agosto 29, 2003

Conto: O Olhar de M. (7a parte)

Todas as histórias do Blog Esquisito estão na reta final... semana que vem teremos os últimos capítulos....

Nossas cabecinhas já estão funcionando para inventar quais as novas peripécias desse Blog....

Fiquem então com o penúltimo capítulo de O Olhar de M.

O Olhar de M.

(...)

P. desesperou-se. Agora, mais lúcido, percebia que M. havia eliminado suas ilusões. A visão que teve o fez sofrer, mas restaurou-lhe a percepção de si. P. amava M.. Através dela pôde sentir o desejo de se libertar. Como poderia matá-la? Até então julgara-se possuído de um sentimento incompatível com a morte, contrário mesmo a ela. A velha, contudo, foi contundente: tudo aquilo, o lamento solitário na escuridão da noite, o jovem que, desorientado, acabaria recebendo sua ajuda, tudo estivera em seus sonhos durante anos. Sabia exatamente o que iria acontecer e o que precisava revelar para que P. iluminasse seu caminho às custas da vida daquela misteriosa jovem.

-- Ela chegou aqui em silêncio. Evitava o contato com todos pelos corredores. Depois de algum tempo, passou a falar um pouco comigo. E mesmo assim, nas primeiras ocasiões em que falava com ela, sentia uma grande tensão em sua voz, como se ela esperasse algo estivesse para acontecer.

A cega falou de seus sonhos e de como iluminou-se, assim, a história de M., castigada por um amor impróprio, pela perda da pureza, pela descoberta da mentira. Perguntada sobre mais detalhes, calou-se, ou talvez seja P. que não queira me revelar maiores detalhes. Existe uma tristeza indefinível em seus olhos ao me contar essa história, vaga e distante. Qual de nós não carrega consigo seus segredos?

“Hoje M. carrega consigo o espelho para o que há de maldito no homem, o que há de desprezível e avesso à vida. Ela é o espelho que deve ser quebrado, ou teremos medo de nossa própria face.”

P. aprendera a amar a imagem que fizera daquela mulher misteriosa. Essa imagem, contudo, apenas podia devolver-lhe sua pior face, como acontecera naquela noite. Afogava-se na solidão e em todo o sentimento de fracasso que carregava em sua vida. Apenas isso M. poderia significar a ele e a qualquer pessoa.

P. fala com dificuldade daquele encontro e de tudo que se seguiu. Para ele, tudo misturou-se num vago pesadelo de angústias que até hoje não compreende.

Saiu daquele apartamento sob os olhares atentos de quinze gatos e seus passos foram ouvidos com atenção, como se sua força estivesse sendo medida.


(continua...)

Leia o texto completo.

Publicado por Esquisito às agosto 29, 2003 05:47 AM
Comentários

Gente, fantástico em todas as possibilidades interpretativas dessa palavra.
me visitem, qd puderem.
abraços.

Comentado por: Pisciana às agosto 30, 2003 09:14 PM