novembro 22, 2005

Dias de Tempestade

Simplesmente ADORO estes fins-de-semana (o meu fim-de-semana é domingo e segunda-feira, os dias em que estou de folga), acompanhados pela banda sonora dos trovões, a iluminação dos relâmpagos, o ping-ping da chuva nos telhados de zinco e de tijolo. Refugio-me nos cobertores, pego num bom livro (já acabei de ler "O Toque de Midas", de Colleen McCullough). E a electricidade a ir ao ar. O que vale é que este computador é um portátil e não um desktop. Espero que a bateria seja suficiente para terminar este post. E pôrra, que esta último trovão mais parecia um toque na bateria dos Black Sabbath! Xiça!!

Maus dias para ver filmes do estilo "O Dia Depois de Amanhã", "Tornado", "A Tempestade" e outros do género.

Nestes dias, lembro-me da altura em que morava numa casinha jeitosa, mas que tinha um problema jeitoso com a chuva.. Piscinas interiores, em que se podia chapinhar. Já alguém ouviu falar disto?

Publicado por omelete em 04:02 AM | Comentários (3)

novembro 01, 2005

Acordar

Como não tenho ninguém que me diga "Bom Dia" ao meu lado, contento-me com a voz do locutor da Antena 3 que todos os dias me desperta de manhã..

Sabe bem ouvir algo de "humano" às 9h00m da manhã, quando se dormiu apenas três horas e tem-se é vontade de ficar enrolado no édredon a ver o cinzento do céu a partir da cama... E quando se acorda com saudades de tempos que foram e nunca mais regressam. Porque é que havemos de ficar mais melancólicos com o frio?

Publicado por omelete em 09:43 AM | Comentários (3)

outubro 29, 2005

Casados Descomprometidos

“O casamento é uma Instituição.”
Perdão. Uma instituição Corrupta.

Um grupo de quatro clientes no Bar, que vieram parar ao Algarve por uns dias devido a uma convenção qualquer num hotel qualquer em Vilamoura. Todos de aliança no dedo. Mas o objecto é o menos, no espírito seriam casados à mesma. Comprometidos. Qualquer coisa.

Mas de uma coisa me convenço, o ANIMAL humano (somos todos uma cambada de animais, por muito que nos custe a admitir) não é, por natureza, monógamo. Cede a tentações. Distribui o seu número de telefone a estranhos e estranhas. Deixa bilhetes no balcão do bar, para mim e para a minha colega. Engatam. Ou pensam que engatam. Às vezes conseguem.

Não entendo. Casam-se pela aparência? Estabilidade? Não seria melhor termos uma sociedade livre dessas papeladas, compromissos, e fazermos o que nos fizesse mais feliz? Brincar às escondidas é na primária.

O que acho destes homens casados/comprometidos/juntos (e mulheres também) é que se mantêm muitas vezes pela comodidade. Como sentarmo-nos num sofá novo. Ao princípio é desconfortável. Tem os seus defeitos. Depois, vai-nos apanhando a forma. Nós apanhamos o jeito também. Sabemos que além tem uma mola solta, que tem uma curva nas costas que não é muito agradável. Conformamo-nos. Não mudamos de sofá.

Tanta infelicidade escondida que vai por aí… Começo a chegar à conclusão que ser solteira/o é a melhor opção que uma pessoa tem.

Publicado por omelete em 04:59 AM | Comentários (5)

outubro 28, 2005

Contra-Indicações da Chuva

A chuva deve despertar as pessoas que não saem de casa nos dias de bom tempo. Ontem choveu bastante, imenso, houve inundações em Setúbal, mas Faro até se safou. Só tivemos chuva, chuva, vento, uma parafernália de chapéus-de-chuva partidos e espalhados pelas ruas, grandes, pequenos, às bolinhas, às riscas, com publicidade e sem ela.

Aparece um louco no Restaurante, acompanhado por uma mulher que, se não era muda, bem o parecia. Tinha uma das pernas das calças estava arregaçada até ao joelho, a camisa completamente descaída, barba por fazer, sapatos desatados. Mas, o pior, foi quando abriu a boca. Falava português, depois decidiu falar em francês. Sabemos que é um cliente que não é cliente, ou seja, daquelas pessoas que não convém servir a menos que queiramos ter prejuízo. Mesmo assim, serviu-se dois vinhos do Porto. Do caro. Mas, perante a recusa de lhe servirmos o tal quilo de ostras (nem tínhamos um quilo de ostras disponível, talvez meio quilo), desatou num berreiro. Que tinha andado na legião francesa, que éramos uma merda, que não pagava os vinhos do Porto, etcetera. A companheira, qual boneca, impassível, não abria a boca. Teria medo de dizer asneira e levar na cabeça ?

No Bar, um chinês. Tem um andar desengonçado, parece que as pernas não se encaixam bem, ar de Jet Li reformado. Esforça-se por falar português, no entanto, não se esforça por nos entender. A avaliar pelas expressões da sua cara, fiquei com a ideia de que, da pouca conversação que houve, deve haver muitas palavras em português que são ofensas em chinês.

É bom ter uma colega nova que só aguentou duas horas no bar. Super-nervosa, quase a chorar, a bater os copos em frente ao “marido”. As coisas não devem ir bem entre eles.. Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque.

E estou farta de dizer às pessoas que passear de saltos altos é uma coisa. Trabalhar “pendurada” em cima de 7 cm de tacão, é outra completamente diferente. Vão-se os pés, as pernas, vêem as dores de costas e o “não me aguento com os pés!”.

Publicado por omelete em 09:04 PM | Comentários (0)

outubro 18, 2005

Carta de Amor Irónica

"Quando eu te encontrar, vou-te possuir
Quando eu te encontrar...
Vou te levar para cama
Sem pedir licença
Tocar-te todo o corpo
E, sadicamente, possuir-te-ei !
Vou-te deixar com uma enorme
Sensação de cansaço.
Lentamente...
Vou te fazer sentir arrepios,
Fazer-te suar
Profundamente!
Irás gemer,
Deixar-te-ei ofegante,
Tirar-te-ei o ar,
A tua cabeça irá girar.
Da cama não conseguirás sair !
E quando eu terminar,
Irei
embora sem me despedir
Com a certeza de que voltarei !

Assinado:

A Gripe."

Publicado por omelete em 09:56 PM | Comentários (1)

outubro 13, 2005

Ouvinte Egoísta

Quer-se respeito, respeito a falar, respeito a ouvir. Não és só tu que existes, não tens que atrair a atenção das pessoas. A tua vida é tão insignificante assim que tenhas que publicá-la e monopolizar as conversas ?
O resto do mundo também tem histórias, factos, anedotas, acontecimentos, desastres, desabafos, explicações. Não olhes só para ti, meu caro, já é tempo de abrires os olhos e veres a razão que te rodeia, as justificações que te dizem. É tempo de abrires a tua mente a novos projectos e novas ideias. Não te feches nessa concha. Envelheces mais rápido, e irás tornar-te um daqueles velhos que no centro de terceira idade irão apodrecer rápidamente, sem terem visitas dos familiares e amigos que ignoraram e repudiaram com a arrogância de "quem-sabe-tudo-sou-eu".
Não irás ficar sozinho. Já estás sozinho.

Publicado por omelete em 03:54 AM | Comentários (1)

outubro 12, 2005

Fantasma

Ouço os Dire Straits, aquela banda que tu gostavas de ouvir, a única banda que te conseguia fazer emocionar com a música “Brothers in Arms”, das poucas coisas que conheci em ti que te faziam chorar de dor.
Ouço-a na companhia da minha namorada actual.
Ela à minha frente, que mulher tão artificial, mas um homem da minha idade não pode querer mais do que isto, uma gaja que pinta o cabelo para se esconder da velhice, que põe três camadas de base antes de sair de casa. Que tem mãos perfeitas que nunca lavaram um prato, “Para isso serve a máquina de lavar loiça.”, perfeitas demais para acariciarem o corpo áspero de um homem “Não estou para partir as unhas”.
Tenho saudades tuas, mas não te quero dizer isto, recuso-me a admitir as minhas saudades da tua revolta permanente, contra unhas compridas, pintadas, que te impediam de fazer coisas em casa e até de te defenderes. Explicaste-me uma vez que unhas grandes podem ser um impedimento para pregar um soco. Cientificamente, magoas-te mais do que à outra pessoa, porque as cravas nas palmas das tuas próprias mãos. Mantinha-as curtas, não roídas, apenas curtas, “mais cómodo”.

Em cinco segundos, vejo o teu fantasma a passar na rua. Olhas para mim, como se não estivesses a ver-me, continuas a andar, e, naquele lapso de tempo, a tua íris reflecte-me e só espera que esteja bem acompanhado.
Nesses cinco segundos vês as costas da “outra”, o seu cabelo com madeixas perfeitas, as suas mãos, a gesticularem na minha direcção. Em cinco segundos, fixo-te de boca aberta, o que passa despercebido à minha companheira, demasiado concentrada na sua história para perceber o que são estes cinco segundos.

Findo esse tempo, desapareces atrás do pano que a parede de madeira do bar forma, entre a rua e o interior. Pergunto-me se serias real. Se serias uma assombração. Não me respondes ?

Publicado por omelete em 03:30 AM | Comentários (1)

outubro 11, 2005

Atlas do teu Corpo

É possível que, depois de tanto tempo passado, ainda me lembre da localização de cada sinal no teu corpo, como um mapa onde estão marcados os distritos, as cidades, as aldeias, as vilas, os rios e as ribeiras?

Percorro cada distrito do teu corpo na minha imaginação. Divido-o. Fixo a tua maçã de Adão, o vale que se queda no fundo da tua garganta, onde gosto de te beijar. Passo pelo corredor entre as tuas costelas, com a ponta dos meus dedos. Vejo a tua testa alta, os teus olhos castanhos, os teus lábios bem desenhados, a tua boca, os teus dentes, cada curva na tua cara, estás bem conservado para a idade que tens. Não há presença evidente de rugas. Quem te veja até pensa que tens tido uma boa vida. Rapas o cabelo, mas não dá para disfarçar os poucos brancos que tens, uma penugem branca que sobressai. E quando dormes a meu lado, fixo-te, tiro-te fotografias com a minha memória e espero conseguir captar o máximo, mas o máximo é o infinito, não te consigo captar todo, captar-te todo era estares aqui. És o meu “muso”.
Sentir os teus dedos longos, um a um, mordiscar-te as orelhas, percorrer a tua coluna, fixar-te nos meus olhos e nos meus dedos. Será a isto que chamam memória digital?
Inebriar-me com o teu perfume, o teu perfume próprio, não o da Armani, não o de suor, apenas aquele cheiro que todo o corpo humano exala naturalmente, que apenas as máquinas não possuem. Será o odor da nossa alma ?

E gostava que soubesses que a vida espera que a agarres. Entretanto, ela corre depressa, ultrapassas e quebras as barreiras, até ultrapassares a meta. E só espero que, quando chegares a essa meta, olhes para trás e vejas as barreiras que partiste em mil pedaços apenas para chegares a um sítio que se calhar não te leva a lado nenhum. Que tenhas uma vida boa, recheada de boas coisas. Que possas ter algo que não se compra, não se adquire, não se dá, nem se vende, apenas se conquista.


Publicado por omelete em 04:21 AM | Comentários (0)

setembro 30, 2005

Discoteca

É triste encontrar ex-colegas da universidade na discoteca, mais novas que nós, estragadas (falo de pele, de aspecto, de penteados oleosos, etcetera) que se viram para nós e nos dizem que "Estás igual, não mudaste nada!", com uma expressão desiludida... Como é possível que se estraguem tanto? Que tenham terminado o curso (ao contrário de mim, cuja licenciatura está em "pausa") e não estejam satisfeitos?
Porque não arranjam emprego, porque dependem de projectos, de empregos (para quem tem emprego) que não lhes dão realização pessoal e são mal-pagos... porque se separaram do namorado, que encontraram na cama com outro. OutrO. Não me enganei na última letra. Que foram para a discoteca com os "amigos" mas estão abandonados no canto da pista..

Acho que vou descansar um bocado. Fiquem bem...

Publicado por omelete em 02:32 PM | Comentários (2)

O que é demais também enjoa

Estou farta do bom tempo.
Estou farta de ver sol todos os dias, de me ver obrigada a pôr os óculos escuros.
Estou cansada de ver pessoas a andar de calções e sandálias e bonés.

Quero o frio, a chuva, o tempo "à Londres", os guarda-chuvas esquecidos nos cafés, os gorros de lã, as camisolas de angorá, as botas altas, as gabardines.

Quero as poças de água, as pessoas encolhidas, as luvas de cabedal.
Exijo o cheiro à terra molhada, o tempo nublado, o sol a esconder-se de nós.
As escorregadelas no piso encharcado.

Quero ouvir a música da chuva embrulhada no meu édredon, beber chá preto e ver um filme.

Exijo, portanto, a chegada célere do Inverno!!

Publicado por omelete em 02:06 PM | Comentários (2)

setembro 29, 2005

As Melhoras à Economia

Será coincidência que, notícias com títulos como este, "Clima económico melhora em Portugal", coincidam sempre com a época de Saldos, Promoções, Descontos, Outlets do final de estação?

