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<title>2 almas, 4 mãos, muitas ideias</title>
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<copyright>Copyright (c) 2010, @bc_ideias</copyright>
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<title>O Tempo e o Vagabundo</title>
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<summary type="text/plain">Aqui onde estou, deitado, neste banco de paragem, embora pareça pouco confortável, sinto-me bem, porque vejo o mundo girar, vejo o mundo correr. O dia-a-dia das pessoas é uma constante corrida, ninguém tem tempo para nada! Ninguém tem tempo para...</summary>
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<![CDATA[<p>Aqui onde estou, deitado, neste banco de paragem, embora pareça pouco confortável, sinto-me bem, porque vejo o mundo girar, vejo o mundo correr.<br />
O dia-a-dia das pessoas é uma constante corrida, ninguém tem tempo para nada! Ninguém tem tempo para se sentar à espera do autocarro, ninguém tem tempo para se chatear com quem está deitado no banco da paragem, ninguém tem tempo para apreciar a vida. A vida é feita de pequenas corridas, ao acordar, toma-se um duche a correr, em seguida o pequeno-almoço numa corrida. Sair de casa a correr, seja de carro ou para o autocarro, mas tem que ser a correr. Chegar atrasado ao trabalho e ter de correr para compensar. Almoçar de fugida, porque afinal o tempo não é muito, voltar a correr para o trabalho e esperar que o tempo passe depressa. <br />
O Homem é engraçado, tão depressa deseja que o tempo passe acelerado, como a seguir quer que ele se demore a passar. Desde sempre existiu uma relação de amor-ódio entre o Homem e o Tempo, algo que os aproximava, mas que mais tarde os repelia. Dizem, alguns estudiosos, que Deus quando criou Adão e Eva e os colocou no paraíso, a árvore que se encontrava no centro do Paraíso de onde Eva comeu uma maça, não era uma árvore, era um enorme relógio. Um relógio que marcava o tempo do Universo, e Deus dissera-lhes “Eva, Adão, isto é um relógio e marca o tempo do Universo, eu deixo-o aqui entre vocês para que o protejam, enquanto ele estiver parado, vocês estarão sempre no Paraíso, vocês serão os Guardiões do Tempo e do Paraíso”, andavam todos orgulhosos com o importante papel que Deus lhes atribuira. Para não falar da vantagem que era trabalhar em casa, acordavam à hora que queriam, embora no único relógio que conheciam e que dava as horas de todo o Universo os ponteiro marcavam insistentemente as 12 horas, nem se podia dizer se era meio-dia ou meia noite, porque de um lado do Paraíso era dia, do outro era noite!, a vida no Paraíso era boa, não lhes faltava comida, não existiam doenças que os afligissem, e se houvesse tempo que contasse o tempo que passou enquanto eles assim estiveram, dir-se-ia que se passaram um par de séculos, coisa pouca para quem não tem tempo que os controle. Um dia Eva apanhou Adão a olhar fixamente o Tempo, quer era como chamavam ao grande relógio, e perguntou-lhe o que estava ele a fazer, Adão respondeu que estava apenas a observar o mecanismo do relógio, os botões, as opções, e Eva sentou-se ao lado de Adão a observar, assim ficaram ambos, sentados, pensativos e curiosos, até que Eva disse a Adão que assim com o Tempo parado não conseguiam observar o mecanismo a trabalhar, mas Adão disse que só podiam ver assim porque se ligassem o Tempo isso poderia ser o fim do Paraíso e quem sabe o fim do próprio Universo, Eva aquiesceu, mas sugeriu que empurrassem o ponteiro dos segundos apenas um segundo, deixando-o permanecer assim, só para ver que alavancas se moviam ao avançar um ponteiro, Adão sempre curioso com as Novas Tecnologias, deixou-se tentar, Eva empurraria enquanto Adão olhava, fora a única coisa que Adão pedira. Eva empurrou, Adão maravilhado olhava, o ponteiro deslocou-se lentamente da esquerda para a direita, uma pequena roda dentada no cerne do relógio rodava, fazendo uma outra roda adjacente rodar em sentido contrário, uma espécie de alavanca subiu por cima dessa pequena roda dentada, e caiu novamente no espaço existente entre saliências, olhou fascinado para Eva por ter presenciado aquele momento único, aquele avançar do tempo que não mais se repetiria, Eva estava um misto de cores, vermelha-arroxeada por força em demasia, branca por pensar que teria cometido um erro!, o som das rodas dentadas e das alavancas tornara-se constante, o ponteiro dos segundos continuava o seu movimento ensinando a Adão e Eva o que significava a expressão “andar no sentido dos ponteiros do relógio” Eva esforçava-se por impedir que o Tempo andasse, mas andava. Sentaram-se ambos, preocupados com o Tempo e com o criador do Tempo e a sua ira, mas Deus, apareceu calmo e sereno, com um ar