novembro 30, 2006

novembro 26, 2006

Galáxia

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Dans nos ténèbres, il n'y a pas une place pour la Beauté.
Toute place est pour la Beauté.

René Char, Feuillets d'Hypnos

Publicado por sol em 01:00 AM | Comentários (13)

novembro 23, 2006

Notícias do Caos

Acerca da TLEBS (e da malfadada Escola dos Resultados), uma perspectiva que partilho: a de Álvaro Gomes, em entrevista ao educare.pt. Transcrevo abaixo um excerto dessa entrevista.

Entretanto, uma proposta de abordagem didáctica de uma estância d'Os Lusíadas emergiu das labirínticas profundezas do GramaTICª e percorreu as caixas de correio de muitos estupefactos cidadãos, vindo a desaguar num artigo de Vasco Graça Moura, publicado no DN, e que a amiga Eliana divulga, para edificação de todos nós.

Continua em marcha o abaixo-assinado dirigido à Ministra de Educação pela suspensão da TLEBS. Pode ser lido e subscrito a partir daqui.

Ainda este artigo do DN de hoje, evidenciando o nó górdio - não restam saídas simples.

                                               * * *

O PROBLEMA NÃO É O QUE FUNCIONA MAL, MAS  SABER O QUE FUNCIONA BEM

Marta Range || 2006-11-22

Deu aulas durante 30 anos e já publicou 76 obras relacionadas, sobretudo, com educação. Admira a escola, na sua essência, e acredita nas capacidades dos alunos. Álvaro Gomes aponta aquilo que, na sua opinião, não está bem no ensino: por exemplo, a introdução da TLEBS e a publicação de rankings. Álvaro Gomes foi professor durante 30 anos. Deu aulas de Metodologia do Ensino e Metodologia da Formação na Universidade do Minho e foi autor de programas de Linguística para universidades portuguesas e estrangeiras. Foi vice-presidente internacional da Associação Europeia de Professores e já publicou 76 obras que se debruçam sobre temas como a educação, a retórica educativa e a comunicação.
[…]

Educare.PT: Concorda com a entrada em vigor da nova Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (TLEBS)?
Álvaro Gomes (AG): A ciência é dinâmica. A linguística, em especial, é um fascínio e as suas várias perspectivas constituem focos iluminantes, cuja operacionalização, mesmo aos níveis educacionais mais jovens, se pode revelar extremamente fecunda. Mas a questão não é essa. O terramoto que esta TLEBS suscita situa-se, entre outros, nos planos pedagógico e didáctico. De facto, se uma experimentação controlada e paulatinamente experimentada poderia desvendar fecundos resultados, esta tempestade linguística pode provocar "alergias" de que poucos se curarão. Se tenho publicamente mostrado sérias reservas, não é apenas por (discutíveis) opções no plano científico (também o é). Mas é, sobretudo, por um conjunto de contra-indicações: pedagógico-didácticas, institucionais, económicas e político-culturais, contra-indicações que tive ocasião de explicitar noutros contextos. Se, aqui e agora, me limitar às primeiras, considerando que estamos perante crianças e jovens adolescentes, poderemos estar a desencadear graves problemas de aprendizagem. Mas há também a questão do ensino, porque os professores, genericamente, e apesar das boas vontades, não me parece estarem preparados para tal operacionalização. Receio que possamos estar perante um grave equívoco. E os argumentos que frequentemente ouvimos da parte de certos responsáveis (por exemplo, da Associação de Professores de Português) são, pelo menos, inquietantes.

