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terça-feira, 6 de março, 2007

Encerrado ... | espécie: fora de blog

Recomendo este.

jorge b @ 02:16 PM | Obs (451)
segunda-feira, 15 de janeiro, 2007

A cortar o ar ... | espécie: extracções

Foi quando descobri o legado de um antepassado: um estranho objecto, quase cortante, com o cabo em madeira, pintado de preto, com uma ligeira folga na fixação a uma lâmina enferrujada. Vi que estava ali um provisório 'pequeno sentido para a minha vida': recuperar aquele objecto, restaurar o brilho original da sua lâmina, arranjar aquela folga, fazer da catana que agora me pertencia a mais bem afiada catana do mundo. No Aki adquiro bondex para o cabo, e uma pequena maquineta eléctrica que vem com um kit fantástico de pequenos acessórios próprios para restaurar catanas. Após algumas horas de meticuloso trabalho de lixagem, consigo, eis-me orgulhoso detentor do melhor gadget que um individuo pode ter para descarregar stresses acumulados… A palavra de ordem passa a ser cortar em vez de serrar. Aplico a minha ira sobre a madeira, ramos de arvores, paus bons para arder, encontrados amiúde aqui e ali e que depois da minha intervenção ficam com as dimensões ideais para entrarem pela porta do recuperador de calor.
A catana é um objecto perigoso, eu sei. Só a palavra catana já provoca algum temor. Mas como qualquer outro objecto, é aquilo que fazemos dele. Uma pedra da calçada, na calçada é inofensiva mas nas mãos de um manifestante é um perigoso objecto de arremesso. Depois, vive-se hoje em dia um pouco a histeria dos objectos considerados perigosos. Nos aeroportos até um gancho em metal para o cabelo de senhora é considerado uma potencial arma mortal e, portanto, proibido de entrar nos aviões. Mas então, o próprio pensamento, o corpo humano e aquilo que com ele fizermos, podem ser muito mais perigosos que a catana nas minhas mãos. Fico com muito menos poder bélico que certos gestos, certas palavras, menos perigoso que certos sorrisos, esses sim, por vezes letais. Agora, depois de passar horas a 'catanar' calma e pacificamente, penso que sofro do Sindroma de Sandokan. Explico os meus sintomas: para onde quer que olhe, interrogo-me como seria o efeito da minha catana, sobre o objecto observado. Por exemplo, conseguiria com a minha catana com apenas um só golpe bem aplicado, cortar ao meio a ultima edição do código de processso civil ? Como ficariam o meu telefone, o meu teclado, depois de uma catanada bem assente ? E quantas catanadas seriam necessárias aplicar para reduzir a pó a fotocopiadora que está constantemente a encravar ? Estes e outros mistérios que sei jamais irei desvendar. A catana um dia destes começará a enferrujar de novo. Eu já terei entretanto encontrado um qualquer outro 'pequeno sentido para a minha vida'. Afinal, tem sido sempre assim, vão e vêm, como movimentos de catana, a cortar o ar.

jorge b @ 06:25 PM | Obs (169)
quinta-feira, 11 de janeiro, 2007

Cego de raiva ... | espécie: algures

Aqui há dias ia um ceguinho com a sua bengalita de ceguinho na mão, caminhando hesitantemente pelo passeio, vindo depois até ao rebordo do mesmo, decidido a atravessar para o outro lado da rua. Esperou pelo aviso sonoro do sinal verde para peões e com a sua bengalita lá começou a perscrutar caminho livre para avançar em segurança. Sentindo a presença à sua frente de um automóvel que ali estava estacionado, com a sua bengalita, começou então à cacetada ao capot do carro, enquanto vociferava furioso “estes cabrões estacionam em cima das passadeiras, filhos da puta!!!” e por aí fora, chamando a atenção dos outros transeuntes. Um deles aproximou-se e agarrando-o pelo braço, calmamente disse-lhe: “espere lá amigo que a passadeira não é aí”, encaminhando-o no bom caminho.
A tendência natural das pessoas sem deficiências físicas visíveis é para considerar as outras, denominadas deficientes, como completos coitadinhos, pessoas que além das suas limitações físicas, são igualmente limitados no que toca a sentimentos tão normais como a arrogância e o mau feito. Vêem os deficientes sempre sob uma aureola de sensatez e resignada humildade que, como este episódio verídico atesta, não é verdade. Para mim, que me limitei a observar a cegada, foi uma experiência enriquecedora. Primeiro porque não era o dono do carro que ficou com o capot escavacado, depois porque pude testemunhar in loco um comportamento normalmente irascível que qualquer um pode ter se não estiver nos seus dias, protagonizado por uma pessoa portadora de deficiência física altamente incapacitante como é a cegueira. Qualquer deficiente tem todo o direito de perder as estribeiras, ser uma besta, ficar cego de raiva, como qualquer outro cidadão.
Arte: Alessandro Bavari

jorge b @ 11:16 AM | Obs (45)
quarta-feira, 10 de janeiro, 2007

O estado puro do prazer

Uma equipa de cientistas independente e inexistente propôs-se descobrir que fantasia propiciava mais prazer. Foram submetidos à prova os mais diversos pares, entre eles, um doente e uma enfermeira, um aluno e uma professora, um carteiro e uma dona de casa, um desconhecido e uma desconhecida, um executivo e uma estagiária, um pacato cidadão e uma top model, etc. Testes rigorosos concluíram que, até mais que um homem e uma mulher, ninguém obtém mais prazer do que um macho e uma fêmea.
Arte: Jan Saudek

jorge b @ 05:32 PM | Obs (1)
sexta-feira, 5 de janeiro, 2007

Beber com moderação ... | espécie: extracções

(da série, grandes taradões sem história)

Ofereço-me um creme hidratante. Conversa do rótulo, a aplicação do creme depois do barbear é como se estivessem 5 mil litros de água termal a passar-me pelo rosto. Cativante. Relembro-me então duma ideia, de génio, que apresentei em tempos numa tertúlia de gente desesperada por arranjar ‘um negócio’: Agarrava-se, por exemplo, na Mónica Belucci, punha-se-a nuazinha num daqueles escorregas dos áqua-parques. Despejava-se lá de cima 5 mil litros de água da torneira que passariam pelo corpo da deusa, dotando-a do imaginário sabor do seu corpo, água encorpada, com sabor a Mónica Belucci. Depois de recolhido o precioso liquido, era engarrafado em garrafinhas de 20cl que seriam posteriormente vendidas a um preço exorbitante ao público ávido de refrescar a imaginação. Sem álcool, mas alucinante. No rótulo, a conversa, seria como se estivéssemos a bebê-la.

jorge b @ 03:01 PM | Obs (3)
terça-feira, 2 de janeiro, 2007

O Leonidas é que sabia ... | espécie: algures

(da série, Grandes Taradões da História)

Leonid Brezhnev acompanhado de outro tarado de óculos.

jorge b @ 12:08 PM | Obs (0)
quarta-feira, 27 de dezembro, 2006

8 boas razões para implodir o Cristo Rei de Almada ... | espécie: estudos

A implosão é o método mais seguro embora, como método destrutivo, não dê o gozo que daria a demolição ou a explosão. Esta ultima hipótese, embora mais espalhafatosa e espectacular, poderia trazer consequências catastróficas. Decerto que obrigaria à evacuação de Almada, Lisboa e aldeias limítrofes. Não seria agradável levar com um estilhaço, por exemplo o nariz do Cristo, na cabeça. A hipótese de demolição, pelo contrário, levantaria questões de logística relativa ao alojamento de hordas de demolidores armados de martelo e escopro vindos de todo o mundo que não iriam querer perder a oportunidade de fazer história e participarem na destruição do nefando mamarracho.

O Cristo-Rei do Rio de Janeiro está na short-list para a eleição das 7 maravilhas do mundo. Na eventualidade de ser um dos eleitos, catástrofe ecológica que não será de descurar acontecer, qualquer turista passaria a identificar o até agora meio discreto Cristo Rei de Almada como uma mera cópia fraquinha do Cristo Rei Redentor. Já temos a ponte sobre o Tejo, mera cópia da Golden Gate. Já chega de cópias, obrigado.

O Cristo brasileiro está erigido a centenas de metros acima do nível do mar. A maior parte do tempo está tapado pelas nuvens, felizmente. Ou seja, não é observável por qualquer incauto que ali passe nas redondezas, como acontece ao incontornável Cristo Rei de Almada. Por muito que nos esforcemos, que desviemos o olhar, a atenção, ali está sempre o mamarracho, pois ao invés do brasileiro, montado bem lá no cimo do longínquo Corcuvado, este está montado sobre um planalto, à beira de um precipício. É um objecto arquitectonicamente desproporcionado relativamente à volumetria envolvente ao local onde está implantado e que, portanto, do ponto de vista do ordenamento da orla costeira, deverá ser implodido.

O Cristo Rei de Almada assenta sobre quatro pilares gigantescos que decerto poderiam ser reciclados e utilizados na construção da nova travessia sobre o Tejo. Poupavam-se milhões.

Se por acaso fossemos invadidos por uma super-potencia ateia, à semelhança com o que aconteceu com a invasão dos cristãos americanos ao Iraque, decerto que a força invasora mal conquistasse a margem sul suburbana ataria uma corda ao pescoço do Cristo e a um taque, e faria o mesmo que fez à estátua do Saddam. Antes prevenir que depois ter que limpar entulho.

Com um aeroporto a meia dúzia de quilómetros é completamente irresponsável ter uma espécie que policia sinaleiro com centenas de metros de altura a estorvar o trânsito aéreo. Oxalá nunca aconteça mas seria triste um dia ser notícia de primeira página: “Cristo Rei de Almada decepado pela asa de um Airbus”

Numa época de crise energética em que a poupança de electricidade está na ordem do dia, é irreflectido gastarem-se milhares de kilowats para iluminar a aberração. Calcula-se que a energia mal gasta ali numa semana dava para pagar a assistência médica, os pensos e as pomadas para os calos, dos peregrinos devotos de Nossa Senhora de Fátima, durante uma década.

O que significa afinal um boneco de braços abertos virado para Lisboa ? Está a abençoa-la, como defendem os beatos ? Não parece. O Cristo parece antes estar na eminência de se atirar dali abaixo. É sabido que os desportos radicais fazem bem à adrenalina; mas ter erigida à beira Tejo uma estátua daquela dimensões fazendo a apologia ao bungee-jumping é exagerado.

jorge b @ 09:58 PM | Obs (1)

Vila BES ... | espécie: publicidade gratuita

O Banco Espírito Santo tomou este ano a iniciativa de transformar a histórica vila de Óbidos na histérica Vila Natal. O evento decorre desde 1 de Dezembro até 6 de Janeiro pelo que julgo ser ainda oportuno este post, dirigido principalmente àqueles que terão, como eu tinha, uma pequena curiosidade em saber que palhaçada virá afinal a ser aquilo.
O que é a Vila Natal não cheguei a saber. Mas o autêntico desfile de horrores que era a mostra de árvores de Natal de plástico, decoradas pela sociedade civil das redondezas, colocadas numa rua de acesso à entrada da vila não augurava nada de bom. Fiz centenas de quilómetros para me deslocar ao local e no entanto, o facto de ser cobrada uma taxa à entrada foi o suficiente para me recusar prosseguir com a loucura e preferir morrer na praia. Lá estava inesperadamente uma barraca com o letreiro “bilheteira”, lá estavam naturalmente os picas junto ás cancelas implacáveis com os penetras, e lá estava obviamente uma fila de proporções bíblicas para a comprar dos ingressos a 4€. Em qualquer país minimamente civilizado aquela barraca não ficaria de pé mais de dez minutos. Em Portugal faz-se bicha ao frio para se ser extorquido de livre vontade. Se o BES quisesse cobrar bilhete de ingresso nas suas dependências bancárias estaria no seu direito. Agora usurpar um espaço histórico e público e vedar-lhe o acesso é uma provocação de espírito nada natalício e muito pouco santo. É como se o Banco Millenium cobrasse bilhete a quem contemplasse a árvore de Natal gigante na Praça do Comércio… Bem, é melhor estar calado e não dar ideias!
O único ponto de interesse em Óbidos por estes dias será a fabulosa amostra de pins pornográficos exposta no quiosque do lar de idosos, logo à entrada da vila. Ali poderemos apreciar e adquirir as mais diversas posições do Kama-sutra ao som do jingle-BES.

Nota: foi corrigida a data de encerramento do evento para a data correcta, 6 de Janeiro.

jorge b @ 09:53 PM | Obs (5)
quinta-feira, 21 de dezembro, 2006

O anti-golo ... | espécie: revisões da matéria

Sendo o guarda-redes o jogador mais importante duma equipa de futebol, é injusto que não lhe seja dado o direito de festejar uma grande defesa, que esbraceje esfusiante, que corra em direcção do público em linha recta ou em zigue-zague, que dê piruetas de contentamento, que tire a camisola, como faz qualquer outro jogador quando marca um golo. Antes pelo contrário, ao guarda-redes parece ser exigido que não exteriorize, contenha qualquer sentimento de satisfação ou orgulho que naturalmente sente sempre após uma defesa que evita o golo... Excepção seja feita nos penaltys, porque o próprio guarda-redes sabe que só por milagre defende um penalty, é-lhe concedido então o direito de demonstrar alguma euforia, não pelo mérito, antes pela sorte do momento, porque na verdade qualquer frangueiro consegue defender um penalty, mas só um grande guarda-redes pode fazer uma defesa indefensável, saltar mais alto que o Michael Jordan e ao mesmo tempo ser mais rápido que o Obikuelo, desafiar as leis da gravidade e ainda cair no chão em grande estilo, p’rá fotografia. Ou seja quanto mais espectacular é a defesa, esse outro climax do jogo, proporcionalmente deverá ser a modéstia ou o ar de completa indiferença do guardião após a sua concretização. Tenho presente a cara de enterro que o Vitor Baía fazia sempre que efectuava uma grande defesa, capacidade que o jogador desenvolveu com grande esforço e dedicação. No entanto, qualquer observador mais atento veria no seu rosto o esforço para conter o impulso de gritar "boa defesa!!! sou o maior ãh, sou ou não sou ?! o que era de vocês sem mim ãh ?! quantos já estávamos a mamar se não fosse eu ãh, ãh ?!"
As câmaras fixam-se sempre no guarda-redes após uma boa defesa. E quando é uma daquelas bolas indefensáveis, quando era golo certo, o realizador brinda-nos com uma macro da face do guarda-redes. Aqueles rostos escondem o desejo do grito libertador de afirmação “sou o maior!!!”. Mas ao invés, o guarda-redes é forçado a desenvolver truques, tiques, capacidades psíquicas incríveis para conter ou disfarçar o contentamento, para simular a modéstia que é obrigado a ter. Por exemplo, o Quim do Benfica após uma grande defesa grita sempre com os defesa do género "caralhos deviam estar a marcar aquele cabrão para a bola não lhe chegar aos pés e se chegasse darem-lhe uma sarrafada e se mesmo assim o gajo chutasse colocarem-se entre eu e o caminho da bola para que não tivesse de efectuar esta extraordinária defesa e assim não estar para aqui aos gritos com vocês ao mesmo tempo que me concentro já no canto que vai ser marcado a todo o momento". Foi a maneira que ele lá arranjou de abafar o desejo de celebrar. Já o Ricardo do Sporting nunca precisou de se esforçar em desenvolver qualquer truque porque tal nunca se mostrou necessário.
O golo está sobrevalorizado em detrimento do anti-golo. Os relatadores da rádio nunca dizem “grââââââââân'defesa!”, não se fazem concursos para se determinar “a melhor defesa da época” ou se atribuem prémios “luvas de ouro”. O que é injusto. O guarda-redes continuará a ser eternamente menosprezado porque era o puto mais tosco, logo, aquele que era colocado onde ninguem queria ficar, à baliza.

jorge b @ 11:50 PM | Obs (2)
quarta-feira, 20 de dezembro, 2006

Natal outra vez ... | espécie: extracções

O Natal é uma época de felicidade para o comércio em geral e os comerciantes em particular.

jorge b @ 02:42 AM | Obs (0)
sexta-feira, 15 de dezembro, 2006

O êxodo continua ... | espécie: bola

Depois do amigo (Veiga), do engenheiro (Santos) e do sócio (Vieira), é a vez da namorada. Em tudo aquilo que se está a passar em torno de Carolina Salgado, o que é mais surpreendente não é o pequeno passo que deu, de alternadeira do 'calor da noite' a concubina de Pinto da Costa. Antes o grande salto, do Porto a Lisboa, de namorada do Pinto, a escritora preferida do Barbas. O resto é roupa suja, azul e branca.

jorge b @ 06:07 PM | Obs (3)
quinta-feira, 14 de dezembro, 2006

A cabeça nas paredes ... | espécie: interferências

"Porque continuo a bater com a cabeça nas paredes ? Porque me sabe bem quando paro. "
in, Grey’s Anatonomy, RTP1

jorge b @ 03:40 PM | Obs (0)
quinta-feira, 7 de dezembro, 2006

The Last Self Help Book You’ll Ever Need ... | espécie: digestões

Um paradoxal e interessante manifesto que denuncia a praga dos livros de auto-ajuda; actualmente estão listados no amazon.com 20 mil títulos deste profícuo género.
*
"Uma boa família é um grupo de pessoas disposta a ficar consigo quando a maior parte das pessoas sãs e ponderadas o afastariam."
...
"Todas as pessoas casadas são casadas com um louco."
...
"Nenhum de nós pode de facto, alguma vez, ajudar-se a si mesmo. O verdadeiro poder não é pessoal mas interpessoal.”

"O amor verdadeiro não é um sentimento; é uma decisão. Se pensa que consegue ver o amor ao olhar bem fundo nos olhos do seu parceiro, está enganado. Aquilo que vê são globos oculares.


Paul Pearsall, neuropsicólogo

jorge b @ 11:42 PM | Obs (0)

Larangie ... | espécie: algures

jorge b @ 02:04 PM | Obs (0)
quarta-feira, 6 de dezembro, 2006

Gaja Natal ... | espécie: ícones


Lisboa tem este ano a melhor decoração de Natal de sempre. E este blog, por arrasto, também. Se a qualidade do interior da lingerie alusiva à época é inquestionável, o que verdadeiramente nos dilata as pupilas, o que realmente nos enche a alma de esperança e alegria, é a mensagem natalícia horizontalmente apregoada na obra de arte que vem revolucionar o conceito de out-door do tipo ‘deixa-me desacelerar para ver melhor’. A pequena estendida não se limitou a vender-se à marca Intimissimi. Está ali, à espera. Não à mão de semear, mas acessível. À espera não do special-one, mas da melhor proposta. Desafia-nos a licitá-la ao mesmo tempo que nos diz “Hei, é só isso que tens para me dar ?”. Ela tem um preço, não está num out-door, está numa montra. É democrática, qualquer um a pode licitar, mas cruel, só um a poderá desembrulhar.
Há também o pormenor do saco do Pai Natal onde se recosta languidamente. Onde está então o avô, que presentes encerrará aquela saca de Pandora ?... Como se alguém quisesse saber! “Olha não te importas de chegar para lá que eu gostava de ver o que tem a saca ?” Não, a saca não tem conteúdo, é uma confortável peça de mobiliário, perfeita para assentar as suas belas mãos (repare-se nas unhas, não pintadas que não se anuncia a Cibelle, antes uma jovem que nem sequer precisa de recorrer ao poder electrizante dumas unhas pintadas) e os seus belos cotovelos (sim, ali há beleza em toda a parte, até no cotovelo).
Depois há a tiara, ao mesmo tempo a referência à atleta de leste de patinagem artística num relaxante intervalo da competição, aguardando pela nota “zix-coma-nóine” e também a referência discreta ao conto de fodas clássico, o toque de realeza, onde o fruto habitualmente vedado insinua-se lá do alto à plebe sôfrega.
Além da lingerie vermelha e branca (alusão à quadra) e do sapatinho à Barbie (alusão à boneca que não se consegue manter de pé porque tem uns pés muito pequeninos, sempre deitada portanto, sempre, sempre), ela tem um nome: Ana Beatriz Barros. Para aquelas formas, qualquer nome servia. Ainda assim a informação é essencial se quisermos saber mais pormenores sobre a modelo brasileira deitada no melhor out-door de todos os tempos.

Foto e link: 9-9.blogspot

jorge b @ 02:00 PM | Obs (0)
terça-feira, 28 de novembro, 2006

Oração para a menina tarada ... | espécie: anedotas de elite

"
São Baltazar quero casar,
São Benedito com um rapaz bonito,
São Bento que não seja ciumento,
São Luís que me faça feliz,
São Manuel que seja fiel,
São Irineu que seja só meu,
São Benjamim que goste de mim,
São Virtuoso que seja gostoso,
São Vicente que seja quente,
São Nicolau que tenha um grande pau,
Santa Teresinha que me deixe molhadinha,
Santa Guiomar que saiba pinar,
São Clemente que fôda pela frente,
São Braz que fôda por traz,
São Malaquias que seja todos os dias.
"
recbido via SMS

jorge b @ 09:49 AM | Obs (0)
sexta-feira, 10 de novembro, 2006

A cor do amor ... | espécie: algures

Natália de Andrade, verdedeiramente genial!

jorge b @ 02:07 PM | Obs (2)
quinta-feira, 9 de novembro, 2006

Curado ... | espécie: extracções

Posso afirmá-lo com toda a certeza: estou curado! Passei pelo pasquim e foi-me indiferente, resisti à tentação, ao apelo da leitura fácil, da gula pelas novidades de borla. Estou limpo, voltei ao livro como companhia de viagem. Abandonei o vicio, larguei o Destak.

jorge b @ 09:06 AM | Obs (0)
quarta-feira, 8 de novembro, 2006

Carne ensacada ... | espécie: algures

Farinheiras, buchos, paios, chouriços, bexigas, alheiras, morcelas, o que levam, como se fazem, as diferenças de sabor consoante as regiões, a altura certa para se matar o porco e se comer, os métodos da matança, as técnicas para evitar o ranço e migar a carne, as quantidades de toucinho e sangue, a vinha de alhos, o fumeiro, a lavagem das tripas… Sinto-me sempre um estrangeiro nas ocasionais confraternizações de final da tarde aqui no trabalho. Assisto sempre com um misto de fascínio e perplexidade as acesas discussões e apaixonantes palestras sobre carne ensacada, enquanto rezo para que ainda hajam sais de frutos quando chegar a casa. Para a semana já está marcado novo workshop de enchidos.

jorge b @ 01:21 PM | Obs (0)
terça-feira, 7 de novembro, 2006

Lúbrico com 7 megapixeis ... | espécie: algures

A miopia leva-me a um interessante exercício de voyeurismo em diferido. Na janela em frente ao trabalho, a nova inquilina no 3º andar brinda-me com uma aparição em lingerie. O embaciamento impede-me de apreciar convenientemente o lado de lá da rua. Pormenores e contornos do que revela a vidraça da janela, só mais tarde. O tempo de exposição da modelo é suficiente para um snapshot com o zoom óptico no máximo. Depois, ao perto, no ecrán já desanuviado, o zoom digital faz o resto.
Verdadeiro trabalho de equipa. A máquina já vê melhor que eu… mas nunca saberá apreciar.

jorge b @ 06:05 PM | Obs (0)

Em tensão agónica ... | espécie: interferências

“O amor. A ausência de amor. A impossibilidade do amor. A forma como a realização do amor destrói a sua idealização. A natureza tirânica das relações pessoais, a começar pelas mais próximas – amantes, família, amigos. A tensão agónica entre a busca da segurança afectiva e a liberdade pessoal e poética. A importância da poesia para transformar a tristeza em algo de sublime.”

João Pereira Coutinho, acerca de Philip Larkin

jorge b @ 01:52 PM | Obs (0)
sexta-feira, 3 de novembro, 2006

O Jacques é que sabia ... | espécie: interferências

Pour faire le portrait d'un oiseau

Peindre d'abord une cage
avec une porte ouverte
peindre ensuite
quelque chose de joli
quelque chose de simple
quelque chose de beau
quelque chose d'utile
pour l'oiseau
placer ensuite la toile contre un arbre
dans un jardin
dans un bois
ou dans une forêt
se cacher derrière l'arbre
sans rien dire
sans bouger...
Parfois l'oiseau arrive vite
mais il peut aussi mettre de longues années
avant de se décider
Ne pas se décourager
attendre
attendre s'il le faut pendant des années
la vitesse ou la lenteur de l'arrivée de l'oiseau
n'ayant aucun rapport
avec la réussite du tableau
Quand l'oiseau arrive
s'il arrive
observer le plus profond silence
attendre que l'oiseau entre dans la cage
et quand il est entré
fermer doucement la porte avec le pinceau
puis
effacer un à un tous les barreaux
en ayant soin de ne toucher aucune des plumes de l'oiseau
Faire ensuite le portrait de l'arbre
en choisissant la plus belle de ses branches
pour l'oiseau
peindre aussi le vert feuillage et la fraîcheur du vent
la poussière du soleil
et le bruit des bêtes de l'herbe dans la chaleur de l'été
et puis attendre que l'oiseau se décide à chanter
Si l'oiseau ne chante pas
C'est mauvais signe
signe que le tableau est mauvais
mais s'il chante c'est bon signe
signe que vous pouvez signer
Alors vous arrachez tout doucment
une des plumes de l'oiseau
et vous écrivez votre nom dans un coin du tableau.

Jacques Prevert

Em inglês

jorge b @ 03:07 PM | Obs (0)
quinta-feira, 2 de novembro, 2006

Estribilho do momento ... | espécie: mundo

Os nossos antepassados pré-históricos guerreavam por uma razão muito simples: por territórios que lhes dessem mais caça, para que fossem mais fortes e assim terem as melhores namoradas.
Na idade média guerreava-se também por uma razão muito simples: em nome de Deus, embora o motivo oculto para as hordas de alminhas que alimentavam os exércitos era sempre a expectativa do saque e a violação das namoradas do inimigo.
A guerra moderna, igualmente por uma razão muito simples, é remunerada: continua a fazer-se em nome de um Deus, mas um Deus negro que depois de refinado e transformado em gasolina, alimenta os automóveis com que se impressionam as namoradas. Orson Welles estava certo. Tudo o que fazemos, por uma razão muito simples, é para as impressionar.

jorge b @ 10:56 AM | Obs (0)
sexta-feira, 27 de outubro, 2006

Burton meets Lynch meets Marco Paulo ... | espécie: algures


O melhor anúncio televisivo de sempre.

jorge b @ 01:15 PM | Obs (87)
quarta-feira, 25 de outubro, 2006

A cantina ... | espécie: histórias infilmáveis

Sirvo-me no self-service duma cantina gigantesca onde centenas de funcionários almoçam alinhados. Sou o ultimo a chegar, o único que ainda está de pé. Ninguém fala, mas ouvem-se os talheres a bater nos pratos, o vidro contra a porcelana, os mastigares, barulho anestesiante, suficiente para me impedir de pensar.
Existe um lugar à minha espera, bem lá ao fundo, único lugar vago, e quando começo a percorrer o corredor do meio, entre as mesas, deixo escorregar o prato com a comida da bandeja para o chão. O barulho quebra a monótona sinfonia, faz com que todos parem de comer e se virem na minha direcção. O silêncio é sepulcral, todos me observam, parece-me, atónitos. Baixo a cabeça e observo a comida espalhada no chão. Milhares de pequenos vermes, pequenas lagartas brancas, devoram-na. Dou um passo em frente, continuo, segurando agora a bandeja vazia com o cuidado que há pouco me faltara, como se nada me tivesse acontecido. Na enorme cantina só se ouvem os meus tímidos passos, sempre observados em silêncio por centenas de olhos. Quando chego ao lugar vazio e me sento, todos se levantam e saem interrompendo as suas refeições. Fico sozinho na enorme cantina e pouco tempo depois milhões de vermes sobem às mesas e começam a devorar os restos de comida enquanto eu, finalmente, consigo acordar.

jorge b @ 05:04 PM | Obs (24)
segunda-feira, 23 de outubro, 2006

Deriva tectónica ... | espécie: portugal

1. O governo quer aumentar 6% na tarifa da electricidade… Como fazê-lo sem causar ondas ? No tempo de Sampaio & Santana, o escândalo, a roçar a provocação, teria levado à queda do Governo. Exige-se agora, à cautela, solução engenhosa: um secretário de estado qualquer ameaça com 15% e uma anedota e depois entra em cena um ministro para recuar no aumento, para os desejados 6%. O que fica, é um gesto de boa vontade. Respiramos de alívio, estamos todos agradecidos.
2. Somos as Afinsas dos bancos. Os empréstimos bancários a que todos estamos inevitavelmente agarrados não são mais que investimentos que fazem em nós, nos nossos vencimentos, no nosso trabalho, com o elevado retorno que os juros do crédito hipotecário, do cartão de crédito, do crédito ao consumo, garantem. Ainda assim, a boa fé e a boa vontade de Sócrates é imensa para quem nos explora. Perdoa milhões em dívidas de IRC à banca nacional, a banca que em tempos de crise é sempre quem mais lucra. A comprová-lo, as receitas astronómicas do ano transacto, a grande ebulição que se vive neste apetecível sector para os grandes tubarões, onde todos são potenciais compradores e alvos de compra.
3. Os ministros pretendem auto aumentar-se e legisla-se nesse sentido. 6% é o número desejado, quiçá para fazer face ao aumento da electricidade. Para a função pública e por arrasto para o privado, pouco mais que 1%, e já é com muito boa vontade.
*
A sorte do governo é não haver mato em Portugal. Ardeu tudo, senão fazia-se guerra de guerrilha ou não seja Portugal o mais sul-americano país europeu. Aquando da separação das placas continentais há cerca de 200 milhões de anos, só por lamentável lapso deixamos a Pagea e viemos atrás da Europa… e continuamos.

jorge b @ 07:19 PM | Obs (0)
quinta-feira, 19 de outubro, 2006

Les miserables ... | espécie: extracções

Vejo na televisão uma senhora miserável de corpo disforme. O drama ? A gordura. A senhora teria sobrevivido os últimos anos a comer em excesso e a moldar de forma irremediável o colchão lá de casa. De tão gorda, não se conseguia levantar da cama, não se conseguia por de pé. Comida, higiene diária e outros cuidados estavam a cargo de outra altruísta pessoa que religiosamente ia lá a casa. E o filho, e agora a gorda desata a chorar, o seu filho que faltava à escola para ficar a ajudar a mãe. E mais ninguém. A senhora só está agora ali sentada, apta a aparecer num programa da manhã porque, por caridade de todos nós, o Ministério da Saúde entrara para a banda gástrica. Após alguns meses, reduzido o apetite e o volume, sobrava ainda a parte inestética. Andava mas continuava gorda, drama quiçá maior. Reduzida igualmente a boa vontade pública, pedia-se agora a privada alma caridosa que patrocina-se a operação plástica que se impunha. Terminada a fase do prantos, bem espremida pela apresentadora, chega o happy-ending: Um cirurgião plástico acaba de oferecer-se para efectuar a dita operação… a custo zero!! Palmas, palmas e mais palmas. Ok, parem as cameras, mesmo aí nesse plano, estilo “fiel ou infiel”, pára-pára-pára. O que temos agora no écran é o rosto da senhora gorda. Lembrem-se, ela tem vivido os últimos anos num sofrimento atroz, esteve ali quase meia hora a debitar queixumes duma vida, em nome das audiências. Agora, há cerca de 10 segundos que ela sabe que o seu problema irá ser resolvido. Já foram mostradas as caras de satisfação da plateia idosa, a apresentadora não cabe em si de feliz, o cirurgião está satisfeito com a publicidade, o director da estação com as audiências, e a gorda ? Não era suposto ser ela a pessoa mais feliz do estúdio, já não digo da freguesia ? Obviamente que não. Tirar a infelicidade aquela mulher é tirar-lhe a sua secreta felicidade, a sua forma de viver feliz na miséria. Ela sente, acabará o seu estado de graça, tem dúvidas sobre se poderá viver doutra forma, ter uma vida magra, incertezas que vêm com a felicidade, com a normalidade da massa corporal. Em nítido esforço, deixa escapar um agradecimento cabisbaixo, mas não houve alteração no seu sofrido rosto, a bombástica notícia da operação à borla não alterou minimamente o seu semblante e o espectador mais atento arriscava dizer que em vez da felicidade pelo fim à vista do sofrimento, a gorda experimenta agora o sentimento de perda, da sua gordura, sustento da sua felicidade infeliz.
Nietzsche tinha razão. De entre toda a razão que tinha, escolho esta: os miseráveis, no fundo não querem deixar de o ser. No fundo não querem perder o único poder que têm sobre os outros. O poder de chocar, de causar pena. Dá-lhes um secreto prazer exercerem esse poder, não o querem perder. Não estou a citar, são palavras minhas a partir da ideia do Friedrich, mas a receita aplica-se com perfeição a varias realidades, não só a este televisivo exemplo.
No amor, não há quilos a mais, mas há também miseráveis. Pessoas que, quando amam, se esvaem de auto-estima, espécie de dieta maldita sem alternativa porque outros amores, outras formas de amar, para elas, não existem, não funcionam. Algo comparável com o amor das amantes, das outras, que sonham o triunfante dia em que os respectivos deixarão a família para se dedicarem a elas em full-time… Vivem nessa esperança e sofrimento, nessa expectativa infeliz dessa operação estética, mas no fundo sabem que a acontecer, será o fim. Reconhecê-lo é um sinal de inteligência rara. Há relações que só assim existem, em sofrimento, só assim têm lógica, se alimentam, sub-nutridas, sobrevivem numa saudável anormalidade. Há outras, verdadeiramente impossíveis, que nem assim existem mas viciam quem as vive, quem anda a bater com a cabeça e o coração nas paredes. Ás vezes antes isso que nada, antes essa poesia, pensam os miseráveis, enquanto tanto deles se desperdiça.

jorge b @ 11:55 AM | Obs (0)
quinta-feira, 12 de outubro, 2006

Basta um dedo ... | espécie: ícones


Mia Kirshner

jorge b @ 04:26 PM | Obs (0)
quarta-feira, 11 de outubro, 2006

Ao que um gajo chega ... | espécie: extracções

Vim um relógio da Tissot com numeração romana e achei-o bonito. Estou tentado a comprá-lo.

jorge b @ 04:33 PM | Obs (0)
terça-feira, 10 de outubro, 2006

Magnanimidade ... | espécie: algures

foto de jan saudek"
- Chefe… Amanhã preciso de faltar… Vou ter que meter mais um dia de férias…
- Outra vez ?!!! Já não faltaste na semana passada ?
- Sim é verdade…
- Epá, tens que controlar isso, não podes andar sempre a meter dias de férias…
- Tenho aí um esquema por fora…
- Um esquema?!!
- … sim, ela é de Coimbra…
- Oh seu caralho, já podias ter dito. Falta lá então e não precisas de meter o dia!
"

jorge b @ 06:46 PM | Obs (0)

Foi ao BES ... | espécie: anedotas de elite

"Um homem assaltou uma dependência do BES em Setúbal... Mas porque fez uma coisa destas?! Provavelmente não tinha pais ricos, não lhe saiu a lotaria... então foi ao BES!"
recebida por SMS

jorge b @ 11:30 AM | Obs (1)
segunda-feira, 9 de outubro, 2006

895 gramas ... | espécie: deus, patrocinador oficial

Invariavelmente encontro sempre o mesmo livro nas mesas de cabeceira dos quartos de hotel. Não um livro de bolso, não um policial esfarrapado, um borda d’água, não um livro do patinhas, que qualquer livro que fosse não estaria a salvo do gamanço instituído, o mesmo tipo de gamanço que ocorre com as toalhas que continuam a ser o calcanhar de Aquiles dos hotéis. Estes esforçam-se por não deixar nos quartos nada que possa ter aspecto de souvenir. Mas querem dar ao hóspede algo mais para ler que as brochuras com a publicidade e normas de funcionamento interno. É natural que recorram pois à bíblia. É um livro, tem essa solenidade, decoração perfeita para uma mesa de cabeceira, o único livro que ninguém gama. Quem iria gamar algo tão pesado e inútil ?

jorge b @ 11:08 AM | Obs (1)
sexta-feira, 6 de outubro, 2006

2nd life ... | espécie: algures

foto de Jan SaudekEntro numa discoteca. Está animada. Mais mulheres que homens. Estranho, mas agradável. Muito mais mulheres. Dançam sozinhas. È a primeira vez que ali estou. A um canto, por detrás de um vazo enorme com uma palmeira, estão mais duas mulheres. Uma tem a outra, visivelmente mais nova, de gatas no chão, por uma coleira. Aproximo-me e fico ostensivamente a observá-las, em silêncio. “Hi honey, there are plenty of girls around…” Adoro quando me tratam de ‘honey’. “I’m curious about what you two are doing…”. “Honey”, outra vez, adoro, “what do you think we’re doing ?... ” A conversa decorre entre um estreante e céptico, uma experiente e convicta mistress, e uma jovem submissa que se mantém sempre de gatas, de coleira. É o seu prazer. “But honey, where else three persons, me from north américa, you from europe, and another from midlle-east, could be talking like we are ?...” De facto, se na RL (real life) nos encontrássemos por acaso no bar de um hotel, se por acaso as visse, mestre e serva, a um canto do bar, dificilmente me aproximaria, dificilmente trocaríamos uma palavra que fosse.
Ali não, aconteceu, milagre da comunicação. Depois de meia hora de conversa, quando nos despedimos, depois de nos adicionar-mos como amigos, depois dela dar um abraço no ‘honey’, ele rende-se. Second Life não é apenas um jogo on-line. É um jogo demasiadamente real.

jorge b @ 11:38 AM | Obs (0)
quarta-feira, 4 de outubro, 2006

Antes de usar ... | espécie: algures

jorge b @ 11:44 PM | Obs (0)

A melhor música de sempre, hoje ... | espécie: interferências

"Lo-fiction" by Jori Hulkkonen in "Dualizm"

jorge b @ 10:03 PM | Obs (0)

Closing Bartiromo ... | espécie: ícones

Não sei se é aquele seu imutável ar de todas as noites, de quem acordou há bocado, de quem esteve na noite anterior na borga até ás tantas a comemorar o momentum do bull market, aquelas olheiras bem disfarçadas pelos milagres da maquilhagem, olheiras não de noites mal dormidas, antes de breves sonos diurnos, intervalados com preocupações triviais como, como fechou o HANG-SENG, como abriu o FUTSIE, como estão os futuros do DOW… Mas os tickers não flúem pelo ecrã da mesma maneira e o “Closing Bell” nunca soa tão bem quando não é apresentado pela Maria, a apresentadora viva mais sexy do mundo.

jorge b @ 11:01 AM | Obs (0)
terça-feira, 3 de outubro, 2006

Sexo amor sexo amor sexo ... | espécie: fora de blog

Dentro em breve, quando os crawlers do google por aqui passarem, este será o unico blog do mundo a aparecer naquele motor de busca quando alguém efectuar a pesquisa "sexo amor sexo amor sexo". Fantástico!...

jorge b @ 12:18 PM | Obs (1)

O Fernando é que sabe ... | espécie: interferências

"Ninguém ama o eterno. Amamos o que podemos perder."
Fenando Savater, escritor e filósofo espanhol

jorge b @ 12:14 PM | Obs (0)

Que bem se estava agora em Munique ... | espécie: algures

Os tremoços levo eu!

jorge b @ 09:24 AM | Obs (0)
segunda-feira, 2 de outubro, 2006

Consome filha! ... | espécie: extracções

Mama mama papa papa bebe bebe fuma fuma toma toma chupa chupa upa upa come mama consome papa consome CONSOME FILHA !”
“Mama papa” dos Repórter Estrábico.

