novembro 19, 2008

Respirar

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fotografia de Jeff Grant

      
       Vangelis, Love Theme, Blade Runner

Publicado por sol em 11:00 PM | Comentários (14)

novembro 15, 2008

Novembro 15

ESCOLA PÚBLICA DE QUALIDADE EM DEMOCRACIA

Concentração de professores, educadores, cidadãos - 15 de Novembro, 14h
Praça Marquês de Pombal, em Lisboa.

Publicado por sol em 12:00 AM

novembro 13, 2008

Sobre a cegueira na educação

Outro artigo de Carlos Ceia, publicado no Educare, e que aqui reproduzo porque me parece cristalino no apresentar de razões. Tantas vezes me perguntam "mas afinal que querem os professores?", "mas todos são avaliados", "mas a vida está insuportável para toda a gente". Como se alguma lei divina ou inevitabilidade intrínseca tivesse determinado que assim deveria ser e que a todos compete reverente aquiescência perante os maiores dislates, a má-fé, a prepotência e a mediocridade erigidas aos cumes!

Mas de facto não é simples produzir uma explicação. Primeiro, porque o problema é de si complexo; depois, porque há uma permanente, activa e poderosa contra-informação. Enfim, aqui fica o artigo de Carlos Ceia. E, já agora, a indicação de que neste blogue há informação relevante e permanentemente actualizada acerca da questão educativa.



ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA NA EDUCAÇÃO

Carlos Ceia| 2008-11-10

Professor da Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas

Porque foi que cegou a Ministra da Educação, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegou, penso que está cega, Cega que vê, Cega que, vendo, não vê.
- Reescrita livre de um passo de Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago

Tentei compreender o que se está a passar no meu país ferido, fui à maior manifestação de sempre na história da educação portuguesa, na condição de professor apenas, sem olhar a estatutos, e sem ir a mando de ninguém a não ser da minha consciência cívica, mesmo que aparentemente esta não seja a minha guerra.

Um cego humilde, mesmo que não quisesse ver podendo ver, demitir-se-ia e pediria desculpa por se ter enganado num modelo de avaliação que tinha por justo, mas que se revelou, nas suas primeiras experiências práticas, um desastre nacional. O cego continua a não querer ver o que vi com os meus próprios olhos e que ele(a) podia também ter visto, se tivesse amor verdadeiro à causa que jurou defender. Assisti, incrédulo, às diversas explicações da Ministra - cega que, vendo, não vê -, dizendo, em delírio mental, que o que via era uma conjuração sindicalista de professores manipuladores sobre professores manipulados. Nenhum professor rejeita a avaliação, mas o discurso do(a) cego(a) que vê e não quer ver aponta sempre o mesmo dedo à falsa repulsa pela avaliação. Esse cego diz que as escolas estão, nesta data, a proceder à avaliação com normalidade, porém há registo de mais de 1500 escolas a contestarem formal e informalmente um modelo que promove a injustiça, a imparcialidade e a divisão.

Diz o(a) cego(a) que os professores só têm de se preocupar com uma ficha de objectivos, por isso não vê como se podem queixar de sobrecarga de actos administrativos. O mérito que se lhe pode reconhecer é o de ter criado um sistema de avaliação que nem no mais complexo processo de Bolonha no mais complexo sistema universitário alguma vez se viu. A ficha única da mentira do(a) cego(a) é uma sinédoque para dizer que, na prática, estamos a falar da elaboração de documentos e respectivas fichas de registo de competências, grelhas de análise e avaliação, porta-fólios, guiões de objectivos individuais, de auto-avaliação, correcção de testes, de trabalhos individuais e de grupo, trabalhos de casa, produção de fichas informativas e formativas, elaboração de fichas de avaliação formativa e sumativa, reuniões intermináveis e inconsequentes, etc. O que fica de fora - a preparação das aulas, a auto-reflexão sobre o que se ensina - é o que mais devia ocupar o professor. A responsabilidade da criação deste professor-escrivão é da Ministra, porque todos os professores se formaram para serem sobretudo educadores e oleiros do conhecimento.

