junho 29, 2004


29062004

dia vinte e nove do mês de junho do ano de 2004. 29062004 é o número mutante e invisível tatuado nos nossos corpos prisioneiros do tempo. o corredor da morte é amplo, faz-nos pensar que somos Seres livres. em certa medida até o somos, ninguém nos impede de morrer antes do tempo…

amanhã, 30062004.

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abril 27, 2004


se isto fosse um diário #01

faz tempo que, aqui nada escrevo, nada me mostro.
os livros, também estes estão encerrados sob uma fina película de pó, pesada o suficiente para os não conseguir levantar e abrir a sua leitura.

há dias, em conversa com uma amiga, falei que já não escrevo, já não sei, acho que nunca o soube. ela disse-me que não fazia mal, agora tenho fotografias.

sim, tenho algumas fotografias. nunca andei tanto pelo Portugal povoado como o tenho nestes últimos seis meses. conheci muitas pessoas anónimas, disseram-me os seus nomes e eu disse-lhes o meu. perguntavam sempre se era para a televisão. fui obrigado a mentir na maioria das vezes. como fazer compreender ao nosso povo que eu gosto de fotografar as pessoas e costumes do nosso país sem depois não vender as fotografias? pensam elas, Para que me quer este senhor fotografar se não me conhece? A mim não tira você o retrato! Para colocar depois na net, não é? A mim não! não se preocupe senhor, não lho faço. mas olhe que, quem lhe rouba a alma não sou eu…

avanço por entre terras, povos e costumes, sem saber que destino dar às fotografias que faço. apenas sei que me dou por inteiro, a fotografia consome-me voraz.

na segunda-feira de Páscoa, levantei-me e meti-me no carro em direcção ao Minho. ia fotografar um costume local perto de Vila Verde, atrasei-me e não o pude fazer. na volta perdi-me e fui dar a uma freguesia cujo compasso era acompanhado por uma banda de música. o acaso fez-me embrenhar no meio daquele cortejo porta a porta. desconhecido entrei em casas de pessoas desconhecidas, sorriram-me e deram-me de comer e beber muitas vezes, fiquei com fotografias dessa hospitalidade em dia de festejar Jesus ressuscitado. parti e já as estrelas chamaram a luz dos faróis do meu automóvel.

ontem, dia da Beatificação de Alexadrina de Balasar em Roma, não fui a Itália, mas fui a Balazar, ver e registar o milagre da pobreza que faz com que este povo seja feliz com o sofrimento que lhes vergam as costas. pediam milagres, tocavam na campa de Alexandrina e enchiam os cofres da Igreja, não há dinheiro que pague um milagre…

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