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<title>O que eu vou comer amanhã</title>
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<tagline>ou: ainda é consumismo se for de graça?</tagline>
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<copyright>Copyright (c) 2012, homelupus</copyright>
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<title>Agora o assunto é outro</title>
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<summary type="text/plain">Faz tempo, eu disse que interromperia este blog para trabalhar num livro. O livro ainda não está pronto, mas está nessa direção. Por outro lado, fez falta dizer algumas coisas, e ter um ambiente público pra debater -- facebook e...</summary>
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<![CDATA[<p>Faz tempo, eu disse que interromperia este blog para trabalhar num livro. O livro ainda não está pronto, mas está nessa direção.<br />
Por outro lado, fez falta dizer algumas coisas, e ter um ambiente público pra debater -- facebook e tuíter são boas ferramentas, mas cada ferramenta para um ofício, correto?<br />
De modo que, <em>for the time being</em>, há um outro projeto começado: <a href="http://minhavidacultural.net">Minha Vida Cultural</a>.<br />
Este começou com Aristóteles, e vai acabar com São Tomás de Aquino. Pois, se tem um início, então tem um fim, é corruptível, não é perfeito. O outro também será assim: começou, durará um tempo, cumprirá algumas promessas, descumprirá outras, e finalmente morrerá, talvez de morte matada, talvez de morte morrida, e talvez cometa alguns crimes, ele mesmo, no meio do caminho. O que pode ser ameaça, mas pode ser também promessa.<br />
Mas o belo das obras é que não morrem. Mesmo as obras pobres, desconjuntadas, como esta aqui. Faço o convite, visitem o <a href="http://minhavidacultural.net">Minha Vida Cultural</a>. Mas façou ainda outro convite. Revisitem O que eu vou comer amanhã. Há uma diferença gritante entre ler uma obra como se fosse o cotidiano, e ler o cotidiano, como se fosse uma obra. Se este blog deveria servir para alguma coisa, que fosse ao menos pra isso.<br />
E obrigado por terem estado aqui, fazendo essa preciosa companhia.</p>]]>

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<title>Do gênero epistolar (VI)</title>
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<modified>2010-04-10T00:11:15Z</modified>
<issued>2010-01-10T08:35:08Z</issued>
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<summary type="text/plain">Bru, Chega uma hora em que é preciso se dizer chega. Em que é preciso mover-se para outras paragens. Embora isso não seja nem exato, nem oportuno. Não é exato em que não é a maneira correta de dizer isso....</summary>
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<![CDATA[<p>Bru,</p>

<p>Chega uma hora em que é preciso se dizer chega. Em que é preciso mover-se para outras paragens.</p>

<p>Embora isso não seja nem exato, nem oportuno.</p>

<p>Não é exato em que não é a maneira correta de dizer isso. Vou dizer o quê, que estou interrompendo o blog por tempo indeterminado? Mas isso já não foi dito imediatamente antes?</p>

<p>E também não é oportuno, porque não é nunca oportuno interromper as coisas. Apenas os inícios são oportunos, os términos são sempre cortantes, dilacerantes, god knows what.</p>

<p>Mas, de fato, eu poderia escolher mil outras maneiras, mil outros momentos, para fazer isso, mas há um <strong>muss es sein</strong>, um muss es sein que eu sou obrigado a responder, it must, e responder a vc porque vc é que é capaz de testemunhar isso, e vc é capaz de testemunhar isso porque vc sabe que esse não é meu jeito de ser, é só um personagem, mais um personagem do qual eu preciso, uma vez mais, me desvencilhar.</p>

<p>Então eu não vou mais poder escrever aqui da mesma maneira como tenho escrito. Mas, também, não vou poder mais criar personagens para aqui. Isso aqui já se tornou longínquo demais para que eu possa carregar como se estivesse perto o bastante para que possa interessar a alguém.</p>

<p>Ontem entrou alguém aqui a partir de uma busca na internet, a partir da frase "o que é um escritor?". Segundo consta no registro que eu coloquei aqui, como vc deve se lembrar, essa pessoa não ficou mais do que 10s e se foi, provavelmente insatisfeita, porque verificou não ser o lugar adequado para obter a necessitada resposta.</p>

<p>De minha parte, não posso levar isso muito a sério, como nada mais, porém é preciso verificar que uma busca que eu ou vc possamos fazer não vai encontrar este site como referência. O fato técnico que eu já fiz notar de que os resultados das buscas na internet são filtrados regionalmente, e que portanto a mera circunstância de o impaciente pesquisador estar a uma certa distância destas paragens, senão próximo demais do meu creditoso servidor, é algo que contraria este segundo fato, o de que o resultado dessa busca, a nós, tenha toda a aparência de um completo acaso, não mutila a perspectiva, talvez supersticiosa, de que esse aparente acaso tenha, afora sua justificativa puramente técnica, uma outra de fundo mais promissor para quem a técnica pertinente ao caso já é bastante dominada para que possa proporcionar maior interesse, e por isso não deseja investigar ou aprender mais nada nesse ramo, mas acredita poder dessa outra justificativa tirar outras consequências menos diretas, ou ortodoxas.</p>

