<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?>
<feed version="0.3" xmlns="http://purl.org/atom/ns#" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xml:lang="en">
<title>conhecimento e felicidade</title>
<link rel="alternate" type="text/html" href="http://feliz.weblog.com.pt/" />
<modified>2006-12-14T10:06:39Z</modified>
<tagline></tagline>
<id>tag:feliz.weblog.com.pt,2012://1832</id>
<generator url="http://www.movabletype.org/" version="3.11">Movable Type</generator>
<copyright>Copyright (c) 2006, M. Teles Fernandes</copyright>
<entry>
<title>atitudes e comportamentos de vida</title>
<link rel="alternate" type="text/html" href="http://feliz.weblog.com.pt/arquivo/2006/02/atitudes_e_comp_1.html" />
<modified>2006-12-14T10:06:39Z</modified>
<issued>2006-02-19T18:24:40Z</issued>
<id>tag:feliz.weblog.com.pt,2006://1832.159053</id>
<created>2006-02-19T18:24:40Z</created>
<summary type="text/plain">Desde que escrevi e publiquei neste blog a minha linha de pensamento e entendimento da forma como as pessoas abordam a vida e, consequentemente, a felicidade, que tenho também encetado algumas conversas com amigos sobre os mesmos temas, de uma...</summary>
<author>
<name>M. Teles Fernandes</name>

<email>mtf@gestaototal.com</email>
</author>

<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://feliz.weblog.com.pt/">
<![CDATA[<p>Desde que escrevi e publiquei neste blog a minha linha de pensamento e entendimento da forma como as pessoas abordam a vida e, consequentemente, a felicidade, que tenho também encetado algumas conversas com amigos sobre os mesmos temas, de uma forma muito aberta e transparente, deixando as ideias fluírem e expandirem-se para outras áreas do pensamento.</p>

<p>O meu conceito das três linhas de vida têm-me ajudado a explicar a esses amigos com quem tenho mantido conversas, muitos comportamentos que observamos com frequência naqueles que nos rodeiam.</p>

<p>Ainda há poucos dias explicava a alguém a razão porque as pessoas fazem “coisas” na vida. Para tal, utilizei três conjunções que ajudam a melhor compreender a razão que leva alguém a tomar qualquer iniciativa de vida: o “para” e o “pelo/por”.</p>

<p>As pessoas que têm uma abordagem de primeira linha de vida (ver primeiro texto publicado neste blog) fazem coisas “para” elas. Determinam um objectivo e dão o seu esforço para a obtenção do mesmo, sendo que este objectivo diz respeito a elas mesmas. Sendo coisas materiais ou não, elas serão proveitosas ao próprio, pouco importando todos os outros que possam de alguma forma ter interesse directo ou indirecto com o resultado obtido pelo esforço dispendido. A grande parte das pessoas tem este tipo de atitude e comportamento na esmagadora maioria das suas acções, desde a mais pequena como a disputa de um lugar numa fila de trânsito até à conquista de um contrato de negócio.</p>

<p>Os que se orientam pela segunda linha de vida fazem coisas “para” eles mas também, e acima de tudo, “pelos” outros. Quer isto dizer que para além da satisfação de algo pessoal procuram fazer algo que os outros possam admirar. Fazem-no para demonstrar perante os seus semelhantes a sua capacidade de atingir o sucesso. Serve de exemplo uma peça que passou num programa da televisão em que várias famílias se endividavam na compra de artigos de luxo como roupa de marca, carros de elevado preço e outras manifestações despesistas, apenas para impressionar aqueles com quem tinham relações sociais mais próximas. O que essas pessoas fazem é, acima de tudo, “pelos” outros. Numa sociedade orientada por atitudes competitivas, em que as pessoas orientam as suas vidas por objectivos cada vez mais elevados, em que o dinheiro é sinónimo de sucesso e de poder, somos em cada dia confrontados com mais comportamentos deste género.</p>

<p>Contudo, existem os que abordam a vida de acordo com uma terceira linha. O que fazem não tem um tipo de destinatário padrão. Fazem coisas “para” si próprios ou “para” outros, não sendo contudo o “para” o mais importante. O mais importante é o “por”. Efectivamente o que fazem, fazem-no “por” eles próprios. Serve de exemplo uma entrevista dada a um programa da televisão por João Garcia, o nosso conhecido alpinista que subiu os Himalaias, em que ele dizia que os seus feitos são importantes porque projectam o nome do nosso país além fronteiras, mas que ele fazia-o apenas “por” ele e não pelo país. Esta é uma atitude de terceira linha de vida, em que não se dá importância a quem venha a ser beneficiado com o resultado obtido mas antes importa a razão pela qual o individuo se empenha em determinada acção e essa razão é “por” ela própria.</p>