Tudo o que pode ser quantificado pode ser transaccionado… com lucro para alguém. E como somos altamente quantificáveis, cada vez mais, somos medidos, pesados, avaliados, e ocupamos espaço, e fazemos barulho, lixo, somos seres orgânicos, temos vontades e desejos, temos que pagar a alguém este grande favor que é estarmos vivos. Bem pago, com esforço, escravidão, com dever, sempre maior.
A vida é um bem valioso, demasiadamente valioso para que passe ao lado do mercantilismo reinante.

jorge b @ 01:52 PM | Obs (4)
domingo, 1 de outubro, 2006

U2be ... | espécie: fora de blog

Todos os sketches ou quase todos, dos Gato Fedorento, aqui.

jorge b @ 09:07 PM | Obs (1)

100 ... | espécie: fora de blog

jorge b @ 08:40 PM | Obs (0)
quinta-feira, 28 de setembro, 2006

Inseparável ... | espécie: revisões da matéria

De toldo em toldo, por entre os beirais, debaixo das varandas… Arrependo-me de não ter comprado aquele distinto guarda-chuva em Oxford. Imagino quantas e quantas vezes coleguinhas invejosos me perguntariam “epá que guarda-chuva espectacular tens tu, bem melhor que o meu, oferecido pela minha sogra e que está para aqui cheio de problemas, principalmente infiltrações!”. E ferrugem nas varetas, acrescentaria eu, e já agora, o botão da ignição ainda funciona ?
Sempre que chove é assim, aquele guarda chuva não me sai da cabeça, da minha cabeça inundada, que não é impermeável como o resto do meu corpo.
Todos os guarda-chuvas deviam ser comprados em lugares solenes, históricos como Oxford, Vaticano ou Pigalle. E aquele, tenho a certeza, era especial, arriscaria dizer que era o guarda-chuva da minha vida, aquele guarda-chuva que toda a gente sonha um dia comprar. Era um guarda chuva com cabo em madeira, mas madeira genuína, bem polidinha e envernizada. Não me admiraria que tivesse sido esculpido à mão, madeira de uma árvore nobre, esculpida por artesãos de uma tribo africana em vias de extinção. O tecido negro desenvolvido num laboratório da NASA, capaz de repelir a mais avassaladora das monções marcianas. Ainda me lembro quando o vi, foi como se tivesse sido ontem antes do almoço. Estava um dia de sol radioso e enquanto a maralha se encontrava entretida na loja a comprar pólos e t-shirts a dizer Oxford em letras grandes na parte da frente, eu estava de volta do guarda-chuva, o único guarda-chuva com cabo de madeira escura, bem polidinha, que estava naquele cesto esquecido no meio da loja. Estive ali uns bons quinze minutos naquele “levo, não-levo, levo, não-levo, levo, não-levo, levo, não-levo, levo, não-levo, para quê estas manias, levo, não-levo, levo sim, não levo não, levo, não-levo, levo, levo, não-levo, levo, é caro, não-levo, levo, não-levo, levo, não-levo…”… Tomei a decisão de que hoje me arrependo sempre que me chove em cima.
Já perdi dezenas e dezenas de guarda-chuvas comprados aqui e ali, quase sempre em aflição ou numa ronda tediosa por alguma loja do chinês. Perco-os todos porque não têm o significado especial que, tenho a certeza, aquele teria. Quantas vezes me levantei do banco de um transporte publico e passados alguns momentos me apercebi “olha esqueci-me do guarda chuva no banco do transporte público” e de seguida raciocinei “espera, não está a chover, aquele guarda-chuva no fundo não me diz nada, não vale a pena ir feito doido atrás do transporte público para o resgatar, deixa-o seguir o seu destino que, decerto, será servir de uso a utente mais necessitado que eu. Mas agora reparo, ainda estou dentro do transporte publico… que se lixe o guarda-chuva!”. É pena que esse utente necessitado que por vezes sou eu, nunca tenha encontrado um guarda-chuva perdido. O que me leva a concluir que, à excepção de mim, toda a gente tem um guarda-chuva que além de o proteger da chuva, lhe diz alguma coisa, é especial o suficiente para dele nunca se separar.

jorge b @ 09:42 AM | Obs (78)
quarta-feira, 27 de setembro, 2006

#17 ... | espécie: anedotas de elite

"
Uma mulher mal encarada e muito, mas muito muito feia, entra na Mothercare com duas crianças.
O gerente da loja pergunta à mulher:
- São gêmeos ?
A mulher faz uma careta medonha ficando ainda mais feia, como se fosse possível, e diz:
- Não, seu curioso de merda! O mais velho tem 9 e a mais nova tem 7. Porquê ?... Acha que eles são tão parecidos assim, seu idiota ?
- Não - diz o gerente - custa-me é acreditar que a senhora tenha sido comida mais que uma vez!
"
in my mailbox

jorge b @ 03:56 PM | Obs (1)

Momentos expresso ... | espécie: histórias infilmáveis

No sábado cheguei ao quiosque ao pé da minha casa e perguntei, Tem o expresso ? Não, ainda não chegou. E eu disse, Saí de casa de propósito para comprar o expresso e afinal ainda não chegou… ah, ah, ah. Então fui apanhar o comboio e no quiosque da estação perguntei, Tem o expresso ? Não, já esgotou. E eu disse, Quer dizer, saí de casa de propósito para comprar o expresso e no quiosque ao pé da minha casa disseram-me que ainda não tinha chegado, e aqui dizem-me que já se esgotou… ah, ah, ah. Depois apanhei o comboio e fui até Lisboa. À saída da estação havia um quiosque e eu perguntei: Tem o expresso ? Não, já não tenho. E eu disse, Já viu, saí de casa de propósito para comprar o expresso e no quiosque ao pé da minha casa disseram-me que ainda não tinha chegado, no quiosque da estação do fogueteiro disseram-me que já se tinha esgotado e aqui dizem-me que já não têm… ah, ah, ah. Então fui passear até ao centro comercial colombo e entrei numa papelaria e perguntei, Tem o expresso ? Não vendemos o expresso. E eu disse, Isto é que é hein!! Saí de casa de propósito para comprar o expresso e o no quiosque ao pé da minha casa disseram-me que ainda não tinha chegado, no quiosque da estação do fogueteiro disseram-me que já se tinha esgotado, na estação de sete rios disseram-me que já não tinham e aqui dizem-me que não vendem… ah, ah, ah. Então finalmente apareceu uma ambulância e eu aproveitei.

jorge b @ 03:14 PM | Obs (2)
terça-feira, 26 de setembro, 2006

Untouchable ... | espécie: algures

"
I turn my camera on
I cut my fingers on the way
They way I'm slippin away
I turn my feelings off
Y'made me untouchable for life
And you wasn't polite

It hit me like a tom
You hit me like a tom
On on and on

When I turn my feelings on
I turn my feelings on inside
Feel like I'm gonna ignite
I saw them stars go off
I saw them stars go off at night
And they're looking alright

Keep on blowin up
Keep on blowin em off
Get up roll it out
Keep on showin em out
"

Som: Spoon (remix de John McEntire, recomendada)
Imagem: Alessandro Bavari

jorge b @ 11:34 AM | Obs (951)
segunda-feira, 25 de setembro, 2006

As Extreminadoras ... | espécie: digestões

"Corriam rumores de que ela podia farejar um homem a cinco quilómetros de distancia."
...
"- Suína! Cabra! Tiveste-me a noite passada. Não fui suficientemente boa ? Os meus seios não estiveram a teu gosto ? Não fiz o que devia com a minha lingua ?"
...
"- Eu amo-a, ouves ? Eu amo-a! Tu podes ter dormido com ela, mas eu amo-a!"
...
"- Nem eu te seduzirei, nem tu te servirás do punhal em mim. Dormiremos e tentaremos esquecer o mundo que nos destrói a ambos. Achas uma troca justa ?"
...
"- Nunca tinha visto lágrimas nos olhos de um homem.
- Então aprende alguma coisa com elas, cabra! Aprende alguma coisa!"
...
"- Amo-te! Amo-te e não quero pensar mais. Ajuda-me! Faz o meu cérebro parar de pensar. Impede-o de qualquer forma."
...
"- Odeias-me ?
- Odeio-me a mim próprio. E tu tornaste-te parte de mim próprio. Serve-te a resposta ?"
...
"- Faz-nos um bom fogo, e depois podemos abraçar-nos e adormecer como tu querias. Se houver pesadelos, afunda-los-emos em orgasmos."

jorge b @ 01:23 PM | Obs (18)
domingo, 24 de setembro, 2006

Conversa de clitóris ... | espécie: anedotas de elite

"Encontram-se duas vaginas:
- Ouvi dizer que eras frígida...
- Qual quê !?... Não ligues, são as más linguas."

in my mailbox

jorge b @ 07:48 PM | Obs (1)

How to make ... | espécie: fora de blog

Iraq free, Bush falls, a blow job, music and a Picasso head.

jorge b @ 05:59 PM | Obs (0)

Os Persas é que sabiam ... | espécie: interferências

"É sinal de fraqueza falar quando é preciso estar calado e estar calado quando é preciso falar."
Provérbio

jorge b @ 05:35 PM | Obs (11)
sexta-feira, 22 de setembro, 2006

Meiguices para cadelas infiéis ... | espécie: mundo

“As esposas virtuosas obedecem incondicionalmente ao marido. As desobedientes devem ser por ele afastadas da sua cama e espancadas.”
Corão

“O homem é o senhor indiscutível, o dono absoluto da família. A mulher não pode revoltar-se contra a sua autoridade e, se ousar fazê-lo, é necessário esbofeteá-la.”
Livro de Qaradhami

“Usar um pau fino e leve, útil para lhe bater também de longe. Bater-lhe apenas no corpo, nas mãos e nos pés. Nunca no rosto, senão vêem-se as cicatrizes e os hematomas. Lembrem-se de que os espancamentos devem fazer sofrer psicologicamente e não só fisicamente.”
Imã Mohammed Kamal Mustafá

“A recompensa daqueles que corrompendo a Terra se opõem a Alá e o seu Profeta será a de serem assassinados ou crucificados ou amputados nas mãos e nos pés, ou seja, serem banidos com infâmia deste mundo.”
Corão

Era a mais mediática voz que dissecava e denunciava a mediocridade implicita e explicta nos textos do Corão e da religião Islâmica. Travava nos ultímos anos uma luta contra o cancro e contra os fundamentalistas, tendo falecido às mãos do primeiro. Ambos tinham-na condenado à morte. Persseguida, vivia meio anonimamente em Nova Iorque, denunciava aquilo que dizia ser uma islamização da sociedade ocidental em curso. À custa da nossa tolerância, os pilares da nossa civilização estavam a ser minados por dentro. Pode parecer uma visão algo radical, mas quem ler por exemplo "A Força da Razão", escrito depois do 11 de Setembro, encontrará motivos mais que preocupantes que fundamentam aquela ideia. Oriana Fallaci morreu no passado dia 15 de Setembro.

jorge b @ 09:44 AM | Obs (1)
quarta-feira, 20 de setembro, 2006

A palavra F ... | espécie: revisões da matéria

Vejo uma série televisiva de lésbicas no canal 2 e aprendo algumas coisas: que uma “obsolésbica” (de lésbica obsoleta) é uma lésbica que já não exerce, que assim como existem clínicas para alongamento do pénis, existem clínicas para rejuvenescimento da vagina, visando esta intervenção não só o restauro estético mas também o estreitamento do órgão sexual. “Querida porque vais fazer isso ? Já és tão apertadinha…(personagem lésbica dixit). Aprendo também que é possível a fertilização no lar lésbico, do género, “pronto querida, agora vou penetrar-te… com esta seringa, este tubinho, e este esperma de um preto qualquer, ahahahah(delírio do autor do blog).
Acima de tudo constato a facilidade de engate que existe naquele universo. Só Deus sabe o contorcionismo que os heterossexuais têm de fazer para engatar, no meu caso, a dificuldade que tenho em encontrar uma tipa com os copos, à noite no Bairro Alto. Facilidade de engate e espontaneidade já por mim igualmente constatada entre o meio gay masculino. Nunca vi malta ir de um olhar ao linguado em tão poucos segundos. Uma vez estava no Frágil e vi um puto novo a dançar no meio da pista aos beijos com outro. Escusado será dizer que a cena deu-me volta ao estômago, pareceu-me repugnante, etc, e assim afirmar a minha masculinidade. Naquele momento presumi serem namorados mas, entre dois goles na imperial, a coreografia fez o rapazinho voltar-se para o outro lado e começar aos beijos com outro puto apanhado completamente desprevenido. Dificuldade, só mesmo entrar no Frágil.
Mas a facilidade de engate nas lésbicas lindas de morrer como as da série é tal que uma das personagens desenha no computador uma teia de ligações com dezenas e dezenas de lésbicas que entre si fornicam ou já fornicaram, resultando numa interessante emaranhado gráfico de onde podemos facilmente concluir o regabofe que deve ser, e quão divertido deve ser, ser lésbica.
Como dizia um amigo meu, “epá se fosse mulher era uma granda puta!”. Eu não iria tão longe. Mas lésbica era, de certezinha.

jorge b @ 10:17 AM | Obs (0)
segunda-feira, 18 de setembro, 2006

O mãozinhas ... | espécie: deus, patrocinador oficial

Ao longo dos tempos, e depois de toda a trabalheira que foi a Criação, têm sido diversas as intervenções divinas. Deus tem sempre intervido nos momentos cruciais da história da Humanidade. Assim de repente lembro-me apenas daquele célebre jogo de futebol no mundial do México, há 20 anos atrás, quando a mão de Deus entrou em campo permitindo a vitória de Maradona sobre a selecção inglesa, no mais celebre golo batoteiro da história. Ah, lembro-me agora que sábado passado, a mão de Deus voltou a ser decisiva na derrota do Sporting. Mas devem existir inúmeros outros exemplos. Como a mão que comandava os aviões contra as torres do WTC, só poderia ser divina, versão árabe. Terá sido igualmente a mão de Deus que pegou num telefone e alegadamente ligou a determinadas pessoas avisando-as para que naquele dia não fossem trabalhar nas torres. Deus tem múltiplas personalidades, múltiplas variantes, uma esquizofrenia grave, um caso clínico sem cura.
Mas é na intimidade de cada um de nós, no dia a dia de cada ser humano, que se sente a presença de Deus. Deus está em todo o lado e sempre connosco, para nos proteger, nos auxiliar, para nos dar força, para nos dar uma mãozinha quando é preciso. Deus preocupa-se com o nosso bem estar físico e psíquico, Deus preocupa-se com a nossa saúde sexual e as doenças sexualmente transmissíveis. Daí que Deus dê sempre uma mãozinha ou uns dedinhos, para que possamos usufruir da forma mais segura de sexo que existe: a masturbação.
Parece que a bíblia condena algures o derramamento de sémen em vão. Não podemos considerar tal uma alusão à masturbação. Antes ao milenar coitus-interruptus, técnica indecorosa que culmina com um cum shot e que visa interromper, de forma gratuita e contra a vontade divina, o fluxo de novos filhos de Deus na Terra. Veria pois com normalidade o Santo Padre apelar à prática generalizada da masturbação, quantas e quantas vezes necessária para apaziguar o desejo incontrolável de comer a mulher do próximo e assim pecar. Um tipo ficar sem o seu lugarzinho no céu apenas porque foi para a cama com a mulher do vizinho do 5º esquerdo, é demasiadamente cruel. Mais vale esgalhar o bicho! Assim como, porque Portugal não é propriamente conhecido como sendo um país fabricante de preservativos, veria com a mesma naturalidade Sócrates apelar ao Onanismo num esforço de equilibrar o deficit externo. Um patriot act á portuguesa! Não se conhecendo nenhum fabricante nacional de Camisas de Vénus, será de considerar que todos os milhões de preservativos consumidos anualmente em Portugal são de importação, com as graves consequências a nível económico que daí advêm. Também do ponto de vista ecológico, quantas vezes não vamos calmamente a percorrer os areais das praias, e tropeçamos amiúde em camisas de vénus utilizadas, trazidas ou à espera de serem levadas pelas ondas. A extinção do nada bio-degradável artigo impunha-se e a masturbação, se Deus quiser, pode ser a solução!
Eu sempre desconfiei como é que uma pessoa sozinha pudesse sentir tanto prazer munida apenas do seu próprio corpo e de uma imaginação prodigiosa. Sei-o hoje, as minhas duvidas tinham razão de ser. Quando se bate uma (tocar uma, se estivermos acima do Mondego), não estamos sozinhos entregues às nossas fantasias. Temos a companhia divina. O órgão é nosso, mas aquela é a mão de Deus, a prova que Ele nos ama mas ninguém nos mama.

jorge b @ 02:37 PM | Obs (1)

Vil ... | espécie: extracções

Prova nº 1246: Nunca faço forward de mailes com apelos desesperados e fotografias de pessoas e crianças desaparecidas. Acho inútil. Só o faria se fosse traficante de pessoas ou pedófilo e pertencesse a alguma rede. Assim como faço forward de todos os mailes a achincalhar o Benfica, precisamente porque sou do Benfica.

jorge b @ 11:04 AM | Obs (0)
terça-feira, 12 de setembro, 2006

#2 ... | espécie: my bookmarks

jorge b @ 01:41 PM | Obs (88)
sábado, 9 de setembro, 2006

Insónia ... | espécie: revisões da matéria

Vejo um programa chamado fiel ou infiel, na TVI. A lógica é a seguinte: põem uma tipa completamente irresistível a dar emprego a um tipo qualquer das obras, oferecendo-lhe um valente ordenado, o seu chorudo corpo e demais mordomias caseiras, entre as quais o luxo dos seus aposentos e um marido ausente. No estúdio a namorada acompanha em diferido a cena filmada à socapa, na expectativa de ver o amado resistir à tentação da sedutora. O apresentador, um brasileiro fã de laca para o cabelo e de calças à meia canela, vai gozando o prato, lançando discretamente achas para a fogueira alimentada pela traição que se vai avizinhando à medida que a loira tentadora de serviço se vai despindo e acariciando a vítima que de nada desconfia.
Às tantas o dito brasileiro começa a conjugar para o público presente o verbo Freud, eu Freudo, tu Freudes, ele Freude, nós Freudemos, vós Freudeiam, eles Freudem. Um momento bonito de televisão.
Além da eventual palhaçada que o programa gera, levantam-se questões pertinentes sobre a fidelidade, no caso, a masculina. Na circunstancia em que estava o pobre aventurado, 99,99% dos homens não resistiriam a comer a tipa, por mais comprometido e respeitável chefe de família que fosse. Portanto, não temos que o censurar, inclusive a namorada que só o fez, e com razão, porque de facto o tipo podia fazer as coisas sem necessidade de a achincalhar. Optou pela técnica do coitadinho, algo que por mais sincero que fosse, dispensava-se em nome do bom carácter. Mas foi a forma que o tipo entendeu ideal de criar cumplicidade, de pôr as mãos com outro à vontade no tesouro que tinha pela frente.
Ora, apenas estando reunidas todas as condições que a seguir se descriminam, poderia qualquer um de nós homens estar a salvo duma investida por parte duma loira daquele calibre (atenção, note-se que a tipa ás tantas põe-se de cuequinhas e de gatas, gatinhando à volta da incrédula vítima):
- Estar completamente satisfeito emocionalmente com a sua relação actual;
- Estar completamente satisfeito sexualmente com a sua relação actual;
- Estar sexual e emocionalmente satisfeito;
- Ter tamanho respeito e consideração pela companheira ao ponto que a ideia de estar a traí-la funcione como um fantasma castrador, coisa que naturalmente lhe impossibilita uma ereção de jeito, por mais habilidosa que seja a loira;
- Ter feito sexo há menos de uma hora;
- Ter comido a irmã gêmea da loira há menos de 24 horas.
Ainda assim, para resistir a um pedaço daqueles, uma mãozinha lá de cima, intervenção divina, seria bem vinda.
Curiosamente, as mulheres são mais parcas, basta-lhes amar o parceiro para que não se concretize a traição com terceiro. Mais um dos mistérios da insondável psique feminina que jamais entenderemos.

Escrito a ouvir obsessivamente “Black Swan” do Thom Yorke.
Art: Steven Stahlberg

jorge b @ 05:36 PM | Obs (141)

Faço questão de ser eu a pagar ... | espécie: algures

Num restaurante apinhado de gente, pode um tipo almoçar ainda mais sozinho ? Obviamente que sim, se lhe pedirem a cadeira da frente, porque precisam, perderá a unica companhia que tem.

jorge b @ 04:35 PM | Obs (281)
quarta-feira, 6 de setembro, 2006

Re ... | espécie: algures


by Kenya Hara

jorge b @ 03:27 PM | Obs (5)
terça-feira, 29 de agosto, 2006

BLOG ... | espécie: histórias infilmáveis

OVER

jorge b @ 07:20 PM | Obs (5)

O Mia é que sabe ... | espécie: interferências

"(...) O que me inveja não são esses jovens, esses fintabolistas, todos cheios de vigor. O que eu invejo, doutor, é quando o jogador cai no chão e se enrola e rebola a exibir bem alto as suas queixas. A dor dele faz parar o mundo. Um mundo cheio de dores verdadeiras pára perante a dor falsa de um futebolista. As minhas mágoas são tantas e tão verdadeiras e nenhum árbitro manda parar a vida para me atender, reboladinho que estou por dentro, rasteirado que fui pelos outros. Se a vida fosse um relvado, quantos penalties eu já tinha marcado contra o destino? (...)"

Mia Couto, in "O fio das Missangas"

jorge b @ 12:13 AM | Obs (27)
sexta-feira, 25 de agosto, 2006

DNA do artista ... | espécie: fora de blog

jorge b @ 09:24 PM | Obs (107)

O sermão do comboio ... | espécie: histórias infilmáveis

E o Senhor sentiu-se satisfeito com o seu bronze e recolheu a toalha de praia, guardou o creme solar e enfiou os chinelos nos pés. Dirigiu-se então em direcção á estação de comboios disposto a apanhar transporte para destino incerto. Entrou numa carruagem que em boa hora acabara de chegar e sentou-se ao lado duma jovem que fitava um anuncio publicitário como se fosse a mais bela das paisagens.
- Que tanto discorreis naquele painel publicitário minha filha ?
A jovem não respondeu e o Senhor apercebendo-se de que a rapariga se encontrava em transe, beliscou-lhe a coxa pois que era sabido ser aquele o melhor método para fazer a pobre voltar ao mundo real.
- Desculpai-me Senhor não vos imaginava aqui ao meu lado, tão encostadinho a mim.
- Eu percebi minha filha que os teus pensamentos vagueavam por longínquas paragens, mas felizmente o teu corpo permanecia no meu raio de alcance. Mas dizei-me, qual é o teu destino, para onde vais, de onde vens, as tuas medidas ?...
- Senhor, eu deveria ter saído algumas paragens atrás mas tanto me apraz a magnífica paisagem que se vislumbra durante a viagem que me deixei ficar. Hoje gostava que o comboio me levasse até um sitio onde sentisse algo mais que este desejo de desejar, esta tristeza inquieta que não me dá a necessária paz de espírito para usufruir convenientemente de todas as potencialidades eróticas do meu corpo.
- Não te iludais minha filha, pois que tal sítio que procuras, não o encontrarás no fim desta linha. E a paisagem que atrás vistes toda ela é obra dos poetas, essa escumalha da pior espécie! Gente que jamais sentiu a verdadeira tristeza, essa tristeza que experimentais.
- Mas Senhor o que dizeis ? Não vedes que, não fossem eles, como seria o nosso mundo... Haveis já conhecido o belo lago de águas azuis por onde todos os dias passa o comboio ? Haverá obra mais bela quando iluminada pela luz do pôr do sol ?...
- Minha filha, tu fazes a tua viagem todos os dias, sempre na mesma direcção sempre à mesma hora...
- E haverá mal nisso Senhor, não vedes que estou condenada á rotina dos meus tristes dias.
- Vinde comigo, dai-me vossa mão suave e macia como a minha glande, mudemos de comboio, vou-vos mostrar pelos meus olhos a realidade 10 minutos depois, a realidade do comboio seguinte que nunca haveis visto, a realidade no sentido contrário.
O Senhor estava deveras entusiasmado pois que não era todos os dias que encontrava uma discípula disposta a segui-lo cegamente. Levou-a pela mão, voluptuosa ceguinha, até um comboio que se preparava para partir no sentido oposto.
Alguns minutos depois, o comboio passava pelo lago que a jovem referira ao Senhor, tendo esta ficado estupefacta com a paisagem que agora se apresentava.
- Mas Senhor, o que é feito do azul da água, e da água propriamente dita, o que se passou meu Senhor ?
- Minha filha, em boa verdade te digo que a água que vês todos os dias e que tanto julgas deslumbrar-te o espírito, não é mais que uma fina camada de azul pintado à pressa pelos poetas, esses lambodes, para quando o comboio passa. Logo após, a chuva que com eles mantém um ignóbil acordo, abate-se violentamente sobre o azul, desvanecendo-o, revelando a sua verdadeira cor, a sua verdadeira natureza, transformando-o em sangue que os vermes que habitam no lodo devoram com grande voracidade. É o lodo minha filha, o que está por debaixo do azul por que te apaixonas.
- Mas Senhor, e agora o que vejo eu, o belo pôr do sol que me inspira todos os dias, o que lhe aconteceu.
- Mais uma obra dos poetas, essa canalha. Vede que mal passa vosso comboio e o vosso sol moribundo não é mais que um orifício anal gigantesco que nem ao mais privado dos habitantes de Sodoma apeteceria.
- Senhor não sei o que vos diga...
- Digo-vos eu minha filha, que há beleza neste mundo verdadeiro que ora vos revelo, mas tendes que descobrir dentro de vós a necessária verdade que te é mais fácil negar. Mas chega de conversa, sairemos no próximo apeadeiro.
- Mas por alguma razão especial meu Senhor ?
- Sim, há por lá uns arbustos fantásticos. Esperai por mim no cimo da escadaria, minha filha.

jorge b @ 08:15 PM | Obs (364)
quinta-feira, 24 de agosto, 2006

Never trust the way you are ... | espécie: algures

a googlar: centrozoon, david ho

jorge b @ 09:32 PM | Obs (10)

#15 - O balão ... | espécie: anedotas de elite

"
Estava um menino a brincar com o seu balão, quando o mesmo caiu dentro da retrete lá de casa. Com nojo de o apanhar, o menino acabou por deixá-lo lá, e continuou a brincar.
Pouco depois chega o pai, pronto para dar uma cagada. Com o jornal nas mãos, não se apercebe do balão do filho, senta-se e, durante a leitura, vai descarregando.
Duas horas mais tarde, jornal lido do princípio ao fim, o homem levanta-se, vê a retrete cheia de merda e apanha um susto:
- Meu Deus! O que eu caguei! Quanta merda!
Atordoado, liga para o médico que se prontifica a deslocar-se ao local para tratar do caso.
Chegado lá, o médico é levado a ver o festival. E também se assusta.
- Cruzes! Mas a merda cobriu toda a retrete!
- Por favor, doutor, estou desesperado. O que será que tenho?
- Ainda não sei. Preciso examinar a merda.

O médico tira uma espátula da bolsa para examinar um pouco das fezes.
Mas, assim que toca nas ditas, o balão estoura e voa merda por tudo o que é sítio.
Estupefacto, o médico olha para o homem, ambos cobertos de merda, e diz conclusivo:
- Sinceramente, já vi muita coisa na vida, mas nunca tinha visto um peido com casca...
"

jorge b @ 09:13 PM | Obs (26)

Terapia happy ... | espécie: algures

No McDonalds sabem bem como deixar os clientes happy. Não só os pequeninos, fãs dos brindes do happy-meal, também os adultos depois dos trinta podem ter direito ao seu happy-moment do dia. Hoje a happy-empregada que me atendeu, que nunca me vira na vida, afianço-vos, 17 ou 18 aninhos, trata-me por tu: “Vais querer sobremesa ?”. “Vais?!”, mas é claro que vou! O que é que ela me perguntou mesmo ?... E vêem de lá umas batatas fritas para cima do talão, à frente de um sundae afogado em morango liquido. Há coisas que não têm preço.

jorge b @ 01:55 PM | Obs (5)
quarta-feira, 23 de agosto, 2006

À primeira vista ... | espécie: revisões da matéria

Já perdi a conta ao número de vezes em que me apaixonei à primeira vista. Assim por alto terão sido umas duas… talvez três vezes, no máximo. Mas este número refere-se apenas aquelas vezes em que houve correspondência, ou seja, a outra pessoa também se apaixonou à primeira ou até me perder de vista, o que representa aproximadamente 1% de todas as vezes que me apaixonei à primeira vista. Não é muito alta a minha taxa de sucesso, eu sei. Mas convém desde já esclarecer que este número não engloba aquelas vezes em que senti um sentimento avassalador do género “agora comia esta gaja” ou a versão soft “esta tipa era bem comida”. Mesmo neste tipo de sentimentos, apesar de em ambos subsistir uma vontade incontestável de comer a pessoa em causa, há que notar que o imediatismo do primeiro contrasta com a calma e sapiência que denota o segundo. De facto quando se pensa “esta tipa era bem comida” não o era já ali, na fila, frente ao caixa do banco, mas depois, noutro tempo, noutro espaço, mas seguramente nas próximas horas. Não entram nas estatísticas as vezes que sentimos que era mesmo aquela, temos a absoluta certeza que era com aquela pessoa que seríamos capazes de ser felizes até o resto da noite.
Eu tenho para mim a teoria que todos os amores são-no à primeira vista. Não ?! Pensem bem, façam rewind, quando se olharam pela primeira vez, não se sentiu para ali já qualquer coisinha ? Claro que sim. Só que na altura, como ainda estavam com o ex-namorado na cabeça estavam demasiadamente ocupadas para se aperceberem de que estavam a apaixonar-se à primeira vista. Estas coisas passam-se quase todas ao nível do subconsciente. E se o consciente já é deveras inacessível, que se dê portanto o benefício da dúvida.
As paixões à primeira vista são um sucesso, as mais procuradas e nunca passam de moda. É como apostar na bolsa. Os nossos gerentes de conta dir-nos-ão para primeiro efectuarmos uma profunda análise técnica e aos fundamentais da acção em questão antes de nos atirar-mos de cabeça. Podemos dar-nos a esse trabalho e até sermos bem sucedidos. Mas ninguém resiste de vez em quando a apostar numa acção apenas porque houve para ali uma química qualquer, algo nos dizia que era aquela que ia subir. No amor à primeira vista também é assim, há ali qualquer coisa, não nos gráficos, mas no olhar. E quando um olhar tem a capacidade de desviar o nosso de outros pontos de interesse, então cuidado.

Sugestão para googlar: "Alessandro Bavari"

jorge b @ 11:15 AM | Obs (9)
sexta-feira, 18 de agosto, 2006

O desejo de sair dali ... | espécie: revisões da matéria

A saída na próxima estação de metro é habitualmente precedida de uma tensão à qual quem se encontra a barrar a passagem de alguém não fica indiferente. Hoje mal as portas se tinham fechado na estação do Parque, atrás de mim alguém me interrogou sobre as minhas intenções, se ia sair na próxima estação. Acenei com a cabeça, num gesto reconhecidamente universal de aprovação e concordância que qualquer habitante da Aldeia dos Macacos compreenderia. No entanto decorridos alguns segundos a pessoa em questão voltava, impaciente, a fazer-me a mesma pergunta. Obviamente que pretendia uma declaração, se possível por escrito, um juramento sob compromisso de honra em como de facto eu iria sair na próxima paragem acontecesse o que acontecesse, que em caso algum jamais lhe obstruiria o caminho em direcção da desejada porta de saída. Limitei-me a ignorá-la, fingi que ia a ouvir MP3, sentindo no entanto que com o aproximar do momento em que as carruagens parariam e as portas se abririam em perfeito sincronismo, crescia a ansiedade não só de quem me queria dar com um guarda-chuva na cabeça, mas de todos os passageiros em geral pelo aguardado momento de evasão.
Por razões de natureza técnica e aerodinâmica, numa viagem de avião os momentos críticos são o levantar voo e a aterragem. No metro, por questões relacionadas com a psique humana, são as entradas porque toda a gente tem medo de não ter lugar naquele éden, e as saídas porque toda a gente tem um incontrolável desejo de sair dali. A implacável porta, espécie de guilhotina do desejo, parece pois ser geradora de pânicos mal disfarçados. Mas é compressível. O metropolitano é por seu turno uma espécie de elevador atulhado de gente que se desloca na horizontal, com a agravante de não dar azo a fantasias sexuais como as que temos nos elevadores, principalmente naqueles do Centro Comercial das Amoreiras. As probabilidades de se entrar numa carruagem deserta e na estação seguinte entrar uma atraente revisora ninfomaníaca são ínfimas. Nas Amoreiras já não se pode dizer o mesmo, se nos entrar uma daquelas lojistas.
A grande verdade é que o ser humano sente-se sempre desconfortável em lugares onde não possa ter fantasias sexuais. Sente logo o impulso de sair dali para fora o mais rapidamente possível. E se estiver alguém no seu caminho, passar-lhe à frente ou nessa impossibilidade, certificar-se desde logo que o imbecil não atrapalhará a fuga. Ora, uma carruagem de metropolitano atulhada de gente, além do lar da minha avó, é o único lugar do mundo onde tal acontece, onde o ser humano se resume à sua mais miserável condição, de gado transportado sem o mínimo de condições para fantasiar. Obviamente que há rapaziada para tudo, mas pessoalmente considero que estar espalmado a 50 metros de profundidade entre as nádegas de uma preta gorda gigante não seja uma fantasia sexual.

jorge b @ 11:31 AM | Obs (2)
quinta-feira, 17 de agosto, 2006

Guerra e paz na cama ... | espécie: extracções

Quando chegará o dia em que as misses nas suas alegações finais desejarão a paz e a concórdia entre homens e mulheres, que o campo de batalha se restrinja de uma vez por todas ao rectângulo da cama… Que catástrofe maior terá de acontecer do que esta que já acontece nos nossos dias, com tanta procura de um lado, tanta oferta do outro, sem que se faça negócio, que cataclismo maior fará homens e mulheres viverem e comerem-se em harmonia ? É na desgraça que as pessoas se unem sem desconfiança, é na existência de um inimigo comum que se geram cumplicidades. Não há maior desgraça que a indiferença, maior inimigo que a solidão.

jorge b @ 10:57 AM | Obs (2)
segunda-feira, 14 de agosto, 2006

Dreamerica ... | espécie: algures

jorge b @ 10:23 AM | Obs (802)
sexta-feira, 11 de agosto, 2006

Onde todos sabem o teu nome ... | espécie: revisões da matéria

Houve dois espaços de restauração onde me senti assim como no “Cheers”. “As primas” era uma tasca decrépita ali no coração do bairro alto, onde se podiam beber umas bejecas sentado numa daquelas cadeiras e mesas típicas das tradicionais tabernas. Geralmente era visível uma pequena cascata de água que descia do degrau que dava acesso à "casa de banho", entre outros pormenores bizarros que faziam as delícias de quem procurava uma certa decadência cenográfica condicente com o seu estado de espírito. Era um local onde parava uma fauna alternativa e onde se podia gritar, aquele tipo de grito gratuito que liberta, falar alto sem que alguém parasse para olhar e pensar “olha aquele gajo está com os copos”. Isto era muito bom.
Havia também lá uma ‘juke-box’ equipada com dezenas de singles, hits de décadas passadas. Funcionava a moedas de 20 escudos e era lá que tinha descoberto e passado a ouvir religiosamente uma musica fantástica do Júlio Eglésias ”ni te tengo, ni te olvido”, afinal, uma espécie de hino da minha existência, cujo romantismo contrastava com o realismo descolorido do espaço, iluminado pelas lâmpadas fluorescentes mal pregadas ao tecto. Enquanto a musica tocava, momento sagrado, tentava abstrair-me de tudo e todos, e entre a algazarra tentava decifrar o que de tão dramático e ao mesmo tempo belo o espanhol dizia. O exercício era difícil mas este era sem dúvida o tipo de desafio e contraste que tanto apreciava.

No acierto a ver el camino
Que me separe de ti
No puedo seguir contigo
Ni puedo vivir sin ti.


Era uma provocação aos presentes que, desconfortáveis, não pelas palavras, imperceptíveis aos ouvidos alternativos, mas pela harmoniosa orquestração, se dirigiam logo à máquina para que o Brian Adams ou o Bruce Springsteen repusessem o necessário equilíbrio decadente do ambiente. Lá mais para o fim da caneca, ouvia-se o “sweet sixteen” do Billy Idol, o mote para mais uma. Gastei uma fortuna naquela juke-box, nos matraquilhos, nas bejecas.
Só muitos anos mais tarde reencontraria o prazer de estar assim num sítio “where everybody knows your name”. “As tias” era a alcunha da ‘tasca’, ali ao Pateo Bagatella, zona chique (atenção ao pormenor do Pateo, nada de confusões com pátio). Até à tarde, era um restaurante self-service muito bem, mas depois transformava-se no meu 'centro diurético privado'. Era raro o dia que não me encontrassem ao final da jornada de trabalho naquele canto do balcão precisamente com vista para as torneiras da imperial. Havia quem me perguntasse o porquê de tanta fidelidade. O segredo, bem escondido, residia na filha da dona ‘tia’, uma prima portanto, o retornar ao ambiente familiar. A pequena que ali auxiliava a mãe, era dotada de uma rara beleza tipicamente portuguesa. Explico que para mim uma rara beleza tipicamente portuguesa é aquela que me faz lembrar a beleza das mulheres da terra da minha avó, quando eu era pequenino. Ou seja, eu conseguia imaginar a ‘prima’, de traje regional, em cima do palco de madeira lá do pavilhão multiusos do grupo desportivo da terra, a dançar o vira. Mas este tipo de alucinação durava pouco. Ao fim de duas imperiais ela já despia o traje regional revelando as suas deslumbrantes formas valorizadas por uma sensual lingerie preta… Estes contrastes sempre me seduziram e inspiraram!
Mas havia algo mais que mero voyerismo. A pequena dava conversa, assim como o resto das suas empregadas ucranianas, cuja vulgar beleza era tipicamente ucraniana. Explico, a vulgar beleza tipicamente ucraniana, conseguia imaginá-las de volta de mim tentando-me seduzir… a beber mais um scotch enquanto elas continuavam no scotch de lúcia lima, antes que saltassem para o palco do bataclan ou fizessem mais uma table-dance a alguém abastado. Quanto à conversa em si, falava-se de amor mas, naturalmente na terceira pessoa, do ponto de vista do observador e observadora, pois que o decoro e ausência de tremoços eram política da casa. A pequena já tinha perdoado uma traição do namorado e eu interrogava-me como era possível ela andar com um azelha daqueles que não sabia sequer fazer bem “as coisas“ ao ponto de ter sido apanhado. A traição a uma mulher daquelas teria que ser tratada com um secretismo e requinte cirúrgico, só ao alcance de alguns. Ela merecia melhor que aquele gajo. Mas quem era eu para dar conselhos, mero enfermeiro curioso.
Uma vez lera algures acerca de uma palavra russa que não teria tradução para português, mais ou menos assim, “razbliuto” e introduzia-a na conversa. Tive a confirmação duma das empregadas ucranianas da bela ‘prima’, a palavra significava um determinado sentimento que se sente depois de uma relação de amor que acabou, restando portanto apenas amizade e simpatia, cordialidade. E disse-me isto dizendo-me "paciência senhor", como se fosse eu vítima do alegado sentimento de outrém. De facto, só na rússia, malta esquisita. Do ponto de vista latino não tem cabimento sentir-se tais sentimentos por alguém que já amámos e não amamos mais. Para quê, portanto, haver uma palavra para tal quando se tem pratos à mão e uma empregada doméstica russa para apanhar os cacos ?...
O sítio das ‘tias’ já não existe. Curiosamente, passadas algumas semanas após eu ter sido colocado em trabalho fora de Lisboa, o mítico local encerrou. E “as primas” já não são o que eram. Já não se grita, arranjaram os canos, não há cascata.

jorge b @ 11:23 AM | Obs (2)
quinta-feira, 10 de agosto, 2006

Genoma da musica perfeita ... | espécie: fora de blog

electronica roots
disco influences
a laid back female vocal
a breathy female vocal
romantic lyrics
a repetitive verse
use of modal harmonies
inventive synth arrangements
a tight kick sound
a slow moving bass line
thin ambient synth textures
a highly synthetic sonority
subtle use of noise effects
trippy soundscapes
prevalent use of groove

Com a ajuda do pandora.

jorge b @ 02:14 PM | Obs (130)
quarta-feira, 9 de agosto, 2006

Preservação da espécie ... | espécie: fora de blog

...
artur-gonçalves.blogspot.com

jorge b @ 01:52 PM | Obs (5)
terça-feira, 8 de agosto, 2006

Sobre-humano ... | espécie: algures

Passo pela mendiga do costume, aquela velhota que ao cimo das escadas da saída do metro se mostra ao sol, encostada à sombra da parede e que todos os dias me esforço por ignorar. Mas desta vez, absolutamente sozinho, o esforço foi sobre-humano. A falta que faz a multidão.

jorge b @ 11:31 AM | Obs (2)
sexta-feira, 4 de agosto, 2006

O Nobuyoshi é que sabe ... | espécie: interferências

Fresquinho, acabadinho de chegar à lota!
Nobuyoshi Araki, "Erotos"

jorge b @ 09:30 AM | Obs (3)
quarta-feira, 2 de agosto, 2006

Os insolentes ... | espécie: digestões


"No amor há umas camadas inferiores de ódio."
(...)
"Quando se escreve, fica-se mais ou menos acabado, diminuído, aquilo gasta-nos, é desagradável... E além disso, para quê ?"
(...)
"Pode ser que a mentira se transforme num acto tão habitual que acabe por se escapar dos lábios, sem que nada, em todo o ser, sofra com essa distorção da verdade."
(...)
"- Quando uma pessoa se despreza tanto, como eu me desprezo a mim, o sofrimento talvez seja mesmo a única maneira de recuperar um pouco de dignidade..."

Margueritte Duras

jorge b @ 09:32 AM | Obs (78)
segunda-feira, 31 de julho, 2006

Floribella sex-symbol ... | espécie: estudos

Não me causa admiração o facto de 90% dos internautas que ultimamente visitam este blog o façam no seguimento de pesquisas no google com as palavras “Floribella” ou “Luciana Abreu nua”. Excepto a questão da nudez da actriz, os assuntos foram debatidos num post há algumas semanas atrás, portanto, explicam-se as incautas visitas. O que é curioso é ninguém procurar no google pela “Floribella nua”. Ou seja, além da Nossa Senhora de Fátima, a Floribella é a única personagem de ficção que nunca ninguém desejou ver nua. Sugeria portanto um estudo sociológico aprofundado sobre a questão. Não andará a malta a negligenciar as potencialidades eróticas desta personagem ? Já alguém reparou naquelas saias com folhos, naqueles tops justinhos, a maneira como ela se agarra a todos, ou sou só eu ?
Mas creio que com o evoluir da história, à medida que ela vai conseguindo dominar aquele sotaque de Vila Nova de Gaia, o franshising Floribella, passará das roupas, para os perfumes, relógios, material escolar, ursinhas de peluche, até chegar ás bonecas insufláveis.
Na próxima despedida de solteiro, não me admirarei nadinha se encontrar no Passarelle uma daquelas reputadas artistas num exercício de ‘cosplay’ a rodopiar na barra, só com uns lindos ténis ás florezinhas calçados, ao som daquela insuspeita musica “(…) para a frente e para trás, para cima e p’ra baixo (!!!) ”.

jorge b @ 04:12 PM | Obs (10)
sexta-feira, 28 de julho, 2006

Sem antena ... | espécie: revisões da matéria

Chego ao carro e surpresa! Não tenho espelho retrovisor lateral. Não há sinais de vidros partidos no chão, logo, fui roubado. Refeito do choque inicial de ver o mecanismo eléctrico de regulação do espelho à vista, apercebo-me de duas duras realidades. A primeira, dramática, tenho um carro velho! Tomo consciência de que o meu carro já não é um carro, é um armazém de peças ambulante. A segunda, é mais uma implacável lógica da vida. Quem me roubou o espelho era alguém que provavelmente tinha experimentado a sensação que agora experimento. Alguém que portanto estava extremamente necessitado de um espelho retrovisor lateral e, acto continuo, vendo o meu ali à mão de semear, não conteve os seus impulsos mais básicos.
Debruço-me ainda mais sobre o perfil do assaltante. É teso, como eu, se não tinha um carro novo e não um modelo descontinuado há cerca de uma década. E deve ter tido o mesmo choque que tive quando liguei para o concessionário a saber o preço de um espelho novo. Só que ao invés de pagar e calar, resolveu gamar e calar.
A atitude desta vítima que rapidamente passou a vitimador não é totalmente censurável. O preço exorbitante das peças, a meu ver, justificaria um acordo tácito entre todos os automobilistas, onde o gamanço seria consentido em esquema de roulement. Nenhum dos participantes ficava a perder. Fui gamado, vou gamar outro que depois irá gamar outro e assim sucessivamente, ficando sempre os participantes no esquema apenas privados dos respectivos espelhos durante umas horitas. Levava-se assim à falência a poderosa industria das peças ou, pelo menos, provocava-se um saudável crash nos preços… Julgo aliás que o acordo já existirá quanto às antenas. Ninguém compra uma antena nova, pois não ?

jorge b @ 11:32 AM | Obs (3)
quinta-feira, 27 de julho, 2006

A mais bela declaração de amor de sempre ... | espécie: algures

A declaração já me tinha ficado quando há uns anos atrás li o livro. Ontem vi o filme. Winston e Julia são colegas de trabalho no mundo Orwelliano de 1984. Ambos já tinham reparado um no outro mas nunca se tinham falado. Certo dia, ao cruzarem-se num corredor, ela caí e quando ele a ajuda a levantar-se, Julia passa-lhe discretamente um bilhete para a mão.
Mais tarde, quando se encontra em segurança, sozinho no seu quarto cúbiculo, Winston abre o bilhete que diz apenas tudo, "Amo-te". Do outro lado, está escrito o local onde se devem encontrar. Depois farão amor.