<p>Quem sabe a conduta que se apreenda, aqui, não seja mesmo a de um escritor? Talvez seja o caso de que, repetindo fórmulas bem-sucedidas de um determinado capítulo -- e deve-se entender essa palavra no seu mais amplo alcance semântico --, nomeadamente o terceiro, caso novamente restrinja-se a semântica pertinente ao caso -- ou mesmo o primeiro, caso se pretenda ser mais imparcial e menos indulgente, ou apenas exibir um fútil, e ainda assim profundo, conhecimento de uma obra apenas rascunhada --, o autor, no caso, eu, não esteja mais criando nada de original, conforme vc solicita, carinhosamente, e o faça não por indolência ou conformismo, ou decadência, mas simplesmente porque está preso a uma fórmula, ou antes, sim, antes, porque não se trata de criticar a falta de originalidade, porque quanto a isso, nunca é demais repetir, ainda que no contexto de uma ária fúnebre, sabe-se que é a necessidade de origens, para fazer a crítica inteira de maneira sintética, ou a exigência de originalidade, para satisfazer os que dela fazem senhora, é essa que deveria mais ser criticada, é que tem-se mais a criticar, e talvez o clichê, nesse ponto, seja mais inovador, mais promissor, nesse ponto, ou seja, diante do atual estado de coisas, nessa altura do campeonato, etc., mas sim, antes de uma fórmula, uma forma, ou seja, portanto, o blog mesmo, que é, como todos sabem, ou deveriam saber, a essa altura do campeonato, não apenas um meio, uma <em>media</em>, como sói chamar o nosso século bilíngue, com isso querendo dizer que é muito para qualquer um, hoje, falar mais de uma língua, e já tem nisso um trabalho hercúleo, mas sim, senão, uma forma que imprime, como toda forma, boa parte, não precisamente de seu conteúdo, mas de seu resultado.</p>

<p>Assim portanto, para mirar resultados mais altos, quais sejam os da permanência -- ainda que, nesse ponto, poderá intervir mais de um comparsa que eu tenha em alta conta, já que, de caso pensado, escrevo essa carta aberta, ao invés de escolher um molde mais íntimo, o que não é preciso explicar, já que é o próprio assunto em questão, e diria, esse comparsa, que a permanência não é o alvo mais alto que poderíamos mirar, ao que eu responderia, para não estender a conversa, que o alvo tampouco, porque o negro também poderia nos satisfazer em certos casos -- embora isso fosse nos levar a outras discussões, e portanto basta para uma risada condescendente e um aval para prosseguir -- o que me leva a te dizer, portanto, e agora sim, principalmente a vc, que para mirar a permanência é preciso ter em vista a transitoriedade, e não de uma maneira metódica, senão como uma questão de método, é preciso tempo para permitir-se experimentar, e experimentar todo tipo de coisas, coisas estúpidas, o que nem sempre foi possível aqui, coisas íntimas, o que certamente não será o caso aqui, senão de maneira bastante desviada, ou seja, como é mister perante o público, coisas incoerentes ou ilegíveis, para que se possa conceber uma outra forma de ler, e portanto, de escrever, ou seja, coisas muito fáceis de explicar, mas difíceis de executar, e nem por isso menos reais, ou seja, virtuais, como eu te dizia, mas num sentido mais complexo que no espelho, porque não basta simplesmente olhar para o problema: é preciso esmerar-se nele.</p>

<p>É preciso, portanto, em poucas palavras, escrever em outro lugar. Longe das vistas de qualquer um. E sim, apesar de eu ter, não lembro se te contei isso, mas evito falar sobre o assunto, já que se tornou lugar comum criticar o Saramago, dito que era ridículo ele interromper o blog para terminar um livro, considero que são excludentes, no meu caso, devo dizer, não estou capitulando ou mudando de ideia quanto a outros casos, e ademais, não digo que é por falta de tempo, o que, como vc sabe, seria uma justificativa perfeitamente justa, já que eu não vivo, deus sabe por quê, da literatura, mas por um motivo, ainda que mais sutil -- mas haverá algo mais sutil que o tempo? -- mais concreto, que é o exposto: não posso criar outros personagens para escrever aqui, porque eles já estão saindo sem vida, e não posso permitir que se alimentem de nós.</p>

<p>É preciso, mais uma vez, fugir.</p>

<p>Ia escrever, diante dos vampiros, mas essa é uma outra crítica que terá de ser feita em outra ocasião.</p>

<p>É preciso criar outros personagens, mas esses são muito evanescentes, ainda, ou seja, deverão encarnar, se tanto, um espírito muito mais instável, efêmero, intangente, do que o necessário para tomar corpo aqui. Ainda que isso surpreenda, ou sugira impossibilidade. Sim, meus disfarces não têm sido muito impressionantes, e embora tenham toda a aparência de seriedade, não bastam para que eu me iluda a respeito da maneira como eles iludem os leitores deste lugar: é certo que não duram o bastante.</p>

<p>Mas, ainda assim, não são bastante arriscados, ou seja, não contam o suficiente como o acaso, ou em uma palavra, ainda que equívoca e gasta, não são suficientemente experimentais. E não o são pelo mesmo motivo pelo qual um mágico esconde seus truques: todo o mundo sabe que a sorte se faz menos presente quanto mais olhos se voltam sobre ela. Aliás, disse mágico? Pensava num jogador. Mas, taí um ótimo exemplo, pensava nos dois: não é à toa que adivinhamos a próxima música numa lista em shuffle, mas não ganhamos na loteria; não é só a quantidade de números em jogo, é a quantidade de pessoas torcendo.</p>

<p>Portanto, daqui em diante, mesmo vc verá menos o que eu escrevo. Eu sinto isso tanto quanto vc, acredite, embora vc ainda possa ver muita coisa que já está escrita, e não é de menos importância, isto é, não é menos suscetível à influência. Mas preciso escrever mais escondido. Porque há o tempo de atuar, e há o tempo de investigar. O que é um escritor. Diferente do que é um ator, que é mais ou menos uma prova do outro.</p>

