dezembro 17, 2004

Ausencia

ausência tua
para dizer deste meu esbracejar sem graça
porque em cada movimento meu
são ausentes
os braços teus
razão do meu gesto
meu andamento

ausência tua
imensa
para dizer deste meu desalento
quando todos os sons que me chegam são ruído
se não houver a voz tua
a embalar-me as horas

ausência tua
agora que já não há promessas
e me sufoca
a minha ausência do mundo

Publicado por medusa em 12:15 PM | Comentários (3)

Para sentir seu leve peso

Guardava o rouxinol numa caixinha. Tudo o que queria era andar com o rouxinol empoleirado no dedo. Mas, se abrisse a caixinha, ah! certamente fugiria.
Então amorosamente cortou o dedo. E, através de uma mínima fresta, o enfiou na caixinha.

(Marina Colasanti, Um Espinho de Marfim e outras histórias)

Publicado por medusa em 12:09 PM | Comentários (0)

Porém Igualmente

É uma santa. Diziam os vizinhos. E D. Eulália apanhando.
É um anjo. Diziam os parentes. E D. Eulália sangrando.
Porém igualmente se surpreenderam na noite em que, mais bebado que de costume, o marido, depois de surrá-la, jogou-a pela janela, e D. Eulália rompeu em asas o voo de sua trajectória.

(Marina Colasanti, Um Espinho de Marfim e outras histórias)

Publicado por medusa em 12:06 PM | Comentários (1)