Publicado por omelete em 05:10 AM | Comentários (0)

setembro 26, 2005

Os termos de irresponsabilidade

Uma conversa vulgar, numa mesa de um restaurante:

Mãe: “O meu filho não vai ter inglês no quinto ano.”
Amiga: “Então porquê?”
Mãe: “As aulas de inglês não são na escola dele, são na outra perto do Centro de Saúde. Achas que estou para acordar cedo e ir pô-lo lá? Ainda por cima, agora que vem aí o Inverno com a chuva e o frio?”
Amiga: “Mas não é obrigatório?”
Mãe: “Ná! Assinei um termo de responsabilidade para não o inscrever. Só vai quando eu quiser.”

Correcção: “Assinei um termo de irresponsabilidade por lhe negar a educação a que ele tem direito para o bem da sua progressão curricular”.

Genial estas mentalidades maternas!! Imagine-se apenas o que seriam das crianças que nascem na Holanda e em Inglaterra (nem falo de países onde neva muito e só têem um Verão de dois meses) se as suas mães e pais pensassem todos assim! Pelo comodismo e ignorância, marchar, marchar!!

Publicado por omelete em 04:17 AM | Comentários (2)

setembro 03, 2005

As "Novas Colecções"

O calor ainda se faz sentir, como toda a gente sabe.
As pessoas que podem, ainda vão à praia.
Veste-se t-shirts, saias, calções, sandálias, chinelos, óculos escuros, tops indiscretos e outros mais discretos. As noites estão agradáveis para se beber uma imperial nas esplanadas.

Fui a uma loja de roupa. Comprar dois pares de calças de ganga. Mas tive de sair. Ao entrar, deparo-me com a “Nova Colecção”. Casacos estofados, com golas de pele artificial, calças de bombazine quentíssimas, camisolas de lã grossas, a moda para o frio do Alasca chegou e a roupa para usar no Verão já desapareceu dentro dos armazéns.
O ar condicionado acompanha a paisagem. Deve estar a 20 graus ou menos e é acompanhado por uma ventania fria desagradável.
É psicológico. A malta começa a sentir frio, começa a comprar roupa quente. Quando saem da loja, arrependem-se (suponho eu).

Não vou comprar casacos com três forros nesta altura. Nem camisolas grossas. Muito menos botas de Inverno, quanto mais um cachecol.

Tenho de sair. De volta para o calor, para o Verão. Que ainda não terminou, mas os comerciantes parece que se esquecem disso.

Publicado por omelete em 06:24 PM | Comentários (0)

setembro 01, 2005

Chega Setembro...

E agora, acabou o Verão. As férias.
É hora de arrumares as toalhas, o bronzeador, o biquini (eu não que, felizmente, moro no Algarve e ainda está um bom tempo para ir à praia!).
Fazes contas à vida. Malditos créditos que só provocam tentações, que te endividam o teu dia-a-dia e te sugam o ordenado.
Os putos vão agora para a escola, lá se vai uma boa fatia do ordenado para os cadernos, as canetas, a mochila do personagem dos desenhos animados, os livros que os professores escolheram para este ano, ainda pensas no computador que eles precisam para fazer os trabalhos e lembras-te que no teu tempo usavas aquela velhinha máquina de escrever, com as teclas emperradas pelo uso, a fita que saltava sempre no final da folha, a chatice de alinhar as margens, a perfeição que era exigida e o trabalho que dava. As capas feitas em caligrafia, com a caneta de aparo.
Começas a perder a pele, a mudança de pele provocada pelos dias inteiros que passaste na praia, para onde levavas dois guarda-sóis, uma geleira, um saco de sandes mistas embrulhadas em celofane, o pára-vento, as cadeirinhas para os sogros se sentarem. A sogra a bordar, o sogro a apanhar o sol de chapéu enfiado na careca e entretido com as palavras cruzadas.
Trocas as filas de trânsito para a praia pelos engarrafamentos na cidade, buzinadelas, stresses de chegar atrasado ao trabalho, stresses de um patrão que não te dá valor, o stress de ir ao hipermercado, de levar os miúdos à escola, à piscina, ao ténis.
Suspiras e pensas para ti mesmo que as férias não são assim tão diferentes do resto dos teus 335 dias de vida comum, de trabalho.

Publicado por omelete em 08:45 PM | Comentários (0)

agosto 31, 2005

A Saga do Crepe de Gelado e Chocolate Quente

É simples.
Hoje apeteceu-me um doce.
Bem doce.
Apeteceu-me um crepe de gelado, com chocolate quente por cima.
Simples. Uma bola de gelado de framboesa, outra bola de gelado de manga.
"Não temos chocolate quente."
Este pessoal não se sabe desenrascar. Têem máquina de café, micro-ondas, chapa eléctrica, tudo material que permite aquecer um pouco de chocolate.
Explico a técnica, coçam o totiço (espero bem que lavem as mãos antes de ir fazer o dito crepe) e abanam a cabeça em concordância um bocado dúbia.
Sento-me descansada, converso com a minha amiga, o novo trabalho dela, o curso que está a tirar, o portátil que avariou.
O dono do café vem-me dizer que a cozinheira se enganou e pôs gelado Stracciatella em vez do de Manga. Começa a saga. Quero framboesa e manga. Não é assim tão complicado, acho eu.
Passado quinze minutos, ela volta a enganar-se e pôs-me chantilly em vez do chocolate quente.
Mais uns longos minutos, tinha que me dar hoje esta vontade de comer crepes, logo neste dia em que a cozinheira parece que bebeu de mais na noite anterior.
O crepe chega. O chocolate quente foi colocado sem cuidado, derrama para fora do prato que é demasiado pequeno para o tamanho do crepe que é servido. O gelado de manga está cá. O de framboesa não. Fugiu. Para dar lugar ao gelado de Stracciatella.

Desisto.
Para a próxima vez, vou comer o crepe tão apetecido na Creperia.
É aborrecido que as pessoas sejam tão surdas e BURRAS quando dos clientes depende o ordenado que ganham (eu sei do que é que falo, também trabalho em hotelaria há uns quantos aninhos...).

Outro desabafo. Para não variar.

Publicado por omelete em 09:21 PM | Comentários (10)

agosto 26, 2005

Que Planeta És?

Mars
.:Mars:.

"You have a great enthusiasm and passion for
all that life has to offer. This is coupled
with a great amount of strength. You know
exactly what you want and are not afraid to go
after it. You love a good challenge and you
have a great deal of stubborness, which helps
you achieve your goals. Your enduring
determination is a great match for your
inventive mind. Your only drawback may be your
difficulty in letting others know how you
feel."


. : : Which Astrological Planet are You? : : . [10 Gorgeous Pics!]
brought to you by Quizilla

Publicado por omelete em 07:36 PM | Comentários (1)

agosto 22, 2005

Acordar.

Acordo hoje com um torpor na alma, resultado de dormir 12 horas seguidas, um sono cheio de pesadelos e sonhos inconcebíveis, com mulheres que criam filhos para os comer, tal é a miséria que o país se torna; com pasteís de nata a 14 euros cada um; a pessoas que começam a fumar com 40 anos; com a lembrança das nossas avós, mães, tias e outros entes femininos da família, a verem se já comemos o almoço todo, e nós queremos é ir brincar, passear, esfolarmo-nos todos, sem nenhuma destas preocupações que pululam na vida adulta.
Acordo com vontade de ter um "Bom dia!" de alguém. De um irmão, que não tenho; de um amante, que não existe; dos bons dias não-falados, mas sentidos, de um animal de estimação.
Acordo com a necessidade de ter alguém a convidar-me para ir passear, ir ao cinema, alguém a abraçar-me, mas esse alguém não existe.
Acordo com este peso da Solidão em cima de mim.
E estou farta disto tudo.

Publicado por omelete em 06:29 PM | Comentários (1)

agosto 19, 2005

Os Homens também Choram

Num bar NORMAL, onde a maior parte dos clientes são sérios (há sempre aqueles que tentam engatar a 'miúda' atrás do balcão) ou putos que querem é apanhar uma bebedeira de caixão à cova (tinha uma vontade louca de usar esta expressão portuguesa!!), é impressionante ver uma resma da população masculina emocionar-se com um programa de televisão (a qual, normalmente, é ignorada, a menos que esteja a exibir futebol/basquetebol/"Vale Tudo" no GNT, etcetera...), no canal Odisseia, acerca de uma leoa que cuidava de uma cria de gazela - ou antílope, já não me recordo bem - que, no final trágico, tão parecido com Shakespeare que matava 3/4 das personagens principais - morre, atacada (e comida...) por um leão.

É chocante ver homens de barba rija, armados em duros e maus, em machões, com a tristeza estampada no rosto e a mudarem - ou tentarem - de conversa, de ponto de atenção, de distracção...

Aqui fica a prova de que os homens, à parte do que muitas mulheres julgam(eu também sou uma, mas não penso assim) têem sentimentos. É preciso é saber chegar lá. Mas não ponham sempre a dar o Bambi, nem o Dumbo, nem o Papuça e Dentuça. Porque a paciência tem limites. Muito mais vale um jogo de futebol. Em que se emocionam quando o Féher morre em campo... Ou outro drama do género, infelizmente uma praga actual nos jogos de futebol e outros.

Publicado por omelete em 07:04 AM | Comentários (0)

agosto 16, 2005

Not titled

A espera é amarga e doce como o café que bebes, sentada aqui nesta cadeira metalizada, à luz do luar e das estrelas lá longe.

A demora não é longa, vês a sua silhueta alta e franzina a chegar, passaram-se meses desde que o viste pela última vez. Com cada passo dele, a aproximar-se de ti, a tua garganta fica mais seca, as cordas vocais retraem-se. As saudades são este nó do estômago, este calor que te queima de dentro para fora, o formigueiro nos pés. A alegria de o veres transborda de todos os poros da tua pele e a tua visão adquire uma capacidade de focalização extraodinária, tudo o que está em redor fica desfocado e só ele está ali.

As mãos ficam suadas, pegajosas de desejo, e a capacidade de falar, de organizar letras, de arrumar as palavras em frases com nexo, perde-se momentaneamente.

Num universo paralelo, ergues-te abruptamente do frio do assento, a garrafa de água cai contra a calçada, parte-se, a chávena de café também, e tu corres para ele à velocidade das gotas da chuva que caem. Intercepta-lo, acaricias-lhe a face molhada, os teus olhos fazem um esforço para não saltar das órbitas e ficam-se assim. Beijam-se.

Sentada, a tua imaginação correu célere. Ele chega, mas não se senta na tua mesa. A mulher espera-o três mesas à tua esquerda. E magoa-te que ele não partilhe contigo sequer um olhar, não divida a cor dos seus olhos com a tua.

Publicado por omelete em 03:32 PM | Comentários (0)

agosto 12, 2005

BOM DIA COM UM SORRISO!

Duas horas depois, acordo com o sol a afagar-me a cara, este calor que entra através da janela aberta. Com preguiça, fico na cama, fecho os olhos e vejo-te como te vi no meu sonho, a tua boca na minha, um beijo eterno. E deixo-me ficar, enrolada nos lençóis, ignoro o rádio-despertador e o apitar irritante do despertar do telemóvel, estes sons não existem, no sonho só há música de fundo, qual é a banda sonora? Não sei, serão as Quatro Estações do Vivaldi? O “Storm” da Vanessa Mae?
Sorrio, e este momento de sorrir é tão raro em mim, é uma nova droga que descubro, sem malefícios para a saúde, sem cancro, mas que provoca dependência: a Felicidade. Falta o teu ser corpóreo aqui, para eu abraçar e sentir, para me completar a 110%, a uma percentagem infinita.

Despeço-me da cama, trôpega, quase de directa em cima. Deitei-me às sete da manhã por estar a falar contigo, odeio esta pequena distância que nos separa e é tão intransponível. O futuro devia existir agora, devia existir um sistema de teleporte, como no Star Trek, para ir ter contigo, sem depender de transportes nem de horários..

O duche sabe-me bem, sabe-me bem tudo hoje, o cheiro do gel de banho, o champô nos olhos, não me consigo irritar com coisas que me irritam normalmente. Não me irrito no banco, com a fila que lá está, mesmo sabendo que estão seis pessoas à minha frente. O senhor que me atende tem o mesmo apelido que eu, mas não deve ser por isso que resolve o problema do cartão desaparecido misteriosamento dentro de uma maléfica máquina de multibanco, de uma forma tão amável.

Começa a contagem. Um sorriso. Imprimir umas papeladas na nova loja de informática aqui ao lado (abriu há poucos dias), outro sorriso, dois ou três dedos de conversa. Beber café, mais um sorriso, do empregado mais rezingão da pastelaria. Será o dia do sorriso hoje?

O acumular de sorrisos faz-me esperar um bom dia hoje, nada o pode estragar, nem os bêbados que vou aturar à noite, nem os stresses, nada pode estragar este dia.

E a tarde nunca mais chega para estar contigo, para te ver, como os minutos são tão longos quando se espera por alguém de quem se gosta tanto …

Um Bom Dia para todos.

Publicado por omelete em 11:52 AM | Comentários (0)

agosto 11, 2005

Suspenso...