<p>Mas vc vê, sei que escrevo mais rápido do que falo, e não basta estar impresso para que se possa ler mais lentamente. Isso demanda um outro tratamento. Que, como eu disse, demanda outro tipo de experiência. Em outro lugar. Sim, como trata-se de uma despedida, ou uma forma de despedida, já que se trata de uma despedida da forma, é preciso repetir: em outro lugar.</p>

<p>Vc perderá tempo vindo aqui novamente, por um tempo, pelo menos. Se alguma coisa eu colocar aqui, será coisa pronta, ou pelo menos resultados bem-sucedidos de testes que mais valeriam por seus erros.</p>

<p>Ia falar alguma coisa mais sobre a forma do blog. Mas já te disse isso. Tem a ver com o <em>a posteriori</em> do Lacan. Tem uma palavra em alemão que principia com nach, mas em latim está bom, e assim eu finjo, mais uma vez, mais pertinência do que a de que sou capaz.</p>

<p>Portanto let's call it an end, ou antes, let's call it a day.</p>

<p>Vc sabe que é à noite que eu funciono melhor.</p>

<p>Brigado por ter me acompanhado aqui, e por ter escrito. Foi importante pra mim.</p>

<p>Com muito amor,</p>

<p>R.</p>]]>

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<title>Ai ai ai</title>
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<modified>2009-12-13T02:06:22Z</modified>
<issued>2009-12-13T01:47:17Z</issued>
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<summary type="text/plain">Eu sei que pra vcs isso não é nada, mas 140 e-mails, sendo 70 sequer lidos, e ainda sem internet em casa. E dizer que na caixa dizia &quot;móvel&quot;. Mas tudo bem, vcs não ficam sem mim. Se der tempo,...</summary>
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<![CDATA[<p>Eu sei que pra vcs isso não é nada, mas 140 e-mails, sendo 70 sequer lidos, e ainda sem internet em casa.</p>

<p>E dizer que na caixa dizia "móvel".</p>

<p>Mas tudo bem, vcs não ficam sem mim.</p>

<p>Se der tempo, passa <a href="http://www.vimeo.com/redbullhoa" target=_blank>lá</a> pra ver a mim, à Ana Rüsche, ao Felipe Sentelhas, e à Maiara Gouveia lendo poesia.<br />
Claro que não só isso: a exposição de gente pelada da Lelê Cestac. A coisa mais linda de todas.<br />
A primeira é obra da Gabriela Golder, a gracinha chegada de Buenos Aires que se aproveitou dos contatos da Lelê pra montar uma obra curiosíssima. Algumas imagens da prémière são as do vídeo, sob o nome "Despojos". Tem lá também uma outra obra dela, umas moças incríveis. Se alguém usar a palavra histéricas é pelego. Só vendo.</p>

<p>Como sempre.</p>

<p>Desculpem a ausência, mas tenho estado presente em outras partes. Logo tudo volta ao normal.</p>

<p>PS.: ou não; como não sei quando volto, já adianto: serei surfista.</p>]]>

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<title>Inútil</title>
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<modified>2009-11-25T04:42:09Z</modified>
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<summary type="text/plain">Quanto mais eu trabalho, mais eu penso, e mesmo um fim-de-semana prolongado não me permite dar descanso a essa mente grosseiramente fértil, isto é, ao contrário! Descansado, e não tendo tido descanso o dia todo, tive ideias demais, em vez...</summary>
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<![CDATA[<p>Quanto mais eu trabalho, mais eu penso, e mesmo um fim-de-semana prolongado não me permite dar descanso a essa mente grosseiramente fértil, isto é, ao contrário! Descansado, e não tendo tido descanso o dia todo, tive ideias demais, em vez de ficar prostrado. Chegou a noite, e não consegui desligar.<br />
Tenho o título do outro livro, o que eu estou planejando há anos, mas do qual ainda não escrevi uma linha -- claro, porque há o Dêixis e o Poemas para o Século XX na frente da fila -- fora a empolgação que me faz escrever em línguas.</p>

<p>Não, fiquei um pouco frustrado ao me reconhecer no livro do Gombrowicz. Um poeta inédito. Sim, desses loucos, que andam pela rua falando sozinhos, para ter certeza de que suas obras não vão acabar junto com eles. Por causa não de um poema meu, mas da tradução que fiz do poema do <a href="http://www.google.com.br/search?q=tragamos+e+tragamos" target=_blank>Celan</a>. Parece que ninguém deu muita bola, tirando a Ana Rüsche, que não conta porque me ajudou. Não, não devo reclamar, isso é deprimente.</p>

<p>Por que diabos então fui ler Gombrowicz? Esse é um daqueles escritores que eu sempre tive respeito, mesmo sem ler. Influência, neste caso, do <font face=Courier>&lt;a href="eu.pagaria.pra.ver.um.blog.aqui" target=_blank&gt; Juliano &lt;/a&gt;</font>, e em verdade as ideias do escritor são muito boas, tendo a concordar com elas 70% (o que é muito, não há dúvida), mas sinto que ele não logra realizar a obra. É a segunda vez que pego um livro dele para ler e rateio. Este agora é o Ferdydurke, e como tem um certo humor, pode ser que eu consiga terminar. Além disso, não é desprovido de valor. Mas, puxa, já não é possível admirá-lo. Já não posso roubá-lo, quero dizer, ou furtá-lo. Sim, furtá-lo talvez, mas mais provável que não. E um autor que não necessitamos roubar não é um autor que necessitemos ler. Porque ler é roubar. É o que venho tentando dizer.</p>