<p>De todos os tipos de atitude a menos egoísta é a última. É de pessoas com este tipo de atitude que saem os grandes feitos para a humanidade. Estas pessoas não estão preocupadas com o materialismo relacionado com o resultado obtido, ficando apenas satisfeitas interiormente com elas próprias por obterem o resultado, independentemente de quem venha a beneficiar do mesmo. São estes os verdadeiros filantropos. <br />
</p>]]>

</content>
</entry>
<entry>
<title>Conhecimento de mim</title>
<link rel="alternate" type="text/html" href="http://feliz.weblog.com.pt/arquivo/2006/02/conhecimento_de.html" />
<modified>2006-02-03T08:59:59Z</modified>
<issued>2006-02-03T08:56:32Z</issued>
<id>tag:feliz.weblog.com.pt,2006://1832.156411</id>
<created>2006-02-03T08:56:32Z</created>
<summary type="text/plain">Todos nós, enquanto seres pensantes, desenvolvemos pensamentos próprios, individualizados, que, na maioria dos casos, nascem e morrem dentro das nossas consciências. Desenvolvemos teorias sobre muitos assuntos, algumas com sentido, outras nem tanto, que nos fazem estar conscientes da inexistência de...</summary>
<author>
<name>M. Teles Fernandes</name>

<email>mtf@gestaototal.com</email>
</author>

<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://feliz.weblog.com.pt/">
<![CDATA[<p>Todos nós, enquanto seres pensantes, desenvolvemos pensamentos próprios, individualizados, que, na maioria dos casos, nascem e morrem dentro das nossas consciências. Desenvolvemos teorias sobre muitos assuntos, algumas com sentido, outras nem tanto, que nos fazem estar conscientes da inexistência de resposta para muitas das dúvidas que nos assolam. Como os demais, também eu tenho dúvidas e incertezas, sobre as quais penso amiúde, sem que isso queira dizer que obtenha qualquer resposta convincente ou mesmo discutível. </p>

<p>É sobre duas questões acerca das quais tenho pensado ao longo da vida, sendo que as minhas próprias respostas têm evoluído ao longo do tempo, que me atrevo a formular duas “teorias” que, apenas e só, reflectem um certo estado actual do meu pensamento evolutivo. Estas teorias não são nem pretendem ser baseadas em estudos científicos sobre os comportamentos humanos individuais ou colectivos. Contudo, elas surgem como resultado da observação empírica do que se passa à minha volta e da minha especulação acerca das motivações para alguns dos comportamentos humanos.</p>

<p>Uma das questões que assola muitos de nós, seres mais ou menos pensantes, é: o que é a felicidade? Esta, não sendo de resposta fácil, cria outras questões como: qual o significado da vida? ; existe vida para além da morte? ; etc.</p>

<p>As respostas para estas e outras questões similares são, ou devem ser, exclusivamente do foro pessoal, e não são coincidentes entre diferentes indivíduos. Cada um de nós tem diferentes respostas para cada uma delas, baseadas em crenças pessoais, que não podem ser impingidas a outros, para defesa da liberdade do pensamento individual. Assim, não pretendo que as minhas opiniões pessoais sejam aceites por ninguém, mas antes entendidas como mais um ponto de vista sobre um assunto para o qual não existe resposta certa.</p>

<p><strong>As linhas de vida</strong></p>

<p>Entendo que o comportamento, de uma forma geral, das pessoas para com a vida se divide em três diferentes tipos, que se interligam e interagem entre si, mas que, mais do que tudo, se diferenciam uns dos outros. Chamarei a esses três diferentes tipos de comportamento de abordar a vida, que as mulheres e os homens da nossa sociedade apresentam aos olhos de quem os quer observar, de as três “linhas de vida”, na medida em que as mesmas determinam ou influenciam a forma como cada um de nós direcciona a sua maneira de estar na sociedade, de carácter mais ou menos permanente, apesar das flutuações entre “linhas de vida” que possam existir ao longo da vida de cada um de nós.</p>

<p>A primeira linha de vida é orientadora da esmagadora maioria dos indivíduos na sociedade. Esta linha é caracterizada por uma vontade e expectativas limitadas que os indivíduos têm das suas próprias vidas. Estas limitam-se muitas vezes pela satisfação das necessidades básicas e de segurança, correspondentes aos níveis inferiores do conceito de Maslow. Os indivíduos que seguem a primeira linha de vida desejam ou ambicionam usufruir de condições de vida que lhes permitam satisfazer as necessidades de alimentação, habitação, trabalho, segurança, justiça, saúde, educação básica, etc., enfim, tudo aquilo que na sociedade de hoje é considerado como um mínimo indispensável para se poder considerar a existência humana como minimamente digna. Os seus objectivos são limitados, tanto em termos quantitativos como qualitativos, e, quanto satisfeitos, são causa de um estado de “felicidade existencial” que se prolonga por algum tempo. </p>