Aguardas com ansiedade que o telemóvel toque, só para ouvires o som suave da sua voz. Estás sentado no café, pedes um descafeinado e uma Frize limão, colocas o telemóvel em cima da mesa e aguardas. O descafeinado vem, suspeitas que é café normal, a Frize limão também, está quase natural, é do calor que se faz sentir cá fora, nesta esplanada a abarrotar de pessoas. Rodeado de pessoas sentes-te sozinho, a tua solidão será apenas apaziguada por um telefonema, por aquela voz suave e simpática dela. Olhas para o écran, regulas o som no máximo, podes não ouvir, às vezes és um bocado surdo, surdez provocada pelo teu espiríto distraído, que se concentra em tudo o que te rodeia e em nada do que de ti faz parte.

A chávena fica vazia, o copo da água também, e o que resta à tua frente é um monte de nada. E a tua solidão permanece, suspensa, à espera que o telefone toque.

Publicado por omelete em 07:52 PM | Comentários (0)

agosto 09, 2005

Cibercafés

Ainda eu gostava de saber porque é que os cibercafés e outros locais (em Faro) que permitem o acesso (pago) à Internet, não possuem uma impressora disponível.
Não percebem a utilidade? Não percebem que podiam ganhar com isso? Nem todos estão para ficar 2 horas à espera de um computador na Biblioteca Municipal, nem têem acesso aos computadores dos pólos universitários de Gambelas e da Penha.

Nem eu tenho culpa de ter ficado subitamente sem tinta na minha multifunções.

Publicado por omelete em 05:04 PM | Comentários (2)

Irritar os tele-operadores

Todos nós recebemos chamadas de telemarketing. Têem produtos novos, ganhou uma viagem fabulosa à Madeira, tem quer ir ao hotel não-sei-quantos receber o prémio, há um cheque à sua espera ao virar da esquina, muita coisa.
É só ofertas à nossa espera.
Como eu, deve haver muita gente que odeia receber essas chamadas. Eu normalmente digo que não estou interessada e que escusam de me telefonar mais. Passado um mês voltam a ligar.

Aqui vão umas dicas para irritar os operadores de telemarketing:

1. Finja-se de gago

Se um operador perde muito tempo com um cliente, é tido como improdutivo e corre o risco de perder o emprego. Use isso a seu favor. Logo na primeira resposta, dê início a uma gagueira insuportável, daquelas em que se leva mais de um minuto para terminar um simples "obrigado". Em dois tempos o operador desligará a chamada.

2. Jogue com as armas dele/dela

Assim que o operador se apresentar, diga: "Desculpe interrompê-lo, mas não posso falar agora. Por que você não me deixa o telefone da sua empresa ou o seu telemóvel que eu ligo mais tarde, depois das dez da noite?". O operador fatalmente responderá que não pode fazer isso e você inicia um discurso sobre as inconveniências de ser importunado no sossego do lar. Outra forma é ameaçar com a DECO e pedir a morada da empresa. Ele/ela desligará antes de você.

4. Interromper a arrumação do lar.

Diga na primeira oportunidade: "Espere um minuto, sim?". Deixe o telefone de lado e aproveite para fazer um chá, lavar louça. De minuto em minuto, convém voltar ao telefone e dizer: "Só mais um minutinho, ok?".

5. Transferência familiar

Diga ao operador para conversar com a sua filha/filho/amiga/cunhada/prima porque você não percebe nada "dessas coisas". Eventualmente, ele responderá que o assunto é consigo e não com a sua família. Faça-se distraído e passe, de preferência, o telefone ao seu filho mais novo. Desistirão.

5. Surdez

Qualquer coisa que lhe for dita ao telefone responda com um sonoro: "O quê?!", ou "Como?!", ou "Não ouvi/percebi...". Nunca responda outra coisa.

7. Conte a história da sua vida

Dê uma de carente. Qualquer pergunta que o operador fizer deve ser respondida com desabafos, casos longos e monótonos de sua vida e confissões de carência. "Que bom que me telefonou... há tempos que eu só conversava com o meu gato.. ninguém me telefona, sabe?" Pergunte se o operador não quer ser seu melhor amigo.
Peça para ele jurar que a partir de hoje ele lhe liga todos os dias.
Nunca mais ele liga.

8. Telefonema erótico

Assim que o atendente terminar a primeira frase diga coisas como: "Que voz tão sensual.", "Isso, hummm, continua, vai, não pára, não. Ohhhhhhhh".

Publicado por omelete em 02:59 PM | Comentários (2)

Contas...

Aborrece-me ter que pagar contas. Odeio filas na TVCabo. Comboios de carrinhos de compras no supermercado. Stressa-me as referências multibanco para pagar a ADSLSapo. E o terror de me enganar num único dígito e de ter que pagar de novo.

Chateia-me este mundo baseado em dígitos, em cartões de plástico, de débito, de crédito, de desconto na livraria, na bomba de gasolina, no mini-mercado, no hipermercado, na loja de electrodomésticos, das Finanças, da Segurança Social, da Universidade, da Telepizza, da sapataria, dos telefones. Fazemos colecção de cartões. Do telemóvel, ou DOS telemóveis, já que pelas estatísticas somos o povo que mais telemóveis tem, por cabeça. Dois. Ou mais. Três. Ou quatro, já que se adivinha a entrada de uma nova rede de telemóveis no mercado, juntamente com a rede fixa.

É a sociedade do plástico. Do micro-ondas. Dos hamburguers da MacDonald's (blagh!). Da infinidade de cartões. Dos pesadelos de perder um cartão, um pin, um número no qual se baseia o nosso conforto.

Publicado por omelete em 11:50 AM | Comentários (0)

agosto 02, 2005

Sotão das Recordações


Vou ao sotão, e abro aquele baú escondido lá no canto, cheio de pó por cima, acumulado durante um ano em que não lhe mexi… Limpo com a mão e uma nuvem ergue-se acima da minha cabeça, enche-me os caracóis de partículas poeirentas. Ergo a tampa e olho para o interior. Uma confusão.

De fotografias, onde estamos os dois juntos, eu com diferentes penteados ao longo do tempo, o nosso cão de estimação no meio, sorrisos, bocejos, registávamos cada momento da nossa vivência conjunta.

Cartas manuscritas, na linguagem sincera que quem sente, escrita na tua caligrafia de escola primária

Rosas e cravos secos, não recordações do 25 de Abril, mas de momentos que ainda me lembro hoje.

Prendas pequenas, ofertas de grande valor emocional naquela altura…
Os peluches que me faziam companhia na cama quando estavas de viagem pelo mundo e voltavas duas semanas depois, carregado de histórias para contar.
Porta-chaves, que faziam o dever de organizar a chave do correio, a chave do portão, a chave de casa, a chave do carro…

Canetas, com que escrevias as cartas.

Cd’s de música. Que ouvíamos em jantares à luz de velas de várias cores para não ser monótono. Música clássica, música gótica, música rock, pop..

Bilhetes. Do cinema onde íamos, aconchegado-nos na escuridão um ao outro, os dois embrenhados na história e em nós próprios. Rindo em conjunto.

Diários. Do nosso amor e vida nesses anos. Desenhos. Retratos feitos rudemente a carvão.

Falta aqui… faltam aqui os teus beijos guardados numa caixa pequena, de onde eu os tirasse e sentisse uma última vez. Os teus abraços. Devia-te ter cortado os braços, para que me segurassem de novo. As tuas mãos, largas e fortes, em que eu percorria com os meus dedos as linhas da tua palma da mão.
Falta do teu calor aqui dentro. Da tua voz, que devia ter guardado numa cassete. Do teu cabelo, de que podia ter feito um cordel para te prender. Da tua pele, que foi o tecido deste amor. Dos teus pensamentos, que ouvia com tanta nitidez e não os gravava em pedra.

Olho para estes restos, agora não são nada, um monte de objectos, a ocuparem espaço na minha casa e perturbando o meu espírito. Recordações de um tempo que fugiu de nós e não soubemos aproveitar.

A casa está oca de gente. Mas cheia de ti. Mesmo o que não está no baú. Fecho o baú e cerro os olhos, penso no passado e ele responde à minha chamada. Por um segundo, sinto os teus lábios, a tua mão na minha, a tua pele a ferver, a tua voz, as tuas palavras, o teu conforto e paz que me davas.

Publicado por omelete em 01:37 PM | Comentários (1)

Falsa Vida

Life’s but a walking shadow, a poor player
That struts and frets his hour upon the stage
And then is heard no more. It is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury,
Signifying nothing.

Em

William Shakespeare "Macbeth" Act 5 Scene 5

Publicado por omelete em 01:58 AM | Comentários (0)

julho 31, 2005

Aborrecida

Chateada porque o F.C. Porto perdeu com o Arsenal 2-1.
Com vontade de queimar o cachecol e dar um pontapé no Lindbergh que marcou o primeiro golo. E não me digam que o nome do jogador está mal escrito, não sei holandês para isso.

Aborrecida com esta cidade que parece um deserto. Quando saí de casa hoje, perguntei-me a mim mesma se teria havido um ataque atómico sem me dar conta, não se via vivalma na rua, silêncio demais, nem um sopro de vento para adoçar o clima, nem o canto dos pássaros para alegrar.

Farta de estar com sono e não conseguir dormir. Cansada destas saudades que me estão a consumir lentamente. Desejo de ti aqui perto de mim. Quem te deu o direito de me tirares o sono?

Publicado por omelete em 09:00 PM | Comentários (0)

De Hannover para Faro

Hannover é uma cidade cinzenta, chuvosa, com blocos de apartamentos, caixotes, gente que vive o ano inteiro sem o sol que se faz sentir em Portugal. Mesmo assim, o Português queixa-se do mau tempo, quando ele aparece sorrateiramente a partir de Setembro, Outubro.

A tua primeira paragem foi em Braga. Localidade eclesiástica, conhecida pelo grande número de igrejas, mosteiros e capelinhas. Vais lá parar em trabalho, no ínicio são reservados contigo, sem grandes conversas.. Vão-se abrindo lentamente, tornam-se mais faladoras. Conheces bem o norte de Portugal.

Aproveitas o fim-de-semana para conhecer o Algarve. Ouves falar tanto de Albufeira que vais lá neste Sábado. Mas a diferença entre esta cidade e o teu país alemão é praticamente nula. A cultura não existe, é uma adaptação à realidade inglesa e alemã. Os cartazes são escritos em inglês, o povo é estrangeiro, é raro o português que se encontra, os resquícios lusos não existem, é tudo absorvido pela cultura dos que até aqui se deslocam, convencidos que ficam a conhecer Portugal, quando tudo o que saem a conhecer é apenas um destino turístico, com praias lindas de morrer, apinhadas de gente, animação nocturna e nada mais do que isso.

Decides-te por Faro. Queres ouvir a língua portuguesa, as discussões que há entre as pessoas, o calão, a conversa animada entre dois velhotes na taberna da esquina, as provas de amor de um casal jovem, as bisbilhotices das mulheres à janela. Faro é uma cidade calma, não-turística. A realidade de Portugal.

Não tem o bulício de Lisboa, tem a calma dos (poucos) aventureiros que cá aparecem, embebida com a pressa de quem vai trabalhar, os jogos de cartas dos reformados, os miúdos que vão à praia.

Têem a descontracção de não ser um actor na cidade, não ser fingido... Pessoas simples, faladoras, que não estão contagiadas com o entusiasmo efémero dos turistas e de tudo fazerem para lhes agradar.

Verdadeiros portugueses...

Publicado por omelete em 09:20 AM | Comentários (0)

julho 29, 2005

Beijo na Madrugada

E naquele momento, agarra-la e despedes-te dela. Um beijo na face esquerda, um beijo na face direita, mas os vossos lábios encontram-se num toque e os lábios dele sabem tão bem, a sua língua invade a tua boca e naquele momento o mundo pára, os carros páram de circular à vossa volta, a agitação da cidade desaparece, todo os barulhos somem e só estes dois seres existem. E dos olhos dela caem lágrimas, lágrimas de uma paixão que aparece sem saber se vai continuar, neste amor (será amor?) que aparece à primeira luz de um novo dia. Abraça-la com força, sentes ela agarrar-te como se não a pudesses largar, mas tens que a deixar ir, tens que a soltar porque ela é um pássaro que não se agarra... A carapaça desaparece nestes segundos que se tornam em minutos de uma forma demasiado célere.

Porque é que o tempo passa tão devagar e tão depressa ao mesmo tempo?

O prazer de te ter aqui ao pé, tão próximo, a dor de ter tão longe, tudo isto, tão contraditório...

Foges, deitas-lhe um beijo. “Meu amor, dorme bem.”

E em ti, quando ele se afasta, só fica o medo. De cederes uma percentagem do teu coração e da tua alma.

Publicado por omelete em 07:11 AM | Comentários (1)

julho 28, 2005

Alterando o Layout

Estou a pensar mudar o layout da minha página. Alguma sugestão ??
Que acham deste programa: Style Master 4, para editar CSS ? É bom ou mau? Comecei a usá-lo agora, vamos ver que "obra de arte" sai daqui.
Hasta luego, bambinos...

Publicado por omelete em 07:31 PM | Comentários (1)

Eles desceram à cidade..

