maio 17, 2005

“Que Seca…Já dei isso!”

Tenho um aluno que começou a ter explicações de Matemática desde o meio do segundo período. Não sou contra este tipo de apoio, até porque com turmas grandes torna-se difícil ao professor conseguir apoiar todos os alunos, da maneira que eles necessitam. No entanto, desde que começou a frequentar as explicações, este aluno passou de um estado em que só perturbava a aula, para agora só perturbar a aprendizagem dos colegas que não têm explicação.
Invariavelmente durante as aulas a qualquer pergunta que eu faço, para orientar os alunos na compreensão dos conteúdos, obrigando-os a pensarem um pouco por eles, este aluno dá respostas que nada têm haver com a pergunta que eu estou a fazer, mas sim com conteúdos que ainda não foram leccionados.
Numa das aulas assistidas, onde foi introduzido a resolução de Equações, eu coloquei primeiro uma equação simples no quadro e perguntei qual seria a pergunta que aquela equação representava, ao que o aluno, sem colocar o braço no ar disse a solução da equação. Mais à frente para introduzir os Princípios de Equivalência, que ajudam a resolver uma equação, coloquei uma equação mais complicada, que os alunos não conseguiriam resolver fazendo simplesmente a pergunta e questionei a turma, mais uma vez sobre qual a pergunta que a equação representava, mais uma vez o aluno respondeu, sem pedir permissão, dizendo o resultado da equação e como lá chegou, confundindo muito os seus colegas.
Este tipo de atitude pode arruinar qualquer estratégia que eu conceba para leccionar os conteúdos, pois este aluno salta logo vários passos na aprendizagem com as suas respostas, impedindo os colegas de puderem assimilar conceitos básicos primeiro e só depois conceitos mais complexos.
O aluno evidencia esta atitude, porque na explicação que tem já deu os conceitos, dizendo muitas vezes durante a aula “Que seca…já dei isso!”. Imagino que na explicação ele dê conceitos que ainda não foram por mim introduzidos, pelo que prejudica em muito todas as estratégias e questões planeadas para uma aula, para ajudar os alunos a compreender os conceitos.
Qual será a melhor forma de lidar com este aluno?

Teresa Riso

Por JVarandas @ 08:55 PM | CComentários (1) | TrackBack (0)

“Oh Stôr…O que é para fazer nesta pergunta?”

O problema já não é de agora, mas nunca foi tão grave como no último teste. Desde o inicio do ano que tenho reparado que os meus alunos, durante o teste, chamam constantemente para me perguntar o que é para fazer numa certa pergunta.
Neste último teste, esta atitude teve proporções alarmantes. Mal o teste se inicia, houve uma aluna que me chamou, colocando o braço no ar. Ao chegar lá a aluna simplesmente pergunta “Oh Stôr…o que é para fazer na primeira pergunta?”. Ao início ainda olhei para a pergunta, pensando que teria algum erro, ou alguma palavra mal escrita, que impossibilitasse a sua compreensão pelos alunos, mas não, estava bem escrita, e mais do que isso estava escrita do mesmo modo como eu pergunto na aula. Pedi a aluna para ler a pergunta, e depois de ler a pergunta perguntei-lhe o que estava eu então a pedir. A pergunta pedia para escrever os 4 primeiros termos e uma sequência onde o primeiro termo era 4 e o seguinte obtinha-se do anterior somando -3. Depois de ler a pergunta a aluna disse “Ah esqueça Stôr…já sei!”. Passado nem dois minutos, outro aluno chama-me para me perguntar exactamente a mesma coisa, mas relativamente a outra pergunta. Adoptei o mesmo método e pedi ao aluno para ler a pergunta. O aluno disse que já tinha lido e não tinha percebido. Então eu li a pergunta para ele por partes, pedindo-lhe para explicar o que pedia cada parte. O aluno reagiu praticamente da mesma forma “Ah! Já sei…”.
Durante este teste foram inúmeras as dúvidas deste género que os alunos tiveram, o que me fez pensar que os alunos estão muitos dependente da concordância do professor para começarem a fazer uma pergunta, não lendo muitas vezes a pergunta e assumindo logo que é melhor o professor dizer o que está a pedir, do que pensarem por eles.
Como lidar com este tipo de situação? Será que é boa ideia ler o teste em conjunto com os alunos antes de o começarem a resolver? Ou isso ainda os iria tornar mais dependentes do professor e comprometer o processo de autonomização relativamente ao professor?

Frederico Inácio

Por JVarandas @ 08:54 PM | CComentários (4) | TrackBack (0)

"Nós comunistas..."

Os alunos tinham de realizar trabalhos sobre matemáticos portugueses, foi-lhes dado muito tempo para fazer esse trabalho e naquela aula tinham de apresentar o seu trabalho.
Não é fácil fazer trabalhos sobre matemáticos portugueses pois há dificuldades em encontrar informações sobre eles e os estudos que esses matemáticos desenvolveram são, na generalidade, muito complexos para que os alunos percebam do que tratam.
Não esperava que os alunos conseguissem um trabalho exaustivo e até receava que alguns não conseguissem encontrar informações sobre alguns matemáticos, pelo que me disponibilizei para auxiliar na pesquisa, mas, todos afirmaram que tal não era necessário.
Chegada a apresentação dos trabalhos, eles estavam na sua generalidade razoáveis, apesar de os alunos não estarem muito à vontade com uma apresentação de trabalhos.
Eis que, chegada a apresentação do trabalho sobre um dos matemáticos, os alunos começam a ler um extenso texto. Houve algo no trabalho que me despertou a atenção (e não foi a extensão do texto pois vários grupos, por inexperiência neste tipo de apresentações, fizeram o mesmo), a certa altura, já perto do fim do texto, surge uma "afirmação política" quando o aluno lê «nós comunistas somos...». O aluno que leu, percebeu que tinha posto o pé na argola mas, continuou a leitura até ao fim e eu também não interrompi, a maioria dos colegas, devido à extensão do texto, acabaram por não notar nesta "afirmação política". Quando terminaram, perguntei-lhes discretamente: então vocês são comunistas? Cuja resposta foi um tímido sim, acompanhado de um sorriso amarelo pelos alunos.
Este matemático foi militante comunista e, no site do partido, um membro do comité central do PCP apresenta um texto sobre o matemático, destacando as ideias "deles comunistas", chegando a escrever na primeira pessoa. O que aconteceu, foi que os alunos seguiram à letra este texto.
Terminadas as apresentações dos alunos, fiz uma crítica geral, com realce para o perigo de plágio. Os alunos têm dificuldades em realizar trabalhos de pesquisa, podendo facilmente apresentar textos copiados (o que já é mau), no entanto, não me parece admissível que desconheçam esses textos minimamente ao ponto de só ao apresentarem o trabalho notarem que palavras tão reveladoras (e despropositadas) sejam ditas em voz alta.
Quando terminei a minha crítica colectiva ao trabalho, os alunos deste grupo pediram para reformular o texto do trabalho pois admitiam que "precisavam de mudar algumas coisas".