<p>Mas essa é a minha coisa com o respeito. Se eu tenho alguma coisa de sobra, é respeito. Bom, talvez ignorância, mas o povo de Inverno acharia que estava me jactando, então fiquemos só com respeito. Sim, tanto, que é difícil alguém se livrar de mim, quando eu chego a conhecê-lo bem. Isto porque respeito tanto essa pessoa, inevitavelmente, que faria um mal muito grande ao respeito que a própria pessoa nutre por si de repente se ver alijada do respeito que eu nutri por ela. Porque esse, frequentemente, é maior. A não ser, claro, quando esse mesmo respeito deixa a pessoa tão envergonhada, supondo que não pode haver nada de mais enganoso e hipócrita do que manter esse respeito alimentado, supondo que ele não tem nenhuma, a mais remota, razão de ser, tal é o desprezo que nutre por si mesma, que não pode fazer mais nada além de, realmente, livrar-se de mim. Porque às vezes não chego a nutrir um respeito tão grande pela pessoa a ponto de respeitar a ideia que ela faz de seu próprio valor. E há, também, a outra exceção, baseada no fato simples de que eu, a par de ser extremamente respeitoso, sou também extremamente preconceituoso, e embora a balança pese de maneira mais ou menos aleatória, ao menos vista a olho nu, para um lado ou outro, há um certo número considerável de casos a que simplesmente deixo de devotar qualquer grau de respeito, senão o mais completo e desinteressado desprezo.</p>

<p>Isso não é uma declaração de moral ou caráter, como se vê, mas simplesmente uma constatação lógica daquilo que penso não se afastar muito do normal, e fazendo parte da minha maneira de ser, vejo como sendo absolutamente normal, senão um pouco excêntrica apenas.</p>

<p>Tive um impulso de furtar algo do Gombrowicz, por um instante, mas passou. Não valia a pena.</p>

<p>Sim, infelizmente sou escolado demais na arte da imaturidade para achar que ele pode me ensinar qualquer coisa, ou que eu possa me aproveitar insuspeitadamente.</p>

<p>Mas não queria entrar no mérito do livro, uma vez que ele escapa ao escopo da minha admiração, mas também não cai no do preconceito, e não nutrindo o escritor um desprezo invencível por si mesmo -- não nutria vivo e certamente não nutre agora, morto -- escapa igualmente ao escopo do post de hoje, que se torna, por esse motivo, inútil.</p>

<p>Eu só devia ter escrito que estou jogando <a href="http://machinarium.net/demo/" target=_blank>Machinarium</a>. </p>]]>

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<title>Formação</title>
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<modified>2009-11-19T03:47:22Z</modified>
<issued>2009-11-19T03:45:45Z</issued>
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<name>homelupus</name>

<email>rrdaud@gmail.com</email>
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<![CDATA[<p>Um homem forte cresce, ou seja, torna-se homem, tendo que lidar com o fato elementar de que, simplesmente por ser o que é, possui, em si, a capacidade real e presente de, a qualquer momento, e de acordo com sua disposição, engajar-se num combate físico mano-a-mano e, em consequência disso, matar um outro homem com as próprias mãos, o que é exatamente mais real, e menos imaginário, de acordo com o grau dessa mesma disposição.</p>

<p>Por causa disso, cresce, ou seja, torna-se homem, tendo que lidar com o dilema moral que essa disposição determina. É preciso que não se disponha a matar esse outro, porque, caso contrário, ele o fará, mais cedo ou mais tarde.</p>

<p>Falo de homem forte, mas, em verdade, qualquer homem de força mediana enfrenta essa questão.</p>

<p>Apenas a um homem constitutivamente fraco não se apresenta o dilema de Caim <br />
frente a seu irmão.</p>

<p>Em consequência, um homem constitutivamente fraco será, também, um homem cuja moral terá de passar por outros caminhos, outros meandros, para se constituir naquilo que em geral chamaríamos de um bom caráter.</p>

<p>Não gostaria de ir ao ponto de dizer que isso implicaria, também, que tem esse homem suposto mais chances de perder-se, em termos morais, do que aquele outro, o constitutivamente mais forte. Embora, tendo-o dito, não me vêm argumentos fáceis para desdizê-lo, e a experiência do homem comum, a que temos acesso pela vivência e observação, não me oferece tais argumentos, uma vez que, a uma, são demasiados os homens sem caráter para que achemos muito restrita a circunstância de sua perdição, e a duas, do fato de que seja necessário, a esses homens fracos, um certo número de meandros, a fim de encontrar-se, não decorre que esses meandros sejam raramente encontrados, e poderia bem ser que houvesse mais homens fracos e de caráter, do que homens fortes, e que houvesse mais homens fortes sem caráter, do que homens fracos na mesma categoria, e justamente porque esses últimos terão precisado de enfrentar dilemas de maior monta, mais sutis ou mais exigentes que aquele outro, mais simples, com o qual iniciei toda essa argumentação, e que constitui a hipótese que estou tentando provar.</p>

<p>Considero, assim, secundária a questão de decidir se os homens fracos têm ou não mais chance de se perder, e também secundária a questão de decidir se, de fato, perdem-se mais que os outros, os homens fortes. Aliás, qualquer leitor deste blog, que como todos sabem, tenho em alta conta, consideraria falaciosa e perigosa a tentativa de estabelecer uma ligação direta entre a força física ou constitutiva de um homem a seu valor moral.</p>

<p>A questão, portanto, que tenho como primeira, aqui, é de saber se, de fato, aquele dilema é importante para aqueles homens que o enfrentam, e se, em decorrência disso, sua falta exige que os outros homens passem a enfrentar um certo número de outros dilemas para chegar às mesmas conclusões ou valores morais que farão, também deles, aquilo que em geral chamaríamos de homens de caráter.</p>

