setembro 09, 2003

Conto: O Olhar de M. (conclusão)

Finalmente... após um atraso causado pela falta de tempo e a correrria que tem sido uma constante na vida desses autores esquisitos nos últimos tempos, aqui publicamos o final de O Olhar de M.

O Blog Esquisito está repensando a si mesmo... está refletindo sobre a experiência e buscando melhorar. Por isso, qualquer sugestão, críticas, comentários (e elogios... por que não?) dos leitores serão bem vindos...

O projeto Toca e Foge continua vivo, com publicação irregular dependendo do ritmo de produção dos participantes...

Quanto a nós, descansamos por alguns dias... enquanto isso vamos pensando que outras coisas esquisitas vamos inventar por aqui...

Obrigado aos que nos leram, aos que comentaram, aos que se inscreveram em nossa lista de notificações demonstrando o interesse em nossa idéia.

Aguardem!... novidades virão...

O Olhar de M.

(...)

Saiu daquele apartamento sob os olhares atentos de quinze gatos e seus passos foram ouvidos com atenção, como se sua força estivesse sendo medida.
Voltou à rua mergulhado em confusão. Sabia o que fazer, mas não conseguia imaginar o caminho que levava até esse final. Alguém poderia imaginar?

O próprio P. se surpreenderia.

*

P. morreu.

M. morreu também.

E isto não é novidade para si, leitor, pois não? Você já sabia que P. morreria (ou morrera?), e suspeitava também que o mesmo aconteceria (ou acontecera?) a M. — estou enganado?

Hesito em descrever o que quer que seja sobre as suas mortes, o melhor seria deixar essa tarefa à sua imaginação, leitor, mas ainda assim algo direi, ainda que pouco, muito pouco. E não é que você precisasse de ouvir, leitor, mas sim que a mim me apetece falar.

*

P. morreu na cama, em minha casa, no modesto quarto de hóspedes. Estive ao lado dele até ao fim, que não tardou muito. O médico falou em esgotamento físico irrecuperável. E é tudo o que direi.

M. morreu quando regressava a casa, degolada, um golpe honesto e misericordioso, como o descreveu o patologista que examinou o cadáver. Ninguém viu coisa alguma, quando a encontraram já estava morta. A polícia arquivou o caso por falta de quaisquer indícios, mas a velha cega continua ainda hoje a apontar o seu impossível culpado.

*

P. morreu. Vi-o morrer.

M. morreu. Também a vi morrer!

Leia o texto completo.

Publicado por Esquisito às 05:38 AM
Comments (9)

setembro 03, 2003

Conto: A Cabeça de Medusa: conclusão

"Olhou ao redor e tudo que viu foram estátuas – dezenas delas."

Completamos agora também essa história. Lembramos aos leitores que nos acompanharam, e que estão agora lendo o produto completo de nossa experiência para deixarem comentários, sugestões... essas serão o combustivel para os futuros novos desenvolvimentos do Blog Esquisito....

A Cabeça de Medusa

(...)

Quando acordou, ergueu-se de um salto e olhou ao seu redor com atenção. Medusa já não estava à vista, e a sombra do templo estendia-se agora como um manto. Um vento frio carregava o cheiro da solidão. Olhou ao redor e tudo que viu foram estátuas – dezenas delas. Não apresentavam olhares heróicos e cheios de coragem: cada uma tinha um diferente esgar de medo. Perseu era o único homem vivo naquela multidão de ausentes.

Começou a caminhar em direção ao templo. De princípio não sabia porque o fazia, mas aos poucos a consciência lhe trazia de volta à memória a revelação do passado. Lá dentro estava seu destino. Entrou, deixando para trás uma terra desolada. O castigo da deusa Atena era implacável.

Dentro do templo, a pouca luz que entrava pela porta principal mergulhava na escuridão criando a penumbra, iluminando assim seus cambaleantes passos entre as imponentes colunas e as estátuas que, na semi-escuridão, eram mais assustadoras. Adentrou, finalmente, na parte principal do tempo, ampla e fracamente iluminada por tochas. Os homens convertidos em pedra por Medusa eram fantasmas paralisados entre as sombras. Lá adiante, em frente à gigantesca imagem da deusa Atena, estava o vulto de Medusa. Perseu aproximou-se, ouvindo o crepitar do fogo e, cada vez mais próximo, uma música cantada pela voz dissonante daquela que fora a mais bela. Era a mesma música que, naquele campo distante em que deixara seus familiares, cantara para um estrangeiro.