Hugo Marques

Por JVarandas @ 08:51 PM | CComentários (0) | TrackBack (0)

março 30, 2005

Dia do número "PI"

No passado dia 14 de Março organizamos na escola o dia do número Pi.
Elaborámos alguns cartazes e preparámos algumas actividades relacionadas com esse número. Para além disso, decidimos dinamizar um concurso denominado por “Pi.-food”, que consistia na elaboração de doces ou salgados alusivos ao número PI.

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O balanço deste dia foi bastante positivo e verificámos que os alunos gostaram de realizar as actividades. Contudo o concurso superou as nossas expectativas e de todas as actividades foi aquela que os alunos, professores e funcionários mais gostaram.

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No final efectuámos um pequeno lanche em que cada participante pôde convidar quem quisesse para provar o seu bolo.
De seguida apresentamos algumas imagens do dia e de alguns dos bolos confeccionados.

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Gostaríamos ainda de referir que nos deu muito prazer organizar este dia e que, na nossa opinião, deveria haver mais iniciativas deste tipo nas escolas, não só por parte dos núcleos de estágio, mas também por parte de toda a comunidade escolar.

Gisela e Alexandra


Por JVarandas @ 12:03 PM | CComentários (1)

Que tipo de tarefas?

Recentemente pude realizar uma aula numa nova sala cheia de computadores, que existe na escola. O objectivo da aula era leccionar os divisores e múltiplos de um número, bem como relembrar o que são números primos, através do programa Trinca-Espinhas. Já todos conhecemos as potencialidades do jogo, que até já foi alvo de comentários aqui no blog, pelo que não me vou estender mais sobre isso. O que ponho aqui em causa são as tarefas que nós apresentamos com o jogo.
Para estes meus alunos era a primeira vez que tinham uma aula de Matemática, foi a primeira vez que tiveram uma aula com computadores, pelo que, o seu espanto, fez com que os alunos entrassem um pouco a medo nas aulas, dando-me a nítida sensação que alguns deles nem sabiam o que haviam de fazer.
Depois de várias explicações minhas e de lerem as instruções do Trinca-Espinhas, começaram então o jogo. Juntamente com o jogo, entreguei uma ficha que tentava de certa forma orientar o seu trabalho com o jogo. A ficha apresentava vários quadros de jogo, com duas colunas, onde numa coluna escreviam o número que escolhiam e na outra o número com que o trinca espinhas ficava. Depois destes quadros apresentava umas perguntas muito simples e orientadas, para ver se os alunos conseguiam perceber o que era um divisor de um número e um número primo.
A aula correu bastante bem e os alunos ficaram bastante agradados com uma aula diferente, embora claro está também mais agitados até pela própria forma da aula, mas nada fora do normal. Um aspecto positivo foi que os alunos ficaram a perceber muito bem o que é um divisor de um número, conseguindo explicar por palavras suas o significado de divisor.
Apesar da aula ter corrido bem, penso muitas vezes se a tarefa não terá sido demasiado simples e orientada, ou se devia ter sido mais aberta e de carácter exploratório.
Claro que a pressão no cumprimento dos programas obriga a que estas aulas, mesmo que diferentes não abrandem o ritmo, o que foi outras das razões para a tarefa ter sido tão orientada, mas esquecendo esse facto por um bocadinho o que acham que será melhor, tarefas mais orientadas para o que queremos que os alunos aprendam e mais simples, ou tarefas de carácter mais exploratório e aberto, mais complexas para os alunos?

Frederico Levy

Por JVarandas @ 11:37 AM | CComentários (3)

Só em conjunto se consegue

De certeza que todos nós temos alunos desmotivados, agitados, que embora não perturbem as aulas, não querem fazer simplesmente nada. Embora à primeira vista alguns destes alunos possam não ter nada que os faça agir assim, há outros cujo ambiente familiar disfuncional os faz perder todo o interesse pela escola.
Eu tenho um aluno assim, na minha turma do 7ºano de escolaridade e começo a ficar sem saber o que fazer com ele. Tudo o que me lembro de fazer para o motivar, não serve de nada. O aluno diz a todos os professores que quer é chumbar, porque se chumbar sai da escola e vai trabalhar.
Numa conversa que tive com ele disse-lhe que era importante acabar pelo menos o 9º ano de escolaridade, para depois se poder ir para um daqueles cursos tecnológicos, mantendo todas as possibilidades em aberto, e até porque sem o 9º ano de escolaridade não se pode tirar a carta de carro, por exemplo. O aluno disse que não queria saber, tirava a carta de scotter.
Todos os professores se queixam que o aluno nada trabalha, não quer fazer nada e pior quando chamado a atenção pelos professores, amua e começa a tentar destabilizar a aula, implicando com os colegas que, como são bastantes mais novos que ele, respondem a todas as provocações.
Alguns professores dizem que o aluno é um caso perdido. Na minha opinião, só em conjunto conseguimos fazer algo pelo aluno. Não só os professores, mas também os órgãos de gestão da escola, assim como e talvez mais importante os pais e o ambiente que proporcionam em casa ao aluno. Pelo que me é dado a entender os pais encorajam esta atitude do aluno, pois a escola é cara.
Como conseguir fazer com que todos actuem em conjunto para o bem daquele aluno? Será que isso é possível? Como são resolvidos estes casos nas vossas turmas?

