agosto 18, 2004

Pergunta

Posso passar a vida a chorar por ti. A acordar com uma dor enorme. A dor da irrealidade. E chorar. Por não querer estar desperto. Acordado. Por não querer sair. Sair de mim. E perder-me em mais um dia. Perder-me num qualquer. Todos os dias. A andar por aí. À deriva.
E há tanto para ver. Para viver. E agora de repente consigo não estar triste. Por um momento não estou triste. Por um momento não penso em ti. E sou alguém. Sou eu. Sou eu na minha vida. E não na tua. Respiro dois relances de ar. E aguento-me uma ou duas horas. O suficiente para me esquecer. Agora.
É do sítio onde vivemos. É da terra que não existe. É do calor que só está lá fora. Sinto-me a passar. Sinto-me a andar nas ruas. Nas praças. Nas avenidas. Tenho um corpo que se move. E alguém que está cá dentro. A habitá-lo. Há mais?
Existem os dias. O ideal de um dia. Em que tudo se vai. Existe o fenómeno de querer parar de sentir e em simultâneo o desejo suicida de sentir para sempre. A dor. De sofrer numa continuidade infinita. Como o alimento do que existe em mim.
Há um ou outro rasgo que me leva. Para outro patamar. Onde há mais luz. Mais espera. Onde consigo sentir-me. E tactear. Formas cá dentro. A implorarem tanta liberdade.
E paz.
E toda a mudança.

Publicado por Holofernes em 04:27 AM | Comentários (0)

agosto 09, 2004

Sem volta

Fui comprar mantimentos. A tremer. Para me ir embora. É só uma viagem. Saio pela fronteira terrestre e apanho um comboio. O primeiro que disser para longe. Muito. Tenho tudo. Um saco para me vestir, outro para me alimentar. Uma lâmina de barbear. Pouco mais. As cartas escritas em cima da mesa. A explicar a quem precisa de explicação. E desapareço. Para lá da minha visibilidade. Para montanhas distantes. Onde não há ninguém que chega. Do passado. Onde tudo é belo. Onde há ar. E tempo limpo. Tempo sem horas. Sem dias.
Volto. Porque tenho que voltar. Um dia.
Estava tão furioso. Tão desesperado. Desde a manhã. Que não tenho mesmo outra saída.

Publicado por Holofernes em 05:19 AM | Comentários (0)

março 17, 2004

Sétimo

No dia seguinte, Holofernes ordenou ao exército e às tropas aliadas que levantassem acampamento, avançassem contra Betúlia, ocupassem as passagens das montanhas e atacassem os israelitas. Nesse mesmo dia, todos os soldados levantaram acampamento. O exército contava com cento e setenta mil soldados de infantaria e doze mil cavaleiros, sem contar a bagagem e a multidão que os acompanhava a pé. Formaram-se em ordem de batalha no vale perto de Betúlia, junto à fonte, e estenderam-se ao largo, na direcção de Dotain, até Belbaim, e de Betúlia até Quiamon, que está diante de Esdrelon.

Quando os israelitas viram essa multidão, ficaram aterrorizados e comentaram: «Eles vão engolir toda a face da terra. Nem os montes mais altos, nem os precipícios, nem as colinas suportarão tanto peso». Cada um empunhou as suas armas, acenderam fogueiras nas torres e ficaram de guarda a noite inteira.

No segundo dia, Holofernes fez avançar a cavalaria diante dos israelitas que estavam em Betúlia. Inspeccionou as subidas para a cidade, examinou as fontes e ocupou-as, deixando lá destacamentos militares. Depois voltou para junto do exército. Os oficiais edomitas, os chefes moabitas e os generais do litoral disseram a Holofernes: «Senhor, ouve o nosso palpite, e o exército não sofrerá um só arranhão. Esses israelitas não confiam tanto nas armas. Eles confiam na altura dos montes onde vivem, porque não é fácil escalar o topo desses montes. Por isso, senhor, não os combatas como se faz em campo aberto, e não haverá nenhuma baixa no teu exército. Fica no acampamento com todo o exército e deixa que ocupemos a fonte que brota ao pé do monte. É dela que os habitantes de Betúlia se abastecem de água. A sede forçá-los-á a entregar-te a cidade. Nós subiremos com os nossos soldados ao topo dos montes vizinhos e montaremos acampamento, para impedir que alguém saia da cidade. A fome tomará conta deles, com as suas mulheres e crianças. Tu nem precisarás de usar a espada: eles cairão sozinhos pelas ruas da cidade. Desse modo, far-lhes-ás pagar bem caro por não terem ido pacificamente ao teu encontro».

