novembro 30, 2005

Silhueta

Isto de se ser silhueta tem muito que se lhe diga. Principalmente quando nos calha em sorte personagens patéticas como a que eu tive o azar de me associarem. Não bastava já o facto de ao longo dos anos ela se ter vindo a desleixar em termos estéticos, o que se repercute nos meus traços gerais, como agora pôs na cabeça que a responsabilidade de isso ter acontecido é única e exclusivamente minha. Ou seja, ter cuidado com a alimentação e fazer exercicio físico (e como eu tenho saudades deste) que é bom, nada, toca mas é a pôr as culpas na pobre da silhueta que se arrasta atrás dela. E assim se escreve uma carta de reclamação ao Poder que gere todas as questões relacionadas com o nosso Mundo, e consequentemente se pôe em causa a continuidade da relação de intimidade que já aprendi a ter com o correspondente à pessoa com quem ela anda há cerca de três dias. Diz ela que quer uma nova silhueta visto que eu já não sirvo as suas necessidades. Que raio! Mas então já ela parou para pensar que o inverso já tem acontecido de há uns tempos para cá e eu nunca pedi transferência? É o que dá manter-me fiel a pessoas que não o merecem. E agora sujeito-me a ser substituído e a ser atirado para as brumas de um qualquer sítio assustador até me ser atribuído outro destino, o que poderá não acontecer tão rápidamente como seria de esperar pelo facto de esta ser a quarta vez que sou afastado de funções pelos meus correspondentes, curiosamente alegando eles sempre as mesmas razões. O melhor será mesmo fugir, fugir, e só parar quando tiver uma silhueta própria à qual não possa fugir.

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novembro 23, 2005

Falta de ambição

Acho que alguém devia pedir desculpa a todos os portugueses (falaram em quarenta e cinco mil, e não acredito que fossem todos benfiquistas) que se deslocaram ao Stade de France para assistir ao jogo Lille-Benfica desta noite que terminou empatado a zero. Acho que mereciam mais e melhor (mesmo eu que vi o jogo pela televisão sinto-me defraudado). O Benfica que eu quero não pode mostrar a falta de ambição que hoje demonstrou (entre outras coisas). Julgava que esse tempo já tinha acabado com a saída do Trapatonni, e embora lhe esteja muito grato por ter vencido o campeonato da época transacta, sei que não praticava um futebol digno do nome do Benfica. E no entanto Koeman lá se vai encolhendo cada vez mais, sempre com o estigma dos resultados a condicionar a sua forma de abordar os jogos. Mesmo assim, embora pouco satisfeitos com a exibição, os emigrantes portugueses lá poderão amanhã, andar com a cabeça erguida porque afinal de contas o jogo não se perdeu. E agora resta-nos esperar pela último jogo com o Manchester United, com a certeza de que ambição não nos poderá faltar, pois só a vitória interessa. Depois do jogo desta noite, quase nem me apetece falar numa camisola muita do giraço que adquiri hoje e que curiosamente (?) é do Benfica. Dizem-me que é a oficial das Competições Europeias do ano passado. Não me lembro dela (talvez pelo facto de termos disputado poucos jogos antes de termos sido eliminados), mas sei que é linda. Aproveitei um bom negócio para ter pela primeira vez uma camisola do Glorioso, algo que já deveria ter feito nos meus tempos de juventude, ou seja, há cerca de ano e meio. Comprei-a com o intuito de a utilizar nas minhas jogatanas de bola, no entanto ela é tão bonita que acho que a vou pendurar na parede do meu quarto. Agora a questão é que se a pendurar lá, terei que retirar um de três posteres, a saber, ou o do Eusébio, ou a da Pamela Anderson (que na verdade é um grande plano de tudo o que é pescoço para baixo) ou do Roberto Leal em que se vê distintamente o arozinho à volta cabeça oxigenada. Bem, logo se vê.

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novembro 21, 2005

Ranhoso?! Em que sentido?!

Desde sempre (ou pelo menos desde que me recordo) que os problemas alérgicos fizeram o favor de me acompanhar. Sem época definida, sem aviso prévio, quando dou por mim já estou completamente congestionado e a espirrar intermitentemente. Consultei uma vez um especialista que me fez uns testes que consistiam em me colocar nos braços (penso que é comum nessa especialidade) vários tipos de líquidos cuja composição continham substâncias alimentares, poléns, ácaros e outros para ver quais deles provocavam reacções na pele. Resultado: tiveram quase que me amputar os braços já que fiquei com eles num estado lastimável. Lá se salvaram e uns dias depois, já totalmente recuperado, a médica (que por acaso era uma brasa) ainda me tentou convencer a fazer novos testes noutras partes do meu corpo insinuando-se descaradamente perante mim. Recusei decididadamente. Só de pensar que poderia mais tarde haver um outro membro em risco de ser amputado causou-me um pânico terrível, e nunca mais quis saber de médicas (com excepção de uma noite e que não estava em mim...). Há fases melhores e outras nem por isso, mas tinha vindo a notar nos últimos anos um evidente decréscimo nas segundas, evidenciado pela substancial diminuição da parte do meu orçamento destinado a lenços de papel. No entanto este ano tem sido terrível. Já me tinham avisado que este ano seria propício a isso visto ter chovido tão pouco. Mas não imaginava que pudesse ser assim tão mau. Sucessões de espirros que me deixam deitado no chão sem qualquer tipo de reacção por me deixarem sem força nenhuma, crostas à volta do nariz de tanto me assoar e gastos enormes com a compra de lenços de papel, que só ainda me deixam com algum dinheiro para me ir alimentando por conseguir reciclar alguns deles, deixando os que consigo aproveitar num quarto específico com aquecimento para os poder reutilizar (por experiência própria aconselho-os a não reutilizarem mais de quatro vezes). Vem esta história toda a propósito de uma dúvida que me anda a incomodar. Acontece que desde os primeiros momentos em que esta crise ocorreu, comecei a ouvir determinadas piadas (ou pelo menos tomei-as como tal) que acabavam invariavelmente com a expressão "És um ranhoso!". Ainda dei umas gargalhadas valentes das primeiras vezes com o pessoal na brincadeira, mas comecei a achar estranho quando essa expressão começou a ser utilizada noutros grupos de conhecimentos que tenho e que nada têm a ver com o primeiro e num tom afirmativo e definitivo que assim não me soava das primeiras vezes que o ouvi. O ponto de exclamação e o final são totalmente diferentes, agora o sei Stora Conceição (minha professora de Português no 3º ano que repeti a terceira classe). "Ranhoso.". Eu sei que às vezes consigo ser um pouco ranhoso em termos de personalidade. O que eu não esperava é que fossem assim tão frontais. No entanto, quando confrontados por mim, dizem que não, que estou a imaginar coisas pois não é nada disso que eles pretendem insinuar, e após me dizerem isso dão-me uma palmadinha nas costas e com um sorrisinho lá mandam o "Ranhoso." da praxe. E a dúvida subsiste, e penso que só a tirarei quando estiver completamente recuperado das minhas alergias. Será que continuarei a ser o "Ranhoso."? Logo se verá. Agora tenho que ir pôr a secar o kilo e trezentas de lenços de papel que utilizei enquanto escrevia estas linhas.