Teresa Riso

Por JVarandas @ 11:34 AM | CComentários (2)

Lição 100 e Aula de Revisões

Nas sextas-feiras tenho aula com o 8º ano das 15:30h às 16:45h. É a última aula da semana e os alunos geralmente têm grandes dificuldades em se concentrarem nesta aula.
Houve uma sexta-feira em que calhou simultaneamente a lição 100 e aula de revisões para o teste. Alguns alunos entraram eufóricos na sala com vontade de “festejar” a lição 100. Outros no entanto mostraram-se interessados em tirar algumas dúvidas que tinham na matéria. Compreendi o entusiasmo dos alunos que pretendiam “festejar” a lição 100, mas não podia prejudicar aqueles que queriam fazer revisões. Tomei na altura uma decisão que me pareceu um pouco arriscada mas que até correu bem. Disse aos alunos que não queriam fazer revisões que fossem para as últimas mesas conversar baixinho ou fazer outro tipo de actividades, desde que não prejudicassem os colegas. Aos outros alunos pedi que se sentassem nas mesas da frente para que pudéssemos comunicar mais facilmente. Cerca de metade da turma decidiu tirar dúvidas, a outra metade foi para o fundo da sala fazer jogos e conversar baixinho. O que me espantou mais foi o facto de os colegas que não quiseram fazer revisões terem respeitado os outros, fazendo sempre o mínimo de barulho possível. Aliás esta aula acabou por ser mais sossegada que a maioria das aulas com esta turma nas sextas-feiras.
Obviamente que não se pode utilizar esta estratégia todas as aulas, no entanto como estava numa situação particular, a lição 100, decidi deixar ao critério dos alunos o que fazer nesta aula.

António Miranda

Por JVarandas @ 11:32 AM | CComentários (2)

Testes dois a dois, inteligência a dobrar…

Caros colegas, chegando agora ao fim mais um período, e constatando eu, que este decorreu de uma forma mais positiva que o anterior, é importante reflectir e perceber algumas das causas para essa melhoria… Claro que me estou a referir essencialmente a aspectos de avaliação, e este período foram alguns os novos instrumentos que utilizei (tal como a minha colega!) para avaliar os alunos, quer os do 8ºano, quer os 10ºano… desde de testes por níveis (com diferentes graus de dificuldades dentro da mesma turma), passando por testes de uma duração mais curta, até testes a pares… e é destes últimos que eu vos quero falar um pouco! Visto que os resultados não estavam a ser, tal como no 1ºperíodo, nada famosos, resolvi no 2ºteste do 10ºano, fazer um teste que fosse resolvido em díades, testes esses que também foram feitos por níveis! Os alunos fizeram os testes, e eu com uma grande curiosidade, tratei de os corrigir logo no próprio dia… mas que espanto… que notas espantosas… dois alunos que tiveram no 1ºteste 13 e 14, tiveram neste 20 (!) e outros que tinham tido 7 e 8, tiveram agora 17 (!)… só para citar alguns exemplos… eu que tinha tido no 1ºteste do ano uma positiva, no 2ºteste duas positivas e no 3ºteste três positivas, tive agora com este sistema 8 positivas! Será que ficaram mais inteligentes? Qual ou quais poderão ser os motivos que justificam o facto de um aluno que nunca passou de 7 valores num teste e outro que nunca passou de 8 valores num teste, tirem agora em conjunto uma nota de 17 valores? Sabendo eu que o grau de dificuldade não foi substancialmente alterado e que os testes eram bem “grandinhos”, só consigo ver um motivo para que tal facto pudesse ter acontecido: responsabilidade! Os alunos devem ter sentido que não podiam, nem deviam prejudicar os “seus” colegas de teste, mostrando-se assim mais responsáveis do que aquilo que sempre mostraram até aqui… quando perguntei aos alunos o que tinham achado deste tipo de testes e ainda antes de entregar os respectivos testes, o tal aluno do 7, acima citado, disse: «Eu gostei…pelo menos desta vez estudei!» Por esta razão, achei importante partilhar com vocês esta experiência bem positiva… não é decerto um milagre, mas podem acreditar, testes dois a dois, inteligência a dobrar! Bom trabalho para todos!

Valter Carlos

Por JVarandas @ 11:30 AM | CComentários (3)

fevereiro 12, 2005

TODOS CALADOS!

A história que eu vou contar passou-se no dia em que estava a leccionar a multiplicação de números inteiros relativos, no 7ºano.
A turma encontrava-se bastante agitada. Desde o início do 2º Período constatei que o comportamento da turma estava pior em comparação com o 1º Período. Eu estava bastante aborrecida com a turma, pois não estavam com atenção, e disse-lhes que o próximo que falasse, levava um recado no caderno para o Encarregado de Educação.
Entretanto, virei-me para o quadro para sintetizar os vários exemplos que tinham sido efectuados sobre a multiplicação de números inteiros e, de repente, para meu espanto, oiço um grande silêncio na turma. Quando olho para trás, vejo cinco alunos com a boca colada com fita-cola. Tinha sido a forma encontrada por eles para ficarem calados.
Enquanto professores, como teriam reagido numa situação desta?

Alexandra Espadaneira

Por JVarandas @ 02:56 PM | CComentários (8)

fevereiro 09, 2005

A raiz cúbica…

Na unidade conhecer melhor os números, no 7º ano, foi ponderada a hipótese de trabalhar a raiz quadrada numa aula e a raiz cúbica noutra. No entanto esta ideia foi abandonada pois pensámos que os alunos rapidamente dariam o salto para a raiz cúbica. Como o aproveitamento da turma até é relativamente bom, apesar de ser um pouco irrequieta pensei que não existiriam problemas. A previsão mostrou-se errada!
Durante a aula, depois de falar sobre a área do quadrado associando-a à raiz quadrada estava a falar sobre o volume do cubo. Tentava puxar pelos alunos para ver se chegavam à raiz cúbica. A certa altura, houve uma aluna que exclamou: “se calhar há uma raiz cúbica!”. O meu objectivo estava alcançado. O que a aluna disse transmitiu-me confiança e segurança para continuar a aula. Gostaria de referir que esta é uma aluna de nível 4.
Infelizmente foi apenas uma aluna a fazer o tal comentário. Os restantes elementos da turma sentiram bastantes dificuldades na compreensão da raiz cúbica.
Deixo uma sugestão, caso ainda não tenham leccionado a raiz quadrada e a raiz cúbica não o façam na mesma aula!! Explorem e trabalhem bastante a raiz quadrada e só depois passem para a raiz cúbica.
Para quem já leccionou esta matéria gostava de saber como foram as vossas experiências.