A Maria, grande porte, baixinha como convém, saiote largo. O Zé, calças de fazenda sustidas por suspensórios, camisa aos quadrados.
Maria (na montra de uma garrafeira) - Olha Zé, uma garrafa a dizer Algarve!!
O Zé (com vontade de beber o conteúdo da garrafa) - Oh Maria! Qual delas? Dizem todas Algarve!!

É a proliferação de bebidas alcoólicas algarvias. Da "montanheirada" e dos emigrantes de França que descem à cidade nas férias e no Natal. Já ouviram falar de franciúguês? Ouve-se por todos os lados agora. É irritante. Alguém oferece uma t-shirt com o logotipo "Algarve" e uma gramática de francês a este pessoal??

(é apenas um desabafo. Nada de xenofobismos.)

Publicado por omelete em 07:01 AM | Comentários (0)

"Confidence"

Estás cá há um dia apenas, entras no bar discretamente, com camisa de alças e calções por baixo do joelho. Ou calças curtas, conforme as perspectivas. Piercing no sobrolho e na orelha.
Pedes uma Carlsberg, duas, três e olhas para a televisão, os videoclips da MTV passam, mas o som é diferente, é do cd que está a tocar do outro lado do balcão, ‘Garage Party’.
Chamas-te Matt, vieste da Tasmânia, na Austrália. Descobrir este país. Tens 34 anos, pareces um puto novo. Que não sabe nada.

Queres fazer uma tatuagem que simbolize “Confidence”. Há os símbolos japoneses, os chineses. Não te interessam, toda a gente tem tatuagens dessas hoje em dia, a maior parte sem saberem o que significam aqueles símbolos.

“Confiança”, “Confidence”. É uma palavra difícil, um sentimento complicado. Quem confia em quem hoje em dia? Confias em ti próprio. Precisas de confiar em ti próprio. É o motor da tua vida. Confiar em nós mesmos é ter força para levarmos os projectos avante. Para nos comprometermos com o trabalho. Com a nossa família. Com o nosso amante. Com os filhos.

É complexo. Haverá algum símbolo? Um cão que é fiel ao dono? Que confia neste cegamente? A tropa que segue o general, confiando nas suas decisões? Um empregado que confia na Empresa a sua dependência financeira para pagar as contas ao final do mês? A confiança não existe. Aparece, cresce e é preciso mantê-la. Porque tão depressa aparece como desaparece. Perguntem a alguém cujo namorado pôs os cornos com a melhor amiga. A uma irmã que desaparece sem deixar rasto depois de pedir um fiador para a casa. A um patrão que dispensa um empregado com 20 anos de casa. A uma top-model cuja carreira é arruinada por um malogrado acidente de viação que lhe estraga o rosto, em que confiava para ganhar dinheiro. Ao povo que é governado por um Primeiro-Ministro que não cumpre as promessas.

Hoje em dia a confiança é um sentimento raro. A desconfiança prolifera.

Publicado por omelete em 05:19 AM | Comentários (0)

Memórias da Guerra Colonial

Naquele intervalo entre cervejas, olhas para a tatuagem que tens no braço, “Guiné – 1973” e com ela um mar de recordações, da distância que separa Portugal da Guiné, Angola, Moçambique, etcetera…

Recordações do dia em que recebeste a carta a convocar-te para seres embarcado no ‘Vera Cruz’, rumo à terra desconhecida, onde há uma guerra desconhecida, por motivos desconhecidos, com um povo desconhecido.
O dia em que abriste a carta e olhaste para o espelho a pensar que não ias voltar. Que ficavas lá, como os outros, a fazer tijolo.

O teu instrutor que te ensinou tudo o que sabias, a ti, um puto, mas que ficou enterrado e tu vivo, hoje. O receio de perder um colega cada vez que iam fazer uma patrulha. Em cada saída de mato.

Os momentos bons, quando relaxavam um pouco, bebiam cerveja ‘Cuca’, gin tónico e whisky com Coca-Cola (vinda da América, com sabor diferente da europeia).

O cheiro da maconha e do haxixe que se fumava nas casernas, que sempre recusaste fumar. Preferias a bebida para descontrair..e esquecer.

Os Comandos Africanos, clones uns dos outros, nunca os conseguias distinguir; por baixo da farda, eram todos iguais. Metiam medo.

O regresso dos retornados. Com poucos ou nenhuns haveres. Para uma terra que muitos não conheciam, embora fosse a dos seus pais.

As doenças venéreas que levavam camaradas teus ao suícidio, com vergonha de encararem a mulher e filhos, em Portugal. Por terem “saltado a corda” com as prostitutas de África. Em vez de bater punhetas, como tu fazias, para aliviar a saudade.

As recordações vão-se, a imperial está à tua frente. Nesses velhos tempos, não pegavas em cerveja. Whisky com cola. Só. Pegas no copo, a imperial está quente, e pedes outra. A vida continua. Para alguns.

(Foto 'emprestada' do site de Pedro Morais)

Publicado por omelete em 05:01 AM | Comentários (0)

julho 27, 2005

Mulher, Homossexual ou Transsexual??

Não parece uma mulher.
Há transsexuais extremamente semelhantes a mulheres, não é o caso deste.
Com 26 anos parece envelhecido. Ninguém lhe dá menos de 35 anos. Valerá a pena mudar de sexo para envelhecer 10 anos?
Usa uma linguagem extraodinariamente ordinária para quem quer ser uma "senhora respeitável".
Faz passerelle no bar sem ninguém lhe pedir.
Diz que é do Porto, mas não sabe que Vila Nova de Gaia é do outro lado da ponte.
Assume-se como ex-"comilona de homens".
Fez estudos estatísticos. Segundo ele, 90% da população masculina em Portugal (!) é bissexual. E da população feminina? Não há ??

Conheço muitos gays e travestis e transsexuais. Mas este que lá foi ontem à noite não é um bom exemplo para ninguém. Ofende, insulta, fala aos sete ventos da sua vida sem ninguém querer ouvir.

Publicado por omelete em 08:08 PM | Comentários (1)

julho 26, 2005

A Decapitação das Barbies

Porque as loiras estão fora de moda, pelo que uma notícia no jornal revelou. Loiras toquem a pintar o cabelo!!

Embora me pareça assim um estudo um bocado xenófobo... Certamente, loiras, morenas, negras, ruivas são, acima de tudo, pessoas. E tem-se é que apreciar a pessoa em primeiro lugar. Porque o cabelo branco começa a substituir a cor, as rugas invadem a lisez da pele, o peso aumenta ou diminui, as mãos ficam envelhecidas, por tudo isto. Mas a alma não envelhece. Só se quisermos.

Publicado por omelete em 06:44 PM | Comentários (0)

julho 25, 2005

....

Eu não sei se vou ficar contigo, eu só sei que quero estar na minha vida, sossegada. Sei que gosto da solidão, que aprecio tanto o barulho do piscar das estrelas e a luz do luar. Adoro desligar o telemóvel, odeio acordar com vozes de alguém por este meio telefónico. Gostava de tirar o meu coração e conseguir entregá-lo a alguém. Ou deixar alguém especial ocupar um pouco do seu espaço. Aqui dentro. Na alma. Sem racionalizar muito. Sem pensar no passado. Andar para a frente sem a carga da vida.
Queria reencarnar noutro corpo, noutra pessoa. Noutra vida.

Publicado por omelete em 11:57 PM | Comentários (0)

julho 24, 2005

A uma amiga

Amiga,
Porque não vale a pena matares-te porque o teu namorado acabou contigo.
Porque simplesmente ele não te compreende.
Porque não vale a pena deprimires-te só por a tua melhor amiga não te atende o telefone por estar no duche.
Porque os comprimidos para dormir não são indicados para a eutanásia.
Porque o hospital não é sítio para uma pessoa entrar em coma com 25 anos por vontade própria.
Por tudo isto.
Continua a viver. Simplesmente viver. A dar valor ao tempo que passas com os amigos e não a contar os minutos que não passas com eles.
Não penses no alguém que te considera ninguém na vida dele.
Pensa em ti.

Publicado por omelete em 08:23 PM | Comentários (0)

julho 23, 2005

Lições de Trigonometria

"Se ganhasse o Euromilhões, a minha vida dava uma volta de 360º"

Ou seja, voltava à estaca zero.

Ouvido na tabacaria por um senhor que estava a ler a notícia do próximo jackpot do Euromilhões... 116 MILHÕES de euros. Jazuz!

Se ganhasse... Desmaiava. Depois acordava. A seguir beliscava-me. Confirmava se não estava incluída no cast de um episódio da "Twilight Zone". Será que o talão que sai das máquinas de multibanco dá para tantos zeros?
Ou simplesmente apresenta €116 M ?

Dúvidas existenciais.

Mas, seguramente, que a minha vida dava um giro de 180º.

Publicado por omelete em 08:43 PM | Comentários (0)

What Lives Must Die.

- Fila interminável no supermercado. Velhotas chatas que deixam o carrinho na fila a marcar lugar e de cinco em cinco minutos se lembram de mais "qualquer coisinha" para levar para casa. Ou para o lar.

- As pizzas ultracongeladas não prestam em microondas.
- A lasanha bolonhesa por seu lado fica bem melhor.
- O sumo de morango a acompanhar sabe que nem ginjas.

- Colega nova.
- Colega antiga dispensada.
- Vomitado no lavatório.
- Um cinzeiro partido, um copo de shot roubado.
- Bêbados a beber água das Pedras.
- Restos da Concentração de Faro.
- Mudar de sapatos para passar pela Disco.
...
- Sete cinzeiros esquecidos no final da noite para lavar. Telefonema do Patrão a desancar.
- Discoteca semelhante a um jardim zoológico com os animais todos com o cio ao mesmo tempo...
- Queque de chocolate comprado na padaria que abre às 5 da manhã (acho que foi a melhor parte da noite)

Que m@rda de dia.

Publicado por omelete em 07:04 AM | Comentários (0)

julho 22, 2005

Vamos ver se tenho sorte ... pela Astrologia.

Segundo a Maya:
- DINHEIRO: Vai estar perante novos desafios; que o vão colocar no centro das atenções.

Paulo Cardoso:
- Pare e examine o caminho por onde vai a sua vida. Será que os objectivos estabelecidos há anos ainda fazem sentido perante a Pessoa que é hoje? [eu queria era mesmo saber se ia ganhar alguma coisa... grunf]

Maria Helena Martins:
- Dinheiro: Verá os seus rendimentos aumentarem. - Boa perspectiva :-)

Carla Isidro:
- Economicamente está numa fase favorável para fazer investimentos (com ou sem milhões?).
Na saúde pode ter um aumento de peso, tenha mais atenção à sua alimentação (relacionado com o micro-ondas novo e a comida ultra congelada? Será?)

E acabou por aqui. Ou seja... não dá para concluir nada de relevante. Grande ajuda. Resta esperar pelo sorteio.

Publicado por omelete em 07:54 PM | Comentários (1)

100 Milhões ... de EUROS!

Depois de ver o título na primeira página de um jornal diário "JACKPOT DE 100 MILHÕES", larguei a mesa do café, deixei um amigo pendurado à minha espera e fui registar um boletim do Euromilhões, gastando €6,00. Será que é desta que a sorte me bate à sorte. Agora, ajudem-me lá. Quanto é €100 000 000 ?

Será cerca de 20 048 200 000$00?
20 milhões de contos?
SÓ???!
Dará para tomar um cafézinho curto e um copo de água??

O que fariam vocês com este dinheiro todo?

Publicado por omelete em 07:41 PM | Comentários (0)

Relax... Dance... Enjoy.

É bom relaxar depois do trabalho.

Depois de uma noite a aturar bebedeiras ou as conversas de um miúdo que fala como se estivesse numa peça de Shakespeare.
Depois de ouvir conversas sobre casas de p@tas ou sobre as suas habilidades, como se de um circo se tratasse.
Depois de dois franceses que vieram cá a Portugal e não sabiam que a taxa mínima de alcóol no sangue era de 0,5%.
Depois de um careca que nos oferece um isqueiro Cutty Sark quando o que queríamos mesmo era o porta-chaves da marca do whisky da caravela.
Depois de uma ex-colega que aparece com o marido e parece rejuvenescida. Será de apanhar mais sol do que nós?
Depois de um rapaz semi-nu dançar à porta com movimentos sexuais uma música que está a tocar no bar. E provocar uma gargalhada em quem vê.
Depois de vermos um amigo que nunca bebe a emborcar um jarro de litro de Malibu com sumo de ananás.
Depois de um falador nos pedir uma cerveja sem alcóol com 7up e termos que dizer que cerveja só mesmo com alcóol neste bar.

Por isso é bom relaxar.
Ter mil pessoas a quererem-nos oferecer boleia. Mas como as boleias não têem taxímetros, o pagamento seria feito noutra "moeda". Se é que me faço entender.
Ver as acrobacias na pista de dança da (única) discoteca.
Divertirmo-nos com amigos/as e conhecidos/as, sem ter que consumir muito alcóol, à parte de um chandy (falo por mim).
Abraçarmos pessoas que há muito não víamos. E ser contemplada com um sorriso.
Conhecer gente nova. Com tatuagens no antebraço. Com copos a mais.
Queimar a mão de uma moça que se entusiasmou a dançar e dá um salto na nossa direcção (não, não tenho seguro contra queimaduras alheias).
Rirmos com as figuras tristes dos outros e podermos fazer figuras tristes sem ninguém levar a mal.