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Música no Blogue

Concretizei finalmente um dos meus sonhos no que a este blogue diz respeito. Não, não se trata de escrever textos interessantes, mas sim o de ter música para partilhar com quem por aqui passa. Com a troca de serviços de ADSL que realizei recentemente fiquei com um espaço para alojar o som que entender para reproduzi-lo neste blogue. Sei que há quem discorde com o facto de se colocar uma músia a tocar automaticamente na abertura de um blogue. Eu próprio já tive essa posição, principalmente quando em momentos de magia nos quais ouvia temas reproduzidos no leitor do meu PC que me levavam às lágrimas (pronto, admito que estou a exagerar um pouco), entrava num qualquer blogue e tinha que levar com Josés Cids, Claudisabeis (a mamalhuda!) e inclusivé ter chegado ao ponto de ouvir temas de Doors num certo blogue (piada com destinatária específica). Mas acabei por compreender que também pode ser um contributo importante para um blogue e que de vez em quando nos dão coisas interessantes a conhecer para além dos textos. Assim vou começar a actualizar a música de tempos a tempos (eu sei que se for ao ritmo dos meus posts será muito raramente), com temas que terão a ver com os posts em si ou simplesmente com músicas que no momento fazem as minhas delícias, ou seja de qualidade (duvidosa certamente para alguns).

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outubro 01, 2005

Os meu sábados de manhã...

Das piores (e há muitas) coisas que me podem dizer a um sábado, por volta das Doze horas e quarenta e cinco minutos, é o seguinte: "Vê lá se vens jogar para a semana!". Realmente, para alguém que dá o máximo (ou seja, o que consegue) semana após semana, no recinto de jogo da denominada "bola", é bastante dificil de aceitar este tipo de comentários de pessoas que todos os dias levam "cabras" e "cuecas" (em sonhos recorrentes em que o sujeito passivo passa a activo). O que vale é que às Treze horas e trinta minutos, já esqueci este tipo de comentários, pois já estou com três ou quatro minnies (e só não são mickeys porque dizem que é um bocado amaricado) no bucho. Isto tudo para dizer apenas uma coisa: "Já estou a ver o filme todo amanhã" (e apenas com um olho, pelos vistos o único que se mantém em aberto, e não, não é aquele que já estão a imaginar, seus pervertidos!!!).

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setembro 26, 2005

Roller Coaster

Enquanto subíamos, os seus gritos iam tornando-se cada vez mais estridentes e enervantes tais como os de todos os outros que nos acompanhavam (eu, por outro lado, embora quisesse gritar não o conseguia). Olhava para baixo, e o que estava em baixo estava ao mesmo tempo cada vez mais distante. Sentia-me incomodado com toda a situação, e nem os somente quarenta e dois segundos que aquela viagem demoraria (o tempo mais rápido tinha no entanto sido de vinte e três num dia em que ao segundo looping os imortalizados passageiros tinham voado para a glória, e infelizmente para algo menos agradável), me transmitiam a tranquilidade suficiente para impedir que o meu coração continuasse a tentar fugir pelo meu peito fora (ainda agora sinto que o meu peito direito se encontra mais descado do que o esquerdo). E a carruagem continuava a subir e ela continuava a gritar-me aos ouvidos(nem sei se no meio dos gritos me tentava dizer algo). E foi no ponto mais alto, quando ela me cravou as unhas nos braços e a descida vertiginosa começou, que algo nasceu em mim (claro que para dar espaço a algo que tinha nascido, tive que retirar algo de dentro de mim, ou seja, e pardon my french, borrei-me todo). Não sei descrever exactamente o que senti, nem sei exactamente se foi o tempo que me tinham dito que seria (desconfio que ouve um momento que desfaleci), mas sei que fiquei diferente. Quando parámos, quis dar-lhe um beijo, mas ela já se afastava a gritar (sempre o mesmo grito irritante) "Vamos a mais uma!!! Vamos a mais uma!!!" que só ouvia curiosamente com o ouvido esquerdo, não sei se por causa da direcção do vento. Não fui. Dirigi-me à casa de banho mais próxima para me lavar. Entrei. Olhei-me ao espelho e vi alguém com um ar muito assustado. Estava branco (e eu que me orgulho de ser um gajo muita do morenaço) e tinha uma expressão indiscritível na face. Para além disso, afinal de contas o raio da miúda tinha-me rebentado mesmo o timpano direito, e o braço (também o direito) estava todo ensaguentado (lembrei-me da informação que me tinha dado três dias antes a afirmar que tinha deixado de roer as unhas há cerca de três meses, e de eu lhe ter dito "Ainda bem!", Burro!!!). Lavei-me como pude, e olhei novamente o espelho. Estava bem melhor. Fiquei a mirar-me até o coração atingir os cento e cinquenta por cento do normal, e depois exclamei algo como "Bolas!!! Isto é muita do porreiraço!!!". Decidi logo ali que nas próximas férias vou tentar ir por aí fazer um circuito só das melhores montanhas russas (do Mundo, da Europa, de Espanha? Conforme o que me sair no Euro-milhões). Se vou com ela? Não me parece. A não ser que, entretanto na viagem que já a seguir vou novamente fazer, troque de posições com ela e ela me rebente com o outro timpano, e que comece novamente a roer as unhas.

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setembro 24, 2005

Música Ficcionada I

"Feel Good Inc." - Gorillaz

Hahahahahahahahahahahaha

feel good (x9)

City's breaking down on a camel's back.
They just have to go 'cos they don’t hold back
So all you fill the streets it's appealing to see
You wont get out the county, 'cos you're bad and free
You've got a new horizon It's ephermal style.
A melancholy town where we never smile.
And all I wanna hear is the message beep.
My dreams, they've got to kiss, because I don’t get sleep, no...

Windmill, Windmill for the land.
Learn forever hand in hand
Take it all in on your stride
It is sticking, falling down
Love forever love is free
Let's turn forever you and me
Windmill, windmill for the land
Is everybody in?

