numa manhã de sábado, hora de ponta em Carcavelos, fui surpreendido por um surfista a rasgar completamente tudo o que havia para rasgar numa onda. Cada snap ou paulada, era sinónimo de visão das quilhas no outside. E ali estava ele, Dapin, o meu ídolo de juventude a partir a loiça toda, com uma tranquilidade fora do normal, para aquele palco. A primeira imagem que me veio à cabeça, foi a do momento em que ele ganhou, presumo, o seu único campeonato do Circuito Nacional também em Carcavelos: Sorriso de criança no pódio, cheque no ar e o comentador a gritar: JOÃO ALEXANDRE "DAPIN".

JPC

Publicado por pedroadãoesilva em 12:59 PM | Comentários (3)

fevereiro 09, 2004

Surfing on a rocket

O último álbum dos Air (Talkie-Walkie) tem o dom de nos obrigar à repetição das músicas. Umas atrás das outras queremos voltar a ouvi-las, do início. Como naquelas ondas que depois de surfadas nos dão mais força para remarmos de volta para o pico. Mas, no meio das canções cinemáticas, está uma das mais trauteáveis: “Surfing on a rocket”. Assim mesmo, num foguetão, como que para provar que o surf não é apenas nas águas e nas ondas. Algo que afinal já sabíamos, pelo menos desde que este senhor, o mais amargurado dos super-heróis, veio de Zenn-La para a Terra, para se apaixonar e também para descobrir que, por vezes, temos de "deslizar" sózinhos. PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 01:25 PM | Comentários (4)

fevereiro 06, 2004

Mar Sonoro

"Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim."

Sophia de Mello Breyner Andresen
PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 10:56 PM | Comentários (3)

Surf Music

Em jeito de preambulo deixem que diga uma coisa, não há tema mais controverso no mundo do Surf do que a questão de saber o que é ou não é Surf Music. Mais controverso do que isto só mesmo a velha guerra entre sand-up surfers e bodyboarders sobre quem tem mais ondas na veia...

Depois e em jeito de explicação, muito do que aqui vou dizer é inspirado, se não mesmo plagiado de um artigo da The Surfers Journal, volume twelve, number five, intitulado you’ll never hear surf music again, always, escrito por Nathan Myers. (abro parêntesis para aconselhar a todos os amantes de ondas a assinarem esta revista, ainda por cima agora o dólar está barato, é que esta é, apenas, a melhor revista de Surf do mundo, acreditem, vale mesmo, mesmo, a pena.) Fechar parêntesis.

“Dick Dale, the self proclaimed “King of Surf Guitar”, writes bluntly that: “If you’re not playing a Fender Stratocaster guitar whit 16, 18, 18, 38, 48, and 58/60 thousandths-gauge strings, and projected out of a vintage Fender Dual Showman amp head and Dick dale 4-ohm 100-watt output transformer blowing through twin vintage 15-inch JBL-D130F speakers placed in a three-foot tall, two-foot wide, one-foot deep cabinet packed full with fiberglass, with no portholes, you can’t duplicate the true, original Dick Dale surf sound.”
Quais Jack Johnson, quais Ben Harper, quais Beach Boys, quais carapuça, surf music é isto e mais nada, mai nada. Esta citação, que tirei do artigo mencionado, é paradigmática do dilema que se abate sobre quem tenta definir o que é Surf Music. Tentar definir uma coisa que é ao mesmo tempo tão especifica e tão vasta, é tão difícil como definir o que é o Surf. Um desporto, um estilo de vida, uma arte, uma filosofia, uma religião, uma moda, all of the above??