<p>Meus argumentos são fracos, na verdade: em primeiro lugar, me ocorre que esse pensamento não passa, em mim, de uma intuição, mas uma intuição poderosa o bastante para me colocar convicto de meu argumento. Não tão convicto que não o ponha à prova, aqui, mas também, por isso mesmo, mais convicto ainda, posto que uma hipótese que pomos à prova torna-se mais possante por esse mesmo motivo. Em segundo lugar, tenho, a favor dela, um dos documentos mais privilegiados para verificar alegoricamente o que são os padrões e modelos humanos, e que levanta minha hipótese como verdadeiramente essencial, apresentando-a na história de Caim e Abel na posição e altura em que apresenta. Finalmente, em terceiro lugar, possuo um argumento duplo, e de pouca valia, mas aqueles familiarizados com a maldição de Tirésias haverão de concordar comigo. Tal argumento consiste em que eu mesmo, tendo nascido com uma fraca constituição, e adquirido, com o passar dos anos, não apenas uma estatura mas uma condição de saúde bastante invejável, tenho o privilégio de conhecer os dois lados da moeda, e tendo passado por todos os meandros dos quais falo, e sem mencioná-los aqui, uma vez que a palavra meandros não se presta à dúvida e expressa verdadeiramente a dificuldade em explorá-los (o que, não obstante, tenho feito em outros lugares e momentos), acabei passando, eventualmente, pelo dilema oposto, ao qual aludo em primeiro lugar, e que, não menos do que os outros, me faz considerar a posição em que me encontro neste mundo, entre outros homens, iguais ou não tão iguais a mim.</p>

<p>Com isso, talvez os mais perspicazes entre vocês, ou aqueles mais atentos, ou simplesmente aqueles que, pelo peso das horas, acabe deparando-se, entre as linhas, com as mesmas sutilezas das quais agora me ocupo, acabem percebendo, ou acreditando, que penso estar em condições, pelo que acabo de afirmar, de ser juiz dos outros homens, ou que, pelo menos, me julgue moralmente superior, tendo passado por uma dupla prova, quando outros, diferentemente, enfrentaram apenas uma. Nada pode estar mais longe da realidade, quando efetivamente, ao referir Tirésias, tinha também a intenção de fazer ver que a dupla prova não é, de forma alguma, um privilégio, ou ao menos não é um privilégio que não atraia, em consequência, uma maldição. Se faço ver mais longe, ou mais fundo, ou mais após do que o comum dos mortais, se me faço de profeta ou opto por uma linguagem mais canhestra, misteriosa, ou simplesmente arrogante, e se assim mesmo disser verdades, se, portanto, tirar forças da minha deficiência ou maldição, e puder por isso enxergar onde outros veem somente trevas, isso não deve ser encarado como dom, mas simplesmente como a natureza compensatória daquilo que é mítico e que, por essa mesma razão, de ser mítico, não faz de mim um herói, apartado dos outros homens, iguais ou não tão iguais a mim, e mulheres, que não haviam ainda entrado nesta história, mas sim alguém que partilha, em igual medida que todos, daquilo que insufla esse mito, e que, sendo heroico, invejável, ou possante, não é menos terrível, doloroso, agourento.</p>]]>

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<title>A internet é um tesão</title>
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<modified>2009-11-18T04:35:55Z</modified>
<issued>2009-11-18T03:00:57Z</issued>
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<summary type="text/plain">Se vcs entrarem no blog do Radiohead, vão ver a coisa mais sensacional: os caras da banda colocam listas de música. Sim, como se fosse um disco, só a lista das músicas. Provavelmente o que eles estão ouvindo no tocador...</summary>
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<name>homelupus</name>

<email>rrdaud@gmail.com</email>
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<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://homelupus.weblog.com.pt/">
<![CDATA[<p>Se vcs entrarem no blog do <a href="http://www.radiohead.com/deadairspace/" target=_blank>Radiohead</a>, vão ver a coisa mais sensacional: os caras da banda colocam listas de música. Sim, como se fosse um disco, só a lista das músicas. Provavelmente o que eles estão ouvindo no tocador de mp3. E o Johnny, pelo menos, cuja seleção é sempre mais rara, põe um link para um lugar onde se pode ouvir a lista dele.<br />
É como se eles te dissessem o que está alimentando a própria criação. Como se eu escrevesse, aqui, um monte de bobagem, colocasse um certo número de referências, copiasse uns textos, pra que quem leia tenha uma ideia de pra onde está indo minha criação.<br />
Espere, eu faço isso.<br />
Mas meu blog não é um tesão. Instalei um negócio chamado <a href="http://getclicky.com/stats/home?site_id=150806" target=_blank>Clicky</a>. Descobri agora que os 100 leitores que o weblog apontava são pura mentira. A não ser que 90 deles estejam me acessando por leitores RSS, tenho menos de 10 leitores por dia.<br />
Mas sou eu que estou enganado.<br />
Não é a falta dos outros 90 leitores que faz do meu blog menos tesão.<br />
Afinal, sei quem são os outros 10.<br />
Eles com certeza fazem do meu blog um tesão.<br />
Acharam que eu não ia terminar com um xaveco, hein!</p>]]>

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<title>Back to back</title>
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<modified>2009-11-14T18:20:06Z</modified>
<issued>2009-11-14T18:10:55Z</issued>
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<created>2009-11-14T18:10:55Z</created>
<summary type="text/plain">Então eu estou escrevendo o meu livro e mudando de apartamento. Grande coisa. Pois é, grande coisa....</summary>
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<name>homelupus</name>

<email>rrdaud@gmail.com</email>
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<![CDATA[<p>Então eu estou escrevendo o meu livro e mudando de apartamento.<br />
Grande coisa.</p>