Holofernes e os seus oficiais gostaram da proposta, e ele deu ordem para agir de acordo. Então uma tropa de moabitas e cinco mil assírios avançaram. Acamparam no vale e ocuparam as minas e fontes dos israelitas. Os edomitas e amonitas subiram a serra, acamparam diante de Dotain e mandaram destacamentos para Sul e para Leste, diante de Egrebel, perto de Cuch, sobre a torrente de Mocmur. O grosso do exército assírio acampou na planície, cobrindo toda a região. As tendas e equipamentos formavam um acampamento enorme, pois a multidão era imensa.

Vendo-se cercados pelo inimigo e sem possibilidades de escapar, os israelitas ficaram desanimados e clamaram ao Senhor seu Deus. O exército assírio, com infantaria, cavalaria e carros, manteve o cerco durante trinta e quatro dias. A provisão de água dos habitantes de Betúlia esgotou-se, e os poços ficaram vazios. Ninguém tinha com que saciar a sede nem por um dia sequer, porque a água estava racionada. As crianças desmaiavam e as mulheres e jovens desfaleciam de sede. Caíam pelas ruas e saídas das portas da cidade, completamente esgotados.

Então todo o povo se reuniu contra Ozias e os chefes da cidade, juntamente com jovens, mulheres e crianças, gritando e dizendo a todos os anciãos: «Que o Senhor seja o nosso juiz, porque causastes um grande mal, não querendo negociar a paz com os assírios. Agora não temos a quem recorrer, porque Deus nos entregou nas mãos deles e estamos morrendo de sede e grande destruição. Agora chamai os assírios e entregai a cidade inteira, para que o exército de Holofernes a saqueie. É preferível sermos saqueados. Seremos seus escravos, mas salvaremos a nossa vida, e não veremos morrer as nossas crianças e expirar as nossas mulheres e filhos. Se não fizerdes isso hoje mesmo, nós convocaremos o céu e a terra como testemunhas contra vós diante do nosso Deus, Senhor dos nossos antepassados, que nos está a castigar por causa dos nossos pecados e dos pecados dos nossos antepassados». Então levantou-se da assembleia um pranto geral, e todos gritaram súplicas ao Senhor Deus.

Então Ozias procurou animá-los: «Tende confiança, irmãos. Vamos resistir por mais cinco dias. O Senhor nosso Deus terá compaixão de nós. Ele não nos vai abandonar até ao fim. Depois desse prazo, se Ele não nos socorrer, farei o que estais a propor». Então dispersou o povo, cada um para o seu lugar: os homens voltaram para as muralhas e torres da cidade, e mandaram as mulheres e crianças para casa. A cidade estava tomada pela angústia.

Publicado por Judith em 08:45 AM | Comentários (0)

dezembro 20, 2003

Sexto

Quando se acalmou o alvoroço dos que assistiam à reunião, Holofornes, general do exército assírio, disse a Aquior, na frente de toda a tropa estrangeira e de todos os moabitas: «Quem és tu, Aquior, e esses mercenários de Efraim, para profetizardes dessa forma, aconselhando-nos a não lutar contra os israelitas, porque o seu Deus vai protegê-los? Quem é deus, além de Nabucodonosor? Nabucodonosor enviará a sua força e exterminará os israelitas da face da terra. E o Deus deles não conseguirá salvá-los. Nós, servos de Nabucodonosor, esmagá-los-emos como se fossem um só homem. Não poderão resistir à nossa cavalaria. Nós os queimaremos de uma só vez. Os seus montes ficarão embriagados com o sangue deles, e as suas planícies transbordarão de cadáveres. Eles não poderão ficar de pé diante de nós. Todos morrerão, diz o rei Nabucodonosor, o senhor de toda a terra. Ele assim disse, e as suas palavras não serão desmentidas.

