agosto 29, 2003

Moda PRECária

Primeiro foi Raffarin. Propondo a versão francesa e de direita do gonçalvista "Dia de Trabalho para a Nação."

E agora, Ivan Nunes. Propondo a versão elitista e ociosa do 28 de Setembro. 28 anos e 11 meses depois. Sem tirar nem pôr. Ele há coincidências? Não... Não há coincidências!

Publicado por Vasco do Ginjal em 05:57 PM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 24, 2003

A solidão do padeiro perante o forno de lenha

Os bombeiros são os heróis do Verão. Não há veraneante que o negue. Mas já alguém aqui se lembrou de homenagear esses heróis do quotidiano, esses mártires da canícula - os padeiros?

Foi um pensamento que me atravessou a mente como um raio de evidência - também ontem, na Fatacil. É que enquanto esperava pela minha bifana, podia observar a figura resfolegante do padeiro perante o seu forno de lenha, inserindo massa na goela do monstro, retirando pães com chouriço rescendentes com a sua pá carbonizada, labutando incansavelmente sob os olhos esfomeados de gentes vindas de todo o país (e quiçá do estrangeiro) escutar Pedro Abrunhosa, comprar cestos de vime e apreçar louças de Viana.

Este padeiro comoveu-me, com a sua bata branca e o seu pescoço suado, com os seus braços tisnados e cobertos de farinha. Só face à lenha crepitante do seu forno. E aí lembrei-me do meu sofrimento durante os dias mais violentos da canícula, durante os quais nunca me faltou pão fresco.

A estes homens e mulheres cometeu a sociedade a mais fundamental das suas missões: impedir que falte o pão. Com denodo e sem gemidos, todos os dias, eles a cumprem. Faça chuva ou faça (muito) sol. Se isto não é heroísmo, não sei o que é heroísmo.

Publicado por Vasco do Ginjal em 12:56 PM | Comentários (0) | TrackBack

Merchandising liberal?

Ontem na Fatacil, estava sentadinha a jantar uma bifana e um caldinho verde uma garota croissant, quiçá para ali arrastada por progenitores pouco preocupados com o risco que faziam correr ao status da sua filha no implacável segmento dos 15-25 anos.

Esta garota seria uma garota croissant como tantas outras, rapidamente cobiçada e ainda mais rapidamente esquecida, se não arvorasse por sobre o seu sweat-shirt azul-bébé, em caracteres de universidade americana, uma sigla que me chamou ainda mais a atenção que o enfunar concomitante do seu peito: UBL.

Com que então a União dos Blogues Livres entrou na era do off-line merchandising. Podiam ter escolhido um suporte pior, não há dúvida. Sempre é mais água para o moinho dos que pensam que, em geral, as mulheres de direita são mais bonitas do que as de esquerda. Isto deve ter sido para ofuscar a rentrée do PS...

Para quando uma jeitosíssima com uma t-shirt Mondriaan- 'Neill, passeando-se por entre o povo em Monte Gordo ou Portimão? Estas coisas não podem ficar sem resposta, e olhem que a silly-season já caminha para o fim...

Publicado por Vasco do Ginjal em 12:55 PM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 22, 2003

Pum!

Articular admiração e amizade. Se calhar para a maior parte das pessoas é fácil. Todos temos amigos admiráveis, não é? Eu pelo menos tenho alguns, que não vou naturalmente nomear. Mas mesmo reconhecendo que são admiráveis, tenho dificuldade em admirá-los. Admiração e proximidade, em geral, dão problemas de compatibilidade no meu sistema operativo. São uma dissonância cognitiva.

Tudo isto pode não passar de uma confissão encapotada da minha excessiva auto-estima, que me impediria de sentir aquele impulso ascensional que os outros podem provocar quando ainda temos alguma humildade cá dentro. Mas acho que não é (só) isso.

No fundo no fundo, acho que há mesmo uma incompatibilidade. O admirado é uma mediação entre o admirador e algo de infinito. O admirado é finito, todo o admirador o sabe... mas gostaria de esquecer. Poderemos nós esquecer a finitude de um amigo? Será isso compatível com a ternura que espontaneamente sentimos perante as suas fraquezas? Com a partilha das suas frustrações e dos seus entusiasmos? Acho que não.

A admiração não me parece menos bela do que a amizade, nem a amizade menos digna que a admiração. Talvez devamos protegê-las uma da outra. Por isso quando admiro alguém, mantenho algum recato. E admiro de longe.

