Entrada | "Aforismo de um pobre-diabo a um cretino" texto de Renan Martins Pereira »

outubro 29, 2010

886.816 pessoas sonharam com Plínio

A ambigüidade nos trás dúvida; qual caminho escolher? Qual verdade eleger? Com o que tivemos a juventude de sonhar? Com um homem como Plínio no poder? Ou simplesmente tomamos para nós os sonhos os quais ele nos oferecera em sua campanha; fazendo com que alguns ideassem a seu lado.
O que ele nos apresentara? Sonhos, utopias e devaneios desvairados? Ou simplesmente palavras que corações de esquerda gostariam de ouvir? Uma busca sincera e destemida pela igualdade e pelo asseio político em nosso país... Antes de tudo, fora um luta direta, mesmo que sem forças, contra um sistema; um sujo sistema político que nos jugula, sobre a premissa de nos representar.
Vivemos a ressaca de um governo de direita bem sucedida; A social-democracia Lulista conseguiu resultados nunca antes visto em nosso país, alcançando indicadores econômicos exageradamente superiores em relação aos resultados que o partido de ultra-direita de Serra conseguiu quando nos aterrorizou com oito anos de governo.
A sensação de esquerda causada pelo governo petista pode ser referente ao fato de que nosso país ficou afundando trinta e oito anos em governos de extremo alinhamento ao sistema; os programas sociais do governo Lula podem ser considerados enormes avanços políticos quando se compara com as ultimas décadas, mas mesmo assim muito mais poderia ter sido feito.
A questão que Plínio trouxe, sobre o fato de que, a cada treze dias gastasse com bolsa banqueiro o equivalente a que se gasta com a Bolsa Família em um ano, demonstra o caráter destro do governo, além do descarado alinhamento com seres humanos, se é que assim podem ser designados, como José Sarney, Fernando Collor e Romeu Tuma...
Os avanços econômicos e sociais não podem simplesmente apagar o escândalo do inicio do governo, abafado pelo referendo das armas; Nomes como José Dirceu e Palocci continuam impunes, saíram ilesos como se nada tivesse acontecido; a crise Sarney não deu em nada, mesmo com as ligações corruptas do senador sendo exibidas para as massas; Lula pediu respeito para com o senador...
Esse é o respeito que a direita pede; o respeito para com os homens ricos e de poder; mas e o respeito para com o pobre, para com o trabalhador, para com os cidadãos sem poder? Este respeito a direita não quer; esse é um desejo de esquerda... Plínio talvez não viera como alguém para nos trazer sonhos, mas sim, para nos livrar de nossos pesadelos.
Este segundo turno nos faz sentir saudades dos tempos em que Marina e Plínio; Marina, o fenômeno do segundo turno, apresentou pelo menos, idéias um tanto diferentes, mas apareceu infelizmente alinhada com um partido que foi capaz de possuir integrantes que apoiaram José Serra no segundo turno; hoje vemos:
Dilma sendo alvo da baixeza ideológica tucana, segurando a bandeira do se governo como se fosse uma flâmula falsamente vermelha; os setores religiosos entrando infantilmente na discussão política tentando impor suas verdades goela a baixo das minorias ideológicas que buscam seus direitos.
Já do lado da ultra-direita, Serra! Um tumor político, gerado pela alienação ideológica das massas paulistas que vem sendo perpetuada por uma impressa controlada pelos setores de direita que inventam suas verdades; um representante de um partido que só é capaz de pensar nos interesses dos grandes e ignoram os pequenos como se fossem nada.
Apesar de Dilma representar um governo que fez um mínimo esforço pela miséria, ela ainda importa as contradições citadas acima, porém a briguinha pelo governo tornou-se baixa e difícil de tragar, deixando no ar que talvez fosse mais interessante um disputado do terceiro lugar, do que a final em si; Plínio e Marina com certeza fariam um segundo turno mais decente.
Voltando ao primeiro turno, cabe a mim discorrer um pouco sobre a campanha do representante do Partido do Socialismo e Liberdade, que apesar de ter sido dono de notáveis performances em debates, não conseguiu passar a marca de um milhão de votos, sendo incapaz de conseguir o percentual de um por cento; porém, concretizou-se como o maior nome da esquerda nacional.
Plínio de Arruda Sampaio, ministro de nosso último governo de esquerda; chegou até a campanha trazendo não só propostas, mas apresentando o que há muito não se via na política brasileira; Plínio de Arruda Sampaio nos trouxe a tão límpida e suntuosa, sinceridade. A proposta governamental dele era clara:

“Meu programa de governo tem cinco pontos prioritários: socialização da saúde; educação pública e gratuita em todos os níveis, com investimento de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) no setor; reforma agrária efetiva com limitação do tamanho das propriedades a mil hectares e destinação do restante para o assentamento de 6 milhões de famílias; reforma urbana com utilização prioritária dos imóveis vazios para abrigar famílias em situação de risco social; e a redução da jornada de trabalho sem redução salarial.” trecho de um de suas entrevistas para UOL

Chamaram-no de louco; mas o que há de insanidade em suas propostas? Será que a insanidade não está em nosso atual estágio social? Em nossos déficits de educação, saúde, habitação e saneamento? A insanidade está na miséria! A miséria sim é uma loucura; a corrupção é a demência! Nosso sistema político é senil, depravado e terrorista.

“Hoje, neste minuto acaba uma guerra. Não... Acaba uma batalha; a guerra vai continuar! A guerra é destruir este muro que separa você de suas aspirações, que separa você dos seus direitos [...] A maior alegria que tive nesta campanha foi o apoio da juventude, talvez muita gente não entendeu o que eu falei aqui, muita gente não captou... A juventude captou! Porque a juventude pensa no futuro! Eu to falando pro futuro, não to falando nem pro presente horrível que nós temos; nem pro passado; estou falando e pedindo a você, jovens; pensem grande... Não pensem pequeno... Não acreditem no impossível, o impossível torna-se possível se você quiser... Ele vira possível... É preciso é coragem, é preciso é tenacidade, é preciso é força, é preciso não esconder a realidade... Não ter medo dela... É preciso falar as coisas como elas são! Elas foram ditas aqui desta maneira, assustou muita gente! Não vocês... Não os jovens... Olha, sessenta anos de vida pública, exílio, perda de cargo, perda de mandato... Mas compenso... Se a juventude levar a diante o meu projeto... Viva o Brasil!” trecho do debate para rede globo, considerações finais de Plínio.

Os textos auto se explicam, espero que Plínio de Arruda Sampaio não tenha deixado somente suas grandes idéias jogadas ao vento, espero que caiam em solo fértil e gerem frutos, pois são de bons frutos que precisamos, pois a podridão parece ter tomado conta de tudo... A verdade tornou-se um crime, a realidade tornou-se uma quimera, uma efígie da deturpação...
Coragem! Aferro! Força! Sinceridade! Vamos à luta! Jovens de espírito, puros de coração; sonhando juntos com Plínio! Sonhos para destruir nossos pesadelos! Chegou a hora da esquerda se preparar; tornar-se competente para qualquer desafio; a caminhada é longa, árdua e penosa. Lutar é o que podemos fazer para honrar as palavras de nosso querido amigo!

“Sinto vergonha de mim
Por ter sido educador de parte desse povo,
Por ter batalhado sempre pela justiça,
Por compactuar com a honestidade,
Por primar pela verdade
E por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra.

[...]

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir,
Sem despejar meu verbo,
A tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade,
A tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido,
A tantos "floreios" para justificar atos criminosos,
A tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre "contestar",
Voltar atrás e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim, pois faço parte de um povo que não reconheço,
Enveredando por caminhos que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
Da minha falta de garra,
Das minhas desilusões e do meu cansaço.

[...]

Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!

De tanto ver triunfar as nulidades,
De tanto ver prosperar a desonra,
De tanto ver crescer a injustiça,
De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
O homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
A ter vergonha de ser honesto.”

Cleide Canton e Ruy Barbosa

Publicado por Leo Victuri às outubro 29, 2010 05:50 PM

Comentários

Faz bem ler isso antes do segundo turno e fortalecer nossas idéias, para não cair nessa armadilha do segundo turno.

É engraçado que querer os sonhos do Plínio parece até piada na situação atual, mas não é. Vivemos nessa loucura e sentimos tão forte que não está certo.

É um convite para a juventude. Vamos concretizar o sonho?

Publicado por: Bru às outubro 30, 2010 09:20 AM

Um texto assim deveria ter sido publicado alguns meses antes da eleição. Concordo com o plano de governo do PSOL na parte em que seja um partido democrático liberal e de meio-termo entre o socialismo e o capitalismo, assim como o autor do texto me disse.
Acontece que só o nome "socialismo" traz em sí o medo da população do autoritarismo e falta de liberdade.
Tem muita coisa no programa de governo do Plínio que, pessoalmente, discordo. Tal como a reforma agrária que deveria ter sido feita no anos 60, e agora é uma coisa totalmente inviável.

Publicado por: Chi às novembro 5, 2010 03:49 PM

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