Quanto a ti, Aquior, mercenário amonita, disseste essas frases num momento de loucura. Por isso, não voltarás a ver-me até que eu castigue essa gente que escapou do Egipto. Então a espada dos meus soldados e a lança dos meus oficiais atravessarão as costelas deles, e tu cairás entre os feridos deles. Os meus servos vão levar-te para a montanha e deixar-te em alguma cidade dos desfiladeiros. Ficarás vivo para seres morto juntamente com eles. Se confias em que eles não serão capturados, não fiques de cabeça baixa. Nada do que eu disse ficará sem se realizar».

Holofernes ordenou aos servos, que estavam na tenda, para pegarem em Aquior, o levarem a Betúlia e o entregarem aos israelitas. Os servos agarraram Aquior e levaram-no para a planície, fora do acampamento. Daí dirigiram-se para a serra e chegaram às fontes que estão abaixo de Betúlia. Quando os homens da cidade os viram no alto dos montes, pegaram nas suas armas, saíram da cidade e foram para lá, enquanto os atiradores lançavam pedras sobre os homens de Holofernes, para impedir que subissem. Então estes desceram pela encosta dos montes, amarraram Aquior e deixaram-no ao pé do monte. E voltaram para junto do seu senhor.

Então os israelitas desceram da cidade e foram ter com Aquior. Desamarraram-no e levaram-no a Betúlia para o apresentarem aos chefes da cidade. Nesse tempo, os chefes eram Ozias, filho de Micas, da tribo de Simeão; Cabris, filho de Gotoniel, e Carmis, filho de Melquiel. Eles convocaram todos os anciãos da cidade. Também os jovens e as mulheres foram à assembleia. Colocaram Aquior no meio de todos, e Ozias perguntou-lhe o que havia acontecido. Então Aquior contou-lhes o que haviam dito no conselho de Holofernes, o que ele próprio tinha dito aos chefes assírios e as ameaças de Holofernes contra Israel. Então o povo prostrou-se, adorou a Deus e suplicou: «Senhor Deus do céu, olha do alto para o orgulho deles e tem piedade da humilhação da nossa gente. Acolhe hoje com boa vontade a presença daqueles que Te são consagrados». Depois, animaram Aquior e elogiaram-no muito. Ozias levou-o para sua casa e ofereceu um banquete aos anciãos. E passaram toda essa noite a invocar o auxílio do Deus de Israel.

Publicado por Judith em 05:49 AM | Comentários (0)

dezembro 01, 2003

«Judite» - Grupo Tempo

«Judite»

Guião de Roberto Mallet representado pela companhia de teatro brasileira «Grupo Tempo» em Junho de 1993, permanecendo em cartaz durante duas temporadas na cidade de São Paulo, além de participar em diversos festivais de teatro.
A comédia é baseada no livro homónimo do Antigo Testamento.

Continue a ler " «Judite» - Grupo Tempo"
Publicado por Judith em 03:03 AM | Comentários (0)

Quinto

Holofernes, general do exército assírio, foi informado de que os israelitas se estavam a preparar para a guerra. Contaram-lhe que eles tinham fechado as passagens das montanhas, fortificado o cimo dos montes mais altos e preparado obstáculos nas planícies. Holofernes ficou enfurecido e convocou todos os chefes moabitas, generais amonitas, governadores do litoral, e perguntou-lhes: «Cananeus, dizei-me: Que gente é essa que vive na serra? Em que cidades moram? Qual é a potência do seu exército? Em que ponto está o seu poder e a sua força? Que rei os governa? Porque não se dignaram vir ao meu encontro, como fizeram todos os povos do Ocidente?»