Talvez se devesse inventar uma palavra para "admirar de perto."

Publicado por Vasco do Ginjal em 09:57 PM | Comentários (0) | TrackBack

Faux départ

"I was an Aimee Mann fan before I was an Aimee Mann friend."
Paul Thomas Anderson.

Este tipo aborda uma questão bastante importante assim, numa penada, no prefácio que escreveu para a banda sonora do seu filme Magnolia. Como é que se articula admiração e amizade?

Dá que pensar (© Mexia).
Voltarei ao assunto (© JPP).

Publicado por Vasco do Ginjal em 08:39 PM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 16, 2003

Balance is less inspiring...

Quer dizer, quando a vidinha vai correndo, que até o sitemeter volta ao sítio, que os blogues estão uma pasmaceira... que mais há para blogar?

Publicado por Vasco do Ginjal em 12:26 AM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 15, 2003

Samba de um peidjiviú só

Saitchimiterr vai, saitchimiterr vem
Saitchimiterr vai e não vóuta? Mais também...
Saitchimiterr vai, saitchimiterr vem
O qui raio istô fazendo falando aqui prá ninguém?!

Vóuta, Saitchimiterr, vai!

Publicado por Vasco do Ginjal em 11:04 PM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 14, 2003

Où est mon saïtemiteur?

Ginjal sem sitemeter é como... uma torta de laranja direita.
(...)
Percebestes o trocadilho?

Publicado por Vasco do Ginjal em 01:04 AM | Comentários (0) | TrackBack

Vox populi...

[hoje ao almoço]
- Ai filho, que calor que está!
- Lá isso é, avó, mas olhe que em Lisboa ainda estava bem mais quente...
- Filho, mas aqui é o céu e lá é o inferno, não é?

Publicado por Vasco do Ginjal em 12:10 AM | Comentários (0) | TrackBack

Sanguibão (transcrito)

Porto vinte e oito graus
Capital da frescura neste país do caos

Publicado por Vasco do Ginjal em 12:09 AM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 13, 2003

Crónica em diferido de um jogo em directo

Whaza?! Watching the game, having a Bud...
Tou a ver o Benfica a jogar bem. Viro as costas para ir buscar uma cerveja e quando volto... o Benfica deixa entrar um golo.

Silêncio ensurdecedor
Aos vinte minutos ainda não ouvi os comentadores mencionarem os 4-1 do FCP contra a Lazio.

Coçando a tomatada...
- Vemos aqui Sérgio Conceição, no banco...
- Hehehe... (pois, o realizador é que é malandro...)

Sokotahhhh!!!! (29')

Giovanniiiiiiiahhhhhh!!!! (34')

Ó! Giovaaaaanni... (35')

Sokota de cabeça! Pra fora... (37')

Lignes croisées
Tirem-me estas rádios franciusas do ar, pá!

Faz falta o Valdo
- No jogo de cabeça a defesa do Benfica a sentir dificuldades...
- De cabeça, de pés... (e de mãos, estarão melhorzinhos?)

Dancing marathon
Intervalo? S-Club 7! E claro, a emissão vai ao ar enquanto blogo...

(SIC)
- Em Lagos, uma nuvem muito espessa de vento...

Lignes croisées 2
Amigoz da RTP 2: ainda bem que puzéstez o szom do documentário do totobola por cima daz imazenz dessza szérie de britânicoz heréticoz e depravadoz... Szempre protegeiz melhor asz crianzinhaz da szua patente impiedade...

Arma fatal 5
Beretta: prosciutto di Parma.

Mais rápidos do que a própria sombra
- Há jogadores que pensam e executam antes de a bola lhes chegar aos pés... hã, executam não, mas pensam... hã...

Claro (51')
2-0 para a Lazio. Ainda não ouvi falar do FCP.

Maldito catenaccio!
- Se é difícil marcar um golo a uma equipa italiana, imaginem marcar três... (sei de uma equipa portuguesa que marcou quatro aqui há atrasado...)

Phosca-se, Phiore! (62')
...que até me acordaste!

Guaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaalo! (63')
Téquinfim, Simãogue!Suó mais duais, catano!

Coming out?
Mas o Argel quer ir à cueca de quem, afinal?

Ai, Roger! (x2)
...porque é que este gajo não estava em jogo desde o princípio, carago?

Ai! Sokota... (75')

Fio de beque...

