janeiro 28, 2007

Lendo Horácio

Nem o próprio dilúvio
Foi eterno.
Um dia as negras
Águas partiram. Mas como,
É verdade, houve poucos
Sobreviventes.

Bertolt Brecht, Poemas, tradução, selecção, estudos e notas de Arnaldo Saraiva, Campo das Letras, Porto, 1998

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janeiro 24, 2007

solidão

a cidade entupida de clarões e
estridências insiste em não
dormir aos

poucos invade meu
corpo minhas

horas
frágeis

a cidade imunda e sempre
cheia de coisas muito
pouco importantes usurpa meus

dias e ninguém
mais

meus

poemas


Adair Carvalhais Júnior

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janeiro 21, 2007

Fiama

        Lembro-me da Fiama quando era eu jovem universitária e frequentadora assídua da biblioteca do Centro de Linguística. Também, durante um ano lectivo, tomei parte, com um pequeno grupo de alunos, num seminário sobre Filologia que ali decorreu. A Fiama juntava-se-nos, às vezes.
       Numa das sessões, a convite do professor, foi ela quem dirigiu o seminário – nessa tarde acerca das duas edições princeps d' Os Lusíadas – apresentando uma leitura cabalística do frontispício das edições. Sorrio ao recordar essa tarde, longa e talvez chuvosa, de uma tão antiga 2ª feira.
       Lembro-me da mulher bonita e esguia, com cabelos lisos e pretos apartados ao meio, o sorriso doce, o ar tranquilo. Parecia-se com a poesia que escrevia.

        Tudo isto aconteceu há muito tempo. Breve – como todos nós – só a memória permanece.



           DO AMOR

Esta vista de mar, solitariamente,
dói-me. Apenas dois mares,
dois sóis, duas luas
me dariam riso e bálsamo.
A arte da natureza pede
o amor em dois olhares.

Fiama Hasse Pais Brandão, As Fábulas, Ed. Quasi, 2002



Publicado por sol em 08:10 PM | Comentários (19)

A Língua Portuguesa como Questão de Estado

Reproduzo o artigo de João Peres na Actual - Expresso de 20 de Janeiro, onde retoma – e denuncia – segundo uma perspectiva que não apenas a científica e a pedagógica, o caso TLEBS, «atolado num pântano jurídico indigno de um país civilizado».

Na mesma edição da Actual, uma reflexão de António Guerreiro sobre outro caso que está intimimamente ligado ao primeiro – o do lugar (ou ausência) da Literatura no actual sistema de ensino que, centrado no «objectivo mínimo da literacia [...] abandonou a referência a uma literacia clássica que implica a aquisição de saberes e capacidades para utilizar linguagens que asseguram a cidadania e o necessário sentido crítico.»


Publicado por sol em 12:10 AM | Comentários (8)

janeiro 18, 2007

Sépia

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Praia Nova, 2004


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janeiro 10, 2007

janeiro 08, 2007

A Escola e Seus Actores em Crise de Identidade

Em Outubro de 2006, na Universidade Lusíada de Lisboa, decorreu o IX Congresso Científico-Pedagógico da AEPEC (Associação da Educação Pluridimensional e da Escola Cultural).

Na Sessão de Abertura, são referidas as dificuldades em organizar e promover o congresso, dificuldades derivadas, em grande parte, das novas regras que vieram afunilar e dificultar a participação dos professores em acções de formação. Um outro aspecto que causa alguma estranheza - ou talvez não - é a ausência de qualquer representante do Ministério da Educação.

Faço aqui ligação para os vídeos da Sessão de Abertura; da comunicação de Manuel Ferreira Patrício ; e ainda para a alocução final, contendo as Conclusões do congresso.

Destaco em baixo, e desgarradamente, alguns excertos de comunicações diversas que, por uma ou outra razão, me interpelaram ou afligiram de modo particular, mesmo quando o tom, na alocução, é de afrontamento e de esperança.



«quer-se que a escola garanta o sucesso escolar que é o administrativo, não o educativo»

«somos todos pela escola inclusiva, mas o que é isso? E como é que se faz a inclusão?»

«se a sociedade é impotente... a escola que faça»v

«a sociedade não parece preocupar-se com a qualidade das aprendizagens das crianças e jovens ... não parece preocupar-se com a formação cívica, moral, ética ... com o défice cultural dos jovens ... com a incultura generalizada... com o estado degradante a que chegou o ambiente da vida escolar...»

«escola transformada em lugar de tormento e tortura para os professores»

«a sociedade cultural e do conhecimento não pode ser só do conhecimento, tem de ser da sabedoria, também»

«O problema não é só educativo, não é só pedagógico, é mais fundo, e é esse que temos de enfrentar.»


«Uma profunda perturbação dos nossos decisores impede-os de prestar a devida atenção aos dados que a Razão disponibiliza sobre a natureza, funções e instrumentos da educação»

«Assistimos a uma classe docente a quem se pede a solução para os problemas que afligem os decisores e os executores das políticas que não conseguem sequer admiti-los e diagnosticá-los devidamente (...) E assistimos sobretudo à recusa sistemática de dar à escola e aos professores os meios e as condições para tentarem responder a esses problemas.»

«Assistimos a um verdadeiro colapso da vontade, disposta a sacrificar o futuro ao imediato, o esforço à preguiça, o interesse colectivo aos pequenos interesses de grupos.»

«Assistimos a um povo a deixar-se embalar na doce convicção de que as regras do mercado são a única e inexorável lei da natureza e que todos os sacrifícios se justificam na ara da economia.»

«A educação e a escola são os instrumentos que restam à Razão humana para o exercício de uma crítica emancipatória e para a construção de um mundo melhor.»



«mudar o paradigma de escola unidimensional ao serviço de uma só dimensão instrumental - a económica ... assumir um paradigma de escola que tem em vista a formação integral do Homem na sua humanitas»

«dimensão holística... a escola deve ser um ecossistema, tudo tem a ver com tudo»


Publicado por sol em 10:35 PM | Comentários (5)

janeiro 04, 2007

Doble


Côa, Sabugal - Dezembro de 2006

Una patria es la lengua en la que sueñas.

Juan Bonilla


Publicado por sol em 01:10 PM | Comentários (15)