Aquior, chefe de todos os amonitas, respondeu: «Escuta, meu senhor, o que este teu servo vai dizer. Vou contar-te a verdade sobre este povo que vive na serra, aqui perto. Não direi mentiras. Esse povo é descendente dos caldeus. Primeiro estiveram na Mesopotâmia, porque não quiseram seguir os deuses dos seus antepassados, que viviam na Caldeia. Abandonaram a religião dos seus antepassados e adoraram o Deus do céu, que reconheceram como Deus. Os caldeus, porém, expulsaram-nos da presença dos seus deuses, e tiveram que fugir para a Mesopotâmia, onde ficaram durante longo tempo. O Deus deles ordenou que saíssem de lá e fossem para a terra de Canaã. Instalaram-se lá e ficaram muito ricos em ouro, prata e rebanhos numerosos. Em seguida, foram para o Egipto por causa de uma fome que atingia o país de Canaã. E lá ficaram enquanto havia alimento. No Egipto, multiplicaram-se muito e transformaram-se num povo numeroso. O rei do Egipto, porém, esteve contra eles e explorou-os no trabalho de preparar tijolos, e eles foram humilhados e tratados como escravos. Então clamaram ao seu Deus, e Este castigou todo o país do Egipto com pragas incuráveis. Os egípcios, então, expulsaram-nos do país. Deus secou diante deles o Mar Vermelho e conduziu-os pelo caminho do Sinai e de Cades Barne. Eles expulsaram todos os habitantes do deserto, instalaram-se na terra dos amorreus, e exterminaram pela força todos os habitantes de Hesebon. Depois atravessaram o Jordão, tomaram posse de toda a serra, expulsaram os cananeus, ferezeus, jebuseus, siquemitas e todos os gergeseus, e viveram lá durante muito tempo. Enquanto não pecaram contra o seu Deus, a prosperidade estava com eles, porque o seu Deus odeia a injustiça. Mas quando se afastaram do caminho que Deus lhes havia marcado, uma parte deles foi completamente exterminada em guerras, e a outra foi exilada para um país estrangeiro. O Templo do seu Deus foi arrasado e as suas cidades foram conquistadas pelos adversários. Mas agora eles voltaram para o seu Deus, regressaram da dispersão, ocuparam Jerusalém, onde está o seu Templo, e repovoaram a serra que tinha ficado deserta. Agora, meu soberano e senhor, se essa gente se desviou, pecando contra o seu Deus, comprovemos essa falta, e subamos para os atacar. Contudo, se eles não tiverem pecado, é melhor que os deixes em paz. Caso contrário, o seu Senhor e Deus vai protegê-los, e nós ficaremos envergonhados diante de todo o mundo».

Quando Aquior acabou de falar, todos os que estavam ao redor da tenda protestaram. Os oficiais de Holofernes, os habitantes do litoral e os moabitas queriam matar Aquior. E diziam: «Não vamos ficar com medo dos israelitas. É um povo sem exército e sem forças para aguentar um combate duro. Por isso, vamos lá. Serão presa fácil para todo o teu exército, senhor Holofernes».

Publicado por Judith em 02:40 AM | Comentários (0)

outubro 21, 2003

Quarto

Os israelitas da Judeia ficaram a saber de tudo o que Holofernes, general de Nabucodonosor, rei da Assíria, tinha feito às nações, atacando os seus templos e entregando-os ao saque. Então ficaram aterrorizados com Holofernes e temeram por Jerusalém e pelo Templo do Senhor. Tinham voltado do exílio havia pouco tempo, e todo o povo da Judeia havia-se reunido novamente. Os utensílios, o altar e o Templo haviam sido recentemente purificados da profanação.

Então mandaram mensageiros por todo o território da Samaria, a Coná, Bet-Horon, Belmain, Jericó, Coba, Aisora e ao vale de Salém. Ocuparam o cimo dos montes mais altos, fortificaram as aldeias da região montanhosa e juntaram provisões para a guerra, pois nesse tempo tinham acabado de fazer a colheita. O sumo sacerdote Joaquim, que nessa ocasião se encontrava em Jerusalém, escreveu aos habitantes de Betúlia e Betomestaim, que estão diante de Esdrelon, em frente da planície vizinha de Dotain. Mandou que ocupassem as passagens da serra, porque era por aí que passava o caminho para a Judeia. Desse modo, era fácil impedir que o inimigo avançasse, porque o desfiladeiro era tão estreito que somente se podia passar dois a dois. Os israelitas obedeceram ao sumo sacerdote Joaquim e ao conselho dos anciãos do povo de Israel, que residiam em Jerusalém.