Roger mete braço, livre, golo da Lazio (79')
3-1. O Benfica prestes a igualar a façanha do FCP mas ao contrário. E os comentadores que ainda não mencionaram o assunto!

Arma fatal 6
Mihailovic em lance de bola parada.

Sinergias
- Curiosamente, a profissão deste árbitro é pianista, professor de música. Por isso a música que lhe podem dar já ele ouviu.

FIM
Pois: 90 minutos de jogo, Benfica apanhou na ripa de uma equipa menos preparada fisicamente, embora sempre com a qualidade que se lhe reconhece. Sobre o FCP, claro, nem uma palavra.

Publicado por Vasco do Ginjal em 11:54 PM | Comentários (0) | TrackBack

Lovely

- Qual é a capital de Paris?
- A capital de Paris? Paris é que...
- Oi?
- Paris é a capital da França.
- E Londres, fica em Paris?
- Não, Londres é na Inglaterra... mas de comboio, vai-se depressa. Três horinhas.
- De comboio?
- Trem.
- Ah... esses trem-bala?
- Isso mesmo...

Publicado por Vasco do Ginjal em 01:22 AM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 11, 2003

Bem-aventurado sou.

Vou para o Porto.

Publicado por Vasco do Ginjal em 04:51 PM | Comentários (0) | TrackBack

Relics (4)

Chuva

Caia chuva agora,
Tépida, constante,
E lave de mim toda a poeira.
Que esta nova nudez, que ignora
O medo, a cicatriz, o que foi antes,
Se perpetue ingénua a vida inteira.

2/06/1994

Publicado por Vasco do Ginjal em 04:59 AM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 09, 2003

Pop Food

Imaginem comer isto numa noite de muita neve e alguns mojitos... ou então vão ao West End (2911 Broadway, btwn 113th & 114th Sts 10025) e mandem vir. Beijos meus à waitress.

Publicado por Vasco do Ginjal em 06:36 AM | Comentários (0) | TrackBack

Pop Art

Imaginem isto com mais de 3 metros de largura... ou então vão ver ao MET

Publicado por Vasco do Ginjal em 06:32 AM | Comentários (0) | TrackBack

A segunda frase mais bonita da blogosfera

Caro(a) amigo(a), alguma vez teríamos de discordar nalgum(a) cois(o)a (...)

Publicado por Vasco do Ginjal em 06:14 AM | Comentários (0) | TrackBack

A frase mais bonita da blogosfera

Por uma vez, concordo com o que você diz (...)

Publicado por Vasco do Ginjal em 06:04 AM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 08, 2003

A livraria francesa em Lisboa fechou ?

E eu com isso... e 9 999 600 portugueses com isso... Eu até pensava que a livraria francesa em Lisboa era a Fnac! Mas alguns de entre os 400 clientes habituais - números avançados pela proprietária num jornal do qual já não me recordo - decidiram protestar. Um protestou no estilo "e então o Estado não faz nada?"; outro protestou no estilo "e então a Embaixada francesa desinteressa-se?". Qual deles o mais pueril. Através desses protestos, mais não fizeram do que expôr o flanco de um dos lados da guerra civil que vem lavrando na intelectualidade portuguesa: a guerra entre francófilos e anglo-americanófilos.

Esta é uma guerra civil estúpida, mas compreensível. Compreende-se que uma camada mais idosa de intelectuais portugueses - com algumas ramificações em gerações mais novas - tenha mais à-vontade com a literatura e o pensamento produzidos em francês do que em inglês. É uma questão da língua que aprenderam na escola. Compreende-se que uma camada mais jovem de intelectuais portugueses - com algumas ramificações em gerações mais idosas - viva na situação inversa. Exactamente pelas mesmas razões.

Compreende-se também que o mundo que pensa em Portugal está tão falho de massa crítica que necessita de ir buscar uma esmagadora maioria das suas referências ao estrangeiro. Isso poderia até ser sinónimo de abertura e de dinamismo intelectual. Mas se essas referências são apenas macaqueadas e brandidas em guerras de posição e de geração; se não são utilizadas para reflectir, inovar, propôr - até lá fora! - então não serve de nada. A não ser para esta estúpida guerra civil, o que ao menos tem a virtude de mostrar que os nossos intelectuais não andam tão afastados das realidades portuguesas como isso.