Por estas e por outras... É bom não ir logo para casa a seguir ao trabalho. Fiquem bem.

Publicado por omelete em 06:32 AM | Comentários (2)

julho 20, 2005

Batota e Sorte

Saí há pouco do trabalho.

Não sei qual é a piada num jogo da lerpa. Para mim, assemelha-se mais à lepra "doença". Quem vai perde tempo, dinheiro, paciência, horas de sono e tudo o mais de que se queiram lembrar. É uma burrice. As pessoas fazem desse jogo um divertimento. A seguir um vício, não podem ver a hora de chegarem, sentarem-se e começarem a jogar. A perder dinheiro. A ganhar. Mas normalmente o prejuízo é maior do que o ganho.

Falam-me de vícios como o tabaco. Alcóol. Net. Chat. Sexo. Mas o Jogo em si também está incluído nesse lote. Quem não acredita, que olhe para alguém que tem uma lepra ou um póquer marcado para determinada hora. E reparem na ansiedade a aumentar à medida que a hora se aproxima. Na pressa. É um vício como qualquer outro. Não é um divertimento.

Publicado por omelete em 03:44 AM | Comentários (0)

julho 19, 2005

Turistas e Copos

Tenho um amigo meu que trabalho num Hotel de 5 estrelas na apelidada “zona rica” do Algarve (Barlavento). A falarmos de hotelaria em geral, fui sabendo que nesse hotel se ‘forjam’ bebidas. Por exemplo, só têem whisky 12 anos, seja de malte, como o Glennfidich, seja de outras marcas. Mas falsificam. Como? Se o Glennfidich termina, depositam Glennfidich normal no interior da garrafa. E o cliente acaba por beber (e pagar) um whisky de malte novo e não um velho, como é levado a pensar pela garrafa que lhe é apresentada à mesa. Este é o Algarve que apresentamos aos turistas. Engana-se as pessoas. Bebem o falso. Pagam uma bebida a um valor superior do que seria adequado. Não conhecem o whisky que estão a beber e a saborear.

Perguntei se não têem garrafas de bebidas espirituosas em stock. Não, não têem. Encomendas, só de mês a mês. Ah, e o Glennfidich não está no menu de bebidas, por isso não é indispensável ter. Chama-se a isto serviço de 5 estrelas?

A empresa que gere o Hotel é espanhola. As bebidas espirituosas, refrigerantes e águas vêem directamente de ‘nuestros hermanos’. Nesse Hotel, não existe Aliança Velha. Nem Licor Beirão, nem Brandymel. Esqueci-me de perguntar se têem Licor de Amêndoa Amarga ou Aguardente de Medronho, tudo bebidas portuguesas e que os turistas gostam de saborear para saberem o que é fabricado no país que visitam. O meu pensamento foi adivinhado pelo meu amigo. Essas bebidas não estão no menu de bebidas espirituosas. Com alguma sorte, se alguém pedir, pode ser que existam. Mas se eu for a um país estrangeiro, se for à Itália, instalar-me num Hotel de 5 estrelas e examinar a carta de bebidas, seria uma tristeza não ver nela nem a Grappa Veneta nem o Disaronno Amaretto ou a Sambuca Italiana.

É o desprezo que damos ao nosso próprio país… Lindo.

Publicado por omelete em 05:24 PM | Comentários (0)

julho 18, 2005

O Convite para a Concentração

Tal a ironia do destino.

Dois convites para ir à (porra) da Concentração.

Não fui à concentração. Dei o ticketzinho de Quinta feira a uma amiga minha que podia ir (sortuda do caraças) com a promessa de que me há-de trazer fotografias da agitação que por lá se viveu nessa noite.

Ironias.
Apenas um pedaço de papel sem utilidade para quem trabalha até às tantas da matina.

Publicado por omelete em 10:37 PM | Comentários (2)

Micro Ondas

Acabei de ir comprar um micro-ondas. Não há muito a dizer. Um micro ondas é sempre um micro ondas. Mas uma coisa útil. Poupa-nos tempo. Dinheiro. Trabalho. É um luxo. Que muitos portugueses ainda não têem.

Na Singer (passo a publicidade) comprei por €40,00.

Numa das lojas do chamado "comércio local", o mesmo micro ondas, com as mesmas características, estava ao preço absurdo de €69,90.

Devia haver um preço tabelado para tudo. Não só para o tabaco, para a gasolina ou para o pão. Para os electrodomésticos, computadores, comida em geral, cafés e restaurantes.

Porque a igualdade é para todos. Não só para alguns.

Publicado por omelete em 06:31 PM | Comentários (0)

julho 17, 2005

Suicidio

Tive hoje a notícia de que o irmão de um amigo se suicidou.

Olhas para a altura de um quarto andar e não pensas. Atiras-te, sentes o vento a percorrer a tua face, a vertigem súbita e talvez, apenas talvez, tenhas pensado que isto era um acto que não era preciso realizar. O chão chega depressa, o teu crânio parte-se, o cérebro fica numa papa, os teus neurónios separam-se, a tua alma despede-se do corpo e ficas ali, um destroço humano na calçada, com as lágrimas da tua mãe a misturarem-se com o teu sangue. Guardas em ti os motivos. As razões. O que te levou a uma morte tão cedo, com 18 anos. A idade de votar entre a vida e a morte. Porque é que fizeste isto? Porquê??

Um beijo grande, um abraço enorme. Os teus amigos estão contigo M. !

Publicado por omelete em 07:48 AM | Comentários (0)

julho 16, 2005

A Concentração de Motas deste ano não trouxe a agitação esperada a Faro. Há menos motas, menos penduras, menos visitantes. Os cafés não têem a afluência de pequenos-almoços esperados, os restaurantes não acolhem os famintos da velocidade, os bares e discotecas viram iludida a sua ambição de recuperarem nestes três dias um pouco do dinheiro que (ainda) não lucraram neste Verão. Verão seco em pessoas, seco em dinheiro nas carteiras, com a subida do IVA para 21%.

Depois do trabalho no Bar ontem – noite miserável, apesar de ser Ladies Night – passei pelo Eferreá que estava mais ou menos, mas nada de motards. Na discoteca, igual. Uma miséria. Esta cidade cada dia que passa, e cada noite que se perde, é uma tristeza.

Penso em ti, inevitavelmente. Penso no dia em que te tive, nas vezes que te perdi, nas alturas em que te recuperei, na negação em te ter porque não quero TER ninguém, porque uma pessoa não é um objecto, um ser humano é mais. Tem-se que cuidar dele, dar-lhe atenção, perder tempo e não posso, não tenho vida para isso, não há paciência para tal… Aprecio os meus momentos sozinha, com o telefone desligado, fora de contacto.. Gostava de ter alguém, em part-time, com direito a dois dias de folga e em que fosse só preciso estar 4 horas por dia. Direito a intervalo. Direito a descanso. Direito a mim própria.

Publicado por omelete em 03:33 PM | Comentários (2)

julho 12, 2005

O tédio da Praia

Não consigo conceber como há pessoas que são capazes de ficar um dia inteiro na praia. Sem livros. Sem jogarem futebol de praia, ou volley de praia, ou amor de praia. Ontem fui à praia da Altura, com um amigo. Passado duas horas e meia, já estava aborrecida de lá estar. Esqueci-me da companhia preciosa de um livro, só a conversa não chega, por vezes o calor entorpece as palavras e amolece o espírito.

Passámos por Espanha, Isla Antilla, zona turística de Espanha, a tomar um café (café solo) numa esplanada plantada em cima do areal, sem o agredir, pois a sua construção em madeira clara confunde-se com a cor da areia. Muito turismo em Espanha, ingleses, alemães, holandeses.

Agora, está na hora de ir trabalhar. Bom dia para toda a gente. Bom trabalho para quem trabalha, bons exames para quem os vai ter e boas férias para quem as tem..

Publicado por omelete em 09:45 AM | Comentários (2)

julho 10, 2005

A Incapacidade de Amar

Ouvindo... Scorpions - Acoustica Portugal

Uma pessoa sente-se só, uma pessoa sente-se abandonada, uma pessoa sente-se esquecida, inútil, incapaz de amar. O amor exige mais de mim do que consigo dar. Não consigo dar nada. Sinto-me ardida por dentro, como se um bando de hereges tivesse vindo para dentro da minha alma e queimado tudo o que restava. Queria ser feliz com alguém. Queria fazer alguém feliz. Não consigo, e a percepção disso faz com que um vazio enorme cresça dentro de mim e me encha, consumindo-me com esta solidão, como se fosse um deserto, sem vento nenhum a percorrer estas dunas.. Sem som.

E a tristeza abate-se, como um manto negro que não deixa ver a felicidade em nós, vemos a dos outros e a inveja surge. Inveja de não conseguir ser feliz. De não ser feliz. De não ter ninguém que nos agarre a mão, que nos beije ternamente, que seja a primeira pessoa que vemos quando acordamos, a dormir tranquilamente ao nosso lado, de não ter com quem rir às gargalhadas, apenas os nossos amigos, que vão ficando comprometidos e casados, e mudam de terra, de profissão, de amigos também...

A solidão pesa, é um peso de 500 kg em cima da alma, e esta arrasta-se penosamente, como se o simples facto de acender um cigarro exigisse um esforço sobrenatural. Arrastamo-nos aqui, sobrevivemos. Não vivemos.

Publicado por omelete em 06:52 PM | Comentários (0)

julho 09, 2005

Conto - A Gare

O frio entra-me pelos ossos e aperto o casaco de fazenda contra o meu corpo. Os bancos da Gare estão gelados e duros, desconfortáveis como um bloco de gelo gigante. O que me rodeia é uma estrutura de metal que sobe em arcadas, interlaçando-se umas nas outras, formando uma floresta de folhagem escurecida pelo fumo das locomotivas, que se abate sobre as pessoas, agitadas neste dia de Inverno.

É quase Natal, casais que não se viam há tanto tempo, abraçam-se entusiasmados, a guerra neste dia está lá longe, numa terra de língua estranha que poucos compreendem. A língua onde cospem as palavras, da arrogância, do medo. O medo de perder os filhos, de perder tudo, de perder até o que não se tem, o que não se sabe se se tem, a alma. Nessa terra longínqua, almas sofrem e perdem-se em chaminés gigantescas, as cinzas caem sobre as terras fertilizando-as de desgosto e tristeza.

Do outro lado desta efémera felicidade dos casais, vejo mães que choram desesperadas por receberem apenas um dos filhos dos dois que mandaram para uma guerra injusta. Os pais perdem os filhos varões, as mães perdem o seu consolo, perdem uma alma à qual deram de sustento desde o momento em que foram concebidos.

Do filho sobrevivente fica a expressão preocupada, de desespero, de ‘Porque foi ele e não eu ?”. Afinal, o mais forte morreu. Aquele que tinha as melhores notas, que era o melhor desportista, de quem a mãe gostava mais, que tinha sido o primeiro a ser lançado ao mundo, o primeiro a ser retirado dele.
‘Eu não queria estar aqui. ‘

Ninguém sabe o que o filho sente. Ninguém compreende. O desespero de ver um do seu sangue desaparecer num bombardeamento. De nunca mais o ver. De sempre ficar a dúvida de que se realmente terá ido ou terá ficado, e aquele nome nas listagens não é apenas uma confusão. Se não será nenhum anónimo que confundiram com o seu irmão.
‘Está vivo, eu sei que está’

A mãe abraça-o, beija-o. ‘Meu filho, meu filho’. O pai, homem de carácter militar, não se desmancha tanto. Fica desiludido. Nunca pensou. O primeiro filho varão desaparece, em cinzas, em pó, no meio de edifícios desfeitos pelos bombardeamentos, numa terra que não é a dele. Enterrado? Não há corpo para enterrar. Apenas um nome, um nome que aparece nas listagens. É este o funeral. Um conjunto de letras numa folha de papel.

O teu nome não apareceu nas listagens. Não apareceu em lado nenhum. Aguardo-te. Espero-te aqui ao frio, nestas vésperas de Natal que não me aquecem. Não sei se apareces, não sei nada. Não houve telegramas, notícias. Apenas esperança de que saias duma dessas carruagens, e que venhas até mim, e que eu te leve para casa, te faça o jantar e cuide de ti, como se tivesses ido embora apenas por um dia e não por um ano.

A Gare vai esvaziando e tu não apareces. Esfrego as mãos umas nas outras e começo a pensar. Será que se esqueceram de pôr o teu nome nas listagens, farás parte daqueles conjuntos de cinzas? Sem identificação. As pessoas vão escoando, muito poucas aquelas caras de felicidade. Alguém perde alguém, alguém deixou a sua alma lá longe, muitos olhos vidrados com imagens de horror. Como se a câmara fotográfica do cérebro tivesse fixado apenas aquelas imagens, para sempre recordar.

As lágrimas caem-me e não quero pensar que não te vou ver mais.

Uma locomotiva atravessa a entrada da Gare, transporta apenas uma carruagem. O seu fumo não tem cheiro, a sua travagem é suave como se não se tratasse de uma amálgama de ferro, e sim de uma almofada de penas. Trava em minha frente. Estou gelada.