Laughing gas these hazmats, fast cats,
Lining them up-a like ass cracks,
Ladies, homies, at the track
its my chocolate attack.
Shit, I'm stepping in the heart of this here
Care bear bumping in the heart of this here
watch me as I gravitate
hahahahahahaa.
Yo, we gonna go ghost town,
this motown,
with yo sound
you're in the place
you gonna bite the dust
can’t fight with us
With yo sound
you kill the INC.
so dont stop, get it, get it
until you're cheddar header.
Yo, watch the way I navigate
Hahahahahahahahaa

feel good (x4)


Windmill, Windmill for the land.
Learn forever hand in hand
Take it all in on your stride
It is sticking, falling down
Love forever love is free
Let's turn forever you and me
Windmill, windmill for the land
Is everybody in?

Dont stop, get it, get it
we are your captains in it (feel good)
steady,
watch me navigate,
ahahahahahhaa. (feel good)
Dont stop, get it, get it
we are your captains in it (feel good)
steady, watch me navigate (feel good)

ah huh
ah huh
ah huh
ah huh

Ahahahahahahahaaaa


Hoje, fui a uma entrevista de emprego. Quando lá cheguei, as coisas por que já tinha passado desde o acordar até áquele momento, não prenunciavam nada de bom. Tinha acordado muito depois da hora a que me tinha proposto devido à electricidade ter faltado o que implicou que o meu rádio-despertador se tivesse abstido de cumprir com a sua função. E mais uma vez pergunto a mim próprio o porquê de querer este tipo de modernices quando tenho guardado no sotão um despertador daqueles de se dar corda e que debita das suas entranhas o inconfundivel trriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim. Depois, e ainda devido à falta de electricidade, esquartejei a cara toda ao fazer a barba. Cheguei a temer pela vida pois um dos cortes parecia uma verdadeira nascente de sangue, tendo inclusivé atraido, não sei como, um vampiro que me bateu à janela com um garrafão de cinco litros vazio a perguntar se se podia servir (sempre é verdade que os vampiros resistem à luz do sol). Achei estranha a pergunta até me aperceber que ele era completamente desdentado. Ajudei-o como pude ao dar-lhe um penalty de tinto que ele emborcou com sofreguidão e ao ir-se embora reparei que ele ia com uma muito melhor côr. Já tinha feito a minha boa acção do dia mas as coisas continuavam a correr-me mal. Tinha sujado de vinho a única camisa de jeito que tinha para vestir quando estava a brindar (claro que não ia deixá-lo beber sózinho). Quando finalmente o sangue estancou, olhei para o espelho e dei de caras com o Scarface, que afinal não o era pois passados alguns momentos cheguei à conclusão que afinal era mesmo eu, o próprio. Se ainda não o estava, mal-disposto fiquei quando depois de sair de casa e já sentado na minha viatura rodei a chave na ignição sem resultado algum. Algum problema deveria haver, mas não ia perder tempo com isto, já que eu a olhar para o motor de um carro é como ter o "Pavarotti" a olhar para o estádio do Glorioso. Fui a pé. Pelo caminho passei por duas senhoras que olhavam para o céu e exclamavam em tom interrogativo "É um pássaro?! É um avião?! É o Super-Homem?!". Muito antes de ficarem a saber que se tratava da primeira opção, já eu o sabia, pois tinha levado com uma matéria pastosa e quente vinda do céu na cabeça. Lá cheguei sem mais sobressaltos à empresa onde iria ser entrevistado e fulo da vida entrei. A minha má disposição contrastava claramente com o ambiente que reinava neste local. Muitas gargalhadas e risos se ouviam e todas as pessoas pareciam a Boa-Disposição em pessoa (quem a conhece sabe bem do que estou a falar). Mandaram-me aguardar e durante o tempo de espera ouvi umas quatro ou cinco anedotas da secretária que me mudaram radicalmente o estado de espirito (e eu bem o precisava). Foi já a rir-me e depois de ter retribuido com a minha melhor anedota à dita secretária que fui mandado entrar para o gabinete do chefe. E o chefe seria tudo o que uma pessoa podia desejar, se ainda por cima fosse uma gaja boa, mas não, era um porreiro parecido com aquele da série "The Office" que espero sinceramente já tenham tido a oportunidade de ver. Lá falámos, brincámos e demos umas valentes gargalhadas e a certo ponto ele apontou para uma miniatura de um moinho de vento que tinha na sua secretária e afirmou: "A nossa empresa é como um moinho de vento, e a boa-disposição é o vento que o faz funcionar. Sem boa-disposição não se faz nada.". Disse-me também que eu lhe parecia um bom vento e que portanto à partida o lugar seria meu, no entanto ainda tinha que entrevistar mais uma pessoa. Despedimo-nos com mais umas gargalhadas e ao sair cruzei-me com o palhaço que faltava ser entrevistado. E não pensem que estou a ser ofensivo para a pessoa em questão, porque literalmente ele era mesmo um palhaço vestido a rigor, pintado, com o narizinho redondo, a cabeleira vermelha e inclusivé uma flôr ao peito que ainda me esguichou água ao passar por mim. Voltei a ficar mal-disposto quando percebi que não iria ficar com aquele emprego, pois ao afastar-me ouvia vindas do gabinete do chefe umas ridiculamente sonoras gargalhadas: "Ahahahahahahahahahaaaaaa".


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setembro 11, 2005

O Silêncio...

... nunca me tinha incomodado, até aqui há uns anos atrás quando as pessoas começaram a ficar incomodadas com o meu silêncio.

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abril 22, 2005

Que bom seria se assim fosse...

"God grant me the serenity to accept the things I can not change
Courage to change the things I can
And the wisdom to know the difference"

in "Feel So Different" de Sinead O'Connor

Publicado por Flash às 10:25 PM

março 29, 2005

Podia ter corrido melhor...

