junho 30, 2003

Ainda em silêncio

Ainda em silêncio:

"Vencer um medo
é desactivar uma bomba interior,
gérmen de violência contida.
é libertar uma tensão
que origina força compulsiva.
Transmutar energia Yang potencial,
em tranquilidade,
em receptividade, que é expressão do Yin.

Vencer um medo,
é Inverter Polaridades.

Ser Receptivo."
.............

"Poder receber os outros
até ao Fundo de Si-Próprio.
Ser Lua.
Sem que isso prenda e roube liberdade.

É já
Transparência Cósmica".

(Maria Flávia de Monsaraz, in Recados de um Mestre Interno)

Publicado por medusa em 07:35 PM | Comentários (0)

junho 29, 2003

No silêncio da casa

Alquimia
No silêncio da casa, no silêncio da noite, calar o excesso, descolar películas superficias que me distraem de mim.
Com-Centração.
E um ponto Com-Cêntrico.
Ouvir o Mestre Interno.

"A LUA simboliza o que existe na TERRA de não-Solarizado, de não-Inteligente. É a Noite-do-Espírito quando ainda mergulhado nas Trevas Originais. por isso a LUA se identifica com o PASSADO, o passivo do Homem.
Por ser Satélite da TERRA, a LUA representa o que ainda não é autónomo. O que gravita-em-torno-de-um Centro por ainda não ter Centro próprio. O que não é emocionalmente LIvre, indo buscar alimento a uma Força alheia. A Fonte Emanadora que o atrai.

(...)

Ir no sentido do SOL é já não ser Satélite de uma Força exterior. Só o PODER-do-SOL como LUZ-da-CONSCIENCIA permite ao Homem libertar-se do peso da LUA.
A conquista do SOL é a passagem de SEntimentos-de-Água retidos no Inconsciente a Emoções-de-FOGO que expandem e activam a Energia acumulada.
Ao Agir, ao Criar, o Homem exprime e dá Forma ao seu Potencial Interior. Toma dele Consciência. É um Processo de Transformação Qualitativa. A Energia sobe de frequência ao passar de Instintiva a Mental. É uma Alquimia Psicológica"

(Maria Flávia de Monsaraz)

Publicado por medusa em 10:01 PM | Comentários (0)

junho 28, 2003

Fresh poetry


CANTIGA

Verdes são os campos
Da cor do limão:
Assi são os olhos
Do meu coração.


VOLTAS

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes;
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados, que pasceis,
Com contentamento
Vosso mantimento
Não no entendeis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

(remember Camões!)

Publicado por medusa em 12:00 AM | Comentários (0)

junho 27, 2003

Y. K. Centeno

por mais que se procure
nunca se chega ao outro
não há saída do eu

(Y. K. Centeno, in Perto da Terra)

Publicado por medusa em 11:53 PM | Comentários (0)

Gorey

Lembras-te do que sonhaste esta noite?
Ouviste alguém?
Ou eram rostos e imagens a calar mistérios ancestrais?

Conheces o Edward Gorey?
Alguma vez visitaste o insólito?

Publicado por medusa em 08:00 PM | Comentários (0)

junho 23, 2003

Tom

Lembras-te do meu amigo Tom?

Publicado por medusa em 09:12 PM | Comentários (0)

junho 22, 2003

Angel Song

This is me with another nervous breakdown
My pressure dropped, this body went with it
Memory fails, I´m feeling claustrophobic
I scream my silent pain in this big plain
There´s no one here tell me who is there now
Who is there with you

I´m taking no calls unless it´s her voice
I´m seeing no one unless it´s her
I open the mailbox every hour
Maybe I´ll hit the postman
I want to hear some love words
But not in that dyslexic voice
No I won´t tear apart for you
But I was given no choice

I guess I was trying to keep me alive
But once I was dead there´s was nothing to do beside
picking me up and lying me down
Waiting for some angel
To wake me and say to me:

"hello. don´t be scared. I want you to know, you´re not dead."

kiss me, is this a dream?
Should I believe it?
Please promise to me that I´m not going to get hurt this time

Am I too good for you, am I just paranoid?
Should I get clinical or should I speak louder?
Maybe I should close my eyes for years
And wait for the strongest feeling
out of all the feelings
to raise
from
you.