<p>Pois é, grande coisa.</p>]]>

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<title>Todesfuge, reloaded</title>
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<modified>2009-11-12T20:33:02Z</modified>
<issued>2009-11-12T20:02:36Z</issued>
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<created>2009-11-12T20:02:36Z</created>
<summary type="text/plain">Agora sim, fechei com a versão final do poema. Atualizei no post inicial, que se acha aí Todesfuge - Paul Celan. Comentem, por favor. Uma tradução nunca é algo final....</summary>
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<name>homelupus</name>

<email>rrdaud@gmail.com</email>
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<![CDATA[<p>Agora sim, fechei com a versão final do poema.<br />
Atualizei no post inicial, que se acha aí<br />
<a href="http://homelupus.weblog.com.pt/arquivo/2009/10/todesfuge_paul.html">Todesfuge - Paul Celan</a>.<br />
Comentem, por favor. Uma tradução nunca é algo final.</p>]]>

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<title>Coisas que adoramos: poemas de ocasião</title>
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<modified>2009-11-11T14:11:23Z</modified>
<issued>2009-11-11T13:50:50Z</issued>
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<summary type="text/plain">Se eu soubesse que íamos ter um apagão, teria colocado mais gasolina no carro. Teria carregado o celular e pagado um provedor de internet discada. Eu teria mantido um lampião funcionando, e teria ido morar mais perto da minha namorada....</summary>
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<email>rrdaud@gmail.com</email>
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<![CDATA[<p>Se eu soubesse que íamos ter um apagão, teria colocado mais gasolina no carro. Teria carregado o celular e pagado um provedor de internet discada. Eu teria mantido um lampião funcionando, e teria ido morar mais perto da minha namorada. Eu teria mais grafite pra lapiseira, porque não escrevo muito a lápis. Por ora isso vai ter que servir. Teria uma poltrona perto da janela, e uma mesinha ao lado para a cachaça, porque nessas condições posso me indispor com algum livro. Teria tirado o dobro de dinheiro no banco esta manhã, ou mesmo o triplo, embora não tenha muita vontade de sair de casa. Teria um quarto maior, onde eu pudesse fazer exercícios não só sentado e deitado, e teria gasto menos meus olhos, descansando mais. Teria menos comidas congeladas, mas provavelmente não me satisfaria tampouco com as conservas. As coisas são imprevisíveis quando o assunto é o apetite. Fiz bem em não ter doado todas as minhas revistas em quadrinhos. Teria aprendido o violão, o piano e o trumpete, e teria vizinhos que não se importariam de ouvi-los à noite, mas ao contrário, me cumprimentariam carinhosamente pela manhã, antes de irem ao trabalho. Eu teria mais plantas, elas não se importam com o escuro quando não é dia. Não teria toda essa mobília escura, mas sim um enorme tapete branco. Teria mais livros importantes na minha estante, e menos num diretório obscuro na pasta raiz. Moraria sozinho, mas teria uma xícara com o nome de cada um dos meus amigos, que é pra eles se sentirem na obrigação de vir exercer a propriedade de tempos em tempos, e o apagão pode durar muito. Teria um dicionário de espanhol, outro de italiano e outro de alemão, porque nunca se sabe o que esse clima pode nos fazer querer pensar. Teria pelo menos alguns pontos de encontro definidos, de modo a que não precisasse requisitar ninguém específico se eu me sentisse sozinho. Os acasos é que fariam dos encontros algo específico. Saberia mais músicas de cor, e teria aprendido a assobiar e tocar gaita. Talvez não seja tarde ainda. Saberia mais números de telefone de cor. Teria uma lousa de giz e muitos cartazes rabiscados com pincel atômico. Eles seriam a imagem do meu cérebro quando estivesse muito escuro pra enxergar. Eu teria mais o costume de pronunciar as palavras enquanto escrevo, e de cantarolar sozinho. Meu tocador de mp3 teria mais música clássica, e não só Mahler e Rachmaninov. E também discos raros do David Bowie, se é que os há. Teria uma outra escrivaninha.  A geometria das coisas muda de acordo com a direção de onde vem a luz. E pode se tornar muito angulosa e desconfortável. Teria mais travesseiros, mais almofadas. Definitivamente eu teria mais velas, e lugares adequados onde deixá-las. O medo de um incêndio é imanente, como se apenas estivesse apagado sob as luzes frias do dia-a-dia. Como se qualquer um pudesse acordar, no meio da noite, sob os gritos de socorro, de alguém ardendo em febre, ou em chamas. E eu fico pensando que tudo aquilo que fica, de comum, sob o nível da água, cristalinamente escondido, tivesse então que ser iluminado. Talvez não incidissem sobre ele as melhores luzes. Eu penso que o relógio não deve ser levado tão a sério, e como gosto de dormir tarde, posso achar incrível que a maior parte da nossa vida, ou ao menos boa parte dela, tenha que se passar no escuro. E penso, também, que no escuro as perguntas que nos fazem levam mais tempo pra chegar até nós, e assim também é normal que levemos mais tempo para responder. E acho curioso que as metáforas de pensamento, por exemplo, reflexão, sejam metáforas de luz.</p>]]>