P.S.: Escrevo sobre este assunto porque a minha proximidade actual de habitat (para não dizer de habitus) com a França me levou a reagir à baixeza com que esse país é insultado pela nossa blogosfera cada vez que aparece uma ocasião. Mas não me apetece estar a identificar-me com os que defendem "uma certa ideia da França". Eu tenho é uma certa ideia do pensamento. E da importância que o pensamento das novas gerações poderá ter para o nosso país. Por isso digo às pessoas da minha idade que gostam de pensar: esta guerra não é nossa. Alarguem os vossos horizontes, e adiem ao máximo a hora da cristalização. Não olhem às proveniências do pensamento ao apreciá-lo. E, por favor: sirvam-se dele para alguma coisa.

Publicado por Vasco do Ginjal em 09:09 PM | Comentários (0) | TrackBack

Prière

Je voudrais
Me débarrasser de mon corps
Et n'être plus que des mots
Qui t'enlacent.

Publicado por Vasco do Ginjal em 04:39 AM | Comentários (0) | TrackBack

Em nome do Pai

Acabei de rever este filme na televisão. Já o havia visto no cinema, quando saiu - já lá vão uns dez anos. Na altura tinha-me impressionado imenso. A cena inicial motim em Belfast, ao som tresloucado da guitarra de Hendrix, ficara particularmente gravada na minha memória. Hoje sentei-me em frente à televisão para o rever, e quando reapareceu o motim, temi que este fosse mais um caso de filme que desaponta ao ser revisto. É que, entretanto, Bloody Sunday passou por aí, e depois de ver essa fita este motim já só pode parecer cinema.

O temor desapareceu depressa. É que este filme não vale pela pancadaria, pelo espectáculo, nem mesmo (só) pela mensagem política. Ele vale pela emoção que consegue transmitir à volta de dois pólos centrais da revolta humana: a relação com a (in)justiça; e a relação com o pai. Há neste filme reminiscências que eu não domino, mas que me põem à beira das lágrimas. Quando pela noite, das janelas dos reclusos começam a cair bolas de papel em chamas, e as primeiras notas de piano que anunciam a voz de Sinéad O'Connor ressoam.


I hope you're happy now
I could never make you so
You were a hard man
No harder in this world
You made me cold
And you made me hard
And you made me the thief
Of your heart


Winter is cold
Oh, but you're colder still
And for the first time
I feel like you're mine
I'll share you with the one
Who will mend what falls apart
And turn a blind eye
To the thief of your heart


Oh, you lost
Oh, you lost
Hope
You lost hope


You lost hope


I'll never wash these clothes
I want to keep the stain
Your blood to me is precious
Nor would I spill it in vain
Your spirit sings
Though your lips never part
Singing only to me
The thief of your heart


Oh, you lost


Oh, you lost
Oh, you lost
Hope
You lost hope


Oh, you lost
Oh, you lost
Hope
You lost hope


(In the Name of the Father Soundtrack - Studio Version)
Written by Bono, Gavin Friday, Maurice Seezer; Performed by Sinead O'Connor, et al.

Publicado por Vasco do Ginjal em 02:55 AM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 07, 2003

Aforismo do dia

Se queremos ter calçada, tem de haver quem a calcete.

E agora, se me permitem, vou dormir.

Publicado por Vasco do Ginjal em 03:17 PM | Comentários (0) | TrackBack

Já faltou mais

Mais uma noite de suor e lágrimas, e tudo por amor a vós... mas a surpresa está a amadurecer bem, e já não tarda muito. Um pouco mais de paciência, e sereis recompensados.

Publicado por Vasco do Ginjal em 08:28 AM | Comentários (0) | TrackBack

Não consigo!

O super-ego é uma coisa muito poderosa. E o respeitinho é uma coisa muito linda. Não consigo roubar o raio da antena do carro. Ainda pensei em gamá-la sem dizer nada no blog, o que, depois de tanto anúncio, seria um belo exemplo da milosziana franqueza limitada. Mas comigo - é o gamas! Mal se oferece a ocasião, dão-me logo uns tremeliques, o pulso acelera, as sombras ganham vida e... cáspite!

"A culpa é vossa!!! A culpa é vossa!!! A culpa é vossa!!!... Ó mãe! Ó mãe... Ó mãe..."

Publicado por Vasco do Ginjal em 07:00 AM | Comentários (0) | TrackBack

About Bruce the Almighty...