Susana Alves

Por JVarandas @ 11:48 AM | CComentários (2)

fevereiro 08, 2005

Um por todos e todos por um...

Na minha turma do 10º ano, quando chegou a altura de estudar as funções afins, nomeadamente analisar as influências que o declive e a ordenada na origem têm nos gráficos, eu e o meu colega achámos que seria interessante que nessa aula houvesse exploração por parte dos alunos, com utilização das calculadoras gráficas. Para assentar melhor as ideias pensámos em usar o Geometer’s Sketchpad. Portanto o nosso plano de aula era, depois de explicar o que é uma função afim, dividi-los em grupos de trabalho, dar a cada grupo um pequeno guião onde só pediamos que fizessem variar os parâmetros referidos e no fim apresentar aquilo que seria o elemento principal da aula: tinhamos um ficheiro de Geometer’s Sketchpad com um gráfico de uma função afim onde podiamos fazer variar o declive e a ordenada na origem e ver como é que o gráfico mudava. Para nós esse momento seria essencial, pois permitia uma visualização dinâmica do que estava ali em causa. Já que iriamos utilizar o computador, pensámos que a explicação inicial do que era uma função afim poderia ser feita em Powerpoint, pois seria algo novo para eles e aproveitámos a oportunidade de utilizar esse recurso.
No dia anterior testámos tudo, quer a apresentação dos slides quer a do ficheiro do Sketchpad, para que nada falhasse na aula. Devo acrescentar que a aula iria ser assistida pela orientadora da escola e pelo professor José Manuel Varandas.
No próprio dia cheguei cerca de vinte e cinco minutos mais cedo para poder ir para a sala e organizar o material (era a primeira aula do dia). Quando cheguei o meu colega disse-me que tinha havido um problema e não havia data-show. Nós tinhamo-lo requisitado desde o dia anterior mas a funcionária tinha-se esquecido que naquele dia, à hora da minha aula, ia haver uma conferência na biblioteca e o data-show ia ser necessário. Quando ele me disse isso pensei que estava a brincar comigo, mas depois percebi que era verdade. Fiquei sem reacção. Como é que eu ia transformar aquela aula? Não poderia utilizar nenhum material, apenas a calculadora gráfica. Fiquei nervosa, porque apesar de saber que os orientadores iriam perceber a situação, senti que a aula já não iria funcionar, não só pela falta dos recursos como também pelo meu estado de “o que é que eu faço?”. O meu colega contou-me que havia a hipótese de ir buscar um data-show ao centro de formação de Torres Vedras, mas nervosa como estava e já com pouco tempo nem sequer pensei nisso. Mas a minha aula foi salva. Praticamente a 5 minutos da aula começar, o meu colega foi ele próprio ao centro de formação buscar o data-show, apesar de eu insistir para que não fosse, porque “logo me desenrascava” e não queria que ele estivesse com esse trabalho. Ele insistiu e lá foi. Resultado: chegou à minha aula passados cerca de 10 minutos do início desta, cansadíssimo e a correr, montou tudo enquanto eu explicava no quadro o que era a função afim. Graças a essa acção dele consegui mostrar o principal da aula, a animação no Sketchpad. Penso que o que ele fez é um exemplo para todos nós que trabalhamos em equipa, juntos para um fim comum. Obrigada, Valter.

Lara Sanches

Por JVarandas @ 10:52 PM | CComentários (2)

janeiro 25, 2005

Um aluno exigente...

Desde o início do ano lectivo que reparei na existência de um aluno na minha turma do 8º ano que se destacava dos restantes colegas, a nível da participação, da compreensão e do interesse que demonstrava nas aulas. Tenho outros alunos bons, mas aquele posso dizer que é, de facto, excepcional. Parece-me que é normal pensarmos que alunos como aquele não trazem qualquer problema aos professores, pelo contrário, muitas vezes poderíamos pensar que deviam ser todos como ele. No entanto não é bem assim e a verdade é que sinto que ele causa alguns problemas com os quais ainda tenho dificuldade em lidar, e é nesse sentido que gostaria de ouvir as vossas opiniões e sugestões.
Quando peço para fazerem exercícios ele acaba-os muito antes dos colegas e depois exige a minha atenção para saber sempre um pouco mais: “Então e se aqui fizesse antes desta maneira...?”, “Porque é que é assim e não de outra forma?”, etc. A minha orientadora sugeriu que eu tivesse sempre uns exercícios mais difíceis de reserva para lhe dar e dessa forma deixá-lo-ia desenvolver e explorar certos aspectos que lhe poderiam satisfazer aquela necessidade urgente de saber sempre mais. Achei uma boa sugestão, no entanto o meu maior problema surge nos momentos em que estou a explicar qualquer coisa à turma, porque ele absorve tudo de uma forma extraordinária e coloca questões que não posso ignorar, o que pode levar a momentos em que o resto da turma fique em stand-by à espera que eu responda às perguntas que ele vai fazendo, o que é uma situação que, como devem imaginar, não me agrada nada. Quando me descuido e lanço perguntas para a turma, é sempre a voz dele que se ouve. O meu problema aqui é conseguir encontrar uma solução que não prejudique ninguém. Como conseguir dar-lhe a atenção que precisa, porque não quero de modo algum bloquear a curiosidade e o interesse dele, e ao mesmo tempo não prejudicar a turma?