<p>Esta forma pouco ambiciosa de estar na vida não escolhe sexo, raça, religião, idade ou status social. As pessoas que orientam a sua forma de estar na vida por esta linha gostam pouco de mudança, não gostam de assumir o risco, vivem com o que têm em mãos ou que possam obter com segurança, não empreendem grandes projectos de vida e tentam viver uma existência pacata e estável. São o que eu chamo, sem qualquer sentido perjurativo, de “pobres” de ambição. Pobres não por questões económicas mas sim pela quantidade e qualidade das ambições pessoais que desenvolvem. Pode-se ser extremamente rico monetariamente mas pobre em ambição, sendo que, como veremos mais à frente, o contrário também é verdade. Seria acerca destes que Jesus disse que “deles será o reino dos céus”?</p>

<p>A segunda linha de vida orienta uma percentagem cada vez mais crescente da população da nossa sociedade. Ela é caracterizada por indivíduos que têm vontades e objectivos existenciais e materiais, não se sentindo eles nunca saciados com os resultados que obtêm, por mais grandiosos e elevados que os mesmos sejam. Os seguidores desta linha estabelecem objectivos que são fundamentalmente definidos em função do ambiente que os rodeia, isto é, não são definidos em função das necessidades do próprio individuo mas sim em função da comparação com os níveis de sucesso obtidos pelos seus semelhantes. </p>

<p>Não desejam atingir um qualquer objectivo para satisfação de uma necessidade básica, tal como os que vivem na primeira linha, mas sim para ultrapassar o nível de sucesso de um qualquer semelhante com quem estabelecem um padrão de comparação. O que está em causa não é a satisfação de desejos, anseios e objectivos de satisfação do próprio individuo mas sim a obtenção de níveis de sucesso que ultrapassem outros indivíduos com quem os mesmos se relacionam e com quem vivem em permanente competição. A questão não é sentirem-se felizes com a obtenção dos resultados estabelecidos como objectivos de satisfação pessoal e individual mas sim com a obtenção de resultados que possam ultrapassar os obtidos por outros indivíduos com quem se estabeleceram relações de comparação e de competição. </p>

<p>Quem vive na segunda linha de vida não estabelece objectivos que só a eles digam respeito. O que conta para os indivíduos que vivem na segunda linha não é a satisfação das suas próprias necessidades ou anseios mas sim a obtenção do reconhecimento dos que vivem à sua volta. O sucesso não é fruto de conquistas pessoais e individuais que trazem ao próprio individuo a satisfação pessoal de realização mas sim da conquista de níveis de sucesso relativo que, em comparação com os sucessos dos demais indivíduos com quem é feita a comparação, ultrapassa os níveis atingidos pelos mesmos, obtendo-se assim um nível de realização que trás satisfação e “felicidade temporal” a quem consegue atingir tais níveis de sucesso.</p>

<p>A questão relacionada com a conquista do sucesso que se coloca aos indivíduos da segunda linha de vida não é a da satisfação de necessidades para além das básicas mas sim o reconhecimento pela sociedade do sucesso obtido pelo individuo (em comparação com os demais do género com quem o padrão é estabelecido), o que o elevará para além dos seus semelhantes de acordo com os seus próprios desejos e padrões de comparação. Para os indivíduos que vivem de acordo com os princípios desta segunda linha de vida os fins justificam quase sempre os meios utilizados para os atingir, o que pode torná-los (os mesmos indivíduos) demasiados ambiciosos ou mesmo abusadores dos princípios morais que os próprios apregoam como fundamentais para a vida de todos os outros (geralmente para com os que vivem de acordo com os princípios da primeira linha).</p>

<p>Novamente, não existe nenhuma relação entre género, raça, idade, status social e o orientar a vida por esta segunda linha. Os objectivos nem sempre estão apenas relacionados com os aspectos económicos, mas até mais com o poder que se pode atingir. Ter muito poder, seja ele qual for, para quem vive na segunda linha de vida é muito importante. Só o poder dá importância suprema. Serão estes que vivem na segunda linha aqueles a quem Ayn Rand intitulou de “second handers”?</p>

<p>A terceira linha estabelece o modo como uma ínfima minoria da população aborda a questão da linha orientadora das suas próprias vidas. Estes indivíduos não estão preocupados com as necessidades básicas que tornam a vida humana mais em consonância com os princípios fundamentais da igualdade ou da não descriminação, mas sim com a obtenção de objectivos muitos individualizados que os próprios consideram fundamentais para si próprios e para a sua própria existência. Os seus objectivos nunca têm um carácter fundamentalmente material, mas sim um outro mais relacionado com ideais, muitas vezes não materializáveis.</p>