Winston: I hate purity. Hate goodness. I don't want virtue to exist anywhere. I want everyone corrupt.
Julia: Well, I ought to suit you, then. I'm corrupt to the core.
Winston: Do you like doing this? I don't mean just me...
Julia: I adore it.

jorge b @ 10:06 AM | Obs (0)
quarta-feira, 26 de julho, 2006

A sabedoria das meretrizes ... | espécie: interferências


"Por detrás de um grande homem está sempre uma grande mulher. Por detrás dos outros, estão duas."

jorge b @ 10:17 AM | Obs (1)
segunda-feira, 24 de julho, 2006

Destas coisas ... | espécie: extracções

Faço 15 minutos da minha viagem diária de comboio ao lado de um gajo que tresanda a alho. No metropolitano, uma lavadora de escadas utiliza a sua melhor arma para ganhar espaço na carruagem super-lotada, o rabão, enorme, aquilo não é cu, não é rabo, não é peidola, é rabão, enorme, para me esmigalhar ainda mais contra o vidro, como se fosse possível. Utilizo agora o caixote do lixo como mesinha de apoio, porque o espaço hoje parece-me ainda menor e o meu sentido de improviso está ao rubro. E ao fundo do corredor oiço a sanita, junto à fotocopiadora, a gorgolejar sozinha. O meu CD de Craig Armstrong está riscado.

jorge b @ 09:31 AM | Obs (5)
domingo, 23 de julho, 2006

Carne & mel ... | espécie: extracções

- Querida depois desta breve manifestação de carinho, vou-te comer como nunca o foste na vida.
Mesmo as mais doces palavras dos poetas sabem a carne. É apenas no olhar que se encontra o mel, mesmo no mais canibal dos olhares.

jorge b @ 02:24 PM | Obs (103)
quinta-feira, 20 de julho, 2006

SOB ... | espécie: algures

Anos e anos sem reparar em três pequeninas letras, entre um vasto rol de outras, no meu recibo de ordenado. Significam, sei-o agora, 2,5% de desconto. Um desconto macabro, para o meu funeral, para um generoso Subsídio de ÓBito que, se tiver o azar de nunca morrer, jamais poderei usufruir.

jorge b @ 12:26 PM | Obs (1)
segunda-feira, 17 de julho, 2006

Mulher Joker ... | espécie: extracções

O sorriso é o maior bem de uma mulher. Mas quantas vezes desbaratado em risos alvares.
(da série comic book heroes)

jorge b @ 06:10 PM | Obs (4)
sábado, 15 de julho, 2006

Mulher Perfeita ... | espécie: extracções

Nada na cabeça, tudo no corpo. Quem nunca desejou tal perfeição ?
(da série comic book heroes)

jorge b @ 05:11 PM | Obs (3)
segunda-feira, 10 de julho, 2006

4º lugar ... | espécie: bola

Na bola, com Scolari, Portugal precisará sempre de sorte para ganhar, azar para perder. No único jogo em que não tivemos nem uma coisa nem outra, jogámos bem, mas numa espécie de limbo, com a mesma incapacidade de marcar golos. Perdemos com os alemães, perdemos bem. Continua por levantar o esplendor de Portugal.

jorge b @ 12:17 PM | Obs (2)
quinta-feira, 6 de julho, 2006

Caralhavaggio para isto tudo! ... | espécie: bola

A verdadeira mão que defendia os pénaltis do Ricardo!Já nem em Nossas Senhoras se pode confiar!

jorge b @ 10:58 AM | Obs (3)
quarta-feira, 5 de julho, 2006

"O teatro é uma arte, a televisão um electrodoméstico!" ... | espécie: algures


“O amor é como um fósforo que arde sem se acender.”
in, As Vampiras Lésbicas de Sodoma, em cena no Teatro Mário Viegas (Chiado).

jorge b @ 11:34 AM | Obs (1)

Prolongamento de 120 segundos ... | espécie: bola

Ontem, Itália vs. Alemanha, mais um jogo do mundial, mais 2 minutos de bom futebol.

jorge b @ 10:50 AM | Obs (1)
terça-feira, 4 de julho, 2006

Futebolismo ... | espécie: extracções

No final do penálti contra a Inglaterra, dou por mim a gritar não "golo, golo", antes "passámos, passámos", como já fizera antes, no final do jogo contra a Holanda. Grito de descarga angustiante de quem espera por algo de bom que estará do lado de lá. Mas quando chegármos ao fim do lado de lá, à final, e ganhármos, não haverá mais nada para passar. Só me restará gritar "golo, golo". Então eu e outros milhões iremos todos tristemente constatar que, no fundo, porque é no fundo que se sentem estas coisas, não ganhámos absolutamente nada. Nem iremos perder, se perdermos nos golos. Independentemnte do resultado, quem ganharão serão meia duzia de anunciantes e patrocinadores, as FIFAS, seguramente, e os jogadores e o Sr. Scolari, por sinal, as unícas pessoas que verdadeiramente "passaram, passaram" e que se passarem por nós na rua, não nos conhecerão de lado nenhum.
O futebolismo, como qualquer outro ismo, ajuda a suportar a infelicidade. Não será nunca um meio dos capazes atingirem um qualquer bem estar ou equilíbrio interior.

jorge b @ 10:34 AM | Obs (2)

Caravagio x França ... | espécie: bola

Existem fortes probabilidades de ser Scolari e não Portugal a ganhar o título de campeão do mundo.

jorge b @ 10:19 AM | Obs (2)
quarta-feira, 21 de junho, 2006

Floribela ... | espécie: portugal

Floribela como conteúdo televisivo é autêntico lixo mas, louve-se, lixo da mais alta qualidade. Trata-se de um cruzamento perfeito entre a história da Cinderela e a típica telenovela colombiana, comandada por Luciana Abreu, uma actriz acabada de chegar da Aldeia da Roupa Branca, uma daquelas personagens que entrou no Pátio das Cantigas, posta em hibernação e que agora renasceu.
O fenómeno Floribela deve pois ser integrado num conjunto de fenómenos que claramente manifestam um revivalismo pela cultura do Estado Novo. O 25 de Abril parece ter criado um vazio mal digerido e que urgia preencher. Veja-se por isso a cada vez maior vitalidade das marchas populares, o renascer fulgurante das tradicionais noivas de Santo António, a continuidade do fenómeno alienante de Fátima ou a eleição de Cavaco Silva para presidente…

jorge b @ 10:19 AM | Obs (177)
terça-feira, 20 de junho, 2006

Tás perdoado ... | espécie: bola

O que será preferível, ter um jogador mimado, que faz birras, um puto mal comportado mas que joga bem à bola ou um menino bem comportado, um jogador artista de circo que faz poses para a fotografia ? Tragam de volta o Ronaldo.

jorge b @ 10:39 AM | Obs (91)
sexta-feira, 9 de junho, 2006

Body-building ... | espécie: extracções

O corpo tem sempre razão.

jorge b @ 09:03 AM | Obs (3)
quarta-feira, 7 de junho, 2006

E porque não se faz uma revolução ? ... | espécie: algures

Porque nas horas de ponta 90% dos utentes do metropolitano são mulheres.

jorge b @ 11:26 PM | Obs (1)
segunda-feira, 29 de maio, 2006

Ideias certas mas completamente erradas II ... | espécie: extracções

A ideia de que a primeira impressão que damos às outras pessoas é muito importante, está completamente errada. Dou como exemplo alguém que me confidenciou que, quando me conheceu, me considerou extremamente arrogante. Entre o seu círculo de amigos alcunhou-me de 'o taliban'. Apesar das contrariedades iniciais, depois ficámos amigos, tinhamos ambos características de personalidade comuns.

jorge b @ 12:23 PM | Obs (1)

Ideias certas mas completamente erradas I ... | espécie: extracções

A ideia de que se não gostarmos de nós próprios ninguém gostará, está completamente errada. Tem de haver sempre alguém que goste de nós primeiro e só depois poderemos dár-nos ao luxo de gostarmos de nós próprios. Nem que seja a mãezinha.

jorge b @ 12:00 PM | Obs (4)
sexta-feira, 26 de maio, 2006

Desespero ... | espécie: extracções

A tristeza é sempre proporcional ao desespero de se ser feliz.

jorge b @ 03:14 PM | Obs (6)
quinta-feira, 11 de maio, 2006

Caso Afinsa (reloaded) ... | espécie: mundo

Nada mais oportuno e premonitório que o meu anterior post, escrito antes do rebentamento do escândalo AFINSA.
Os crashes da bolsa são um dos mecanismos do sistema em que se verifica a necessária passagem massiva de capital dos pequenos e médios "investidores", as pessoas comuns, para os grandes guardiães de que falei. As pequenas tragédias, os pequenos e grandes dramas de quem fica sem as "poupanças duma vida" são o vapor que tem de sair da grande panela de pressão, tudo em nome da tal preservação da espécie.
Acontece agora o crash Afinsa, não totalmente fora de bolsa porque a empresa também é cotada indirectamente em Nova Iorque, com as acções da sua detentora, a Escala Group. a cairem de 32 dólares para perto dos 4 dólares em 3 dias. Mas a face mais visível do escândalo tem a ver com aqueles que investiram em selos, aliciados por uma remuneração á volta dos 7% anuais... A remuneração sempre sem falhas, paga na data certa, proporcionada pela Afinsa há mais de 25 anos, até nem era nada de especial quando comparada com a remuneração da generalidade dos fundos de investimento em acções comercializados pelos bancos. Faço notar a quem não se movimenta neste universo, que nos ultímos anos, quase que investindo de olhos fechados num qualquer fundo obter-se-ia um rendimento à volta dos 20% sendo certo que os fundos que investem na América do Sul, Indía, China, Russia, petróleo, em ouro e demais minério, têm obtido remunerações bastante mais elevadas, alguns à volta dos 90% (!) anuais. Se pode haver especulação com a filatelia e as obras de arte com que a Afinsa negociava (veja-se por exemplo os preços exorbitantes que algumas peças atingem nos grandes leilões), nada é no entanto mais especulativo que o mercado accionista, ele próprio um sistema piramidal. Ocorrem-me inúmeros casos na bolsa onde se verificou o que digo. Três exemplos na bolsa nacional, ocorridos há poucos anos atrás, em que empresas cujas cotações estavam exorbitantemente inflacionados e cujo valor especulativo superava em muito o seu valor real: A respeitável PT Multimédia chegou a transacionar nos 140 euros, com milhares de 'investidores' (pessoas comuns, as tais das "poupanças duma vida", embora supostamente mais arrojadas, bem informadas) a fazerem as suas compras recomendadas por gerentes de contas, analistas e barbeiros, promessas de que o céu era o limite. Alguns meses depois, as acções cotavam nos 7 euros. Foi o descalabro para muita gente que sofreu em silêncio, foram os ultímos a entrar na pirâmide, lixaram-se simplesmente. Os outros dois casos, a Reditus, chegou aos 40 euros, para depois se arrastar no euro e meio. Conheço um gajo que ganhou 4 mil contos numa manhã(!) Talvez alguém que me esteja a ler conheça alguém que ficou sem aqueles 4 mil. E a Pararede, depois duma subida fulgurante até cerca dos 50 euros, esteve mais tarde durante meses a arrastar-se pelos 15, 16, 17... cêntimos! Agora, depois duma subida fulgurante a alguns meses atrás, cota à volta dos 28 cêntimos.
A especulação piramidal continua na internet onde existem centenas de sites que prometem valorizações de dois dígitos à semana, ao dia, à hora! Verdadeiros burlões que continuam a actuar impunemente.
Ainda assim a taxa de 7% ao ano praticada pela Afinsa estava acima dos juros baixíssimos remunerados pelos bancos e era a estes que parecia estar a fazer concorrência, pelo grande número de pequenos aforradores mais conservadores, menos conhecedores dos mercados de capitais piramidais e mais avessos ao espírito especulativo dos mesmos.
Perante o desencadear das operações pelas autoridades espanholas, parece-me evidente que estamos perante uma cabala do sistema, dos lobbys e guardiães do costume. Só assim se explica o aparato, a intenção do pânico mediático, aquele assalto musculado á sede da empresa, como se no local houvessem reféns a libertar ou estivesse defendido por perigosos delinquentes.
É natural que se hoje todos os clientes da Afinsa quiserem resgatar o seu dinheiro, a empresa não tenha liquidez suficiente para tal. O mesmo aconteceria com qualquer instituição bancária, se de um dia para o outro, todos os seus clientes pretendessem sacar os seus depósitos, vice-versa se os bancos dum momento para o outro pretendessem que os seus empréstimos concedidos fossem liquidados.
A especulação segue dentro de momentos.

jorge b @ 05:07 PM | Obs (15)
terça-feira, 9 de maio, 2006

O futuro da espécie ... | espécie: extracções

Do ponto de vista ecológico, da saúde planetária, aquilo que mais interessa à espécie, é benéfico que a riqueza esteja na posse de poucos. É uma reserva estratégica preservada por uma elite de guardiães que vivem em função dum instinto de protecção e sobrevivência, o acumular.
Se todos fossemos apenas razoavelmente mais remediados, se todos tivéssemos acesso a nacos daquela reserva, transformando-a e materializando os nossos sonhos, se todos, sublinho, seria catastrófico.
O equilíbrio ecológico dos seres humanos, da civilização, é feito de desigualdades. É perfeitamente lógico que os ricos estejam cada vez mais ricos. É natural e até salutar. Só assim temos futuro.

jorge b @ 06:10 PM | Obs (1)
sexta-feira, 5 de maio, 2006

Fátima, esse antro ... | espécie: algures

"A vítima estaria a rezar (no interior da Basílica de Fátima), quando sentiu algo encostar-se ao seu corpo, relatou fonte policial. Ao olhar para trás, a mulher viu um homem com o sexo à vista, desmaiando com o choque."
in, Destak, 4-5-2006 "Homem detido por mostrar sexo em Fátima"

jorge b @ 06:38 PM | Obs (1)
terça-feira, 2 de maio, 2006

Certinho ... | espécie: algures

"O gajo era homem para beber 10 imperiais, depois quando chegasse a casa bebia um litro de vinho e antes de se deitar ainda metia umas bagaceiras. E no outro dia, era certinho, estava ali para trabalhar ás horas certas."

jorge b @ 03:21 PM | Obs (0)
quinta-feira, 27 de abril, 2006

Nostalgia ... | espécie: publicidade gratuita

Descobri recentemente uma música de 2003 duns gajos chamados ALPHA, chamada "Elvis". Recomendo. A malta à volta dos trintas e tais (note-se que não é á volta dos trinta, é à volta dos trinta e... tais) vai concerteza fazer uma breve viagem no tempo, ser transportada até ao tempo das matinés das discotecas, quando chegava a altura dos slows... Good all times!!
Aqui fica a letra para abrir o apetite para uma busca do ficheiro mp3 na net. Também na compilação "City Lounge:New York-London-Paris-Berlin" disponível na amazon.

Look into the dark night
I’m dancing in the shadows with you
There’s a world waiting out there for us to see
...
And beneath the starlit blanket
Dreams are made of solid gold
I just wanna be the one to hold you there
When you’re cold

With so many pictures on the walls
Of five billion minds
We just need to take them out sometime
Y’know and start living the good times
...
Decent dreams and pictures make you airborne
When you close your eyes

That’s why i wanna fly with you tonight
No one else, no one else can make the flight like you
So I wanna fly with you tonight
And no one there, oh lord oh lord (?)

I’m obviously indebted to you
By the way you make me feel
Ice cold warm heart
Is always gonna be able to turn a dream to real
I say
I’m touching all horizons with you
I got my sights on solid gold
I feel superhuman baby
Y’know like the way the marvel make man feel in their shows
Now check out what my mind say
Check out what my words say
Check out all my actions
I just want your satisfaction because

Youknow cause I wanna fly with you tonight
Oh no one else, no one else can make the flight like you
So i wanna fly, oh, with you tonight
And make dreams, make a dreams a real life
I can oh

You got to take my hand lady
Oh yeah
Then you’ll understand what i’m saying
And you know we gonna find the ideal destination
I say I say
I, I wanna fly with you tonight

jorge b @ 11:28 PM | Obs (193)
quarta-feira, 19 de abril, 2006

A dentista da Ribeira ... | espécie: algures

"Garganta funda ?!! Óh filho, para ti não era preciso uma garganta funda. O buraco da minha cárie chegava!"

jorge b @ 10:00 PM | Obs (1)
domingo, 16 de abril, 2006

Boy doesn’t meet girl, girl meets medium ... | espécie: estudos

Mais tarde ou mais cedo acaba por acontecer. Aconselhadas por amigas, as solteironas, entenda-se, mulheres com mais de trinta anos, portanto, à beira dos quarenta, com um relativo historial de relações falhadas e de má memória, acabam por recorrer aos serviços de médiums e videntes, procurando respostas para o enguiço. Porque razão mulheres cultas e interessantes e até com atributos físicos superiores à média das outras já casadas há anos e com filhos na secundária, não conseguem atinar com uma relação ? Porque razão só lhes aparecem pela frente gajos comprometidos cheios de promessas batidas, divorciados à procura de companhia para os fins de semana ocupados com os deveres da regulação paternal, ou então cromos dos quais têm vergonha de sequer serem alvos da sua cobiça ? Porque razão, fora das páginas das revistas, todos os homens são iguais ?
E a resposta parece ser recorrente: existe o espírito de alguém que numa vida passada manteve com elas uma relação amorosa muito intensa e que agora não descola, fazendo tudo para que não se relacionem decentemente com outros homens. É bonito este romantismo post-mortem e calculo que traga alguma espécie de reconforto a estas donas de casa desejosas de desesperarem. Um espírito empata-fodas pode ser um excelente placebo para uma alma desencantada com a vida (os homens), um bode expiatório perfeito, a garantia de mais duas ou três consultas mediúnicas. Calculo que o próximo objectivo seja conseguir falar com o fantasma ciumento e até, mais tarde, como se fosse uma mão que lhe percorria as pernas quando não estava mais ninguém na cama, no quarto, infelizmente. Digo isto porque não deixo de notar um certo conformismo, um certo carinho que estas mulheres nutrem pelos seus espíritos apaixonados. É o ciúme um dos combustíveis do amor. Mas neste caso não há uma cara para dar uma estalada, ninguém para gritar e depois fazer as pazes. Logo, tal carinho é algo de absurdo, uma perda de tempo. Tratam-se de espíritos que não estão na posse das suas normais faculdades mentais, incapazes de reconhecerem que não podem oferecer às mulheres que atormentam, umas costas largas e suadas onde elas possam cravar as unhas e até arranhar se a coisa ficar descontrolada. Só podem ser doentiamente ciumentos e possessivos e em vez de se entreterem com as espíritas da sua condição e desejarem o melhor para a sua apaixonada terrena, entretém-se a estragar-lhe os engates. Não pode ser amor de verdade porque quando se ama só se deseja a felicidade da outra pessoa, nem que isso implique saber que ela estará naquele momento feliz algures a cravar as unhas nas costas estreitas e suadas do nosso pior inimigo. Pelo menos é o que dizem os budistas.
Apesar das estatísticas demonstrarem que a partir dos trinta, por cada ano que passa, a mulher sozinha que nunca casou tem menos 10% de probabilidade de casar, na sua maioria, mais tarde ou mais cedo, aquela mulher culta e interessante e até com atributos físicos superiores à média, resultado também da inexistência da rubrica na agenda e no orçamento “filhos”, substituída pela rubrica “eu e o meu rico corpo”, será recompensada. Se limar algumas arestas que são notórias naquele celibato forçado, se não viver tanto a vida da irmã casada, não viver tanto a vida das sobrinhas, a vida da mãe, se não viver tanto a vida das páginas das revistas, por feliz e normal casualidade encontrará alguém com afinidades suficientes para com ela viver, partilhar. Alguém que lhe desculpe, tolere ou, de preferência, e é no fundo isso que ela mais deseja, a exorcize das suas pequenas manias, dos seus fantasmas, das pequenas fobias, das afectações que desenvolveu na sua solidão, naquela vida passada.

jorge b @ 11:27 PM | Obs (0)
sexta-feira, 7 de abril, 2006

The Twilight Benfica ... | espécie: bola

Sei que era um jogo importante. Há uns anos atrás, era um jogo importante o suficiente para sonhar com ele. Na noite anterior, num canto marcado do lado inferior esquerdo do televisor, um jogador preto marcava de cabeça o único golo da vitória.
E na noite do jogo aconteceu. Vata marcava um golo com a mão-cabeça, o único golo, o da vitória, naquele mesmo sítio do televisor. Convencido dos meus dons divinatórios, esperei por próximos jogos, próximos sonhos, que não aconteceram... Até terça-feira passada. Nessa noite tive o sonho. Não sei quem marcava, sei que eram três secos contra o Barcelona (É lá!!). Escusado será dizer que o sonho palpite falhou escandalosamente. No final do jogo interroguei-me sobre a minha falibilidade e cheguei à conclusão que falhei precisamente porque o Benfica estava na Twilight Zone, de onde naquela noite saiu. Voltou à sua inevitável realidade e condição. Na Twilight Zone, os sonhos mais tarde ou mais cedo acabam em pesadelo. Tininininininini...
(Da série "Textos com sabor a moral da história, excelentes para terminar mais um episódio da Twilight Zone").

jorge b @ 06:43 PM | Obs (1)
quarta-feira, 5 de abril, 2006

Ósculomania ... | espécie: revisões da matéria

Tento em vão lembrar-me do meu primeiro 'bjs'. Foi desde aquele momento em diante que esta manifestação de carinho e ternura virtual, o 'bjs', passou a rematar os meus mailes para as amigas ou ilustres desconhecidas, musas involuntárias e afins. É no tocante às ilustres desconhecidas que, por força da nossa actividade na rede as vamos conhecendo amiúde, tal ritual de despedida é questionável. Embora mesmo os 'bjs' para as amigas e conhecidas o seja em certa medida. Se fossemos a pôr os ‘bjs’ em dia, ao vivo, provavelmente a coisa podia dar para o torto. Eu dar para o torto, sublinhe-se. Se os namorados delas estivessem por perto, poderiam não levar a bem tanta beijoquice, tanto ‘bjs’.
Mas terá lógica estarmos a mandar 'bjs' às ilustres desconhecidas, a rematar as nossas missivas com ‘bjs’ para alguém cujo rosto nunca vimos, quando no fundo com todo o nosso palavreado simpático estamos desejosos de saber as suas medidas ? Não estaremos a abrir o flanco, estrategicamente falando ? Devo no entanto dizer que considero o ritual de despedida ‘até já’ da TMN muito mais atrevido e intimista que o ‘bjs’. ‘Bjs’ mandam-se a toda a gente, enquanto que rematamos com um ‘até já’ quando por exemplo nos despedimos da outra pessoa dizendo-lhe para ir andado que já lá vamos ter. Esperando obviamente que quando lá chegarmos essa pessoa já esteja em lingerie, de preferência preta. Não é pois de estranhar que quando telefonamos para mudar de tarifário e a pequena telefonista depois de atender a nossa solicitação, de uma maneira educada e cortez despede-se com um ‘até já’, imediatamente nos surja a dúvida do 'onde?' e fiquemos cheios de vontade de lhe voltar a telefonar para trocarmos para o tarifário anterior.
Ainda assim, o ‘bjs’ pode ter uma indubitável carga perniciosa que qualquer alma mais sensível poderá detectar a milhas. E tomo como exemplo recente o de uma ilustre desconhecida que, depois de tropeçar neste blog, me interpelou de uma maneira educada e cortez, sem 'bjs'. Respondi-lhe da mesma maneira, mas carimbando a mensagem com 'bjs' no fim. Isto foi involuntário, juro. Quer dizer, ao mesmo tempo premeditado e consciente. Se fosse um gajo qualquer a interpelar, nem sequer respondia. E se respondesse, naturalmente que não lhe mandava 'bjs', quanto muito a versão oficial masculina, 'abraços'. Daí a coisa não ser totalmente involuntária. E depois, imediatamente pensei "olha agora que me despedi dela com bjs, vou como que contaminá-la, e ela, no seu próximo mail, também me vai mandar bjs, pela certa, verificando-se portanto uma certa consonância, os primeiros passos de uma cumplicidade que porventura se quererá crescente". A ilustre desconhecida não respondeu. Embora eu no lugar dela não tivesse feito a mesma coisa. Mas temos de respeitar e agradecer a estas pessoas que nos põem a pensar nestas questões.

jorge b @ 01:37 AM | Obs (2)
domingo, 2 de abril, 2006

Por amor ... | espécie: extracções


É compreensível que as mulheres teimem em querer casar por amor. Por amor ao dinheiro, entenda-se. Aquele que, garantidamente, dura uma eternidade.

jorge b @ 10:20 AM | Obs (2)
quarta-feira, 29 de março, 2006

Wallstreet também tem a sua piada ... | espécie: algures

Circula entre os meios financeiros que a Microsoft após novo adiamento da comercialização do novo sistema operativo Vista, decidiu mudar-lhe o nome. Vai passar a chamar-se "Hasta la Vista"

jorge b @ 03:46 PM | Obs (1)

Xanax com venda suspensa ... | espécie: bola

Koemann está enganado. Não faltou tranquilidade ao Benfica. O que faltou foi um par de óculos ao árbitro. Felizmente sobrou alguma sorte ao Glorioso e o discurso do "chegar até aqui já foi bom" de Vieira continua na gaveta.

jorge b @ 02:22 PM | Obs (2)

Simplex com sabor ... | espécie: portugal

Sócrates baptizou o seu programa de trezentas e tal medidas de desburocratização recorrendo a uma preposição latina, o “ex” que fundido com “simples” resulta “Simplex”. Podia ter sido pior. Podia ter fundido um hieróglifo com uma pintura rupestre para denominar um programa que se quer moderno e de ruptura com as normas arcaicas que emperram a máquina administrativa. Foi buscar inspiração à milenar língua dos romanos talvez porque, é sabido, os gajos eram uns grandes malucos… Mas só depois do horário do expediente. Esqueceu-se que das 9 ás 18 os romanos eram maníacos da organização e da burocracia. O Direito actual tem a sua génese no direito romano que após séculos e séculos de depuração continua tão macarrónico como no primeiro dia.
Felizmente o nome “Simplex” soa igualmente a preservativo concorrente do “Durex” e remete-nos para a ideia de que é preciso não emprenhar mais a administração pública porque já há demasiada gente a mamar à conta da burocracia. Neste sentido, Sócrates foi mais uma vez feliz.

jorge b @ 10:26 AM | Obs (0)
terça-feira, 28 de março, 2006

A discípula de Lili ... | espécie: algures

"Uma coisa, é tu não saberes. Outra coisa, é outra coisa!"

jorge b @ 03:50 PM | Obs (1)

Papa® ... | espécie: revisões da matéria

Vejo a publicidade de uma vidente que destaca ser a única dentro do seu ramo que foi recebida pelo Papa. Não diz qual deles, não interessa qual, mas compreendo a ânsia de muitos em serem recebidos por alguém desde que seja Papa. Compreendo a importância do ponto de vista do prestígio e de marketing, das sinergias daí resultantes, e imagino o que seria se eu fosse recebido pelo Papa. Sair-me num sorteio qualquer a oportunidade de entrar na agenda de recebimentos do Papa, oportunidade que não desperdiçaria nem que nesse dia tivesse com cólicas terríveis nos intestinos, com uma luxação no ombro e a vomitar uma matéria verde e viscosa. Acho que me iria portar bem, tentaria disfarçar, disfarçar que sou ateu.
Já me estou a ver numa pequena fila de vips e um empregado do Vaticano chamar pelo meu nome “cinhôr yorgué” (“Senhor Jorge” naquela espécie de Vaticanês) para ir dar um bacalhau ao Papa. Next please! Depois, provavelmente faria questão de alertar imediatamente qualquer visitante deste blog do facto do seu autor já ter sido recebido. “Já fostes ao blog do gajo que foi recebido pelo Papa ? – Ainda não fui lá hoje mas quero ver se passo por lá no intervalo do velório do meu pai.” Provavelmente mandaria fazer uma t-shirt e não hesitaria à porta do Lux: “Boa noite posso entrar ? – Cinco euros faz favor! – Não sei se já reparou na minha t-shirt ?… - Isso a mim não me diz nada! – Aí sim, e este diploma passado e autenticado com o selo branco pelo Vaticano ?! – Peço imensa desculpa, aqui têm um cartão de cliente limpinho!” Isto é só uma pequena amostra. Ser recebido pelo Papa pode abrir muitas portas e quiçá muitas pernas. “Sabias que já fui recebido pelo Papa ?... – Aí não me digas isso que fico logo com uns calores!... – Já fui muitíssimo bem recebido pelo Papa, fui mesmo, pelo Papa, era mesmo ele, mesmo…

jorge b @ 11:56 AM | Obs (2)
segunda-feira, 27 de março, 2006

Todas as balas são legais ... | espécie: publicidade gratuita

O Governo acaba de lançar uma campanha para recolha de armamento disperso entre a bandidagem e demais população civil. Mas atenção, nada de confusões, só as armas ilegais devem ser entregues. Convém repetir, só as armas ilegais se faz favor. Apesar da diferença entre as congéneres legais ser abissal, como aliás se pode facilmente constatar na foto em apreço, há quem teime em fazer confusão.
Ao que parece a campanha não se estende ás munições.

jorge b @ 03:40 PM | Obs (0)
segunda-feira, 20 de março, 2006

Carros, gravatas e croquetes ... | espécie: portugal

O PSD deixou escapar uma oportunidade preciosa para mudar de Marques Mendes. A receita era simples, envolvia apenas uma pequena habilidade de marketing, mas suficiente para dar uma mística de sucesso a um novo líder, essa mística que falta a Mendes. Quem não se lembra da inesquecível história de Cavaco, o homem que queria apenas ir fazer a rodagem ao carro novo e olha, acabou primeiro ministro. Brilhante não é ? Bastaria pois a um Meneses dizer no final do congresso qualquer coisa como “Estava a comer uma francesinha quando fiquei com uma nódoa na gravata. Como sei que o Mendes anda sempre com um tira-nódoas no bolso, lembrei-me de passar pelo congresso e olha, agora sou o líder!” Uma transição com muito nível. Por exemplo, uma Ferreira Leite, “Estava em casa e não tinha nada para petiscar. Lembrei-me de passar pelo congresso para comer uns croquetes e olha, agora sou a líder.”
A malta gosta destes acasos do destino e premeia-os, estes rasgos de sorte e inspiração que toda a gente persegue quando preenche os totolotos. E se a Cavaco saiu-lhe a lotaria, já Marques Mendes parece ser daqueles que toda a vida andou a juntar os tostões para ser apenas um remediado. Um produto político pré-fabricado com demasiado cuidado e não espontâneo, como devia parecer.

jorge b @ 05:21 PM | Obs (0)
quinta-feira, 16 de março, 2006

Uma tarde na vida do homem que só pensava em dinheiro ... | espécie: histórias infilmáveis

O homem que só pensava em dinheiro tinha decidido aproveitar o sol e investir num dia bem passado na praia. Chegado ao escaldante local que fervilhava de bikinis, o homem que só pensava em dinheiro equipou-se a preceito e dirigiu-se em linha recta na direcção da água fresquinha. Apesar do choque térmico que o arrepiou logo que tocou com os pés na água, incentivado pela presença de duas moçoilas que ali perto com água pela cintura lhe pareciam estar a tirar os rácios, avançou destemido mais alguns metros e mergulhou com grande estilo e logo de seguida deu várias braçadas até ficar sem pé. Demonstrada a sua destreza em vários estilos, e continuando a imaginar-se observado pelas moçoilas, achou por bem rumar novamente a terra. As moçoilas tinham entretanto desaparecido, algo que ele notou com algum desencanto e apesar da curiosidade que sentiu em perscrutar no horizonte as suas silhuetas, fingiu-se indiferente, fazendo-se como habitualmente muito seguro do seu nariz. Saia ele da água quando, entre o barulho das ondas que morriam na areia e os guinchos das gaivotas e da multidão, conseguiu distinguir o choro de uma criança. Reparou numa menina que se encontrava agachada a poucos metros de si e que soluçava balbuciando algumas palavras imperceptíveis. Estranhou que entre a multidão que quase se acotovelava à beira da água, ninguém reparasse na menina e no seu choro. Tendo-se aproximado com algum cuidado, agachou-se e com a mão afagou a cabeça da menina arredando-lhe suavemente os cabelos da face. A menina tinha um lindo cabelo loiro e uns olhos azuis que ganhavam uma intensidade quase irreal com o reflexo do outro azul, o da água. Era notório que já há muito tempo que chorava, chamando baixinho pela mãe, numa constante ladainha. A menina devia estar ali há algum tempo, os seus lábiozitos estavam ressequidos e a sua carita estava marcada de vários riscos de um pó branco, o sal que ficara das suas lágrimas. O homem que só pensava em dinheiro sentiu-se imediatamente tocado e iluminado com a situação da menina perdida na imensa praia, um ser frágil e desprotegido, sem saber da mãe, dos pais que deveriam estar desesperados à sua procura. Veio então uma onda mais forte que como por milagre arrastou a menina para junto dos seus familiares que a poucos metros de distância chamavam por ela. O homem que só pensava em dinheiro não reparou, tão absorvido que estava nos seus pensamentos. Pensava o quanto valeria a petiz se vendida para adopção. Existiriam milhares e milhares de casais estéreis no mundo inteiro dispostos a pagar pequenas fortunas para ter uma menina daquelas tão bonita como filha adoptiva. Mas depois a sua consciência fê-lo ver a situação de maneira diferente... Se deixasse que fosse o mercado a definir o preço, se fosse posta em leilão, certamente conseguiria obter um valor ainda mais elevado.

jorge b @ 06:51 PM | Obs (3)
quarta-feira, 15 de março, 2006

Miopia de rodapé ... | espécie: algures

"OMS anuncia vagina contra o H5N1"
(a propósito da cripe das aves)

jorge b @ 01:58 PM | Obs (0)

Sem licitações ... | espécie: portugal

Notícia de ultíma página do Expresso, ainda o caso do famigerado carro camarário de Santana Lopes. Num país civilizado, ou o Carmona passava a andar de transportes públicos ou tinha que explicar muito bem explicado porque razão quer vender por uma bagatela um topo de gama que, quando se dá á chave, funciona.

jorge b @ 01:42 PM | Obs (0)
terça-feira, 14 de março, 2006

#14306 ... | espécie: histórias infilmáveis

Um homem acabado de chegar conhece uma mulher daquelas que fazem ‘ploc’ e que gostam de passar multas Vivem felizes até que durante a primeira noite o homem começa a recitar de trás para a frente os seus códigos pessoais e ela antes de poder dele abusar transforma-se num papel químico vermelho O homem que nunca tivera semelhante alucinação começa a chorar convulsivamente como se lhe tivessem acabado de tirar a sua chupeta da sorte ao mesmo tempo que pergunta desesperadamente aos puxadores das portas se sabem onde deixou a cabeça Ela aproveitando-se da lei da vantagem começa a sentir um prazer desmedido e até então desconhecido dos manuais e decide telefonar para o seu até então melhor cliente O telefone toca até desmaiar.

jorge b @ 04:03 PM | Obs (0)
quinta-feira, 9 de março, 2006

Solitário pessoal ... | espécie: extracções

Nua, numa madrugada quente,
Na obscuridade que te liberta e adorna,
Não tens aquele minimo medo,
E podes morrer a qualquer instante feliz,
Nos braços do teu solitário pessoal.

jorge b @ 12:24 PM | Obs (3)
quarta-feira, 8 de março, 2006

Little sad bird ... | espécie: algures

- Será que tenho de declarar a minha passarinha ?
- Mas a senhora tem alguma ave ?
- Tenho, tem pena e tudo ?
- Penas …
- Não, pena!... Pena de não levar com Ele todos os dias.

(da série Histórias da vida real de uma telefonista)

jorge b @ 12:23 PM | Obs (0)

Dia ... | espécie: publicidade gratuita

jorge b @ 11:09 AM | Obs (1)
terça-feira, 7 de março, 2006

... goes to Crash ... | espécie: fora de blog

"It's the sense of touch. In any real city, you walk, you know? You brush past people, people bump into you. In L.A., nobody touches you. We're always behind this metal and glass. I think we miss that touch so much, that we crash into each other, just so we can feel something."

jorge b @ 09:13 AM | Obs (0)
sábado, 4 de março, 2006

Em delírio ... | espécie: extracções

Êxtase total nas comemorações do 3º aniversário deste não menos extasiante blog.

jorge b @ 01:39 AM | Obs (1)
quinta-feira, 2 de março, 2006

Época de paz e harmonia ... | espécie: extracções

Há uma estranha harmonia no enregelado Carnaval lusitano, uma época feliz onde as mulheres levam a sensualidade ao extremo, e os homens, o rídiculo.

jorge b @ 10:22 AM | Obs (1)
segunda-feira, 27 de fevereiro, 2006

10 minutos de fama ... | espécie: anedotas de elite

"Está doente e não quer esperar nas filas dos hospitais ?
1º Dirija-se a um hospital.
2º Diga que lhe morreram todas as galinhas.
É logo atendido, fazem-lhe todos os exames... e com sorte ainda aparece na televisão.
"

in, minha caixa de e-mail

jorge b @ 12:33 PM | Obs (166)
quinta-feira, 23 de fevereiro, 2006

Discriminação ... | espécie: portugal

Há milhares e milhares de pessoas para quem os aumentos do gás, da gasolina, etc, não se fazem sentir. Gente que ganha bem, que não é tão minoria quanto isso e que merecia mais respeito, representatividade.
Cada vez que se verifica um aumento qualquer, os repórteres que saem à rua apenas recolhem o testemunho de gente descontente. Essa gente deprimente, sempre a contar os tostões e as décimas dos aumentos, que não está bem na vida mas que fica bem nos telejornais. Os outros são sempre esquecidos, esses incómodos. Valha-mos que entre esses eternos descontentes com direito a tempo de antena, ainda há bom senso. Ninguém confessa que por causa do último aumento da luz, deixará de pedir um empréstimo para o telemóvel 3G ou para ir a Cuba fazer turismo de caridade no próximo Verão.

jorge b @ 07:05 PM | Obs (1)

Sócrates, sgPS ... | espécie: portugal

Sócrates está, com grande competência, a transformar o país numa empresa. Numa nação S.A. onde qualquer um se pode despedir, encher-se de ânimo e procurar um país para viver.

jorge b @ 06:12 PM | Obs (1)
terça-feira, 21 de fevereiro, 2006

O nosso baton ... | espécie: publicidade gratuita

Graças ao ácido fosfórico em que é rica, a espuma da cerveja faz bem à pele, ajudando a preservar o estado das células.
in "DiaD", público 20-02-06.

jorge b @ 10:49 AM | Obs (0)
quinta-feira, 16 de fevereiro, 2006

Mulher-quadro ... | espécie: ícones

Não vejo mistério, sensualidade, perversão ou até algo demoniaco, como tantos palpitam. Antes conflito. O sorriso timído e sereno duma mulher intranquila. Duma mulher que é idolatrada pelo apaixonado Francesco, o marido, mas que o encorna. Um sorriso receoso, comprometido e apaixonado, portanto.
E daí o fascínio do quadro, o sonho de estarmos nos pensamentos e não necessáriamente no leito matrimonial da Gioconda.
(da série comic book heroes)

jorge b @ 09:50 AM | Obs (7)

Mulher-bikini ... | espécie: ícones


"Actress Molly Sims is shown wearing a $30 million diamond bikini in this publicity photograph released February 14, 2006. The bikini, designed by Susan Rosen is made up of over 150 carats of D flawless diamonds. The bikini is featured in the 2006 Sports Illustrated Swimsuit issue which is being released February 14. NO SALES NO ARCHIVES REUTERS/Diamond Information Center/Handout"
(da série comic book heroes)

jorge b @ 08:58 AM | Obs (1)
sexta-feira, 10 de fevereiro, 2006

Caricatura de muçulmano ... | espécie: mundo


"A Pakistani Shiite Muslim beats himself with a knife to mourn the death of Islamic leader Imam Hussain, grandson of Prophet Muhammad, Thursday, Feb. 9, 2006 in Karachi, Pakistan. (AP Photo/Shakil Adil)"

jorge b @ 05:30 PM | Obs (1)

O consumismo dos ricos ... | espécie: portugal

Pode ser mais um caso sério de sobre-endividamento, tão comum nas famílias portuguesas. A Sonae de Belmiro tem dívidas no montante de 19 biliões de euros e pretende comprar a PT, um grupo quatro vezes maior, por 11 biliões. Proporcionalmente, não somos tão diferentes assim, eu e o Belmiro. Embora eu já me contentasse com um Civic dos novos.
*
Os elogios á façanha de Belmiro têm vindo um pouco de todo o lado. Incompreensíveis. Esquecem-se que serão euros espanhóis a entrar no negócio, via Santader, e serão euros PT a entrar para Espanha, via Santander. E dado o montante envolvido na operação, vários biliões de euros, a "coragem" de Belmiro vai com certeza pagar-se bem, em cinco anos, ao que parece, com muitos juros, claro. Glória pois, ao Santander!

jorge b @ 05:20 PM | Obs (0)
quarta-feira, 8 de fevereiro, 2006

Fácil ... | espécie: fora de blog

"O contorcionista é a unica pessoa que é capaz de fazer o seu trabalho com uma perna ás costas."
A propósito de coisa nenhuma, by Johny Wolf

jorge b @ 06:47 PM | Obs (0)
segunda-feira, 6 de fevereiro, 2006

Mau mé ... | espécie: algures

Todos os cartoons aqui!

jorge b @ 11:46 AM | Obs (0)
quarta-feira, 1 de fevereiro, 2006

Show lésbico ... | espécie: algures

Anda que aqui está-se melhor que na Conservatória!Ontem foi o show-off da EMEL a multar o ministro da justiça, hoje é o dia nacional das duas lésbicas que vão a uma conservatória pedir casamento. Duas certezas: vão lá estar cameras da TVI, e naturalmente que a funcionária que as atender irá mandá-las dar uma volta ao bilhar grande.
Numa época em que a sagrada instituição do matrimónio está em decadência, é no mínimo estranho que duas pequenas ainda roliças exijam que lhes seja concedido o direito a um retrocesso civilizacional. Enquanto os heterosexuais, depois de conquistarem o direito ao divórcio, a pouco e pouco se têm livrado do estigma possessivo do casamento, duas lésbicas a quererem casar-se é algo tão absurdo como a nossa companheira pedir-nos um cinto de castidade homologado pela Cicciolina.
Daqui a algumas dezenas de anos, o casamento será apenas um fetiche anunciado nos classificados eróticos dos jornais e praticado em sessões privadas de sado-masoquismo.

jorge b @ 01:18 PM | Obs (0)
segunda-feira, 30 de janeiro, 2006

A salvação do mundo ... | espécie: interferências

"
- I'm married to my work.
- So am I. Which makes my wife my mistress. That's why I'm still in love with her.
"
in, The Core, 2003

jorge b @ 10:48 AM | Obs (1)
sexta-feira, 27 de janeiro, 2006

Mulher-rebatível ... | espécie: extracções

A mulher que não se sabe sentar, que se sente desconfortável no banco da frente de um carro, é não só um hino ao feminino, assim como aquele desconforto inquieto, um regalo para os olhos.
(da série comic book heroes)

jorge b @ 10:06 AM | Obs (0)
segunda-feira, 23 de janeiro, 2006

Gato leão ... | espécie: algures


(AFP/Giuseppe Cacace)

jorge b @ 02:24 PM | Obs (5)

O pai do Sudoku ... | espécie: fora de blog

Quem, o Sandokan ?
by: Johnny Wolf

jorge b @ 02:14 PM | Obs (0)

Sob a influência de Richard Oelze ... | espécie: extracções


Não teria precisado de ver uma gaja boa para a poder imaginar.

jorge b @ 11:09 AM | Obs (2)
quinta-feira, 19 de janeiro, 2006

Votos aos pontapés ... | espécie: revisões da matéria

Durante os quatro anos seguintes não faltou papel higiénico naquela freguesia.Agora que estão aí mais umas eleições, seria bom que todas as pessoas parassem um bocadinho para reflectir sobre a inutilidade do voto. Ao contrário daquilo que os políticos querem fazer crer, votar é objectivamente um acto efémero e redutor de cidadania, resumindo-se a uma insignificante percentagem que vale menos que a tinta de caneta gasta na cruzinha, e nada distingue e dignifica quem vota. A começar porque qualquer um, qualquer filho da puta, pode votar. Logo, a democracia está minada, o voto é anti-natura, não se verifica qualquer espécie de selecção natural. Mais nenhum animal mata por desporto e vota em alguém que não conhece pessoalmente nem trata por tu, como fazem os seres humanos. Depois, cruzinhas, só no totoloto.
É uma visão bárbara imaginar o meu talão de voto, com a tal cruzinha tão milimétricamente acertada dentro do quadrado, tão delicadamente dobrado em quatro partes, dentro de uma urna misturado com a restante molhada de talõezinhos anónimos aos pontapés, da autoria, sabe-se lá, de gente de que espécie. Assim que o talão entra para a negra urna, aquela caixa funebre da vontade e do sádio espirito revolucionário, o nosso voto deixa de ser nosso para ser o voto do povo, aquele povo que barafusta quando um gajo não pára para o deixar passar na passadeira. Isto é bárbaro, repito, esta é ainda uma democracia na idade da pedra, é como ver o meu voto ser jogado aos leões num coliseu romano. A diferença é que nem os leões querem nada com ele porque o voto, como não têm proteinas, não alimenta a vida selvagem, sacia apenas os vorazes selvagens que governam.
Assim como a televisão só é boa para quem nela aparece, o voto só é importante para o votado que, coincidência, é quem aparece na televisão!

jorge b @ 10:54 AM | Obs (0)
quarta-feira, 18 de janeiro, 2006

Photo-finish dos globos de ouro ... | espécie: ícones

O primeiro lugar foi atribuído ex-quo!E em terceiro lugar chegou Scarlett Johansson.

jorge b @ 03:52 PM | Obs (0)
quinta-feira, 5 de janeiro, 2006

Senhor da grande demagogia ... | espécie: portugal

Oiço Jerónimo denunciar que são os "senhores do grande capital" que apoiam Cavaco... Continuam pois a ser estes os grandes Papões para o PCP. Jerónimo não compreende a inevitabilidade, ou não quer compreender, que entre aqueles "senhores", mas que falam português, e outros ainda mais poderosos mas com outros idiomas, não existe alternativa. Só o "grande capital" poderá propocionar o 'progresso' que o povo quer. Portanto, mas só mesmo pelo amor à pátria, antes os primeiros "senhores", ainda que alguns já com sotaque castelhano.

jorge b @ 07:02 PM | Obs (0)
sexta-feira, 30 de dezembro, 2005

Prejudicial à saúde ... | espécie: estudos

A biblioteca pública que frequento tem ultimamente apostado nos livros de auto-ajuda que, nos ultimos meses, têm sido presença constante e maioritária no expositor principal. Tenho intervalado as minhas leituras com alguns destes livros e à parte criticas óbvias (todos prometem felicidade, são oportunistas, tratam o leitor como autómato, etc) e pudores politicamente correctos (serão livros dirigidos essencialmente ao leitor básico e pobre de espírito, nunca para intelectuais e fãs de Proust), descobri que se consegue tirar de todos eles pelo menos uma qualquer ideia nova, talvez a ideia central e inovadora que os terá feito merecer a publicação. Têm este mérito e tal não é despiciendo. Algumas dessas ideias ficam, são de facto interessantes, ficam para lá do efémero.
E o que fica afinal dos livros, qualquer que seja o tipo, afinal todos eles de auto-ajuda mais ou menos explícita ? Ler faz bem, diz-se, todos os livros são assim uma ajuda para o leitor que voluntariamente os lê. Mas o que fica, como nos marcam os livros no curto prazo ? Sendo constantemente assediados por formas de comunicação mais confortáveis, que poder terão as palavras, as ideias dos livros sobre a nossa maneira de ser e estar nos dias que se seguirão, como influenciarão os livros a prática do nosso relacionamento com a vida e com os outros ?
Ler é anti-natural. É saudável se consumido com a moderação essencial e necessária à aprendizagem, ao conhecimento diferido, à distracção pontual. Não o é como o hábito de consumo moderno em que se tornou, companhia das horas vagas e do tédio que a vida moderna provoca. Anti-natural, a começar pela posição de leitura, seja ela qual for, desconfortável. Como é preciso estarmos agarrados ao que estamos a ler, ler implica estar sentado ou estendido, com os braços em tensão. Isto não é saudável. E o tempo que se está a ler, além de provocar danos a longo prazo na espinha (é impossível estar a ler horas a fio direitinho na cadeira), no pescoço, na visão, é um tempo em que não se vive, um tempo sem interacção humana, um tempo em que somos um corpo inanimado, absorto, alheio à realidade do tempo, do presente, do mundo ao lado, lá fora. Por mais bem instalados que estejamos, a posição de leitura é inestética. O próprio livro tem uma forma geométrica nada ergonómica. Trata-se pois de um passatempo prejudicial à saúde, um investimento na grande maioria dos casos com pouco ou insignificante retorno. Li uma vez algures que "a vida não vem nos livros". Os livros vêm da vida dos outros.

jorge b @ 03:30 PM | Obs (4)
quinta-feira, 29 de dezembro, 2005

As virtudes da depressão ... | espécie: extracções

Há pessoas que só mesmo deprimidas se conseguem aturar. Igualmente as há que só naquele deplorável estado se conseguem (deixar) engatar. A depressão tem destas virtudes.

jorge b @ 12:14 PM | Obs (0)
quarta-feira, 21 de dezembro, 2005

O efeito Erika ... | espécie: ícones

Ainda assim Erika Eleniak desconfiava da franqueza daquelas palavras! Ver para crer, dizia."Did I ever tell you how many times I'd see you and want to ejaculate all over your bazonkas... All the times I stayed up late, high as a kite, in the non-gravitational atmosphere, while I stroked my anaconda, and dreamed about your snow-white ass."
in, Dracula 3000, de Darrell Roodt (2004).-

jorge b @ 10:36 AM | Obs (0)
terça-feira, 20 de dezembro, 2005

Negras nódoas à presidência ... | espécie: portugal

O repetente Marocas foi já beneficiado uma vez em 1986, na Marinha Grande, quando foi alvo da ira de perigosos terroristas populares que se escondiam sob a capa de pacatos e desesperados trabalhadores da falida indústria vidreira. As cenas de pugilato tentado teriam então contribuído decisivamente para a eleição do Bochechas, ao provocarem a indignação geral da populaça que se solidarizou depois na urna, espicaçada pelos papalvos de serviço.
Teme-se que o pior volte a acontecer. Após esse autêntico “atentado à democracia” (Jerónimo dixit), com o ‘homem da boina da tropa’ a tentar ir ao focinho a Soares, segundo uma sondagem do Expresso, agora o avozinho já ultrapassa e leva grande vantagem sobre Alegre.
Cavaco começa a ter sérios motivos para ficar preocupado. É que não tem cara sequer para levar um estalo. Soares, pelo contrário, se no início do ano apanhar com mais uma cabeçada de um peixeiro qualquer, tem a presidência no papo.

