julho 25, 2003

Agradeço a quem me roubou a antena do carro...

...o facto de me ter reduzido tão drasticamente as possibilidades de escolha dentro do espectro FM. Obrigou-me a estacionar por uns tempos nas imediações radiofónicas do Rádio Clube Português. Nunca no carro fui tantas vezes convidado a sentir-me em casa. Em boa hora! Eu sempre tive alguma estranheza a adaptar-me à minha nova condição de homo automobilis... Talvez as doces incitações dos locutores e locutoras da RCP me permitam ultrapassar o trauma.

Chalaça à parte, é do alto da minha cátedra de especialista em marketing (quem me conhece não deixará escapar a ironia da afirmação) que decreto não ver há muito tempo tão perfeita adequação entre marca, produto e posicionamento. Senão vejamos: o Rádio Clube Português é uma super-marca radiofónica, tão marcante como a Antena 1 e a Rádio Comercial. A sua evocação transporta logo os mais velhos para outros tempos. E aos mais novos, fará lembrar certamente as emissões da madrugada de certo dia da primavera de 1974, pormenorizadamente relatadas em recente filme de Maria de Medeiros.

Depois o produto: só música que toda a gente já conhece. Hoje, tive direito à minha madeleine proustienne da semana, com a exumação do célebre Achuranonbé (I should have known better) da minha infância. Finalmente, o slogan que nos bombardeia com carinho: sinta-se em casa. Tudo feito para que nos reconheçamos, para que não haja surpresa, para que nos deixemos embalar, para acalmar os nossos medos... É de facto um marketing fenomenal, em tempo que não está para produtos anxiógenos.

Mas eu vou agora - e atrasado - para um produto anxiógeno: ver (de novo) aria João e Mário Laginha, os dois únicos artistas que conheço a quem se pode dizer com propriedade, de cada vez que actuam: - foi um espanto! Um espanto etimológico. Porque nos surpreende sempre...

Publicado por Vasco do Ginjal em julho 25, 2003 09:48 PM
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