Lara Sanches

Por JVarandas @ 12:15 AM | CComentários (6)

janeiro 03, 2005

Um sistema mais simples tornou-se complicado

Tenho uma turma do 9º ano de escolaridade e para esse ano, consta, no
programa, a resolução de sistemas de duas equações do 1º grau a duas
incógnitas através do método de substituição. Penso que grande parte dos
alunos desta turma entenderam o método de resolução de sistemas, pois
foram-lhes indicados todos "os passos que deviam seguir" para concretizarem
o método e consequentemente resolverem o sistema.
Na elaboração do teste de avaliação , foi sugerido que iria ser apresentado
um sistema muito simples e outro de resolução mais "elaborada". Desta forma,
um sistema simples foi construído de forma a que a primeira equação fosse "x
= y", o objectivo seria os alunos "pegarem na outra equação e no lugar do x
colocar y (ou no de y colocar x) e assim, só resolverem esta em ordem a
única variável que teriam. Mas não foi o que aconteceu! Grande parte dos
alunos não resolveram o sistema! Eles não souberam isolar uma variável que
já estava isolada! No entanto, resolveram o segundo sistema que tinha um
aspecto mais complicado! Este -me reflectir na pormenor fez na aprendizagem
dos alunos e no modo como, por vezes, simplificar, para nós, pode ser
complicado para eles!

Maria José Correia

Por JVarandas @ 07:15 PM | CComentários (5)

Stôr, isto é lixado…

Isto passou-se numa turma muito irrequieta, barulhenta e desinteressada. Já tinha experimentado muitas coisas naquela turma, mas ainda não tinha feito nada que considerasse que tivesse resultado particularmente bem e pudesse ser uma receita a repetir. Tinha decidido para aquela aula começar por conversar com eles, tentar chamá-los à razão. Tinha ponderado muito como havia de fazê-lo, mas a verdade é que não tinha chegado a uma conclusão de como deveria iniciar e conduzir essa conversa…
Após o toque de entrada, os alunos entraram na sala de aula no reboliço habitual e eu, ainda duvidoso de como deveria fazer, optei por começar por me sentar nos lugares de trás, ao lado de um aluno. Esse aluno ficou perplexo e os outros, à medida que se apercebiam do mesmo, ficaram um bocado desorientados por me verem ali atrás. Então um aluno, em torno do qual até é usual gerar-se alguma destabilização da aula, perguntou-me se podia fazer de professor e ir dar a aula! Fui surpreendido por aquela atitude, pois aquela turma é conhecida pelo desinteresse, e aquele aluno, desde o início das aulas, procurava evitar ao máximo ir ao quadro. Assim sendo, fiquei extremamente curioso sobre qual seria não só a sua atitude como também a dos colegas, e autorizei-o a ir para o quadro começar a aula.
O aluno levantou-se, dirigiu-se ao quadro e começou a corrigir os primeiros exercícios, incluindo alguns que não tinha mandado fazer! Os colegas tiveram uma reacção inicial de estupefacção por aquilo estar a suceder (também por ser o aluno que era, julgo eu). Sempre embarcando um pouco naquele teatro, não deixei de coordenar a explicação da resolução daqueles exercícios (o aluno tinha-os resolvido mas tinha dificuldade em explicá-los) a partir do “meu lugar”. A postura dos colegas, após a reacção inicial de estupefacção, variou, com alguns a começarem a fazer barulho, mas outros a demonstrarem um interesse pelo que estava a ser feito no quadro que me surpreendeu. Foi interessante, quando os colegas começaram a fazer mais barulho, ver o aluno no quadro a pedir-lhes que se calassem (para surpresa dos colegas, mas com resultados significativos), sendo ele um aluno que eu tantas vezes tivera de chamar a atenção. A dificuldade em conseguir a atenção dos colegas levou a que o aluno em causa se virasse para mim e me dissesse “Stôr, isto é lixado!”.
Isto foi apenas o princípio da aula, havia conteúdos a leccionar, pelo que mal acabou a correcção dos exercícios, eu assumi as rédeas da aula e o aluno regressou ao seu lugar. Não foi a melhor aula desta turma no que se refere ao comportamento, mas, naquele momento, vi um entusiasmo nalguns deles (nomeadamente naquele que estava no quadro) que nunca tinha visto. De tal modo isto marcou alguns dos alunos, que contaram aos alunos da minha outra turma, que me vieram pedir para fazer o mesmo na aula deles.

Hugo Marques

Por JVarandas @ 07:13 PM | CComentários (2)

Como no TotoMilhões!!

Ao corrigir o primeiro teste do 7º ano de escolaridade reparei que quase ninguém tinha conseguido resolver correctamente na totalidade a pergunta relativa à posição relativa entre rectas e planos. Uns não tinham nada bem, outros apenas um ou duas, outros no máximo três, mas ninguém teve a cotação toda, facto que me deixou bastante preocupado. O exercício tinha a figura com a forma de uma pequena casa e pedia que, utilizando as letras que lá se encontravam, um par de rectas paralelas, um par de rectas concorrentes não perpendiculares, dois planos paralelos, dois planos perpendiculares e ainda duas rectas perpendiculares. Na minha óptica não é um exercício difícil, mas tendo em conta que os alunos só agora começam a desenvolver a sua capacidade de visualização espacial, este simples exercício poderia não ficar tão simples. E foi o que se verificou, pois, como já disse, quase ninguém resolveu a pergunta na totalidade.
Pelo que observei ao corrigir os testes, os alunos, ou a grande maioria decidiu fazer como no “TotoMilhões” colocar dois pares de rectas quaisquer para ver se dava. Só assim consigo explicar alunos que me responderam bem nas rectas paralelas e depois para as rectas perpendiculares terem colocado outro par de rectas paralelas. Isto mostra que os alunos não compreenderam o conceito de paralelismo, tentando colocar letras ao calhas para ver se acertavam.
Durante a correcção do teste insisti bastante nesta pergunta, voltei a explicar os conceitos, recorri aos exemplos que existem na sala de aula, até levei uns sólidos transparentes para os alunos me dizerem pares de rectas paralelas, perpendiculares, concorrentes, etc…
Senti que ficaram a perceber um pouco melhor mas ainda assim não tão bem como gostaria.
Gostava de ouvir outras sugestões, ou se acham normal isto acontecer se é mesmo assim? Como ajudo os alunos a ultrapassar melhor esta dificuldade?