jorge b @ 02:36 PM | Obs (3)
quarta-feira, 14 de dezembro, 2005

Bananamen ... | espécie: revisões da matéria

O homem cuja mulher o ache um banana, tem ali mulher para toda a vida, muito provavelmente, fiel.
O reconhecimento da bananice masculina, ao contrário do que seria de esperar, gera na mulher grandes problemas de consciência no que concerne a uma eventual traição. É que apesar de tudo, o banana não "está mesmo a pedi-las!" Apesar de uma deprimente insatisfação sexual constante, a mulher pressente que o banana também não anda por aí a gozar mais que ela. Afinal, ele é um banana, outra coisa não seria de esperar. Logo, ela não tem o leit-motiv para a infidelidade, esse mau estar, esse saber que "o gajo anda por aí", esse não saber "onde anda o gajo", aquilo que potencia o verdadeiro encornanço feminino. Aquilo que a mulher do banana sente, tem muito mais de pena do que de raiva, aquela raiva que verdadeiramente serve de combustível para o encornanço. E encornar um banana simplesmente não é estimulante, não dá pica, a acontecer, seria um episódio emocionalmente doloroso para a mulher.
O banana, que por sua vez goza de uma liberdade muito diferente de um gajo não banana comprometido, de modo nenhum se sente amordaçado numa relação. O banana até gosta. E é por ele gostar, desse conformismo, dessa submissão, que a mulher o acha banana, quase que o empurrando para uma liberdade ou para situações potencialmente estimulantes que, porque é banana, o banana não saber desfrutar.
- Prudêncio, não te importas de levar a mala da minha amiga para o quarto de hospedes?... E arrumas as roupas dela nas gavetas enquanto ficamos aqui as duas a conversar. - Repare-se que nem seria preciso perguntar, mas como estava terceira pessoa presente, não vizinha, há que dar um certo ar. - Obrigado querido! Não soa bem pois não ? Mas Prudêncio, como bom banana que é, de imediato vai escada acima carregado não com uma, mas três malas maiores que ele.
Passados alguns minutos, fazendo-se surpreendida com a demora, a mulher irá entrar de rompante no quarto de hospedes, na desesperada esperança de ver o marido banana a arfar agarrado ás cuequinhas da sua atraente e muito mais nova e enxuta amiga. Será escusado dizer que, para grande frustração da mulher, como banana que é, Prudêncio arrumou todas as peças de roupas da esbelta amiga da sua santa mulher, à excepção da roupa interior, na qual não tocou, fez questão de garantir.
A verdade é que naquela noite, a amiga hospede dará por falta de uma cuequinha...
Só pode ter sido o sacana do taxista!

jorge b @ 07:19 PM | Obs (1)
quarta-feira, 30 de novembro, 2005

Chamem um trolha e uma maquilhadora ... | espécie: algures

Ainda não foi desta que ganhei o euromilhões!Estas coisas ou são bem construídas e isoladas das humidades, ou dão nisto. Numa igreja em Sacramento, na Califórnia, EUA, uma santa está precisamente com o mesmo problema com que estava a pedra onde assentam os caixilhos da janela do meu quarto. Devido a uma dúbia qualidade de construção, está com infiltrações, como é visível na foto do lado. No meu caso, o problema foi resolvido graças ao Leroy Merlin, onde comprei um milagroso impermeabilizante liquido e incolor que depois apliquei na pedra, à trincha, em três demãos. Foi remédio santo, que daqui também receito à santa.

jorge b @ 09:39 AM | Obs (2)
quinta-feira, 24 de novembro, 2005

Gaynocídio ... | espécie: mundo

Gosto mais de ti de batina!Ao proibir o sacerdócio aos homossexuais e a pessoas com tendências idem, o papa Ratzinger tomou a decisão corajosa que já há muito se impunha. Embora seja ainda muito pouco, fico com a esperança que um dia a medida abranja também os heterossexuais, que um dia o papa decrete também a proibição do sacerdócio a pessoas simplesmente com tendências para o sacerdócio.
...
Em relação a esta medida do papa, apenas consigo admitir a indignação dos gays beatos viciados na hóstia ou dos outros que viam na carreira de diácono a porta aberta para um vasto mercado de oportunidades de engate. Terão toda a legitimidade para pedir que o papa prove então sua a sexualidade, que prove que gosta de mulheres e que, portanto, não é gay. Ratzinger pode estar efectivamente a vender gato por lebre, estar a cair no mesmo contracenso do seu conterrâneo Hitler que defendia a raça pura mas não era Ariano.
...
Entretanto, em Espanha, a comunidade gay andou nos últimos tempos em alvoroço por causa da definição de homossexual num prestigiado dicionário. A editora do livro, incomodada e para não os ouvir mais, retirou-o de circulação. Mas como não bastava, os gays pediram também a cabeça do autor. É agora esclarecido, o autor morreu há 12 anos. Parece que em toda a Espanha, só o coveiro sabia.
...
A comunidade gay gosta do alvoroço, é reconhecidamente muito reivindicativa, sempre atenta ao mais ínfimo indício de descriminação, ao mais ínfimo sinal de perda de competitividade, no fundo sempre inconformada, afinal, por não ser heterossexual. A reivindicação suprema.

jorge b @ 10:42 AM | Obs (0)
quarta-feira, 23 de novembro, 2005

The American Dream ... | espécie: fora de blog

Confesso, fizemos amor no skate do puto!A professora de 25 anos Debra Lafave (a loira de crucifixo, na foto) foi hoje condenada nos EUA por ter mantido relações sexuais com um aluno de 14 anos.
O raio do puto por esta hora deve ser o aluno mais bem educado do país, apto a dar palestras taco-a-taco com um Júlio Machado Vaz ou uma Dra. Ruth. Cumpriu-se mais uma vez o sonho americano, a América continua a ser a terra das oportunidades, o pais do mundo onde existe a maior probabilidade de se nascer miserável e morrer miserável também, mas rico, e pelo caminho alcançar um dos mais ancestrais sonhos da humanidade: "comer a setora"!

jorge b @ 02:57 PM | Obs (0)
terça-feira, 22 de novembro, 2005

Esclarecimento ... | espécie: algures

Depois de beber uma garrafa inteira de Jack Daniels, estava indeciso sobre qual escolher.
"Querida, eu é que sou a preta gorda contratada para dizer anedotas, tu és apenas a loira magra contratada para chupar piças ok ?"
A apresentadora preta e gorda para Savanna Sampson, depois de uma piada menos feliz desta, na gala "AVN Awards 2005".

jorge b @ 11:43 AM | Obs (0)
sexta-feira, 18 de novembro, 2005

Amanhã ?! ... | espécie: algures

"Amanhã vou lá a Vale do Grilo buscar umas nádegas para pôr-mos manteiga e comermos!"
Vitorino Bizalhão para Julia Pinheiro, referindo-se ao famoso pão da sua terra natal, in "1ª Companhia", TVI.

jorge b @ 03:40 PM | Obs (0)
quinta-feira, 17 de novembro, 2005

Cof-cof-cof ... | espécie: extracções

Cof. Enquanto decorre a chamada a conta gotas, nem a mais infima particula da imensa arrogância que caracteriza o meu ser me permite dar ao luxo de esperar sentado por um sr. doutor qualquer. Não tenho vida para estar doente. Cof-cof.

jorge b @ 09:39 AM | Obs (1)
sexta-feira, 11 de novembro, 2005

Arder por Paris ... | espécie: ícones

Esguia e rica. Que mais pode um gajo querer ?
Já agora, a irmã também!

jorge b @ 12:14 PM | Obs (2)

União faz a forca ... | espécie: extracções

Não acredito nos sindicatos e associações afins, nestas organizações com previsíveis fins reivindicativos, muito ordeiras e cheias de razão. A união faz a força, dizem-me. Mas força porquê ?

jorge b @ 09:49 AM | Obs (0)

Mudos ... | espécie: portugal

Soares e Jerónimo falam falam, mas principalmente falam que Cavaco não fala. Acaso já lhes terá ocorrido que Cavaco, tal como eles, não terá nada para dizer ? E isso, tem que se respeitar!

jorge b @ 09:35 AM | Obs (0)
quarta-feira, 9 de novembro, 2005

Barril de pólvora suburbano ... | espécie: mundo

Para quem se admira com o que se está a passar em França, sugiro um dia bem passado na Eurodisney. Depois, na manhã do dia seguinte, uma viagem de comboio entre a colonia do americano Rato Mickey e o centro de Paris. Ficará a conhecer dezenas de quilometros de suburbios, de passagem, é certo, mas no final da viagem, interrogar-se-á como é que é possível a Torre Eiffel ainda estar de pé.

jorge b @ 10:30 AM | Obs (0)

PCP - Partido Consumista Português ... | espécie: portugal

Com o Natal à porta, a propaganda justifica-se: "Melhores salários" e "Maior poder de compra", são estas as palavras de ordem da mais recente campanha out-door dos comunistas. Que é como quem diz, GANHAR MAIS para GASTAR MAIS... para o bem estar de quem VENDE, naturalmente. E quem produz e vende ? O GRANDE Capital, que agradece a inesperada ajudinha. É o comunismo rendido à logica de auto ajuda consumista.

jorge b @ 10:10 AM | Obs (0)
sexta-feira, 4 de novembro, 2005

O Alexandrino é que sabe ... | espécie: interferências

"Sou menos burro que Cristo, que também se f*deu! Eu já vivi mais vinte e tal anos que ele e ainda não morri!"
O firme e hirto professor, in revista "Focus".

jorge b @ 01:49 PM | Obs (0)
sexta-feira, 28 de outubro, 2005

De TIR em riste ... | espécie: revisões da matéria

Recentemente parei o meu carro num posto Galp para meter gasolina numa daquelas bombas de pagamento por multibanco, daquelas que podemos abastecer e pagar sem ir lá dentro à loja. A bomba em causa ostentava publicidade sobre a campanha 'vice-versa' da Galp que, resumindo, nos diz que por cada litro abastecido, recebemos 5 centimos para irmos gastar no Continente. Depois, no Continente, recebemos um vale para descontarmos se voltarmos à Galp. Um circulo vicioso de onde é díficil sair, acreditem.
Atestado o depósito, tentei sem sucesso que a máquina me faculta-se o almejado vale a que tinha direito. Dirigi-me então á rapariga da caixa que me negou o dito vale, alegando que os abastecimentos naquelas bombas, especificamente, não davam direito a vale coisa nenhuma! Repliquei, que aquelas bombas ostentavam a dita publicidade e que se não davam direito ao que estava na publicidade, então que avisassem, estilo "gasolina 98, pode abastecer, mas atenção, nesta bomba não há vale desconto para ninguém". Ou então, que pusessem outro tipo de publicidade, nomeadamente daquela que se limita a sublinhar a excelência dos produtos Galp, colocando a 'vice-versa' apenas nas bombas válidas.
Mas não, não havia nada a fazer, segundo a pequena, que ainda teve o descaramente de me tentar aliciar a comprar 2 pacotes de pastilhas, que me dava 100 pontos para o cartão, tinham ordens para colocar publicidade 'vice-versa' em todos as bombas, e o sistema não permitia e impressão de vales desconto naquelas bombas de pagamento por MB.
Naturalmente que fiquei f*dido! Só vou meter gasolina á Galp por causa dos vales desconto, tinha acabado de atestar o depósito, o que me daria direito a um vale de 2 euros e picos de toblerones no Continente, que agora me era recusado injustamente. O meu primeiro pensamento foi enviar um mail á administração da Galp a expor o caso. Depois acalmei-me, e imaginei-me ao volante de um camião TIR a entrar loja adentro. Depois, resignei-me. Fosga-se, por 500 paus que seja, valerá a pena estar a chamar camiões TIR para o assunto ? Obviamente que não.
Esta história vem a propósito do que aconteceu precisamente num posto de abastecimento perto da minha casa, uma semana depois do fatidico acontecimento que relatei. Nem de propósito, o dito posto, foi literamente abalroado por um camião TIR que entrou loja adentro. Desconheço os motivos do camionista, mas compreendo-os! E agora convenço-me, mais que nunca, exigia-se um referendo sobre a liberalização da venda de camiões TIR. Antes do referendo ao aborto! Voto a favor, obviamente!

jorge b @ 05:12 PM | Obs (191)
segunda-feira, 24 de outubro, 2005

Little sun ... | espécie: publicidade gratuita

"Beautiful, charming, intelligent, opened, sophisticated, soft lady. i am curious about a lot of things, enjoy to discover the world and like new experiences, can learn fast new things :). i love driving, travelling and almost all different kind of activities :). i am looking for mature, intelligent, responsible gentleman to create a serious relation with and explore the world of nice things. partner, who shares my interests and life values, who wants and can make me happy."

jorge b @ 02:15 PM | Obs (8)

O Chantre de Paderne ... | espécie: deus, patrocinador oficial

Já estavamos habituados aos insólitos YORN, a IKEA mostra-nos um porco a andar de bicicleta, mas a TVI vai mais longe no cúmulo dos insólitos: Um padre de origem africana, fazendo a apologia daqueles que escravizaram o seu povo, esteve este Domingo a dar missa nos ecrans da televisão.
O tema dos Missionários causa algum desconforto às elites clericais brancas. É compreensível. Não é por acaso que África está como está, que a Igreja está como está. No entanto, este Chantre da paróquia Paderne, ali para as bandas de Albufeira, defendeu e assumiu sem vergonha, com uma notória dose de arrogância digna de reparo e uma convicção só comparável à dos membros das Brigadas de Alaxa, o grande filho-da-putismo que foram as Missões. O mundo precisava de mais padres assim, destes que tentam apagar luzes sobre o que está naturalmente iluminado e que desta forma demonstram a sua verdadeira essência mediocre, a sua triste inutilidade.

jorge b @ 01:56 PM | Obs (3)
sexta-feira, 21 de outubro, 2005

Com força ?! ... | espécie: algures

"- A minha generala tem que ir lá a Vale dos Grilos que lhe dão lá uns cunnilingus com força!"
Vitorino Bizalhão para Julia Pinheiro, TVI, "1ª Companhia", 20-10-2005, 21h45.

jorge b @ 03:33 PM | Obs (1)

O estável Cavaco ... | espécie: portugal

Cavaco deu finalmente a cara e pouco mais. Mas a multidão, que se acotovelou para ver e empurrar o professor, ainda assim estava entusiasmada. A multidão, entenda-se, jornalistas, fotógrafos e cameramens.
Embora houvesse também gente anónima de sítios tão longínquos como Vila Nova de Famalicão ou Brasil, não havia ninguém de sítios tão reais como Baixa da Banheira ou Rio de Mouro, por exemplo. E isto foi o mais significativo do directo em simultaneo dos canais de televisão, ontem á noite.
Com Cavaco, Portugal terá estabilidade. As pessoas, não.

jorge b @ 09:48 AM | Obs (0)
segunda-feira, 17 de outubro, 2005

O Agostinho é que sabia ... | espécie: interferências

"Não faço planos para a vida, para não estragar os planos que a vida tem para mim."
Agostinho da Silva (1906-1994)

jorge b @ 11:29 AM | Obs (1)
sexta-feira, 14 de outubro, 2005

Os leões assobiam ... | espécie: anedotas de elite

"Havia uma gaja que era tão assobiada lá na rua que as amigas, com
inveja, até lhe chamavam Peseiro."
(in, minha caixa de correio, jorgexistence_yahoo.com, a circular na net)

jorge b @ 01:49 PM | Obs (0)
quinta-feira, 13 de outubro, 2005

E agora ? ... | espécie: algures

"Já tens o vestido de noiva ? Já enviaste os convites ? Então agora casas que até te lixas!"

jorge b @ 01:39 PM | Obs (0)

Dicionário da Espécie ... | espécie: revisões da matéria

Martinhar – Ter um ataque histérico de riso por causa de uma coisa objectivamente insignificante para todos, mas que especificamente para aquela pessoa tem uma piada do caraças.
Ex:
- Já viu onde tem uma nódoa ?! Hi, hi, hi, ah, ah, ah, hi, hi, hi!
- Lá está você a martinhar outra vez!

Oshar – Acto em que uma pessoa fecha os olhos para que a outra se possa sentir mais à vontade.
Ex:
- Querido, agora vou eu para cima de ti. Mas tu fechas os olhos porque me quero sentir completamente desinibida... Eu sei que tu não tiras os olhos das minhas mamas, mas não me sinto bem quando estás a ver-me nestes preparos.
- Ah, queres que eu oshe... Está bem mas desamarra-me aqui os pulsos.

Dianar – Quando uma pessoa está em paz consigo mesma, sente-se bem consigo e com o mundo, mas exteriormente está com um semblante carregado, vulgo, de trombas.
Ex:
- O que se passa com ela hoje ?
- Não ligues, está a dianar!

Joanar – Quando uma pessoa lisonjeia descaradamente a outra para que quando fizer merda, a outra se sinta constrangida na altura de passar pissada.
Ex:
- Aí o chefe hoje vem muito bonito... Quer dizer, hoje e todos os dias! Mas hoje... Aí que uma mulher fica cá com uns calores.
- Pois, pois, você a joanar-me e eu a ver!

Pereirar– Maneira de manifestar estatisticamente que se está atraído sexualmente pela pessoa que pede licença para entrar.
Ex:
- Bom dia, dá-me licença que entre ?
- Sabe que eu não sou casada... E não tenho filhos... Podia não ser casada e ter filhos, mas não... E comprei agora casa com um spread de 0,35%. Vivo sozinha... Não tenho mais ninguém. E tenho lá em casa uma colecção de jogos do europeu 2004 em dvd fantástica!

jorge b @ 10:40 AM | Obs (1)
quarta-feira, 12 de outubro, 2005

Diseased Marocas ... | espécie: portugal

O botão fica localizado no ouvido esquerdo mas encrava com muita frequencia.Já não consegue disfarçar. Mário Soares sofre de candidatura. Mas daquela bera, incurável e obsessiva-compulsiva.

jorge b @ 11:30 PM | Obs (0)
quinta-feira, 6 de outubro, 2005

Comic book heroes ... | espécie: extracções

A Mulher Cultura não tem hipótese contra a Mulher Orgasmo.

jorge b @ 11:08 AM | Obs (403)
terça-feira, 4 de outubro, 2005

Poema eleitoral ... | espécie: portugal

Contra Lisboa, votar.

A Felgueiras,
é só peneiras.
E o Avelino,
não tem tino.

Contra Lisboa, votar.

A lata do Valentim,
não tem fim.
E o Isaltino,
p'ra ganhar faz o pino.

Contra Lisboa, votar.

Fátima, Valentim, Avelino,
Até Isaltino vai ser eleito.
Vai ser a vingança do povinho,
Que não merece qualquer respeito.

Contra Lisboa, votar.

jorge b @ 09:05 AM | Obs (1)
sábado, 1 de outubro, 2005

Behind the scenes #1 ... | espécie: revisões da matéria

- Por mais que dê voltas à cabeça, não consigo encontrar uma ideia para a nova campanha dos gajos dos telemóveis… Sabes que tenho colite nervosa. Começa-me logo a dar volta ao estômago…
- Epá, tens que fazer mais uma forcinha!
- Forcinha ?! É isso, forcinha!... Imagina, um gajo sentado numa sanita a cagar, t’ás a ver ?
- Parece-me boa ideia! O gajo apanhou uma caganeira de tanto falar ao telemóvel.
- Não pá, temos que ser mais subtis. Hum… o gajo apanhou uma caganeira porque… porque… porque comeu indiano.
- Mas o indiano dá caganeira ?
- Depende. Eu por exemplo, se beber um copo de leite já fora da validade com indiano, apanho sempre diarreia. Diarreia porque não gosto da palavra caganeira, diarreia fica melhor.
- Ok mas se o gajo está sentado na sanita, então está ao telemóvel, tem que ser!
- Não pá, não se vê que o gajo está ao telemóvel, a gente fotografa-o apenas dos joelhos para baixo!
- Estou a ver, subtileza… Calças em baixo ?
- Claro!
- Bem, já venho, vou ali à casa de banho!
- Até já.

jorge b @ 12:39 AM | Obs (0)
quinta-feira, 29 de setembro, 2005

Ask for more ... | espécie: mundo

"(...)
When you were mayor of Tehran, you used to take your lunch to the office in a bag. Do you still do this ?
That continues. Is there a problem with that ? What’s wrong if you want to eat the food that your wife has cooked?
We’re out of time. But I want to keep going until...
We’ve gone one minute over, actually.
O.K., but i have two last questions.
This is very common, I think, in America isn’t it ? To ask for more."

Parte final da entrevista de Mahmoud Ahmadinejad, o actual presidente do Irão, à revista Time, 26-9-2005.

jorge b @ 11:05 PM | Obs (0)
terça-feira, 27 de setembro, 2005

"Abre tu boca" ... | espécie: portugal

Um repórter da rádio entrevista um reformado ali para as bandas de Elvas, que recorda com saudade aqueles bons velhos tempos de sadio contrabando. E o que se contrabandeava então ?
"Para Espanha levávamos café, ovos, chouriços e barras de sabão. De Espanha trazíamos cognac, tabaco e chocolates." Está certo. Exportávamos produtos alimentares e de higiene, importávamos cirrose, cancro do pulmão e diabetes. Agora importamos médicos espanhóis.

jorge b @ 10:38 AM | Obs (0)
segunda-feira, 26 de setembro, 2005

Falar mal mas com estilo ... | espécie: anedotas de elite

Deglutir o batráquio.
Engolir o sapo.
Colocar o prolongamento caudal no meio dos membros inferiores.
Meter o rabo entre as pernas.
Sequer considerar a possibilidade da fêmea bovina expirar fortes contrações laringo-bucais.
Nem que a vaca tussa.
Retirar o filhote de equino da perturbação pluviométrica.
Tirar o cavalinho da chuva.
Sugiro veementemente a Vossa Excelência que procure receber contribuições inusitadas na cavidade rectal!
Vai levar no cu!

in, minha caixa de correio.

jorge b @ 12:01 AM | Obs (0)
sexta-feira, 23 de setembro, 2005

Faroeste ... | espécie: algures

Ontem a TVI mostrou o advogado de Bibi, à saída de um 'saloon', a ser espancado e empurrado para o olho da rua. José Maria Martins tem portanto milhões de testemunhas. Todas viram que o candidato a presidente da república apenas escorregou e caiu na calçada.

jorge b @ 02:37 PM | Obs (0)
quinta-feira, 22 de setembro, 2005

Silogismo lusitano ... | espécie: portugal

Nós protegemos a Lei.
A Lei protege Fátima Felgueiras.
Logo, ninguém nos protege dela.

jorge b @ 12:01 AM | Obs (1)
quarta-feira, 21 de setembro, 2005

Teologia prá frentex! ... | espécie: algures

"Viver como se Deus não existisse, mas acreditar que Ele existe."
Ou seja, é melhor não contarem com o Gajo.

jorge b @ 12:29 PM | Obs (0)
terça-feira, 20 de setembro, 2005

Os priviligeados ... | espécie: fora de blog

Finalmente em Outubro chrga ás livrarias o livro impredível do freakonomic Steven Levitt, o gajo que uma vez disse que "nos Estados Unidos um milhão de abortos correspondiam a menos 3000 criminosos", afirmação que lhe rendeu várias ameças de morte, 'privilégio' só ao alcance de um Rushdie ou de um Mourinho.

jorge b @ 11:48 AM | Obs (1)
segunda-feira, 19 de setembro, 2005

A origem do sexo ... | espécie: anedotas de elite

Quanto à origem do sexo, rezam as crónicas que Deus Nosso Senhor estava muito satisfeito com a sua obra, e os seus intermináveis dias eram agora passados a observar Adão a perseguir as ovelhinhas e a fazer macacadas diversas.
Passado algum tempo, parecendo-lhe que Adão demonstrava algum enfado, DNS tendo em boa hora afastado a hipotese de lhe arranjar um amigo, decidiu criar a mulher, seguro que estava de que a arrojada forma anatómica da mesma, os seus cabelos loiros, os seus sedosos olhos azuis, entre os demais atributos próprios de uma qualquer pin-up, despertariam a curiosidade e o interesse sem malícia do solitário Adão.
Foi então que chegou o dia, concretamente em Genesis.4, em que Adão, ao virar de uma bela vereda de amendoeiras em flor, deu de caras com a bela, roliça, apetitosa, volumptuosa, lasciva e sensual jovem Eva e disse:
- Que é isto ? Quem és tu ? Com os c*lhões quase no pescoço e a barba entre as pernas ??!!! Anda cá que eu já te f*do!
(história recebida por mail em jorgexistence@yahoo.com e adaptada para o blog)

jorge b @ 10:14 PM | Obs (1)
sábado, 17 de setembro, 2005

O Fu Hsi é que sabia ... | espécie: interferências

"Repare numa árvore. Cresce quando as condições são favoráveis para o crescimento, e, quando estas não ocorrem, poupa e armazena as suas forças. Inclina-se perante o vento, pois tem consciência de que este possui uma força superior à sua; pelo menos por enquanto. Seja como uma árvore: cresça quando for possível e guarde as suas forças nas alturas em que não é possível crescer; incline-se perante forças superiores mas esteja pronto a endireitar-se de novo.", in "I Ching" de Will Adcock, Ed. Estampa.-

jorge b @ 04:15 PM | Obs (0)
sexta-feira, 16 de setembro, 2005

1º passo ... | espécie: extracções

O primeiro passo para fazer uma mulher gostar de um homem, é o homem gostar da mulher... Ou pelo menos, convencê-la disso.
Depois de vários anos de exibição do Esquadrão G, a rapariga estava desesperada porque não conseguia arranjar namorado.

jorge b @ 09:43 AM | Obs (0)

Bárbaros ... | espécie: portugal

Ontem á noite o candidato Carrilho recusou-se apertar a mão ao candidato Carmona, no final do debate televisivo. Maneira elegante de Carrilho dizer "eu é que sou intelectual senão ia-te ao focinho!".
Carmona estupefacto disse: "Então não me quer cumprimentar ?! Extraordinário!... Grande ordinário!!". Maneira elegante de Carmona pensar "e é este gajo que anda a comer a Bárbara ?!".

jorge b @ 09:17 AM | Obs (0)
quinta-feira, 15 de setembro, 2005

Italian taste ... | espécie: bola

Um gajo pode não suportar o Vieira do Benfica, pode abominar o Veiga do Benfica e dispensar na hora o 'baby-face' Koeman do Benfica... Mas depois há o Micolli! Um gajo é do Benfica, independentemente de quem esteja a ganhar á conta dos kits, independentemente da visível falta de nível do pessoal que veste o fatinho cinzento com a gravatinha vermelha escura.

jorge b @ 04:27 PM | Obs (0)

Lar de Belém ... | espécie: portugal

O uníco candidato possível para o PS. Perder por perder, que seja com o incómodo e esquerdista tardio Soares.

jorge b @ 04:06 PM | Obs (0)
quinta-feira, 25 de agosto, 2005

A economia de Sócrates ... | espécie: algures

"Comunicado do Gabinete do Primeiro-Ministro:
Faz o Governo saber que, até nova ordem, tendo em consideração a actual situação das contas públicas e como medida de contenção de despesas, a luz ao fundo do túnel será desligada.",

in minha caixa de mail.

jorge b @ 02:57 PM | Obs (0)
terça-feira, 23 de agosto, 2005

indeed ... | espécie: interferências

"If only i could steal enough money to become an honest man...", Aldo Vanucci/Peter Sellers, in "Caccia alla Volpe" aka "After the Fox", 1966

jorge b @ 03:46 PM | Obs (0)
sexta-feira, 8 de julho, 2005

Islamismo ... | espécie: mundo

Soares diz que são a miséria e a pobreza que geram humilhação, que geram o terrorismo. Mas não é a pobreza que transforma os cubanos, os indianos e os chineses rurais, os africanos em geral, em terroristas.
O que alimenta o terrorismo é uma outra espécie de miséria. É uma miséria intelectual e uma pobreza espiritual, aquilo que também alimenta o Islão.

jorge b @ 10:18 AM | Obs (0)

Escassez ... | espécie: extracções

O Feminino é cada cada vez mais uma raridade.

jorge b @ 10:00 AM | Obs (0)
segunda-feira, 27 de junho, 2005

Marreta ... | espécie: fora de blog








Scooter!
You scored 60 Mood and 45 Energy!
You are cheery, energetic and achievement oriented. You are a hard worker and you are proud of your accomplishments.




Link: The Muppet Personality Test written by TheLadyEve on Ok Cupid

jorge b @ 04:23 PM | Obs (0)
quinta-feira, 16 de junho, 2005

O colarinho impecável dos pedintes ... | espécie: portugal

Oiço falar numa reunião da "desunião europeia", do desacordo de Portugal quanto ao orçamento a aprovar, Freitas à frente, contra as verbas atribuídas no âmbito do quadro de apoio comunitário para Portugal. Queremos mais dinheiro, mais ajuda. Continuamos a querer, coitadinhos. Até quando e até onde pode ir a humilhação ?...

jorge b @ 12:21 PM | Obs (1)
sexta-feira, 3 de junho, 2005

Sandália people ... | espécie: algures

Falo-lhes em ‘foot-fetish’. Riem-se, falam despudoradamente dos calos, ha-ha-he-he, de como usam as laminas para os raspar. Dear me, onde estou eu metido!...

jorge b @ 09:59 AM | Obs (4)
segunda-feira, 30 de maio, 2005

Autênticas Papoilas Saltitantes (Papaver Somniferum Saltitantis) ... | espécie: bola

Na história do futebol português, nunca uma equipa foi campeã com 7 derrotas... nem sequer com 6. Com tanta derrota assim, em campeonatos anteriores, uma equipa nem sequer tinha ido à UEFA ou então estaria a lutar para não descer de divisão. Mas esta época, o Benfica com as suas 7 humilhantes (é preciso não esquecer) derrotas e os não sei quantos míseros golos marcados, conseguiu o impensável, á rasquinha, ser campeão, ou melhor, ficar em 1º lugar. Á rasquinha, como o país, como todos nós, mais coisa menos coisa. Com o país já estamos habituados, connosco podemos nós bem, agora, quando é o Benfica á rasquinha, é quase como se não tivesse ganho. Não nos sentimos vencedores, daqueles de peito cheio, algo que é bastante diferente de sentir um forte impulso de correr para a frente de uma câmara de televisão e gritar SLB, SLB, SLB ou subir uma estátua e gritar em cuecas SLB, SLB, SLB. Há uma grande diferença.
Para um benfiquista se sentir verdadeiramente vencedor também não é preciso esmagar ninguém. Mas é preciso ganhar com convicção, confiança e estilo, coisa que o Benfica não soube fazer ao longo da época. E aquele ultimo jogo do campeonato, então, com o Boavista, foi pavoroso. Não chamo àquilo humildade. Chamo miufa, muito demérito alheio e muita sorte. Foi assim o Benfica este ano. Naquela ultima jornada, foi a Académica (merecia um lugar na UEFA) quem me deu a maior alegria futebolística do ano quando marcou aquele golo magnífico ao lastimável FêCêPê. Só ao minuto 90 das Antas o país respirou de alívio. Houve outra grande alegria, mas não tão intensa, aquele magnifico frango do Ricardo, um magnifico golpe de sorte que o Benfica durante todo o jogo demonstrou não merecer. O Sporting também não. Mereceu o Luisão, a melhor das papoilas saltitantes, o talismã que faltou ontem ao Benfica na final da Taça.

jorge b @ 06:01 PM | Obs (0)
terça-feira, 24 de maio, 2005

Os oprimidos ... | espécie: bola

É uma das imagens fortes que ficaram do Domingo passado, a dos adeptos portistas a queimarem bandeiras e cachecóis do Benfica frente às câmaras de televisão. Não chamaria aquilo não saber perder. O Porto não perde carago! Aquela é antes a atitude típica dos oprimidos, o mesmo tipo de ritual que os Palestinianos fazem com a bandeira de Israel, os muçulmanos em geral com a bandeira dos opressores Americanos.
E nós é que somos os “mouros”...

jorge b @ 02:43 PM | Obs (0)
quinta-feira, 19 de maio, 2005

O síndroma da 2ª circular ... | espécie: bola

Minutos antes do início do jogo com o CSKA, a TSF perguntava em directo a José Roquete (antigo presidente do Sporting), o que esperava do jogo:
- “Não estou conformado com a derrota com o Benfica... Continuo a dizer que o Ricardo foi carregado, não tenho dúvidas (???) não me conformo.” (!!)
Minutos depois do final da partida, a RTP entrevistava adeptos/sócios ao acaso, à saída do estádio, e o Sportinguismo voltava a manifestar-se:
- “O Benfica é merda!!!!”
O Sporting ontem jogou contra duas equipas: o CSKA e o Benfica. Obviamente que nunca podia ganhar.

jorge b @ 11:45 AM | Obs (0)
quarta-feira, 18 de maio, 2005

Ao cronómetro ... | espécie: bola

Hoje vou ser do Sporting... durante 90 minutos... nem mais um segundo!

jorge b @ 06:19 PM | Obs (1)
terça-feira, 17 de maio, 2005

De ja vu ... | espécie: extracções

Acredito, mas no sentindo inverso. A abordagem ao fenómeno será mais “Desculpe, não nos vamos conhecer de algum lado ? É que tenho a certeza que iremos para a cama num futuro próximo.”

jorge b @ 10:27 AM | Obs (0)
segunda-feira, 16 de maio, 2005

Benfica perdeu ... | espécie: bola

24h antes do grande jogo, o Benfica fez uma espécie de sacrifício aos deuses, algo inédito. Expulsou um sócio, Vale e Azevedo, um antigo presidente do clube, o homem que protagonizou o melhor acto de gestão desportiva de sempre em Portugal: A contratação de Mourinho como treinador. Obra dele, histórico (o segundo melhor acto de gestão desportiva de sempre, embora a anos luz do primeiro, recorde-se, foi o de Pinto da Costa ao ir buscá-lo um ano depois ao Leiria).
Em vez de uma merecida homenagem, uma indecente expulsão de sócio. E pode o Benfica dar-se ao luxo de perder sócios, ainda mais daquela valia ?!... Se o problema com Vale e Azevedo é a sua reputação, quantos sócios do Benfica são reconhecidamente aquilo a que vulgarmente se apelida de palhaços, quantos haverá que são uns grandessíssimos filhos da puta, quantos sócios do Benfica batem nas mulheres quando o Benfica perde ou cortam as unhas nos transportes públicos ? E são expulsos do clube ? Obviamente que não. Luis Filipe Vieira, por exemplo, na sua qualidade de pato-bravo, é o responsável por um dos maiores atentados ecológicos e arquitectónicos de sempre… E por acaso é expulso por isso ? Basta ir a Sesimbra, dar uma voltinha à beira mar, e é impossível avistar o mamarracho “califórnia” sem se ficar logo com vontade de expulsar Vieira do Benfica. Mas porque somos razoáveis, e porque se trata do presidente do nosso clube, não somos capazes de lhe desejar tanto mal.
Se Vale e Azevedo lesou a Instituição, aí é outra conversa! Mas mesmo assim, a expulsão de sócio do Benfica só tem paralelo com uma lobotomia ou uma morte por enforcamento. Podia-se muito bem aplicar uma pena mais leve, como, proibir o Vale de ter camarote na Luz durante uma temporada, obrigá-lo a estar na bancada no meio da maralha ou um corte da relva do estádio em troca duma entrada para o 3º anel. O Benfica não perdia.

jorge b @ 01:28 AM | Obs (0)

Louvor público ... | espécie: portugal

Antes do início do grande jogo, os gajos da TV Cabo mudaram os códigos de acesso via satélite. Objectivo: massacrar a malta que tem parabólicas piratas. Missão comprida. Ressalve-se no entanto a ética dos gajos: Cortaram o sinal uma hora antes e não mesmo em cima do jogo como mandaria o figurino nacional. Assim, permitiram que a malta tivesse tempo suficiente para meter os camarões e a bejecas no frigorifico, e ir chatear amigos com Sport TV legalizada ou procurar um lugar no café. Foram filhos da mãe, mas não filhos da puta. É de louvar!

jorge b @ 01:27 AM | Obs (1)

Pirataria de cabo na boca ... | espécie: mundo

É recorrente. De vez em quando vem á baila o tema da “pirataria”, produzem-se spots publicitários e discursos bonitos apelando ao sentimento de culpa de quem saca cd’s na net, compra dvd’s aos ciganos ou vê televisão por cabo á pala. Esses senhores sabem que o mundo sem pirataria seria o descalabro total, mas a missão deles é reforçar o carácter subversivo da coisa, efectuar pequenos ajustes no saque legalizado. Compreende-se. A pirataria agradece mas também merece mais respeito, já era tempo de ser encarada com naturalidade, ter direito a disciplina no secundário. Faz parte da equação, da lógica do mercado, do mercado que é a base da nossa civilização. A pirataria é a válvula de escape da grande panela de pressão do consumismo moderno. Deus deu-nos a oferta, nós a procura e alguém a pirataria.
*
Não conheço gente mais respeitável que os piratas ou se preferirem, malta culturalmente arejada e altruísta que compra o original ou pirateado que depois disponibiliza ao resto do pessoal. Sem eles não tinha nem 10% da cultura musical que tenho e mesmo assim sinto-me sempre acabado de aterrar sempre que vou ao Lux. Sem a pirataria ainda não tinha tido o privilégio de ver o “Sin City” com qualidade DVD ou o “The ring” original japonês. O pior de tudo, Bill Gates ainda seria mais rico do que é, como se fosse concebível… E veja-se, paradigma dos paradigmas, não conheço uma alminha viva que tenha uma versão do Windows ou do Office legalizada e tenho quase a certeza que quem me lê, igualmente. Ainda assim, não deixa de ser o gajo mais rico do mundo. Ou seja, sem a pirataria os ricos seriam escandalosamente tão ricos que até teriam vergonha e sentimentos de culpa de o ser. E se os ricos tivessem vergonha o mundo bloqueava, haveria a necessidade de fazer um ‘reboot’ do sistema com consequências imprevisíveis. A pouca vergonha que têm, tentam impingi-la para quem é cúmplice dessa pirataria que afinal os ampara.

jorge b @ 01:26 AM | Obs (0)
quarta-feira, 4 de maio, 2005

Traduções daquilo que ela grita como só ela sabe gritar ... | espécie: revisões da matéria

Um guia importante para compreender melhor a mulher, no caso, chefe e neurótica ao mesmo tempo.

Quando: É sempre a mesma coisa!!! Eu não disse que queria isto acabado até ontem ? Não disse ????
No fundo: Ontem á noite fui para a cama com um desconhecido mas não prestou para nada!

Quando: Senhor Amilcar, estou tão farta do seu desleixo!!!! Os seus serviços já não são necessários. Para a semana já não quero vê-lo nesta empresa! Agora desapareça!!!!!
No fundo: Ai Amilcar, de todos os empregados desta casa, você é o único com quem não tenho fantasias sexuais.

Quando: Cambada de incompetentes. Estes pedidos de encomenda estão todos mal !!! Ahhh que nervos!!!
No fundo: Por mais que tente, não consigo atingir um orgasmo!

Quando: Aqui não há discussões! É como eu digo ou podem procurar outro emprego!!!
No fundo: Já não consigo aturar mais o barrigudo do meu marido.

Quando: Quantas vezes é que já não disse que queria isto por ordem alfanumérica ah ?? Quantas ?! Quantas ??! Quantas ???!!
No fundo: Só quando me masturbo sózinha é que consigo ter prazer... Algum...

jorge b @ 03:26 PM | Obs (0)
quarta-feira, 20 de abril, 2005

Pornografia de auto-ajuda ... | espécie: extracções

Filmes porno para os homens, livros de auto-ajuda para as mulheres. Os protagonistas parecem ser sempre mais felizes, têm mais prazer e sabem mais que o seu público. Causam inveja, podem levar a uma procura por preservativos baratos ou a uma busca interior barata. Começa a consciência da frustração, acaba muitas vezes o casamento.

jorge b @ 07:12 PM | Obs (1)

Felicidade – infelicidade = Amor ... | espécie: revisões da matéria

Muita fome ou muita vontade de ser comida, vai dar ao mesmo.Tenho andado com uma série de ideias a bailar na cabeça mas ando sem tempo para as desenvolver aqui no blog, este sítio cada vez mais inconstante. Uma delas, a que mais rodopia, era sobre uma mulher que julgava que os homens só andavam com ela por causa das suas mamas, e tinha toda a razão. Lamentavelmente falta-me tempo e neura suficiente para alimentar a minha veia literária. Mas espero desenvolver a ideia lá mais para a frente.
De vez em quando atravesso fases destas onde como que me auto-convenço que sou um cidadão e funcionário exemplar. Consigo conceber uma linha certinha na minha vida e na minha carreira, tudo tem uma saudável lógica hierárquica, parece-me a mim que o meu trabalho é importante, principalmente não levantar questões sobre o que está mal é correcto e importante. Estou a atravessar um desses períodos, o que naturalmente me inibe de escrever, esse acto sempre subversivo. Ainda por cima, instalei agora em casa televisão por cabo... Ao que um gajo chega!... Canal Playboy e tudo! A seu tempo tenho que falar no canal Playboy.
Existiria inclusive muita matéria prima para fabricar meia dúzia de belas balelas escritas. Aqui há dias, por exemplo, tive uma gaja a chorar-me no ombro (isto tinha que ser notícia!) por causa dum gajo meu amigo. Acho que já fui ombro amigo, mas esta foi como se fosse a minha primeira vez. Mais adiante tentarei explicar porquê. Segundo ela, a soluçante rapariga, vejam a potência destas palavras, vejam o potencial bloguistico, “passei com ele os momentos mais felizes, mas também os mais infelizes da minha vida” (sic). Fosga-se, isto dava pano para muitas mangas e muita lágrima sentida. Mas pior estava eu, que podia um gajo dizer ou fazer numa altura daquelas, perante aquela avalanche descontrolada de sentimentos ? Um gajo como eu, que gosta de brincar com coisas sérias, que fazer se não ficar constrangido com a situação, um drama real...Aquilo não me podia estar a acontecer, é que naquelas palavras e naquelas lágrimas, estava resumido todo o drama do amor, e ao mesmo tempo era um momento clássico e solene, a altura certa para um gajo se fazer ao bife da desfeita se estivesse para aí virado. É sabido que estes momentos de carência afectiva são muito propícios a investidas dos malandros. Portanto, se tivesse alguma espécie de atracção pela gaja, tudo se tornava mais fácil, a pequena descobriria ali um verdadeiro consolo onde afogaria, ou mais cedo ou mais tarde, substituiria as suas mágoas por outras mais fresquinhas. Infelizmente, contra todas as probabilidades (imaginem a cena, uma gaja loira, de olhos azuis, maior que eu, lavada em lágrimas a poucos centímetros das minhas gânfias, que mais pode um gajo desejar) a gaja não desperta em mim aquela dose de lascívia suficiente para começar a testar o hálito. São coisas, um gajo tem os seus gostos, e no caso, princípios, e é-lhes fiel. A verdade é que, ao invés, senti pena, pena verdadeira (melhor que um duche frio), a solidariedade de um gajo compreensivo, amigo e meigo para uma gaja, percebem ? Fui por breves instantes aquele refugio que as gajas normalmente só encontram nos ombros dos amigos virados, em princípio dotados de uma sensibilidade muito próxima da delas. Senti portanto uma empatia pura, verdadeira e desinteressada. E posso provar que assim foi porque enquanto durou toda aquela comovente lamuria, em momento algum lhe tirei as medidas... Ou melhor, lhe fiz a prova.
Confesso que senti algum orgulho em mim próprio, coisa rara, fui um amigo, fui capaz de o ser, amigo de uma gaja, daqueles que são capazes de estar longos minutos a ouvi-las e a compreenderem cada palavra que elas dizem. E elas como se apercebem disso, abrem-se ainda mais e os minutos transformam-se em horas, e por vezes, as palavras em gemidos. Não digo que fui totalmente amigo, não devido a segundas intenções como já esclareci, apenas porque mantenho e continuo a manter com ela uma prudente margem de segurança, resultante das nossas diferenças e gostos culturais, companhias e uma certa extroversão da sua parte nada consentânea com a minha discreta maneira de ser.
Acabei por lhe dizer não o que ela gostaria de ouvir (tenho a certeza que seria um “epá ontem por acaso falei com ele e o gajo está também ainda apanhadinho por ti, liga-lhe, força”) antes a ultima coisa que uma mulher apaixonada quer saber. Agora compreendo que eu era o ultimo elo, a ultima réstea de esperança de, de certa forma, a ligar ao outro, o seu amor. Acabei por ser eu quem deu a estocada final num sentimento quase moribundo embora com muita vontade de viver, condenado pela pior das doenças, a indiferença. Do lado dela havia a secreta esperança que o outro me falasse ou pelo menos perguntasse por ela. Convém esclarecer que o gajo está longe, está noutra, mudou de emprego, mudou de ares, arranjou outra gaja, mandou pura e simplesmente esta ás urtigas. Convém esclarecer que já passaram anos, que o gajo nunca mais quis saber dela. Há muito que a ignora. Levou o seu tempo, mas há muito que ela é passado. Ela devia calcular mas foi a jogo, admirável coragem das mulheres. Era escusado. Naturalmente que perdeu. Esclareci-a. Que podia eu fazer se não dizer para a gaja se dedicar mas é ao gajo que a anda actualmente a comer e esquecer o outro. Simplesmente não deu, ela não podia continuar agarrada ao passado! Foi este o meu raciocínio, a conclusão que lhe quiz dar, o conselho.
No rescaldo, acho que fui cruel. Acho, sinto-me. Acho que tenho um dom natural para carrasco. Não sirvo para ombro amigo. Mas já vi que é coisa que não se escolhe. Que podia eu fazer...

jorge b @ 05:40 PM | Obs (1)
sexta-feira, 15 de abril, 2005

Lambs ... | espécie: anedotas de elite

Na altura do cio, o carneiro vai ter com a ovelha e diz admirado:
- Tens tão pouca lã!!!
E ela responde:
- Ouve lá!!! Vens para f*der ou para fazer tricot ?
in, mailbox

jorge b @ 02:07 PM | Obs (0)
quinta-feira, 14 de abril, 2005

Problemas na rede ... | espécie: algures

"
- xiiiiiiiii...
- (...) ouvir-te mal! Espera um bocadinho.
- ixxxiiixixiiiiiiiiiiiiiii...
- Tou ??! Tás-me a ouvir ??
- ixxxxxxxxiiiiiiiiiiiiiiiii.....
- Tou ? Espera...
- xiiii...xi....plic... xi... plic... plic...
- Ai desculpe!
- ziiiiiip!!!!