pesado e preocupado, mas sereno e calmo!, aprontaram-se logo a apresentar as suas desculpas, não o tinham feito com esta intenção, nem com o intento de desobedecer a Deus, Deus sempre tão misericordioso passou a mão pelas suas cabeças e disse-lhes que as suas acções teriam as suas repercussões, que se tinham vivido duzentos anos até à data, sem terem envelhecido um único dia, hoje, por causa das suas acções, estavam mais perto do fim da sua existência, “Criei o Universo para o Homem viver, e o Homem o irá viver, e consumir, até ao fim”, quem diria que nove meses depois do ponteiro dos segundos começar a girar, Eva estaria a ter o primeiro filho do Homem, antes, durante o que poderia ter sido duzentos anos, nunca nada aconteceu, e agora, grávida à primeira, a verdade é que Eva já há muitos anos que estava grávida, mas como o tempo não passava, ela não crescia, o feto não desenvolvia, mas este será provavelmente o bebé mais velho de sempre, o único a ter demorado duzentos anos e nove meses para ser concebido.<br />
O tempo, também já vivi sobre as ordens do austero tempo, insatisfação constante, tudo o que fazemos é medido e quantificado em tempo. O tempo parece sempre insuficiente para fazer tudo aquilo que desejamos, e por ser insuficiente o tempo deixa-nos um sabor a frustração percorrer o corpo todo. O tempo, para mim, que aqui durmo neste banco de paragem de autocarro, para mim deixou de existir tempo, não tenho obrigação para com nada ou ninguém, posso apenas sentar-me e ver, ver as pessoas, os carros, as montras, a chuva, o nascer e o por do sol, o namoro do sol e da “Cabra”, ver a vida a correr!, não a minha, que a minha não corre, a minha passeia-se, porque como não tem tempo, não tem pressas e porque não tem pressas aprecia. Aprecia o Sol, a chuva, o dia, a noite, os cheiros, os toques, sou e estou vivo!</p>]]>

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<title>O visitante sem horas</title>
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<issued>2010-02-11T22:43:36Z</issued>
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<summary type="text/plain">Tento chegar-me mais perto daquele dorminhoco! Reparo que está a tremer! Mas não é só frio! Treme por receio do desconhecido. Será visitante que tem malas transformadas em sacos plásticos? Chego-me perto suficiente para ver que ainda dorme! Treme inconscientemente!...</summary>
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<name>@bc_ideias</name>

<email>2bcideias@gmail.com</email>
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<![CDATA[<p>Tento chegar-me mais perto daquele dorminhoco! Reparo que está a tremer! Mas não é só frio! Treme por receio do desconhecido. Será visitante que tem malas transformadas em sacos plásticos?<br />
Chego-me perto suficiente para ver que ainda dorme! Treme inconscientemente! Tem um gorro preto que lhe cobre as orelhas mas por debaixo delas revela-se o cabelo da cor da cinza. No rosto há salpicos da mesma cor. Barba forte, mas ainda curta! Será ele rico? É que tem três casacos vestidos, já para não falar das camisolas! (Será, assim, possível tremer de frio?)<br />
Meias são outras três, mas reparo que não está na moda! Nada combina com nada. Mas não, rico não deve ser… Afinal de contas dorme sobre lençóis improvisados! Não tem conforto mas sente-se confortável! Não é muito alto e se lhe tirarmos o agasalho, também não deve ter grande porte físico.<br />
Já perdeu muitos autocarros e escapou a muita chuva. Também perdeu a noção do tempo! Não tem horas para nada. Assim como não teve horas para se deitar, vê-se que não tem horas para se levantar. Mas quem é que vive sem horas? Para tudo é necessário ter horas!</p>]]>

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<title>Uma Vida Solitária</title>
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<summary type="text/plain">Introdução</summary>
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<email>2bcideias@gmail.com</email>
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<![CDATA[<p>Os estudantes chamam-me “A Cabra”, porquê perguntam vocês, não sei, ou se calhar até sei, mas faço-me desentendida. Poderá ser inveja, por eu estar sentada num sítio invejável, com uma vista única sobre a cidade, vendo o nascer e o pôr-do-sol de forma impar. O sol que se espreguiça à medida que vai entrando no meu horizonte, ele que sabe que o espero, conversamos muitas vezes e quando ele se aproxima um pouco mais de mim, sussurra-me ao ouvido, histórias de amor, promessas de fidelidade, juras de que ficaremos juntos até à eternidade. Juras, promessas que se vão desvanecendo à medida que ele me diz adeus do outro lado do horizonte, porque não fica ele aqui comigo, porque não passa ele a noite comigo, abraçados eu e ele, debaixo de um bonito e saudoso luar como só em Coimbra existe, com as guitarras a tocarem serenatas, os estudantes a namorarem debaixo deste mesmo luar que nos aquece, tenho orgulho de ter nascido aqui e de aqui ter nascido Coimbra, não queria estar em qualquer outro lugar do mundo, não queria ser qualquer outro lugar do mundo, Coimbra é o meu mundo.<br />
