janeiro 30, 2004

My own favorite MP

É oficial. O meu deputado favorito é o senhor Manuel Cambra.

Publicado por ajr em 02:36 PM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 25, 2004

14 dias

Um dos grande enigmas da semana é do desafio do Actimel, com os seus não sei quantos milhões de Lacto Casei Imunitass. São precisos 14 dias e se não ficarmos satisfeitos, a Danone devolve o dinheiro. A Danone esquece-se de explicar com o que é que é suposto ficarmos satisfeitos. Se tomarmos um Actimel por dia podemos andar à chuva, rebolar na lama, tomar duches frios e sair nu à rua sem que nada aconteça? Se tomarmos regularmente o nosso delicioso iogurtinho podemos ir à praia sem a chatice dos protectores solares? O Actimel previne a gravidez? O Actimel ajuda a deixar de fumar? (Os portugueses não entendem).
Mas... são precisos 14 dias...
Parece que todos os alimentos profilácticos têm os seus maravilhosos resultados ao fim dos 14 dias. Quem não se lembra do "momento All Bran"? Ao fim de 14 dias!... 14 dias a evitar doenças, mais outros 14 dias a regularizar os intestinos (podemos ajudar, simultaneamente com os iogurtes Bio, também da Danone)...
Em 28 dias, comendo só cereais e só iogurtes, é possível evitar todos os males do mundo. Repare-se: 28 dias, um ciclo lunar... não é místico?
Que místico!
(Este post foi patrocinado pela Danone e pela Kellog's)

Publicado por Filomena em 12:37 AM | Comentários (2) | TrackBack

janeiro 20, 2004

A princesa de Lamballe

A princesa de Lamballe (1749-92) era amiga de Maria Antonieta. Impopular (o seu salão era um ponto de encontro de realistas), foi morta por uma multidão durante a Revolução Francesa. No fim, a sua cabeça foi exibida na ponta de uma lança debaixo da janela da rainha.

A multidão aparecia numa rua de Paris no filme A Inglesa e o Duque, de Eric Rohmer. Depois, ao ler Wild Boy, de Jill Dawson (a história da criança selvagem do filme de François Truffaut), encontrei a mulher que segurava a lança.

Publicado por ajr em 02:13 PM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 14, 2004

Flash (Gordon)

Sigo atentamente o que é dito no ESTG-Portalegre-Blog. O último post, assinado por Flash e intitulado "Desabafos!" merece uma reflexão seguida de uma salva de palmas: clap!
Flash tem uma prosa escorreita, que dá gosto ler. Cito: "Sabem aquela do professor de resistencia de materiais (...)" e pensa-se que o moço vai contar uma anedota e todos nos alinhamos para rir. Stand up comedy, é o que é de certeza! Mas não. Parece que o que Flash quer contar é o que o professor "trancou os alunos na sala de aula e espetou-lhe um sermão de todo o tamanho? Bem se fosse com a [sua] turma [Flash] teria aberto a porta nem que fosse com um murro no focinho [de quem? no seu? no do colega do lado? no do professor?] que até andava de lado." Sabe-se a seguir que o mefistofélico professor já está "manso e se sair da linha leva outra ripada ainda pior. Serve de exemplo para ele e para outros professores" (Spooky!) Esmurrar a professora que pensa que manda em tudo e que foi para o "concelho científico" (em que distrito ficará?) deve ser o próximo passo deste super-herói vingador, defensor dos desgraçados alunos, sempre à mercê dos vis docentes
Enfim, os super-heróis são assim. Claro que já toda a gente adivinhou que o apelido de Flash é Gordon. Vê-se na valentia, na palavra sábia, na crítica competente e capaz. Levemo-la a sério! A prepotência dos professores tem, finalmente, alguém que a desafia! Aqui no corredor, andamos todos muito inquietos. Descobrir que os super-heróis ainda precisam de usar a cara tapada e cuecas por cima das calças de licra não é nada agradável.

Publicado por Filomena em 06:04 PM | Comentários (3) | TrackBack

janeiro 10, 2004

Em 2004, as más notícias continuam...