Frederico Inácio

Por JVarandas @ 07:10 PM | CComentários (3)

Pergunta inesperada

Na aula de hoje com a minha turma do 8º ano, fui confrontada com uma pergunta inesperada por parte de um aluno, pelo menos neste nível de escolaridade.
Ao fazer um exercício onde estava indicado que a altura era determinado em função do antebraço sabendo que a altura era 1,8m. Eu no quadro indiquei 1,80m, ao que os alunos começaram, a dizer que estava mal, e questionaram: “Oh stôra, não é 1,8m?”
Eu disse-lhes que era igual pois um zero à direita da virgula, depois dos algarismos pode desaparecer e dei o exemplo de 0,5 e 0,50 perguntando qual o maior. A maioria dos alunos disse que eram iguais, mas o aluno em questão continuava a dizer que o maior era o 0,50, então pedi-lhe para agarrar na máquina de calcular e para fazer 0,50-0,5 e ver quanto é que era o resultado desta conta. O aluno ficou surpreso ao ver zero e disse “Ah! Então são iguais”. E eu depois perguntei qual é que era maior, 0,60 ou 0,6 e toda a turma disse que eram iguais. Assim, voltei a perguntar se 1,80 e 1,8 eram ou não iguais, ao que o aluno rapidamente me respondeu que sim.
Optei por colocar este pequeno episódio, pois considerei muito interessante mostrar esta questão, que não tinha previsto como uma potencial dificuldade na resolução deste exercício com alunos do 8º ano de escolaridade.

Teresa Riso

Por JVarandas @ 07:07 PM | CComentários (1)

dezembro 09, 2004

Trinca Espinhas...

Optámos por partilhar esta experiência de aula em conjunto porque resultou de uma actividade que foi desenvolvida nas turmas de 7º ano que leccionamos.
Esta experiência centra-se na utilização do programa Trinca Espinhas, cuja utilização recorre ao conceito de divisor, podendo-se relacionar não só com o estudo de divisores como também com o estudo de múltiplos e números primos.
Achámos que era interessante a utilização deste jogo, contudo, verificámos que não era fácil encontrar uma sala de computadores disponível para o efeito. Por outro lado, as salas de computadores não oferecem as condições ideais para aulas que não se centrem na utilização dos computadores e, não pretendíamos dedicar a totalidade de uma aula de 90 minutos para a exploração deste jogo. Por isso, como a escola dispõe de várias calculadoras gráficas, criámos um programa análogo ao Trinca Espinhas e inserimo-lo em 10 calculadoras, que levámos para as aulas.
Os alunos ficaram pasmados e depois radiantes quando lhes entregámos as calculadoras com o jogo. Para que a sua exploração não se resumisse a brincadeira e de forma a orientar os alunos, pedimos que elaborassem uma composição em que respondessem a algumas perguntas.
Os alunos envolveram-se de forma entusiasmada na exploração do jogo. Desenvolveram raciocínios envolvendo números primos e divisores de forma lúdica.
Verificámos que nem todos os alunos interiorizaram o objectivo da utilização deste jogo, contudo, a sua grande maioria desenvolveu estratégias e fez conjecturas sobre como ganhar ao Trinca Espinhas.
Foi gratificante para nós quando, no final da aula, vários alunos manifestaram interesse em poder jogar em casa. Neste sentido cedemos-lhes o programa para o computador. Passados alguns dias, alguns alunos vão-nos contando os seus progressos para vencer o Trinca Espinhas.

Hugo Marques e Susana Alves

Por JVarandas @ 03:27 PM | CComentários (5)

novembro 28, 2004

As Pedras que … roubam!

Na passada semana, levei a minha turma do 8ºano, a visitar a exposição “Pedras que Jogam” que se encontrava no Museu Municipal Leonel Trindade. A turma era inicialmente agitada, com falta de princípios de como se deve estar dentro de uma sala de aula, mas vem melhorando e posso considerá-la hoje, uma turma, bastante boa a nível de comportamento… Visto que essa aula, foi uma aula de exterior, como terá sido o comportamento deles? A resposta é… quase perfeito... Todos souberam comportar-se no caminho que ligava a Escola ao Museu, no entanto ao entrarmos neste último, alguns deles esqueceram algumas regras! Tomar atenção às explicações que estavam a ser dadas é mentira, depois debruçavam-se sobre as vitrinas que tinham as pedras, vitrinas de vidro…que paciência que eu tive ter, sempre chamando esses elementos a razão… mas a maioria, não, interessados, ouviram tudo ate ao fim e claro, cheios de pressa para porem as mãos nos jogos e jogarem… ouviram algumas regras, e pronto… lá se sentaram e começaram a jogar… é claro que não dava para estarem todos a jogar ao mesmo tempo, e uns iam vendo os outros… a sala da exposição era num 2ºandar, e no jardim, haviam mais mesas e mais jogos… Eu acompanhei alguns deles até ao jardim, e eles começaram também... Mas enquanto isto, 3 ou 4 alunos que pouco ou nada ouviram, andavam pelo Jardim, a “tentar” destabilizar! Regressamos à Escola… e quando chegamos, fomos direitos a sala, onde os alunos deixaram as malas. Todos lá dentro, eu pedi que fizessem um relatório, até que a professora de Francês, que nos havia acompanhado, me diz: “Havia um aluno que tinha trazido pedras do Museu, eu vi e fui lá com ele entregar, mas há mais alunos que fizeram o mesmo e que têm pedras!” – bem, eu fiquei extremamente chateado, chateado é pouco... tinham traído a minha confiança, e isso eu não posso desculpar… pedi-lhes que colocassem em cima da mesa as pedras, e que caso não o fizessem faria uma participação de TODOS à Directora de Turma e posteriormente ao Conselho Executivo! Claro que houve logo alunos a barafustar, visto não terem qualquer interferência no assunto, mas apesar de eu até poder estar “do lado” deles, mantive sempre a minha posição…até que de repente tive uma ideia, que penso ter sido boa, que foi dizer-lhes: «Eu e a professora de Francês, vamos sair aquela porta e dentro de dois minutos voltamos a entrar, se as pedras não estirem na minha secretária, farei aquilo que vos acabei de dizer!». Saímos e ainda não tinha passado um minuto, e já estavam a abrir a porta… e quando não é o meu espanto, em cima da mesa, estavam 6 (!) pedras (azuis e brancas), o que me levou a crer, não ter sido apenas uma pessoa a ter feito aquilo… Depois deixei-os sair, e no dia seguinte tive de novo aula, mas não dei muito mais alarido a esta situação… Eu sinto que não posso ser injusto para todos os outros que se portaram muito bem, mas não apetece leva-los a mais lado nenhum… ficará para sempre na minha memória, que a primeira visita de estudo (ou melhor, aula de exterior!) que acompanhei, foi à exposição “As Pedras que… roubam!