Miki Dora dizia que o Jazz era a verdadeira Surf Music, provavelmente tinha razão. Quem nunca pegou numa prancha e apanhou uma onda dirá que surf music são os Beach Boys, os conservadores são da opinião que surf music é Dick Dale e as bandas de surf guitar dos anos 50, 60, a opinião de Dick Dale já vimos qual é. Os putos de hoje vão berrar que surf music é o california punk rock que se houve á exaustão nos surf movies dos nossos dias, as chamadas three piece bands, com dois acordes, uma letra grunhida, dois, três minutos de som e um abanar frenético do tronco e tá feita a surf music. Podia continuar por ai fora com exemplos, porque a verdade é que surf music é toda a musica, surf music é a musica que cada um de nós houve, quer seja clássica, moderna, ou outra qualquer. Mas se quisermos ser mesmo específicos e etnográficos também podemos argumentar que surf music é só e apenas o som que sai de um ukelele tocado por um natural da ilha de Oahu, numa plantação de ananases ao pé de praia de waikiki. Isso sim é surf music. Mas se quisermos ser ainda mais historiadores podemos mesmo dizer que o ukelele é um filho directo do nosso portuguesissimo cavaquinho portanto surf music é o Júlio Pereira

É uma questão interminável, uma verdadeira ovo e galinha question. Eu por mim fico-me por esta máxima. There’s no such thing as Surf Music, there’s only Surf and Music.

É também por isso que quando aqui escrevo sobre musica o titulo é sons de surf e não musica de surf.

Publicado por pedroarruda em 01:11 AM | Comentários (4)

fevereiro 04, 2004

A bird on the wire


"like a bird on the wire,
like a drunk in a midnight choir
I have tried in my way to be free."
L. Cohen


PAS


Publicado por pedroadãoesilva em 06:25 PM | Comentários (1)

momentos

O Luís envia-me uma mensagem já perto das quatro da tarde, “rg a bombar”, parou de chover mas o dia continua cinzento e molhado, estou preso em casa sem carro, um monte de papeis em cima da secretária, facturas, recibos, contas para fechar, começo a imaginar linhas, esquerdas, direitas, o vento está mais calmo e é possível que esteja off-shore, de certeza que a ondulação rodou, 18 a 21 pés de sudoeste, Ribeira Grande a bombar...

Eram quatro da tarde e eu preso noutra vida que não a das ondas.

Publicado por pedroarruda em 01:32 AM | Comentários (0)

fevereiro 03, 2004

O surf na literatura


Não há muitas passagens especificamente sobre surf na literatura, que eu saiba “As Notícias do Paraíso” do David Lodge, cuja acção decorre quase totalmente no Hawai, são uma excepção. Neste livro, a páginas tantas, Bernard Walsh, um casto téologo, descreve os surfistas que observa na praia defronte do Parque Kapiolani, em Waikiki: “quando chega uma onda grande, eles deslizam diagonalmente ao longo da sua superfície espelhada, logo por baixo da crista, com os joelhos dobrados e os braços estendidos. Com golpes de ancas, são capazes de mudar de direcção e mesmo de a inverter, saltando através da espuma para o cavado no outro lado da onda. Se se mantém na onda até ela perder a força, vão-se endireitando gradualmente. Por vezes, do meu ponto de vista, as pranchas ficavam invisíveis e, ao vê-los aproximarem-se de mim, dir-se-ia que caminhavam sobre as águas. Depois, à medida que perdem velocidade, afundam-se até aos joelhos, como em acção de graças, antes de se virarem e remarem com os braços de volta ao mar alto. Ao olhá-los, vieram-me vagamente ao espírito alguns versos de The Tempest (...) de Shakespeare. Fala Francisco referindo-se a Ferdinand:
“Sir, talvez ele esteja vivo.
Vi-o batendo as vagas sob si,
E sobre o seu dorso cavalgar.”
Será esta, pergunto-me, a primeira referência à prática do surf na literatura inglesa?”

Esta passagem, repleta de uma ingenuidade típica das primeiras visões, ainda assim capta, com assinalável precisão, os segundos, demasiado breves, que se demora a percorrer uma onda. Ao lê-la reparo que um surfista nunca descreveria uma onda assim, porque olhamos para o surf com os olhos carregados de muitas visões de ondas e muitos textos sobre ondas, mas a verdade é que, na sua simplicidade quase destilada, este excerto de David Lodge traduz o essencial do espírito do surf: os movimentos suaves, a harmonia com as águas e as experiências que vão para além da razão. PAS

Publicado por pedroadãoesilva em 03:41 PM | Comentários (0)

O touro enraivecido

Temos mais itálicos no pico, desta feita o MCG. Que mais apareçam para apanhar estas ondas.