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<title>Não importa se foi comigo</title>
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<modified>2009-11-10T06:20:08Z</modified>
<issued>2009-11-10T06:19:14Z</issued>
<id>tag:homelupus.weblog.com.pt,2009://3969.443370</id>
<created>2009-11-10T06:19:14Z</created>
<summary type="text/plain">Encontrei uns amigos do colégio, e um deles me lembrou dessa história, que eu infelizmente tinha esquecido: De ter saído na mão com um cara, por causa de uma menina, sendo que ela não queria saber nem de mim nem...</summary>
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<email>rrdaud@gmail.com</email>
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<![CDATA[<p>Encontrei uns amigos do colégio, e um deles me lembrou dessa história, que eu infelizmente tinha esquecido:<br />
De ter saído na mão com um cara, por causa de uma menina, sendo que ela não queria saber nem de mim nem do outro. E que hoje ela é um canhão.</p>]]>

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<title>De um newsletter que eu participo</title>
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<modified>2009-11-05T04:54:39Z</modified>
<issued>2009-11-05T03:28:32Z</issued>
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<summary type="text/plain">Ah, que maravilha que o GG escreveu, e a Maiara, e o Paulom. Porque fiquei conhecendo o blog dessas duas maravilhas, Marjorie Rodrigues e Mary W., porque fiquei achando a história mais interessante e mais importante do que de primeira,...</summary>
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<email>rrdaud@gmail.com</email>
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<![CDATA[<p>Ah, que maravilha que o GG escreveu, e a Maiara, e o Paulom. Porque fiquei conhecendo o blog dessas duas maravilhas, <a href="http://marjorierodrigues.wordpress.com/" target=_blank>Marjorie Rodrigues</a> e <a href="http://beauvoriana2.zip.net/" target=_blank>Mary W.</a>, porque fiquei achando a história mais interessante e mais importante do que de primeira, e porque deu vontade de falar com todos vocês de novo.</p>

<p>Primeiro, apesar da precisão da análise dessa Mary W., acho que ela errou dizendo que a Uniban foi feita pra formar um público crítico. Isso é o que a gente queria que fosse, mas acontece que é uma instituição privada e além disso é uma instituição de ensino superior privada, o que, desde o Ministro Paulo Renato, da Educação, do FHC, significa que ela não serve para formar um público crítico, mas pra fazer o que quer que o dono dela decida que ela deve fazer. E, no caso, todo mundo sabe que a Uniban foi criada pra lavar dinheiro do jogo do bicho.</p>

<p>Então é claro que é inútil discutir o caráter de qualquer pessoa envolvida diretamente na história, porque, como disse a Mary W., trata-se de uma massa acrítica, o resultado da máquina de moer carne e lavar dinheiro. Não é a liderança momentânea, que põe fogo na massa, o que importa. Em certo sentido, o líder também faz parte da massa (não, não vale nem um centavo a mais). Eles fizeram o que estavam programados pra fazer. Eu não vi o vídeo, não sou psicólogo e não trabalho com material pornográfico (não falo da saia, evidentemente, mas é uma lista pública e há aqui os que não sabem que também não sou irônico), mas é óbvio que nada saiu dos conformes ali. Apenas a barbárie ficou explícita. Mas a barbárie já está instalada nesses lugares há muito tempo.</p>

<p>A comparação do GG é precisa também. O cara do metrô, na época a juíza Christine Santini (é preciso dar nome aos bois, essa é uma lista pública e ela uma autoridade, hoje desembargadora estadual), titular na Vara onde eu trabalhava, ela estava em Londres, e na volta comentou sem dó, tinha que ter atirado mesmo. Era a opinião dela, é claro que sendo juíza ela não precisa lidar com a habilidade de fazer decisões éticas ao calor do momento. Mas a polícia sim, e no entanto fracassaram. Porque viviam na barbárie, naquela época. A polícia inglesa. Famosa mundialmente por tolerar xingos e respeitar as liberdades individuais. Não é à toa, as liberdades individuais foram inventadas na Inglaterra. Se eles não bancarem isso, o mundo acaba. Nesse sentido, é bem verdade o que disse. Acabou mesmo. E na Uniban é a mesma coisa. Fracassaram, todos eles, porque já viviam a barbárie. Tantos alunos, então, dizendo que isso manchou o nome da universidade. Efetivamente, eu teria trancado a matrícula no dia seguinte. But then again, já não teria me matriculado ali in the first place. Não, essa preocupação deles me lembra os nazistas escondendo seu passado. Me lembra o Brad Pitt marcando uma suástica na testa dos nazistas com a ponta da faca.</p>

<p>Todo mundo sabe que eu não gostava da São Francisco. Que eu me envergonhei mais de uma vez por estudar lá. Mas, embora ali também seja, por outros motivos, uma máquina de moer gente, a barbárie não estava lá instalada. É verdade que era uma sombra ameaçadora, mas não estava lá instalada. A existência da Academia de Letras, e mesmo desta lista, é uma prova disso.</p>

<p>Mas na Uniban a barbárie está instalada, e infelizmente não há resposta pronta pra fazer um lugar deixar de abrigar a barbárie. O máximo que podemos fazer, isto é, não estou falando de revolução, é marcar com ferro. Pra não esquecer. Porque não devemos esquecer. Se estes são os nossos universitários, são um pouco de nós. Se isso acontece na nossa cidade, no nosso país, com pessoas com quem convivemos, mais ou menos bem, que encontramos no cinema, no shopping, bem perto, que podemos contratar ou que podem nos contratar ou com quem podemos nos associar pra trabalhar juntos, ou que podemos encontrar num estádio de futebol ou num banco de delegacia, então estamos um pouco próximos da barbárie.</p>

<p>Mais perto do que gostaríamos. Isso é o que eu acho que o GG queria dizer, que estava faltando nessa história.</p>

<p><br />
PS.: agora relendo, quero esclarecer dois pontos: não quis dizer marcar com ferro como se marca o gado, mas marcar com ferro como se dá nome aos bois. E também não quis dizer perto, como querendo dizer, no banco do lado. Quis dizer, no nosso próprio banco.</p>]]>

