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João Caetano Dias um blogger caçador de imagens

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Engenheiro de profissão e natural de Tavira, João Caetano Dias é o fundador do blogue Jaquinzinhos, que manteve desde Maio de 2003 até Outubro de 2005. O Monstro das Bolachas, texto publicado no Jaquinzinhos que fala sobre a polémica da secretaria de Estado da Agricultura aquando da sua vinda para Santarém ou Golegã, lançou-o para a ribalta da blogosfera. Em Outubro desde ano entrou para o Blasfémias, um blogue colectivo e político que defende os valores liberais e que, de acordo com ele, é o segundo mais lido em Portugal, a seguir ao Abrupto, de José Pacheco Pereira. Além da sua paixão pela web é um caçador de imagens. Um eterno aprendiz completamente amador e liberal. Em 2006, João Caetano Dias pretende acabar o seu livro a partir de textos que escreveu no Jaquinzinhos.

Texto| Paula Fidalgo

O blogue Jaquinzinhos era da sua autoria ou não? Quando foi lançado e que finalidade tinha?

Começou em Maio de 2003 e não tinha nenhuma finalidade para lá de escrever alguns textos de opinião, desconhecendo se alguém iria ler tais textos. O blogue chamou-se Jaquinzinhos porque já havia um chamado Postas de Pescada, o nome que pretendi, inicialmente.

No Jaquinzinhos escreveu um texto intitulado O Monstro das Bolachas. Foi esse texto que o lançou para o mundo da web?

O Monstro das Bolachas http://www.causaliberal.net/documentosJCD/monstrodasbolachas.htm foi um texto que teve bastante impacto, em parte porque mesmo as pessoas mais esclarecidas desconheciam em absoluto o exagero dimensional de muitos organismos públicos. Mas quando o Monstro das Bolachas foi publicado, o Jaquinzinhos já era visitado por 400 a 500 leitores diariamente.

Quando é que entrou para o Blasfémias? O que escreve nesse blogue?

Entrei para o Blasfémias http://ablasfemia.blogspot.com em Outubro deste ano. O Blasfémias é um blogue colectivo e o que une os participantes é a defesa dos valores liberais, que tão pouco espaço têm na comunicação social clássica. O facto de ser um blogue com vários participantes permite-me reduzir o nível de participação de um modo que não é viável num blogue individual. O meu objectivo é escrever 3 ou 4 posts por semana, sobre temas correntes.

Qual é o vosso público-alvo?

Quem escreve num blogue político emite opiniões e de algum modo pretende que as suas opiniões sejam lidas, apreendidas e se possível disseminadas. O Blasfémias é o segundo blogue político mais lido em Portugal, a seguir ao Abrupto, de José Pacheco Pereira. Isto só pode significar que o público que nos lê vai bem para lá do grupo que se identifica com as opiniões emitidas no blogue.
O Blasfémias é também um espaço de debate aberto. O sistema de comentários é bastante participado e muitas opiniões são discutidas e debatidas até à exaustão.
Podemos dizer que o público Blasfemo é um grupo de pessoas que se interessa por política e que gosta de debater livremente alternativas e ideias que podem ou não coincidir com as suas.

Além do Blasfémias está envolvido em mais algum projecto?

Temporariamente, colaboro com o Pulo-do-Lobo http://pulo-do-lobo.blogspot.com, um blogue de pessoas que vão votar em Cavaco Silva nas próximas presidenciais.

Em Portugal existem vários blogues. Na sua opinião, qual é o melhor?

O Blasfémias, evidentemente. Já o era antes da minha entrada.

Como é que um engenheiro vai parar ao mundo dos weblogs?

Da mesma maneira que um advogado ou um sociólogo. Começa-se por curiosidade e logo se vê. No meu caso, os antecedentes vinham do mundo dos fóruns de discussão política na USENET e mais tarde nos fóruns do Público. O fim deste suporte acelerou a vontade de encontrar uma alternativa e a blogosfera estava mesmo ali à espera.

Como encara o desenvolvimento dos weblogs em Portugal?

Com naturalidade. A ferramenta é tão interessante que só poderia ser um sucesso.

É um caçador de imagens… Adora fotografia e tem experimentado várias de autoria/ publicação na rede como em www.lulu.com. Além desta tem fotografias publicadas noutros sítios?

Desde que apareceram os primeiros sites dedicados a fotografia online que participo em vários desses sites, dos quais o mais representativo, enquanto durou foi o Foto.pt (http://www.fotopt.net/). Hoje, mantenho uma galeria com algumas centenas de imagens no Escrita Com Luz: http://www.escritacomluz.com/.

A fotografia é então uma paixão que começou muito cedo?

Começou na universidade e foi evoluindo com naturalidade. A aprendizagem foi sempre empírica, feita de experiência, da leitura ou da troca de conhecimentos com outros fotógrafos amadores.

Fez alguma exposição? Vende as suas fotos?

Já participei em várias exposições colectivas e, habitualmente, não vendo fotos. Cedo a utilização gratuitamente sempre que esta seja para fins não lucrativos. A fotografia é um hobby, sou amador e não profissional.

Diz que é liberal e um eterno defensor do capitalismo…

O capitalismo não é mais do que liberdade económica. Liberdade de comprar, vender, transaccionar, emprestar, empregar ou empregar-se, contratar, investir ou poupar, importar ou exportar. Liberdade de criar, conceber, correr riscos e de reter os proveitos eventualmente gerados pelas suas apostas ou pela aplicação das suas capacidades. Além disso, não nos podemos esquecer das outras liberdades, as não económicas. A liberdade de dizer bacoradas, a liberdade de ser ignorante e a de querer ser ignorante, a liberdade de mentir ou de falar verdade, de inventar, de interpretar, de discordar, de achar que o que os outros escrevem é uma bosta ou a de idolatrar os heróis da moda, a liberdade de ser feliz ou infeliz, amar ou odiar, a liberdade de ser snob, a liberdade de não gostar de liberdade e até de ser contra a liberdade, a liberdade de meter os pés pelas mãos e apontar para o lado, a liberdade de jurar que nunca se terá sistema de comentários e criá-lo no dia seguinte, liberdade de sermos incoerentes, liberdade de não reconhecer a asneira, liberdade de ler branco e dizer que leu preto. Só temos um limite que não devemos ultrapassar. A nossa liberdade em nada pode diminuir o espaço de liberdade dos outros. São conceitos simples. Vai ver que até era capaz de concordar com eles. Lá no fundo, todos temos uma costela de bons liberais.

Que projectos tem para 2006?

Acabar o meu livro com os melhores textos publicados no Jaquinzinhos.

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