novembro 30, 2004

Portão...

Parei extasiado perante a beleza deste portão.
Aproximo-me mas ele encontra-se fechado.
Tento abrir, mas os esforços são inúteis, pois encontra-se trancado pelo interior.
Ouso, atrevo, trepar os muros?!
Sem vergonha nem pudor subo qual gato aventureiro e corajoso e espreito.
Fico atónito, empoleirado no muro quando vislumbro o interior do paço sumptuoso.
Desço e uso o enorme puxador para chamar, a ver se alguem me responde.
Som ecoa no interior.
Está muito frio, as minhas orelhas estão geladas.
A espera é inquietante, enquanto aguardo.
E penso indeciso, se ele há-de abrir ou não.
Talvez fechado tudo esteja mais protegido.
Se abrir, novos horizontes se irão aproximar.
Vou embora...


Foto de um portão de uma casa de outros tempos situada na freguesia de Oleiros - Ponte da Barca.

novembro 24, 2004

Flores 2

Beleza rara que encontrei, perdida no meio do nada.
Vazio que se gera em torno delas, de repente tudo fica difuso.
Apenas me concentro nestas tonalidades.
Elas me transportam para um mundo imaginário, mundo esse onde flores como estas abundam.
Estou num jardim de sonho, repleto de azuis difusos, penetrantes de beleza incansável.
Difusão de cores, lembrança de paixões passadas lentamente cicatrizadas.
As cores vivas desaparecem, ficando a realidade em negro e branco.



Voltei a publicar estas flores, mas desta vez resolvi destacar as flores que estão em primeiro plano, para realçar a sua beleza.
Para saber mais sobre estas flores clicar aqui

novembro 19, 2004

Lago gelado

No meu intimo sinto este gelo.
Não sei o que o pode derreter.
Deve ser o frio do inverno que se aproxima, que posso antever que vai ser rigoroso. Mas continuo a espera que possa vir um raio de sol penetrar a minha alma solitaria. Enquanto isso vou-me tentando aquecer com pensamentos que me transportam para outra estação, ou mesmo para um paraiso tropical.



Foto tirada na minha ultima ida a serra da estrela.

novembro 13, 2004

Chafariz

Aqui estou eu plantado nesta praça centenária, a ver o tempo passar.
Por mim passa a chuva, o sol e uma vez por outra a neve. Frequentemente o meu amigo rio me vem molhar os pés. Sim porque ele está longe, mas por vezes, por capricho, me visita.
Passam também os idosos, os adultos e as crianças. Cada um destes tem o seu motivo para andar por aqui, se bem que os primeiros são das melhores companhias pois não passam com pressa e correrias.
Aqui nos meus degraus vi nascer amores, vi pais a despedirem-se de seus filhos que partiram em busca de vidas melhores.
O tempo continua a passar e eu choro constantemente, choro esse, quem sabe, motivado pelas tristezas de estar aqui abandonado. Abandono que é quebrado pelas festas populares, assim como pela feira quinzenal que a nossa vila acolhe.
O Inverno está a chegar. Eu detesto esta altura do ano, pois é quando menos gente me vem visitar.
Não deixem de me visitar, vão ver que não é difícil me encontrar.



Belo Chafariz que pode ser encontrado no centro do Largo de Camões em Ponte de Lima

novembro 03, 2004

Magestic Café

Numa tarde de Outono, sentei-me num café.
Este lugar transpira glórias de outros tempos, uma pessoa aqui sentada sente-se arrastada para o início do século (1921 – ano de inauguração), onde as damas vinham tomar o seu chá e ouvir recitais de piano.
O piano ainda aqui está, mas a melodia que se ouve é de um estereofonia dos tempos modernos, as damas também já não usam os imponentes vestidos de outras épocas. Estou a ouvir vários idiomas a minha volta, turistas com certeza, devem adorar este local, pois nos seus olhos percebe-se o brilho de espanto e admiração.
Espero uma companhia. Tenho os pés gelados, com o cabelo molhado. Chove lá fora, as pessoas protegem-se debaixo dos seus guarda-chuvas enquanto correm, ultrapassadas por outras que tal como eu foram imprudentes e não tem como se abrigar, saltam de toldo em toldo para se protegerem.
Não conheço a companhia que espero. Como será ela? Tenho tempo de pensar em tudo pois cheguei demasiado cedo. Dou por mim a contemplar este lugar de novo, embalado pela música que inunda o salão. Reparo em todos os pormenores, desde o tecto magnífico aos candeeiros sumptuosos, as frias mesas de mármore que acompanham belas cadeiras de madeira.
Estou rodeado de espelhos que emitem o meu semblante triste e um pouco desolado. O meu cabelo resolveu ficar rebelde hoje, logo hoje que devia ficar direitinho, pois gostava de causar boa impressão à pessoa que espero.
Com lentidão o tempo passa até à hora combinada. Divago pelo clima que faz lá fora, propiciando o tomar um café reconfortante que me aquece o corpo e a alma. Está muita gente cá dentro, mas mesmo assim consigo desfrutar a música, pois as pessoas conversam num tom de voz moderado.
Ela chegou…



Fotografias do interior tirada por mim. Magestic Café


Nota: Com este post comemoro um ano desde o primeiro post, por isso o blog ainda é um recem nascido e tem muito para crescer. Obrigado a todos os que me visitaram durante este ano.
Foi assim que tudo começou Primeiro Post