Hoje, algum tempo depois de ter chegado a casa vindo da minha labuta diária, olhei pela janela e reparei que tinha parado de chover. Mais, as nuvens pareciam não ser capazes de conter o sol que tentava romper por entre elas. É agora ou nunca, pensei. Cinco minutos depois estava a sair para a rua, vestido com uma sweat, uns calçonitos e uns ténis. Dei as primeiras passadas, primeiro tímidas, e depois, à medida que fui ganhando confiança, alarguei o passo de corrida. Era algo a que já me tinha proposto, aproveitando assim o facto de os dias já serem maiores (eu sei perfeitamente que na realidade não o são, não sou como o outro, daquela anedota, que queria que o povo trabalhasse vinte seis horas por dia, mas relembrado por alguém que o dia só tinha vinte e quatro, afirmou que sim, estava bem, que teriam então de trabalhar à noite também) e a época da Páscoa ter terminado (onde o abuso de doces foi mais que muito, o que deve andar à volta de muitíssimo). Não dei muitas passadas até abrandar novamente a corrida porque me lembrei ter lido em qualquer lado que cada um de nós tem que encontrar o seu próprio ritmo (tinha-se tornado claro após as primeiras lufadas de ar a entrar nos meus pulmões, que um ritmo elevado não era certamente o meu). Decidi sair da estrada, até porque não sei o que o novo código da estrada refere (se é que refere) em relação a limites mínimos de velocidade na via por joggers (não é jokers, embora muita gente que tivesse passado por mim, certamente tenha dado umas valentes gargalhadas), limites esses, que eu deveria estar claramente a infrigir. Entrei pelo pinhal dentro. Comecei a tossir de quando em quando, já que aquele ar puro todo estava a fazer-se sentir (ainda bem que já não fumo hà uns tempos), e com ela veio a chuva, e torrencial ainda por cima. Isto já tinha estado a correr melhor, até porque nesse momento já não me estava a orientar muito bem no pinhal (uma data de caminhos e todos eles iguais). Dei mais umas voltas e nada. Não conseguia encontrar o caminho dali para fora. Começava a sentir medo. Sentia-me cansado, desorientado e molhado. Para além do barulho da chuva a cair, outros barulhos (estranhos) me rodeavam. Ainda por cima na noite anterior tinha estado a ver o filme "The Village" que tinha mexido comigo (não é preciso muito para um filme de terror, e este nem era desse género, me dar cabo de uma tranquila noite de sono). No filme em questão a floresta era habitada por uns monstrozinhos vestidos de vermelho e encapuzados. E não é que a caminhar na minha direcção vinha um? Os meus calçonitos ficaram castanhos (não, não era lama). Grande foi o meu alivio ao constatar que afinal apenas se tratava do Capuchinho Vermelho, que no entanto também não me sabia dar uma resposta acerca do caminho a tomar para sair dali, convidou-me para ir a casa da sua avózinha porque ela certamente saberia. Recusei. Claro que não me ia meter, literalmente, na boca do lobo (afinal de contas nem sempre adormecia antes dos fins das histórias que a minha mãe me contava para adormecer). Anoitecera, continuava a chover e as gotas de chuva misturavam-se no meu corpo com o suor e com as lágrimas (sim, tinha começado a chorar, os homens também choram e os mariquinhas como eu ainda mais). Deambulei durante um tempo indeterminado (tinha perdido completamente a noção do tempo) até conseguir descobrir a saída e arrastar-me com dificuldade até casa. Quando cheguei, olhei para as horas (o exercício que tinha planeado durar vinte minutos, tinha-se transformado num pesadelo de cento e trinta e cinco) e fui tomar um aconchegante banho quente. Depois de comer uma sopinha a muito custo, escrevo este meu relato ainda a tremer ininterruptamente (textos deste tamanho que geralmente levo hora e meia a escrever, hoje deu-me para duas e vinte porque tremo tanto que tenho bastante dificuldade em acertar nas respectivas teclas). Deixo, no entanto, uma promessa que é a de, quando recuperar fisica e psicológicamente do dia/noite de hoje (prevejo três semanas para a primeira e quatro e meia para a segunda, na melhor das hipóteses), voltar lá para novo exercício, mas desta vez munido com uma bússola, uma lanterna, um novelo de lâ e um guarda-chuva. Pensando bem, talvez dispense o guarda-chuva por não ser muito prático.

Publicado por Flash às 11:31 PM

março 26, 2005

Atacado por um virus (novamente)

Apesar de alguns cuidados que tenho com a segurança do meu computador pessoal (sim, porque isto não é da Joana, e para ser sincero, toda a gente fala dela e eu nem a conheço), voltei a ter problemas com um virus e consequentemente a ter que formatar parte do disco rígido (que seca!). Desta feita o menino orgulhava-se de se chamar Backdoor.Mosuck, o que, pelo que o próprio nome indica, significa que me entrou por trás sem aviso prévio e ainda me pediu para chupá-lo. Se ao primeiro facto não tive capacidade de resposta, já ao segundo fui veemente a mandá-lo a ele chupar para outro lado, que daqui não levava nada. No entanto, fiquei com um estigma, e uma questão se coloca: Será que quando fôr questionado sobre a minha orientação sexual, poderei responder sem sombra de dúvidas que sou heterosexual? Espero bem que sim. Mas porque é que coisas destas teimam em acontecer-me? Eu que não faço mal a uma mosca (o meu triste passado como serial killer delas enquanto menino, não é para aqui chamado, porque na altura fui julgado por um júri de seus pares, declarado culpado, cumpri a minha pena, e hoje em dia só as liquido em legítima defesa). As boas notícias são que os meus documentos pessoais mais importantes não foram afectados. Assim, não perdi os meus ficheiros relativos à colecção de playmates de Setembro de Mil, Novecentos e Setenta e Sete até ao mês actual (os das playmates de Agosto de Oitenta e Dois, Dezembro de Oitenta e Sete , Janeiro de Oitenta e Oito e Abril de Noventa e Três estão em falta porque os respectivos ficheiros ficaram danificados, provavelmente por excesso de uso) dos quais muito me orgulho, nem o meu documento de Word intitulado "O meu livro" com as páginas totalmente em branco (no entanto já é um principio, e afinal de contas só me faltam atingir três dos objectivos que, dizem, um Homem deve ter atingido no fim da sua vida), nem a música totalmente techno que criei num qualquer programa de música (é puro pum-pum, e não estou a exagerar porque são dezasseis minutos e quatorze segundos de uma única batida de oito em oito tempos) e que virá ter muito sucesso, espero, lá para o ano de Dois Mil e Dezassete. Agora, com um novo anti-virus instalado, aqui fico à espera de novos ataques, e garanto-vos que nunca mais me apanharâo por trás.

Publicado por Flash às 07:38 PM

Acerca da mudança de hora

Será que terei menos uma hora para curtir ou menos uma hora para dormir? Não faço ideia. No entanto, de uma coisa tenho a certeza. Há uns anitos atrás esta questão nem se colocaria.

Publicado por Flash às 05:18 AM

março 17, 2005

O regresso do Mad Chester

Eram felizes Segundas-Feiras aquelas em que o Mad Chester reunia o pessoal amigo para grandes raves na sua cave. Em todas elas, sem excepção, era vê-lo a tomar os seus compromidozinhos, a curtir a tripe (que durava sempre, precisamente, cinquenta e três segundos e treze centésimos) e a acabar invariavelmente cheio de dores de barriga. Nesse espaço de tempo, fixava o olhar durante breves segundos (estes segundos nunca os contámos) nas suas carpetes inspiradoras (assim as denominava), e depois de uma mancha enublar-lhe passageiramente os olhos, fazia as coisas mais estranhas. Lembro-me, por exemplo, uma vez em que a mulher da sua vida, num desses momentos, teve a infeliz ideia de lhe oferecer um par de rosas. Ele, antes de fugir a oito pés (na altura andava de muletas devido a uma perna partida), olhou para ela com ar esgazeado e acusou-a de lhe estar a oferecer rosas petrificadas o que só significava que o seu amor por ele também o era. Ele mais tarde tentou, mas ela nunca o perdoou (a mulher da sua vida nunca mais fez parte dela). As dores de barriga eram o culminar das suas tripes, e aí era ouvi-lo a dar gritos primários de dôr. O que vale é que passámos a pôr a música num volume tão alto, que assim já não nos incomodava e passámos a não ligar muito ao homem estendido nas carpetes inspiradoras agarrado à barriga. Agora ele voltou e está decidido a estabelecer uma nova ordem no estado de coisas que por aqui anda. Espero é que ele não me torne tudo ainda mais caótico. Mad Chester, ganda maluco!

