janeiro 28, 2004

Da maneira mais simples

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É apenas o começo. Só depois dói,
e se lhe dá nome.
Às vezes chamam-lhe paixão. Que pode
acontecer da maneira mais simples:
umas gotas de chuva no cabelo.
Aproximas a mão, os dedos
desatam a arder inesperadamente,
recuas de medo. Aqueles cabelos,
as suas gotas de água são o começo,
apenas o começo. Antes do fim terás de pegar no fogo
e fazeres do inverno
a mais ardente das estações.


Eugénio de Andrade, Sulcos da Sede

Publicado por sol em 11:16 PM | Comentários (4)

janeiro 27, 2004

Amigos

Não consigo publicar comentários no Nocturno, há uma falha qualquer no weblog, respondo-vos aqui.

Lembram-se do filme "Esplendor sobre a relva"? Assim se tornaram para mim os sobreiros: os ícones de um irrepetível fulgor. Essas árvores que eu via na planície alentejana, no Algarve, mas distraidamente, pois que não eram as minhas, as que julgava ancestrais.

Quem me havia de dizer que anos depois, olhando-os da minha janela, de dois sobreiritos haveria de fazer uma floresta inteira - para alegria e sobrevivência do olhar?

Agradeço a todos os que me leram. E hoje destaco o Groze pela sua gentileza e por nos encontrarmos assim, contra todas as probabilidades, excepto a que um querido amigo comum representa nestes jogos de acaso.

E ao Carlos, à Márcia, ao António, à Amélia, à Adelaide, ao Nuno, à Louise, ao Wilson, à Eugênia, à Sara, ao Fernando, ao Manuel, ao Mário, ao Rui, à Joana, à Diana, à Eduarda, ao Sete Sóis, ao NorMal... a quem por aqui passa e volta, ou não, um beijo.

Publicado por sol em 10:38 PM | Comentários (7)

janeiro 20, 2004

Pela atenção que lhe mereceu

o Nocturno com Gatos, o meu muito obrigada a Rogério Santos de Indústrias Culturais.

Como bem nota, afinidades e ternura são os elementos centrais deste salão semi-público onde recebo os amigos, nem todos virtuais.

E também eu existo :-)

Publicado por sol em 08:00 PM | Comentários (1)

janeiro 19, 2004

Ver claro

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Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.


Eugénio de Andrade, Os Sulcos da Sede

Publicado por sol em 09:53 PM | Comentários (8)

Para Eugénio de Andrade

No seu aniversário

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Publicado por sol em 09:47 PM | Comentários (3)

janeiro 18, 2004

Amor mudo

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Ardendo de amor, as cigarras
cantam: mais belos porém são
os pirilampos, cujo mudo amor
lhes queima o corpo!


Canções de camponeses do Japão, poemas mudados para o português por Herberto Helder, em Poesia Toda, Assírio & Alvim, Lisboa, 1990

Publicado por sol em 10:00 AM | Comentários (7)

janeiro 17, 2004

Não tem sido bem amado

Jorge de Sena, deste lado do Atlântico. Muito me alegra, por isso, que a minha amiga Márcia Maia, lá do seu longínquo Recife, afirme a sua paixão por este escritor. E que me atribua alguma responsabilidade nessa paixão. Obrigada, Márcia. O prazer foi meu :-)

Publicado por sol em 10:20 PM | Comentários (4)

janeiro 15, 2004

Três fragmentos de Safo



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Devastador
o vento - e a angústia.

tradução de Eugénio de Andrade

***

Quando o sono de uma noite inteira
cai sobre os olhos...

tradução de Eugénio de Andrade

***

Mãe, sobre a teia,
não mais me dobro,
não mais a teço. Por um rapaz
de amor me dobra
a tecelã Afrodite.

tradução de Pedro Alvim

Publicado por sol em 08:02 AM | Comentários (10)

janeiro 12, 2004

Açude

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rio Côa

Em: www.cm-sabugal.pt/

Publicado por sol em 05:02 PM | Comentários (5)

janeiro 11, 2004

Porquinho-da-índia

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele prá sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas . . .

- O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.


Manuel Bandeira, Antologia de Poesia Brasileira

Publicado por sol em 12:15 AM | Comentários (2)

janeiro 07, 2004

Versos de Inverno

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Outra vez o abutre, o abutre
da tristeza, cai-nos em cima,
crava as garras, rasga,
retalha: - Oh irmão
do deserto, breve
oásis de sol
neste inverno: não há terra
de promissão
fora do corpo; ou da palavra.


Eugénio de Andrade, Rente ao Dizer


Publicado por sol em 12:19 AM | Comentários (10)

janeiro 06, 2004

Toutes les lumières

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Paul Delvaux, 1962

Publicado por sol em 02:14 PM | Comentários (4)