Valter Carlos

Por JVarandas @ 07:49 PM | CComentários (5)

novembro 02, 2004

A Cadeira do professor!

Naquele dia iniciei a minha aula de 10º ano com a correcção de um exercício que tinha sido resolvido na aula anterior pelos alunos. Comecei por solicitar que um voluntário fosse ao quadro corrigir o exercício. Vários alunos levantaram o braço e eu escolhi o Marco (nome fictício). Esse aluno é um aluno bastante irrequieto, sendo necessário abordá-lo várias vezes durante as aulas para que tenha um comportamento mais correcto. O aluno dirigiu-se para o quadro e começou a escrever. A aula decorria normalmente, com algum burburinho, mas nada que não fosse normal numa turma constituída por 29 alunos. Entretanto uma aluna chamou-me para tirar uma dúvida. Eu dirigi-me a essa aluna, tendo ficado de costas voltadas para o quadro enquanto esclarecia a dúvida. De repente, comecei a ouvir um burburinho fora do normal. Olhei imediatamente para o quadro e deparei-me com uma “cena” não muito agradável. O Marco tinha tirado a “minha” cadeira (que é daquelas do género das que existem nos escritórios, com rodinhas) do seu lugar, fazendo-se passear em cima dela em frente ao quadro. Toda a turma estava a comentar a situação, havendo vários risos. Eu dirigi-me para a porta, abri-a, e disse: “SAI!!!”. O aluno não ofereceu qualquer resistência, tendo saído de imediato.
Os momentos que se seguiram foram terríveis para mim. Estava mais nervosa do que na primeira aula que dei. Só pensava: “Será que tomei a atitude certa? Será que era motivo para convidar o aluno a abandonar a sala de aula?”
O resto da aula decorreu normalmente.
Mais tarde, falei com pessoas com alguma experiência de ensino, que me disseram que eu tinha reagido bem, pois se tivesse “fechado os olhos” aquela situação, a mesma poderia voltar a repetir-se e o controlo da turma seria cada vez mais difícil. Para além disso o aluno perturbou o normal funcionamento da sala de aula, tendo levado toda a turma a concentrar a atenção na sua atitude.
Gostaria de ouvir mais opiniões sobre este caso, pois foi o que mais me marcou desde que comecei a leccionar e ainda tenho algumas dúvidas se a minha atitude terá sido a mais correcta.

Gisela Palrão

Por JVarandas @ 03:27 AM | CComentários (7)

outubro 24, 2004

Três Certinhos...

No dia 15 de Outubro, iniciei com a minha turma do 7º Ano o tema Sólidos e Volumes. Para esta aula levei um conjunto de Sólidos de Enchimento, para que os alunos tivessem um contacto mais próximo com os elementos e para realizar uma pequena experiência que consistia em verificar a relação de volume entre um prisma e uma pirâmide com a mesma base e altura. O mesmo seria feito para o cone e o cilindro.
Comecei por falar dos volumes do Cubo e dos prismas. Ao mesmo tempo em que fazia isto, mostrava os respectivos sólidos aos alunos, para além de os desenhar no quadro, para facilitar a compreensão. A minha ideia era que os alunos associassem os conceitos, aos sólidos que estavam a ver e que iriam ficar “gravados” na sua memória visual, já que pelo que me disseram nunca tinham contactado com os sólidos, só em desenhos.
Finalmente cheguei à experiência. Seria preferível ter um conjunto de 5 prismas e 5 pirâmides, para poder formar grupos de alunos, sendo eles próprios a realizar a experiência. Mas como não havia disponibilidade de material, nem de tempo, tive de ser eu a realizar a experiência, para todos verem e tirarem as conclusões. Foi engraçado ver as caras de admirados dos alunos, pois não estariam à espera de ver um número certo. Houve mesmo uma aluna, a qual nunca a tinha ouvido participar, que disse mesmo “Três certinhos!”. Fiquei bastante satisfeito quando perguntei o que aquilo queria dizer e um coro de vozes respondeu-me “quer dizer que o volume da pirâmide é três vezes mais pequeno do que o do prisma”. Então, sem dificuldade, concluíram que sendo o volume do prisma = Área da base * Altura, o volume da pirâmide obtinha-se dividindo por três a fórmula anterior.
Só a gestão do tempo é que foi um desastre, pois com estas experiências, fiquei sem tempo para fazer tudo o que tinha planeado, mas acho que valeu bem a pena.

Frederico Inácio

Por JVarandas @ 06:28 PM | CComentários (3)

outubro 23, 2004

Alguns comentários…

Hoje, dia 22 de Outubro de 2004, dei mais uma aula à turma do 9º ano. Trata-se, na minha opinião, de uma turma agitada. Tenho de estar sucessivamente a chamar a atenção: ou estão na conversa, ou viram-se para trás ou não se sentam correctamente. Apesar de tudo, e se até à data não havia tido grandes problemas, hoje eles chegaram. Considero que a primeira lição (do bloco de noventa minutos) correu dentro da normalidade. Contudo, quase no final da segunda lição apercebi-me que um aluno tinha feito um comentário a um colega. Infelizmente, apenas ouvi a resposta que o colega deu ao dito comentário. A saber: “o teu pai é um boi”. Como podem imaginar a confusão instalou-se. Questionei ambos os alunos no sentido de tomar conhecimento dos comentários que haviam feito e resolver a situação mas não fui bem sucedida. Já um pouco desesperada, confesso, e na tentativa de resolver o assunto de forma justa acabei por perguntar à orientadora da escola (que, por acaso, foi hoje assistir à aula e estava sentada perto do aluno) qual tinha sido o comentário inicial. A professora não mo disse (explicando-me, quando a aula terminou, que tenho de ignorar completamente a sua presença na sala) e então acabei por tomar uma medida drástica (embora talvez não a mais correcta). Pedi aos dois alunos para abandonarem a sala, o que só fizeram após alguma insistência da minha parte e alguma discussão. Pedi-lhes também que no final da aula viessem à sala para termos uma conversa no sentido de resolver a situação. Surpreendentemente, eles apareceram. Conversámos, cada um apresentou o seu ponto de vista e pediram desculpa. Contudo, não tendo a certeza do que realmente se passou acaba por ser complicado perceber se a situação está ou não definitivamente resolvida.
Ainda que discordem da atitude que tomei, gostaria que a comentassem e que apresentassem o vosso ponto de vista.