E tu sais.
Não sei, devia saltar-te, abraçar-te. Ter-te, possuir-te. Ver-te, beijar-te, sentir-te. Mas paro. Os teus olhos já de si azuis, parecem um icebergue. Diriges-te a mim, estendes-me a mão, branca, sempre foi branca, que tolice esta. A medo, estendo a mão. Apertas-me e levantas-me até os nossos olhos se fixarem. Beijas-me. Deus, estás tão frio. Estás gelado. Deixa-me aquecer-te, a lareira está acesa.
‘Não posso ir’

Os meus ouvidos negam-se a aceitar o que escutaram.
Vem.

‘Querida, não posso. Tenho de regressar.’

Não quero. Fica comigo. Cuidarei de ti. Sempre. Não te posso deixar ir outra vez, não assim. Há um ano que não te vejo. Há um ano que não fazemos amor. Há um ano que não te ouvia. Adoro a tua voz. Fica.

‘Tenho de ir. Só vim dizer… Quero que tenhas um bom Natal. Manda um beijo à nossa filha.’

Dos dedos dele salta a nossa aliança de casamento para a palma da minha mão. Não me faças isto. Fiz-te algum mal?

‘Do pó venho e ao pó tenho que voltar. Compreendes?’

Não.
Não vás.
Não me deixes.

Ele beija-me de novo, os lábios dele gelados. Fazem-me tremer de frio, não é prazer. Ele aperta-me o casaco ‘Não quero que tenhas frio. Tens a eternidade toda para isso.’ E sorri. Vira costas e re-entra na carruagem. Não.
A locomotiva entra em andamento e faz marcha atrás. Não o consigo vislumbrar através das janelas da carruagem. Amor, volta.
A noite põe-se, o comboio desaparece no horizonte escuro. Abro a palma da mão. A aliança, dois aros, um de ouro e outro de prata, simples, uma coisa simples para um sentimento tão imenso.
Onde estás?

Vou para casa. Abro a porta lentamente, e a nossa filha vem até à porta. Espreita para detrás de mim, mas só vê uma rua vazia. Estou sozinha.
O pai?
Não veio.

Pego nela ao colo e subimos até ao seu quarto. É tarde, tens de dormir. O pai? Não pôde vir. Tenho saudades dele. Também eu filha. Amanhã é Natal. Pois é. Ele mandou-me alguma prenda, mamã?
Tiro-lhe o fio de prata do pescoço e nele enfio a aliança. Com delicadeza, fecho-o no seu pescocinho. Aqui tens. A prenda do teu pai.
Ela mira e revira o anel. Reconhece a aliança, mas não comenta. É meu? É. Dorme agora linda. Bons sonhos.

Deita-se na sua cama e puxo-lhe os cobertores para cima. Beijo-lhe a testa, saio silenciosamente do quarto e sento-me.

Amanhã chegará uma listagem. O teu nome estará nela. Obrigado por te despedires.

Publicado por omelete em 08:22 PM | Comentários (0)

Retorno da Guerreira

Aqui estou de volta, após longoooooooosssss meses de ausência na Internet.. Desses meses de ausência, uma das novidades é que o e-mail de envio para mensagens (omeletez@yahoo.com.br) tinha sido desactivado. Nesta altura, já o reactivei, por isso se alguém quiser enviar cartas de amor, cartas de ódio ou simplesmente um hello, já pode...

Destes meses, além da ausência de net, falo da ausência de companhia. A única companhia sou eu própria. Depois de algumas tentativas falhadas de tentar manter relacionamentos, cheguei à conclusão de que a solidão é a melhor companhia e conselheira.

Mudei de escala horária no trabalho. Agora, trabalho à noite, num bar. Diferente psicologia das pessoas. Considero isto como um part-time, pois tenho que me agarrar à carta de condução com unhas e dentes, o que me pode permitir uma nova vida, mais organizada - embora ela esteja bastante organizada agora - mais estável e mais livre... o que mais me aborrece é estar dependente de transportes públicos ou boleia cada vez que me apetece ir a algum lado. Ainda por cima, com o calor, os autocarros ficam empestados de uma mescla de cheiro de protectores solares, perfumes, suor e outros odores corporais que se libertam contra vontade do proprietário do corpo.

Os turistas começam a invadir as lojas, as praias, as ruas e as noites, alegrando um pouco esta cidade triste durante o ano.. Cinzenta, com mentes tacanhas e incultas, que desconheciam o atentado em Londres ou que nem se interessam. Não se interessam que Portugal é o único país que falta ser atingido pelos terroristas, não querem saber de nada. Queixam-se, mas nada fazem para alterar o seu rumo de vida.

Já volto.

Publicado por omelete em 07:28 PM | Comentários (0)

fevereiro 27, 2004

Moda Primavera no Omeletes

Pois é, o tempo começa a aquecer (deveria aquecer um pouco mais, estando aqui no Algarve, mas acho que o Departamento de Controle das Estações do Ano não tem livro de reclamações), as nuvens começam a deixar o céu, que se deixa descobrir azul e límpido. A tendência chegou aqui ao blog e decidi mudar de visual.
[Mais sinceramente, por causa da insónia com que estou e do branco da página que tem tendência a magoar os olhos e a custar a ler]

Por isso, fica aqui o blog renovado. Digam se gostam ou não. (não que eu me importe muito se gostem, lol ;-)

Publicado por omelete em 09:52 AM | Comentários (2)

fevereiro 14, 2004

Dia dos Namorados

Para os que têem namorados, namoradas, noivos, noivas, maridos e mulheres, lembrem-se de que o dia dos namorados é só um dia por ano e que o amor não deve durar ou ser lembrado apenas nesse dia..
Para os que não têem nada disso... Um óptimo dia para eles também e lembrem-se de quem amam de uma forma especial, seja da vossa família ou do vosso círculo de amizades.. :-)

Publicado por omelete em 12:43 PM | Comentários (2)

fevereiro 10, 2004

Actualizações de Hoje

Andei hoje a deambular pelos blogs alojados no servidor do SAPO.

Este, Divã da Queca, é um lugar onde o sexo é tratado de forma séria, conjugando-se com contos erótico-dramáticos, sensíveis. Podem escrever para lá, exporem os vossos problemas, as vossas histórias.

O outro, Gothika, elogia o estilo de vida gótico,uma rapariga que escreve extraodinariamente bem e que gosta de discutir assuntos filosóficos, pelo que percebi, e budismo. Aliás, deixo aqui uma frase retirada do seu blog:

"Se tiver frio acenda uma fogueira; se fizer vento abrigue-se em casa; se chover espere que passe. Não esconjure o tempo, desfrute da beleza da noite, do vento e da chuva. Mais vale acender uma chama do que amaldiçoar a escuridão. Se estiver só, nunca estará sozinho. Esta é a mente tranquila!" (frase de Prof. Kiber)

E depois temos este. Um susto. Um blog onde os comentários intercalam palavras com smileys, bonequinhos e mais mariquices, que apenas contribuem para o não seguimento do texto, que custa imenso a ler. Especialmente quando aparece aquela cruzinha típica no lugar da imagem. O que é comum neste blog. Aqui fica para verem: Grilinha

No SAPO, temos um blog que nos permite converter-nos ao cristianismo, é só mandar um email e aí está, ajuda instantânea, online ou via correio.

Publicado por omelete em 09:34 PM | Comentários (3)

fevereiro 08, 2004

O jornalista da TVI

Ia eu ontem com um casal meu amigo na Rua de Santo António quando reparei no ar ameaçador de um jornalista caixa-de-óculos-mongo (sim, o ar de mongo tem um ar assustador pelo seu aspecto, presumivelmente inocente, de anormalidade), de microfone em punho, como se se tratasse de um revólver e acompanhado do seu cavalo (vulgo cameraman), a preparar-se para se dirigir a nós numa tentativa de recolha de opinião. Eu ainda consegui desviar-me da sua mira, metendo-me no meio de um grupo de camónes. O casal meu amigo é que não, mas a tentativa do jornalista saíu frustrada, ao ouvir a resposta à sua pergunta de "Qual a sua opinião sobre..." - "Não, obrigada".
Ficámos na ignorância de não saber qual era o assunto em que pretendiam a nossa humilde opinião de povo deste país. Seria o caso Carlos Cruz vai-fica na prisão? Seriam os impostos? O novo parque de estacionamento em construção na baixa de Faro?

Os toxicodependentes em recuperação tentam vender as revistas "Cais", os Jeová converter-nos a um Deus que já sabemos que provavelmente existe ou nem por isso, as crianças sujas tentam tirar-nos uma moeda da carteira, para os pais poderem gastar. E agora, vêem os jornalistas de rua (provavelmente à espera de uma promoção ou do reconhecimento do seu talento para poderem investigar "furos" jornalísticos na cidade) pedirem uma opinião.

Será que não sabem que as câmaras inibem muito boa gente? E que nem toda a gente quer gastar os seus 15 minutos de fama para a TVI, de forma a que a Manuela Moura Guedes, com aquela boca de charroco, possa comentar o nosso comentário, sem respeitar uma das regras básicas do jornalismo que é reportar as noticias de forma imparcial e objectiva?

Vejamos, as crianças (de casos de pedofilia), são tratadas como "putos" ou "miúdos". Isto é um dos casos flagrantes que se pode observar todos os dias no telejornal da noite da TVI, a partir das 20h00m, quando investigam casos de pedofilia, infelizmente cada vez mais recorrentes.
Outra foi o caso das 4 ou 5 brasileiras que teriam sido assassinadas e enterradas num quintal, segundo o testemunho de uma só pessoa, entrevistada pelo referido canal de televisão. Resultado, o Ministério Público conseguiu um mandato de busca, deram cabo do quintal do homem com uma retroescavadora e, "afinal", não havia nada.

Segundo o Código Deontológico do Jornalista, "O jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo e considerar a acusação sem provas e o plágio como graves faltas profissionais".

Desde quando se baseiam notícias apenas numa voz? Numa pessoa? Onde está a investigação que deve ser feita? E porque é que o Ministério Público vai atrás de notícias destas? Calúnias não são notícias.

Publicado por omelete em 04:32 PM | Comentários (1)

janeiro 15, 2004

Nevoeiro


Barbara Breen - Trees in Fog, Cleveland [1994]

De tempos a tempos, apareces do nevoeiro da minha mente. Esquecido, mas relembrado. Surges de dentro da névoa do esquecimento, um simples fantasma no princípio. As tuas linhas vão-se definindo, e eu consigo ver a tua face como há eternidades não a via. Jovem, sem sinal de velhice. Consigo discernir a expressão nos teus olhos, as pupilas, a retina. Agarras-me as mãos, suaves, e leva-las aos teus lábios perfeitamente desenhados. Um toque suave, esse.. Relembras-me do teu esquecimento, vens quando já te tinhas ido... Há quanto tempo foi? Há tanto...

Depois, olhas para mim. Fixas os teus olhos nos meus e sinto um abismo súbito. As árvores afastam-se de mim, tu afastas-te, os teus traços a definharem, a serem apagados pelo tempo, o teu toque suave, tudo a ser levado por este fluxo temporal onde vivemos..

Acordo.
Não te vejo ao meu lado.
Há quanto tempo te foste, meu amor?

Omelete..

Publicado por omelete em 03:25 AM | Comentários (0)

dezembro 31, 2003

Adeus Ano de 2003

Último dia de 2003.
Dia para relembrar o que aconteceu este ano no Mundo, em Portugal, na nossa vida e na dos que nos rodeiam.

Não ajuda muito na fama de 2003 a crise económica que o nosso país atravessou, os sucessivos acusados de pedofilia, as notícias que invadiam os jornais com Carlos Cruz preso, o Pedroso preso preventivamente.

Saddam Husseim capturado.

As empresas que fecharam um pouco por todo o país e que contribuiram para o aumento de desemprego.

Os incêndios que transformaram uma boa percentagem desta terra à beira-mar em cinzas, desalojando muitas famílias.

As manifestações contra as propinas.

O envio de GNR's para o Iraque.

A ministra Ferreira Leite e os seus apertos de cinto para os portugueses.

O aumento dos preços em tudo.
O aumento do descontentamento.
O aumento de casos de depressão e suícidios.

A obesidade nas crianças portuguesas, a fome nos países africanos.


Vamos ver se 2004 corre melhor. Com desafios ultrapassados, sonhos concretizados, dinheiro no bolso, emprego para todos, resolução do caso Casa Pia, etc..

BOAS ENTRADAS em 2004 para todos!!!!

Publicado por omelete em 04:35 PM | Comentários (0)

dezembro 29, 2003

Mensagens de Ano Novo

Publicado por omelete em 12:54 AM | Comentários (1)

Azáfamas de Natal

O Natal cansa.

As compras de Natal feitas à última da hora, a deslocação até casa dos familiares, o mastigar aquele jantar delicioso e almoço apetitoso de Natal, a mesa cheia de doces que enchem o olho mas já não têem espaço no estômago. A alegria de abrir os presentes esperados, a desilução dos que não se queria nem se estava à espera de receber porque não queríamos. A inocência daquelas crianças que ainda acreditam no Pai Natal e não dão conta dos pais que rebentam com a conta no cartão de crédito e no de multibanco, nos cheques e no dinheiro que resta na carteira.