"

Amanhã explico isto.

jorge b @ 02:29 PM | Obs (1)

Lógica comunista ... | espécie: algures

Na campanha de publicidade de rua do jornal "Avante", num interessante exercício de auto-crítica, diz-se ser um jornal que "mostra aquilo que os outros não mostram". É um facto, os "outros" também mostram aquilo que o "Avante" não mostra.

jorge b @ 02:21 PM | Obs (1)
quarta-feira, 6 de abril, 2005

United Colors of Vatican ... | espécie: mundo

Jomo Kenyatta, fundador da República do Quênia, um vez disse “Quando os brancos chegaram, nós tínhamos as terras e eles a Bíblia; depois eles ensinaram-nos a rezar; quando abrimos os olhos, nós tínhamos a Bíblia e eles as terras”. Nada mais acertado.
Agora, naquilo a que seria uma segunda vaga de saque, há quem queira chegar lá com o próprio Papa, meio mundo suspira por um Papa negro...

jorge b @ 07:21 PM | Obs (0)
terça-feira, 5 de abril, 2005

Desculpar qualquer coisinha ... | espécie: mundo

Por entre dados estatísticos surpreendentes (viagens a 129 paises, o equivalente a 31 voltas ao mundo), procuro por virtudes na “governação” de 20 anos deste Papa que morreu ou “voltou á casa do pai”, como queiram. A mais repetida e elogiada é o facto de ter pedido desculpas pelas atrocidades cometidas pela igreja e outros Papas no passado. Não percebo como se pode ver mérito num pedido de desculpas deste género. Se Gorbatchev apenas tivesse feito o mesmo em relação ao passado da URSS, também teria sido louvado pela atitude inédita mas ainda hoje existiria o muro de Berlin. O Papa ao assumir um passado vergonhoso, tinha a obrigação de assumir igualmente a perfídia da religião e dar início a um processo de desmantelamento pacífico da Igreja, contribuindo positivamente para o laicismo da humanidade.
Os pedidos de desculpa não ficarão por aqui. Um dia, um próximo Papa voltará a pedir desculpa pelo passado, desta vez por aquilo que este e outros fizeram.

imagem: Gottfried Helnwein

jorge b @ 09:18 AM | Obs (0)
segunda-feira, 4 de abril, 2005

Até que a morte nos separe ... | espécie: revisões da matéria

Devo ser uma das poucas pessoas vivas que conhece alguém que mudou de clube. Alguém que contrariou portanto aquela verdade supostamente insofismável que diz que um homem muda de vida, de mulher, de profissão, de país, de religião, de partido, até de sexo, mas nunca, nunca na vida muda de clube. E porquê, porque raio um gajo não muda de “instituição” ?
Um gajo nunca sabe bem bem por que “é do Benfica”. É-se e pronto! No meu caso, não consigo encontrar a mínima justificação lógica, o mínimo acontecimento ou influência na minha infância que justifique a rouquidão com que fiquei ontem depois de gritar quatro vezes golo. O meu pai, tios, avôs, ninguém era do Benfica. Aquele tipo de pessoas que normalmente nos faz a cabeça em puto, nos compra ursinhos de peluche equipados com as cores do clube, que nos inscreve como sócio ainda antes de nascermos, nenhum deles me influenciou. O porquê do "ser do Benfica" é ainda mais estranho porque se trata de um clube do povo, de massas. A maralha é quase toda do Benfica. Num gajo com algumas manias elitistas como eu, é um verdadeiro contracenso, com o qual tenho por vezes alguma dificuldade em lidar, principalmente quando o Benfica perde. O Sporting, por exemplo, é um clube mais burguês, instalado numa zona fina da capital, logo, seria mais consentâneo com a minha natureza.
Portanto, seria incapaz de substituir algo irracionalmente misterioso, algo que constitui a única certeza inabalável da minha existência, a única coisa que não escolhi, além de nascer, o “ser do Benfica”, por algo que constituiria sempre uma opção racional e estratégica, fruto de uma aprendizagem ou lavagem cerebral. Nunca seria a mesma coisa, nunca daria certo. Assim que se nasce, já é demasiado tarde para se mudar de clube.
Quanto ao gajo que mudou de clube (atenção que é verdade, sei que é de dar a volta ao estômago mas o gajo mudou mesmo, de ferrenho benfiquista, para fanático Sportinguista), embora não o admita, estou convicto que o fez, por causa da namorada que viria mais tarde a ser sua mulher... Estão actualmente divorciados.

jorge b @ 04:41 PM | Obs (1)
sábado, 2 de abril, 2005

Papa ainda resiste ... | espécie: mundo

Ultímas informações veiculadas pelo Vaticano dão conta de que o Papa está morto mas com alguns momentos de coma.

jorge b @ 04:16 PM | Obs (0)
sexta-feira, 1 de abril, 2005

O que é que a Pimpinha tem que as outras não têm ? ... | espécie: ícones

Pessoalmente considero o maior atentado hídrico de todos os tempos. Durante o ultimo mês, por cada dois exemplares vendidos da Maxmen em todo o país, morria uma ovelha no Alentejo. Ou seja, enquanto 100 mil gajos salivavam com excesso de água na boca pelas fotos da Pimpinha descascada nas páginas centrais, 50 mil ovinos sucumbiam á mingua do precioso liquido. Tudo isto sem sequer ser preciso tirar o sutien. É obra! E o que tem a recordista de tiragens da Maxmen que as outras não têm ? Para começar, a mãe. Com a dupla Cinha/Pimpinha coloca-se automaticamente a paradigmática questão “a mãe ou a filha ?”. E a resposta é imediata e inequívoca: As duas! Não existirá no domínio público uma tal dupla em que a dúvida não se resolva de forma tão indubitável. Depois, Pimpinha gosta de Picasso e é do Benfica. E para terminar, Pimpinha tem uma característica rara entre o panoramama do gajedo nacional: além do seu look “forever teenager” que tanto apraz á lascívia mas igualmente embaraça a consciência de um gajo, é possuidora de uma estrutura anatómica deveras arrojada e daquilo a que se poderia denominar de “Síndroma das virgens de Alá”. Por maior rebaldaria que haja durante a noite, dá a ideia que ao raiar do dia seguinte, Pimpinha acordará sempre com aquele mesmo sorriso cândido, com o dom da virgindade estampado no rosto. Coisa que como é sabido provoca a qualquer muçulmano a vontade de se espetar carregado de explosivos contra um autocarro e pôr uma dúzia de judeus a arder. A nós, põe-nos as mãos em brasa.

foto: Maxmen, sacada da tasca do zé.

jorge b @ 11:47 AM | Obs (1)
quinta-feira, 31 de março, 2005

Tipicamente Coelho ... | espécie: algures

"Em primeiro lugar, o nosso objectivo é ter mais votos que o partido que vier a seguir! Em segundo lugar (...)"(!)
Resposta do ambicioso Jorge Coelho, porta-estandarte do PS, hoje de manhã quando os jornalistas lhe perguntaram sobre quais eram os objectivos do partido para as próximas autárquicas.
in, TSF

jorge b @ 10:26 AM | Obs (0)
quarta-feira, 30 de março, 2005

Big Mourinho ... | espécie: anedotas de elite

"Mourinho está com cara de tédio a comer uma inglesa. De repente, ela começa a atingir o orgasmo e grita:
- HO, HOO, HOOOOO MY GOD!!!
Ele com a mesma cara diz:
- Na intimidade podes chamar-me só Mourinho."
in, recebida por mail

jorge b @ 03:15 PM | Obs (1)
terça-feira, 29 de março, 2005

Genes 'r us ... | espécie: revisões da matéria

Nova polémica: a base de dados genéticos. Parece que com a recolha do material genético que identifica cada ser humano, o Estado perverso conseguirá obter dados pessoais, como sejam as tendências do indivíduo ao nível da personalidade, dos gostos, doenças, preferências sexuais, religiosas, etc... Proponho-me já para a recolha e aconselho toda a gente a aderir à Grande Recolha Genética. Pensem bem nos milhares de euros que podemos poupar em psicoterapia, o contributo que estaremos a dar para a industria das provetas e microscópios, o que a genética pode trazer ao nosso auto-conhecimento. Imaginemos que sou ateu, casado com uma morena, ando a tomar comprimidos para a urticária, introvertido e cleptomaníaco, gosto ouvir Ramstein, aparentemente tenho tudo para ser feliz! Mas sinto um qualquer desconforto, algo de inexplicável que não me deixa ter um sono tranquilo e retemperador. Além do meu seiko, há mais alguma coisa que não bate certo nesta minha vida, cuja história é semanalmente relatada cada vez com mais pormenor á psicoterapeuta que me acompanha 50€ a consulta (2700 €/ano).
Vou á base de dados genéticos e peço um relatório, gratuito (0€/ano). Descubro então que afinal tenho propensão para loiras (já andava desconfiado), tendência para a hipertensão, ultimamente agudizada pelos comprimidos contra a urticária cujo diagnóstico foi erro médico e a comichão simples alergia à Julia Pinheiro, que afinal até sou um gajo extrovertido, altruísta, cheio de fé, só que ainda não sabia, e que gosto da Jennifer Lopez também quando canta. Ou seja, abençoada genética, com todas as certezas, com toda a vida descomplicada e explicada, abençoada que nos trará pacificação ás nossas ansiedades e incertezas.
Suponho que se tivesse sido inventada hoje a impressão digital, tal como o código genético, marca única de cada indivíduo, as mesmas vozes discordantes que agora apontam o dedo á genética, levantar-se-iam: afinal, com que direito tem o Estado de ter algo de tão íntimo e pessoal como a minha impressão digital ? E que lhe interessa saber quem são os meus pais ? Alguém tem alguma coisa a ver com isso ? Ou a minha data de nascimento ? Não é única mas combinada com o lugar de nascimento, conforme consta do famigerado BI e temos um mapa astral mais completo que qualquer mapa genético. E a minha foto ? Há gente que pela forma do nosso rosto é capaz de nos dizer quantas vezes trairemos durante a vida, pela forma das sobrancelhas se alguma vez ficaremos a dever ao banco, pela forma dos olhos se gostamos mais na mesa da cozinha ou nos bancos de trás do carro. Não me parece razoável o Estado ter na sua posse uma fotografia minha. Sabe-se lá se a esta hora não estará uma burocrata qualquer a ter fantasias só de olhar para o meu bem escanhoado rosto. Uma pessoa tem direito á integridade da sua imagem e a saber as medidas e o contacto da burocrata depravada. Há gente que consultando o nosso extracto bancário, os movimentos do nosso cartão de crédito, é capaz de nos dizer onde gostamos de passar férias, em que restaurantes comemos, que marca e estilo de roupa usamos... Sugiro burkas para os mais afectados.

jorge b @ 03:40 PM | Obs (1)
segunda-feira, 28 de março, 2005

What ever happened to George Orson Welles ? ... | espécie: fora de blog

O teu ego á vista do meu é deste tamanho! Como a minha pilinha!Apesar do reconhecimento oficial dos seus pares, Welles foi no fundo um cineasta fracassado, embora um dos melhores actores de sempre. Mas, ‘melhores actores de sempre’ há muitos, portanto, onde residia o mito ? A brincadeira na rádio da Guerra dos Mundos e Citizen Kane não chegavam. O mito residia sobre o que se passou depois, como é que um gajo cheio de carisma e talento, se afogou nele próprio. Os seus inúmeros projectos incompletos ou fracassados giravam todos á volta de si, como a sua versão de “Moby Dick”, um longo e penoso monólogo onde Welles interpreta (lê as falas) de todos os personagens com a câmara absorvida na sua figura. Todos os seus projectos rocambolescos eram duma experimentalidade que roçava o patético e de um descarado egocentrismo muito embora por causa da falta de meios que Welles não parecia admitir. Ninguém sabia se eram (bocados de) filmes para rir ou se para chorar, e só mesmo Welles os parecia levar a sério.
Ao contrário de outros, nunca teve a lucidez e preserverança suficientes para saber esperar. Perdeu por isso.

jorge b @ 12:18 PM | Obs (0)

Pope fiction ... | espécie: mundo

Mal se vê sem guarda costas, dá logo nisto!Neste momento perde-se uma enorme quantidade de tempo a discutir se o Papa está ou não em condições de exercer o cargo. A sua ultima aparição veio provar que sim, que está em grande forma. A enviada especial da SIC, decerto possuidora de poderes psíquicos extrasensoriais, extasiada até referiu que o velhote mudo e entubado “falou através do silêncio” (!). O que importa ? A ler o que está no papel ou calado, um Papa desde que apareça numa janela, não precisa de ter a forma de um atleta Olímpico ou sequer estar em condições de limpar o próprio cu para ser um excelente Papa.

jorge b @ 12:03 PM | Obs (0)
quinta-feira, 17 de março, 2005

Puras páginas virgens ... | espécie: extracções

Nesses momentos solenes em que escrevo uma dedicatória num livro que ofereço, a caligrafia sai-me sempre péssima. Um livro por ler é algo de tão imaculado que me atrapalha.

jorge b @ 06:53 PM | Obs (0)

I love you, i love you, i love you ... | espécie: extracções

Fica bem nos poemas e ganha um encanto especial se cantado. Na vida real das relações, dito assim, três vezes seguidas, é um absoluto exagero ou o prenuncio de que algo está ou vai acabar mal, mal, mal. As consciências não são surdas.

jorge b @ 06:38 PM | Obs (0)
quarta-feira, 16 de março, 2005

Da série 'factos irrelevantes ou sem a mínima importância para todos, à excepção dos poetas ou das pessoas que têm lindas varandas desmarquisadas' ... | espécie: algures


Como demonstra a imagem, chegaram as andorinhas.

jorge b @ 03:14 PM | Obs (0)
terça-feira, 15 de março, 2005

Um funcionário realmente exemplar ... | espécie: histórias infilmáveis

- Não sei como agradecer a sua celeridade...
- Não tem que agradecer, é o meu trabalho.
- Mas foi de uma atenção e de uma dedicação na resolução do meu problema que é raro encontrar-se hoje em dia sabe...
- Infelizmente sou forçado a concordar com o que diz. Apesar do elevado profissionalismo e da exigência de altos padrões de qualidade no atendimento que a nossa instituição cultiva, reconheço que nem todos os meus colegas colocam no seu trabalho diário o mesmo esforço e dedicação que aqui colocamos. Aqui fazemos sempre todos os possíveis e até por vezes os impossíveis para uma resolução mais rápida e eficaz dos problemas dos utentes.
- De facto assim é, felizmente tive o previlégio de o poder comprovar.
- Obrigado.
- Olhe, convido-o a beber comigo um cafezinho...
- Lamento mas, como vê, estou a trabalhar...
- Mas eu insisto, é o mínimo que posso fazer para agradecer toda a sua atenção e dedicação.
- Agradeço mas, e os meus colegas serão disso testemunhas, nunca me ausento para beber café. Até porque não gosto de café.
- Venha daí que toma comigo o pequeno almoço. Eles fazem ali em baixo uns pastelinhos de nata óptimos.
- Desculpe mas não pode ser. Embora ainda não tenha efectivamente tomado o pequeno almoço, eu só me levanto daquela cadeira para atender os utentes ou ir cagar.
- Nesse caso faço questão de esperar por si junto á porta da casa de banho.

jorge b @ 10:42 AM | Obs (0)
segunda-feira, 14 de março, 2005

As mézinhas de Sócrates ... | espécie: portugal

Sócrates toma posse e anuncia de imediato ao país a primeira "grande medida" deste governo: há medicamentos que passam a poder circular livremente em carrinhos de compras. Pela celeridade e oportunidade da medida que se sobrepõe a tantas outras que o país verdadeiramente anseia, devia tratar-se de um velho sonho de infância que Sócrates finalmente concretiza. Se tivesse sido Santana a declarar tamanha anormalidade e logo na sua tomada de posse, hoje já estava de malas aviadas, não para gozar umas férias á conta da industria farmacêutica, antes para se apresentar ao Carmona.
Só faltam agora as farmácias passarem a vender batata ao quilo.

jorge b @ 04:39 PM | Obs (0)

O marketing das meretrizes ... | espécie: algures

Ilustração de LaurieLipton.com
O sexo, se for pago, sai mais barato!

jorge b @ 04:12 PM | Obs (0)
quinta-feira, 3 de março, 2005

O Charles é que sabia ... | espécie: interferências

"Esta vida é um hospital onde cada enfermo está possuído do desejo de mudar de cama. Este queria sofrer defronte do fogão, e aquele crê que se curava ao lado da janela."
Baudelaire, in O Spleen de Paris

jorge b @ 07:15 PM | Obs (0)

O Sigmund é que sabia ... | espécie: interferências

"A religião é um fenómeno absolutamente neurótico-obsessivo."
Freud

jorge b @ 07:13 PM | Obs (0)

O xeque é que sabia ... | espécie: interferências

"Os que são teus inimigos, / o serão ou o foram, / alimentam-se do desgosto / que em ti encontram! "
Saadi (1250 d.c.), in Jardim de Rosas

jorge b @ 07:11 PM | Obs (0)

O que o assusta tanto ? ... | espécie: interferências

"Tudo. Não sou por natureza um homem profundo e interesso-me pouco por questões abstractas, como seja a da natureza do mundo e a do destino da humanidade; é como pairar nas nuvens. O que me apavora é a vida de todos os dias. Vejo que sabemos muito pouco e que, por isso, cada dia nos iludimos mais e estragamos a vida dos outros; gastamos as nossas energias com frivolidades que são absolutamente dispensáveis mas que nos impedem de viver. É isto que me aterra, pois não percebo a quê nem para quê isto pode ser útil. "
Anton Tchekov, in O Pavor

jorge b @ 06:56 PM | Obs (0)

2 ... | espécie: algures

O ar condicionado marcava 30 graus.

jorge b @ 09:21 AM | Obs (0)
segunda-feira, 21 de fevereiro, 2005

O regresso dos mortos-vivos ... | espécie: portugal

A tragédia era anunciada. No PSD “a noite dos facas longas”, no PS “a noite dos mortos-vivos”. Um a um, surgindo à superfície do pântano onde há três anos se encontravam mal enterrados, uma vasta horda de zombies ressuscita arrastando-se vitoriosamente na escura e fria noite eleitoral, num espectáculo aterrador: Gama, Cravinho, Coelho, Costa, Estrela, Carrilho, arghh!, entre outros… O marioneta Sócrates é apenas a ponta de um medonho iceberg de mau gosto, compadrios e incompetências provadas.
Eles estão de volta, a série “Z” da política Guterrista está de volta, por vontade popular, esse mesmo triste povo que elegeu José Castelo Branco no Natal, esse mesmo povo atoleimado, essa mesma imensa maioria medíocre, agora armada de cartão de eleitor em punho, mais amedrontada que convicta, elege neste carnaval, José Engenheiro Sócrates, o zombie incinerador.

jorge b @ 01:33 AM | Obs (0)

O engate de Sócrates ... | espécie: portugal

Se para Santana a missão já era difícil, a sua sofrível campanha, descaradamente popular e patética, apenas a veio tornar impossível. Mas era a campanha feita à imagem do povo e do país que temos, era uma campanha honesta.
O povo é tolo, é sabido, e quando intoxicado, torna-se parvo. Mas não gosta de ser tratado como merece, não gosta de ser tratado de parvo. O povo eleitor, esse nosso povo consumidor dos reality shows, das novelas, das ‘marias’, quando se trata de eleições, gosta de ser bajulado, de ser tratado como um povo bem informado, civilizado e culto, coisa que não é. Mas gosta de ser assim engatado, e não da maneira como a campanha de Santana o tratou, como se fosse um povo efectivamente parvo. Uma campanha feita à medida dessa parvoíce nacional, coisa que naturalmente se estava a revelar num gigantesco erro de estratégia e marketing político que só Santana parecia não ver, porque se calhar não estava habituado a engates rascas. É que o povo é como uma gaja feia mas com bom corpo, a quem se dá a volta dizendo-lhe que é bonita, adulando-a com mentirinhas deliciosas acerca da beleza que ela não tem e dos sentimentos que não se sente, só para lhe dar uma f*da e mais nada. Esta vai durar 4 anos!

jorge b @ 01:24 AM | Obs (1)
sexta-feira, 18 de fevereiro, 2005

Problema nas cassetes ... | espécie: portugal

Depois da unanimidade geral anti-Santana, a solidariedade global em torno da dramática perda de voz de Jerónimo de Sousa... Pareceu-me mais que Jerónimo perdeu o pio. Foi providencial a sua afonia. Teria sido triturado por Portas e Santana, ambos com uma superior capacidade de argumentação, dois tubarões quando comparados com a simpatia franca e humilde do comunista, qualidades nada recomendáveis a um político, principalmente alguém com causas já muito rebobinadas.
Santana fez bem em ter suspendido a sua campanha por dois dias. A morte da velhota Lúcia foi apenas o alibi perfeito para recuperar a voz e a calma perdidas no fim de semana passado. O debate a cinco justificava-o. Jerónimo teve justificação e saiu do debate sem as amolgadelas com que saíram Louça e principalmente Sócrates.

jorge b @ 03:55 PM | Obs (0)

Votar na oposição ... | espécie: portugal

Se Santana e o PSD formassem governo, para bem de Portugal, teriam uma excelente e aguerrida oposição: Marcelo Rebelo de Sousa, Pacheco Pereira, Alberto João Jardim, Cavaco Silva...
Não existe melhor, mais eficaz e credível oposição que uma oposição interna de luxo. Coisa que o PS não tem.

jorge b @ 09:38 AM | Obs (0)
quinta-feira, 17 de fevereiro, 2005

Não houve necessidade de intervenção da policia de choque ... | espécie: portugal

Foi com satisfação que constatei no ‘best off’ transmitido num telejornal, que afinal o funeral da Irmã Lúcia, uma das ultimas cúmplices amnistiadas do estado novo, não foi aquele “milhares de pessoas” que se anunciava a acompanhar o cortejo fúnebre. E até as cenas de pesar e habitual histeria colectiva limitaram-se á claque em licença de asilo.
Com Sócrates a descer nas sondagens, volto a acreditar em Portugal.

jorge b @ 03:26 PM | Obs (0)
terça-feira, 15 de fevereiro, 2005

A questão da virgindade de Lúcia ... | espécie: deus, patrocinador oficial

A Irmã Lúcia sempre fez parte do meu imaginário. Conheço-lhe a estória desde muito novo. Era puto de 10 ou 11 anos quando certo dia uma força inexplicável fez-me pôr de lado um almanaque do tio patinhas, induzindo-me na leitura de um livro que há muito espreitava na prateleira de livros do meu revolucionário pai, com o título “Fátima desmascarada” de, salvo erro, João Ilharco. A coisa estava muito bem escrita e objectivamente desmontava a patranha de uma maneira coerente e honesta, sem quaisquer tipo de fundamentalismo anti-religioso, coisa que, reconheço, me caracteriza. Desde logo fiquei com a ideia que, após as supostas aparições, as três criancinhas teriam sido postas fora de circulação porque qualquer pessoa bem intencionada facilmente desmascararia a fantochada. Comoveu-me imaginar o que teriam passado os três putos, imaginando-os levarem uma vida de sofrimento e clausura, rodeados por todos os lados de padres, sabe-se lá com que intenções, recitando constantemente os evangelhos noite e dia, e de estronças freiras que não os deixariam brincar ás escondidas nem ás mães e aos pais, privando os pastorinhos duma infância normal, das suas ovelhinhas e demais bichinhos que certamente com tanta devoção gostariam de voltar a pastar.
Mas o que mais me surpreendeu naquela altura, foi saber que Lúcia, a principal protagonista, ainda estava viva. Para mim 1917 era do tempo da minha bizavó, que há já alguns anos morrera de tal idade que era impossível conceber que pudesse existir ainda alguém daquela época, alguém mais velho que ela ou mesmo mais novo, vivo sequer. Lembro-me então que sempre que ia a Fátima, nas inúmeras excursões patrocinadas pela minha ultra devota avó, passei a procurar entre a populaça a figura da já velhota Lúcia, cuja foto a preto e branco descobrira publicada num jornal qualquer e cujas feições tinham ficado gravadas na minha memória.
Depois havia a questão dos três segredos, que para mim, só para mim, eram quatro. Revelados os dois primeiros, o terceiro viria a revelar-se um gigantesco flop por parte dos criativos do Vaticano. Nesse aspecto fui solidário com a desilusão que milhões e milhões de fiéis sentiram quando afinal a montanha pariu um rato. Toda a gente esperava algo mais grandioso e entusiasmante, algo apócaliptico que estivesse para acontecer, um cataclismo, uma purga que levaria todos os blasfemos desta para melhor, e não o mero atentado ao Papa, já acontecido, assunto mais que morto e enterrado, com condenação pelo tribunal competente e visita papal ao arrependido. Quanto ao 4º segredo, só mesmo a Irmã Lúcia me poderia elucidar, a mim e ao mundo que sempre julguei igualmente sedento de no fundo querer desvendar tal mistério. Esse quarto segredo que lastimavelmente jamais será revelado, era a questão da virgindade da Irmã Lúcia, era saber se ela alguma vez tinha levado com Ele! Agora que a velhota morreu jamais a minha curiosidade de apaziguará, levarei comigo esta minha mórbida dúvida para a cova, quero dizer, para a câmara de cremação, que é esse o meu desejo (um excelente aquecimento para o extenuante inferno que se adivinha, convenhamos). E como muito duvido que a encontre Lá, onde quer que seja, onde teria o descaramento de lhe perguntar alma a alma, mas com a muita delicadeza a que naturalmente a diferença de idade obrigaria, mas a de mentalidade permitiria, certamente que arderei no meu suplício com tal dúvida a torturar-me em simultâneo o pouco que me restar do juízo. Isto porque, a ser verdade que algum gajo, de cabeça perdida, um dia tentado a ficar para a história que jamais ninguém saberá, tenha posto de lado um livro do tio patinhas e comido Lúcia, coisa que duvido dada a sua devoção e clausura a que se remeteu ao longo da sua vida, muito mais duvido que tal gajo viesse alguma vez a público dizer “Eu comi a Irmã Lúcia!!”. Note-se que por mera e remota hipótese académica, tal milagre a ter acontecido, não deixa de ser algo que só conceberia se enquadrado em tempo tal, sempre para lá de mais de 50 anos atrás, período em que a senhora estaria obviamente ainda na flor da idade, na melhor condição física e as análises em condições para o efeito. E depois, não vem na Bíblia mas não é de bom tom um gajo andar-se a vangloriar de quem comeu ou deixou de comer, muito menos há mais de meio século atrás, muito menos seria de homem dizê-lo, nem que fosse a empregada de limpeza dos Caramelos que tivesse comido no dia anterior. Nem mesmo o galifão de Zézé Camarinha, que a todas e de todos os credos, raças e idades, diz ser capaz de comer ou já comeu, jamais indicou nomes. Uma conduta eticamente irrepreensível que, tratando-se de um Algarvio, é de louvar.
Devo dizer que esta minha converseta, ainda mais que agora meti os Algarvios ao barulho desnecessariamente, será decerto pouco ortodoxa para alguns, conversa decerto facilmente rotulável de blasfémia ou sacrilégio, conversa que eventualmente poderá ofender algumas sensibilidades habituadas a negar ou a pouco lidar com os lados mais perversos e obscuros das suas próprias mentes. Mas estas palavras não significam qualquer desrespeito para com a senhora. Trata-se apenas duma duvida legítima de um gajo qualquer, qualquer, convém sublinhar, duvida que certamente com maior ou menor intensidade já assolou muita gente, devoto incluído, tal era o desprovimento de qualquer indicio de sexualidade naquela freira em particular, quando é sabido que um certo potencial erótico da imagem das freiras em geral é assumido nomeadamente na industria do strip-tease, explorado aquando da altura do carnaval por gente de toda a laia, e inúmeras vezes retratado em diversas outras artes, industria cinematográfica incluída, esta, a que talvez mais explorou o fenómeno muitas vezes sem necessidade de recorrer ao hardcore.
Mas tal é o meu respeito pela defunta que, inclusive, conheci algumas gaiatas, raparigas e mulheres, gajas em geral com o dom de serem possuidoras de uma grande beleza e formas anatómicamente arrojadas, mas a triste sina de terem Lucia como nome de baptismo, não sentido por isso eu qualquer tipo de pica por elas simplesmente porque me lembravam logo a imagem da pastorinha, algo 50 vezes mais eficaz que um duche frio em pleno inverno siberiano.
Penso que para a história ficará a única e verdadeira aparição documentada de que foi protagonista a Irmã Lucia. Aconteceu quando Mel “Mad Max” Gibson no ano passado e na sequência da promoção internacional do seu blockbuster “A Paixão de Cristo”, resolveu dar um saltinho aos Caramelos de Coimbra para aparecer á frente da Irmã Lucia, naquilo que seria uma espectacular acção de marketing. No entanto, e como demonstram as fotografias da aparição, que têm aparecido nas televisões e jornais, foi significativo o facto de entre os dois existirem grossas barras de ferro, medida de precaução em boa hora tomada, porque era sabido do efeito que o Mel tinha e tem no mulherio em geral. É que não fosse o diabo tecê-las e porque até prova em contrário, até ser canonizada, a Irmã Lucia, era (simplesmente) uma mulher.
Aconteceu, morreu a velhota, e a verdade é que algum dia tinha de acontecer, como acontece a milhões de pessoas e ácaros (também são filhos de deus!) todos os dias sem excepção, certamente na sua maioria pessoas mais válidas, sem a ínfima parte do vergonhoso alarido mediático, pomposo reconhecimento e tempo de antena que esta tem. Pessoas que morrem deixando uma dor nos entes queridos incomensuravelmente mais intensa e verdadeira que a provocada a alguns milhares de gente beata e histérica, velhas vazias e desprezíveis na sua maioria, as avós, as mães das mães e dos pais, dos homens e mulheres de hoje, que fazem o país que temos...

jorge b @ 06:20 PM | Obs (1)
segunda-feira, 14 de fevereiro, 2005

O Eugénio é que sabe ... | espécie: interferências

"O dogma do pecado original presta-se especialmente para infamar o Homem e mantê-lo cativo de angustias neuróticas culpabilizantes, subretudo sexuais, e aproveitar da sua depedência para alargar o poder clerical." Eugen Drewermann, in "Psychoanalyse und Moraltheologie - Asngst und shuld"

jorge b @ 09:38 AM | Obs (0)
segunda-feira, 7 de fevereiro, 2005

Driving you scary ... | espécie: histórias infilmáveis

Hoje de noite sonhei que desfilava no sambodromo de Sesimbra, sambando com uma gaja toda descascada só com uma dúzia de penachos em cima do pêlo, empuleirado no cimo de um daqueles carros alegóricos, acenando de vez em quando para a populaça, mas muito mais concentrado na gaja e nas gotas de suor que lhe percorriam o corpo ultra-violeta e me salpicavam também. Depois, sem que ninguém reparasse, fui com a gaja toda descascada só com meia duzia de penachos em cima do pêlo, para os bancos de trás do carro alegórico. Quando estava muito bem descansado a comê-la, sem que nada o fizesse prever, ela colocou um penacho no canto da boca e, fingindo que o fumava displicentemente, começou a cantar com o vozeirão da gaja dos The Gift: “(...)I will build my world, I will sing my songs, I will keep my helmet on. And you can ruin my world, or ruin my songs; I will keep my helmet on.”
Ainda não estou recomposto.

jorge b @ 02:50 PM | Obs (2)
sexta-feira, 4 de fevereiro, 2005

O desbaste de ontem ... | espécie: portugal

Um Sócrates certinho, politicamente correcto e convencional, com a lição muito bem estudada. O político autómato apto a gerir a estagnação. E um Santana espontâneo, autêntico, a meter água duas ou três vezes mas nitidamente mais carismático, apto a proporcionar ao país o choque de mentalidades que precisa. No máximo terá desbastado dois ou três pontos percentuais a Sócrates, o que é muito pouco. As regras para meninos bem comportados impostas na condução do debate pelos jornalistas desinspirados ajudaram nitidamente Sócrates.
No entanto continuam a chegar a público sinais sobre quem seria o homem ideal para “liderar” o próximo governo. Depois de dino-Freitas, depois de meia dúzia de tycoons, agora é o cardeal patriarca, um tal de Policarpo a afirmar que Santana Lopes não é o seu candidato. Sinais mais que evidentes de que Santana é o mais iconoclasta político desde Sá Carneiro, é o político que incomoda.

jorge b @ 09:38 AM | Obs (0)
quarta-feira, 2 de fevereiro, 2005

Os colos de Sócrates ... | espécie: portugal

Afinal quem faz birra ? Quem é que se arma em vítima ? Santana fala não sei quê em alguém gostar de outros colos, tirada muito natural depois de estar rodeado de gajas, tendo a delicadeza de não mencionar nomes, e ainda assim, Sócrates arma-se em roto perseguido e ofende-se. Santana não pode abrir o bico e já está a ofender o menino. Que canalhada caralh*!
Primeiro, quem garante a Sócrates que Santana se refere a ele ? Segundo, e ainda que se refira, a piadola tem nitidamente um sentido mais político do que pessoal, como o PS pretende à força que tenha, porque lhe interessa que assim seja. É que mais escandaloso que outros colos mais intímos e coloridos, é o colo presidencial de Sampaio, ou o colo Guterrista ou de Freitas. Recentemente, os colos do primeiro ministro Espanhol, do chanceler Alemão, ontem, do ex-primeiro francês Juspin...
Ao colo das sondagens mas sem o colo do povo, Sócrates não tem feito outra coisa que não seja deixar-se filmar e fotografar feito tótó ao colo de notáveis velhas carcaças nacionais e internacionais, pedindo a benção, tentando alcançar uma credibilidade que o seu 'tragozinho a azedo' compromete.

jorge b @ 10:42 AM | Obs (1)
segunda-feira, 31 de janeiro, 2005

Desejo a dias ... | espécie: extracções

Cada vez me convenço mais dos benefícios duma vida despojada do supérfluo; piscina, a do vizinho, barco, o do amigo, lareira, a da estalagem na província, grandes salas, as dos hotéis, jardins, os públicos, ecrãs gigantes, os dos cinemas, altas fidelidades, as das discotecas. A casa, bem inevitável, o mais confortável, prática e minimalista possível. O automóvel, outro, o mais fiável e veloz. O sentimento de posse é cada vez mais caro de sustentar e quase sempre gera mais prestações em atraso e exibicionismos do que prazer para o proprietário. Para já não falar na banalização: o objecto do desejo nunca deve fazer parte do nosso dia-a-dia.

jorge b @ 10:08 PM | Obs (0)
terça-feira, 18 de janeiro, 2005

Aequilibriu ... | espécie: extracções

Numa relação saudável e equilibrada deve ser sempre a mulher a gostar mais do homem. Quando acontece o contrário, a mulher não sabe gerir tal poder, estraga tudo.

jorge b @ 10:38 AM | Obs (4)
sexta-feira, 14 de janeiro, 2005

Sardinha no pão ... | espécie: portugal

Um grupo de pescadores, naturalmente portugueses, é resgatado de um barco, naturalmente Espanhol, em apuros ao largo da Escócia. Lançaram o alerta, foram salvos, estão bem, muito obrigado. Que necessidade têm portanto as televisões de filmarem a chegada ao aeroporto de toda aquela malta com a barba por fazer, e mais os beijinhos e os abraços ? Serão essas imagens tão importantes para alguém que queira estar bem informado ? Obviamente que não, mas naturalmente que passam nos telejornais. Pergunto, quando é que os cameramen se metem nas traineiras e vão para o mar alto, fazer lá a reportagem com o Zé Pescador, como fazem as TV’s Canadiana, Francesa, Escandinavas e demais, porque são dessas televisões que vemos excelentes documentários sobre a vida dos pescadores ? Porque é que os pescadores, num país atlântico e marinheiro, só aparecem nas televisões a ocuparem tempo de antena quando há naufrágio ou quase ?

jorge b @ 05:26 PM | Obs (3)

Banquete com o patrão ... | espécie: portugal

Ontem era a notícia ao final do dia na TSF: Zé Sócrates, depois de votar contra o famigerado orçamento do PSD/CDS, depois de referir que a extinção dos benefícios fiscais sobre os PPR’s constituía o maior ataque de sempre à classe média, vinha agora avisar que, se o PS for governo, não iria repor aqueles benefícios fiscais. Notícia mais que pertinente, contradição que justificava uma notícia. Mas na SIC, nem uma palavra sobre a última do troca tintas que ontem se banqueteou com algumas centenas de empresários nacionais e internacionais. Embora por pouco ainda viamos a entrada das Sardinhas Albardadas na mesa.

jorge b @ 05:25 PM | Obs (0)
quinta-feira, 13 de janeiro, 2005

O sagrado cimento do Islão ... | espécie: deus, patrocinador oficial

Para além da catástrofe que provocou, o Tsunami no Indico veio pôr a nu uma tragédia não menos dramática... Vejo no site da CNN mais uma fotografia impressionante, tirada do ar, na Indonésia. Num raio de centenas de metros, tudo destruído, completamente devastado, à excepção de apenas um edifício que se mantém de pé, como se tivesse suportado impávido e sereno o que milhares de outros edifícios e vidas não suportaram. No centro da foto, no centro da cidade destruída, o único edifício construído com pedra e cimento, e que assim resistiu, dir-se-ia que facilmente, à fúria do oceano: A mesquita! A casa de Alá! Aquela construção intocável, que simboliza afinal uma outra tragédia que há muito acontece, e que agora, vista do ar, depois do Tsunami, ganha outro relevo, se pode constatar com mais clareza. Uma tragédia perpétua que faz parte do quotidiano de milhões de pessoas a viverem debilmente, sem oportunidade de terem essa panorâmica aérea da sua escravidão. Escravidão alienada habitada em precárias casas de lata, vítimas duma religião que se alimenta da miséria e açambarca, só para ela, cimento, mármore, petro-dólares e o espírito livre.

jorge b @ 05:53 PM | Obs (0)
quinta-feira, 6 de janeiro, 2005

A consagração ... | espécie: bola , ... | espécie: portugal

Admiro Rui Rio. Nas últimas autárquicas foi protagonista da mais surpreendente vitória, uma vitória sobre as sondagens, contra todas as previsões, sobre o establi-shit-ment da altura. Então, derrotou o incorrigível Fernando Gomes, breve ministro nódoa de um desastroso governo Guterres, mas que era dado como certo e apto para uma reciclagem na Câmara do Porto. E o facto de Rio desde a primeira hora sempre ter afrontado Pinto da Costa, e agora o mitológico portista Pôncio Monteiro, de ser no fundo um contra-poder na cidade enclave do Norte, por si só demonstra o seu carácter valoroso. E tem sido contra esse “porto naçãum” contra esses que “saum os milhores carago” que o portuense Rio tem travado uma guerra, ontem tragicamente comprometida com a atitude do baralhado governo Santana.
Na primeira página do correio da manhã, talvez também quiçá nos desportivos, a foto de Jorge Nuno Pinto da Costa (vejam que eu, toda a gente sabe o nome completo de Pinto da Costa... não é preocupante ? Sabemos o nome completo do presidente da República ? Claro que não. De Santana, de Portas ? Nem do Valentim Loureiro, nem sequer da melhor amiga da nossa namorada ou mulher. E se quisermos falar em dinossauros políticos, sabemos apenas que o Soares é Mário, por exemplo. Por que raio sabemos o nome completo do Costa ?!), curvando-se frente a Santana que o medalha, que o apologia. Santana decidiu homenagear o FCP por este ter ganho a taça intercontinental, um pretexto descarado para um caso flagrante de colagem e promiscuidade entre a política e o futebol. A taça ou as taças, que se saiba em nada contribuiram para a diminuição do deficit ou para a melhoria das condições de vida das pessoas. Pelo contrário, atiçam ainda mais clubismos e fanatismos entre a maralha que se endivida para pagar a sport tv e ter as cotas em dia.
Futebol e política, duas coisas que, a bem da credibilidade de ambas, deveriam estar o mais afastadas possível. Homenagens ao FCP e ao seu presidente, que as façam os seus sócios, entidades apartidárias, da sociedade civil, a Junta de freguesia lá das Antas, nunca, mas nunca um governo. É uma mancha quase irreparável que compromete seriamente as aspirações do PSD e de Rio, que tem, ao longo destes anos, tentado fazer com que o Porto deixe de ser um mero enclave, uma cidadezeca habitada por gente rude e com um sotaque ridículo, imagem negativa esta muito por culpa dos seus eternos 'ilustres' embaixadores. Santana com este pequeno mas grave descuido, vem comprometer um pouco mais esta aspiração, que é também a de todos os portugueses.
Aqui há uns anos atrás, Vasco Pulido Valente escrevia que a melhor coisa que o Porto tinha era a auto-estrada para Lisboa. Temo que com o andar da carruagem, será por pouco tempo. Dentro em breve, a melhor coisa que o Porto terá, será o TGV, para Lisboa, ou para Espanha.

jorge b @ 05:54 PM | Obs (1)
segunda-feira, 3 de janeiro, 2005

Missão cumprida ... | espécie: estudos

Paulo Coelho ocupa um lugar de destaque no processo de cretinização em curso na sociedade ocidental. Pode parecer um exagero, mas como pequena acha para a fogueira, que consome o bom senso e o bom gosto da nossa era, não merece ser menosprezado. Os seus livros vendem-se aos milhões, a sua palavra é espalhada por milhares de sites e blogs, mesmo de gente respeitável, como é o meu caso, que mais abaixo, entre outras citações, tenho uma do gajo, bem apanhada convenhamos, que diz que nada está completamente errado, mesmo um relógio parado está certo duas vezes por dia. Não haverá por isso razões para duvidarmos que há muita gente que vê nos seus livrecos tábuas de salvação espiritual e vivencial, uma geração de pobres de espírito duvidoso que o louva com um respeito e admiração desmedida.
Feita a homenagem, escrevo agora que tropeço numa crónica sua no “Jornal de Notícias”, com o original e sugestivo título, “viajando pelo mundo”. Há três historietas para adormecer, uma de Praga, outra de Marrocos, e a de Nova Iorque, que me comoveu particularmente. Quando se dirigia para pagar uma multa ao Departamento de Trânsito, Paulo Coelho lembra-se da nota de um dólar que encontrara no chão no dia anterior. Naturalmente deve ter-se apercebido que a sorte não tinha sido muita, que o mísero dólar afinal mal daria para mandar cantar um cego quanto mais pagar uma multa em Nova Iorque. Portanto, muito naturalmente e à sua maneira, em vez de começar a imaginar sítios maravilhosos para mandar os bófias que o multaram, começou a interrogar-se “Quem sabe, eu peguei a nota antes da pessoa certa encontrá-la”, e, “Quem sabe tirei aquele dólar do caminho de alguém que estava precisando”, e, como se fosse possível ser-se mais beato, “Quem sabe interferi com o que está escrito”. Estão a ver a pinta não é ?... Quem sabe se não será possível escrever-se algo mais lastimável, mas enfim, é o que se vende bem hoje em dia. E o pior estava ainda para ser pensado, quando o homem decide “Preciso livrar-me dela”. Dela, a nota maldita, não a camisa que trás vestida, de seda pura, manufacturada no Paquistão por um menino de 7 anos, não o rolex manufacturado na Suiça, mas sim a nota de um mísero dólar. Decerto se fosse uma de 100 ou 1000 dólares não lhe provocaria tamanho desconforto. O Coelho aproximou-se então de um mendigo e deu-lhe a nota. “Parece que consegui reequilibrar de novo as coisas.” Mas o mendigo algo indignado respondeu que não estava ali para pedir, disse-lhe que era poeta, e que com aquele dólar, o mãos largas teria direito a que lhe fosse declamado um poema. E assim foi, atente-se na pérola:
Existe uma maneira de você saber se já cumpriu sua missão na Terra. Se você continua vivo, é porque ainda não cumpriu.” Não sei se esta patranha rimará em inglês mas, desculpem, esta é mesmo mesmo à Paulo Coelho, esta é mesmo mesmo de dar a volta à tripa até a um Etíope. É tão reaccionária que o gajo, cauteloso, meteu-a na boca do mendigo poeta. Mas dela não se escapa.
Segundo a lógica daquela pródiga cabeça, quem morre é porque já não andava cá a fazer nada, estava a mais porque ou não tinha ou já terminara a sua missão. Eu que ainda estou vivo, é porque tenho ainda uma missão, várias até, entre as quais, desancar o raio do Coelho que ganha a vida a embrutecer quem o lê. Portanto, indo mais longe, mais profundo, não nas suas palavras que são sempre truques engraçadinhos ou piadinhas espirituais de gosto duvidoso, indo mais fundo, ao mar e à terra onde jazem as dezenas de milhar de pessoas que morreram recentemente na Ásia, elas morreram porque na realidade já tinham cumprido a sua missão, já não precisavam de cá estar. Portanto, vala comum com elas.

