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setembro 01, 2008

A "Realidade"

Há dias assim. Em que tudo se conjuga para nos fazer fugir da realidade.
E essa é uma realidade...

Há certos dias em que estamos pendurados numa palavra.
Ou porque as esquecemos, e ficam debaixo da nossa língua a viver por breves segundos ou por longas semanas ou, simplesmente, não a percebemos ou não atingimos completamente o seu conteúdo.
Isso acontece comigo.
Acordo com sabor a papel na minha boca, como se estivesse de ressaca depois de uma noite atarefada em convívio social alcoólico, vindo de uma noite sonhadora com uma palavra.
Ela fica presa no meu inconsciente, o que pode durar vários dias, e só de lá sai através de um sonho.
Devo apenas sublinhar que só sai através de um sonho quando a palavra achar que já esteve tempo demais no meu inconsciente e quer vir à luz do dia.
Fico desconcertado por momentos porque tento, e tenho, de localizá-la para perceber o seu contexto, além da sua singularidade e individualidade como palavra.
Por vezes dou-me conta que já me esqueci de onde ela provem, antes de se alojar no meu inconsciente.
Aí tenho de me virar para a minha biblioteca recente e ir descendo cronologicamente na lista de obras que li, só para a localizar.
Se tenho dúvidas, mesmo e depois do dicionário, ela continua no meu consciente de uma forma muito consciente até se sentir realizada e partir da minha mente.
Por vezes para todo o sempre...
Vezes há em que, mesmo depois de satisfeito, a palavra, insatisfeita, não desocupa a minha mente.
E ela aqui fica, convivendo e vivendo comigo.
Esta noite uma outra saíu da obscuridade do meu ser.
Por momentos fiquei preocupado porque a palavra em si não tem qualquer tipo de mistérios para mim.
Só para cumprir todo o ritual, na perspectiva de ela se desalojar do meu consciente, fui falar, inclusivé, como um professor de linguística.
Isto depois da minha ida à prateleira de todos os dicionários na Biblioteca Nacional.
Nem assim a palavra se dignou a sair da minha mente.
Fiquei prostrado, porque isto de ter uma palavra a viver dentro de mim extenua-me.
Simplesmente porque não existe pensamento, atitude, actividade, sentimento ou desejo em mim em que a palavra não se encontre algures contida no princípio, no meio ou no fim.
Já estou com esta palavra em mim há demasiado tempo.
Ela já me comanda e exige.
Estou desesperado.
Alguém me explica o que é a REALIDADE?

Publicado por Miklos Kazantakis às setembro 1, 2008 08:17 PM

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Comentários

Correndo o risco de abrir o pote das asneiras:
A Realidade e o Sonho devem ser irmãos gémeos, num parto de três. No acto do nascimento ouve-se o grito do Eu a anunciar a sua chegada, a sua vitória. Depois, ao longo da vida, o Eu aprende, isto é, deveria aprender a lidar com esses dois mundos paralelos. Assim, as diferentes nuances do Eu dependem de qual deles, a cada instante, “fala” mais alto. Em caso de dúvida, se sinto é real!?

Publicado por: Niklas às setembro 1, 2008 10:25 PM

O alquimista aprendiz
O jovem alquimista aprendiz sentiu que tudo lhe fugia. Nem nos velhos calhamaços, nem na cabeça e muito menos no coração encontrava as habituais fórmulas alquímicas que transformavam tudo em como tudo deveria ser. Abria os seus olhos de sonhador e não via nada que merecesse mantê-los abertos. Parece que tudo se resumia a uma forte dor na parte frontal da cabeça e por mais que tentasse reproduzir o que tinha aprendido nada resultava. Estava sob o efeito de um eclipse mental. O coração tremente enviava mensagens difusas e por isso, desprovidas da eficácia de outrora. A inoperância daí resultante estendia-se ao resto do corpo que, apesar de aparentemente calmo, se olhado com atenção deixava escapar uma atitude expectante. As mãos remexiam os livros e mostravam aos seus olhos vários conjuntos de códigos diferentes, todos com algo em comum: indecifráveis. Os efeitos profundos da situação manifestavam-se de forma veemente na sua linguagem. Subitamente, e embora dominado por um vocabulário mais restrito produzia expressivas metáforas, facilmente entendíveis por todos os filhos das mães deste mundo. Depois de tanto gesticular, deu três voltas à retorta maior, parou e olhou-a. Esforçou-se por vê-la por baixo e por cima, por dentro e por fora, e, não se sentindo satisfeito, repetiu as voltas, agora, em sentido contrário. Por fim, cansado até aos ossos deitou-se no chão ligeiramente húmido do jardim. Num momento de lucidez foi buscar uma manta de retalhos e envolveu-se nela. Deixou-se ficar a olhar longamente para o céu estrelado que a noite, na sua enorme generosidade, lhe oferecia. Adormeceu. Foi nesse exacto momento que dentro de si começou a alquimia.

Publicado por: Niklas às setembro 3, 2008 11:14 PM

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Publicado por: Kaylea às novembro 5, 2011 02:45 AM

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Publicado por: vivatm às novembro 6, 2011 10:22 AM

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Publicado por: ifjbujsmis às novembro 9, 2011 02:06 PM

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