Nothing feels more Godlike than driving; especially by night. Yet, no human activity is more subject to natural and social constraints - at the same time. Physics: well, that one's easy to understand. Society: that's easy to get too, if you give it a try. Roads, for a start. No, vehicles for a start. Then, the whole gas-supplying network. Then, the complex interaction between you - the subjectively almighty driver - and other God wannabees driving in the same motorway. By the way, you are aware that car accidents are increasingly a study field for sociologists, as well as engineers and mathematicians. Aren't you? That just shows you! right?

Unlike ACA-M, I guess the Portuguese road security issue is not accurately described by the "Civil
War" analogy. I see it more like a War of Religion.

(act.) About Bruce? Well, it doesn't matter what makes you think, as long as you think. Right?

Publicado por Vasco do Ginjal em 03:46 AM | Comentários (0) | TrackBack

DINH€IRO

O meu primeiro post com título em maiúsculas só podia ser sobre este importante assunto.

E se é hoje que vos falo disto, é porque hoje gastei muito. Não, não paguei a minha renda atrasado. Na realidade, até a paguei adiantado este mês. Mas cometi dois importantes gastos, um em nome dos meus pais - sujeito portanto a futuro reembolso - e outro por conta própria. Para os meus pais, comprei 5 bilhetes para o um conhecido musical britânico neste momento em exibição num teatro da capital. € 137,5. Cash, porque esse teatro não aceita cartão bancário. Para mim, comprei os dois primeiros volumes da biografia de um eminente dirigente político da esquerda portuguesa, da autoria de um dos mais influentes blogueadores nacionais. Ora... € 61,23. Acho que isto diz muito sobre mim, e vocês? O dinheiro é um brutal espião. Se algum dos meus leitores tivesse acesso ao sistema bancário e pudesse ver qual foi o cartão que levantou, perto do teatro em questão, uma quantia suficiente para comprar aqueles 5 bilhetes (sim, porque eu não costumo passear com essas quantias já engatilhadas) e comprou os dois volumes em questão na mesma noite, algures em Lisboa... se algum dos meus leitores pudesse fazer isso, poderia apropriar-se de uma parte significativa da minha vida. Mais do que a ler um blog. Certamente muito mais.

Por isso faço aqui uma sugestão à comunidade blogueadora portuguesa. Que tal enviar um grande pied-de-nez à moda da transparência, e fazer, nem que seja só por uma semana, um moneyblog? A ideia é simples: anotar no blog, durante uma semana, todos os gastos que se fazem. To-dos. OK, com direito a joker: poder-se-ia manter oculta a natureza de certas transacções, mas não os montantes. E depois? Depois nada... ou talvez não.

(act.) Não há coincidências?

Aqui há dias, antes de me ir deitar fui tomar o pequeno-almoço à leitaria do lado e vi a capa do 24 Horas. Pensei: também ele? Mas também ele no sentido em que se pensa "também andam a ver se lhe pegam por algum lado", porque não me passou pela cabeça que aquela história tivesse algo de doloso. Vim a ler, depois, o post com o mesmo título. E de tal forma o assunto não me preocupou, que me esqueci dele. E agora acabo de escrever um post sobre dinheiro, sugerindo que revelássemos quem somos através dos nossos gastos, sem ter nada disto em mente - pelo menos de forma consciente. E logo a seguir vejo que JPP, para torcer o pescoço à calúnia, encara a hipótese de tornar públicos os seus rendimentos através do blogue - em post anterior a este. Caneco!

Se me é permitido, acrescentarei duas (afinal três) anotações (afinal exclamações):
- Ó homem, eu nunca sugeri tal coisa!
- Acredita que o que sugeri, não o sugeri a pensar em ti!
- Quer dizer, pensei em ti por causa do livro, que é caro como o raio, mas
também suaste as estopinhas a escrevê-lo...

Publicado por Vasco do Ginjal em 03:34 AM | Comentários (0) | TrackBack

Não sei o que isto quer dizer, mas parece-me bem...