Depois de ler um livro de Paulo Coelho, na SIC radical alguem se lembrou "Quem sabe se pusermos a Paula Coelho a fazer stip-tease ficamos com mais audiência ?". Video-captura do site Capxino

jorge b @ 11:08 PM | Obs (1)

Agora não foi ninguém ... | espécie: deus, patrocinador oficial

Vejo na televisão um monge budista negar a responsabilidade de Buda na recente catástrofe asiática. Pronto, acredito. E como não meteu detonadores, nem ficou cheiro a pólvora no ar, também não creio que tivesse sido obra de Alá.
Para evitar confusões, ficava bem ao papa vir esclarecer se Deus teve ou não alguma coisa a ver com a tragédia.


jorge b @ 03:04 PM | Obs (0)
quinta-feira, 23 de dezembro, 2004

O espírito de Natal por Jesus Cristo, esse fenómeno de popularidade internacional ... | espécie: deus, patrocinador oficial

É uma das minhas passagens favoritas da bíblia, uma das mais elucidativas acerca do feitio e das verdadeiras intenções de Jesus Cristo, aquela em que o tipo supostamente terá dito assim:
"Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. Porque vim separar o pai do seu filho, a filha da sua mãe e a nora da sua sogra."
Evangelho de São Mateus, capítulo 10, versículos 34-35
Se o gajo tivesse mas era enfiado a espada num sítio que eu cá sei!!
Para todos os leitores e escritores de blogs, votos sinceros de um Natal cheio de verdadeiro espirito Natalicio, ou seja, muitas prendas recebidas e oferecidas, e luzinhas frenéticamente a piscar, claro.

jorge b @ 10:06 PM | Obs (0)
segunda-feira, 20 de dezembro, 2004

Holocausto caníbal ... | espécie: extracções

O facto de certos animais serem sensíveis ao carinho humano, seria razão mais que suficiente para que nunca estivessem no nosso prato.

jorge b @ 10:16 AM | Obs (0)
terça-feira, 14 de dezembro, 2004

Fátima in black ... | espécie: ícones

Mal acabámos de voltar á nossa natural posição de rastos, depois de muito tempo de gatas, primeiro para que viesse para Portugal a Expo e depois o Euro, e já nos preparamos alegremente para assentar de novo joelhos. Desta vez vamos implorar pela vinda dos Jogos Olímpicos em 2016.
Num país de rastos, que precisava isso sim de se colocar erecto e de cabeça erguida organizar os seus próprios desafios, as suas próprias olimpíadas do progresso intelectual, continua como que a suspirar por este tipo de eventos anestesiantes e escandalosamente próprios para países sem vergonha, cultural e socialmente medíocres como é o caso.
Entretanto, leio no Expresso que responsáveis pelo aeroporto de Lisboa (aquele que diziam já não dar para as encomendas) estavam a ‘tentar’ que a easyjet*1 passasse a voar para Lisboa. Estão de gatas portanto, por mais meia dúzia de taxas de aeroporto.
Sabe-se que estas negociações carecem sempre de contrapartidas, que quem estás de gatas tem que apresentar argumentos aliciantes sobre várias perspectivas para conseguir o seu objectivo. Ocorre-me que a ocasião seria propicia para se apresentar algo de novo e inovador ao passageiro de avião farto de espreitar á janela e só ver formiguinhas lá em baixo. Mesmo a nossa redundante “Arvore de Natal Maior da Europa”, lá de cima não passará de uma insignificância, sendo preciso fazer algo que cause impacto, que deixe o turista estrangeiro verdadeiramente boquiaberto, algo que faça os turistas acorrerem em massa aos balcões de reservas da easyjet. Podíamos efectuar uma remodelação nesse autêntico mastodonte arquitectónico que é o Cristo Rei de Almada, proporcionando ao passageiro lá de cima, um espectáculo visual mais agradável e, ao mesmo tempo, fabricarmos um símbolo definitivo para Lisboa, concebermos aquele que seria um farol para todo o trafego aéreo mundial, uma das maiores atracções turísticas do mundo. Está ali uma oportunidade desperdiçada que urge aproveitar. Sugeria pois a demolição pura e simples da estátua medonha e no seu lugar erguer, com a mesma volumetria mas diferentes medidas, naturalmente, a estátua de Lenka, a gaja loira que aparece descascada na Maxmen deste mês... Mas também podia ser a nossa Fátima Preto, que também tem “as medidas certas”, a celebridade pexita*2 descascada e esculpida, de gatas, porquê não ?!... Uma homenagem não só à chicha nacional, bem como ao espírito lusitano... Ok, esta questão da posição, até podia ir a referendo... A Fátima de rastos também ficaria bem. Na certeza porém que, não duvidemos, o trafego aéreo aumentaria substancialmente, os aviões pareceriam moscas em redor de tamanho e salivante monumento, seriam as companhias aéreas de todo o mundo, a implorarem por poderem aterrar em Lisboa e oferecerem aos seus passageiros tão deslumbrante espectáculo.

*1 easyjet - Operadora aérea que pratica preços reduzidos, adequados a malta tesa. Ex: “Epá ontem estive com uma pexita que parecia um avião... da easyjet claro!”
*2 pexita - nome atribuído ás gajas de Sesimbra (vila piscatória, terra de Fátima Preto), independentemente de serem boas ou não, sendo certo que qualquer pexita que se preze faz tudo para, pelo menos, às sextas e sábados à noite parecer boa como o milho. Ex: “Olha-me ali aquela pexita toda boa como o milho a entrar na Bolina*3!”
*3 Bolina – navegar com vento afastado o máximo 6 quartas da proa; discoteca de Sesimbra onde aos sábados é “pexita’s night”.

jorge b @ 10:22 AM | Obs (1)
domingo, 12 de dezembro, 2004

Santana strikes back ... | espécie: portugal

Tinha a secreta esperança que houvesse novidade. Quando um árbitro expulsa um jogador aparentemente de forma injustificada, mais tarde, no relatório, esclarece-se, especifica-se que a expulsão foi por esta ou aquela palavra, estes ou aqueles comportamentos anti-jogo. Mas o árbitro Sampaio, no seu cauteloso relatório, apenas veio confirmar o que já se sabia. O que se tinha inventado ou palpitado nestes últimos dias como causa da dissolução do parlamento, foi repetido num discurso pouco convicto e pobre, ao ponto de não explicar porque se permitiu a aprovação do Orçamento de Estado para 2005, a maior e principal obra de um governo, afinal, incompetente, justificada apenas e resumidamente como “mal menor”.
Responde na noite seguinte um Santana à Santana, estratégicamente à frente de Portas e de um governo como outro qualquer, e o país, em estado de choque, conclui que quem se deveria ter demitido era o Presidente da República.
Como o PS continua a não ser alternativa, como a massa crítica de pessoas e ideias, por entre a canaille do costume, está na direita, se Santana for “legitimado” pelo Carnaval de Fevereiro, para Sampaio já será tarde de mais.

jorge b @ 12:05 AM | Obs (1)
sábado, 11 de dezembro, 2004

Pop.midia (reloaded) ... | espécie: publicidade gratuita

Um gajo faz o impensável: Larga um tacho numa empresa cotada na bolsa para se dedicar e se possível ganhar com a pop art. Para já, é merecidamente falado na ‘Máxima’ e aqui no 'espécie' porque é capaz de criar ambientes também impensáveis, desde o muito ácido ao muito lounge, conjugando harmoniosamente cores e paisagens surreais mais ou menos lineares, mais ou menos orgânicas, duma forma capaz de fazer o Warhol roer-se de inveja. Pelo caminho, é capaz de transformar aquelas fotografias onde estamos vergonhosamente mal ou as outras, onde não estamos, em verdadeiras obras de arte pop, impressas em papel ou tela. O trabalho completa-se com o emolduramento, num serviço completo e de nível, porque o gajo percebe daquilo.
E porque é difícil descobrir algo único para oferecer a nós ou aos outros, pode ser uma boa aposta, a popmidia@sapo.pt. Para conhecer in loco e ficar flabergasted!!!, com o que está exposto no showroom, não há como ir até à Malveira, ali para as bandas de Mafra, e espreitar o nº 10 B da Rua Primeiro de Maio.

jorge b @ 11:57 PM | Obs (1)

Fora do pântano ... | espécie: fora de blog

Descubro este blog, mais uma agradável pedrada no pântano.

jorge b @ 11:54 PM | Obs (0)
domingo, 5 de dezembro, 2004

A importância de não ser primeiro-ministro ... | espécie: portugal

Santana Lopes não foi destituído de primeiro-ministro porque ele nunca foi um primeiro-ministro. Nunca lhe vestiu a pele. Bastava olhar para a cara dele. O primeiro-ministro era alguém algures entre o Bagão e o Sarmento. Daí aqueles discursos, aquelas metáforas, que ficavam muito bem se dirigidas apenas ao eleitorado do PSD, nada bem se dirigidas ao país. Foram metáforas naturalmente impróprias para um chefe de executivo que nunca mas nunca, devia falar por metáforas, sempre por falinhas mansas. E o país escutava Santana, e isso era salutar mas igualmente fatal. Santana nitidamente reverente e cabotino, desiludiu, não tendo sequer direito a um estado de graça.
Um quase dissolvido Sampaio alegará a “quebra de confiança” de toda a gente, no governo. Toda a gente, entenda-se, agentes económicos, simplificando, os patrões, toda a gente, entenda-se também simplificando, o povo… Isto soa um bocado a esquisito, povo e capital, todos diferentes, todos iguais, contra um governo… Esquisito porque curiosamente, não havia contestação social significativa, i.e., greves, manifestações ou ovos podres, contra o governo. Curiosamente, as manifestações mais graves e recentes tinham sido protagonizadas por uns habitantes quaisqueres duma terreola que queria ser concelho e que queria a cabeça de Sampaio por este alegadamente não ter cumprido com o prometido. Chegaram inclusive a despejar areia contaminada (!) frente ao Palácio de Belém (!). Havia portanto aqui qualquer coisa de estranho nesta ‘quebra de confiança’ que ainda assim não impedia o país de começar a dar os primeiros sinais de recuperação económica, de funcionar normalmente… É que num país onde ninguém confia em ninguém, onde mais de metade dos votantes não votam numas eleições legislativas, não é por isso que os governos são empossados e governam. Portanto, o pretexto de Sampaio definitivamente não pega. A desconfiança é o estado normal da democracia portuguesa.

jorge b @ 01:04 AM | Obs (1)

A importância de não recorrer ao marketing pessoal ... | espécie: portugal

Vejo Marcelo na televisão a esquivar-se a uma catadupa de perguntas de vários jornalistas, acerca do actual momento político, recusando-se a responder a todas, adiantado que só no início do próximo ano, aquando do retomar do seu comentário político, pago, subentende-se, voltará à carga. Por detrás desta atitude do professor, estão portanto interesses puramente pessoais, de estratégia, diria, de marketing pessoal, que se sobrepõem muito naturalmente ao interesse público em ouvi-lo. Mas porque havia mais do que interesse, porque também era importante ouvi-lo, o seu silêncio prazenteiro é revelador. Será legítimo, a nós ingénuos, concluirmos que afinal o professor só fala quando lhe pagam ou quando lhe dá especial jeito, e que, muito provavelmente, só saiu da TVI também por razões pessoais, de estratégia, diria, de marketing pessoal.

jorge b @ 01:01 AM | Obs (0)

A importância de não se ter televisão por cabo ... | espécie: algures

Vi por diversas vezes aquele anúncio do “eles falam, falam, falam, e não dizem nada”, coisinha ainda pior que os anúncios dos telemóveis 3G. Nunca tinha visto aquele cromo de óculos, não percebia como é que uma instituição bancária podia sequer imaginar conseguir captar um cliente que fosse com uma publicidade tão asnil, onde aparecia um gajo com pinta de doido, vestido com uma espécie de colete-de-forças, a falar sozinho. Depois, uma noite destas, em casa de uns amigos com televisão por cabo, vi a SIC Radical, e no dia seguinte fui ao Montepio Geral comprar uma segunda casa.

jorge b @ 12:58 AM | Obs (0)
terça-feira, 30 de novembro, 2004

Slow n’ furious ... | espécie: portugal

Havia algo de comum à horda que vimos na televisão apupar e insultar Carlos Cruz aquando do 1º dia do julgamento Casa Pia, como se fosse o homem o responsável pelas pensões miseráveis que recebem.
1º Todos pertenciam à terceira idade.
2º Todos estavam preparados para a qualquer momento partirem numa peregrinação a Fátima.
3º Todos pareciam delegados ao congresso do PCP.
Uma mistura explosiva, portanto.

jorge b @ 01:37 PM | Obs (0)
segunda-feira, 29 de novembro, 2004

Busca, busca!! ... | espécie: bola

Soube recentemente: o treinador do Benfica, quando quer chamar os jogadores, durante os treinos ou os jogos, assobia, tal e qual como eu faço quando quero chamar pelo Egas. Mas o Egas não é jogador do Benfica. O Egas gosta muito daquelas tiras de gordura e pele de porco que vêm a enfeitar os nacos de bacon. O Egas é um cão que adoptou a porta da minha casa para viver e, quando lá não está, onde quer que esteja, sempre que assobio, ele vem ter comigo todo contente para eu lhe dar água ou restos do jantar.
Era urgente que todos os sócios e adeptos do Benfica começassem a assobiar também, como faz Trapatoni, em uníssono, a mãe de todas as assobiadelas, para chamar, não os jogadores, mas o treinador e os dirigentes dali para fora, de preferência chamá-los para um lugar recôndito, tipo Quinta das Celebridades. É que o Benfica há muito que busca-busca um título, mas não era preciso exagerar, contratando-se alguém com nítidos tiques de canicultor. E os sócios consentem, consentem que se chame pelos seus jogadores, com assobios, quais Piruças ou Bobbys... Onde é que isto já se viu ??!!
O país, cada vez mais insuportável com anos e anos de direcções encarnadas medíocres, agradecia um título para o Benfica, ou pelo menos uma liderança encarnada como deve de ser. Tal devia ser um desígnio nacional! E mais tarde ou mais cedo, se não forem os da casa, árbitros, um administrativo qualquer da Liga, alguém da Sport TV, o Conselho de Estado, o Pinto da Costa, alguém que não assobie, alguém terá de fazer alguma coisa pelo Benfica, a bem da nação.
Depois dos patos bravos da construção civil, um treinador que assobia só pode ser demais. O Benfica está a saque de gente sem nível (o mais grave de tudo), a saque do mau gosto (ora veja-se a pôrra do estádio do lado de fora, aquele amontoado de betão inestético!!, de longe é o estádio exteriormente mais feio de todos os que foram construídos para o euro), de pessoas que naturalmente nunca farão do Benfica um clube que jogue bem, que não se limite a correr atrás da bola. Se nada for feito, por muito mais tempos continuaremos a ouvi-los queixarem-se das arbitragens, e só por muito demérito das outras equipas o Benfica este ano não descerá de divisão e o país mergulhará na sua mais profunda crise desde a conquista do penta pelo fêcêpê.

jorge b @ 12:27 PM | Obs (2)
sexta-feira, 26 de novembro, 2004

100 milhões de metros ... | espécie: algures

Hoje de manhã, as 6 rodelazinhas do conta-quilometros do meu carro analógico, rodaram todas ao mesmo tempo num prodigioso sincronismo testemunhado por mim com um misto de orgulho e satisfação. Confesso que estava algo apreensivo porque me veio à memória o já longinquo ano 2000, o famoso bug da viragem do milénio. Receei que ocorresse qualquer espécie de cataclismo no meu carrinho, que a correia de transmissão se partisse, que o motor se afogasse, que o carro se pusesse a fazer o pino, que me apercebe-se que tinha afinal um carro velho. Mas não, correu tudo bem, passámos incólumes à passagem dos 100.000 quilometros.

jorge b @ 10:25 AM | Obs (1)
quinta-feira, 25 de novembro, 2004

Beast and the beauty ... | espécie: interferências

"A bela é o monstro.", in traseiras do Mercado da Ribeira, Lisboa.

jorge b @ 01:47 PM | Obs (1)

Pelo menos ... | espécie: extracções

Devia ser desígnio de qualquer gajo, encontrar onde quer quer fosse, uma gaja, pelo menos perfeita.

jorge b @ 01:39 PM | Obs (1)
domingo, 21 de novembro, 2004

Televisão espezinhada ... | espécie: algures

A ideia do concurso é genial. Milhões de pessoas pagam a estadia a um grupo de pseudo celebridades numa quinta onde, apesar das aparências, não falta nada daquilo que qualquer citadino não desgostaria de ter numa estância rural ou no seu monte alentejano. Cenário bem distante portanto, dum certo imaginário rural algo rude, desconfortável e desventurado que à partida se esperaria para os concorrentes. Em troca, as celebridades deixam-se filmar num suposto dia-a-dia por vezes de frete ou sacrifício, permitem que se descubram as suas vulgaridades (e como são vulgares!), que as observem em poses desajeitadas, aparentemente nada estudadas, mas sempre maquilhadas. O povo gosta e vibra, sem alternativa, volta a viver a vida dos outros por um ecrã, desta vez guiado por uma inenarrável apresentadora com voz e algo mais de galinha ("Diga lá: amo-te, não posso viver sem ti, essas coisas…") e um burro com voz de alguem e pouco mais.
A grande revelação Castelo Branco, o ‘conde’ da Quinta, é, de todas, a mais televisivamente saudável. Aquela que mais criava expectativa, a que aparentemente mais iria ‘sofrer’ com a assimetria vivencial, pela troca do cheiro higiénico e silencioso das suites dos melhores hotéis, pelo cheiro orgânico e ruidoso dos estábulos... É no fundo a que mais se "diverte", naquela sua estranha e peculiar forma de diversão, e, por osmose, a que mais "diverte" o pagode, com as suas provocações e discussões mais ou menos estérei(ca)s, com os seus mais ou menos espalhafatosos show-offs. Saudável, pois. Voto neste ‘conde’, um dos mais talentosos entretainers dos últimos anos a pisar um ecrã de televisão.

jorge b @ 08:20 PM | Obs (1)

O tapete ... | espécie: portugal

A algumas dezenas de metros do local onde habito, constrói-se descontraidamente uma ETAR ou algo similar, umas piscinas enormes destinadas a acolher ao ar livre os esgotos das redondezas. Uma chatice! A pôrra dos esgotos é assim mais ou menos como a morte, algo que nem se quer nem ouvir cheirar. Um gajo tem a ilusão que o barulho do autoclismo é sempre a ultima vez que ouviu falar deles. O que é certo é que os esgotos têm que ir para algum lado, de preferência para debaixo do tapete. A ideia correctamente ecológica dos nossos avozinhos que nos diziam que o mar era tão grande que diluía tudo, ou que havia peixinhos a comer alegremente os nossos excrementos, deixou de fazer sentido quando nos começamos a interrogar porque seria que havia cada vez menos peixinhos e cada vez mais derrames de crude.
Ter à porta de casa todos os dias aquela espécie de jazigo de imundície, é demasiadamente cruel para as nossas higiénicas vidas, demasiadamente pestilento para as nossas narinas. Por outro lado, os nossos amigos nunca mais terão dificuldade em dar com a nossa casa: “Fica mesmo ao pé da ETAR, tas a ver…”. Excelente ponto de referência!
A construção está a levar à mobilização da vizinhança que já andou de máquina fotográfica em punho, já fala em meter advogados e televisões ao barulho, porque a polémica obra enferma de ilegalidades, na fronteira entre o aldeamento e o parque natural. Só em Portugal, muito provavelmente lá terei de pagar do meu bolso para que um governo municipal não cometa uma ilegalidade. Senhor presidente da Câmara, escolha outro tapete sff.

jorge b @ 08:12 PM | Obs (0)

National Geographic Voyeurs ... | espécie: mundo

Quando se fala em programação de qualidade na TV, é vulgar o telespectador sugerir o documentário sobre a vida animal em vez da telenovela. Mas os documentários sobre animais, tipo BBC vida selvagem ou national geografique, são cada vez mais telenovelas. Ao longo dos anos as câmaras têm deslocado o seu centro de atenção dos animais no seu habitat natural, para a bióloga loira ou a ex-executiva ruiva e divorciada que deixou para trás uma carreira de sucesso para estudar os tubarões limão das Caraíbas. “Ena, nunca tinha sido filmado um tubarão anão a engolir uma foca gigante e nós conseguimos!” ou “Urra, é a primeira vez que o ouvido humano consegue ouvir um traque duma baleia azul!!”. As expressões de júbilo, os gritinhos histéricos de triunfo à boa maneira americana, cada vez que um bicho faz uma habilidade nunca vista, condimentam assim as histórias ficcionadas, habilmente montadas e muitas vezes filmadas em estúdio com animais “duplos” em cativeiro. “Este leão-marinho deixou a sua família, deixando assim as crias à mercê da fome e não só. Se a mãe não encontrar rapidamente outro macho, a família ficará desprotegida e à mercê dos predadores. Felizmente o avô paterno parece estar a querer assumir a responsabilidade.” Pelo sim pelo não decidem ferrá-lo com mais um chip localizável por GPS.

jorge b @ 08:09 PM | Obs (0)
quinta-feira, 11 de novembro, 2004

Waves on women ... | espécie: algures

"
- Olha quem vem lá, uma baleia toda bonita...
- Isto não é uma baleia, é um golfinho. Gosta da minha camisola nova ?...
- Fica-lhe bem. E com esse seu corte de cabelo, fica parecida com aquela concorrente madeirense que ganhou o big brother em inglaterra...
- Obrigado, comprei-a ontem.
- É bonita mas é muito aberta em cima, um pouco fresca para a época. E a menina é tão friorenta...
- Mas eu aqui em cima nunca tenho frio!
- Eu sei, a minha avó também sofre de escoliose e nunca tem frio em cima.
"

jorge b @ 10:57 PM | Obs (1)
domingo, 31 de outubro, 2004

Responsabilidades ... | espécie: extracções

Sai pus do ouvido de um dos meus gatos e instintivamente começo a montar a casinha de transporte. Daí a pouco estou na veterinária a pagar 44 euros e a compreender porque vejo tantos animais abandonados e tantos clínicos a viver em condomínios privados. Não é economicamente aconselhável ter-se animais, apesar do que dizem os fabricantes de comida, acessórios e serviços para animais. Dou por mim a pensar que nunca dei tanto dinheiro para uma consulta minha (as minhas são comparticipadas), que se me começasse a sair pus do ouvido aguardaria vários dias até me cansar de assoar a orelha ou até ficar com o ouvido podre, antes de me decidir a consultar um médico. Está profundamente enraizada para mim a filosofia do ‘isto passa’.
Ter animais domésticos obriga-me a mais uma responsabilidade, precisamente quando penso que deveria começar a cortar, não nos gastos, que tal é inconcebível, mas nas responsabilidades. Vive-se mais feliz com menos.

jorge b @ 04:33 AM | Obs (0)

Luta de estaturas ... | espécie: portugal

Tudo se resume à luta de classes. Este inofensivo governo de Santana só é perigoso para ele próprio na medida em que será o mais discreto governo de direita de sempre, a piscar descaradamente o olho ao eleitorado da classe baixa (essencialmente aquilo a que se pode designar de esquerda não intelectual, a imensa maioria portanto). O corte nos benefícios fiscais e os (temos que admitir, generosos) aumentos previstos para a função pública são coisas impensáveis, verdadeiros ataques à classe média, que, sejamos honestos, é, depois da classe alta, a segunda grande minoria neste país.
Santana, o ‘inrevolucionário’ que não tem tomates e inteligência suficiente para molestar ou seduzir o grande capital, quer conquistar a poderosa e imensa classe baixa, mas para isso pretende sacrificar a neurótica média e deixa a pequena mas poderosa alta intocável. Ora isto lixa a média, precisamente onde estão os opinion-makers e os distintos consumidores e capatazes de que precisa a alta. A média recolhe na alta discretamente apoios e poder para combater o governo, envenenando a baixa. Influenciada pela média, a baixa estupidamente faz suas as bandeiras da média, é ela quem se agita na luta, quem mais uma vez irá para a linha da frente, quem mais uma vez se irá lixar.
Não tenhamos ilusões, assistimos a um confronto que não é directo entre classes, será mais um sacrifício, a manipulação das classes inferiores pelas superiores, a moderna luta de classes, que culminará sempre pela viragem politica à esquerda, pela estagnação e pacificação das classes que só a esquerda proporciona.

jorge b @ 04:27 AM | Obs (0)

Dinheiro ... | espécie: estudos

Acompanho desde há anos os mercados bolsistas. Foi desde a 2ª fase de privatização da EDP, naquela hora em que uma empregada do CPP com um ‘je ne sais quoi’ qualquer, me aliciou a descobrir o fantástico mundo da bolsa. Acho que nunca mais fui o mesmo, subitamente pareceu-me ter descoberto um sentido para a vida e desde então, eu que não acompanhava nada, diariamente passei a acompanhar com mais atenção o mercado nacional, onde tenho as minhas modestas posições. Neste momentum, depois de terem andado a dar umas voltas de aquecimento durante muito tempo, há uma série de títulos que se parecem posicionar na grelha de partida… É nestas alturas que dava jeito ter aquilo que é preciso para fazer dinheiro, BES dixit: dinheiro. Todos aqueles ensinamentos remotos dos nossos antepassados, baseados na máxima de que é a trabalhar que se ganha, se faz dinheiro, são hoje menos verídicos que a história do Pai Natal. O mundo todo ele está feito e cada vez mais a ser concebido para quem tem dinheiro e não para quem simplesmente trabalha. E quem tem dinheiro tem incomparavelmente mais probabilidades de ganhar mais dinheiro do que quem tem apenas braços para simplesmente trabalhar. Dou por mim a imaginar uma vida sem poder consumir e entro em depressão. O que interessa cá andar se não se tem dinheiro, se não se tem o que realmente faz falta ? Valerá a pena nascer hoje em dia ? São incomparavelmente maiores as probabilidades de se nascer num país onde não se usa after-shave e não se sabe o que é o Dow Jones. Eu não arriscava.

jorge b @ 04:24 AM | Obs (0)

Salsichas ... | espécie: extracções

Umas salsichas de aperitivo em massa folhada ‘obrigam-me’ a estar para aqui a escrever a horas impróprias para consumo. Parece que só assim tenho tempo para escrever, com esta sensação incómoda no estômago, em sintonia com a cabeça. E a falta que me faz escrever, a falta que me faz poder acreditar em fantasmas ou alminhas do outro mundo, qualquer coisinha de paranormal, para que não me sinta tão sozinho neste exorcismo.

jorge b @ 04:19 AM | Obs (0)
sábado, 9 de outubro, 2004

O Código De Marcelo ... | espécie: portugal

A saída de Marcelo da TVI provocou o maior cataclismo político em Portugal, desde que no 25 de Abril de 74, os militares então saíram dos RI (regimentos de infantaria). Toda esta polémica veio felizmente demonstrar que a palavra ainda tem poder, quando já julgávamos que as coisas só à porrada podiam mudar. De facto, a palavra inteligente, condimentada pelas imagens fortes dos esgares do professor (i.e. poder comunicacional em televisão), picaram com força um membro do pré-fabricado governo. Isto, meus senhores, é bonito de se ver. Marcelo fez em Portugal aquilo que Michael Moore e a sua imensa barriga não conseguem fazer na América: picar Bush que continua impávido e sereno, ano após ano, candidato ao Nóbel da paz.
Muito se tem especulado sobre as verdadeiras razões que levaram o professor a tomar tão revolucionária e dramática atitude... O que terá Paes do Amaral dito ao professor naquela indigesta ultima ceia ?… Pois este rapaz que aqui escreve, teve, em rigoroso exclusivo, acesso à conversa mantida entre os dois protagonistas. É verdade. E foi através dos bons ofícios do meu velho amigo de infância Gervásio, um gajo que além de orgulhoso bufo, tem um ouvido de tísico tão apurado que lhe granjeou fama e respeito no meio da restauração Lisboeta. Mesmo com a maior das cervejarias a abarrotar de gente e casca de tremoço pelo chão, Gervásio tanto ouve o mais afónico dos clientes a 10 mesas de distância pedindo mais uma dose de torresmos, como a seguir é capaz de ir bufar para o chefe, que o colega do balcão acaba de partir mais um copo.
Gervásio mal viu o dono da TVI e o professor sentarem-se na mesa com vista para o rio, apressou-se a activar os seus preciosos timpanos. Não digo o nome do restaurante onde decorreu o polémico almoço e onde trabalha Gervásio, por razões óbvias. Digo o nome do meu amigo garçon porque, por incrível que pareça, existem centenas, talvez milhares de Gervásios empregados de mesa em Lisboa, tornando-se impossível portanto proceder à sua identificãção. Por isso, resguardando o anonimato de Gervásio e o meu próprio, por detrás deste blog, estou à vontade, o mesmo à vontade que Gervásio me deu para transcrever aqui o teor da conversa mantida entre o patrão dos média e o empregado da cátedra política nacional, tal e qual como ele a escutou. Isto é um exercício de bufice, eu sei, mas sinto-me na obrigação de acalmar os ânimos, acalmar a curiosidade do mundo inteiro, ou muito em breve, tal será o burburinho que até o Papa quererá ouvir da boca de Marcelo o que realmente se passou.
"(...)
Marcelo- … já muito tempo que … (barulho, parece de cadeiras a arrojar pelo chão) … a novidade desta vez ?
Miguel Paes do Amaral – Óh professor penso que já deve ter uma ideia do que se trata, não é ?...
M- Se é novamente a chatear-me por causa dos gafanhotos tira-me já a fome!
MPA- Nada disso professor. A Manuela (presume-se que a Moura Guedes) queixou-se daquela vez, mas resolvemos o problema… A questão é o ministro picado!...
M- Ah, óptimo. Gervásio para mim é o bitoque do costume. E o Miguel o que vai crer ?
MPA – Eu como ando com o colestrol um bocado alto, vou-me ficar por uma sopinha de caldo verde e umas favas à algarvia, se faz favor.
M – Faz muito bem.
MPA – Oiça professor, a questão é a seguinte e não vale a pena estar com rodeios. Hoje de manhã ligou-me o Santana. O homem estava destroçado, metia dó…
M- (Marcelo diz qualquer coisa mas não se percebe, porque mastigava ao mesmo tempo pão com paté de atum, Gervásio dixit)
MPA – Contou-me que tinha estado reunido com o tal ministro e a comissão política até ás tantas. Disse-me que lhe doíam bastante os ouvidos e as costas, que a mulher o tinha obrigado a dormir no sofá porque já não acreditava mais nas suas reuniões até as tantas...
M – Ah, ah, ah, cof, ah, a história do Pedro e o Lobo, cof, ah, ah, cof, ah, cof (aqui Marcelo ter-se-á engasgado)
MPA – Sente-se bem professor ?...
M - … isto… já … cof… passa, cof, cof!
MPA – Voltando à reunião, o gajo (Santana) massacrado pelo ministro ofendido, lá terá decidido que no seu tempo de antena no Jornal da TVI, tinha de ser praticado o exercício do contraditório…
M – Mas claro que sim, e podem sempre fazê-lo, nos jornais, na concorrência…
MPA – O contraditório, mas em tempo real!
M – À vontade. Por mim, o próprio Santana pode estar presente, até pode ser ele o pivot do telejornal aos Domingos. Vejo o homem com perfil...
MPA – A verdade é que a comissão política do PSD chegou à conclusão que não havia água com gás que tirasse a azia ao ministro, nem no partido ninguém capaz de fazer frente ao professor…
M – Ai sim ???!!!(aqui ouve-se o barulho de talheres, e os olhos de Marcelo arregalaram-se tanto que quase lhe saíram das orbitas. Foi o que o Gervásio me disse, porque passou-se na altura em que ele chegou com o bitoque para o professor)
MPA – Mas eles, madrugada a dentro, lá encontraram e convenceram alguém com estaleca a desafiá-lo.
M- Diga-me então… (barulho de faca a raspar no prato) … eles arranjaram ?
MPA – Professor, Santana pediu-me por tudo para que aos Domingos, estivesse presente consigo… o burro Pavaroti!
M – O burro Pavaroti ?! Estou farto de asnos!
MPA – Mas…
M – Peça-me tudo menos isso, burros nunca!
MPA- Mas olhe, já falei com a Júlia Pinheiro, ela está disponível para lhe dar uma dicas, até lhe ensina a dar cenouras ao jerico.
M – Não arranjam alguém sem rédeas ?...
MPA – Professor, a tolerância de ponto da passada segunda feira, só aconteceu para que o burrro Pavaroti tivesse tempo para estudar os dossiers e se preparar para o programa de Domingo…
M – Nunca na vida eu falaria com um burro, nem nunca permitiria que a quinta dos famosos ficasse sem o seu comentador… Aquele burro é insubstituível!
MPA – Está tudo pensado, o tal ministro passaria a estar no estábulo com a Júlia.
M – Não Miguel, já nem sequer vou acabar o meu bitoque e a minha participação na TVI fica por aqui. Gervásio, a conta sff…
(...)"
Entendi melhor não transcrever mais a conversa, porque a seguir, a discussão, algo tumultuosa, era sobre quem iria pagar as favas e o bitoque, recusando-se o professor porque tinha sido ele o convidado, declinando o patrão da TVI porque tinha sido o professor a querer abandonar a refeição.
No entanto penso que ficámos todos a saber a verdadeira razão do abandono do professor do seu lugar cativo, e todos estamos solidários com ele e surpreendidos com a falta de visão e a sujeição escandalosa do patrão da merdia capital ao estrumoso poder político.
Confesso que sempre pensei que o professor tomara a decisão por uma questão de bom senso, por não querer continuar a ter o seu bom nome associado à estação de televisão que passa os filmes mais rascas, que tem o noticiário mais lacrimogéneo, a programação mais pedante de Portugal. Mas não, foi um burro, a causa da discórdia. O burro Pavaroti é o culpado, deveria ter dado um valente coice ou pelo menos zurrado oportunamente um inequivoco “não!" a Santana!!
Compreendemos-te Marcelo.

jorge b @ 11:31 AM | Obs (2)
sábado, 2 de outubro, 2004

A questão ateia ... | espécie: deus, patrocinador oficial , ... | espécie: revisões da matéria

A partir de determinada altura da nossa vida, ou seja, mais tarde ou mais cedo, o espírito humano é avassaladoramente assolado por questões existenciais desnecessárias mas que podem tirar muitas noites de sono ou então dá-las, mas mal dormidas. Baseado no sentido altruísta que infelizmente possuo, decidi tirar algum do meu apertado e precioso tempo para reflectir e dar resposta a algumas dessas questões pertinentes, fazer deste blog, por meia dúzia de posts, um, estou certo, contributo decisivo para ajudar milhares de diletantes que, por esses quartos fora, estão de olhos postos no ecran em busca duma qualquer salvação. Pois ela aqui está, espalhai pelo vosso saber as sábias palavras que vos ensino e depois voltai para as vossas desérticas ou divididas camas mais tranquilos, vivei os vossos monótonos dias com um cada vez mais reforçado e intrigante sorriso nos lábios.

Questão: Serei realmente, mas mesmo realmente ateu ?

Sugiro ao insónico leitor(a) que faça a si mesmo o infalível “teste da carroça”. Imagine que está um lindo dia de céu azul, passarinhos a cantar e tal, mas você não dá por isso porque vai a passear calmamente numa bicicleta todo-o-terreno, cuja 1ª prestação acaba de ser ontem debitada na sua conta ordenado, vai, dizia eu, a pedalar por uma bela azinhaga enlameada, quando de repente, ao virar da esquina, dá de caras com uma carroça desgovernada, conduzida e puxada por burros com uma elevada taxa de alcoolémia. Fruto do destino, e a apesar dos seus esforços inglórios de contra ele lutar, ao guinar violentamente para o lado o volante da sua bicla e pondo à prova os seus sofisticados reflexos e travões shimano, não consegue evitar a colisão com os animais espavoridos. Segue-se um turbilhão de sensações, pancadas, coices, e quando você dá por si, está na lama a fazer uma visita ao eixo enferrujado do ancestral veículo, debaixo da carroça, sem saber quem estará mais partido, se você se a sua amada bicla. Ora, naquela, como noutras situações aflitivas, você chama por alguém. Não diga que não chama, não diga que só diz “ai, ai, ai”. Lembre-se, você está consciente, isto é, não está morto ou desmaiado debaixo duma carroça, você está meio consciente depois de um violentíssimo embate com um quadrúpede jumento, burro ou mula, pouco interessa, portanto, em pânico ou nem tanto, assustado, no mínimo, logo, tem que chamar por alguém. E por quem chamaria ? Estudos recentes revelaram que uma pessoa quando está à rasca nunca chama por si mesma ou pelo presidente da república, por isso, vejamos as únicas hipóteses possíveis de chamamento, e acredite que, apesar dos avanços da ciência, não foram descobertas outras:
a) “Ai a minha bicla, ai a minha bicicleta!!”
b) “Ai meu deus!!!” ou o equivalente “Ai Jesus!!!” ou talvez “Ai senhor o que me fizeste!!!”
c) “Ai mãe, ai mãe, ai mãe!!!” ou o equivalente “Acudam!” ou “Tirem-me daqui debaixo!”
d) “Ai (o nome duma prima boa em 3º ou 4º grau, ou duma top model)!!”
e) “Porra para isto, burros do caralh*!!!”
Se respondeu a uma das alíneas a) ou b) não é seguramente ateu, e isto por mais que julgue sê-lo, por mais tertúlia ateísta que participe, por mais Nietzsche que leia, você é ateu mas é o caraças! Por isso descanse, deixe-se de tretas, comece duma vez por todas a ler Paulo Coelho, Richard Bach ou até Thomas Moore. Não aconselho a Bíblia porque, como se ainda fosse possível, só ficará ainda mais confuso e bruto da cabeça. Faça coisas boas por si, por exemplo, não volte a ler este blog. Especificamente, se respondeu a alínea a) está ainda mais convencido de que vai para o céu do que um árabe vestido dos pés à cabeça com a colecção de Inverno da Jihad Islâmica. Está mais que convencido que, aconteça o que lhe acontecer, acontecendo o supostamente pior, irá, quer seja debaixo duma carroça ou dum camião TIR, parar ao céu, ao encontro do senhor deus, que o receberá com umas palmadinhas nas costas, não estando no entanto tão certo disso em relação aos seus bens materiais que julga muito jeito lhe fariam Lá Em Cima. Daí a sua primeira preocupação, a bicla, e depois, a sua camisinha ‘sacoor’ rasgada.
Sendo um não ateu saudável, responderá seguramente à alínea b). O que é certo é que nas horinhas de aperto é por Ele que se chama. Quando a coizinha pia mais fino, é ouvi-lo a chamar por Ele, fazendo-Lhe mais promessas que um político em campanha eleitoral no Mercado da Ribeira. E não há mal por isso. Só têm é que admitir e sair do armário. Ser crente é estúpido mas não é um crime, não há que se ter vergonha. E assumi-lo é uma grande mas também inglória prova de coragem... Segundo fontes fidedignas, o próprio Deus estará a passar por uma crise de auto-confiança tão grande, que se terá trancado dentro do armário. Será de prever que muito justamente Ele próprio brevemente se venha a tornar no mais convicto dos ateus.
Se respondeu ás alíneas c) d) ou e), todas elas se equivalem, todas elas significam que você é um verdadeiro ateu de alma, carne e osso, resigne-se, um espécime raríssimo portanto. Acredite que sabê-lo não é muito tranquilizador e não será muito útil para a sua vida social e doméstica. Mas tem que se aguentar à bronca e saber que não é o único, que há mais espécimes raros que carregam, tal como você, o pesado fardo de se ser um ateu puro. Descanse portanto, volte calmamente a ponderar a eternamente adiada visita ao psicoterapeuta, cultive-se na diferença procurando refugio na cultura, nas gajas, nas bejecas, no bom humor, e se possível nos fins de semana em hotéis com piscina interior aquecida, jacuzzis, sauna e essas coisas, as suas únicas tábuas de salvação.

Nos próximos posts, mas com a irregularidade que me caracteriza, responderei a mais algumas questões que, estou absolutamente convicto, poderão aliviar o sofrimento e poupar muito valdispert a muito boa alma. Destaco por exemplo as seguintes:
Valerá a pena comprar acções da PT ?
Serei no fundo gay ou apenas à superfície ?
Deverei comprar capas para os bancos do meu automóvel ?
Mudo de emprego ou de corte de cabelo ?
Alguma vez irei para a cama com uma gaja que mereça ser capa da Maxmen ?

Portanto, não percam a esperança de um dia qualquer encontrarem aqui resposta às vossas incertezas, por mais fossilizadas ou em adiantado estado de decomposição que estejam. Se tiverem alguma questão que gostassem de ver contemplada, por mail ou nos comentários, be my guests. Se Eu quiser, responderei a todas com a minha reconhecida sapiência.

jorge b @ 07:40 AM | Obs (4)
domingo, 26 de setembro, 2004

Hospital ... | espécie: lugares

Acompanho a minha avó ás urgências de um hospital público. Passadas algumas horas desde que ali chegámos e outras tantas desde a ultima vez que a vi, sou chamado a fazer um slalom de 50 metros entre macas de gente quase toda ela de aspecto moribundo. Finalmente, lá está ela, de maca claro está, mas lucida e aparentando grande serenidade. O meu prognóstico optimista é confirmado por um médico ucraniano que meio a sério, meio a sério, me diz que ainda terão de passar mais algumas horas até ela ter alta hospitalar. Pergunto-lhe se aconteceu algum atentado terrorista, algum acidente grave que justifique tanta maca por metro quadrado. Responde-me meio a brincar, meio a sério, que "hoje até está uma noite calma". Reparo então no ar impávido de toda a gente que usa bata, que o ar condicionado funciona, que não estou num país do 3º mundo.

jorge b @ 01:31 AM | Obs (0)
segunda-feira, 13 de setembro, 2004

Quanto mais me conheço mais gosto dos animais ... | espécie: extracções

Paro num cruzamento e observo um cão a correr de um lado para o outro na estrada, numa brincadeira perigosa á frente dos carros que passam, forçando alguns deles a travarem bruscamente ou a desviarem-se. O cão, visivelmente abandonado e velho, já coxeia duma pata, e á distancia a que me encontro, é como se o cão estivesse a desafiar, a provocar a própria morte.
Lembro-me daquela cena do cão, do “Apocalypse Now”, quando a patrulha de militares americanos cruza-se com um barco de chinocas e o mandam parar para o inspeccionar. A tripulação do barco civil abordado é composta por 3 elementos, dois homens e uma mulher, simples comerciantes. No entanto, devido á tensão entre os soldados, a situação precipita-se e os militares assassinam os homens e ferem a mulher que apenas tentava proteger um 4º elemento da tripulação escondido, um cachorrinho. A preocupação e os cuidados de um dos soldados vai imediatamente para o animal, se estaria ferido, sendo acolhido pelos militares. Quanto á mulher ferida, decidem acabar de vez com ela.
Se eu fosse aquilo a que vulgarmente se designa por “um gajo com muita dinheiro”, muito mais depressa comprava um terreno e construía um albergue para animais abandonados do que um albergue para pessoas doentes, pobres e abandonadas. Aliás a segunda hipótese acho que nunca me passaria pela cabeça levar a cabo. Isto deve de ser preocupante, presumo.

jorge b @ 11:40 AM | Obs (3)
domingo, 29 de agosto, 2004

Ter ou não ter ... | espécie: extracções

Quando se tem o que realmente importa, perde-se tempo procurando coisas que pouco importam mas às quais se dá grande importância.
Quando não se tem o que realmente importa, as coisas adquirem a sua real importância.

jorge b @ 01:13 PM | Obs (3)
sexta-feira, 27 de agosto, 2004

Obicuélo ... | espécie: portugal

O enviado especial de Portugal a Atenas à conquista de medalhas, o Grande Francis Obikwelu, depois de ter conquistado para nós a honrosa medalha de prata nos 100m, conseguiu ontem um magnífico 5º lugar nos 200. Hoje de manhã, na TSF, o Grande atleta, na sua boa humilde e genuina maneira, pedia desculpa aos portugueses (que dele já esperavam mais um lugar no pódio), pedia para que "não ficassem tristes com ele", prometia que iria lutar pelo 'ouro' nos próximos campeonatos. Francis é o mais português dos atletas portugueses, e a sua gratidão faz dele o maior dos portugueses por estes dias. E quantos mais destes ilustres lusitanos não existirão, explorados na construção civil, de onde ainda muito jovem Francis foi felizmente resgatado ? E ao mesmo tempo, quantos senhores engenheiros por aí há, que não dariam execelentes trolhas, senhores ministros excelentes taberneiros, senhores deputados excelentes estivadores ?... E por aí fora, e por aí vice-versa, pois, que o mundo está, grande parte dele, todo ao contrário!
Dá que pensar pôrra! Obrigado pela lição Francis.

jorge b @ 10:34 AM | Obs (0)
quarta-feira, 25 de agosto, 2004

A ver a luz ... | espécie: extracções

O excesso de luz é prejudicial á escrita e não adiantam os óculos escuros. O barulho das ondas do mar numa praia que nunca é deserta também não ajuda. Os factores de protecção, a areia e os peixes aranha, o bronzeado efémero também não. Nem as pequenas vitórias de Verão, o já conseguir mergulhar sem apertar as narina com os dedos, o ressuscitar da colecção de selos, o sul de Espanha, não resistem á luminosidade dos dias.
Inevitavelmente, com a inclinação do sol, vem a inclinação para as palavras, e tecla a tecla, as coisas acabarão por voltar à cómoda normalidade. Essa anormalidade, escape algo obscuro e inconformista do maldito sobrevivente escritor de blogues.

jorge b @ 06:39 PM | Obs (0)
quinta-feira, 15 de julho, 2004

O túnel do PS ... | espécie: portugal

Não compreendo todo este escarcéu. Ou melhor, compreendo a tristeza e tacanhez por detrás dele, sempre incompreensíveis. Onde quer que se leia, não se lê outra coisa, o mais fácil e óbvio: atacar Santana Lopes, a todo o preguiçoso custo. Nestes últimos dias, já não sei quantos posts li em blogues alheios, alguns do mais ilustre que se pode ler, já perdi a conta aos forwards de mailes que recebi a xingar o homem que, por enquanto, não pode abrir a boca, que certa criativa cambada, outra malta a dar ares de vanguardista, e poucos com algum fundamento, lhe caem logo em cima.
Santana sabe que tudo o que disser pode ser gozado contra si, e por isso já se pôs á defensiva, à maneira de desarmar muita gente, ao colocar uma pose e tom cabotino quando fala, agora, á nação. Oxalá o bom Santana, talvez o político mais parecido com todos nós, não se perca, e assuma sempre a sua diferença e frontalidade, assuma sempre as suas convicções e contradições.
Acho muito bem a porra da ideia da descentralização dos ministérios. A medida, para já, sabe a pedrada no charco e por isso, deixem-se de merdas!
Há também quem o critique por se meter em tudo. E qual é o problema ? Acho louvável que quando tudo está mal e se se é verdadeiramente inconformista, se tenha vontade de mudar alguma coisa, se tente meter em tudo na esperança de mudar alguma coisa. E Santana é um gajo que pode fazer muito ou, pelo menos, um pouco pela mentalidade reinante no país. Ao contrário de todos os outros, que nada podem fazer. Esses, podem começar já a agradecer-lhe a saída de Ferro e a entrada em cena de Sócrates. O PS já vê uma luz ao fundo do túnel e o pais já está a ganhar.