E.: Paulo Feytor Pinto, presidente da Associação de Professores de Português (APP), referiu existir uma "confusão" nas terminologias usadas em diferentes escolas. Considera que também existia esta confusão ou que será instalada agora com a introdução da TLEBS?
AG: A APP, associação a cujo nascimento assisti, na década de 70, tem tido, nesta questão, uma posição que consideraria pouco prudente. Não há confusão nenhuma com a terminologia que nos vinha dos anos 60. Confusão, sim – e grave – é a que resulta da precipitada generalização desta "experimentação", sem ter havido uma discussão pública dos resultados de uma "investigação longitudinal", devidamente acompanhada e avaliada. Em intervenção recente na Antena 1, pude alertar para alguns desses problemas. Alguns dos responsáveis vieram, ali e então, reafirmar que a TLEBS era "para professores, confirmando, pois, o que eu próprio havia dito e escrito. A verdade, porém, é que essas vozes esqueceram dois aspectos: de um lado, a prática efectiva nas escolas (os professores, angustiados, buscam, a todo o custo, obras – manuais, gramáticas... – que os libertem dessa ansiedade). E os documentos que pude analisar mostram como o uso da terminologia se processa numa transposição directa (e à letra) de conceitos linguísticos insuficientemente geridos e digeridos. Por outro lado, esquecem a própria designação do documento: não se diz TL (terminologia linguística - ponto final); mas... para os ensinos Básico e Secundário. É aqui que está o problema. Já imaginou o que é pedir a jovens de 12 ou 13 anos que "identifiquem actos locutórios assertivos, directivos, compromissivos; actos perlocutórios...", etc., etc.? Para quê? Esta transposição do terreno universitário para o ensino básico é, simplesmente, obscena. Mas isso já está a acontecer.

E.: Disse que a maioria dos professores não estará preparada para ensinar os novos termos linguísticos. E quanto aos alunos, terão mais dificuldades em aprender, tendo em conta que terão de substituir conceitos que conheciam com outros nomes? Os pais, por sua vez, terão mais dificuldades em acompanhar os filhos?
AG: Há, felizmente, muitos professores com boa preparação teórica em estudos linguísticos. Há mesmo mestres e doutores nos ensinos Básico e Secundário. Mas, genericamente, a formação de base dos professores de Português é caleidoscópica. E não é uma formação "compacta e ad hoc" que vai superar tais limitações. Mais: a par disso, quantos pais estarão preparados para poderem acompanhar a educação dos seus filhos? Esta TLEBS, ao criar uma ruptura violenta com a formação mais tradicional das famílias, vem colocar uma barreira, que eu diria imoral, agravando, perigosamente, o risco generalizado de insucesso.
Ninguém toma medicamentos, mesmo os mais eficazes, de uma vez. Os efeitos seriam letais. Se a nova terminologia – frequentemente apresentada como "remédio" – fosse equacionada com conta, peso e medida; se não fosse aplicada de uma só vez, mas em progressivas fases e apenas em alguns dos seus aspectos (os contributos da Linguística Textual, por exemplo), os alunos poderiam sair largamente beneficiados dessa utilização. No contexto actual, estamos, porém, muito longe disso. A TLEBS surgirá, para grande parte deles, como um grave e inútil obstáculo pedagógico.

E.: E no que diz respeito à actualidade da matéria exposta nos manuais escolares, sairá lesada com a entrada em vigor da TLEBS?
AG: O que aconteceu já em muitas escolas é que manuais escolares de grande qualidade foram, pura e simplesmente, postos de lado, porque "não respeitavam a nova TLEBS". Ora, é inacreditável que tenham sido rejeitados documentos excelentes em detrimento de obras que constituem uma transcrição apressada, directa e à letra, de conceitos linguísticos, alguns dos quais são conceitos in fieri... (ainda em gestação).

E.: Concorda que a TLEBS comece por ser implantada apenas no 3.º, 5.º e 7.º anos de escolaridade?
AG: Escrevi, recentemente, que a TLEBS é uma espécie de "sapato de adulto em pezito de criança". Teremos nós o direito de transformar os nossos estudantes em pequenos Gullivers em país de gigantes ou em cobaias profissionais?
A par disto, não vivemos o momento mais adequado para promover alterações tão radicais. Os professores estão a atravessar uma fase de profunda turbulência, a todos os níveis da sua profissão. Vêem o seu posto de trabalho em risco; vêem-se humilhados em público e em privado, desde as cúpulas às bases do sistema; vêem-se defraudados nas suas expectativas profissionais; vêem-se violentados na sua dignidade... Sucede que os professores de Português ainda se confrontam com uma outra "espada de Dâmocles" e que tem a ver com a sua imagem, a sua competência, a sua realização . Para aqueles que não se sentem preparados e essa é uma situação mais generalizada do que se imagina – o panorama que vivem é o de terror profissional. Como irão eles aguentar – e durante quanto tempo – uma tal pressão, uma tal instabilidade? Quem ganha com isso? As crianças não são, seguramente, pois elas são as antenas mais sensíveis na captação dos estados de alma dos seus formadores.