Ð'аÑ^ Ð?Ð 3/4 Ð 1/4 Ñ...Ð 3/4 Ñ,Ñ?Ñ,
Ð 3/4 грабÐ,Ñ,ÑŒ?
ПрР3/4 пал Ñ,Ð 3/4 вар Ñ?Ð 3/4
Ñ?клаÐ?а?
Ð'аÑ^а Ð 1/4 аÑ^Ð,Ð 1/2 а пР3/4 Ð?
Ñ?грР3/4 ЕР3/4 й?
Ð?Ñ?Ð 1/2 Ñ? Ñ?Ð 1/4 Ð 3/4 Ñ,Ñ€Ð,Ñ,
Ñ?ерÐ,алÑ< вР1/4 еÑ?Ñ,Ð 3/4 Ñ,Ð 3/4 гР3/4 ,
Ñ?Ñ,Ð 3/4 бÑ< Ñ?Ð 1/4 Ð 3/4 Ñ,реÑ,ÑŒ Еа
ребеР1/2 кР3/4 Р1/4 ?
У Ð'аÑ? вР3/4 Ñ€Ñ?ÑŽÑ,
кР3/4 Ð 1/2 Ñ,,Ð,Ð?еР1/2 Ñ+Ð,альР1/2 Ñ?ÑŽ
Ð,Ð 1/2 Ñ,,Ð 3/4 рР1/4 аÑ+Ð,ÑŽ?
КÑ,Ð 3/4 -Ñ,Ð 3/4 Ð,Е Ñ?Ð 3/4 Ñ,Ñ€Ñ?Ð?Ð 1/2 Ð,кР3/4 в
Ð 3/4 Ñ,крÑ<л кР3/4 Ð?Ð 3/4 вÑ<й ЕаР1/4 Ð 3/4 к
Ð, впÑ?Ñ?Ñ,Ð,л грабÐ,Ñ,елей?
У Ð'аÑ? Ð 1/2 а рабР3/4 Ñ,е
прР3/4 паÐ?аюÑ, Ñ+еР1/2 Ð 1/2 Ñ<е
веÑ?Ð,?

powered by Union of Cyrillic Spammers (tm).

Publicado por Vasco do Ginjal em 03:16 AM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 06, 2003

Encore une fois...

Foi assim que eu vuz eduquei, meuz malandrecoz? A fazer procuraz indecorozaz no émésséneze? E a vir parar ao meu zinzal por essez ímpioz meioz? É de bradar aoz céuzes...

Publicado por Vasco do Ginjal em 06:36 PM | Comentários (0) | TrackBack

Possidónio Cachapa, provedor de visitas do Ginjal

Ele não faz de propósito, mas é verdade. Se eu não tivesse transcrito umas frases de um livro seu, ninguém encontraria o ginjal no search.msn.com através da palavra chave "fode me".

Obrigado Possidónio. Vou passar a citar-te mais vezes!

Publicado por Vasco do Ginjal em 04:55 PM | Comentários (0) | TrackBack

Anotamento

C'est officiel: a Filomena rendeu-se à evidência e já não acredita na minha pujança intelectual. Esta reviravolta dá-se após ter reparado que o Ginjal a mencionava, facto do qual só pode ter deduzido o meu total ensandecimento. Foi difícil abrir-te os olhos, rapariga! mas consegui...

Publicado por Vasco do Ginjal em 06:04 AM | Comentários (0) | TrackBack

Relics (3)

A conta

Quando tu me conheceres completamente
Não mais me terás à tua frente.
Ter-me-ás amado perdidamente
Maluquinha, antes de me saber...
Mas só o gosto mau que deixa o fim
Do repasto com que te soube tentar
Revelará indubitavelmente
Que comigo a conta é a pior parte do jantar
- ele sabe-te mal e és tu quem vai pagar.

15/11/96

Publicado por Vasco do Ginjal em 05:48 AM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 05, 2003

Nos intervalos...

...da surpresa que vos preparo, não se passa grande coisa. Lá vou lendo "A tomada do poder". Hoje vou ver a Lena d'Água cantar Billie Holiday. C U there.

(act.) You didn't show up, did you? Your mistake...

Publicado por Vasco do Ginjal em 08:34 PM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 04, 2003

Prioridades trocadas?

"Este tipo de histórias infelizmente acontecem todos os dias, mas pronto, Cantat era uma figura pública conhecida como activista do movimento anti-globalização, como uma pessoa idónea e porta voz de uma série de causas humanitárias, e esta noticia a mim fez-me pensar inevitávelmente no "Homem Fantasma" do Sérgio Godinho.

Eu sou o homem-fantasma combatente infatigáve/l mas atenção que até eu posso ser criticável/ se depois do que eu digo e denuncio e reclamo/ eu voltar para casa e em casa eu for um tirano

Pois. O Bertrand pelos vistos era mesmo um tirano. Reconheceu culpa perante os tribunais lituanos com lágrimas nos olhos, dizendo que não foi um crime, que foi um acidente, e assim arrasta para o fundo toda a carreira dos Noir Désir e tira a vida à mulher com quem partilhou o último ano. Estupidamente, da forma mais cruel possível. Olha Bertrand, sabes que mais?, apodrece com a tua culpa. Porra." in Diário do fim do Mundo, "Noir Désir", 01/08/2003.

