janeiro 19, 2005

meditação

"aquele que olha para dentro de si mesmo e percebe só descontentamento, fragilidade, escuridão e medo, não precisa contorcer-se em incertezas.

Que olhe mais profunda e demoradamente, até que se torne consciente dos brandos sinais e indicações que, como um sopro, aparecem quando o coração está quieto.

Que esteja bem atenteo a eles, pois podem dar Vida e fazer crescer às alturas pensamentos que cruzarão as fronteiras da sua mente como anjos viandantes, percursores de uma voz que virá mais tarde: a voz de um Ser oculto, recôndito e misterioso, que habita o seu Centro, que é o seu próprio e mais antigo Eu"

(Boletim de Sinais)

Publicado por medusa em 06:32 PM | Comentários (2)

janeiro 13, 2005

Jessica

Isto é mesmo uma família de mulheres.
A minha sobrinha-linda escolheu bem!

Publicado por medusa em 02:05 PM | Comentários (0)

janeiro 06, 2005

Mar Novo

Profetas falsos vieram em teu nome
anjos errados disseram que tu eras
Um poema frustrado
Na angústia sem razão das Primaveras

Porém eu sei que tu és a verdade
E és o caminho tranparente e puro
Embora eu não te encontre e no obscuro
Mundo das sombras morra de saudade.

§

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desepero
nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

§

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

(Sophia de mello Breyner Andresen, Mar Novo)
Grata pela liberdade.

Publicado por medusa em 04:15 PM | Comentários (1)

do pós-modernismo

"Pode afirmar-se que o pós-modernismo é o primeiro código literário que se formou na América e influenciou a literatura europeia...
Enquanto os modernistas aspiravam a estabelecer uma visão do mundo válida e autêntica, ainda que estritamente pessoal, o pós-modernista parece ter abandonado qualquer esforço no sentido de representar o mundo de acordo com as convicções e a sensibilidade de um sujeito...

...
O autor aparentemente é indiferente ao estatuto do seu texto, pouco lhe importa como e onde começa, como se encadeia, como e onde acaba, se consiste em signos linguísticos ou outros...

O pós-modernista está convencido de que o contexto social consiste em palavras e que cada novo texto é escrito sobre um texto anterior ...

a dúvida ontológica pós-modernista está contida nas palavras e só por elas se pode exprimir...

... uma história consiste na aprendizagem do modo de compreender o código - um código que nos abre os olhos para que possamos ver o hábito de repetirmos, sem disso termos consciência, o que se desgastou semanticamente...

Este é um dos principais problemas «filosóficos» que o pós-modernismo pôs em discussão. A indiferença consistente ou a não selecção não parece ser uma qualidade humana, e dificilmente se pode conceber...

Em geral, o pós-modernismo mostra preferir as palavras ao silêncio, a imaginação à experiência, o texto verbal ao contexto empírico. É aqui que o código pós-modernista mostra as suas tendências; no momento em que se tenham exposto e sejam do conhecimento de um vasto grupo de escritores e leitores, terá chegado o tempo para a sua substituição por outro código, que necessariamente manifestará as suas tendências para outros aspectos.
O código pós-modernista poderá ser ligado a um certo modo de vida e a uma certa visão da vida, comuns no mundo ocidental, incluindo parte da américa latina...

è inconcebível uma recepção favorável do código pós-modernista na China...

O código pós-modernista tem claramente limitações geográficas e sociológicas, o que constitui um factor adicional para que, no futuro, próximo alguns escritores queiram estabelecer um novo código. Inicialmente será um código difícil, perturbador, embaraçoso, mas poderá acabar por se mostrar adequado para exprimir e talvez resolver alguns dos nossos problemas actuais"

(Douwe W. Fokkema, História Literaria, Modernismo e Pós-Modernismo)

Publicado por medusa em 04:06 PM | Comentários (0)