Ao mesmo tempo, cada israelita suplicou insistentemente a Deus. Eles e suas mulheres, seus filhos e rebanhos, e todos os imigrantes, mercenários e escravos vestiram-se com pano de saco. Os que viviam em Jerusalém, inclusive mulheres e crianças, prostraram-se diante do Templo, com cinzas na cabeça, e estenderam as mãos diante do Senhor. Cobriram o altar com panos de saco e clamaram, a uma só voz e com ardor, para que o Deus de Israel não entregasse os seus filhos ao saque, nem as suas mulheres ao exílio, nem à destruição as cidades que tinham herdado, nem o Templo à profanação e zombarias humilhantes das nações.

Diz-se que o Senhor ouviu-lhes o grito e tomou conhecimento da tribulação deles. O povo jejuou durante dias seguidos em toda a Judeia e em Jerusalém, diante do Templo. O sumo sacerdote Joaquim, juntamente com todos os sacerdotes e ministros do culto do Senhor, ofereciam o holocausto diário, as ofertas e os dons voluntários do povo. Vestidos com panos de saco e com cinzas sobre os turbantes, chamavam com toda a força ao Senhor, para que protegesse a casa de Israel.

Publicado por Judith em 05:00 AM | Comentários (0)

outubro 19, 2003

Terceiro

Os habitantes do litoral enviaram mensageiros com propostas de paz, nestes termos: «Aqui estamos. Somos servos do grande rei Nabucodonosor e prostramos-nos diante de ti: faz de nós o que quiseres. Aqui estão à tua disposição os nossos estábulos, o nosso território, os campos de trigo, as ovelhas e os bois, e todos os nossos acampamentos. Serve-te como achares melhor. As nossas cidades e seus habitantes são teus escravos. Vem e trata-as como quiseres». Então os mensageiros apresentaram-se a Holofernes, e transmitiram a mensagem.

Holofernes desceu com o seu exército ao litoral, deixou guarnições nas cidades fortificadas e recrutou homens escolhidos para servirem de tropas auxiliares. Os habitantes das cidades e arredores receberam-no com coroas, danças e tamborins. Mas Holofernes destruiu os seus santuários, cortou as suas árvores sagradas e exterminou todos os deuses da terra, para que todas as nações só adorassem a Nabucodonosor, e todas as tribos o invocassem como deus, cada uma na própria língua.

Quando chegou à vista de Esdrelon, perto de Dotain, aldeia que está diante da grande serra da Judeia, Holofernes acampou entre Geba e Citópolis, e ficou lá durante um mês, recolhendo provisões para o exército.

Publicado por Judith em 12:11 PM | Comentários (0)

outubro 16, 2003

Nínive


Nínive (antiga Ninua), cidade da antiguidade, na altura capital do Império Assírio (aproximadamente 705-612 AC), à beira do rio Tigre. Situada no norte do Iraque, oposto à cidade moderna de Mosul (al Mawsil). Hoje, a sua posição é marcada por dois grandes montes, Kuyunjik e Nebi Yunus, e as ruínas das muralhas da cidade (aproximadamente 5 km no diâmetro). Situada na afluência do Tigre e do Khosr, Níneve era um cruzamento importante para as rotas comerciais que cruzavam o Tigre. Estabelecida ainda no neolítico antes de 6000 AC e habitado quase sem ruptura até ao ano de 1500.

No segundo e terceiro milénios (AC) Níneve foi conhecida com sendo um centro religioso. A fama dos poderes curativos da estátua da Deusa Ishtar chegou a territórios tão distantes quanto o Egipto. O rei assírio Sennacherib (que reinou entre 705-681 AC) mudou a capital do império de Calah (agora Nimrud) para Níneve pouco depois de ter chegado ao trono. A cidade antiga foi colocada então para fora dos seus limites, crescendo em grandes bairros, largas praças, parques e jardins, e um edifício magnífico de mais de 80 enormes quartos chamado o 'Palácio Sem Rival'. A área da cidade foi expandida a aproximadamente 730 hectares, e foram construídas muralhas defensivas maciças. A água potável para os habitantes foi trazida por um sistema de canais e de aquedutos de uma distância de 50 quilometros.
O rei Ashurbanipal (669-627 reinado bc) é creditado como fundador de uma biblioteca em Níneve. Durante o reino de Ashurbanipal a biblioteca foi enriquecida pelos seus escribas com textos científicos e iterários e trabalhos sobre magia sistematicamente coleccionados.