A actual Escola Pública está mais inclinada do que a Capela de Suurhusen: a opção por aulas de substituição está errada, se se obriga um professor de Filosofia, por exemplo, a substituir um professor de Matemática; a introdução do Inglês no 1.º ciclo está errada, se os professores forem subcontratados no mercado livre, sem habilitações adequadas e ensinando um currículo descontextualizado do programa nacional; a promoção do computador Magalhães está errada, se se pede aos professores do Ensino Básico que sirvam de vendedores de propaganda informática, pois são eles que tratam de todos os pormenores da venda do Magalhães, quando deviam estar ocupados a pensar na melhor forma de o usar nas suas aulas; os critérios que nortearam o primeiro concurso de acesso a professor titular estão errados, se valorizam apenas a ocupação de cargos nos últimos sete anos, independentemente de qualquer avaliação da competência pedagógica, científica ou técnica desses professores; a avaliação do desempenho está errada, se estiver condicionada a parâmetros como o sucesso, o abandono escolar e a avaliação atribuída aos alunos (se se queria um modelo alternativo que não envolvesse uma correlação falsa - sucesso escolar dos estudantes = sucesso profissional dos docentes -, então recorria-se ao actual modelo das universidades portuguesas que fazem inquéritos anónimos anuais aos estudantes, por cada disciplina, e, nos casos em que se detectam problemas denunciados pelos estudantes, os professores em causa são convidados, construtivamente, a corrigir o que estiver mal, sem que com isso estejam a comprometer a sua avaliação profissional); se se constrói um modelo de avaliação em que é possível delegar competências, não se faz tábua rasa do código administrativo e se inclui subtilmente num Orçamento de Estado uma correcção duvidosa para legitimar essa delegação de competências; se queremos melhores professores, não se publica uma lei como o Decreto-Lei n.º 43/2007, que promove a iniquidade da formação de base, excluindo arbitrariamente uns licenciados e protegendo outros, sem que ninguém entenda a filosofia do legislador; se se quer promover a avaliação entre pares e respeitar a hierarquia das habilitações académicas adquiridas, não se monta um sistema em que um docente com o grau de doutor ou de mestre pode ser avaliado por docentes com o grau de licenciado; em vez de promover a aquisição de uma maior qualificação dos professores, embora se anuncie isso hipocritamente, não se publica uma Portaria como a n.º 344/2008, que privilegia a aquisição de mestrados e doutoramentos em Ciências da Educação como habilitação adequada a quem se exige que demonstre depois um desempenho excepcional em termos científicos na sua área de especialidade.

Testemunho de um professor: "Por obra e graça do famoso concurso que distingue os melhores e mais experientes, acedi à categoria (?) de titular (de quê não sei). Sou o professor mais novo (na escola, idade, escalão e tempo de serviço) do meu grupo. Não quero ser titular, só quero ser professor." Será pedir muito a um ministro da Educação, mesmo que seja o mais cego entre os que tudo vêem, que os deixem ser apenas isso, professores?

Publicado por sol em 08:02 AM | Comentários (5)

novembro 09, 2008

Vir à tona dos sonhos

do Expresso Multimédia


E aqui um slideshow que merece ser visto.

Publicado por sol em 01:42 PM | Comentários (976)

novembro 06, 2008

Um dia virá

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Luís Demée, 1966

«Os Fremen eram supremos nessa qualidade a que os antigos chamavam "spannungsbogen", a demora auto-imposta entre o desejo por uma coisa e o acto de estender a mão para a agarrar.»

Frank Herbert, Dune 1-A, Edição Livros do Brasil, Colecção Argonauta Gigante, Lisboa, 1986

Publicado por sol em 03:13 PM | Comentários (10)

novembro 04, 2008

Que se neguen a parir

LAURENT ZIEGLER.jpg
Fotografia de Laurent Ziegler


Mentres haxa un ser humano sen alimento
resignado e humillado por pedir
mentres digan que ennobrece o sufrimento
que se neguen as mulleres a parir!

Mentres diga o poderoso: así é a vida!
canda a vida xa esta cansa de sufrir,
a inxustiza da verdade escarnecida
que se neguen as mulleres a parir!

Mentres sigan sem dicir para que se paren
para ser livres ou escravos dum señor?,
que se neguen a parir ou que declaren
as mulleres para os seus fillos que é mellor?

Mentres sigan, por amor, parindo fillos
para velos condenados a vivir
explotados por hipócritas e pillos
que se neguen as mulleres a parir!

Ramón Sampedro, Cando eu Caia, Edicions Xerais de Galicia, Vigo, 1998


Publicado por sol em 09:01 PM | Comentários (14)

novembro 03, 2008

8 de Novembro

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Alteração:

Os professores concentram-se às 14.30 no Terreiro do Paço, reunem em Plenário Nacional e, às 16h, seguem em manifestação pelo Rossio, Restauradores, Avenida da Liberdade e Marquês de Pombal.

Informação daqui


Publicado por sol em 04:14 PM | Comentários (9)