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junho 19, 2005

O meu bebé e a manifestação da tarde de ontem

Qual a probabilidade do meu bebé ser de extrema-direita? Terei eu algum controlo sobre isso? Será esse ódio semelhante a outros? Parece-me que esse sentimento pode ser projectado, num vizinho, em colegas de trabalho, nas pessoas de outro clube, de outro bairro, de outra classe social, de outro país, e por maioria de razão, de outra côr. Quanto mais diferente de mim, mais fácil de lhe atribuir todos os males. Um senhor chamado Arno Gruen, diz que a causa deste fenómeno, é sermos amados se...

Qualquer criança está completamente dependente do afecto dos pais. Mas quando estes, tiverem como padrão de relação com a criança, "eu amo-te só se... tiveres boas notas, não fizeres barulho, etc.", então, segundo o autor, a criança passa a viver apenas para agradar aos outros, sendo tendencialmente desonesta, agressiva, sem capacidade de ser empática com os outros. Seriam estas crianças os potenciais recrutas destas organizações e de outras aparentemente mais pacíficas. É discutível mas faz sentido. Em Portugal são muitos e andam aí...

Se fôr assim, terei bastante influência positiva no meu bebé, e passa a ser muito pouco provável criar um neo-nazi, ou em geral, alguém que não respeite os outros.

Qual é a tua opinião?

Publicado por João Leitão às junho 19, 2005 01:12 AM

Comentários

Convém não pensar muito no assunto. Cada vez estou mais convencido que os princípios e valores se vão esboçando no dia-a-dia, e não tanto naquilo que se diz mas mais no que ele vai vendo e assistindo. O exemplo que se dá é, quanto a mim, o veículo mais determinante da educação e também por isso o mais difícil. É construído em cada dia que passa.

Publicado por: jj às junho 20, 2005 10:36 AM

Terei e gosto de pensar no assunto, porque estou a fazer a Licenciatura em Psicologia. Agora, seguramente que a tua posição é verdadeira, mas possívelmente o Arno Gruen também tem razão.

Eu posso ser socialmente correcto, dar o exemplo aos meus filhos, e ensiná-los a comportarem-se para inglês ver, mas não respeitar durante todo o processo de crescimento a sua espontaneidade e individualidade. Ora, o autor considera que isso tem consequências na personalidade do indivíduo.

O tempo não é muito mas explorarei um pouco melhor esta ideia.

Publicado por: João Leitão às junho 20, 2005 11:49 PM

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