Publicado por Flash às 11:21 PM

março 09, 2005

Um problema inerente ao corte de cabelo

Tenho mesmo que ir cortar esta juba, até porque nem sou do Sporting (graças a Alguém!). Para além do facto de me dar um mau aspecto desgraçado (segundo pessoas que convivem diáriamente comigo), também já me começa a fazer confusão estar sempre a retirá-lo da frente dos olhos (nem imaginam a dificuldade que estou a têr para escrever estas linhas). E eu que até nem me considero muito vaidoso já pareço o Tony Guterres naquele seu gesto tão peculiar de ajeitar a sua franja, tanto na forma como na frequência. Está mesmo decidido, amanhã o barbeiro cá do sitio já tem cliente. No entanto, existe um pequeno problema. Então e o frio?! Mais específicamente, então e o frio nas minhas orelhas?! Barrete não utilizo por uma questão de honra, pois sinto que já fui embarretado demasiadas vezes (e muitas mais serei, mas nunca conscientemente). Tomo a decisão que neste momento me parece a mais lógica, sendo que a minha lógica é muito especial, que é a de levar as pessoas a falarem mal de mim por forma a me aquecerem as orelhas. Sempre me disseram que esta relação realmente existe, e sendo assim estou disposto a comprová-la, tirando ao mesmo tempo partido dela. Assim, durante os próximos tempos aquela velhinha a quem eu ajudo a passar a passadeira bem pode esperar sentada, ou aquela menina bem pode esperar que o gato caia da árvore até gastar as suas dezasseis vidas (tudo o que leram até hoje sobre gatos e o número das suas vidas é mentira), ou aquela mulher bem pode esperar que lhe mande piropos a elogiar a graciosidade do seu corpo. Acham mal? Acham?! Então façam o favor de para além de achar também começam a dizer mal de mim. As minhas orelhinhas agradecem.

Publicado por Flash às 11:20 PM

março 07, 2005

Quem ma dera!

Temperaturas médias de vinte e oito graus, céu limpo ou pouco nublado, praias paradisíacas, comida e bebida da boa à borla. Isto tudo parece-me bastante bem. Sabes que trocaria de bom grado de lugar contigo, pois sabes o quão altruísta sou. Infelizmente é-me de todo impossível, e sendo assim desejo-te uma excelente viagem. Curte muito, e também por mim.

Publicado por Flash às 09:51 PM

março 05, 2005

Rugas de expressão

Há algum tempo atrás, uma amiga olhou para mim e com uma cara entre o divertida e o irónica, anunciou-me alto e a bom som que eu já tinha rugas de expressão. Entrei em pânico. Associei logo a palavra rugas à palavra velhice. Como era possivel que um rapaz tão novito (se calhar também estou a exagerar um pouco) como eu pudesse já apresentar estes sintomas?! Desde esse dia, forcei-me a ser e a parecer o mais inexpressivo possível, tentando dessa forma retardar o, mais dia menos dia, inevitável. Hoje essa minha tentativa chegou ao fim e alegro-me por isso. Cheguei à conclusão que existem demasiadas coisas que me fazem rir e demasiadas coisas que me fazem chorar.

Publicado por Flash às 08:00 PM

março 04, 2005

Escreva.com

Não sei se já repararam neste bannerzinho que se encontra aqui no vosso lado esquerdo, meu lado direito. É apelativo, não? Se não conseguem acompanhar os seus dizeres (eu necessitei de treze minutos e meio para o fazer), não se preocupem, afinal de contas estamos no final de uma semana de trabalho (intenso?), porque eu os deixo aqui "Escreva.com imaginação criatividade vontade amor raiva paixão desejo. Mas... Escreva!". E que excelente projecto este! Para quem ainda não se tenha apercebido, anda por aí muita gente a escrever muito bem. Eu, infelizmente, não pertenço a esse grupo. No entanto, vocês podem pertencer, e é por isso que vos convido a visitar esse site. Fico na expectativa de lêr por lá textos vossos.

Publicado por Flash às 10:53 PM

março 03, 2005

Nasci a ouvir isto?

Foi com grande curiosidade que consultei este site. Ficaria, através dele, a saber a música que se encontrava no top dos tops na altura do meu nascimento. O resultado foi, digamos, surpreendente. Slade - "Skweeze Me Pleeze Me", conhecem? Eu também não. Ou melhor, não conhecia. Rápidamente tratei de arranjar o tema e a letra. Deixo-vos o refrão:
"You know how to skweeze me Oh Oh you know how to pleeze me Oh Oh
you're learnin' it easy Oh Oh".
Refrão que se repete umas vinte vezes durante a canção. E depois de chegar ao fim sinto que fui espremido na minha paciência, não me sinto de forma alguma satisfeito e que não aprendi nada de novo. De certa forma, como alguns de vós que possam têr-se dado ao trabalho de lêr estas linhas.