O saque da cidade pelos babilónios e por Medos em 612 AC pôs eficazmente fim ao império assírio; e, embora algumas áreas fossem habitadas mais tarde, Níneve nunca reconquistou a importância anterior.

Publicado por Holofernes em 05:34 PM | Comentários (0)

Segundo

No dia vinte e dois do primeiro mês do ano décimo oitavo, no palácio de Nabucodonosor, rei da Assíria, deliberou-se sobre a vingança contra toda a terra, conforme o rei havia dito. Então convocou todos os ministros e conselheiros, expôs o seu plano secreto e decretou a destruição de todos esses territórios. Decidiram exterminar todos os que não tinham aceitado o convite de Nabucodonosor.

Terminada a reunião, Nabucodonosor, convocou Holofernes, general do seu exército, o segundo homem no reino, e ordenou-lhe: «Assim diz o grande rei, o senhor de toda a terra. Ao sair da minha presença, toma contigo homens experientes, uns cento e vinte mil de infantaria e forte contingente de cavalaria, com doze mil cavaleiros. Marcha contra toda a região ocidental, porque não aceitaram o meu convite. Obriga-os a colocar à minha disposição a terra e a água, porque vou marchar furioso contra eles. Vou cobrir o chão com os pés dos meus soldados e entregá-los ao saque. Os seus feridos encherão os vales e as torrentes, e os rios transbordarão de cadáveres, e eu levarei os prisioneiros para os confins do mundo. Segue à minha frente e conquista para mim os seus territórios. Se eles se renderem a ti, deixa que eu os castigue. Não tenhas consideração para com os rebeldes. Entrega-os à matança e ao saque em toda a terra que tu conquistares. Pela minha vida e pelo meu império, vou cumprir o que estou a dizer. Não desobedeças a nenhuma ordem do teu senhor. Faz tudo conforme eu te ordenei. Não percas tempo».

Holofernes saiu da presença do seu senhor e convocou todos os chefes, generais e oficiais do exército da Assíria. Em seguida, escolheu um contingente de cento e vinte mil homens e doze mil arqueiros a cavalo, conforme o seu senhor tinha mandado. E organizou-os para o combate. Tomou então grande quantidade de camelos, jumentos e mulas, para transportar o equipamento, e também inumeráveis ovelhas, bois e cabras para o abastecimento. Cada soldado recebeu farta provisão e muito ouro e prata do palácio do rei.

Então Holofernes saiu com todo o seu exército à frente do rei Nabucodonosor, para cobrir toda a região ocidental com carros, cavaleiros e tropas escolhidas. A eles juntou-se ainda um bando numeroso, incontável como os gafanhotos e como a areia da terra.

Partiram de Nínive e caminharam três dias em direcção à planície de Bectilet. Acamparam fora de Bectilet, perto da montanha, ao Norte da Alta-Cilícia. Daí, com todo o seu exército, formado por infantaria, cavalaria e carros, Holofernes partiu para a região montanhosa. Devastou Fut e Lud, e saqueou todos os filhos de Rassis e de Ismael, que vivem na beira do deserto, ao Sul de Queleon. Depois costeou o rio Eufrates, atravessou a Mesopotâmia e destruiu todas as cidades fortificadas que estão junto ao riacho Abrona, até chegar ao mar. Tomou posse dos territórios da Cilícia, despedaçou todos os que resistiram e foi até à fronteira Sul de Jafé, diante da Arábia. Cercou todos os madianitas, incendiou as suas tendas e devastou os seus estábulos. A seguir, desceu para a planície de Damasco no tempo da colheita de trigo, e incendiou as searas, destruiu ovelhas e bois, saqueou as cidades, devastou as plantações e passou todos os jovens ao fio da espada. Um medo terrível caiu sobre os habitantes do litoral, sobre os sidónios e tírios, sobre os de Sur, de Oquina e de Jâmnia. Também os habitantes de Azoto e Ascalon ficaram aterrorizados.

