outubro 22, 2008

La inmortalidad

MONTERO.JPG

Nunca he tenido dioses
y tampoco sentí la despiadada
voluntad de los héroes.
Durante mucho tiempo estuvo libre
la silla de mi juez
y no esperé juicio
en el que rendir cuentas de mis días.

Decidido a vivir, busqué la sombra
capaz de recogerme en los veranos
y la hoguera dispuesta
a llevarse el invierno por delante.
Pasé noches de guardia y de silencio,
no tuve prisa,
dejé cruzar la rueda de los años.
Estaba convencido
de que existir no tiene trascendencia,
porque la luz es siempre fugitiva
sobre la oscuridad,
un resplandor en medio del vacío.

Y de pronto en el bosque se encendieron los árboles
de las miradas insistentes,
el mar tuvo labios de arena
igual que las palabras dichas en un rincón,
el viento abrió sus manos
y los hoteles sus habitaciones.
Parecía la tierra más desnuda,
porque la noche fue,
como el vacío,
un resplandor oscuro en medio de la luz.

Entonces comprendí que la inmortalidad
puede cobrarse por adelantado.
Una inmortalidad que no reside
en plazas con estatua,
en nubes religiosas
o en la plastificada vanidad literaria,
llena de halagos homicidas
y murmullos de cóctel.
Es otra mi razón. Que no me lea
quien no haya visto nunca conmoverse la tierra
en medio de un abrazo.

La copa de cristal
que pusiste al revés sobre la mesa,
guarda un tiempo de oro detenido.
Me basta con la vida para justificarme.
Y cuando me convoquen a declarar mis actos,
aunque sólo me escuche una silla vacía,
será firme mi voz.

No por lo que la muerte me prometa,
sino por todo aquello que no podrá quitarme.


Luis García Montero, Completamente Viernes, Tusquets Editores, Barcelona, 1998

Publicado por sol em 12:46 AM | Comentários (9)

outubro 20, 2008

Reconhecimentos

                          selodardos.jpg

O Inatingível atribuiu o dardos ao Nocturno com Gatos. E explica que o prémio, ao mesmo tempo que busca promover a confraternização entre blogueiros, constitui o reconhecimento do valor que cada um de nós vem acrescentando à blogoesfera.

Agradeço a gentileza do Inatingível e fico com a tarefa difícil de atribuir o selo a quinze outros blogues.

Quinze é muito. Mas há três blogues de facto especiais, criativos e irreverentes, que leio com prazer e com o refrescante sentimento de quem saboreia um gelado de tangerina numa bela tarde de verão.

São eles:

o blogue da Marta: Improvisações em Dó Menor

o da Rita: Somewhere Over the Rainbow

e o da Adriana: Cada palavra em cada momento



Publicado por sol em 02:58 PM | Comentários (12)

outubro 09, 2008

Salvados da meia noite

                        4

Mas tão-pouco esperava no meu tempo
testemunhar isto :: não era podia dizer-se
suficientemente lúcida ou atenta
para olhar através dos olhos raiados de sangue da história
para este comércio este naufrágio de couraçado desgarrado
de todos os votos, juramentos, patentes, pactos, promessas ::
                                                                                                                          Para ver
não Ó meu Capitão
derrubado frio & morto pela mão do assassino

mas frio vivo & encolhendo-se :: bebendo com os assassinos
vestido de seda de filme noir de Hong Kong
arrastando a filha de cintura famélica
vestida de cor de flamingo
pela pista de dança com os traficantes
de gás paralisante dizendo-lhes Força
e para a moça Vê se alinhas

Adrienne Rich, Uma Paciência Selvagem, Edições Cotovoa, Lisboa, 2008

Publicado por sol em 04:25 PM | Comentários (9)

outubro 02, 2008

Por aí

onde os pés me levaram, neste verão que passou.


Publicado por sol em 06:15 PM | Comentários (26)