It has been rumored that Prince Charles's longtime mistress, Camilla Parker Bowles, is Catholic, but this is not true. The 1701 Act of Settlement made it illegal for a Roman Catholic, or anyone married to a Roman Catholic, to inherit the throne.

http://www.royalty.nu/Europe/England/Windsor/

Publicado por ajr em 01:42 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 09, 2004

A solidão de um homem mede-se pelo silêncio à sua volta

A "SIC Notícias" convidou José Hermano Saraiva para a "Revista de Imprensa". O professor dispensou as perguntas e os comentários dos jornalistas e discursou sobre as notícias do dia, demonstrando uma invejável certeza moral. "As cartas anónimas são uma pulhice". O jornalista sugeriu situações com circunstâncias atenuantes (quando o autor da carta teme pela própria vida), mas o professor não se comoveu, pois ele é o sobrevivente de um tempo em que o mundo era um local mais recomendável.

Publicado por ajr em 02:28 PM | Comentários (2) | TrackBack

janeiro 04, 2004

Sabina Sabino Barrelas Barradas

Tem 93 anos e está imobilizada. As filhas levam-na, de cadeira de rodas, até ao quintal nos dias de sol. Uma moça do centro de dia ajuda a fazer-lhe a higiene. Sempre a conheci a viver naquela casa, com a filha diabética, testemunha de Jeová, que ficou solteira e a cuidar dos pais. Houve um marido que morreu, era eu muito pequena e lembro-me de os ir visitar, de Pantera Cor-de-Rosa na mão; houve antes da morte do marido, um filho a falecer no dia de Natal. Por isso os dias de Natal eram-lhe pesados. O meu pai herdou um cachucho desse tio. Também lhe herdou as feições. Nas fotos eram iguais.
Estava sentada em frente à salamandra. Os nomes escapam-lhe; os movimentos são lentos. Riu-se e disse "Ah, a Mena tão nova e tão bonita!" , mas de facto as imagens são nublosas e ela esquece-se de quem somos. º
Lentamente, a avó Sabina afasta-se. E com ela a ideia de família.

Publicado por Filomena em 11:17 PM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 03, 2004

2004 (relato em quatro andamentos)

1. Nós e os amigos

Os preparativos começavam algumas semanas antes, num consílio onde se confirmava quem é que facultava o espaço para o evento. O espaço variava, mas já se sabia antecipadamente onde é que a festa tinha lugar, porque isso fazia parte de um acordo tácito e pré-definido. Decidia-se o que se iria comer, porque o ponto alto de toda aquela combinação era o festim, em que eram servidos pantangruélicos manjares. Geralmente, jogava-se Trivial Pursuit, Monopólio, ou Verdade ou Consequência. Nunca nos passou pela cabeça introduzir jogos de cartas, mas talvez não tivesse sido má ideia.


2. Os amigos e os casais amigos

De repente os amigos casaram-se, tiveram filhos ou decidiram ter companheiros. Nada é como dantes. Aquela coisa da fiabilidade, da disponibilidade, de os termos por certo desmoronou-se.
(Enfim, nós também nos queríamos descartar. Eu sobretudo tinha uma grande vontade de estar perto de gente não-casada, não-docente e que não passasse o tempo entre a puericultura e problemas pedagógicos.)
De descartantes, passamos rapidamente ao estado de descartadas.
Os amigos informaram-nos que tinham sido chamados para outras festas, noutros locais. Imagine-se!, com casais amigos!... Os casais amigos, segundo AJR, são entidades bicéfalas cuja génese está na união de um amigo (nosso) a uma criatura mais ou menos desconhecida, mais ou menos de desconfiar, mas que o nosso amigo AMA. Como essa criatura tem uma série de relações afectivas e profissionais, quando nos damos conta, já perdemos o nosso amigo para os “casais amigos” introduzidos pela criatura. Esta situação é tanto mais gravosa, quanto mais os casais amigos se reproduzem e originam adoráveis criancinhas. Segundo JAS, nestes casos há verdadeiros complots contra os amigos que por azar ou por opção não estão acasalados, nem cumpriram o seu destino de breeders....
E a uma semana do Ano Novo estávamos orgulhosamente sós!