Continue a ler "Segundo"
Publicado por Judith em 02:13 PM | Comentários (0)

outubro 15, 2003

Primeiro

Era o décimo segundo ano do reinado de Nabucodonosor, rei da Assíria, em Nínive, a capital. Nesse tempo, Arfaxad reinava sobre os Medos, em Ecbátana, que estava protegida com muralhas feitas com pedras de um metro e meio de largura por três de comprimento. A altura da muralha era de trinta e cinco metros, e a largura era de vinte e cinco. Sobre as portas, Arfaxad, levantou torres com cinquenta metros de altura e trinta metros de largura na base. Fez as portas com trinta e cinco metros de altura e vinte de largura, para que os soldados do seu exército pudessem sair, e a infantaria fazer as suas evoluções.

Nesse tempo, o rei Nabucodonosor declarou guerra contra o rei Arfaxad e a grande batalha deu-se na grande planície, que se encontra no território de Ragau. Os habitantes da montanha, todos os habitantes das regiões do Eufrates, do Tigre, do Hidaspes e os habitantes das planícies de Arioc, rei dos elimeus, aliaram-se a Nabucodonosor. E assim, muitas nações fizeram aliança contra os filhos de Queleud.

Nabucodonosor, rei da Assíria, enviou embaixadores à Pérsia e nações do Ocidente, à Cilícia, Damasco, Líbano e Antilíbano, aos habitantes do litoral e aos povos do Carmelo, de Galaad, da Alta Galileia, da grande planície de Esdrelon, aos habitantes de Samaria e suas cidades, aos que habitam além do Jordão até Jerusalém, em Batana, Quelus, Cades, o rio do Egipto, Táfnis, Ramsés e toda a terra de Gessen, até chegar além de Tânis e de Mênfis, e a todos os egípcios, até à fronteira da Etiópia. Todos, porém, desprezaram o convite do rei da Assíria, e não se aliaram a ele. Não respeitavam Nabucodonosor, porque achavam que ele era uma pessoa sem poder. Mandaram embora os embaixadores de mãos vazias e humilhados. Nabucodonosor ficou furioso com e jurou, pelo seu trono e seu reino, vingar-se de todos os territórios da Cilícia, Damasco e Síria, e passar a fio de espada todos os moabitas, amonitas, judeus e egípcios, até chegar à fronteira dos dois mares.

No décimo sétimo ano, Nabucodonosor mediu forças com o rei Arfaxad, vencendo-o no combate e derrotou todo o seu exército, cavalaria e carros. Tomou posse das suas cidades e, chegando a Ecbátana, tomou as suas torres, saqueou as suas ruas e transformou o que era belo em humilhação. Depois prendeu Arfaxad nas montanhas de Ragau, atravessou-o com as suas lanças e eliminou-o para sempre. Em seguida, voltou para Nínive com o seu exército, uma imensa multidão de soldados. Despreocupados, descansaram e banquetearam-se durante cento e vinte dias.

Continue a ler "Primeiro"
Publicado por Judith em 03:07 AM | Comentários (1)
Arquivo
agosto 2004
março 2004
dezembro 2003
outubro 2003
Últimas Entradas
Pergunta
Sem volta
Sétimo
Sexto
«Judite» - Grupo Tempo
Quinto
Quarto
Terceiro
Nínive
Segundo
Comentários
Primeiro
  Em: outubro 15, 2003 04:32 PM
  Por: O Prusidente da Junta
Links
Addicione os seus links aqui
Syndicate this site (XML)
Estatísticas da casa
ontem: [an error occurred while processing this directive]
este mês: [an error occurred while processing this directive]
desde 15 Out 2003: [an error occurred while processing this directive]
créditos: [an error occurred while processing this directive]
Motor editorial:
Movable Type 2.661

Alojado por:
Weblog.com.pt, Blogs portugueses em Portugal