A mim quer-me parecer que o Diário não está a condenar um acto condenável. Na realidade, Marie Trintignant não lhe interessa nada. Até Bertrand não lhe interessa nada. O que lhe interessa é a ruptura que tem de fazer com o suporte de uma identificação colectiva, encarnado pelo vocalista dos Noir Désir. É uma tragédia íntima que muitos partilham. Mas fazê-la passar à frente da morte de Marie é indecoroso.

Publicado por Vasco do Ginjal em 04:40 AM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 03, 2003

Fóige !

...que a surpresa dá (mais) trabalho (do que eu pensava) ! Se calhar vai demorar até ao próximo fim de semana, por este andar. Mas vale a pena esperar...

Publicado por Vasco do Ginjal em 06:52 PM | Comentários (0) | TrackBack

Estou a preparar-vos uma surpresa...

Não é para hoje, nem para amanhã. É uma surpresa que dá trabalho, por isso ainda vai demorar uns dias. Não vos posso revelar mais nada, a não ser que só falei dela à Filomena, à porta de sua casa, logo antes do kiss-goodbye. Na bochecha! Não quero cá confusões...

Antes disso estivéramos no café Taborda: simplesmente esplêndido! A vista da Mouraria fez-me lembrar as cascatas sanjoaninas (em Lisboa também há disso?). Até a névoa era minhota... Finalmente, uma palavra para a encantadora rapariga que nos serviu à mesa. Estou certo que a Filomena e a Cátia não lhe ligaram pevide. Mas aos meus olhos, ela tinha a doçura de um menino tímido e a beleza de uma espiga de milho bem madura. Tudo isto num porte atlético que a aproximava de uma kholkoziana de sonho... e com isto tudo portuguesa, senhores! portuguesa!

Que panorama!...

Publicado por Vasco do Ginjal em 06:50 AM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 02, 2003

Nem só de espuma são feitos os dias

Ele há dias em que afloramos a lage do tempo. Hoje, por exemplo. Abri os olhos pelas 16h00 - depois de ter atendido chamadas da minha mãe e do Bruno com aquela voz entaramelada típica das horizontalidades a desoras. E assim, sem mais nem menos, telefonei à Xana. Que atendeu!

A Xana é uma parte do meu passado. Não tive nenhuma paixoneta por ela - não que eu fosse insensível ao que nela enfeitiça meio mundo, mas na altura em que fomos próximos eu andava perdido por alguém bem menos interessante. Não, não é esse o nosso passado. É melhor. A Xana foi a cantora da minha banda musical. Does anybody here remember... Vox Antiqua? É natural que não: afinal, não passámos de uma banda de um liceu perdido algures por essa Europa fora. Nunca fizemos maquettes nem vimos editores, mas se os tivéssemos visto, não me espantaria que eles nos dessem uma palmadinha nas costas e nos dissessem para comer um pouco mais de boroa. E se tivéssemos emboroado os nossos talentos, possivelmente nos teriam dito que "you're in the same market niche than Madredeus", querendo com isto significar - então até sempre!

Pois é. Apesar de tudo isso, Vox Antiqua foi uma aventura linda. Eu fiz uma data de letras e músicas, que ainda devo ter aí encostadas em qualquer lado. À guitarra (acústica) com o Nabais, orquestrávamos aquilo. Tínhamos também o Mário ao baixo, e o Carlos com um tambor moçambicano em madeira (para o bum) e um tambor argelino em barro (para o pim). Eles davam uma côr rítmica à coisa, uma consistência francamente inesperada.

E depois havia a Xana. A voz da Xana era como um diamante em estado bruto. Uma potência descontrolada, um timbre cristalino, uma emoção à flor da pele, um arrepio... A maneira como ela se dava às letras que eu escrevia criou entre nós um laço silencioso, tácito, até secreto. Unverified.

A vida, mais que a vontade, dissolveu a nossa banda. Hoje já não estamos no mesmo liceu. Já não vivo a 200 metros da Xana. Milhares de quilómetros se interpõem entre nós, usualmente. Mas não neste momento. Por isso, num repente, após tantos anos desencontrados, telefonei-lhe. E num repente, verifiquei o laço. Toquei na lage do tempo. É bom saber que o fundo do tempo é empedrado.