Publicado por Flash às 08:41 PM

fevereiro 08, 2005

A Dança do Ventre

Definitivamente, dançar o samba não é, de forma alguma, o meu forte. Tentei mais uma vez neste Carnaval dar um arzinho da minha graça, sem no entanto ter tido grande sucesso. De ano para ano a minha incapacidade para sambar vai tornando-se cada vez mais notória. Deve ser mesmo falta de ritmo da minha parte, pois farto-me de ver na televisão os Carnavais Brasileiros e tentar aprender com as graciosas meninas que por lá andam (talvez seja boa ideia, tentar dar menos atenção aos movimentos corporais delas e começar a centrar mais as minhas atenções nos pés). Acho que a alcunha com que já me apelidaram diz tudo: "O Fred Astaire do Samba". Na realidade, não são grandes as diferenças que encontrarão a ver-me dançar samba, sapateado ou uma sevilhana qualquer. Lá bater com os pés no chão, bato, e até se necessário for consigo silenciar (ou será assustar?) toda uma sala só com o estrondoso ruído que faço, mas dizem-me que isso não é suficiente. Para o meu grupo de amigos já é algo a que já se habituaram, e apenas me ignoram quando eu começo a dar o meu máximo. Mas torna-se embaraçoso quando acontecem situações como aquela que me aconteceu a mim na noite passada, em que uma caridosa senhora vendo-me dançar o samba, se aproximou rapidamente de mim, derrubou-me e deitou-me no chão, e começou a gritar que sabia lidar com pessoas que estejam a ter ataques epilépticos, porque tinha alguns casos na família dela. Humilhante. Mas quero esclarecer, para que não fiquem a pensar que sou um perna-de-pau no que à dança diz respeito, que existe uma dança em que sou um verdadeiro mestre. A chamada e mui aclamada Dança do Ventre. No entanto, neste caso, não foi algo que tenha aprendido, mas sim algo que já nasceu comigo. Tenho as minhas melhores e piores fases, mas em nenhuma delas há quem não fique a pensar para si próprio "Este gajo percebe mesmo disto!". É pena que este meu dom tenha que ficar restrito a sessões privadas, já que não proliferam por aí discotecas que passem música Árabe, no entanto, quanto a isto eu tenho um sonho (se toda a gente o diz, porque não poderia eu também fazê-lo)... Referi atrás que também aqui havia melhores e piores momentos, e isto deve-se exclusivamente à barrigota estar ou não "no ponto". O que quero eu dizer com isto? Bom, poderia estar aqui horas (neste caso, limhas e linhas) a dar "a" resposta, mas não o vou fazer. Pode ser que um dia escreva um livro sobre isso. Vou no entanto dar-vos algumas orientações. A barrigota não pode ser demasiado saliente nem demasiado rasa, não pode ser demasiado gelatinosa nem demasiado musculada, não pode ser demasiado peluda nem totalmente desprovida deles, e é na conjugação das doses certas destes factores que se chega a um ventre, vulgo barrigota, "no ponto". Claro que só isto não será o suficiente. Há que se ter nascido com o dom, e quanto a isso é tão simples como, ou se nasceu com ele ou não. E eu, nasci!

Publicado por Flash às 09:45 PM

dezembro 06, 2004

Conversa de Homem para Homem

Hoje tentei ter uma conversa de Homem para Homem com um amigo meu (ou assim o julgava), amigo esse não de longa data, mas o qual o conheço desde sempre. Não consegui. É impossivel conversar a sério com aquele sujeito. Para já, pô-lo a olhar-nos olhos nos olhos é um caso sério. Depois, quando o conseguimos e começamos a falar a sério, já está ele na risada e na palhaçada, o que faz que quando acabemos a frase já nós estejamos também nos mesmos propósitos. Não é fácil. Quando ele finalmente nos responde algo como "GU GU DA DA BRLA BRLA" (é apenas um exemplo, porque de facto é impossivel transcrever exactamente as suas palavras), chegamos à conclusão que é impossivel chamá-lo à razao. Só as suas expressões (oratórias e faciais) são pura loucura, o que nos faz ficar também puramente loucos (um bocadinho, não demasiado). Quando a conversa séria a que me tinha proposto já tinha descambado para uma criancice pegada, inclusivé comigo a balbuciar algo como "BA BA BU BU GLU GLU", desata-me ele numa choradeira enorme, que só compreendo com o facto de ele ter interpretado mal algumas das minhas palavras. Nisto entra-me a mãe do meu amigo (mãe de meu amigo, minha amiga é) pela sala dentro a perguntar "Que se passa aqui?! Que estão os meninos a fazer?" ao que eu respondo "Estou a ter uma conversa de Homem para Homem com ele.". Ela olha-nos, a ele a berrar e a chorar em cima de mim e com o dedo enfiado pelo meu nariz acima, e a mim deitado no chão da sala e com a chupeta na boca, faz um sorriso amarelo e diz em tom grave "Pois não é isso que me está a parecer! E já agora, faz o favor de, se quiseres ter conversas de Homem para Homem, falar com o José que está lá dentro, pois essa é a Maria. E não é o facto de eles serem gémeos que te iliba da situação, pois é por isso mesmo que os visto com cores diferentes!". Bolas! Ela esqueceu-se é que sou daltónico!

Publicado por Flash às 12:16 AM

dezembro 04, 2004

Não uma, não duas, mas três

As declarações de Santana Lopes ontem à noite, sobre o facto de o Presidente da República lhe ter garantido, não uma, não duas, mas sim três vezes, que não iria dissolver a Assembleia da República estão a fazer-me espécie (espécie de quê? bem... uma espécie de azia). Primeiro, como é que alguém que ficou tão surpreendido, tal como os seus pares de partido, com a decisão do PR, por acharem que não havia razões para tal ter acontecido pergunta por, não uma, não duas, mas três vezes sobre um assunto sobre o qual nem devia estar a ser discutido dentro da "normalidade" em que nos encontrávamos? Uma vez por descargo de consciência tudo bem. Mas por três vezes? Bolas, se calhar o Santana também percebeu que alguma coisa não estava bem e punha em causa a continuidade do seu Governo. Segundo, na reunião em que o PR lhe comunicou a decisão porque é que ele não perguntou nem três, nem duas, mas pelo menos uma vez sobre o facto de ter acabado por tomar essa decisão? Ou terá perguntado? E se o perguntou que reposta é que levou? Se calhar uma menos suave que aquela que vamos conhecer na pròxima sexta-feira.