Mas não é só o sol que consigo ver de onde me encontro, logo no meu “quintal” o pátio das Universidades, com a “minha” sendo a mais bonita, a bela faculdade de Direito, do lado esquerdo logo à saída do meu portão gradeado, a faculdade de Letras e á sua frente a Biblioteca Geral, depois a faculdade de Física e o departamento de Medicina Legal um pouco mais para a frente, e eis que chegamos ao nosso saudoso D. Dinis. A partir daqui é descobrir sempre um pouco mais, descendo as Monumentais chegamos às Amarelas, peço desculpa descendo a escadaria “Monumentais” chegamos às cantinas “Amarelas” é que estou tão habituada a chamá-las apenas pelo primeiro nome que me esqueço que nem todos as conhecem pelo primeiro nome, este é um pequeno atalho para chegar à Praça da República, mas os Cortejos o das Fitas e o da Latada não é por aqui que passam, esses descem a rua desde o D. Dinis até ao Papa junto aos Arcos do Jardim e só aí desce até à Praça da República. A Dona Maria está à janela de sua casa, ela está lá sempre, só sai para ir à cozinha buscar a refeição mas come-a à janela, nos dias de cortejo ela esquece todos os seus problemas e todas as suas dificuldades, eu daqui vejo-a e sei que ela também me vê por vezes (quando me olha), muito passeia ela pelo Jardim da Sereia, passeia sentada na sua janela, percorre as suas mãos pelas folhas das plantas, pelos troncos das árvores, sentido as suas texturas e os seus odores, passeia navegando nas suas memórias. Em dia de cortejo, um sorriso desenha-se-lhe no rosto, e lá vai ela, a Dona Maria mentalmente descendo a Avenida da República, seguindo o cortejo e sentindo-se viva outra vez.<br />
Ao chegar ao cruzamento entre a Rua da Sofia e da Rua Visconde da Luz o cortejo diz adeus ao Manel que espreita mas não vê, sente. O Manel é invisual, ou cego, como ele prefere dizer, costuma estar junto ao “Shopping da Sofia” com a sua pequena caixa tilintando na mão, e apregoando auxílio a quem passa. Já na Visconde da Luz o cortejo passa por onde Giuseppe costuma estar, com as suas “Cais” na mão, e tentando não incomodar, vai tentando vender, hoje decerto que não vende, hoje nem sequer veio, não valia a pena. Ao fundo junto à Portagem, a Portagem não é mais do que o nome que as pessoas da cidade puseram à Ponte de Santa Clara, mais precisamente ao lado de cá da ponte, porque antigamente a travessia era feita de barco entre as duas margens, a de lá e a de cá, a de Santa Clara e a de Coimbra, e essa travessia era paga tal como numa portagem, onde se paga a travessia feita numa auto-estrada, como eu estava a dizer, junto à Portagem os cortejos seguem cada um o seu destino, na altura do das Fitas, os “carros”, que no fundo são camionetas de carga enfeitadas com flores de papel, viram à direita e seguem até a um descampado onde vão perder as cores e os enfeites. E na altura do da Latada os novos estudantes chegados aos diversos estabelecimentos de ensino superior de Coimbra são baptizados convenientemente nas águas do Mondego. <br />
Mas hoje, que não há baptismos, nem os carros andam enfeitados, hoje que o meu amigo sol não apareceu, e o céu se encontra escuro como um cortejo de capas académicas, mas em que a festa anda longe. A normalidade do dia apresenta-se, a Dona Maria está a janela de sua casa imaginando-se a passear no jardim, o Manel está à entrada do shopping a tilintar as poucas moedas da sua caixa pedindo ajuda a quem passa e lhe desvia a cara, Giuseppe ao abrigo dos poucos telheiros da Rua Visconde da Luz, timidamente, aproxima-se das pessoas exibindo uma “Cais” , pessoas que fogem para a chuva para fugirem a Giuseppe, e numa paragem de autocarro alguém se abriga da chuva, deitado sobre o banco embrulhado em cartões e com dois sacos de plástico junto de si, este alguém que eu ainda não o conheço, mostra indiferença ao outro, indiferença a quem e ao que o rodeia, dorme! Dorme, pois devo então apresentar-me, eu “A Cabra” fazendo como fiz para merecer o meu digníssimo nome, badalar até não poder mais, afinal já é meio-dia.<br />
Mais do que uma torre que está sentada no alto de uma colina no topo de uma universidade, eu sou um narrador que se apresenta e que pode assumir diversas formas, posso ser uma torre, posso ser um rio, posso ser uma gaivota ou uma pomba, posso ser um pensamento.</p>]]>

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