(act.) Hoje a Xana é uma parte do presente de todos os portugueses. Entra-lhes em casa entre dois programas. É a cara mais bonita da publicidade nacional. Se calhar já estão a ver de quem estou a falar... Mas não se esqueçam que a cara ainda é o que ela tem de mais banal.

Publicado por Vasco do Ginjal em 06:53 PM | Comentários (0) | TrackBack

Saudades da Primavera

Em dias destes, palavra que esqueço o incómodo das alergias. Fico mesmo com saudades da primavera.

Paris em flor

Publicado por Vasco do Ginjal em 08:01 AM | Comentários (0) | TrackBack

Gostais das gordas? Também eu.

Obviamente, refiro-me ao novo calibre dos títulos dos posts. Fica melhor assim, não achais?

Publicado por Vasco do Ginjal em 05:48 AM | Comentários (0) | TrackBack

Not for citation.

Haverá melhor nome do que este para um blog? Isto é subtileza ao trigésimo sexto grau... Lamento informar-vos que, em blogspot.com, este nome já está reservado. É que vaipes destes não se deixam escapar, e um dia posso querer fazer outra coisa. Mas para já estou muito feliz no meu ginjal...

Publicado por Vasco do Ginjal em 04:49 AM | Comentários (0) | TrackBack

Hoje já não me apeteceu...

...roubar a antena de um carro. Mas devo confessar que, aqui ou ali, ultrapassei os limites de velocidade autorizados por lei.

Publicado por Vasco do Ginjal em 04:39 AM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 01, 2003

Quem haveria de pensar...

...que voltando a casa a acharia um antro de frescura ? Tout n'est pas relatif... mais presque.

Publicado por Vasco do Ginjal em 10:00 PM | Comentários (0) | TrackBack

Czeslaw Milozs, a concept by. (transcrito)

Franqueza limitada. Isn't this what blogs are all about ?

Publicado por Vasco do Ginjal em 09:57 PM | Comentários (0) | TrackBack

Se tu mandasses, o que é que fazias?

Do meio da conversa de dois transeuntes, só me chegou esta tirada. Suponho que era a expressão da fadiga de um deles perante o cepticismo do outro. Mas o que me interessou foi a resposta que não chegaria a ouvir. Começaria certamente assim: "Se eu mandasse, fazia com que..."

Fazer com que... a expressão mostra bem que mandar não é fazer, mas mandar fazer. O que implica que a grande preocupação de quem manda não pode ser ontológica (mandar porquê?). Mesmo a contra-gosto, terá de ser tecnológica (mandar como?). Porque não manda quem quer (mandar), e muito menos quem sabe (porque quer mandar). Manda quem pode (accionar os mecanismos do mandamento).

Publicado por Vasco do Ginjal em 09:54 PM | Comentários (0) | TrackBack

Meu dito, meu (des)feito

Já ouvistes falar da função performativa da linguagem. Pois agora pasmai perante esta nova invenção : a função desformativa da linguagem. Quand dire, c'est défaire! Nada mais simples: bastou-me anunciar que ia ficar em casa a vegetar mais umas horas para ter um súbito impulso que me leva a sair de casa e refugiar-me num centro comercial lleno de aire acondicionado sin legionella por favor! Levo o meu Czeslaw Milozs debaixo do braço, uns troquitos pró jornal e pró café, e vegeto também. Mas fora desta caçarola...

Publicado por Vasco do Ginjal em 06:36 PM | Comentários (0) | TrackBack

Não tenho coragem...

Com este calor, não tenho coragem para sair de casa (onde também cozo a lume brando). Nem para blogar. Nem para nada. Á noite viverei.

Publicado por Vasco do Ginjal em 06:11 PM | Comentários (0) | TrackBack

Remake

Hoje estive outra vez quase para roubar a antena a um carro. Saí de casa para reparar a imprudência que tinha sido deixar o telemóvel dentro do meu carro, mas logo comecei a salivar olhando para os outros carros com antena e o meu desprovido... ainda dei uma volta ao quarteirão, mas os dois ou três carros da mesma marca também não tinham antena. Das duas uma : ou donos prudentes, ou já alguém lhas fanou também. Talvez isto me passe...

Publicado por Vasco do Ginjal em 06:32 AM | Comentários (0) | TrackBack