I guess I was trying to keep me alive
But once I was dead there´s was nothing to do beside
picking me up and lying me down
Waiting for some angel
To wake me and say to me:
"hello. don´t be scared. I want you to know, you´re not dead."

kiss me, is this a dream?
Should I believe it?
Please promise to me that I´m not going to get hurt this time

Am I real? are you real? is this real? What´s real?
Am I real? are you real? is this real?
Tell me, what´s real?

(obrigada )

Publicado por medusa em 01:04 PM | Comentários (0)

junho 21, 2003

Quem gosta do traço...

Quem gosta do traço, da linha, do desenho, da ilustração, da animação, enfim... quem gosta da imagem e do mundo onírico vai achar este link uma delícia (a descoberta não é minha - encontrei no Beco das Imagens)

Publicado por medusa em 11:16 PM | Comentários (0)

a medusa

a medusa

Publicado por medusa em 02:43 PM | Comentários (1)

Sons

Teimoso subi
Ao cimo de mim
E no alto rasgei
As voltas que dei

Sombra de mil sóis em glória
Cobrem todo o vale ao fundo
Dorme meu pequeno mundo

Como um barco vazio
P´las margens do rio
Desce o denso véu lilás
Desce em silêncio e paz
Manso e macio

Deixa que te leve
assim tão leve
Leve e que te beije meu anjo triste
Deixo-te o meu canto canção tão breve
Brando como tu amor pediste

Não fales calei
Assim fiquei
Sombra de mil sóis cansados
Crescendo como dedos finos
A embalar nossos destinos

Deixa que te leve
assim tão leve
Leve e que te beije meu anjo triste
Deixo-te o meu canto canção tão breve
Brando como tu amor pediste

(enquanto ouvia Paulo Gonzo e segundo ideia de Uazou)

Publicado por medusa em 01:57 PM | Comentários (0)

junho 20, 2003

Mário de Sá-Carneiro

"A queda"

E eu que sou o rei de toda esta incoerência
eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la
e giro até partir... Mas tudo me resvala
Em bruma e sonolência.
Se acaso em minhas mãos fica um pedaço d'oiro
volve-se logo falso... ao longe o arremesso...
eu morro de desdém em frente de um tesouro,
Morro à míngua, de excesso
Alteio-me na cor à força de quebranto,
Estendo os braços d'alma- e nem um espasmo venço!...
Peneiro-me da sombra- em nada me condenso
agonias de luz eu vibro ainda no entanto.
Não me pude vencer, mas posso esmagar-me,
- Vencer às vezes é o mesmo que tombar-
e como inda sou luz, num grande retrocesso,
Em raivas ideais, ascendo até ao fim:
Olho do alto o gelo, ao gelo me arremesso....
Tombei...
E fico só esmagado sobre mim...

(obrigada Marta)

Publicado por medusa em 09:56 PM | Comentários (0)

junho 17, 2003

Al Berto


Primeiro alinhas as canetas de tinta permanente. Uma com tinta negra, outra com tinta azul. A terceira está vazia.
Sentas-te e debruças-te para o caderno de capa preta. O silêncio arde por toda a casa. Abres o caderno onde sepultaste, há dias, umas quantas palavras. E ao abri-lo caem as imagens sobre a mesa. O acderno volta a ficar branco – o caderno, a nocturna memória do mundo, da vida. Tudo a branco como a morte.
Nenhum corpo cresce, nenhuma sílaba ficou esquecia no papel, nenhum eco do coração.
Sentado, como se estivesse sentado sobre o mar, escutas o lento bater nos confins dos ossos. Mas já nada tremula na luminosidade plúmbea do dia. Nada se acende, ou apaga, nos céus.