Publicado por Flash às 11:55 PM

dezembro 01, 2004

O Invasor de Corações

Existem muitos como eu, mas duvido que algum deles leve a sua função tão a sério. Sou um Invasor de Corações. Denominação demasiado simplista e redutora daquilo que realmente faço. Invadir corações é apenas o primeiro passo do processo, e de todos, aquele que exige menos de mim, quer por eles já se encontrarem predispostos a isso, quer por serem facílimos de manipular a ponto de não resistirem durante muito tempo às minhas investidas. A invasão, própriamente dita, é assim a parte corriqueira da coisa, a parte que faço enquanto bocejo. É lá dentro que começa a minha verdadeira obra. É lá dentro que me começo a realizar. É lá dentro que o coração começa a morrer. Quão ridiculos são os coraçõezinhos na altura em que me acolhem! Depois de tantos séculos de actividade ainda me conseguem surpreender com algumas das suas pequenas peculiaridades. Todo o coração é único, tal como único é o seu destino às minhas mãos. Quando me lembro do meu primeiro coração, o único que algum dia me pôs a questionar a minha própria existência, rio com gosto. Oh como eu era ingénuo! Diga-se de passagem que a minha escolha também não foi a mais acertada. Um novato como eu, sem experiência, a trabalhar o coração inocente e incorrupto de uma criança de quatro anos não foi tarefa fácil. Mas após seis anos, dois meses e vinte e três dias, tinha secado o seu coração por completo. Que melhor prova que o facto de no seu funeral, muitos anos mais tarde, apenas terem estado presentes eu, que na realidade não conto para este efeito, o coveiro, Deus e o padre, que acabou por não realizar nenhuma oração visto que considerou que não se justificava por não haver público suficiente, e o que havia ou estava com pressa de ir vêr a bola, o coveiro, ou já estava tão farto de ouvir sempre a mesma lenga-lenga que não se importou que o padre fizesse folga, Deus, sendo que este estava também interessado em vêr a bola, o que pôe em causa a sua omnipresença. Mas a vida não anda nada fácil. Eu que transformava corações a irradiar bondade em autênticas pedras, num espaço de tempo compreendido entre os quatro e os cinco meses, vejo-me agora a trabalhar mais lentamente, a saborear ao máximo cada momento, a fazer render ao máximo o objecto, ou coração se preferirem. E esta mudança deve-se ao facto de o mercado de Invasores de Corações estar a ficar saturado. Eles aparecem não sei bem de onde, aos milhares e milhares, enquanto por outro lado a oferta de corações dignos de serem trabalhados é cada vez mais reduzida. Aliás muitos dos corações, hoje em dia, nem precisam de nós para secarem. Eles já o fazem por si próprios. Acabei agora o meu trabalho com este, que tem como dono a pessoa que vos escreve estas linhas. Acho que fiz um bom trabalho. Depois dir-me-ão o que acham. Estou portanto à procura de um coração que me acolha. Há voluntários?

Publicado por Flash às 01:00 AM

outubro 18, 2004

"O Homem das Poses"

Ele era conhecido como "O Homem das Poses". Não confundir com Homem das Posses, pois ele de posses tinha muito pouco, principalmente a partir do momento em que tinha pedido em noivado a sua namorada de longa data (e aqui a especificação de ser de longa data não teria grande importância não fosse pelo facto de na altura do começo do namoro ela ter uma idade já considerada deveras elevada). Entenda-se que o valor do anel de noivado em questão, apesar de ser de valor bastante elevado, não foi o que o levou à penúria, mas sim o valor que teve que despender no dentista depois de a sua, neste momento já considerada noiva, ter trincado o dito (maldito!!!) anel para confirmar se de facto era de ouro, e não um tão badalado push-back (algo que ele, com o décimo primeiro ano na área das Línguas, não minhas nem tuas, nunca tinha conseguido alcançar o seu significado). Isto também o levava a outra questão, ou seja, o facto de as mulheres não terem confiança nos homens. Questão que rapidamente foi posta de parte, uma semana depois, quando após a sua melhor pose de "Macho Man" ter conseguido engatar uma dama muita giraça, para uma tarde de pura loucura (o facto de ela se ter transformado na realidade em ele, era de somenos importância, já que só depois do acto é que se deu conta, o que não ia contra os seus princípios, digamos apenas que o anal da questão o safou). Mas adiante, "Macho Man" não era a única das suas poses. Ele tinha várias. E em todas elas ele fazia questão de a abandonar, apenas e quando, a ele fossem dirigidas algum tipo de comentário. A já citada pose à "Macho Man" granjeava-lhe grande respeito entre o público feminino, que não lhe deixavam, de lhe dirigir uns valentes piropos. Mas o seu preferido era, sem dúvida, o de perfil, com a barrigota em primeiro plano, e com uma caneta, dispensando-lhe a parte da tinta, nos lábios. Peço a vossa atenção para o pormenor do tubo da caneta nos lábios, porque embora pareça de pouca importância, de facto a tem, já que ao comentário de "Que grande barrigota tens tu, como te apareceu isso?", ele invariavelmente apontava para ela e dizia "Parece-me que alguém andou a soprar nela", o que provocava uma galhofa geral (de salientar que esta não foi a versão original, a primeira suscitou muita controvérsia, principalmente no meio feminino, pois nessa, a caneta era substituída por... digamos, outra coisa). Outra também engraçada (e que a mim me toca profundamente, já que sou do Benfica), e que ele tinha ouvido numa anedota, era a de quando ele se descalçava e não desapertava a camisa (pois não era necessário. porque a costumava ter desapertada até ao umbigo), e punha-se em posição de voo. Comentário: "Ena pá!!! Pareces uma águia!!!" Resposta "Porquê? Os pelos do meu peito parecem penas?!!!" Contra-resposta "Não. As unhas dos teus pés é que parecem garras!!!". Galhofa geral mais uma vez. Mas para além destas, havia ene delas, para não dizer, agá delas. Havia a de Máricon, a de Bumbo, a de dorminhoco (a que lhe custava menos a pôr em prática), a de JCB/White Castle (Ops!!! Desculpem, esta é repetida), a de Joca Jocaré (um rapaz lá do bairro, cuja descrição é aqui impossível reproduzir por palavras), etcetera, etcetera. Todas elas feitas com extrema qualidade, e como já dissemos, só eram abandonadas quando algum tipo de comentário era dirigido a elas. Acontece que, todas elas já se estavam a tornar repetitivas, e ele achou por bem iniciar umas novas poses, de forma a renovar o seu material para que não perdesse o passo no Mundo das Poses (que quer acreditem, quer não, existe mesmo). Teve então ele uma ideia que lhe pareceu simples e ao mesmo tempo brilhante. Tudo o que precisava era de pôr um largo sorriso e direccionar o dedo indicador e maior da mão direita para cima. Seria "O Homem da Paz". Assim o fez um dia. E esse dia já se tornou uma semana. E ninguém fez comentários. Houve muita gente que ainda pensou em comentar "Somos o segundo!" mas pareceu-lhes que não teria muita lógica, até porque eles não costumavam ver o canal dois, apenas o um. Houve outros que pensaram em dizer "O Benfica vai somando vitórias" (porque o bairro é cem por cento benfiquista), mas não o disseram, porque não era esse o caso (para minha grande pena!). E assim, lá está ele, à chuva e ao frio à espera de um comentário. Se eu soubesse onde ele está (e não o sei porque apenas estou a transcrever uma história que me foi contada) chegava ao pé dele e dir-lhe-ia "Sai daí seu estúpido!!! Não sabes que ninguém sabe o que isso significa?!!!"

Publicado por Flash às 01:35 AM

setembro 23, 2004

Isto não é uma campanha pelo Manuel Alegre...

