maio 29, 2006

maio 26, 2006

Ella & Louis

Um jazz para agradecer e acompanhar a festa do andar de baixo.



ellaAndLouis.jpg
Jane Brewster


Moonlight in Vermont - Ella Fitzgerald and Louis Armstrong

Publicado por sol em 12:14 AM | Comentários (8)

maio 16, 2006

confissão

Odile Redon _Les yeux clos.JPG
Odile Redon, Les yeux clos

confissão

todo poema é um risco
lançado sobre o
nada todo
poema ceifa completamente o
corpo

em cada angústia
vespertina arrisco todos
meus poemas naufrago na
carne
devastada

Adair Carvalhais Júnior, Desencontrados Ventos


Publicado por sol em 10:13 PM | Comentários (20)

maio 11, 2006

Poesia em tempo de guerra e banalidade

«O legado do século XX revela-se como um desastre contínuo. Deixou-nos como aporia a incapacidade de a poesia, como síntese da atividade criadora, lidar com a estupidez e a barbárie. O ceticismo face à transformação revolucionária, à consistência das vanguardas ou ao dogmatismo ideológico, não resultou em ações mais livres, mas apenas numa produção mais prolixa, dentro de ambientes cada vez mais homogêneos. A atividade paroquial ofende-se com a crítica e o debate. A condescendência generalizada evidencia a pouca seriedade com que se toma a poesia, bem como a descrença em sua ação transformadora. Mas que criação real pode renunciar à transformação? Um efeito impressionante desse legado de continuidade catastrófica — que abafa e absorve o desastre como normalidade —, é a conformidade da poesia com uma dimensão mediana de produção. Escrever se reduz a um hábito ligeiro, um hobby — isto é, uma atividade infanto-juvenil que se abandona tão logo se chega à vida adulta, ou se preserva depois disso como lazer de fim-de-semana —, ou então a uma atividade profissional entre quaisquer outras, um modesto ganha-pão associado a várias atividades editoriais e universitárias. Como responder a essa falta de perspectiva e de urgência particular à poesia, domínio por definição hostil à mediocridade? Como resistir a este encolhimento de horizontes, proporcional à proliferação redundante do escrito? Ou, ao menos, como desnaturalizar o desastre e reconquistar a dor diante dele? A poesia ainda pode ser mais do que uma afirmação de frivolidade, arrivismo e afetação intelectual, ou, na direção oposta do mesmo eixo, de modéstia boçal e sobrevivência sem esperança? Se já não temos planos para o futuro, é bom que se diga que tampouco o presente nos pertence: o amortecimento das expectativas resulta em indiferentismo, alienação e tédio, não na fruição de uma vida amena. O que a poesia pode contra esse estado de coisas que não parece ter fim? E se nada pode, como pode ser mais do que fatuidade?»


Alcir Pécora e Régis Bonvicino, Março 2006, encontro internacional de poesia: texto-proposta e programa em Germina

Publicado por sol em 08:51 PM | Comentários (13)

maio 01, 2006

Nem sempre o passado é um país estrangeiro

   «E a vida vai tecendo laços
    Quase impossíveis de romper:
    Tudo o que amamos são pedaços
    Vivos do nosso próprio ser.»

            Manuel Bandeira


torre_do_relogio.JPG
Sabugal - Torre do relógio


          castelo.JPG
          Sabugal - Castelo


praia fluvial.JPG
Sabugal - Praia Fluvial

Da colecção de postais editada pela ADES - Associação Desenvolvimento Sabugal - reproduzindo trabalhos de artistas do concelho.


Publicado por sol em 10:09 PM | Comentários (21)