Os bolos reis de todos os tamanhos, feitios e sabores.

A "obrigação" social de desejar Bom Natal a toda a gente, mesmo aqueles vizinhos que a gente nem pode ver pela frente no resto do ano.

A pena que temos de não podermos passar o Natal com todas aquelas pessoas de quem tanto gostamos, da família, dos nossos laços de amizade e amorosos...

Os papeís de embrulho que não passam de produto para reciclar depois das festas de Natal.

Os stresses dos gastadores em Janeiro quando se apercebem que gastaram mais do que tinham.

Com isto tudo e muito mais que se podia escrever sobre os gostos e desgostos do Natal nesta actualidade a 100 à hora e moderna, espero que tenham passado um bom Natal.. Não necessariamente com muitas prendas, mas especialmente com paz e sossego. E felicidade, claro está.

Publicado por omelete em 12:37 AM | Comentários (0)

dezembro 28, 2003

Zangas no Antigo Egipto

A mansão do meu amor tem portas duplas,

Abertas de par em par.

Agora que se dana zangada

Eu queria ser o seu guarda

E receber as chicotadas da sua língua.

Assim poderia ouvi-la quando está zangada,

Como o ouriço novo a chiar de terror.

Publicado por omelete em 12:28 AM | Comentários (0)

novembro 14, 2003

Desculpem lá

Desculpem lá não ter actualizado o meu blog. O trabalho não dá descanso, o descanso necessitado não espera, os sofás aguardam e chamam-me com o seu apelo sedutor quando chego a casa. Ando a fazer horas extra, é necessário para ter alguma coisa na vida, estive com muitas preocupações nesta semana que passou, desculpem lá, mas peço a vossa compreensão.

Abraços a todos :-))

Publicado por omelete em 12:31 AM | Comentários (1)

novembro 04, 2003

Fechar os Olhos, Adormecer, Dormir...


Vou-me deitar agora. Os lençóis aguardam-me, ansiosos pela minha presença. Eu ansio pelos cobertores a aquecerem os meus pés gelados. Adoro a minha almofada, levo-a sempre nas minhas viagens, não há melhor companhia. Relaxa-me bater na almofada para a pôr da maneira que eu quero, o seu tecido de flanela quente contra o meu rosto. Viro-me várias vezes até encontrar a minha posição de adormecer. Sim, porque a dormir mudo várias vezes. Ajeito os cobertores até às orelhas, porque as tenho também geladas. Cerro os olhos e só escuridão. Vou adormecendo.. Penetro no fundo do meu subconsciente e aí vejo filmes, os meus sonhos e os meus pesadelos. Altero-os se não me agradarem. Embalo-me neles quando gosto, dou-lhes incentivos, as minhas esperanças futuras. Construo castelos no ar, vôo, mergulho no Oceano, tenho encontros com personagens estranhos em locais estranhos, inexistentes. Deixo a minha mente fantasiar à vontade.

E, de súbito, como se apenas 1 segundo se tivesse passado após adormecer, ouço o despertador do telemóvel a tocar, e apetece-me que, esse sim, se torne num sonho e que os meus sonhos se tornem realidade..

Ainda não aconteceu. Não estou na 5ªdimensão, mas sim na dura vida real, com barulhos de telemóvel, despertadores, o despertar sonolento de uma pessoa despenteada, o tomar um duche quente para despertar, o pequeno-almoço simples, o vestir bem quente e pentear o cabelo rebelde. E o ir trabalhar. É pena não ser um sonho. Mas é bom ter sonhos que nos dão alento para a vida e nos abrem os olhos para o que nunca pudemos ou puderemos vir a ver e a reparar...

Publicado por omelete em 01:09 AM | Comentários (2)

novembro 02, 2003

Quero dizer Adeus

Ando pela rua, sinto as gotas de chuva gelada a bater-me na cara, o reflexo das nuvens escuras nas minhas pupilas, o relâmpago é o meu bater do coração. Vou escorregando nos passeios e não chego a cair. A tristeza abate-se sobre mim, como a chuva se abate sobre a cidade, escurecendo-a, entristecendo-a. Quero-te dizer adeus mas não consigo. Estás longe, enterrada a 2 metros abaixo do chão. Quero-te dizer adeus pessoalmente e continuar a seguir a minha vida, não consigo. Só me lembro de ti, já me deixaste. Trocaste-me por uma caixa de madeira, por vermes a devorarem a tua carne até deixarem os ossos, pelo Tempo que não tem misericórdia e que há-de fazer-te desaparecer sem me dizeres adeus.

Disse-te "Até Logo", não sabia que era a última vez que te ia falar, a última vez que te via ali na cozinha a fazer o pequeno-almoço para o meu irmão, não sabia. Desculpas-me? Deveria-te ter dito: "Adeus, mãe", mas apenas um "Até logo", como se não acontecessem acidentes, nem ataques de coração. Nem nada.

O meu irmão não percebe, para ele desapareceste. Não há retorno. É mais novo, lembrar-se-à menos de ti? Eu tenho-te todos os dias aqui, dentro de mim. A saudade de te ouvir a acordar-me para não chegar tarde a qualquer sítio, a bela açorda à alentejana que fazias, a roupa a cheirar bem, a tua cara a cheirar a creme Nivea, elegante como sempre. O teu cabelo impecavelmente arranjado, mesmo no dia do funeral. Tive a sensação de que estavas viva e de que te iam enterrar viva. Queria-te sentir, ver um movimento, por muito leve que fosse. Talvez as lágrimas iludissem. Talvez os anjos da igreja. Ficas-te... Hirta, fria. E foste. Sem dizer-me adeus.
Apenas...
Até logo.

Publicado por omelete em 12:59 AM | Comentários (7)

outubro 29, 2003

A tua Voz

Sinto falta da tua voz quente, do abraço silencioso que ela dava através do telefone, quando estavas longe em trabalho. Sozinha na varanda, ao ar da noite, pressinto a tua presença invisível ao meu lado, mas tu não estás lá, não sei se estás ou não estás, fico sempre naquela dúvida, porque olho para o meu lado e apenas vejo a noite, a luz do luar sobre aquela árvore que plantaste com tanto gosto quando o nosso filho nasceu.

Vou envelhecendo e tu ficas sempre igual. Quando estou triste, parece que apareces, tal fantasma, poisas a tua mão fria na minha, sinto um arrepio na espinha como se estivesses lá.. Mas não estás, só a noite fria e insensível.
A casa está vazia, o filho já está casado e com filhos, lá longe, no norte. A árvore está bem crescida, viçosa, apenas amarelada pelo rigor do Inverno. Mantenho-a viva, tu moras dentro dela, a tua lembrança.

Faz-me falta a tua voz. Não gosto que telefonem a perguntar por ti. Gostava que pusessem uma campa sobre o teu nome na lista telefónica, adorava ser a única a lembrar-se de ti. Sou egoísta por ti. Quero-te só para mim, quero que o mundo esqueça que tu já viveste, odeio que chamem por ti ao telefone, odeio ver cartas endereçadas a ti. Derramo lágrimas quando te chamam, lágrimas de saudade, de amor, de bons momentos, de tristeza por já cá não estares.
Quero guardar a tua voz. O teu nome. Apenas dentro de mim. E que ela morra comigo, nunca me abandone...

Publicado por omelete em 11:58 PM | Comentários (5)

outubro 22, 2003

Fica-te Assim

Dormes sossegado, sem preocupações, como se deve dormir. Sentada a teu lado, observo-te, uma criança em corpo de adulto quando está a dormir. Não há diferença. Os "crescidos" ficam crianças quando dormem. Não mudam de posição desde pequenos. As preocupações deixam-se nas pantufas, as chatices na casa de banho, o sol fica lá fora, impedido de entrar pelas janelas encerradas. O luar penetra no nosso cérebro, provocando os sonhos e pesadelos, escadas sem fim, labirintos insolucionáveis, pessoas que não existem, pessoas que já existiram, locais de sonho e de tempestades.

Acaricio-te a cara e imagino-te daqui a uns anos. Será que vais ficar com muitas rugas? Como será que o cabelo irá embranquecer? Estaremos juntos? Acontecerá alguma coisa?

De repente, sinto que quero segurar todos os momentos que posso passar contigo nas minhas mãos, pequenas demais para manter tanta imensidade, e guardá-las numa arca bem protegida. Não quero perder esses momentos, não os quero marcados por cicatrizes desnecessárias, de erros feitos. Quero manter-te assim no meu coração e na minha cabeça. Não me imagino sem ti. Fazes parte do meu mundo e eu faço parte do teu.

Fica. Não morras. Não definhes. Receio as doenças, a velhice, o definhar do ser humano, os funerais dos animais de estimação, o tempo perdido...

Publicado por omelete em 12:19 AM | Comentários (2)

outubro 21, 2003

Falhas do Coração

O coração falha quando menos se espera. Falha quando menos os outros esperam. Não há avisos. Apenas uma picada súbita. Talvez a sensação de vertigem súbita, a escuridão sem fim. O coração parado, desprovido do seu baterista. Alguém que nos transporta para o Hospital. Barulho, doentes de um lado e do outro. A inconsciência do que nos aconteceu. A consciência dos familiares, amigos, a sua preocupação, nervosismo, pressentimentos de que aquilo pode ser mais do que uma falha. Pode ser uma avaria sem reparos.

A despreocupação de estar livre desta cápsula que nos alberga aqui na Terra. A preocupação de ter perdido um ente querido do qual ficaremos sempre com a sensação de que partiu demasiado cedo, que tinha tantas coisas para presenciar, tantas coisas para conversar, para discutir, para amar. O stress de estar no Hospital à espera de notícias. A notícia de que ele desapareceu. Morreu. Faleceu. Foi para as estrelas, para os mais pequenos. As lágrimas que irrompem sem controle, os abraços à família, aos amigos. O telefonema para o trabalho para dizer que amanhã não pode ir trabalhar, apetece-lhe ficar naquele luto algum tempo, mas o tempo não tem sentimentos e continua a avançar, rápido sem dar oportunidades a lutos prolongados. É o nosso mundo de hoje. Acelerado.

Foi o que aconteceu a uma colega minha de trabalho. A mãe morreu-lhe de ataque cardíaco... Os meus pêsames sinceros, Sandra.

Publicado por omelete em 10:40 PM | Comentários (1)

Gatos com Cio

Não há pior coisa do que ter um gato em casa com o cio. Não há mesmo. Rastejam como se num exercício de comandos estivessem, fazem operetas para os vizinhos ouvirem, ficam chatos e extremamente 'pegajosos'. Acordam a meio da noite e decidem andar a rebolar pelo chão. Ficam estúpidos. Um animal inteligente que fica estúpido quando está com o cio. De alguma maneira, também os seres humanos ficam 'estúpidos' quando estão a precisar urgentemente de dar uma queca... Necessidades fisiológicas. Enfim..

Publicado por omelete em 01:31 PM | Comentários (4)

outubro 14, 2003

Ainda do Tabaco...

Reparei que os maços de tabaco têem aqueles dísticos ridículos. As cigarrilhas também. Nos charutos ainda não reparei.

Mas no que reparei é que nas carteiras de tabaco para enrolar ainda estamos livres dessa perseguição de frases deprimentes e às vezes cheias de "gozo" (como aquela "Fumar é altamente viciante. Não comece a fumar"). Não conheço ninguém que vá comprar tabaco só por desporto, a não ser que seja o filho dedicado de algum pai que vá comprar. E mesmo assim, é proibido vender a menores de 16 anos.

Bom, agora passei a fumar tabaco de enrolar. Se não tem avisos, pode ser que faça menos mal. Mas ao menos não tenho de aturar a literatura dos maços de tabaco. E fica mais barato. Cada carteira de tabaco custa €1,50, os filtros e as mortalhas também não são muito caras, e pelo preço de um maço de tabaco posso fazer 50 ou mais cigarros. Vale a pena.

Quero ver se deixo de fumar. Isto é um vício dos grandes.
Mas acho que todos os fumadores têem consciência disso e querem deixar. Mesmo que seja só um pequeno bichinho dentro deles. Que vai crescendo proporcionalmente aos anos de Fumador.

Porém, não é pelos avisos que deixam. Ainda torna mais apetecível. Fruto proibido é mais apetecível.

Publicado por omelete em 08:11 PM | Comentários (2)

outubro 12, 2003

Os Jeová

Elas andam aí.
São velhas.

Andam aos pares.

Não parem quando as virem a dirigirem-se na vossa direcção.

Fiquem surdos quando elas digam "Só lhe queria ler uma passagem da Bíblia."

Não esperem que elas tirem a Bíblia.


Fujam o mais depressa que puderem.

Refugiem-se num supermercado, num prédio, num caixote de lixo.

Pergunto-me se Deus pagará horas extraodinárias para estas CHATAS de JEOVÁ nos interpelarem a um Domingo. Eu sei que é dia de ir à igreja. Mas se quiser ir, sem bem onde é...

E a Bíblia há em qualquer Biblioteca pública para se poder ler umas "passagens".

Se elas fossem como as gajas a seguir, se calhar atraíam mais a atenção.. Pelo menos, da parte dos homens...


Publicado por omelete em 08:28 PM | Comentários (4)

outubro 11, 2003

Português "Arranhado"

Imaginem...