Aproximou-se cada vez mais, embalado pela canção, seus passos cada vez mais firmes conforme aquele redemoinho voltava, conforme era levado a um passado que não conhecera e, no entanto, definira seu futuro. Aproximou-se e não era daquele monstro assustador que se aproximava – era de uma jovem bela e encantadora que trazia as oferendas para o templo, cabelos louros caindo sobre as costas, vestido branco translúcido sobre a pele delicada. Estava diante de si a jovem de seus sonhos inquietos, de suas noites lívidas. Colocou a mão sobre seu ombro, Medusa virou-se e os olhos se encontraram. Eram os mesmos olhos que tanto imaginara.

Medusa resistiu, sua breve luta surda ecoando pelo templo vazio. Sob os olhos da deusa, sua resistência vencida entregou-se ao impetuoso jovem que ela tanto esperara.

*

Atraída pelo som de passos, Medusa virou a cabeça. Não teve tempo para reconhecer o jovem cuja memória a perseguia em cada instante de sua prisão. Apenas uma estátua estava a sua frente, imóvel como todas as outras.

Daquele dia em diante, a vida voltou à terra de Perseu, o jovem pastor que jamais retornou. Quanto a Medusa, os viajantes ainda contaram sua triste história por algum tempo, com o passar dos anos, foi esquecida, e dela nunca mais se soube.


Leia o conto completo

Publicado por Esquisito às 05:45 AM
Comments (3)

setembro 01, 2003

Conto: Régula - final

medusa-blue.gifAqui o leitor encontra a conclusão de nossa primeira história, Régula: a Rainha Solitária da Terra do Centro. Essa será a semana decisiva do Blog Esquisito... todas as três histórias com que principiamos estão terminando. Ao leitor, que as surpresas reservadas sejam tão interessantes quanto foram para os próprios autores...

Régula: A Rainha Solitária da Terra do Centro

(...) Ergueu-se de imediato e caminhou com determinação até ao nascer do sol.

Régula acordou com a chegada do astro-rei que nunca até então entrara naquele reino sombrio. Na verdade era apenas um fino raio de luz que ousara penetrar no labirinto de espelhos, mas que, multiplicado até ao infinito, tudo iluminava como se fosse o próprio sol. Estava cega, os eus olhos estavam fechados e não os conseguia abrir.

Foi assim que Prônax a encontrou, completamente à mercê da carícia mortal da lâmina curva. Mas ele não viu o monstro, e sim uma mulher bela e doce que sofria. Atirou para longe a faca e guiou Régula para fora do seu reino, regressando com cuidado sobre os seus passos. Quando estavam quase a sair, eis que o ousado raio de luz se retirou tal como tinha entrado, deixando os dois parados numa das antecâmaras do labirinto.

Os olhos de Prónax estavam iluminados de amor — Régula olhou directamente para dentro deles e viu-se em toda a sua beleza e esplendor de outrora. Esboçou um gesto álacre que aproximou os seus lábios dos lábios dele, e nada mais, nada mais ficou do que aquela sala, tudo o resto desapareceu para sempre.

*

Ainda hoje Régula quase aflora os lábios semiabertos de Prónax, e diz quem por lá passou que nunca na vida se viu algo mais belo.

FIM

Ler o texto completo...

Publicado por Esquisito às 11:50 PM
Comments (11)
Histórias em Publicação

 

Segunda-feira:
Régula: A Rainha Solitária da Terra do Centro

Quarta-feira:
Cabeça de Medusa

Sexta-feira:
O Olhar de M

Publicação irregular e caprichosa:
Toca e Foge

 

Toca e Foge...
O que é?...
É o espaço para participação dos leitores do Blog Esquisito...
Uma história coletiva, aberta à todos, em que a regra fundamental é a liberdade...
Não deixe de ler o resultado e aproveite para participar dessa coisa esquisita!

 

 

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