O dia afoga-se, lentamente, na treva do mar.
Deitas-te, então, ao lado do morto que ainda não és. E dele se liberta um anjo mudo que vem habitar teu corpo.
A vida, como sabes, tem o tempo da areia que se escapa po entre os dedos. Areia rápoda e branca. Esvoaçante.
Agora, a ausência – a tua – é um rosto silencioso. E a tua mão está enterrada no tesouro das horas.
Finges dormir para que a dor não deixe rastro no sangue. Nada se move dentro ou fora de ti, excepto o vento no interior dos ossos…
Corpo aéreo, azulínea música rente à claridade da pele.

Páras de escrever. Recostas-te na cadeira e murmuras: da paixão ficou o estremecimento da terra nos teus dentes, e a sombra de um nome rasgando o crepúsculo.
Fechas as pálpebras. O canto ergue-se nítido, sobe ao encontro da boca.
A teu lado está o morto. Inerte e desprotegido – dentro do poema que há-de vir.
Tocas-lhe, como se ainda se escoasse vida no seu sangue. Mas no cimo da penunbrsa montanha inicia-se o degelo. Abres os olhos, pousas a mão no papel, escreves.

Tocar a luz, qualquer luz, não consegue ressuscitar nada. Sílaba a sílaba tudo continua imóvel. Mesmo quando as palavras se agitam e são voláteis, cortam a respiração – ou quando são vegetais e largam um fio de seiva quente na língua.
Porque é do silêncio poroso do anjo mudo, da fala incandescente do seu olhar que, de quando em quando, surge o poema.

A febre desperta o desejo. Uma asa do anjo incadeia-se, desprende-se do corpo – estilhaça-se no éter da paisagem.
A pouco e pouco, acordas. Ouves o assustador rumor das águas e dos astros. O calor sufoca-te.
Continuas a não pressentir o fim do corpo. Anotas: falo da última morte para melhor celebrar a vida.

O dia esvai-se quando, nos céus, se enchem de fogo os olhos vazios da noite.
Vem uma tristeza escura coalhar-te nos lábios. Repetes as palavras que ambos conhecemos. A cinza da asa incendiada flutua, por fim, em cima da folha do caderno – e a mão percorre a memória deste corpo. Mancha o papel.

O tempo, longe daqui – onde passam os comboios – já te esqueceu. O cansaço devassa-te. Lá fora os cães ladram, onde ainda há mundo.
Mas o mundo foi assaltado. Dele roubaste o que restava de ti. Nenhuma emoção, nenhum sentimento, te pode perturbar.
O mar apagou os teus passos. Sabes que é difícil viver sem um rastro. Mas o Poeta não necessita de um biógrafo, ou de um amante, nem de morrer violentamente – para que se perturbe o canto do homem.

O viajante que foste espreita por trás da máscara, sorri, prossegue caminho. Afasta-se com o sangue do anjo nos lábios.

(In O Anjo Mudo)

Publicado por medusa em 09:57 PM | Comentários (0)

junho 14, 2003

Medo

com medo subo a escada escura de madeira
sujo as mãos do pó do corrimão que desce em vez de subir
olho para cima e vejo o escuro do andar seguinte que me espreita
à minha frente a sombra que foge antes de eu a ver

atrás de mim o cão de duas cabeças e os ratos
que ainda não me alcançaram e que não oiço

degrau à frente de degrau os meus joelhos rodam
na excatidão geométrica do abismo de que se escapa

corro
e o cansaço acompanha-me
subo
as janelas fogem

chego
é largo o terraço branco aberto
quadrado
eu no centro

avanço
limites
linhas
arestas

espreito
recuo

respreito
respeito
profundidade
altura
distância
vazio

avanço
um passo


não!

acordo
salto
sobressalto
o chão debaixo dos pés.
e o sol rasgado à janela.