"Havia a noite, as sombras, as águas negras. Havia o mistério do que se passava no corpo de Cláudia. Menstruação, diziam. Era uma palavra suspeita e proibida, trazia em si algo de terrível e sacrificial.
- É como um corpo estranho no meu próprio corpo, como se de repente eu não fosse eu mas uma espécie de metarmofose.
Assim falou Cláudia, uma noite de Agosto, no paredão da Barra.
- As mulheres estão marcadas
Mas logo acrescentou:
- Marcadas e condenadas pela sua própria salvação
Nem sempre Xavier a compreendia. Tinha por vezes a sensação de que ela falava com palavras do avesso. Como se quisesse dizer o contrário do que dizia. Era uma forma de beleza, as palavras traziam-na e levavam-na. Talvez as sibilas falassem assim, talvez ouvisse vozes. Era uma força obscura, um mistério que havia nela. Olhava o céu e dizia:
- Já cintilámos assim, não somos senão a cinza de uma estrela, amanhã morreremos.
Perguntou a Xavier se ele já tinha ido com outras mulheres. Ele ficou incomodado e não respondeu.
- Tens de dizer, não pode haver segredos entre nós. Não pode haver mentira, a mentira é pecado. Quero saber tudo.
Xavier acabou por dizer que sim, já tinha ido com outras.
- Putas?
Pouco a pouco obrigou-o a falar. Foi quase uma confissão. Queria saber tudo: os gestos, as palavras. Xavier estava confuso, pareceu-lhe que ela gostava. Talvez houvesse uma ponta de ciúme de que ela precisava. Ou talvez não. Talvez ela não tivesse ciúme nem pudor. Era assim. E ele tinha de contar: quantas vezes, com quem, como, os nomes delas e os nomes que lhes dava, se gostavam dele ou se era só pelo dinheiro.
Pareceu-lhe que ficou contente, quase orgulhosa, quando lhe disse que algumas não queriam que pagasse.
- E eu? - perguntou
- Contigo é diferente
- Não sabes
- Sei
- Não sabes, sou capaz de ser como elas, sou capaz de ser pior. Há putas que ficam sempre virgens. Eu não sou puta, por isso é que posso ser pior que puta.
Xavier sentia-se perturbado, quase violentado. Gostava e não gostava. O olhar de Cláudia perdia-se nas águas, nas sombras, na própria noite. Virou-se um pouco, olhou-o de soslaio e disse:
- Talvez eu possa ser como elas, talvez eu possa ser a tua puta.
- Tu és a minha rainha.
E lucilavam estrelas. E todas as sombras a coroavam."

in "A Terceira Rosa" de Manuel Alegre

Publicado por Flash às 11:18 PM

setembro 12, 2004

Música Portuguesa, concerteza

Foi com música portuguesa que passei o serão da noite passada. Desloquei-me ao anfiteatro Keil do Amaral em Monsanto-Lisboa para assistir a um duplo concerto, duplamente português. Toranja e Da Weasel (Doninha in da House!!!) foram os protagonistas. Confesso desde já que nunca fui grande admirador da já referida música portuguesa. Sempre me pareceu que os nossos ficavam a anos luz do que se fazia lá fora. Faltava-lhes qualquer coisa, que eu não sabia precisar, mas que eu sabia que existia (ou não existia). No entanto, a minha opinião tem vindo a mudar progressivamente e, acho que, neste momento há muito boa música portuguesa (não me refiro naturalmente à chamada música pimba). Podemos não apreciar muito algumas bandas musicalmente, mas sabemos que todas,ou pelo menos grande parte delas têm projectos bastante válidos. E as pessoas estão cada vez mais nessa onda. O anfiteatro estava repleto de pessoal. O palco Quinta dos Portuguesess no Festival Super Bock Super Rock (passe a publicidade, uma excelente cerveja) deste ano levou milhares ao rubro. Guardo na memória principalmente as actuações de Clã e Toranja que foram completamente bajulados pelo público. No festival Sudoeste e no palco com o mesmo nome, as bandas portuguesas também tiveram actuações com bastante público, para não falar das actuações no palco principal de Rodrigo Leão, Clã e Da Weasel (Estes últimos, embora com qualidade, não podem, na minha modesta opinião ser os escolhidos como segunda banda de um sábado que é o dia mais importante deste festival. Mas são opiniões). E o povo sempre com eles, a apoiá-los, a todos, incondicionalmente. Foi um serão bem passado, embora as actuações ao vivo não tenham vindo a acrescentar muito ao que já lhes tinha visto fazer. Deixo no entanto alguns reparos. No concerto de Da Weasel, nunca consegui vislumbrar a bolinha vermelha no canto superior direito do palco, e a organização nem sequer se preocupou em pôr sinais sonoros (os chamados pis) de cada vez que eles diziam uma asneira, imperdoável. O público exagerou no acender de isqueiros durante os concertos, já que estamos habituados a ver isso apenas em músicas calminhas, mas neste caso era a todo o momento e de uma forma diferente, ou seja, acendiam o isqueiro e colocavam-no à altura da cintura, pondo ao mesmo tempo a outra mão por baixo dele. Achei estranho, mas deve ser nova moda. Havia um cheiro muito estranho no ar, que não cheguei a perceber de onde era originário. A existência de very lights, e em grande quantidade, também me incomodou. Ouvi bastantes pessoas dizer que tinham, o que ao principio me pareceu berlights, mas cheguei à conclusão que o que eles diziam mesmo era bery lights, o que me leva de outra forma a concluir que havia lá bastante gente do Norte do país. No entanto todos mostraram ser pessoas conscientes e nada foi lançado durante as actuações. E pronto. Que a música Portuguesa continue em grande e cada vez mais se bem. Pessoalmente, ando agora com os albuns de Gomo e Mercado Negro (Rastafari man!!!) nas minhas playlists.

Publicado por Flash às 10:54 PM

setembro 09, 2004

Oficialmente inaugurado

Passei o dia todo à espera de um lampejo de inspiração que me ajudasse a escrever este meu primeiro post. Infelizmente, se os houve, passaram-me todos ao lado. Houve, por momentos, algo que parecia querer brotar de mim e sair cá para fora, no entanto, era apenas algo a nível fisiológico (maldita feijoada!). Escrevo portanto, apenas para dar como inaugurado este espaço, que, embora ilegal tal como o Outlet de Alcochete, não tem nenhuns VIP's a fazerem as honras. Não interessa. Gosto das coisas simples. Simples poderão não parecer algumas coisas que se escreverão por aqui. Não por uma questão de profundidade filosófica, mas apenas porque às vezes certos lampejos se misturam tanto que dou por mim a meio de um post sem fazer a minima ideia de que raio estou a falar. Mas não pretendo com estas palavras, assustar-vos a ponto de nunca mais por cá passarem. Vamos esperar e ter um bocado de paciência. Pode ser que, no fim de tudo e apesar de tudo, eu vos surpreenda e, milagre dos milagres, me surpreenda a mim próprio, pasme-se. Obrigado e até sempre.

Publicado por Flash às 11:40 PM