jorge b @ 02:16 PM | Obs (2)
sábado, 10 de julho, 2004

Anti-Maria ... | espécie: estudos

Vou a mais uma dessas salas de espera dos hospitais para uma consulta de especialidade. A monotonia e enfado colectivo pela espera é reforçada pela agitação da criancinha de 3 ou 4 anos que teima em não deixar a mãe distrair-se com a leitura que trouxe de casa. Pelo rasto desordenado e pisado de migalhas de várias dimensões espalhadas pelo chão bicolor, o stock de bolachas já se terá esgotado e a criancinha, aparentado visíveis sinais de mais fome de bolachas e desenhos animados que não passam aquela hora no SIC notícias, esperneia e contorce-se, vocaliza sons desconexos e palavras ocas, sossegando apenas breves segundos quando fixa o olhar de um ou outro desesperado e comichoso esperante. Tenho que referir que quando olha para mim, não resisto, e garantindo que ninguém me observa, marimbando-me para a câmara de vigilância lá do canto, não resisto a fazer-lhe as piores caretas que consigo fazer, coisa na qual não sou muito talentoso, mas esforçado faço esgares que a petiz, para meu desespero, julga serem-me normais, prestando-me não mais que uns breves instantes de atenção para depois responder com a indiferença da sua inquietude insuportável.
Entre os outros esperantes é nítida a vontade de fuzilar o pequeno batoque, estrangular a impávida mãezinha e chicotear a funcionária da recepção que a todos parece ter prometido uma curta espera “que a doutora tinha apenas ido tratar de um assunto particular ao Vasco da Gama mas que já retomaria as consultas”. Tal vontade é nítida mas não é vísivel à mera empregada de limpeza que sem afinco se arrasta junto à máquina do café. Cada um dos pacientes impacientes tenta refugiar-se à sua maneira dos seus instintos, relendo pela décima vez a mil vezes mais que folheada revista “pais e filhos” de Fevereiro de 2003, abrindo o portátil para fazer palavras cruzadas no Word, tentando ler os lábios ou talvez despindo com os olhos a apresentadora muda das notícias, esticando as pernas pelos corredores, ou simplesmente, como eu, observando todos os detalhes da cena, ocasionalmente reparando nos minutos do relógio da parede. Tenho que me perder pela descrição da insuportável petiz, um paralelepípedo de carne que sai à mãe, untuosamente falando, mas bonitinha, como são todas as crias até dos répteis mais fossilizados. Tem o cabelinho cortado à tigela de corn-flakes, milimétricamente preto, da cor dos seus olhitos de azeitona de lata do Lidl, com os pulsitos e os tornozelozitos excessivamente revestidos duma generosa tez branca. Resumindo, um autêntico saquinho de batatas com a respectiva matéria adiposa espalhada uniformemente por todo o mal locomovido corpo. Nada disto impede a petiz de parecer o ser humano mais leve do mundo, de transpirar aquele felicidade própria da inconsciência infantil, no caso, inconsciência do seu estado volumétrico, inconsciência própria de quem se está realmente marimbando para tudo, de quem não adquiriu a capacidade de comparar e reparar nas diferenças, de quem ainda vive essa suprema exaltação da irresponsabilidade e da alegria que nostalgicamente invejamos, que inevitavelmente todos vamos perdendo com o progredir dos anos.
Surgem então lá ao fundo as inseparáveis meias pretas dos habituais saltos altos. A ausência da bata branca do costume revela uma sempre atraente médica alergologista, acrescida do bom gosto com que se veste na vida civil. Uma fugaz aparição porque a sua passagem é muito rápida, quase despercebida a quem agora pergunta se era a doutora que tinha ido ás compras ao centro comercial. Respondo que sim, eu que fui brindado com aquela visão, que mais uma horinha, porque daquela gente só estava à frente da mãezinha do saquinho de batatinhas, e estaria a actualizar o meu estado clínico a um curvilíneo mas muito profissional monte de rímel.
Viajo agora até ao futuro, não sei porquê, o que terá acontecido, mas estou agora num sítio igualzinho, mas sem criancinhas insuportáveis, acompanhado no entanto pelos mesmos desconhecidos companheiros de espera. Reparo que a criancinha está agora 30 anos mais velha, já não parece o saquinho que parecia, parece antes um pote gigante que lê a revista Maria que traz na capa uma figura do jet set acabadinha de fazer uma operação plástica. A senhora atende agora o telemóvel e nessa altura reforça, eu diria que, não há outro termo mais indicado, o trombil, supondo eu que só poderá estar a falar com o marido que trabalha por turnos, ouve-se a conversa, todos ouvem, espera há muito que lhe aqueçam o jantar. Há inúteis assim, que nem são capazes de aquecer os restos da janta de ante-ontem a jazer no frigorífico. Nada mais oportuno para realçar o semblante fucinheiro da senhora, por arrasto, todo o seu corpo desprovido de sentido estético, toda a sua adiposa frustração. Vinda da casa de banho, que é já ali ao lado, surge novamente o saquinho, saltitante, alegremente desafiando as leis da gravidade, repondo as leis do tempo. Não tinha viajado até ao futuro, quanto muito até outra cadeira com melhor perspectiva. Afinal, o pote que julgava eu ser a criancinha adulta, era a mãe da criancinha que entretanto aflita de qualquer um ou do outro órgão interno que lhe teria causado aperto, e já com autonomia suficiente para se ir aliviar sozinha, deixara o amparo maternal por breves instantes, parecendo a todos os presentes, inclusive a mim, que durante aqueles silenciosos momentos, teriamos sido transportados para um outro local incomparavelmente mais nirvanico.
Como é obvio, seguiram-se mais alguns minutos de agonia, até ser chamado pela funcionária que se presta àquelas coisas, para me deslocar para uma ante-camâra onde seria pessoalmente chamado pela simétrica doutora. E fui, qual momento mágico, aliviante, lá fui ouvido e oscultado com quase toda a atenção, lá fui medicado, remetido para mais exames enquanto abotoava a camisa, lá reparei na maneira peculiar como ela agarra na esferográfica, lá reparei no seu bem cuidado cabelo, na capacidade que alguém pode ter sobre o outro de o fazer alhear, esquecer de tudo menos de reparar em tudo. E lá me despeço com a cordialidade do costume, nem um sinal sequer de desagrado pela longa espera, veja-se a capacidade daquela pessoa, do seu efeito nada alérgico. Saio e esbarro com a criancinha, o entretanto justamente esquecido saquinho de batatas que estava agora muito mais calmo que há pouco. Tal sossego, talvez porque a mãe pusera a Maria de parte, pensei, enquanto caminhava na direcção da farmácia mais próxima, ficando no entanto longos segundos parado antes de virar a esquina do corredor, reparando na mãe e na filha, naquele contraste de pesos, que a pouco e pouco se iria desvanecer.
Deveria ser Lei: as criancinhas obesas deveriam ser sujeitas a dieta, desde pequeninas, sujeitas à prática regular de desporto. Por uma questão de prevenção de eventuais anomalias na sua auto-estima. Só por falta dela, muito provavelmente, alguém lê a Maria.

jorge b @ 10:53 AM | Obs (2)
quarta-feira, 7 de julho, 2004

O Jorge é que saberá ... | espécie: portugal

Agora que metade do país parece curado da crise de cotovelo originada pela saída de Durão Barroso do governo (um autêntico milagre, a resposta ás preces de milhões de portugueses) para Bruxelas (reside aqui o problema, é que o paiszinho gostava de o ver sair de monco caído e nunca de forma triunfal, ainda que isso seja prestigiante para o país, ter um pau mandado de Bush a mexer cordelinhos na Europa), as atenções viram-se para o dramático dilema presidencial, o sim ou não a eleições inesperadas.
Espero que Jorge Sampaio saiba gerir bem esta incómoda fase de protagonismo, que não se meta em aventuras, e, por apenas duas razões, não convoque eleições antecipadas como é o desejo do pessoal bandeirinha.
As razões, a subjectiva:
Podia-se resumir a uma só frase bem portuguesa: “Para quê eleições, se a merda é a mesma!?” Para quê eleições, se seriam mais uma vez, dado o actual e eterno estado pantanoso da política, de “venha o Diabo e escolha” ? Existem realmente alternativas ? O gozo de passarem a haver mais um ou dois deputados do bloco de esquerda no parlamento não justifica eleições. Teríamos os boys do PS no governo, gentinha que apenas por acaso lambeu botas diferentes, na essência, não muito diferente da que por lá está actualmente. Depois, o altamente caricaturável Santana já veio sossegar a nação, jurando continuar com a mesma política (aquela mesma nação que durante estes dois anos estava contra a política do governo!).
A objectiva:
Historicamente, os 2/3 primeiros anos de governo são os mais austeros ao nível de regalias para as massas trabalhadoras, classe média por arrasto. Só mesmo à beira de eleições, os governos são mais generosos e corta-fitas. Ora, esses anos de penúria já passaram felizmente, estávamos precisamente a entrar nos anos desejados, com eleições daqui a dois, com a retoma anunciada, já se cheiravam uns aumentozinhos na função pública em 2005. No ano seguinte, ano de eleições, não me admirava que houvessem aumentos generalizados e actualizações salariais para recompensar o esforço dos portugueses nos passados anos de crise, glorificar a recuperação económica patrocinada pelo partido do governo. Com eleições inesperadas e um novo governo, com eleições à séria só para daqui a 4, seriam seguramente mais dois anos em que teríamos o habitual discurso miserabilista, teríamos mais dois anos pela frente de crise originada pela política do governo anterior, pela subida do preço do petróleo, pela instabilidade internacional, as razões do costume, nunca as verdadeiras razões.
Santana, remodela lá o governo e aproveita para te remodelares também um bocadinho. A gente aguenta bem dois anos.

jorge b @ 06:56 AM | Obs (1)
segunda-feira, 5 de julho, 2004

Game over ... | espécie: bola

"Hey now, hey now, don't dream, it's over.",
in musica esta manhã na TSF.

jorge b @ 09:26 AM | Obs (0)

Euro dois mil e quatro ... | espécie: bola

Volto ao blogue. A neura da derrota justifica-o. Foi a vitória do futebol defensivo, do anti-futebol. Soluções para o problema ? Aponto desde já quatro: abolir os fora de jogo, aumentar o tamanho da baliza (principalmente a adversária), colocar oftalmologistas nos staffs das selecções e despedir Scolari. O selecionador não sai isento de culpas desta escandalosa derrota. A começar pela teimosia Pauleta, a terminar pelas substituições que se em jogos anteriores tinham resultado por feliz acaso, neste ultimo foram desastrosas e só por feliz milagre resultariam. Depois, jogar todo o campeonato só com um ponta de lança ainda se justificava, agora, jogar contra os gregos (não sei se estão a ver bem, mas os gajos eram os gregos!) com Postiga no banco foi de uma incompetência doida.
Afinal, Portugal voltou a ser igual a si próprio, voltamos a perder com os mais fracos, a ganhar aos mais fortes.
Deixo aqui escarrapachadas as minhas sensações sobre as principais personagens. Acreditem que mesmo que ganhássemos, seriam exactamente as mesmas.
Ricardo – Não tem o carisma necessário para ser guarda-redes da selecção. Não transmite a segurança que uma equipa precisa de sentir lá atrás. Esteve mal nos golos que sofreu (à excepção do chapéu do inglês) e muito mal no golo grego. É preferível um guarda-redes frangueiro mas com carisma (Oliver Khan, por exemplo) que um sem carisma e que ande a apanhar bonés. Uma constante dor de cabaça para a defesa.
Jorge Andrade – Um dos melhores centrais do mundo. Sempre muito concentrado, o defesa que qualquer guarda-redes sonha ter.
Ricardo Carvalho – Tem lugar na equipa do Porto, ou seja, em qualquer selecção do mundo.
Nuno Valente – Um dos três melhores jogadores portugueses da actualidade.
Miguel – Muito regular, excelente a atacar e a defender, não resistirá muito tempo no Benfica.
Maniche – Apesar dos golos vistosos e decisivos que marcou, não gosto do estilo.
Costinha – Discreto, extremamente eficiente mas nunca de indiscutível titularidade.
Rui Costa – Talvez o melhor jogador português neste campeonato. Começou desastradamente mas nos jogos seguintes demonstrou ser o jogador mais inteligente, com melhor leitura de jogo, precisão no passe e no remate. Joga com classe, coisa que faz muita falta.
Figo – Uma agradável surpresa. Se tivesse brilhado neste ultimo jogo, não duvido que destronaria Eusébio do trono de melhor jogador português de sempre. Falhou. Apesar de casado com uma das mulheres mais bonitas que qualquer um de nós podia apontar, apesar de milionário, há algo de perdedor em Figo e que se revela em determinados momentos… cruciais.
Nuno Gomes – Só precisa de oportunidades mas também é bom a cria-las. É um ponta de lança de eleição, inteligente, rápido, uma oportunidade perdida neste europeu.
Simão – Podia e devia ter sido mais utilizado, principalmente nas segundas partes. Rápido e imaginativo, teria sido uma dor de cabeça para os defesas cansados das equipas adversárias. Outra grande oportunidade perdida.
Cristiano Ronaldo – Ainda se agarra muito á bola, ainda se perde em fintas giras, em toques de artista de circo, mas com o tempo isso passará. Tem potencial para ser um excelente jogador, mas alguma falta de velocidade e cabecinha nunca farão dele um sucessor de Figo.
Deco – A grande desilusão. Muito frágil e lento, não houve jogo em que Deco não merecesse ter sido bem substituído. Mas, escandalosamente, nunca foi.
Nossa Senhora do Caralhágio – A fé do mister Scolari em algo mais do que os seus próprios jogadores só podia ter um efeito negativo nestes ultímos. A juntar a isto, a publicidade de outros tipos de superstições estúpidas (a toalha branca de Eusébio, o presidente da federação não assistir ao jogos, por exemplo), só podem trazer maus resultados. E a verdade é que não vi a Nossa Senhora do Caralhágio dar um toque sequer na bola.
Nossa Senhora de Fátima – Mais uma que nunca vi marcar um golo. Apesar de ser mais que certo que esta gaja não perceberá nada de futebol, ela anda sempre na baila. Levaram-na inclusive para o balneário, onde alegadamente terá estado nas mãos de Figo. Depois deste Euro, só por puro masoquismo alguém pode continuar a apostar nela.

jorge b @ 02:16 AM | Obs (2)
quinta-feira, 17 de junho, 2004

Toda a gente gostava que a sua vida nunca mais fosse a mesma ... | espécie: extracções

Uma vez escrevi num fórum, que se por acaso algum dos autores ou autoras dos meus blogues favoritos deixasse subitamente de escrever sem aparente razão, isso só poderia significar que algo de bom demais lhe teria acontecido, suficientemente inesperado e delicioso para sequer perder tempo com desculpas ou explicações a eventuais leitores seguidores que qualquer blogger que se preze julga ter. Ficaria portanto eu, como leitor, com saudades, mas feliz por constatar que o combustível que lhe alimentava o ‘gosto’ por escrever altruisticamente, se tinha esgotado. Ou seja, que o desânimo, o desalento, a frustração, a desmotivação, o aborrecimento com alguma coisa da vida real, momentânea ou definitivamente tinham acabado. E portanto, quando acabam tais carburantes, o que mais pode levar um gajo a escrever num blogue ? Por exemplo, um gajo que ande passado, com uma gaja enfiada na cabeça e vice-versa, lá tem o mínimo de pachorra para escrever?... E logo num blogue? Tenham paciência, mas o blogue que vá ás urtigas, e com ele o contador de acessos e os comentários, pelo menos durante uns tempos, até a gaja começar a variar ou com coisas. Pensem bem, um gajo quando está mesmo a curtir (i.e., a viver intensamente determinado momento ao ponto de perder a noção do espaço e do tempo e do resto, principalmente), está cá preocupado em lembrar-se dos pormenores para depois os contar barra escrever mais ou menos lieterária e romanceadamente num blogue? Se o tivesse, estaria já a suicidar 90% da curte. O blogue será bom para a pós ressaca sentimentalona ou para momentary lapses of fun.
Mas ao contrário do que se possa pensar, nem eu nem Freud resumimos tudo à libido. Também para o barbas, o trabalho tinha uma importância primordial na realização e bem-estar psíquico do indivíduo. Ora, esta minha ausência não programada do meu querido blogue, deveu-se e receio que continue a dever-se, a uma alteração na minha vida profissional e não a qualquer delírio emocional ou queda anormal de cabelo. O ofício é o mesmo, mas mudou o local, tarefas e principalmente, um benvindo acréscimo no ordenadinho. Coisas suficientes para alterarem completamente a minha rotina, por exemplo, deixei de fazer os meus terapêuticos passeios diários de metro ao principio da manhã e ao fim da tarde, deixei a sobremesa de arroz doce, o arroto a imperial ao fim de tarde, e esqueci-me da password de acesso ao MT da weblog.com.pt (situação resolvida hoje através do método de hipnose com regressão a vidas passadas: encarnei um vidente do século XII que preveria o meu nascimento, o meu primeiro ataque de urticária, que password usaria para entrar no meu blogue e quantas sardinhas assadas comeria na noite de Santo António no ano de 2198). E a verdade é que, por estes dias, tenho-me sentido estranhamente motivado para o trabalho, uma sensação esquisita que há vários anos não sentia, que talvez nunca tenha sentido, esta euforia, ainda em fase de testes.

jorge b @ 01:09 AM | Obs (3)
segunda-feira, 7 de junho, 2004

Rear view ... | espécie: algures

foto & spfx:jorge b

jorge b @ 09:41 AM | Obs (1)
sexta-feira, 4 de junho, 2004

Sacrifício pela pátria ... | espécie: revisões da matéria

Depois duma complicada operação plástica, o povo adora agora a ministra das finanças!As mulheres com carências afectivas, por mais intelectualmente arejadas que sejam, tendem a, entre outras coisas, tornar tudo mais difícil, a transformar o simples em complicado. Será talvez no trabalho, na convivência diária e burocrática com os colegas, onde serão mais notórias tais carências... Se forem meras executantes subalternas, muitas delas tornam-se alvos predilectos da intolerância e chacota das outras, supostamente de papo-cheio porque casadas mas, por vezes, não menos frustradas. Se de alguma maneira puderem exercer o poder, tendem a ficar não menos neuróticas, entrando algumas delas numa espiral obsessiva de trabalho, de constantes inconstantes exigências para cima de quem tem que as aturar a soldo. A carência afectiva leva-as a ficarem mesquinhas, a quererem ter sempre razão em coisas para as quais não vale a pena ter razão. Arrancar duma mulher destas uma confissão do género “epá preciso mesmo dum gajo!” é uma tarefa que acarretará milhares e milhares de horas de terapia.
Nos homens, pelo contrário, a carência afectiva, a falta de gaja, leva-os a simplificar, a pensar que não há nada que uma gaja boa bem aviada não resolva, que mais tarde ou mais cedo, inexplicavelmente, alguém não muito parecida mas com as medidas exactas da Marisa Cruz, se sentirá atraída pela maneira como ele leva a caneca á boca e achará piada aos seus sapatos mal engraxados. Enquanto dura a mingua, reconhecem sem rodeios a sua lacuna, pensam que todo o sentido da vida se resume a comer gajas, confessam-no sem problema, mais imperial menos imperial. Ciciolina, ciente da importância que uma gaja boa pode ter na psique masculina, fez uma tentativa desesperada de salvar milhares de vidas, aquando da invasão do Iraque, tendo-se oferecido a Saddam, qual chupeta para o bebé chorão, se o gajo promete-se deixar de se armar em parvo. Hoje deve estar mais que arrependida, a velha toupeira de Bagdad. Cicciolina podia ser uma grande vacalhona, mas era loira®, era a Cicciolina®, um curvilíneo, reputado e experiente remédio santo para qualquer carência afectiva, capaz de pôr qualquer ditador islâmico de meia tijela e bigodes, a cooperar de boa vontade com a ONU. Não só a teria comido, como poderia exibir na parte de traz do carro oficial um autocolante a dizer “Eu comi a Cicciolina®!”, como ainda estaria no poder pelo menos durante mais algum tempo. Um paliativo é certo, mas o homem é um animal sem cura, onde, ao contrário da mulher, a carência afectiva é um estado eterno, permanente, característica de um ser débil sempre necessitado dos cuidados intensivos dessa incubadora que é o amor, ou pelo menos o afecto, ou pelo menos a atenção, ou pelo menos o corpo duma mulher, pelo menos.
No entender do povo, a nossa actual ministra das Finanças, talvez pela maneira tirânica como (mal) trata o pequeno e médio contribuinte, é uma mulher carente, com inconfessável falta de homem (vide post anterior) e de uma vassoura e avental, acrescento eu. Acredito perfeitamente que se ocorresse nela, tal como pode acontecer a todos, uma inesperada revolução sentimental, daquelas que toda a vida muitos perseguem e jamais experimentam na sua plenitude, desempenharia melhor a função de Estado que lhe foi confiada, i.e. haveria mais respeito e investimento público, nas coisas e nas pessoas.
O povo tem suportado mal o seu azedume e a continuar a actual política financeira do Estado, se não surgem depressa sinais da retoma ou da vida amorosa da ministra (uma fotos escaldantes na ‘Caras’ ajudariam a apaziguar os ânimos) não será de admirar que se gere em Portugal uma enorme onda de solidariedade, à boa maneira portuguesa, com cheirinho a ‘Ídolos’: arranjar-lhe um gajo, em nome da boa governação e da saúde mental da nação, um Cicciolino, que faria esse sacrifício pela pátria.

jorge b @ 10:48 AM | Obs (0)
quinta-feira, 3 de junho, 2004

Não é preciso ser-se um Freud ... | espécie: algures

Vendedora Zulmira – Fora com ela! Aquela cara-de-pau da primeira–ministra, aquela Leite, fora com ela. Ela precisa é de homem. A ver se a casam.
Outra vendedora – Ai que eu tenho que explodir. Fora com a papona.
Zulmira – Assanha-te, filha, assanha-te!
Diálogo entre vendedoras, ontem, durante a campanha eleitoral do PS, inDiário de Notícias”.

jorge b @ 10:26 AM | Obs (0)
quarta-feira, 2 de junho, 2004

Shortcut ... | espécie: algures

18:45: Estou há 20 minutos ao balcão duma clinica médica, à espera de ser atendido, de me ser prestada atenção. Repare-se que não espero há meia hora ou muito menos uma hora. Eu não costumo exagerar nas coisas, tempos de espera, medidas, proezas minhas. Abro excepção para as percentagens. É mais forte do que eu, 90% das vezes exagero. Mas estes precisos 20 minutos julgo que ilustram bem o desespero de alguém que espera e se coça. E comigo estão mais algumas pessoas, à minha frente mas ao meu lado. A funcionária, sentada do outro, decote generoso, único pormenor de relevo, que ainda assim alivia penosa espera, está a dar prioridade ao telefone. Por cima, uma raridade com botões salientes, uma televisão a preto e branco muda. Estou quase a ficar sem paciência e sem bateria. Quando despacha uma chamada, na sua maioria chamadas para marcar ou desistir de consultas, parece-me, logo de imediato o telefone volta a tocar, e a funcionária pára tudo, os carimbos, para o atender. Farto de esperar, resolvo pegar no telemóvel que ainda sobrevive, e ligo para a clínica. É ela quem me atende, a funcionária do decote, logo após ter terminado a chamada anterior. Estou ao fundo da sala de longa espera e pergunto-lhe se o doutor está, ‘está sim’, se me pode fazer hoje o teste de alergia, ‘só um momento’, e vejo-a ausentar-se perante a cada vez maior impaciência de quem espera. Está de volta poucos queixumes depois, ‘o doutor poderá fazer-lhe o teste mas só se conseguir estar cá até ás 19h’.
- Mas com certeza que sim, estarei aí num segundo.

jorge b @ 01:49 PM | Obs (3)
segunda-feira, 31 de maio, 2004

Bravura ... | espécie: anedotas de elite

“A verdadeira bravura é chegar tarde a casa, depois de uma noite 'nos copos', e, depois de ser atacado à vassourada pela mulher, ainda ter tomates para perguntar: Ainda estás nas limpezas ou vais voar para algum lado?!?
in, e-mail

jorge b @ 12:29 PM | Obs (2)
sexta-feira, 28 de maio, 2004

Kill Bill ... | espécie: publicidade gratuita

É assim como beber vinho a martelo por um flute de cristal. Tarantino serve.

jorge b @ 10:21 AM | Obs (1)
quinta-feira, 27 de maio, 2004

What really matters ... | espécie: bola

“... não arredam pé, já dormem sobre os cachecóis e as bandeiras...”
O país assistiu ontem impávido, sereno e indiferente a mais uma vitória rotineira do Porto. O ponto alto da noite foi a placidez de Mourinho no final do jogo, contrastante com o histerismo oficial dos jogadores, dirigentes e populaça que não perdeu mais uma oportunidade de dar largas ao seu analfabeto contentamento. Mourinho esse, deu um discreto beijinho na taça e uma indiscreta lição ao mundo: rodeou-se dos filhos, da família, de 100 mil mocas, o que realmente interessa, marimbou-se para as cameras, para o show-off do costume. E ainda foi a tempo de ser frontal, declarando que queria sair do Porto. Vão ficar sem o melhor treinador do mundo.

jorge b @ 10:28 AM | Obs (1)
quarta-feira, 26 de maio, 2004

O que é estar morto ? ... | espécie: interferências

Simples: é assim como era antes de nascermos.
(do intraduzido Alan Wilson Watts, esta ideia)

jorge b @ 10:10 AM | Obs (1)
segunda-feira, 24 de maio, 2004

Hoje, 3013º dia ... | espécie: algures

É a Justiça portuguesa a pedir uma entrada no Guiness Book.
Três irmãos, os personagens do mal explicado processo: O meritíssimo Juiz, o excelentíssimo Conservador e o ilustre Morto-vivo. Ao que parece, (e parece-me só de passagem, do que li dos inúmeros recortes de jornais que ao longo dos anos deram conta do caso, e que o mano esquecido ostenta entre outras palavras escritas de ordem) dois dos manos terão descoberto que calhava mais bolo duma herança a cada um, se dividido por dois em vez de três. O terceiro, na altura emigrado e desligado da família, dava um excelente defunto, e vai daí, já com os dedos nos cordelinhos em Portugal, supostamente foi só pô-los a mexer: Paz á sua alma e ás nossas contas bancárias.
Há mais de 8 anos, todos os dias úteis, durante o horário de expediente, o deserdado mano Morto-vivo e mulher, fazem plantão à porta da Procuradoria Geral da Republica Portuguesa, reclamando do lapso ou da falcatrua, do que é seu por direito, pedindo Justiça ou coisa que o valha. O casal é já um ex-libris da Rua da Escola Politécnica, mas no entanto, e á medida que o tempo passa, parece estar condenado a conquistar apenas a indiferença de quem teria o poder de resolver o seu eterno problema.
Mereciam sair dali satisfeitos um dia, com razão ou com uma explicação cabal, objectiva e definitiva que, apesar do folclore diário, do caricato da situação, da afronta ao sistema judicial, que é o seu protesto, ninguém se propõe dar, escandalosamente.
Arrastam-se, sem sair do mesmo lugar, até ao esquecimento final. E lá vão levando a sua vidinha feita duma longa espera, se calhar para nada. É a Lei.

jorge b @ 04:23 PM | Obs (0)
quinta-feira, 20 de maio, 2004

A triste falta de Tomates de Deus ... | espécie: deus, patrocinador oficial

Tolstoi dizia que não interessava se Deus existia ou não, o que interessava era a Sua procura. Seria assim mais ou menos como, não interessa ganhar ou perder, o que interessa é jogar. Estava redondamente enganado o russo Leo.
Procurar Deus não é nenhum jogo, é uma ingrata, inglória, tremenda perda de tempo. Quem estará interessado em perder tempo com um Traste daqueles ? Lastimo, mas interessados não faltam, até fazem bicha que chega até muitos séculos atrás. E como já se viu desde tempos imemoriais, os que mais estúpida e intensamente O procuram, às tantas ficam tão cansados ou delirantes, que apenas pensam que O encontram, coisa que para eles, coitados, já lhes basta para viverem felizes e anestesiados. Mas, pensar, apenas, sabe a muito pouco e não serve como prova cientifica ou pelo menos palpável do Seu descobrimento e encontro, nem aquece os pés frios à noite. É assim como estar com fome e pensar que se está a comer bavaroise de ananás. Quem está de fora, poderá constatar a cara de satisfação do esfomeado, empunhando talheres virtuais, lambendo uma polpa de nada dos beiços, tentando enganar o espírito e o estômago. Mas por dentro, a fomeca continua, e eventualmente se não ingerir verdadeiras vitaminas, proteínas e outras minas, acabará por quinar, morrer para sempre com aquele sorriso de satisfação imbecil nos lábios.
Portanto, de Deus, nem cheiro (a que cheirará Deus ?), nem sequer retrato robot, nem uma entrada no livro do Guiness (se havia alguém que merecia constar, seria Ele). Só se lhe conhece rasto de pensamento ou imaginação da mais básica à mais prodigiosa, um eco obsessivo que atravessa gerações e hordas de desamparados, muitos sem culpa da deriva em que se encontram, uma ou outra sensação, no máximo, um arrepio na espinha, um calafrio, coisa que qualquer corrente de ar pode provocar com mais eficácia. Nunca ninguém lhe apertou a Mão, lhe deu uma palmadinha nas Costas, sequer lhe ouviu puxar o Autoclismo. Logo, a Sua procura não interessa nem ao menino jesus, nem aos fabricantes de papel higiénico e desengane-se que pensa um dia ver o seu nome inscrito no. Só mesmo aos tolos pode ser reconfortante acreditar numa mentira, enganar a alma com a ilusão de que O encontraram algures numa das esquinas da sua loucura, ou que Deus de alguma maneira perde tempo a ouvi-los... Haviam de me explicar como, se o Gajo é cego, surdo, mudo e sem o mínimo de sentido de humor, algo que pode denunciar uma grave e intolerável falta de inteligência e quicá explicar a sua atracção pelos pobres de espirito, os afinal intelectualmente ao seu nível...
Compreendo e até acho piada apenas àqueles flibusteiros que de forma original e mais ou menos extravagante (padres, automaticamente excluídos), animam o pagode estagnado, ganham a vida com a divina treta, por questões económicas, terem-no encontrado ou serem Dele íntimos, receberem dele piscares de olhos e recadinhos, lhes rende e serve de sustento, tipo a filha do Solnado que anda a ganhar a vida à conta dos papalvos que lhe compram os livros e ouvem as suas eucarísticas bacoradas. A lógica inerente ao papalvo pedante, preguiçoso demais para procurar seja o que for, será mais ou menos tomar já um atalho: “se ela o encontrou e escreveu um livro, se eu comprar o livro vou também encontrá-lo.” Bem pensado oh papalvo! Arrota lá então mais uns tostões pra Solnada.
Mas, e porque havíamos de ser nós a procurá-Lo ? Porque não ser Ele a procurar-Nos a Nós ? O caminho é o mesmo. Aliás, teoricamente será até mais fácil, é só fazer um slalom até cá abaixo. O Gajo, cuja consciência deve estar mais pesada que um camião TIR, que se ponha a caminho, que apareça pessoalmente, sem intermediários com falta de bago ou de operação plástica, que dê um arzinho da Sua graça, de peito aberto se tiver lata, de rabinho entre as pernas se tiver vergonha, que se mostre, se tiver Tomates.

jorge b @ 04:13 PM | Obs (3)
quarta-feira, 19 de maio, 2004

Treinador real ... | espécie: bola

Parece que Mourinho se vai embora mas não estou a ver os adeptos do Futebol Clube do Pinto a fazerem o mesmo berreiro que estão a fazer os do Benfica, clamando pela permanência de Camacho. No fundo Mourinho com a sua pinta de porteiro de hotel de luxo, nunca foi um técnico desejado pelos tripeiros que nele nunca se reviram, mais habituados que estão a verem no banco técnicos com pinta de talhante. Apesar da sua postura arrogante, entre outras qualidades, dava a cara, sabia explicar bem os porquês das suas opções, coisa rara no futebol português. Depois dos grandes testes Benfica e Leiria, o Porto foi um pequeno ensaio. Mourinho vai longe.

jorge b @ 11:57 AM | Obs (1)

Realeza real ... | espécie: portugal

A TVI vai a casa do Duque de Bragança, o herdeiro da corôa portuguesa, perguntar-lhe o que vai oferecer aos noivos espanhóis: “Vou oferecer-lhes uma fruteira em prata com motivos alusivos aos descobrimentos portugueses. É uma coisa para uso do dia-a-dia e com utilidade prática. E convém que assim seja para que não vá depois a prenda servir de prenda a outro casamento qualquer...” Que desconfiança oh D. Duarte, será da Letizia não ter sangue azul ?

jorge b @ 11:54 AM | Obs (0)

Selecção real ... | espécie: bola

Scolari se fosse um treinador como deve ser, teria de explicar muito bem explicado porque escolheu Ricardo em vez de Baía, porquê Tiago em vez de Boa Morte, Couto em vez de Fernando Rocha. Os portugueses tinham direito a explicações objectivas. Mas ele não explica, nem conseguiria, remetendo tudo para “si Deus quisé”. E no caso de Baía, só uma birra ou implicância pessoal podem explicar a sua não convocação. Não é preciso ser portista para ver que depois de Moreira, Baia é o melhor guarda-redes nacional. E ao brincar com o guarda-redes, o jogador mais importante numa equipa de futebol, Scolari pode comprometer irremediavelmente a selecção. Mourinho no final da Taça de Portugal que o diga. Era certo que tinha sido Nuno o titular nos jogos da Taça, mas final é final, ainda mais com o Benfica. Mourinho errou ao não convocar Baía. Nos dois golos bonitos do Benfica, o suplente andou sempre a apanhar bonés. A ética lixou Mourinho, Deus lixará Scolari.

jorge b @ 11:39 AM | Obs (1)

País real ... | espécie: portugal

A SIC foi até Torreselo, ao encontro da dúvida que atormenta o povo daquela aldeia perdida nos confins da Serra da Estrela: “Torrezelo, escreve-se com ‘S’ ou com ‘Z’ ?” Responde o povo: “Por acaszo num shei lêr mas shei que é escrito com um “T” e depoisze tem mais qualquer coisza...”
A SIC já contratou um historiador e um linguista para, no prazo de uma semana, esclarecerem o respectivo share de audiência televisiva.

jorge b @ 11:37 AM | Obs (1)
terça-feira, 18 de maio, 2004

American psychos ... | espécie: mundo

Minuciosos testes de DNA provaram que o animal da imagem não é Donald Rumsfeld.Alguns heróis de guerra, uma pequena amostra representativa dos defensores dos valores da democracia e da liberdade, alguns agentes dos polícias do mundo, na recatada privacidade daquela prisão em Bagdad, vigilantes sem vigilância, mostraram o que na realidade valiam, deram a ver ao mundo a ponta do iceberg da insana prepotência americana. Praticaram sobre indefesos actos de indiscritível violência e sadismo só ao alcance de mentes perturbadas e clinicamente doentes mas naturalmente aptas para servir o exército mais poderoso do mundo, orgulho dos estados unidos. E se as cenas filmadas da degolação dum civil americano por ‘terroristas islâmicos’ são igualmente cruéis, não têm no entanto o requinte de malvadez das que vemos nas fotos de Bagdad. Os terroristas islâmicos de pé descalço que cometem actos de barbárie, justificam-nos à luz da vingança, dum fervor e fanatismo político e religioso, logo, são actos que têm o seu quê de distinto da maldade gratuita e performativa praticada e fotografada em Bagdad, cujos autores são gente sem qualquer desculpa ideológica, gente fardada supostamente diferente do terrorista de trapo, gente que teve acesso a suposta educação e vivência baseada nos valores humanisticos da sociedade ocidental, gente que usufruiu de uma outra qualidade de vida, de uma outra formação, que teve direito ao conhecimento, ao equipamento, banhos quentes, roupinha engomada e máquinas fotográficas digitais.
Creio existir (felizmente) uma clara fractura no ocidente, uma diferença civilizacional subsiste e acentua-se entre os dois lados do Atlântico, aproximados no pós guerra e na guerra fria, agora cada vez mais distantes, quer política quer ideologicamente. Entre o depressivo europeu e o psicopata americano, prefiro o primeiro.

jorge b @ 10:34 AM | Obs (2)
segunda-feira, 17 de maio, 2004

Tacinhas ... | espécie: bola

O Benfica lá ganhou a taça de Portugal, embora injustamente. Há muito tempo que o Porto merecia perder assim.
Enquanto para o Benfica a vitória serviu apenas de paliativo, para os outros a derrota será um importante estimulante para a tacinha mais importante.

jorge b @ 05:17 PM | Obs (0)
quinta-feira, 13 de maio, 2004

Fátima, não te quero! *1 ... | espécie: deus, patrocinador oficial

Ao cimo da imagem, milagre, misteriosa mensagem subliminar do Criador para o autor deste post.Por esta altura do ano, para milhares de alienados, todas as estradas e caminhos de cabras vão dar à popular e fenomenal Fátima, talvez o mais discreto mas pesado fardo nacional, herança aprimorada e dada de bandeja pelo Estado Novo, cujo patrocínio logo o novo Estado fez questão de perpetuar (onde é que estava o 25 de Abril quando eu era uma criança ?).
E até onde podem levar os sondáveis trilhos do fanatismo ? Apenas uma amostra, algumas silabas de bestial tóxico odor crente lusitano. Fala ao microfone da rádio, moçoila de 23 anos, em pleno processo de penoso cumprimento de uma inesquecível promessa de há anos. Então, interveniente num acidente de viação com o seu ex-namorado, terá feito à beira duma provinciana cama de hospital a promessa de que se o gajo entrevado recuperasse do estado de coma em que se encontrava, lá palmilharia algumas centenas de quilómetros, partindo da santa terrinha até ao bem asfaltado mas mal inventado lugarejo milagroso. O gajo, que bem pôde agradecer às manhas da medicina, não só recuperou do sono, como também apurou o gosto e começou a ver o mundo com outros mais lúcidos olhos. Portanto, logicamente, tratou de logo mudar de namorada, estando agora casado com a ex-melhor amiga da amargurada e devota peregrina. Mas promessa é promessa, tacanhez é estupidez, mais uma palhinha a juntar àquele imenso palheiro de espiritualidade sem agulha de juízo, a caminho pois, embrutecida moçoila, paga o que nunca deveste! (Convenhamos que para amostra, não está mal.)
Em Fátima da Nª Srª., Fátinha para este amigo, por estes dias de romaria e folclórica pobreza, tão vasta e nauseante aglomeração de fieis cristãos será para o terrorista de esquina, pitéu tão tentador como para mim é um bom e herege bife da vazia com douradas batatas fritas e molho de natas e pimenta verde. Vai daí, excepcionais medidas de segurança este ano, a bélica mão protectora do Estado pastor para com o inofensivo povo rebanho (oiçai como bramem senhor!), mais de fiar que a divina manápula do criador, mas mais em honra que em verdadeira protecção da apaniguada maralha.
Mas, e quem nos protege a nós dos palermas caminhantes que perigosamente invadem as bermas das estradas e alimentam com rezas e muita cera reciclada o que de pior Portugal tem ? Estaremos nós contribuinte ateus, protegidos de lhes pagarmos as pomadinhas para os calos fornecidas nas tendazinhas de apoio ao longo da inútil jornada ?
Os países crescidinhos e sem Fátimas são mais prósperos*2. Demolição e reflorestamento do local já!


*1 E não vale a pena insistires.
*2 Segundo um relatório da OCDE, Portugal será o país daquele colludiu que menos crescerá em 2004.

jorge b @ 09:16 AM | Obs (5)
terça-feira, 11 de maio, 2004

Bibliotaxa ... | espécie: extracções

A imposição duma taxa por parte das bibliotecas públicas aos leitores quando levantam livros, está a gerar desnecessária polémica e petição a condizer, entre os facilmente ofendidos. Esta medida insere-se na óptica exploradora do Estado feito cada vez mais máquina empresarial: Ir sacar dinheiro onde quer que seja, mesmo onde mais inimaginavelmente impossível. É portanto mais uma graça do moderno e monstruoso Estado ocidentalmente democrático.
No entanto, a ideia da taxa, desde que simbólica (digo simbólico, por exemplo, 20 cêntimos por uma semana de empréstimo de um livro), não me parece minimamente escandalosa à luz da actual conjuntura social e intelectual, e só estranho o atraso na sua implementação. Os livros merecem respeito e taxar-lhes o acesso é uma forma natural também de os preservar de leitores gratuitos, desses que os levantam e depois não os lêem, se atrasam a devolvê-los, ou que os sublinham, lhes fazem apontamentos, lhes dobram as capas, lhes arrancam folhas, desses piores do que aqueles que plastificam a capas, negando ao livro o direito de envelhecer condignamente. Não quer dizer que a taxa faça essa filtragem, mas creio que poderá ajudar também a responsabilizar o leitor pela obra, bem de todos, da qual fica responsável, que então só a passará a levar se estiver mesmo mesmo interessado na sua leitura. As estatísticas da literacia nacional podem descer, serão menos bonitas, mas serão mais fiáveis e reais.
Falando na petição em si, parece-me algo incongruente assiná-la, quando pago sem pestanejar por uma cerveja numa discoteca 3 euros, quando pago 5 euros por um mero bilhete de cinema, quando dou 30 euros para ir a um qualquer concerto de musica, ou 4 vezes mais se for ‘o maior festival de musica do mundo’. (Quem não é praticante destas extravagâncias, compreendo a indignação e o à vontade para assinar coerentemente tal petição.) Falo das estroinices mas posso também falar falar no preço do litro da gasolina, do leite, da água com e sem gás, do preço exorbitante dos próprios livros, exorbitante porque, quem o escreveu, dessa exorbitância recebe uma ninharia, sendo o grosso da exorbitância dividida injustamente entre intermediários, editores, livreiros e afins. Contra este e outros estados da corrumpida coisa, não vejo petições nem a insurreição mais que merecida. E se o dinheiro cobrado pela controversa taxa for direito para os bolsos de quem matou tempo e neurónios a escrevê-lo, não vejo onde possa haver injustiça ou polémica que o valha.