3. O Revelhão (propriamente dito)

Abandonadas, rumámos para Portalegre. Havia grandes vantagens na nossa solidão: no imediato não precisávamos passar a tarde a cozinhar para um bando de gente. Podíamos fazer dieta. Podíamos evitar os jogos e vegetar em frente à televisão... há dois ou três anos (quem se lembra?), tínhamos assistido à saída do Zé Maria da casa Big Brother. Felizmente, mais um bando de tolinhas tinha enveredado por essa aventura, em missão humanista de divertir o país parolo que se revia na parolice dos concorrentes.
Ainda assim, fomos ao estrangeiro (a Badajoz) e oferecemo-nos alguns presentes para nos convencermos de que 2003 acabava em grande. O facto de termos feito compras no supermercado El Corte Inglès (muito mais feio do que o lisboeta), onde avistámos faisões e lebres pendurados, dava-nos um halo místico e (pseudo)chique.
Chegadas a casa, maquiamo-nos e a Ana tratou do jantar. Eu tratei dos aperitivos. Bebi um gin tónico e pouco depois sentia a fina bonomia que me sabe tão bem. Uma pessoa devia sempre conseguir manter-se naquele lume brando da pré-bebedeira. Uma bebedeira é detestável, com a ressaca e tudo o mais.... mas estar ali em lume brando é fantástico, torna-me faladora, witty, confiante... Comemos soufflé de camarão (que não estava completamente cozinhado) e camarões. Não lavamos a louça. Lindas de morrer, sentamo-nos no sofá.
E ali ficávamos a ver o singelo Nando a sair da casa mais vigiada do país, a ver a pernoca redonda de Teresa Guilherme (com um pouco de imaginação era possível ver-se a cueca azul do ano novo). Comemos passas e bebemos... chá, porque nem pachorra houve para abrir a garrafa de champanhe (não havia nenhum homem por perto e é para isso que eles servem).
Pouco depois estávamos na cama. Duas lindas mulheres, completamente heterossexuais.


4. 2004
Ainda entusiasmadas pela maquiagem Helena Rubestein, pintámos a tromba e fomos ao restaurante mais chique in town: O Rolo. Eu era a única cliente vagamente portalegrense... de resto, um bando de tios e tias que tinha lido a indicação num Guia do Expresso.
Os enchidos da entrada estava bons; a sopa de cação saborosíssima, ainda que diferente da servida no restaurante de Manuel Azinheirinha, passe a publicidade, no Escoural. O lombete de porco preto era de ir às lágrimas. Comemos como abades.
Na mesa ao lado, dois casais amigos com uma criança e a ama da criança. Afinal ainda há disto em Portugal... O casal da criança e da ama passou o tempo a relatar as peripécias que tinham com as empregadas. Diz que havia uma que gostava de usar lingerie preta. Imaginei-a de cinto de ligas e kinky boots e achei que deveria ser muito divertido escandalizar aqueles dois burguesões do catolicismo incapazes de gerir uma criança...
Já no remake das férias do Verão em que passamos o tempo frente ao televisor (dou-me agora conta que nas férias também estávamos sozinhas!), aconchegamo-nos junto ao aquecedor para uma maratona que durou cerca de 10 horas e que incluiu o visionamento de filmes patetas com a Winona Rider e Richard Gere, episódios de telenovelas, o eterno Beverly Hills 90210 (às 2 da manhã no 2º canal) e programas sobre a vida selvagem, que a TVI transmite no inverosímil horário das 3 da manhã! O ponto alto, foi no entanto ver de novo O Diário de Bridget Jones e ver que apesar de sermos um bocadinho mais novas tudo aquilo nos atormenta...

(Sim, é um filme rasca, mas nós não tínhamos casal, nem amigo connosco, não é?)

(Enfim. E é assim que começa 2004.)


Publicado por Filomena em 07:48 PM | Comentários (5) | TrackBack