Vão a um restaurante com um grupo de amigos.. O empregado de mesa parece que fugiu num foguete. Quem vem à mesa tirar o nosso pedido é o cozinheiro.

Imaginem.. O cozinheiro é que vos traz a bebida. Traz-nos as entradas, os pratos principais, pergunta-nos o que é a sobremesa, trás a sobremesa.

Imaginem... a empregada (Afinal é empregada) passeia-se no restaurante, bamboleia as ancas como se estivesse numa passerelle ao lado da Cindy Crawford. Não é portuguesa. Percebemos quando ela vem à mesa e nos fala em espanhol "Quieren algo mas?"

Pedimos 2 cafés duplos, 2 cafés normais. Um whisky.
De volta (passado meia hora e um cinzeiro cheio), trás os dois cafés duplos.. com colheres de café normal. Pequenas para o tamanho da chávena. O whisky fugiu. Talvez também num foguete.

Com delicadeza, voltamos a pedir os 2 cafés. E o whisky, claro. Ela resmunga entredentes, atira com o rabo de cavalo para trás e abanando-se ainda diz que "Ahora vai demorar um bocado". Arranhando o português, sempre.

Olhamos uns para os outros e perguntamos quem estará a pagar o ordenado a esta espanholazita de meia-tigela. Será que ela não percebe que são os clientes???

Voltaremos lá. Mas da próxima, pediremos o livro de reclamações. E ai dela que não perceba o que dizemos. Em bom português, claro.

Publicado por omelete em 01:17 AM | Comentários (0)

outubro 10, 2003

Karaté SPAM!

AiiiiiiiAH!
Sou o seu insecto favorito!! Pratico KARATÈ contra todo o spam que recebe!!

Não há nada mais aborrecido que irmos darmos uma olhada ao nosso email e encontrarmos montes de emails que não foram pedidos, que não nos trazem nada de interesse e que ocupam IMENSO espaço na nossa caixa de email.
É o chamado Spam, Bulk Email, Mass Email.

Ora, vejamos o que tinha eu hoje no email. Ofertas de cartões de crédito, de produtos milagrosos para perder as gordurinhas indesejáveis, livros grátis na compra de um, cinco garrafas de vinho da California na compra de três, carros fabulosos à sua espera mesmo ali ao virar da esquina, as dívidas que você não tem, mas que se podem resolver à mesma mediante o sistema de crédito e "ajuda" do banco não-sei-quantos, sistemas de ganhar dinheiro "INFALIVEIS!!" (então, porque é que os partilha com toda a gente?? Não será melhor guardar os números do totoloto para si?), pílulas, tudo o que possam imaginar!! Vestidos para o seu gato, cão, cupões grátis, cartões de visita, concursos de currículos, amostras de champô e um convite para a Conferência de Fonoaudiologitas Neonatais, em São Paulo.

Quando pensamos que não há mais nada... Eis que surge algo novo.. De que não fazemos a menor ideia do que é. Será alguma nova medicina natural, alternativa ??

[Imagem retirada do site Explore Cornell - Carbon Dust Illustrations]

Publicado por omelete em 12:51 AM | Comentários (1)

outubro 06, 2003

Telefonema Fatal

Naquele dia, ela foi trabalhar como normalmente. Sentou-se ao telefone e foi digitando os números de telefone da lista que tinha em frente. “A ver se hoje consigo vender pelo menos uma embalagem de vitaminas”.
Em 8 horas de trabalho, ouvia mais pessoas através do auscultador do que a maioria do mundo ouvia durante uma semana inteira ou mesmo um mês inteiro.
“Não estou interessada”, “Isso são mentiras”, “Já sou velho, as vitaminas não são Viagra, pois não?”

Ouvia todo o tipo de respostas.
O número de telefone a seguir revelou-se uma surpresa num trabalho que normalmente não tinha grandes surpresas.
“Ajude-me, por favor, ajude-me”
Desligaram.
Ela voltou a ligar no segundo imediatamente a seguir.
A menina da empresa de telecomunicações respondeu-lhe “O número para o qual marcou não está atribuído”.

Saiu do escritório abalada. Isto nunca lhe tinha acontecido.

No dia seguinte, percorrendo o mesmo caminho, voltou ao escritório.
As mesmas respostas monótonas.
Até que chegou a outro número. Especial, podemos dizer.
“Ajude-me, por favor, ajude-me!!!”, com uma voz rouca, vinda lá do fundo. Como se viesse de todo o lado e de nenhum.
Re-ligou. Desligado. A mesma voz gravada da menina da PT. “Não está atribuído”.
“Não é possível. Ainda agora liguei.”

Passado 2 horas, voltou a ligar para outro número da lista, e o mesmo pedido de socorro. Estranho, tão estranho isto.

No dia seguinte tirou folga. Foi ter com um amigo seu na PT.
‘Ouve, diz-me a morada que corresponde a estes números.”
“Mas… Não estão atribuídos!”
‘Diz-me a última morada! É urgente!!”
“Ok, calma. Tenho que ver aqui no computador.. Espera. Parece que todos esses números estão em falta de pagamentos. Eram para ter pago na semana passada. Devem-lhes ter cortado a linha.”
“E o nome?”
“Epá, isso já não te posso dizer! Já estou a quebrar as regras todas daqui! Dou-te a morada e vais com sorte”
“Ok, ok.. dá lá isso..”

A rua era igual. O número da porta também. À excepção do número do apartamento. Todos no mesmo andar. Porta A, Porta B, Porta C.

Sentiu-se puxada por dentro, como se alguém lhe estivesse a arrancar as tripas para fora. Ficou com falta de ar.

“Meu deus, que é isto?”

Levou a mão à testa. O suor escorria. Abeirou-se da janela e abriu-a, não se importando com a chuva e deixando que esta lhe aliviasse a tensão que tinha.

“Tenho de partir. Tenho de ir lá. Alguém precisa de mim… Fodase.”

Tentou resistir. Foi para a bicicleta de ginástica. Pedalou um bocado, mas o peso no coração não se ia embora. Aquela dor de cabeça, os ouvidos estalavam-lhe.

Inconscientemente, pegou na mala e saiu.

“Para onde estou a ir?”

Os pés dirigiram-na. Atravessou ruas e avenidas até chegar à estação. Ficou na fila à espera de ser atendida. Não conseguia ir embora. Era uma estátua ali. Via as pessoas num movimento estranho, muito rápido. Parecia que estava a mais naquele local.

O recepcionista deu-lhe o bilhete. Pegou nele, sentou-se nos bancos à espera que o comboio chegasse. As pessoas à sua volta gritavam, tocavam viola, pediam-lhe esmola. Indiferente. “Porquê eu?”

A viagem foi longa, monótona. Dois dias de trabalho perdidos. Pelo menos.

A cidade era grande, estranha, cinzenta, feia. Foi perguntando às pessoas onde era aquele prédio que a chamava com tanta intensidade. Já era impossível desistir naquele momento. Sotaque estranho, estas pessoas.

Chegou à porta. Olhou para cima. Enorme. Alto. As pernas tremiam-lhe e teve um acesso de vertigem. Vertigem invertida, como se a estivessem a pôr de pernas para o ar. A porta da rua aberta. Um aviso na porta “Se acha que é bom, deixe a porta aberta”. Ela também deixaria.

Cheirava mal. A sujo. O elevador estava no rés-do-chão. Entrou naquele cubículo de 1.5 por 1.5 metros e aguardou a chegada ao quinto andar. Uma sacudidela forte, escuro. Demorou 2 segundos até perceber que o elevador tinha encravado. Bateu na porta. Chamou por socorro. Alto, muito alto. Ninguém a ouvia.

“Socorro, SOCORROOOOOOOO!!!”

O cubículo tornava-se maior no escuro. Apalpando, sentou-se num cantinho seco. A voz já estava rouca de tanto gritar. Não tinha mais forças. O telemóvel não tinha rede ali.

Tirou a garrafinha de água da mala e bebeu as gotas que lhe restavam. “Acabou-se..”. Foi enfraquecendo, o coração batia com menos força.

Ouviu uma voz ao longe..

“Obrigado. Assim já tenho companhia para a eternidade. Vieste e ajudaste-me. Seja Bem Vinda”

Publicado por omelete em 04:02 AM | Comentários (2)

outubro 05, 2003

Feriado Nacional...

A vantagem ou desvantagem do Feriado Nacional (5 de Outubro) calhar num Domingo é que não se notam diferenças nenhumas. Quem tem que trabalhar, trabalha. Quem fica em casa aos Domingos, fica à mesma. That's all for today Folks.

Publicado por omelete em 11:53 PM | Comentários (0)

outubro 02, 2003

As Ironias de São Pedro

Isto é assim. Durante os meus dias de folga esteve chuva, frio, desagradável, não dava vontade sequer de sair de casa. Hoje fui para o trabalho debaixo de sol intenso, quentinho. Ainda tive a consciência de levar uma camisola para o caso esfriar um pouco, mas não. Lá estava ele a rir-se de todos os que tiveram folga e que iam trabalhar hoje encafuados num sítio em vez de irem à praia, ao parque com os filhotes.
Cheguei à conclusão de que São Pedro é um gajo com um sentido de humor deturpado.

Ah! Já podem enviar as vossas sugestões directamente deste blog. À vossa direita encontram um formulário de email ;-))

Fico à espera.

Publicado por omelete em 10:22 PM | Comentários (1)

outubro 01, 2003

Namorados(as) Sequestradores

Acho ridículo o controle que alguns homens teimam em ter sobre as mulheres e vice-versa.
Em vez de se considerarem como dois seres únicos, duas almas únicas que por acaso se juntaram neste teatro da vida, consideram-se um único ser, sendo aquele período em que um dos elementos está a trabalhar, a estudar, no WC, apenas um sacrifício pequeno.

Mas não permitem ter vida exterior. A vida de casal torna-se numa esfera opaca, invisível para os outros mas bem constrangedora para quem está nela.

O namorado de uma amiga minha não "permite" que ela vá tomar café comigo. Sò se ele fôr também. Perguntei-lhe "E se ela precisa de desabafar com um amigo?", resposta "Ela só pode desabafar comigo".

Chamei-lhe machista, controlador de mentes, bruto e insensível. Mas isso não serve de nada. Quem está por fora pouco ou nada pode fazer... Só a ela resta ter um pingo de reacção e reagir de uma vez por todas.


- Vou tomar café com quem quiser!!
- Não, já chega quando vais trabalhar!!! O teu lugar é aqui ao meu lado, juntos, para sempre!
- Eu preciso de falar, de desabafar, rebento assim!
- Não rebentas, está tudo bem entre nós, não vês que está?
- Não está! Preciso de sair sozinha, de respirar sozinha, de desabafar, dos meus amigos, de ideias diferentes, de sítios diferentes!
- CALOU! Ficas aqui e se quiseres ir tomar café, eu vou contigo!! Nem penses em ir sozinha ter com um amigo teu! Era o que faltava! Ainda dizem que andas a pôr-me os cornos!!
- Mas...
- XIU! Vai já para o quarto antes que te dê porrada.

Ou porrada ou qualquer coisa.
Mas tenho a certeza de que ela chora muito. Sinto-o. Talvez quando ele está a dormir, talvez no trabalho, algures. Mesmo que seja só por dentro. Ninguém pode retirar a liberdade a ninguém!

Publicado por omelete em 08:18 PM | Comentários (4)

Gazelas e Patinhos

Já é hora de dormir. Para os mais adultos que se deitam assim tão tarde devia haver um programa dos Patinhos em formato Porno... Talvez lhes atiçasse os apetites para coisas bem carnais na cama.. ou no sofá.

Estou a delirar. Doem-me os olhos desta luz de monitor. Estão a dar gazelas no canal National Geographic. Acho que o que faço melhor é mesmo ir dormir.

Publicado por omelete em 03:36 AM | Comentários (1)

setembro 30, 2003

CHUVA, CINZENTO...

Acordei hoje tarde. Abri as janelas do meu quarto e este foi invadido por uma sensação cinzenta, húmida, triste. As nuvens acompanham o topo dos edifícios, a chuva cai-nos em cima fazendo-nos sentir desconfortáveis. É pior quando as gotas nos entram pelas costas, provocando um arrepio de frio.Odeio ter que andar com casacos impermeáveis (são sempre um ser estranho, daquele tecido impermeável e muitas vezes fazem um som esquisito quando roçamos as mangas com o resto do casaco; queimam-se facilmente; não protegem assim tanto) ou com guarda-chuvas que temos de direccionar conforme a direcção da chuva e/ou vento. Normalmente tornam-se mais um empecilho do que uma coisa útil.Esquecemo-nos deles nos cafés, nas lojas. No emprego. Os guarda-chuvas passam mais vezes de mão em mão do que outra coisa qualquer.

O chão fica encharcado nas ruas. É frequente ver mulheres de salto alto a escorregarem, a tentarem-se equilibrar. Ainda não inventaram sapatinhos de salto alto com sola anti-derrapante. É o que dá para perceber.

Os restaurantes e cafés enchem-se de muitos turistas que lamentam estarem num país onde lhes prometem muito sol e depois chegam cá para terem chuva.

Não gosto de chuva. Finito.

Publicado por omelete em 06:48 PM | Comentários (1)