setembro 02, 2009

Gamuínha

A Gamuínha não chorou quando recebeu a picada da agulha e a seringada do líquido anti-meningite. Chamava por ela, abanava a minha mão à frente dos seus olhitos grandes. Com a outra rodava o lai-lai e voltava a rodar antes de a melodia se esgotar.
Gamuínha é uma laileirinha. Ninguém como ela se ri e chuta a bola.
Ninguém como ela arregala os olhos, pula e se estica quando avista o Manghusto, seu gato pardo nascido dias depois dela.

Publicado por gatodomonte às 08:39 AM | Comentários (0)

dentada de gato bravo

Cá de novo estou, em folha nova. Antes de mais, quis não me extinguir no éter em que estou diluído.
Como pôde a gataria ser tão mortal no ataque que exterminou toda a população do Peso da Régua?
Os gatos, ao longo de toda a história de relacionamento com a humanidade, foram-se tornando profundos conhecedores do carácter humano. A nefasta e gratuita influência do Homem sobre tudo à sua volta foram concentrando nos gatos, de geração em geração, doses cada vez maiores de raiva. A raiva dos gatos transformou-se em veneno nas suas glândulas salivares, um veneno a que eram eles próprios imunes. Não sabiam os gatos, até que as notícias do ataque ao Peso da Régua começaram a circular, que estavam munidos de tão poderosa arma. A fúria de matar o tirano era a arma que todos os gatos julgavam ter. E para eles era suficiente e decisiva.
Sabiam agora os homens que o Peso da Régua tinha sido vítima da Raiva sob a forma de dentada de gato bravo.

Publicado por gatodomonte às 01:38 AM | Comentários (0)