julho 29, 2005


na periferia da terra


foto e texto, © direitos reservado ao autor nelson d'aires

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“(…)como é que alguém se pode preocupar com as massas, quando se está nas tintas para a opinião dos indivíduos?”
in A lua e cinco tostões
de Somerset Maugham


que dor transporta cada um destes homens dentro de si, para se submeterem em conjunto à morte? que mentira terá sido sussurrada ao ouvido de cada um deles para correrem todos eles deste modo à procura do massacre? que parente comum lhes terá morrido de fome em todos eles?

os gritos. sempre os gritos como engodo. todos querem para si o fluxo da violência, todos eles anseiam à vez pegar nas rédeas do caos e disseminar o pó da raiva no dorso dos homens que estão de mãos vazias e que se encolhem à passagem do bafo quente e muscular do sangue em explosão.

qual a terra de onde foram expulsos? qual o peso das pedras que cada um deles traz agrilhoada a uma das pernas? quais os nomes dos rios a que estão destinadas todas aquelas pedras?

a correria. os rostos liquefeitos. a carne a descolar dos ossos.
homens que acreditam apenas no eterno presente e no poder das cordas roubadas a quem se quer enforcar. todos correm, todos correm.

que amor terão todos eles abandonado para assim morrerem por nada?

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setembro 11, 2004


na periferia da terra #3


Portugal, 2004

Ao fazer uma lista de compras há quem se lembre de escrever o seu testamento. Muitas dessas pessoas ficam tristes e perdidas por não haver publicidade televisiva de promoção a produtos para um testamento. Mas nada há a temer, é permissível morrer sem testamento.


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julho 26, 2004


na periferia da terra #02


Portugal, 2004

quando se perde a inocência, procura-se desesperadamente a representação do ininteligível como substituição desse dano inevitável.
na Terra, os nossos sentidos estão contidos sob a periferia indefinida do visível, falhamos ao tentar alcançar com uma oração aquilo a que não se chega com o coração.


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julho 22, 2004


na periferia da terra #01


Portugal, 2004

vejo todos os corpos humanos como veículos de emergência que constantemente socorrem alguém. a velocidade que a carne atinge surpreende qualquer alma, mas... provoca dor, e não há serviço de urgência que anestesie a dor do tempo.


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