setembro 14, 2004


sem legendas #14


falar da epiderme
sem primeiro a despelar dos seus corpos
é inútil.
a forma, não identifica a densidade da casca.

o curtume não é isento de dor,
a absolvição não existe
e o sangue encarde as mãos como fósforo
a chispar na escuridão.

- a pele estendida sobre um muro -

procurar nos poros sobras
de saliva, antes uma cuspidela do que
um beijo que não queime a pele.


fotografia | © direitos reservados ao autor nelson d'aires

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setembro 01, 2004


Women on Waves


Rebecca Gomperts, Figueira da Foz 29 de Agosto de 2004

não tape os ouvidos, deixe-se ouvir por esta mulher e à sua equipa.

as organizações: UMAR, Não te Prives, AJP e Clube Safo têm este número à sua disposição 91 4477774. se precisar de ajuda, ligue-lhes sem medo.


fotografia | © direitos reservados ao autor nelson d'aires

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agosto 22, 2004


sem legendas #13


do projecto: águas-furtadas da minha sede, 2004

num caderno em branco, a primeira palavra é um corpo estranho e perdido, e até mesmo inútil. rapidamente o verbo sente a urgência de procriar, só que este é um acto de extrema violência para com o silêncio. na verdade não é o silêncio que se esventra. mas sim a própria palavra. não é com paz e sossego que a violo, dessa gestação involuntária a adopção é imediata, palavras órfãs, pequenos seres que me escravizam.


fotografia e texto| © direitos reservados ao autor nelson d'aires

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julho 14, 2004


sem legendas #12


Portugal, 2004

com a participação de, Viajador e JoãoLuc :)

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julho 09, 2004


sem legendas #11


Portugal, 2004


quando for grande desejo ter o peso breve da espuma do mar e não ter medo de submergir no tempo, dar duas braçadas por entre olhares que se apaixonam e se afogam mutuamente num beijo até à convulsão.

quando for grande quero continuar inocente e lembrar-me deste texto também ele inocente. quero ser usado, enganado, seduzido com promessas irreais, apurar a minha condição de inocente para lá do compreensível.

olhar para as palmas das minhas mãos e ver, sobretudo sentir que o tacto é algo de divino, possuir mãos é ter a certeza de que as oportunidades estão sempre ali, à nossa mão.

com as mãos escavar um buraco na areia e ver o outro lado do mundo, esticar o braço, agarrar a lua ou o sol (dependendo da hora) e lançar o crepúsculo, essa hora de ninguém em que nasce-me a primeira estrela na mão.


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julho 04, 2004


sem legendas #10


Portugal, 2004

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maio 04, 2004


sem legendas #09


1 de Maio de 2004, início da queima das fitas no Porto
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março 02, 2004


sem legendas #08


Torreira 2004
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nódoa

não há nada que possa apagar os vestígios dos humanos na terra. não há água que não esteja inquinada de nódoas, uma enorme mancha de mijo alastra-se insidiosa pelo meio das pernas, um cancro amarelado alimenta-se das fibras, das raízes das fibras, a terra. defecamos, contaminamos o papel do qual limpamos o cu. é essa a pureza, somos a praga consentida, do nosso alimento extraímos o fel, não há nada que possa eliminar a nódoa humana da terra.

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fevereiro 18, 2004


sem legendas #07


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a arte é uma visão que não se alcança e torna o Homem objecto.

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fevereiro 08, 2004


sem legendas #06


Trafaria 2003
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as pessoas são portas que se ocultam como um rosto ao espelho.

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fevereiro 03, 2004


sem legendas #05


Lisboa 2003
© direitos reservados ao autor nelson d'aires


há dias que nos são translúcidos, permitem-nos aceder a determinadas memórias mas sem nunca lhes reconhecer o rosto, apenas a forma sem os vincos da certeza. movemo-nos pela névoa tentando nunca largar a mão da linha que trespassa o encerramento da carne . a linha é segregada pela nossa voz , o nosso nome como palavra ancorada à memória que nos une.

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janeiro 25, 2004


sem legendas #04


festa de S. Gonçalo, Aveiro 2004
dupla exposição em filme HP5+ 400 de 120
© direitos reservados ao autor nelson d'aires


não conseguimos reter todas as pessoas enclausuradas no nosso corpo. de tempos em tempos envelhecemos e com esse acto violento a fadiga. o cansaço trespassa-nos o corpo que é matéria em decomposição. agarramo-nos às memórias como a carne se agarra aos ossos, sustentando-nos. não conseguimos reter todas as pessoas enclausuradas no nosso corpo. há quem queira morrer, e essa vontade tem de ser respeitada.

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janeiro 20, 2004


sem legendas #03


festa de S. Gonçalo, Aveiro 2004
dupla exposição em filme HP5+ 400 de 120
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há vidas que se cruzam, há distâncias que sobrepostas umas em cima das outras anulam o tempo. a fotografia é uma distância que não se afasta, está-nos sempre presente.

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dezembro 23, 2003


sem legendas #02


Angeiras 2003
© direitos reservados ao autor nelson d'aires


As condições materiais das classes trabalhadoras revelam nestes momentos de fetishismo religioso todo o explendor da exploração a que elas estão sujeitas.

texto de: JoãoLuc

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dezembro 18, 2003


sem legendas #01


a transparência dos vidros não assusta a mão que é capaz de sentir a fuga do invisível.

foto e texto| © direitos reservados ao autor nelson d'aires

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