<p>A obtenção de resultados que satisfaçam objectivos previamente definidos não implica que se sintam em estado de contentamento ou de felicidade. O seu desejo e a felicidade que possam sentir advêm do viverem na terceira linha de vida. Os resultados do que fazem não são um fim em si mas antes um meio de perpetuar uma orientação de vida de acordo com a terceira linha. São pessoas aparentemente muito voltadas para elas mesmas e até egoístas aos olhos de muita gente, por se apresentarem totalmente alheias aos interesses e anseios dos seus semelhantes. A vida e os objectivos dos outros com quem se relacionam não são preocupação directa para eles, mas, e na medida em que têm uma perspectiva holística do que os rodeia, acabam por se esforçar para atingirem resultados que possam trazer benefícios para os outros. Não desejam obter aplausos ou agradecimentos pelo que fazem porque o fazem para se sentirem bem com eles mesmos, e essa é a sua maior compensação.</p>

<p>Muitos dos indivíduos que vivem na terceira linha passam existências totalmente despercebidas à sociedade, em recato e mesmo clausura quase total, dedicando-se a fazerem apenas o que gostam. São altamente influenciadores da evolução da sociedade nos seus diferentes domínios como as ciências, as artes, o pensamento, etc. As mudanças dos dogmas e paradígmas ao longo dos tempos, muitas vezes muito depois do desaparecimento dos próprios, têm sido claramente determinadas por este tipo de pessoas, quais inventores e génios que a sociedade pouco ou nada reconhece na sua maioria, mas antes alcunha de loucos. Serão eles como o Steppenwolf que Hermen Hesse recriou?</p>

<p><strong>A felicidade</strong></p>

<p>A procura da felicidade tem sido ao longo dos tempos causa de vida para muitos indivíduos. Compreender o que nos torna felizes e como poderemos atingir um estado de felicidade permanente é ainda hoje preocupação generalizada da sociedade. Tentamos identificar o que nos pode tornar felizes bem como determinar como poderemos conquistar esse estado supremo. Contudo, a procura da felicidade é frequentemente a causa da própria infelicidade.</p>

<p>A felicidade é geralmente relacionada com as questões do amor, da religião, da saúde e do poder, económico e de outras índoles. É compreendido que se atinge um estado de felicidade quando se obtém um qualquer determinado resultado, tenha ele sido ou não objecto de prévia expectativa. A felicidade está assim dependente de se obter algo, o que implica que a não obtenção do algo que se desejou pode ser causa da infelicidade. Como a obtenção de tudo o que se deseja é pura utopia, pode-se depreender que a felicidade, como permanente estado de conciência, não existe. Por outro lado, e porque o insucesso na obtenção de algo pode ser constante, a infelicidade, como permanente estado de consciência, é real.</p>

<p>Compreender o que nos torna infelizes, isto é, o que não se têm ou não se possui que nos pode fazer sentir em permanente estado de infelicidade, pode ser utilizado como meio para resolvermos a nossa própria infelicidade. Se conseguirmos determinar que o facto de não possuirmos algo não nos torna infelizes, porque deixa de nos fazer falta ou porque já não o desejamos, estaremos pelo menos a eliminar a infelicidade das nossas vidas, sem que isso queira significar que estamos felizes, mas, pelo menos, sentimo-nos como em estado de contentamento. Não podendo almejar a viver em permanente estado de felicidade, poderemos pelo menos tentar viver em estado de contentamento, estando no mínimo em paz connosco próprios. </p>

<p><strong>Conhecimento de mim</strong></p>

<p>Juntar estas duas visões, a de vida e a de felicidade, tem-me ajudado a compreender, à minha maneira entenda-se, os que me rodeiam e a alterar a minha própria forma de estar na vida.</p>

<p>Agora compreendo porque aqueles que vivem na primeira linha de vida podem ser mais felizes do que os que vivem nas outras duas linhas, porque os que vivem na segunda linha de vida estão constantemente em estado de lamentação devido à sua infelicidade e porque os que vivem na terceira linha de vida não podem ser felizes, mas vivem em paz. Compreender esta relação ajuda-me a ver a sociedade, a política e a religião de forma muito mais transparente e objectiva. Os enganos de interpretação ou a aceitação do que me tentam vender como verdade são cada vez menos, permitindo-me aproximar do meu próprio estado de paz. Não sendo mais feliz, sou pelo menos, menos infeliz.</p>]]>

</content>
</entry>

</feed>