E.: Esta alteração da terminologia utilizada, de forma a conduzir a uma uniformização, era, na sua opinião, necessária?
AG: Os nossos lavradores sabem bem que as enxurradas que se seguem a grandes trovoadas não são propriamente a maneira mais abençoada de irrigar os campos. A chuva miudinha, constante, numa cadência ritmada, persistente oferece-nos garantias de produzir bons frutos. Prefiro, pois, a rega ou a regra "gota a gota". Por que razão seria diferente com a "lavra" dos textos ou da língua...? Por outro lado, esta ideia de uniformização é uma ideia de lastro autoritário, em contradição com um dos aspectos que se enuncia na própria portaria: "linguística descritiva". […]

(sublinhados meus)

Vale a pena ler o resto da entrevista.


Publicado por sol em 02:46 PM | Comentários (24)

novembro 15, 2006

Leliadoura

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                                         A DONA QUE EU AMO

                              A dona que eu amo e teño por señor
                              amostrádema, Deus, se vos en prazer for,
                              se non, dádema morte.

                              A que teño eu por lume destes ollos meus
                              e por que choran sempre, amostrádema, Deus,
                              se non, dádema morte.

                              Esa que Vos fecestes mellor parecer
                              de quantas sei, ai Deus!, facédema ver,
                              se non, dádema morte.

                              Ay, Deus!, que ma fecestes máis ca min amar,
                             mostrádema u posa con ela falar,
                              se non, dádema morte.

                               Bernal de Benaval (XII-XIII), Amancio Prada, 1980


                           LELIADOURA - Cantigas galaico-portuguesas

Cuando vivía en Segovia (1975-1980), en aquella soledad sonora de la calle de Refitolería, se me aparecieron estas cantigas de amor y de amigo en un libro titulado "Ocho siglos de poesía gallega". Allí, mirando por la ventana hacia el campo o en largos paseos rondando la muralla de la ciudad y su Alcázar, pensaba: aquí tuvo también su corte, itinerante, Afonso X El sabio, trovador él mismo y mecenas protector de muchos otros... El cielo que él contemplara desde la torre más alta y el campo apenas han cambiado. Puede que el paisage del alma tampoco: sembramos el mismo trigo y el pan y el aire es el mismo, con la misma ilusión y zozobra.

También me preguntaba: es aún posible cantar con la emoción debida estos versos escritos hace siete u ocho siglos? No habrán perdido razón, sentido y frescura después de tanto tiempo? No, no lo han perdido. Siento que no. Que el corazón de los hombres alberga las mismas pasiones de siempre y continúa anhelante de aquello cuyo nombre no sabe.

La composición musical se veía favorecida en este caso por la sonoridad del gallego-portugués y por la forma ligera y cantarina de unos versos que fueron pensados y escritos para ser cantados. Cantigas cuya música original se fue perdiendo, excepto la de algunas de Martin Códax, Alfonso X El Sabio y... pocas más. Pero yo no he tratado de recuperar ni descubrir ninguna música original. (...) Mi actitud ante esta poesía trovadoresca, como ante cualquier otra, a la hora de ponerle música y de cantarla, ha sido más bien de indiferencia u olvido respecto a su contexto histórico y literario, pues lo que de verdad me importa es la emoción y la simpatía que su "inocente" lectura provoque. Su resonancia. A la música y al canto corresponde exaltar y comunicar la emoción - y el pensamiento - de esa poesía, que está en el aire y que es de todos.

Cantar es una forma de ofrecer el alma.

Amancio Prada (De las notas al Programa de mano de los recitales dados en el Teatro María Guerrro de Madrid, en Diciembre de 1984)

Publicado por sol em 06:04 PM | Comentários (22)

novembro 14, 2006

Plena luz

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Cabeço de São Cornélio

Fotografia que o amigo Zef me enviou, com os seguintes dizeres:

«Não é dos Candeeiros, mas do Cabeço de São Cornélio, ao lado de Dirão da Rua, mesmo pertelinho do Sabugal.»

Ditosos olhos! Bem-haja, Zef. Dias felizes, muitos, que amanhã se comemoram!

Publicado por sol em 04:31 PM | Comentários (12)

novembro 09, 2006

Nocturno


Serra de Aire e Candeeiros

Publicado por sol em 03:31 PM | Comentários (11)