Publicado por medusa em 11:24 PM | Comentários (1)

Deambular

Deambulava a minha alma pelo teu sangue
Veludo
Velando pela tua matéria
Vigiando de longe uma chama etérea, a tua.


Que feitiço se aninhou nos meus olhos? Que poção tua inunda o meu corpo e de ti me deturpa a gnose?

Essa minha alma errante…
De mim apartada, a mim não torna.
E a sua embriaguez deixa-me assim
derivante, derivando da tua luz, meu centro.
E sou reflexo teu
Espelho-te
Espalho-te
Difundo-te
Longe, mais longe ainda, distante, longínquo, remoto…
Intangível o meu reflexo de ti
E com ele a minha alma flutuante.
E dele a minha alma ondulante.

Que manhã de neblina estendi no meu horizonte? Que encadeamento me projecta na escuridão?

Publicado por medusa em 04:53 PM | Comentários (0)

junho 12, 2003

Anaïs Nïn


A minha primeira visão da terra foi através da água.
Pertenço à raça de homens e mulheres que olham todas as coisas através desta cortina de mar e os meus olhos são da água.

(In A Casa do Incesto)

Publicado por medusa em 10:20 PM | Comentários (0)

junho 11, 2003

lembrei-me hoje de ti

lembrei-me hoje de ti.
estavas só, no lago azul e amarelo. era a tua luz que eu via.
depois ouvi a tua voz fresca e quente. aconcheguei-me nela. enrosquei-me.
inspirei a tua força de prana, o teu brilho irresistivelmente inseguro.
cintilavas.
senti-me bem e estiquei lentamente os braços pelo teu ser.

acordei, assim, hoje de manhã.
lembrei-me de ti.

Publicado por medusa em 11:51 PM | Comentários (0)

junho 10, 2003

transmutaformação

em cachoeira fresca e verde limpei minh' alma
liberando na água cada detalhe que me já não serve porque meu corpo cresceu,
folhas caídas de meu peito,
peles secas e rugosas de meu rosto,
escamas memoriais,
velhas raízes já sem vida,
retirei-as minuciosamente dos meus cabelos,
desfiei a hera dos meus dedos,
e lentamente despi a pele já solta e o ar invadiu-me fresco e doce,
prana com cheiro a limão verde.
Soltei as conchas da minha boca e os búzios dos meus ouvidos,
abri os pequenos cofres do meu sótão
soltei pássaros que abriam asas nos meus olhos,
abri janelas com vista para o horizonte
brancura lisa e densa, plástica, elástica
que me recolhe e me projecta.

recoloquei-me na praia

reabri esses rios que me ligam ao céu.

atenta que estou a ti,
e que o teu sopro seja para mim de novo Verbo, palavra e luz.
e que me inundes e banhes de ti e eu te seja.

Publicado por medusa em 09:04 PM | Comentários (0)

junho 08, 2003

a multidão

a multidão
a tua firmeza de estátua esculpida e branca
de traço fino e forma suprema
não me aquece as mãos

Publicado por medusa em 11:06 PM | Comentários (0)

junho 07, 2003

Medusa

Amargo.

Sabores amargos. Cruéis.

Esperam por ti.
Medusa de cabelo verde ondulado e espesso. Serpentes que gritam e agonizam no teu corpo.
Liberta-te.
Grita
Solta o teu nome
Rasga o silêncio que edificaste
Quebra de uma só vez todas as correntes paredes muros limites fronteiras pedras pesadas e duras e respira.
Devagar
Respira
Devagar onde vais assim com tanta sofreguidão?
Respira com calma
Não.
Morrer de fome de alegria.

Publicado por medusa em 08:51 PM | Comentários (0)

junho 06, 2003

Ana Viana (II)

A tua ternura desperta em mim
o desejo de te ter e de te dar
uma noite toda amor
onde os corpos despertos
pela alma
se possam desvelar
- festa de cheiros e sabor

uma noite destas
meu amor

(in Passagens Sublinhadas)

Publicado por medusa em 09:05 PM | Comentários (0)