"The Occumentary" é um fantástico documentário realizado por Jack Mcoy sobre a vida de Mark Occhilupo, "O Touro Enraivecido", desde o seu meteórico início de carreira até á decadência resultante do tão típico "processo de auto-destruição australiano", culminando depois com o grande coming back.
Occy, um talento precoce, que juntamente com Tom Curren e Tom Caroll formava a elite dos semi-deuses do surf nos anos 80, foi nesta época sempre considerado o mais-que-certo-futuro-campeão-do-mundo, mas nunca o foi durante os seus anos de ouro, afogando-se mais tarde numa vida terrível de depressão e drogas, que só muito mais tarde foi ultrapassada, com a ajuda, entre outros, do próprio Jack Mcoy e da sua namorada de muitos anos, Bea.
O documentário apanha todas as fases de Occy e é filmado de um modo excelente - saberão estes Jacks, lembrando também o Johnson, fazer as coisas doutra maneira? - , tendo sido lançado precisamente em 99, pouco antes de Occy ter, aos 33 anos e quinze anos depois de ter emergido como grande talento, sido coroado campeão do mundo de surf.
Mais do que ninguém, ele mereceu este título. Toda a comunidade esperou por este momento. Inclusivé os próprios adversários. Foi unânime.
Occy é o mais humano de todos os deuses do surf. O mais brincalhão. O mais trapalhão. O mais emotivo. O mais inconstante.
Não batendo porventura a genialidade de Slater, o estilo de Curren, o power de Carrol ou a simplicidade de Richards, Occy combina todas essas qualidades com uma única. É o mais mítico.
É-me muito difícil explicar porquê. É pelo surf? É pela pessoa? É pela sua carreira? É pela sua vida?
Acho que é por tudo.
É estrondoso ver as suas linhas cravadas e desenhadas com raiva nas ondas, parecendo cada uma delas uma parte da vida que Occy quer esquecer, a sua cara cerrada perante a onda, numa atitude furiosa, que depois se desvanece no fim da suas ondas, remando de volta ao outside com o seu sorriso de puto traquina, esmagando-nos com a singularidade de ser simplesmente Mark Occhilupo. Occy. Um herói.
MCG

Publicado por pedroadãoesilva em 12:16 PM | Comentários (5)

fevereiro 02, 2004

Uma viagem de amigos vol.II


No dia seguinte, e como em todos os que lá estivemos, fomos acordados por três músicos locais que percorriam as ruas de Mundaka a tocar música tradicional basca. Curiosamente, também assistimos a uma manifestação, que, sem querer especular, nos pareceu do Movimento Separatista Basco.
O mar é que permanecia flat, tendo o campeonato sido novamente adiado, pelo que nos dirigimos a Biarritz, onde dei a melhor surfada da minha vida. O mar azul clarinho, meio-metro, metro, perfeito. O.K., confesso, sou um merrequeiro!
Mas todo aquele ambiente de Biarritz, o mar, o surf, duche na praia, mega surf-shops, uma cidade limpa e organizada... como nunca tinha visto. No meio de famílias inteiras a surfar e muitos long-boarders, a língua que mais se ouvia era o português e, quando o surf terminou, eu estava fascinado.
Na viagem de volta, e após termos checado Capbreton, Hossegor e Le Penom, que já não surfámos por falta de luz, tivemos um pequeno percalço na fronteira com um oficial da Guardia Civil, que devia considerar mastigar sabonetes, pois tinha o pior hálito com que alguma vez tomei conhecimento.
No dia de voltar à terrinha , o campeonato voltou a ser adiado e também Bakio estava flat, como tal, não vimos os tops a destruir Mundaka, nem surfámos.
No entanto, com o regresso a casa, ficou a viagem, o surf, as peripécias, as paisagens fantásticas, o alargar de horizontes e uma amizade que espero se prolongue por muitos anos. A todos, Miguel Lemos, Carlos Melo e Paulo Abat-Jour, o meu obrigado.
JPC

Publicado por pedroadãoesilva em 03:17 PM | Comentários (0)