Dora Barata

Por JVarandas @ 02:16 PM | CComentários (4)

outubro 21, 2004

A Estalada!!!

No dia 19 de outubro tive a minha primeira aula assistida pela orientadora da escola. Até achei que os meus alunos se estavam a portar muito bem! No entanto, quase no fim da aula enquanto se resolviam exercícios e eu andava pelas carteiras dos alunos a retirar algumas dúvidas, ao ouvir barulho, embora muito pouco, virei-me para trás. Fiquei chocado com o que vi! Uma aluna levantou-se, calmamente, aproximou-se de uma colega virou-lhe a cara, deu-lhe uma estalada (aparentemente sem razão alguma) e voltou a sentar-se sem fazer muito ou quase nenhum barulho! Eu, por acaso e só porque me virei, assisti a tudo embora não tivesse tido tempo de impedir este acto! Tanto a orientadora como o meu colega de estágio nem se aperceberam do que se tinha passado, assim também como alguns alunos! O que eu queria deixar em questão era o seguinte: Se fosse com vocês, como procederiam? Não digo como o fiz pois gostaria de não influenciar os vossos procedimentos, e prometo no final desta discussão dizer o que fiz!

Zeca

Por JVarandas @ 05:22 PM | CComentários (6)

outubro 15, 2004

O Erro

Na minha segunda aula com a turma do 8º ano, fazia exercícios sobre simplificação de expressões algébricas com termos semelhantes e surgiu uma dúvida geral. A turma não sabia operar com fracções. Decidi então fazer um pequeno “parênteses” na matéria e explicar esta dúvida, pois considerei muito importante, não só para a resolução dos restantes exercícios, mas também para o futuro dos alunos. Depois de várias explicações consegui que a maioria da turma compreendesse. No entanto, uma aluna continuava sem entender. Decidi então chamá-la ao quadro para ser ela a resolver o exercício seguinte e ver se conseguia fazer com que ela percebesse. A aluna fez alguns erros mas penso que ficou a compreender como se adiciona fracções.
O problema é que enquanto a aluna estava no quadro a tentar resolver o exercício e a cometer alguns erros, a aluna estava também a ser alvo de críticas por parte de alguns colegas. Claro que tentei acalmar a situação, pois errar não deve ser encarado de uma forma negativa.
Prossegui com a minha aula, e no final deu-me a impressão que a aluna tinha estado a chorar. Dirigi-me a ela e tentei acalmá-la, dizendo-lhe que não havia problema em errar, que a tinha chamado ao quadro para ela entender melhor a sua dúvida e não para fazer com que ela fosse criticada.

Fiquei depois a pensar se teria sido a melhor opção pedir à aluna para ir ao quadro resolver um exercício onde eu logo à partida já sabia que ela ia ter dificuldades.

Teresa Riso

Por JVarandas @ 09:15 PM | CComentários (9)

setembro 24, 2004

Episódio na 2ª aula com uma turma de 8º ano

Sensivelmente a meio da aula (estava na altura a ajudar uns alunos a perceber um exercício) reparei que uma aluna se tinha levantado do seu lugar sem a minha autorização. Chamei-a e disse-lhe que quando se quisesse levantar teria que me pedir permissão. Ela não entendeu as minhas intenções e levou a minha reacção a mal. Sentou-se no lugar visivelmente irritada e amarrotou o papel no qual estava a tirar apontamentos sobre a aula, ao mesmo tempo arrumava as suas coisas na mochila. Dirigi-me calmamente a ela e expliquei-lhe que ela se poderia ter levantado do seu lugar caso me tivesse pedido autorização. De novo ela não compreendeu e disse algo que não consegui compreender. Tive a sensação que me insultou e nessa altura passou-me pela cabeça mandar a aluna para a rua. Acabei por não o fazer. Nessa altura disse-lhe que não estava chateado com ela, apenas a estava a avisar para uma regra que tem que ser cumprida na sala de aula. Ela continuou a barafustar, no entanto desta vez não me faltou ao respeito. Perguntei então para toda a turma se alguém me tinha visto a tratar mal a aluna em questão. Todos responderam que não e houve mesmo uma colega que lhe disse para ela ter calma. Nessa altura disse-lhe apenas para permanecer na aula mesmo que não quisesse resolver os exercícios e problemas que tinha proposto anteriormente. O resto da aula prosseguiu sem mais sobressaltos e perto do final questionei toda a turma sobre como se resolvia uma equação que estava no quadro. Qual foi o meu espanto ao ouvir a aluna em questão a tentar responder. A sua resposta não estava certa, mas aproveitei para lhe dar um pequeno incentivo.
Quando a aula terminou fui perto dela para conversar um pouco. Questionei-a como faria ela caso fosse professora e os alunos estivessem todos de pé. Penso que ela acabou por compreender a situação.
Amanha vou ter aulas com esta turma novamente. Estou bastante curioso quanto à participação e postura na aula desta aluna.

António Miranda

Por JVarandas @ 10:42 AM | CComentários (14)

BOAS VINDAS!

Caros alunos,
Este é um espaço em que podemos trocar ideias e comentar as histórias que nos vão sendo apresentadas. Cada história corresponde a um episódio que se passou na aula e que, de qualquer modo, vos fez pensar e que gostariam de saber outras opiniões.
Dado que corresponde a uma parte de uma aula, numa dada turma que desconhecemos, é natural que surjam algumas duvidas acerca do contexto e das características da turma. Este aspecto não deve ser impeditivo de darmos a nossa opinião e de colocarmos as nossas questões.
Espera-se nos comentários uma linguagem coloquial e correcta...

Bom trabalho

Por JVarandas @ 10:28 AM | CComentários (0)