junho 28, 2004

Dilectus meus mihi

Toda me entreguei, sem fim,
e de tal sorte hei trocado,
que é meu Amado para mim,
e eu sou para meu Amado.

Quando o doce Caçador
me atirou, fiquei rendida,
entre os braços do amor
ficou minha alma caída.
E ganhando nova vida,
de tal maneira hei trocado,
que é meu Amado para mim,
e eu sou para meu Amado.

Atirou-me com uma seta
envenenada de amor,
e minha alma ficou feita
una com seu Criador.
Eu já não quero outro amor,
que a meu Deus me hei entregado,
meu Amado é para mim,
e eu sou para meu Amado.


Santa Teresa de Ávila, Seta de Fogo, trad. de José Bento, Assírio & Alvim, 1989


Publicado por sol em 12:18 AM | Comentários (11)

junho 25, 2004

Verão sobre o corpo

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Como se houvesse um incêndio de giestas para atravessar, eu não dormia.

Eugénio de Andrade, Limiar dos Pássaros, Ed Limiar, Porto, 1976

Publicado por sol em 01:15 AM

junho 24, 2004

Outra poética

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«Desculpem - mas jogar futebol assim é também poesia :)
Feliz, após jogo impróprio para cardíacos...»

                        Amélia Pais dixit.

Eu concordo

Publicado por sol em 11:55 PM | Comentários (13)

junho 23, 2004

A modo de poética

La poesía, a la que yo llegué siendo muy niño por una inevitable atracción fatal, es un veneno íntimo en el que yo he logrado alojar mi vida o parte de mi vida, sin que hasta ahora haya podido explicarme de donde me vino tal lujo o tal esclavitud y digo una cosa y otra porque en la poesía encuentras uno de los más impagables placeres y una de las más ingratas compensaciones de esta vida. Como expresión artística la poesía es ilógica, indefinible.
(...)
Lo que empezó siendo, para mí, una temeridad de adolescencia, acabó por convertirse en la disciplinada mesura del buscador de un grial en una tierra incógnita de la que emana siempre una extraña e irrepetible música que seduce a los naúfragos. En esta isla de la poesía cada cual sobrevive como puede, cubriendo su identidad con palabras de procedencia ilusoria que son como la espuma o como los pájaros que siempre sobrevuelan el territorio oscuro del poema como un eterno simulacro.

Carlos Rivera, A modo de poética o mi experiencia sensible, 2004

Publicado por sol em 12:25 AM | Comentários (17)

junho 22, 2004

O esplendor da luz

Sun Setting over a Lake-1840.jpg

Turner - Pôr do sol sobre um lago, 1840 - Tate Gallery, Londres


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junho 15, 2004

A montanha

Balthus-a-montanha-1937.jpg
Balthus - 1937

Publicado por sol em 08:15 PM | Comentários (13)

junho 10, 2004

As fontes

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As fontes regressam
de que incêndio cativas?


Eugénio de Andrade, Véspera de Água, Editorial Inova, Porto, 1973

Publicado por sol em 10:55 AM | Comentários (9)

junho 09, 2004

Celebrar Camões

porque

«a pátria (...) está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Dua austera, apagada e vil tristeza.»

E porque Camões é «um esplendor» - como diz a minha amiga Amélia Pais, referindo-se ao Poeta que ao longo de anos vem divulgando. Há relações assim felizes e frutíferas. Como muitos, sou-lhe devedora no que respeita a um melhor entendimento de Camões. Fica aqui o público registo dessa dívida. E o convite para uma festa.

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Publicado por sol em 07:19 PM | Comentários (17)

junho 07, 2004

Estrela da Vida Inteira

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Manuel Bandeira, dos meus afectos – a poesia requintada e fraterna, a sábia candura.
Um poema para começar a semana a sorrir.


Brisa

Vamos viver no Nordeste, Anarina.
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
Deixarás aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.
Aqui faz muito calor.
No Nordeste faz calor também.
Mas lá tem brisa:
Vamos viver de brisa, Anarina.


Manuel Bandeira, Belo Belo, em Estrela da Vida Inteira, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1993

Publicado por sol em 11:43 AM | Comentários (22)