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Pirataria em tempo de crise

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A Feira dos Santos do Cartaxo já não vive só de castanhas assadas, carrosséis e frutos secos. É uma das galinhas dos ovos de oiro da pirataria audiovisual.

O assador de castanhas quebra o frio do primeiro de Novembro no recinto da feira de Todos os Santos. “Quentinhas!”, grita o homem de tez morena. Ricardo Ferreira, 25 anos, esfrega as mãos calejadas dos golpes do corte das castanhas e embrulha seis frutos em papel jornal. O cliente troca o cartucho de frutos por uma moeda de dois euros.
O pregão ecoa entre a multidão. Mas os clientes demoram a chegar. O fim da tarde aproxima-se e ainda não se ganhou o dia. “O negócio está fraquinho mesmo para as castanhas”. Os risos partilhados com outros vendedores, estacionados mais além, ajudam a passar o tempo e a esquecer a falta de clientes.
As reproduções piratas dos últimos sucessos das bilheteiras e do mundo da música são as grandes atracções da feira. Discretamente as caixas reproduzidas em série vão desaparecendo de uma manta estendida sobre o chão. “Só cinco euros”.
De repente a máquina fotográfica chama a atenção. Um homem de casaco de cabedal, aparece sobre o ombro, e lembra que o registo fotográfico não é boa ideia. A inspecção cultural pode estar ali. Ao virar da esquina. A tradicional Feira dos Santos do Cartaxo não escapa ao roteiro nacional dos locais de venda de reproduções não autorizadas.
Homens e mulheres percorrem a feira apressadamente. Escolhem uma camisola ali. Regateiam seis pares de meias acolá. Um miúdo pendura-se no casaco da mãe. Chora por um brinquedo que viu na barraca anterior.
Nem os tradicionais frutos secos escapam à crise generalizada. Num balcão improvisado à frente do camião da fruta, sobre a protecção da tenda, uma vendedora pesa dois quilos de maçãs. É fruto cultivado à maneira tradicional do Fundão, de onde vem a família de comerciantes. O lucro é quase nada, mas ainda vai dando para as despesas.
Entre as barracas de venda de fruta, apinhadas de maças, peras, figos secos e tâmaras impinge-se o Borda-d’água. Na terra do vinho tinto os agricultores vão sendo cada vez menos. Tal como os clientes dos pontos de venda tradicionais.
“As pessoas vêm à feira, mas saem com as mãos os bolsos”, queixa-se Luís Ribeiro. O comerciante que vende cachecóis coloridos de clubes de futebol. Só o amor ao clube do coração para fazer esquecer a crise.

Ana Santiago 

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