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<title>Putz</title>
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<modified>2009-11-04T04:54:30Z</modified>
<issued>2009-11-04T04:43:30Z</issued>
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<summary type="text/plain">Estou fodendo de novo meus próprios combinados. Combinar consigo mesmo dá nisso: vc acaba se aproveitando no lado do sadismo e no lado do masoquismo. Mas então isso já fica parecendo pornografia, e já disse que nunca ia falar de...</summary>
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<![CDATA[<p>Estou fodendo de novo meus próprios combinados.<br />
Combinar consigo mesmo dá nisso: vc acaba se aproveitando no lado do sadismo e no lado do masoquismo.<br />
Mas então isso já fica parecendo pornografia, e já disse que nunca ia falar de cinema aqui.<br />
Mas por falar nisso, chequem os links novos: Bazárov, o Nerd e Astier, cujo nome não é um acrônimo.</p>

<p>Ah, tanta coisa pra dizer, tão pouco tempo pra arriscar.</p>

<p>Estou cumprindo promessas em outras partes, pelo menos.</p>

<p>Sei que aqui isso não vale muito.</p>

<p>Mas eu ando feliz como naquele poema.</p>]]>

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<title>No entanto... (já não terei dito isso? Não)</title>
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<modified>2009-10-29T04:24:25Z</modified>
<issued>2009-10-29T06:22:23Z</issued>
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<summary type="text/plain">Está bem, são só duas coisas: eu conheço o único judeu jesuíta que existe. E a Marcinha Bechara escreveu um livro maravilhoso, a Ana leu pra nós hoje uns trechos. Chama-se Métodos extremos de sobrevivência. A carta ao pai de...</summary>
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<![CDATA[<p>Está bem, são só duas coisas: eu conheço o único judeu jesuíta que existe.<br />
E a Marcinha Bechara escreveu um livro maravilhoso, a Ana leu pra nós hoje uns trechos. Chama-se Métodos extremos de sobrevivência. A carta ao pai de Kar-el é inacreditável.</p>

<p>E Kqi, parabéns pelo aniversário. Não são muitos que se passam assim.</p>]]>

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<title>Se eu contasse...</title>
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<modified>2009-10-29T01:24:23Z</modified>
<issued>2009-10-29T00:34:49Z</issued>
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<summary type="text/plain">... mas não posso contar. Eu sei que isso é sacanagem, mas é pra vcs saberem que é a única. O motivo de não contar não é esse, portanto. Mas não posso contar mesmo assim. Mas vão lá no blog...</summary>
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<![CDATA[<p>... mas não posso contar. Eu sei que isso é sacanagem, mas é pra vcs saberem que é a única.<br />
O motivo de não contar não é esse, portanto.<br />
Mas não posso contar mesmo assim.</p>

<p>Mas vão lá no blog da Ana, deve ter as fotos do lançamento do livro do Juliano Pessanha. Pelo menos foi o que <em>ela</em> prometeu.</p>

<p>Fora isso, nos vemos nas Satyrianas fim de semana. Sem saco pra links hoje, though. Sorry.</p>]]>

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<title>Repensando</title>
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<modified>2009-10-28T02:18:54Z</modified>
<issued>2009-10-28T02:02:22Z</issued>
<id>tag:homelupus.weblog.com.pt,2009://3969.442816</id>
<created>2009-10-28T02:02:22Z</created>
<summary type="text/plain">Aqui não se fazem promessas. Aliás, isso não é uma promessa. Estou repensando no poema publicado ontem, a Ana Rüsche sugeriu seguir a solução do Modesto Carone para o refrão. Em parte. Estou testando. Essas coisas precisam de testes, então...</summary>
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<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://homelupus.weblog.com.pt/">
<![CDATA[<p>Aqui não se fazem promessas.<br />
Aliás, isso não é uma promessa.<br />
Estou repensando no poema publicado ontem, a Ana Rüsche sugeriu seguir a solução do Modesto Carone para o refrão. Em parte. Estou testando. Essas coisas precisam de testes, então não é sabido isso?</p>

<p>Entrementes, tenho na manga umas cartas.<br />
Falar sobre os emos -- isso ficou para outro lugar, já disse, para a <a href="www.revistasom.com.br" target=_blank>revista da Ju</a>, cada vez mais maravilhosa (isso era segredo, não espalhem por aí, sim?)<br />
Falar sobre o Futuro de uma ilusão, do Freud. Mas desculpem a demora, não é sem mais nem menos que se fala mal do Freud. E também, claro, é só como pretexto pra falar bem depois. Mas também isso talvez fique para outro lugar.<br />
E a reforma ortográfica. Mas também aqui há muita responsabilidade envolvida, não é de qualquer jeito (isto é, como o sono que estou).<br />
Andam ligando meu blog por aí, chamando minhas bobajadas de ensaios. Já não basta aquele que encontrou meus <a href="http://homelupus.weblog.com.pt/arquivo/2008/05/el_genero_epist.html" target=_blank>"Do gênero epistolar"</a> enquanto procurava uma definição, e de tão frustrado, descontou nos comentários. Eu já devo ter falado sobre isso em outro lugar, e não faço a ligação pra provar que não é por autopromoção que eu fico ligando meu próprio blog, é só frustração minha de que o campo "Search" nunca funcionou por aqui (tanto que eu tirei ele da página -- code is poetry e falta de code is poetry).</p>

<p>E prometo que vou estar escrevendo melhor da próxima vez, mas é que tinha prometido pra mim mesmo publicar de um jeito ou de outro, porque senão era capaz de demorar até a Páscoa...</p>]]>

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