PS:
Ok, neste momento imagino alguém sem posses (pobrezinho) com o desejo incontrolável de ler o “Capital” do Karl Marx, não tendo naturalmente como pagar a maldita taxa da biblioteca, vendo-se portanto decapitado no seu desejo de aceder ao conhecimento, excluído social e para cúmulo, culturalmente. Abram-se então excepções, devidamente fundamentadas, façam-se salas de leitura controlada e gratuita, para os viciados.

jorge b @ 11:01 AM | Obs (0)
sexta-feira, 7 de maio, 2004

Lolita ... | espécie: publicidade gratuita

Lolita (1962), não é apenas o pior filme de Stanley Kubrick. É um filme muito mau, a roçar o patético, de onde apenas Peter Sellers sai ileso.
Nabokov não teve culpa absolutamente nenhuma.

jorge b @ 04:22 PM | Obs (0)
terça-feira, 4 de maio, 2004

Os ciganos ... | espécie: estudos

Não sei do que gosto menos, se um estranho me chame de ‘inho’ ou se de ‘filho’. Passo a explicar, que no espaço de um hora, uma cigana, que não me conhecia de lado nenhum, chamou-me de ‘senhorzinho’, para logo a seguir, numa outra banca, outro representante daquela etnia me apelidar de ‘filho’. Apenas porque perguntei um preço, recebi a monetária resposta em ‘eros’ acompanhada daqueles bónus claramente dispensáveis.
Pode parecer estranho, principalmente para quem não se mistura com a celeusma que frequenta as feiras onde se encontra de tudo com pó e cheiro a torresmos. Mas para alguém como eu que até encontra DVDs a 5 euros o par, falsificações que mais tarde na pacatez do lar, se descobrem de muito baixa qualidade, é alvo susceptível de ser brindado por aquele tipo de bonificação.
90% da falsificação de filmes em DVD está nas mãos dos ciganos que, por mais lendária má fama que tenham, continuam neste como noutros sectores do comércio contrafeito, a ser autênticos case study de sucesso.
A razão do sucesso cigano parece-me óbvia. Comprar a ciganos está na massa do nosso masoquista sangue consumista. Ao longo da sua vida, até o mais impoluto cidadão sem cheta sentirá pelo menos dez vezes a necessidade incontrolável de comprar um rolex a um cigano e falo-á discretamente e o mais clandestinamente possível no meio de um berreiro, logo ali ao lado da banca da roupa interior feminina, com a cuequinha a 2 euros. Mais tarde descobrirá que o mostrador dos dias não funciona e que o movimento dos ponteiros do seu relógio ciganosuiço é pura ilusão de óptica. Mas não se chateará verdadeiramente por isso, jamais accionará a cláusula de garantia verbal cigana dada in loco. Amaldiçoará antes os ciganos por serem vigaristas, terá mais uma história embusteira para contar, coisas que, para além de chamar nomes ao árbitro ao fim de semana, por si mesmas são outras das suas necessidades incontroláveis e que precisam de regular alimento.
O cigano vive assim do eterno retorno do pateta ludibriado que julga estar a fazer um bom negócio e paralelamente, assim esteja ao colo cigano criancinha ranhosa, um acto de caridade. O cigano, para bem da prosperidade da espécie, nunca poderá portanto ser honesto nem usar lenços de assoar nos filhos, e muito menos armar-se em bonzinho, acrescentando ‘inhos’ e graus de parentesco mais próximo nas suas técnicas de venda directa. Se mais alguma vez algum tentar isso comigo, faço queixa dele... a quem ?...

jorge b @ 03:00 PM | Obs (2)
sexta-feira, 30 de abril, 2004

Riscos sentidos ... | espécie: revisões da matéria

Aqui há tempos bradava ao meu relógio novo. Escrevia aqui como se finalmente fosse o relógio que jamais teria um risquinho que fosse na campânula de plástico que supostamente protege os dois ponteiros discretos e o outro irrequieto. É sempre assim com tudo o que tenho mais ou menos recentemente, esta ilusão inicial de que o tempo mole não vingará sobre a duritia das minhas paixões. Aconteceu com o meu carro, de que já aqui também falei, imaculadamente encontrado num stand de carros usados, sem o mínimo risco, mesmo ao fim de intensivo uso, a julgar pelo conta-quilometros e pelos pneus que prontamente mandei substituir senão não se fazia negócio. Dedicado e cuidadoso proprietário teria tido, que me deixava um legado de responsabilidade do qual me julguei digno, me propus continuar, preservar na perfeição a chaparia azul escura que elegantemente sempre vestira aqueles 90 cavalos.
Cada vez que adquiro alguma coisa penso sempre que a vou estimar como estimo o meu querido blog, a minha querida família, o meu querido eu, sem qualquer ordem de preferência. Mesmo com peças de vestuário sou assim, tenho sempre a ilusão de que como já parei de crescer, a roupa irá durar-me para sempre. Pensamento mais que ingénuo, pois que dadas as características da minha barba, não há colarinho que resista mais de 3 a 12 meses, segundo a minha ultima sondagem, dependendo do uso, sendo que acusam sempre maior desgaste as camisas preferidas.
A verdade é que me apaixono por tudo o que compro, e tudo o que compro é por paixão. Logo, a minha exagerada estima, sempre quebrada com a primeira nódoa que não sai, o primeiro buraco que não se coze, das garras dos meus amigos felídeos, o primeiro risco. E o meu relógio, acaba de sofrer o seu primeiro dos seus golpes de misericórdia, assim como o meu carro sofreu a sua primeira cacetada, muito mais que um simples risco daqueles que aparecem misteriosamente não sabemos como, naquele fatídico dia à entrada da ponte, quando um gajo qualquer numa mota se pôs a zigzaguear os carros parados na bicha, até fazer apenas zig no meu.
Não me perguntem porquê invisíveis leitores, mas as minhas queridas visíveis coisas depois de riscadas a primeira amaldiçoada vez, depois de impolutas, parecem perder imediatamente a graça, a gracinha toda. Mesmo que depois reparadas pelo mais exímio dos artesãos, substituídas por peças com as mesmas medidas, cessa de imediato a minha preocupação em proteger os meus apaixonados haveres. E para quê dispêndio de mais adoração e cuidados, se já têm marca visível do meu escandaloso descuido ? Mesmo que disfarçada com excelência, são por demais sentidas as imperfeições das quais sou cúmplice.
Mas eis que penetrando ainda mais, sempre obscura tarefa, no meu auto-conhecimento, reparo no anterior relógio, agora abandonado e esquecido sem pilhas e, imagine-se, sem uma única mácula, sem único risco humanamente perceptível, além do desgaste natural e até charmoso do tempo. Um relógio, como os meus antigos óculos, com vidro anti-riscos a fazer de campânula transparente. Na altura em que por aquele meu relógio me apaixonei, estava ele numa montra a chamar-me sem que mais ninguém ouvisse, mesmo como eu gosto, e minuto depois nas mãos hábeis da relojoeira, que lhe colocou uma pilha nova, fazendo a senhora experimentada vendedora questão de frisar da característica daquele vidro, que decididamente seduziu o meu cartão de crédito.
E o meu ilustre relógio inrriscável, que ainda dura, durou-me alguns anos, despercebidamente, até a um exaustivo desleixo utilizado, até que os primeiros sinais de lassidão começaram a dar horas, revelando-me esta verdade, depois de acertados os ponteiros: todas as minhas paixões, mais cedo ou mais tarde, ganham os seus riscos. Se não nas campânulas, noutro sítio que não vejo, mas sinto.

jorge b @ 05:01 PM | Obs (0)
quinta-feira, 29 de abril, 2004

The Wicker Man ... | espécie: algures

A caça e a caçadora.

jorge b @ 10:34 PM | Obs (1)
terça-feira, 27 de abril, 2004

Destino ao acaso ... | espécie: revisões da matéria

Mais uma semana que passou sem que eu jogasse no totoloto. Até era minha intenção apostar no jackpot desta semana mas, como sempre, deixei que o destino decidisse por mim… Confio-lhe estas pequenas trivialidades porque tenho mais que fazer. Como é isto ? Simples, por acaso, por aqueles dias que antecederam o escrutínio, não passei por nenhuma seta a piscar em néon, a indicar um local de recepção de apostas. Se por acaso quisesse o destino que eu jogasse, ele teria posto a bendita seta no meu caminho. Passei antes por uma daquelas cruzes verdes cintilantes, também de néon, que identificam as farmácias. Assim quis o destino, e lá fui comprar mais duas caixinhas de valdispert.
Quero antes dizer o “acaso” porque o “destino” já tem direitos de autor. Acredito no acaso, que se lhe dermos rédea acontecem-nos coisas boas pela certa, quase sempre. Tudo acontece por acaso, pelo menos a primeira vez de tudo e são essas as coisas que melhor gosto e, se não tivermos cuidado, desgosto, deixam na alma...
Já me aconteceram coisas extraordinárias por acaso, sempre que confiei no acaso. Por exemplo, eu costumo fazer uns pequenos negóciozitos com acções, acçõezitas. Já comi uns jantarzões à pala de alguém que nunca vi mas me comprou umas acções da Pararede a um preço exorbitante depois de eu as ter comprado ao preço da chuva (é assim que funciona isto da bolsa). Também já ganhei umas tantas dores de cabeça cujas perdas, o providencial Tiger Balm dos chineses e umas ordens ‘stop-loss’ sempre amenizaram. Já me aconteceu sentir um impulso incontrolável, ditado pelo instinto, de vender determinado papel, ligar para o meu banco para dar a ordem, e o telefone estar interrompido. Pensei então, “isto é o destino, o acaso, perdão, o acaso a alertar-me, a impedir-me de vender estas acções. Isto pode ser um sinal, de que elas ainda vão subir, que chegarão ao preço exorbitante mas suficientemente tentador para alguém depois as comprar e eu ter dinheiro para ir jantar ao “Las Brasitas”. Só lucro, vindo desse especulativo nada, dessa negociata fácil e algo obscena (é assim que funciona isto da bolsa). E não insisto mais pela chamada, convencido. Aconteceu eu não dar a tal ordem, e as acções realmente amarinharem pelos gráficos de cotações acima, nos dias, semanas que se seguiram. Não podia estar mais grato ao acaso por naquele momento em que pretendia dar a precipitada ordem ao meu banco, por acaso, o telefone estar ocupado.
O problema, é que o acaso não é de confiança. Nem sempre resulta. Já me aconteceu ver na televisão dois aviões espetarem-se contra duas torres e correr logo para o telefone, porque sabia da hecatombe que iria acontecer nos índices. Mas nada de confusões, eu não estava em pânico até porque os índices já se arrastavam pelas ruas da amargura. Mas como sabia que com os atentados as cotações iam descer ainda mais, telefonei para vender mesmo a perder dinheiro para depois, assentada a poeira, recomprar a preço mais baixo (é assim que funciona isto da bolsa). Naquele fatídico dia, por acaso, do banco não atenderam a minha chamada. E o quanto eu insisti...
Naturalmente que isto não era o acaso a dizer-me “não vendas que as acções não vão cair”. Isto era um engarrafamento fenomenal de ordens de venda por telefone, de gajos, esses sim em pânico, que se tinham antecipado a mim.
O ideal ideal, é sermos nós mesmo donos do nosso destino, sermos nós próprios a ditá-lo e controlar o mais possível o “acaso”. Coisas para as quais não terei muito jeito mas que em linguagem bolsista se poderiam designar por “inside-trading”(aquela informação privilegiada e outros meios de manipular cotações a que certos gajos têm acesso (é assim que funciona isto da bolsa)).
Exemplo vivo duma eximia controladora do destino e dos acasos é a bar-women que me tira umas imperiais regularmente. Há cerca de 2 anos, a conversa arrastava-se um pouco mais para além da hora do costume, e às tantas já falava mais ela que eu (o que apesar de não ser muito difícil, não é normal), apenas porque naquele dia os problemas de consciência por ter deixado acabar os tremoços impeliam-na a dar-me mais atenção que o costume. É suposto ser ao contrário, e já tem sido, o cliente escritor de blog a desabafar a falta de inspiração com o outro lado do balcão. Mas naquele dia, contava-me dos seus planos para o futuro, e fê-lo com uma certeza implacável onde não havia lugar para o imprevisto, o acaso. Como já a conheço, não de ginjeira como talvez não me importasse, mas o suficiente, lembro-me de na altura lhe ter dito que não duvidava um segundo que ela conseguiria alcançar todos os seus objectivos, e que tinha uma beleza tipicamente portuguesa (isto não vem ao caso, eu sei, mas foi o que lhe disse, aproveitando a embalagem). Seria até muito mais difícil eu alcançar a porta da rua sem tropeçar numa cadeira que ela, repare-se, estar casada dali a um ano, grávida um ano depois, mudar de casa 3 anos após, assim implacavelmente. Ainda lhe perguntei sobre os acasos, como os são as infidelidades conjugais, os jogos maquiavélicos das sogras, a subida das taxas de juros e outros acidentes de percurso na vida dum casal... Mas não, acontecesse o que acontecesse, estava ali uma mulher que tinha mão de ferro sobre o seu próprio destino, destino esse enclausurado entre timmings medidos quase ao milésimo, sem lugar para atrasos ou acasos.
A verdade é que ela casou há um ano atrás, e agora está grávida de quatro meses. Não há inflação, cortes nos aumentos, guerras preventivas, medos do terrorismo, facadinhas no matrimónio, nada a irá impedir, tenho a certeza, de alcançar os seus objectivos.
Confesso que sinto alguma inveja de pessoas assim, que traçam rumos e objectivos na vida com grande antecedência, que se propõem por vezes a tarefas grandiosas e de grande responsabilidade como o são, por exemplo, trazer um filho ao mundo conturbado dos nossos dias, e depois os cumprem eficazmente. Apesar da encruzilhada de caminhos, mantêm um rumo fixo, fieis à bússola do dever, coisa que nem sempre é compatível com a volatilidade do desejo, das tentações, afogadas sabe-se lá como. Mas tal pode ter um preço que mais tarde ou mais cedo se tem de pagar. É que contornar o acaso pode ser como comer comida já mastigada, ver um filme do qual já sabe o fim ou levar uma vida inteira a fugir ás dívidas.

jorge b @ 09:30 AM | Obs (1)
segunda-feira, 26 de abril, 2004

O Pedro é que sabe ... | espécie: interferências

"Antes do 25 de Abril tínhamos um regime autoritário. Agora temos uma partidocracia e o poder dos poderosos. Antes não podiamos ler os livros que queriamos, agora a corrupção alastra. Antes pertencia a um grupo comunista clandestino. Depois, nunca votei. Antes sentia nojo, agora sitnto muitas vezs, asco."
Pedro Paixão - em resposta à pergunta 'o que ganhamos e perdemos em 30 anos de democracia ?', num folheto publicitário da FNAC.

jorge b @ 09:20 AM | Obs (0)
quinta-feira, 22 de abril, 2004

Temíveis focas ... | espécie: mundo

Tenho um novo teclado sem fios mas com carraças. Já é a segunda que apanho, desta vez a passear-se entre as teclas F7 e F8. Dedico alguns minutos do meu tempo a estudar a carraça, esse bicho algo esquecido nos nossos dias e bastante discreto, pelo menos ao principio, antes de inflar de sangue e parecer um smartie na testa do nosso cão ou gato. Tenho horror a carraças porque consigo facilmente imaginá-las com aquelas patinhas a perfurarem-me a carne, a sugarem-me o sangue, e eu só a dar por isso quando abro a braguilha...
Não interessa o que uma carraça é por fora. O que conta é o seu interior.Mato-a da seguinte maneira; encaminho-a para o interior duma tira de post-it. Ela acusa o contacto com a parte colante e então dobro o papel, ficando o bicho preso entre duas tiras. Pouso o papel dobrado com a carraça acomodada no seu interior, e com a ponta duma caneta bic, esmigalho-a. É um bicho resistente, a carraça e a sua carapaça, mas aquele pequeno ‘clic’ denuncia o seu fim. Toda a cena é observada atentamente por essa reserva ecológica nacional de carraças que é o meu gato Nicol. O gajo é um vadio do car(r)aças. Como não tenho coragem de o reter em casa, sensível que sou aos seus miantes apelos por liberdade, ar puro e porrada com os outros, deixo-o sair para o mato, para ir apanhar ratos dos pequenos, o seu passatempo preferido. Por seu turno, ele deve ser o passatempo favorito das carraças das redondezas.
Quando for grande quero ser um casaco de peles.Lembro-me das focas, cujo extermínio, dizem que calculado, é subsidiado pelo governo do Canadá, barbaramente em nome do equilíbrio ecológico. Mas que eu saiba, as focas não são nenhum parasita, antes pelo contrário, gostam de sardinhas fresquinhas como nós gostamos (se o problema é esse, deixo de comer sardinhas, deixem viver os bichos), devem ser um pitéu apetitoso para as outras espécies acima delas na cadeia alimentar, e são um regalo para os nossos olhos, vê-las felizes e contentes nos documentários da National Geographic, quando não há tubarões por perto. Não existe febre da foca, ao contrário da perigosa febre da carraça, vulgo erlichiose. Por isso, gostaria de ver o mesmo empenho que os estados e os caçadores têm para matar aqueles mamíferos perigosamente inofensivos, aplicado à exterminação das carraças. Uma primeira boa medida neste combate, seria a diminuição do preço ou a subsidiação por parte do estado, das coleiras anti-carraça cujo preço é exorbitante. Depois, munidos de blocos de post-it e canetas bic, era pôr os actuais caçadores de focas, coelhos, e outra caça que nunca fez mal a ninguém, a bater mato, catar animais mundo fora, exterminando os parasitas inúteis. Bastaria arranjar-se uma pequena utilidade industrial para a carraça, para justificar toda a matança. Podiam-se fabricar, por exemplo, casacos de peles de carraça... Era uma ideia.

jorge b @ 03:54 PM | Obs (3)
quarta-feira, 21 de abril, 2004

#1 ... | espécie: my bookmarks

Prémio 'Melhor etiqueta de lingerie feminina'

jorge b @ 02:04 PM | Obs (0)
segunda-feira, 19 de abril, 2004

Falta de Elsa ... | espécie: algures

Blogues: “Aqueles sítios na Internet que servem para afagar egos, lançar calunias e mimar os umbigos.” Escrito assim no “24 horas”, (esse baluarte dos bons costumes) em semana em que a Elsa Raposo não mudou de namorado, numa daquelas secções de tricas que nunca resistimos a ler.
A autora destas palavras terá tido porventura contacto com alguns blogs que fazem parte dessa grande maioria que gosta real e descaradamente de afagar egos, lançar calunias, mimar e tirar cotão dos umbigos, acrescento eu. Os restantes blogs também são assim, mas disfarçam mais ou menos bem.
Seguindo aquele raciocínio afectado da colunista, por exemplo o sexo será então aquela actividade dispensável que só serve para afagar corpos e ter orgasmos.

jorge b @ 09:54 PM | Obs (0)

Nada de confusões ... | espécie: portugal

Durão Barroso está convencido que apesar de retirar do Iraque, a Espanha continua a ser um potencial alvo de ataques terroristas, muito mais que Portugal. Presumo que só mesmo se os Espanhóis oferecessem as armas e erguessem estátuas em memória dos terroristas, então sim, estariam menos susceptíveis a ataques. Rezemos pois para que os terroristas, pelo menos esses, não nos confundam com uma província Espanhola. Barrosamente, só mesmo por mera confusão geográfica, o povo amigo português, terra da mítica Al-gnr, será atacado.

jorge b @ 09:52 PM | Obs (1)

Problemas de workflow ... | espécie: bola

O principal problema do Benfica não está afinal no ataque, na falta deste ou daquele jogador, ou na franja do Nuno Gomes. O problema é antes a defeituosa comunicação entre as diversas sociedades. Na passada sexta feira, os responsáveis pelo relvado do estádio da Luz ficaram fulos com Camacho (Benfica Treinador, SA.). Estava combinado que não haveriam treinos no estádio, para poupar a relva para o Euro, mas parece que o espanhol continua a perceber mal português e houve mesmo treino. Segundo a Benfica Estádio,SA. (os que ficaram fulos), terá havido uma deficiente comunicação entre aquela SA e o departamento técnico do Benfica (Benfica, SA). Entretanto só hoje a Benfica SGPS soube que a Benfica Apanha Bolas, SA. já pediu autorização à CMVM para dispersar o seu capital social em bolsa.

jorge b @ 09:43 PM | Obs (0)
quinta-feira, 15 de abril, 2004

Rock in pântano ... | espécie: publicidade gratuita

Olh'ó festivau!Começo a desesperar pelo dia seguinte ao último dia do festival rock in rio. A ver se acaba, duma vez por todas, se oferecem os bilhetes que têm para oferecer, vendem os outros e as cervejas que têm para vender, pagam as contas, pagam as fortunas às estrelas, as suites milionárias, demais mordomias, e se despacham. Já não há mais pachorra para este tipo de peregrinação colectiva tão consensual, para tanta promoção e veneração, para o histerismo e a megalomania gritante deste festival franchising.
Ilustração: Nuno Alves, in www.who.pt

jorge b @ 02:17 PM | Obs (2)
quarta-feira, 14 de abril, 2004

Irony ... | espécie: extracções

Vinte e um anos depois do lançamento do primeiro relógio que até condizia com as calças, compro finalmente o meu primeiro Swatch, a condizer mais com a minha carteira. Suponho que era inevitável, mais tarde ou mais cedo, teria de acontecer, eu aderir, render-me. E o facto de ser “o meu primeiro” não augura nada de bom.
Se há alguma coisa física que deveria passar de avôs para netos, seria um bom relógio. O que eu não daria para ter, do meu avô, um relógio estrangeiro duma marca estilo apelido impronunciável & apelido esdrúxulo (o & é um bom sinal numa marca de relógio de pulso), que tivesse resistido às agruras das pocilgas (sim, o meu avô paterno foi criador de porcos, já não se usa, eu sei), e hoje ainda funcionasse que nem um relógio suíço... Assim, dele tenho esta falta de cabelo. Não houve relógio que resistisse, assim como este Swatch Irony, apesar do plástico e do alumínio não serem biodegradáveis, não resistirá às agruras dos meus impulsos consumistas. Passará quanto muito deste ano para o ano que vem.

jorge b @ 11:58 AM | Obs (1)
domingo, 11 de abril, 2004

Má rês ... | espécie: deus, patrocinador oficial

Se havia dúvidas ainda sobre a perfídia do deus cristão, atente-se nesta pérola da mais requintada malvadez, a cena da travessia do mar vermelho, trazida até nós por esse relato bíblico altamente credível e conceituado que é o filme “Os dez mandamentos”, um must da Páscoa televisiva portuguesa.
Moisés está com o povo de deus, os escolhidos, à beira do mar a apanhar sol e a brisa fresquinha, quando surgem no horizonte os egípcios e as suas quadrigas, cheios de ganas de ir ao canastro aos gajos, principalmente partir ao meio o Moisés e a mais o seu bastão. Sentimento mais que natural, depois da gracinha das pragas.
O líder e dono do bastão (curioso ver que com o tempo, tal como aconteceu com os telemóveis, o bastão foi sendo reduzido no tamanho, até à varinha mágica dos nossos dias) num magistral golpe de magia, aparte as águas, abre um caminho seco pelo mar, de maneira à maralha poder passar para a outra margem e assim escapar de erguer mais pirâmides, poder ter a honra de contribuir para a realização dos mais fabulosos tesouros arquitectónicos de sempre.
Vendo que se aproximavam perigosamente do seu rebanho, deus resolve dar uma mãozinha e ergue uma parede de fogo para barrar o caminho aos egípcios, dando assim tempo da súcia calmamente recolher os tarecos e prosseguir viagem. Quando já está todo o magote em segurança na outra margem, em vez de repor de imediato a circulação marítima na zona, como mandariam as boas maneiras, o deus biltre resolve antes cortar o gás e a parede de fogo extingue-se, dando assim luz verde aos egípcios para avançarem. E os egípcios caem que nem ratos naquela armadilha perversa. Lançando-se mar dentro no encalço dos cordeiros de deus, aproveitando a maré propicia, quando estão todos entre aquelas paredes de água, o filho da mãe do deus, numa manifestação do mais puro sadismo só ao alcance das mais pérfidas mentes, resolve abrir as comportas, afogando centenas ou até talvez milhares de egípcios e respectivos cavalos. E se o nóbel Saramago pergunta e muito bem, se deus é o pai de todos, quem é o pai de deus; apetece-me perguntar também, de quem eram filhos aqueles afogados, homens e equinos ? Eram órfãos ou filhos do diabo (o que duvido, porque só para lixar a igreja, o diabo deve usar preservativo) os egípcios, que no fundo só seguiam ordens do faraó e que, para cumulo, se escapa ficando ainda com a gaja mais boa da estória (a Nefritiri)?
Na outra margem e em segurança, os cordeiros contemplam, impávidos e serenos, toda a cena macabra do criminoso acto de afogamento colectivo. Até os americanos, milhares de anos mais tarde inventariam as vulgares cenas de cinema em que os bons, vendo os maus a afogarem-se, ainda lhes dão a mão, embora sempre em vão. Só por aqui se vê o calibre daquela gentinha obcecada pela terra prometida.
Este episódio demonstra bem a má rês que é deus e por arrasto os seus seguidores mais acérrimos. As coisas podiam ter sido feitas de outra maneira e com muito menos sofrimento, com um mínimo de bom senso, respeitando as mais elementares regras de humanidade e sem sucessivas violações ao Código Penal de qualquer país, até o do Zimbabué. E não posso deixar de pensar nas crianças cordeirinhos de deus que na altura presenciaram toda aquela cena, a imagem de milhares de corpos a boiar inertes no mar vermelho, a influência traumática que o acontecimento terá tido sobre elas.
Tenho esperança que um dia deus ainda seja julgado por este e outros actos hediondos que ao longo da história tem cometido e continua a cometer contra a humanidade. Até pode ser que ele não tenha a culpa de ser assim. Mas se é inimputável, alguém que lhe puxe as orelhas e o tire dali para fora.

jorge b @ 09:50 PM | Obs (4)
sexta-feira, 9 de abril, 2004

Volta censura, volta ... | espécie: portugal

Por esta hora cerca de 90% da comunidade internauta lusitana já terá consultado no google a palavra “estúpido”, que remete para uma lista de sites relacionados com o tema, surgindo no topo o endereço do site governamental, concretamente, a página da biografia de Durão Barroso, o nosso primeiro ministro. Quero acreditar que Durão já tenha conhecimento desta associação entre aquela qualidade nada honrosa e a sua pessoa, aquela alusão que é no fundo o sentimento generalizado da grande maioria da população. Mas muito naturalmente, Durão estará a burrifar-se...
Quarenta anos atrás e a esta hora já havia merda. Algures num gabinete qualquer da PIDE, um inspector lacaio do antigo regime tinha já entre mãos uma lista de 90% de internautas candidatos ao Tarrafal. Salazar levava muito a peito estas coisas, estas bocas do género “estúpido” num motor de busca levar à sua biografia. Ofendia-se, picava-se. A palavra aliada à verdade, formava uma combinação explosiva capaz de agitar consciências e levar as pessoas a agir. O respeitinho pelas instituições era muito bonito assim como a ignorância de quem devia respeitar. Também o poder tinha um grande respeitinho pela palavra, perigosa sempre que livre. Daí a censura, essa instituição que se por um lado tentava estúpida e ingloriamente silenciar e castrar a palavra, por outro dava-lhe a força que só a palavra proibida podia ter, transformando-a numa arma que ia minando irremediavelmente o regime.
Em contraponto, os actuais regimes democráticos, herdeiros das velhas ditaduras com as quais muito aprenderam, principalmente a não cometer os mesmos erros, levam muito pouco a sério a palavra, quando não raros os casos a ignoram por completo. Toda a palavra é autorizada sob o manto aparentemente protector da liberdade de expressão, e é até bem vinda porque quantas mais melhor, maior a rebaldaria, fenómeno saudável mas explorado habilmente por quem tem o poder em proveito próprio. Censura sim, mas não contra a liberdade de expressão e da palavra, antes contra a liberdade da existência, coisa que nem por ela se dá.
Para o poder (so called) democrático são tão inofensivas as palavras, que só agregadas a qualquer espécie de violência podem fazer mossa. Violência essa convenientemente baptizada de “terrorismo” seja qual for a sua natureza, desde que seja contra o Estado, por mais fetidamente democrático que seja. Num “deixa-os falar” preocupante, os governantes marimba-se para a (so called) opinião pública pacifista, esse inimigo anódino, que sabem com muitas bocas mas poucos punhos.
O caso do presidente dos Estados Unidos é um exemplo flagrante do descrédito em que caiu a palavra e a consequente usurpação do espaço vital da verdade e razoabilidade pela estupidez e prepotência. Se ainda fosse possível depois de Clinton, Bush é actualmente a pessoa mais contestada (e gozada) do planeta. E com toda a razão, clara, factual, clínica e objectivamente. Mas de nada tem adiantado a indignação global acerca das políticas e do estado de saúde psíquica do júnior, um autêntico ditador legal a prazo de quatro anos, que mais que chegam e sobram para enterrar ainda mais o planeta num sufoco de ódios e medos. Ele lá continua na sua cruzada, cagando-se para tudo aquilo o que se diz e se apela, num exercício de insensibilidade atroz à palavra e a consciência global.
Em Portugal, situação semelhante se passa com Barroso, que perante a espiral do consumo de anti-depressivos, de desemprego, perante a hecatombe não só económica mas principalmente dos valores e da descaracterização nacional, continua impávido e sereno, a fazer aquilo que acha melhor para o país (alguém duvida que Salazar também não achava que fazia o melhor para o país ? ), i.e. mantê-lo obediente à ditadura da percentagens ditadas por um (so called) pacto de estabilidade.
Não seria de admitir que sendo alvo de chacota e indignação nacional mais que visíveis por toda a parte, o primeiro ministro interrompe-se um dia destes a novela da noite para emitir um comunicado ao país ? Afinal, o porquê da associação da palavra “estúpido” (pelo menos) num motor de busca (pelo menos) com a sua pessoa, porquê ?! Porra, não é isto suficientemente grave, humilhante ?! A mim tirava-me o sono e não descansava enquanto não pusesse tudo em pratos limpos. Então puseram-me aqui e agora chamam-me de “estúpido” ?! Vão lá gozar com o raio qu'a parta! Que raio de democracia é esta, que raio de primeiro ministro sou eu afinal ? Mas o primeiro ministro é algum árbitro de futebol para ouvir e ficar calado ? Era esta a pergunta que um estadista como deve ser faria a todos os portugueses: “Epá digam-me, sinceramente, porque é que me acham estúpido ?!” E a malta dizia o que achava, explicava-lhe que ele já tinha em dois anos de governação dado provas inequívocas da sua fraca qualidade como primeiro ministro, que nestes dois anos já tinha envergonhado a nação por duas ou três vezes, o suficiente para não suportarmos mais aquele seu tom de voz muito tio da linha, muito cheio do papel de Portugal no seio da comunidade internacional e tal... Comunidade internacional o tanas!! Nós não queremos ter nada a ver com esses gajos! E depois da nossa explicação, se ele tivesse vergonha, dava o lugar a outro, saia sorrateira e prematuramente para o conselho de administração duma qualquer empresa cotada na bolsa de Luanda e não nos chateava mais.
Mas, ora, ora, não nos esqueçamos de que se tratam de palavras… “Estúpido” é uma palavra, ainda por cima toscamente arremessada contra o estado das coisas, assim com sabor a anedota. Por mais eco que tenha um sentimento generalizado, através da palavra, por mais que se repita e constate uma evidência e uma realidade, enquanto for a palavra a fazê-lo, jamais terá o mesmo efeito dum ovo podre bem pregado nas trombas. Ok, democracia, há o voto, ou o poder do voto, esse preguiçoso dever cívico. Mas a democracia menos imperfeita deveria conter mecanismos mais imediatos para punir a incompetência, que é disso que se trata, sem que se tivesse de esperar tão resignadamente pelas próximas eleições.
Perante o descrédito galopante da palavra, só podia ver com bons olhos a restauração da censura. Existem os Tribunais é certo, para crucificarem tantas vezes verdades que atentaram contra o bom nome dum senhor corrupto qualquer, que só na consciência podem ser provadas e que assim ficam por absolver. Mas não têm a mesquinhês paternalista da censura, muito mais preventiva que repressiva. Só podia ser bom sinal o regresso dos censores, sinal de que a palavra tinha voltado a ter força e consideração, a impor respeito, a ocupar o espaço cada vez mais usurpado pelos interesses daqueles que detém o poder político e económico e que fazem da palavra actualmente um parente pobre da verdade, uma mera distracção, mercadoria transacionável e manipulável que decora muitos dos livros, blogs e jornais que se lêem. A palavra parece cada vez mais deixar de ter a força capaz de levar à acção, à (r)evolução das mentalidades que sempre provocou.

jorge b @ 01:11 AM | Obs (5)
terça-feira, 6 de abril, 2004

Despertar ... | espécie: extracções

E água, aluminium chlorohydrate, cyclomethicone, paraffinum liquidum, peg-40 stearate, cetyl alcohol, glyceril stearate, parfum, peg-8, c12-15 alkyl benzoate, trisodium edta, glyceril laudate, perssea gratíssima, octyldodecanol, debaixo dos braços.

jorge b @ 10:05 PM | Obs (4)
sexta-feira, 2 de abril, 2004

Três Rolexs ... | espécie: interferências

Em primeiro plano, Blue, depois Lucas e o Nicol.
O relógio
"Os chineses vêem as horas pelos olhos dos gatos.
Certo dia, um missionário, passeando no distrito de Nanquim, notou que se havia esquecido do relógio e perguntou as horas a um rapazinho.
Ao primeiro instante, o garoto do Celeste Império hesitou; depois, pensando melhor, respondeu:
- Vou dizer.
Decorridos alguns momentos, reaparecia, segurando nos braços um gato muito gordo; e, fitando o animal, como se costuma dizer, no branco dos olhos, afirmou sem hesitação:
- Ainda não é exactamente meio dia.
E era verdade.
Por mim, ao inclinar-me para a bela Felina, a de nome tão adequado, aquela que é ao mesmo tempo a honra do seu sexo, o orgulho do meu coração e o perfume do meu espírito, - quer de noite, quer de dia, em plena luz ou na sombra opaca, no fundo de seus olhos adoráveis, vejo sempre, nitidamente, a hora, sempre a mesma, uma hora vasta, solene, grande como o espaço, sem divisões de minutos nem de segundos, uma hora imóvel que não é marcada nos relógios, e todavia leve como um suspiro, rápida como um olhar.
E, se algum importuno me viesse interromper enquanto o meu olhar repousa sobre este delicioso relógio, se algum Génio descortês e intolerante, algum Demónio do contratempo me viesse dizer : -"Que é que estás a mirar com tamanha atenção? Que buscas nos olhos dessa criatura? Vês acaso neles a hora, mortal pródigo e vagabundo?"- eu responderia sem
hesitar: - "Sim, vejo a hora: é a Eternidade."
Pois não é, senhora, que fiz um madrigal verdadeiramente meritório e tão cheio de ênfase quanto vós mesma? Na verdade, tive tanto prazer em bordar esta preciosa galantaria que não vos pedirei nada em troca.”

Charles Baudelaire (1821 - 1867), traduzido por Dorothée de Bruchard, aqui.

jorge b @ 02:03 AM | Obs (2)
quinta-feira, 1 de abril, 2004

e deixar o ecstasy ... | espécie: interferências

“Ver o mundo num grão de areia
E um Céu numa flor selvagem,
Ter o infinito na palma da mão
E a Eternidade numa hora."
William Blake (1757-1827)

jorge b @ 02:06 PM | Obs (0)
quarta-feira, 31 de março, 2004

Ícone 8.0 ... | espécie: ícones

- O trunfo é copas não é ?O mundo está repleto de actrizes de revistas cor de rosa e de cinema que teriam dado excelentes actrizes de cinema porno. E, embora não tão frequentemente, o vice-versa também se aplicará.
Não é o caso da húngara Sophie Sweet. Não a imagino num filme do circuito comercial a contracenar com um Harrison Ford. Nem sequer num filme mais cult do Cronenberg. Quem não se lembra daquela tentativa frustrada que o realizador fez em “Rabid”, de fazer um filme como deve ser, com a então estrela porno Marilyn Chambers... Um desastre para ambos. Temos que dar graças às empresas de casting que bem encaminharam a carreira da rainha Sophie dos downloads, a desviaram das secantes cerimónias dos Oscares, para as animadas suites de hotel, certamente sempre com propostas ilusórias, do género, vir a ser a próxima bond girl ou a menina que grita e contorce-se nas mãos do macaco, num próximo remake do King Kong... Tudo papéis onde a bela actriz seria apenas mais uma a experimentar a fama efémera, saltando quanto muito depois para as páginas centrais da Playboy e pouco mais. Carne para canhão, portanto... Bolas, antes carne para carne. É pois nos divx’s, nos jotas e mpeg’s e avi’s, que a já forever young Sophie faz chavascal.
A opinião pública tem as actrizes porno em muito má conta. Não a censuro. Grande parte da actual geração opinion maker cresceu a ver e a esconder debaixo do colchão da cama a mal fotografada e pior impressa “Gina”, e a alugar à socapa filmes porno espanhóis da mais baixa qualidade. Convém esclarecer que um filme porno espanhol de baixa qualidade é um filme com gajas espanholas sem salero, fatelas. E de facto, algures no tempo, período traumatizante houve, mais ou menos coincidente com a expansão das cassetes VHS e dos clubes de vídeo, que muitos camafeus com cara de frete e sotaque castelhano, eram presença assídua no género que, até ao advento da internet, acusou decripitude. A juntar ao péssimo look e performance das interpretes, aquele grão característico da imagem VHS conferia aos filmes um ar ainda mais macabro e degradante. Hoje em dia os écrans planos de 21” e a higiénica qualidade dos suportes digitais, exigem actrizes porno limpinhas, de grande beleza, ultra desinibidas (quer isto dizer, capazes de fazer tudo, sim, mesmo tudo vezes tudo afincadamente), com um sotaque esquisito, de leste, portanto. E Sophie Sweet é uma dessas actrizes, daquele tipo que a cada segundo que passa, a cada gemido que ouvimos, a cada habilidade que a vemos fazer no écran, nos interrogamos como é possível que uma gaja tão bonita (e culta, ora vejamos a foto da actriz num entrevalo entre filmagens) esteja a ser sodomizada por um cigano qualquer, e outros a pagar para isso...

jorge b @ 02:26 PM | Obs (0)

Buster ... | espécie: algures


Buster Keaton

jorge b @ 12:24 AM | Obs (0)
segunda-feira, 29 de março, 2004

A culpa não foi do gato ... | espécie: publicidade gratuita

Ola o passalino!Vejo "Yi-Yi" até onde posso. Já receava que assim fosse. É para já o filme emprestado que mais tempo tive em minha posse. Após duas tentativas que me levaram ao sono, interrompidas depois por uma avaria no DVD, voltei à carga, sentado o menos horizontalmente possível no chão da sala.
Elogiado pela critica reputada e galardoado por Cannes, peça de cinema sono intelectualmente correcta portanto, a pôrra deste filme é um dos mais potentes soporíferos que já alguma vez tomei. E nem à terceira tentativa consegui aguentar os 160 minutos. Ainda tive tempo de ver aquela mãe de família de Taiwan queixar-se ao marido... A sua mãe estava internada lá em casa em estado de coma e, a conselho médico, teriam os membros da família que falar diariamente com a velhota, mãe e avó, contar àquela ouvinte inconsciente, por exemplo, aquilo que faziam diariamente, na esperança de com a conversa fiada a fazerem recuperar consciência. A mãe de família, após algumas crónicas à beira da cama, apercebe-se então o quão sem história é afinal o seu repetitivo dia-a-dia, o quão banal é a sua existência, constata que não sabe mais o que dizer de novo à mãe entrevada. Sim, wellcome to reality, so what ? Aparentemente, este tipo que problema existencial seria mais que suficiente para me resgatar para o filme. Mas não. Não há novidade, é apenas mais uma história passada num decrépito ambiente suburbano com vista para o aqueduto, história igual de milhões de vidas, demasiadamente arrastada e monótona. Pouco mais deu para ver porque adormeci ao som do sono ronronante do meu gato.

jorge b @ 02:07 PM | Obs (2)
quinta-feira, 25 de março, 2004

As pessoas boazinhas são mázinhas (sem vice versa) ... | espécie: revisões da matéria

Sempre tive uma certa aversão às pessoas reconhecidamente boazinhas. Sempre me pareceu que 90% dos actos de bondade ou caridade por elas praticados encerram em si o desejo camuflado de se aproximarem um pouco mais do céu. Local que imagino de lotação muito limitada e reservado apenas àqueles que praticam a bondade sem que se apercebam que a estão efectivamente a praticar. É preciso pois ter descaramento para se ser uma pessoa boazinha. A verdadeira bondade é demasiadamente desinteressada para pedir alguma coisa em troca. E o simples facto de alguém acreditar na existência celestial, não consegue praticar na terra a bondade de forma isenta. Reger-se-á sempre segundo os ensinamentos duma bondade legislada e ineficaz, muito mais religiosa do que verdadeiramente humana. Um tipo de bondade que não enriquece ou faz da pessoa a boa pessoa que todos os que a rodeiam gostariam que fosse. Faz dela antes, no máximo, uma pessoa boazinha.
Por cada acto de bondade que se pratica no mundo, daqueles actos com direito a diploma e até benefício fiscal, há alguém que fica mais perto do Inferno. Não me perguntem porquê, mas é o que sinto. E não estou a fazer confusão com as pessoas boas. Essas, como o próprio nome indica, são boas, simples e humildemente. Assim como as boazonas também o são, boazonas portanto, e não há nada a acrescentar ou a tirar, à excepção de uma ou outra peça de roupa. Agora das pessoas ‘boazinhas’, desconfio sempre. Prefiro antes uma sã convivência com uma pessoa de mau caracter ou mau feitio. Como não creio que, mediocridade clínica à parte, haja pessoas absolutamente más (excluindo aquelas pessoas que não são pessoas), a pessoa com mau feitio fascina-me. E quanto mais esse mau caracter ou mau feito andar a ser publicitado gratuitamente pelos corredores e à beira das máquinas de café, mais me convenço da essência boa que ele encerra, que estará ali uma vitima não de si mesma, como o são muitas pessoas boazinhas, antes vítima de algo realmente mau, que as atormenta e as contagia, e que portanto, precisará de ser exorcizado com doses de frontalidade e personalidade e, se for preciso, sexo. Essas ao contrário das boazinhas dão luta e fazem dos seus defeitos assumidos e impostos, se for possível, a quem as rodeia, um grito desesperado que só alguns poderão ouvir. As boazinhas grande parte delas são mudas e não têm alternativa a serem angélicas boazinhas. Ou isso ou nada... Se demonstrarem um pingo de mau feitio, que nelas existe asfixiado e de forma nunca assumida, borram a pintura toda, passeando portanto pela vida, sempre sobre os bicos dos pés num mundo espelhado a 360 graus. Ao contrário das mázinhas que utilizam o espelho apenas para retocar a maquilhagem, onde qualquer manifestação de nobre caracter, vindo inesperadamente não se sabe de onde, com uma quase naturalidade sobrenatural, brilha nelas mais que toda a bondade do mundo.

jorge b @ 04:40 PM | Obs (0)
terça-feira, 23 de março, 2004

... Interferências ... | espécie: extracções

agora volto que estou castrado
...
sexta feira doze
...
a orelha mouca e rouca, e a língua muda e cega
...
todas as pessoas são mais inesquecíveis que toda a gente
...
se me vires disfarça, finjo que nunca te conheci por dentro e fazemo-nos assim felizes
...
um encontro pode ser um encontrão que não é penalty
...
a realidade em cuecas é mais crua que nua
...
rastejar na tua lama limpa-me de alto a baixo, e de baixo a mais abaixo ainda
...
o fim do mundo é o lugar ideal para se tirar a senha e esperar
...
tempo de reciclagem, entregamos os nossos brinquedos
...
tudo tem um final que pode muito bem não ser um fim
...
apenas se escreve a palavra não, que é de todas as palavras a que deve
tirar mais a
...
história de um até amanhã escrito
...

jorge b @ 03:00 PM | Obs (0)
segunda-feira, 22 de março, 2004

Anedota de elite #6 ... | espécie: anedotas de elite

"Um diplomata americano acusa:
- Em Cuba a situação económica é tão má que as estudantes universitárias têm que recorrer à prostituição para conseguirem sobreviver!
Responde Fidel:
- Pelo contrário, a situação é tão boa que até as prostitutas são estudantes universitárias."
in, "a minha caixa de correio electrónico"

jorge b @ 09:13 AM | Obs (0)
sexta-feira, 19 de março, 2004

Vida moderna, humor negro ou o eterno retorno ... | espécie: fora de blog

Aqui.

jorge b @ 01:53 PM | Obs (0)

O meu querido carrinho ... | espécie: revisões da matéria

Parecem-me muito mais preocupados os políticos com um eventual atentado terrorista que propriamente o povo, o povo trabalhador, eleitor, que curiosamente, foi o alvo principal em Madrid, o alvo mais fácil e mais previsível em futuros atentados. Mas a malta está tão anestesiada com o seu ritmozinho diário, tão atrofiada com os seus pequenos dramas domésticos, conjugais, extra-conjugais e afins que parece marimbar-se para o assunto. Ok, um dia destes sentiu-se tensão no ar rarefeito do metro, quando a carruagem estancou bruscamente antes de chegar à estação do Marquês. E depois aquela muito pouco usual marcha atrás até à estação do Parque fez com que muito familiar dos murídeos (vulgo, rato) desconfiasse dos “problemas técnicos na linha” e abandonasse o navio. Mas o povo, na sua estranha, e não se sabe vinda de onde, sapiência, parece confiar que os cabr*es dos terroristas só atacam com a poeira muito bem assente, e diverte-se quando ouve o ministro dizer com pompa que vai repor as fronteiras. Os terroristas são estúpidos mas não tão parvos ao ponto de atacarem quando se espera.
Também eu por estes dias me sinto demasiadamente despreocupado com mochilas ou carros bombas. Mas há um carro que me preocupa. O meu, onde parece que toda a poeira assenta... O raio do carro está sempre sujo, é um constante atentado à higiene das vias públicas. Parece inacreditável mas aquela chapa azul escura parece ter um desmesurado poder magnético sobre o pó! Parece-me a mim que se deixo o carro estacionado ao lado de outro, passadas umas horas o outro estará limpo e o meu com uma espessa camada de pó, geralmente com palavras de ordem escritas a dedo nos vidros como “lava-me porco”, “preciso dum banho meu animal” ou “o meu dono ainda é mais javardo que eu”... Mas o que posso mais fazer ? Tornei-me exímio na arte da lavagem à pressão, obedeço fielmente às instruções das auto-lavagens, faço tudo bem feitinho, e nunca me esqueço dos 50 cêntimos de água desmineralizada ao terminar a lavagem. Comprei produtos anti-estáticos, cêras, shampoos-auto especiais, toalhitas desengordurantes, sprays polidores, camurças naturais, tudo das melhores marcas... Nada resulta. Uma hora depois da mais exigente e pormenorizada lavagem, já tenho o carro coberto de pó e a porra dum cão a mijar-me as jantes. Já me disseram que pode ser da estação, do pólen que há no ar, que se acumula nos automóveis. Mas se fosse, espirrava. O meu nariz atrai todo o pólen disponível no ar num raio de 500 metros de onde me encontre. Já me aconselharam a levar o carro à bruxa, ao professor Mamaku, pedir um exorcismo, benzer o carro, mas tenho o azar de ser tão céptico que nem sequer acredito que neste momento ainda não tomei o pequeno almoço. Na Primavera é o pólen, no Verão é a poeira, no Inverno se chove é uma desgraça. A chuva lava o ar, mas estranhamente o ar por cima do local onde circula o meu carro está sempre mais sujo que nos outros lados... Estou sempre à espera de um dia ouvir coachar porque, depois de um aguaceiro, todo o carro parece um pântano tal é o estado miserável em que fica aquela chapa.
Tenho vergonha do meu carro. É isso mesmo. Recentemente fui a um casamento e foi confrangedor ouvir a sogra da noiva aconselhá-la a ter cuidado com o “aquele carro azul escuro”, que “seria uma pena ficares com o corpete sujo”. Chiça, tinha acabado de lavar o carro e enquanto todos tiravam as fotos da prache aproveitei para ir lavá-lo outra vez. Fui o único a não aparecer na fotografia de grupo.
E como ainda tenho 40 anos de prestações pela frente, nem pensar em trocá-lo. Apesar da vergonha, eu gosto do meu querido carrinho, e não serão meia dúzia de toneladas de poeira que vão mudar este sentimento. É natural que uma pessoa se afeiçoe ás coisas. O que já não é natural é para além do pó, a lama se afeiçoar ao meu carro. Um dia destes quando saí do carro, reparei que a chapa tinha laivos duma lama amarela, por baixo, atrás de cada um dos quatro pneus que, como se calcula, tinham mudado de cor. O contraste da cor da lama com a cor da chapa até ficava giro e dava ao carro um ar racing. Mas alguém me explique, se não chovia há semana, se tinha vindo de Lisboa por auto-estrada e depois por estrada nacional bem alcatroada, de onde tinha surgido aquela lama ?
Se a brigada de transito fizesse operações stop para medir a taxa de sujidade dos carros, eu seria manchete no “24 horas”.

jorge b @ 12:09 PM | Obs (1)
quinta-feira, 18 de março, 2004

As monjas ... | espécie: lugares

Alinho numa passeata até Portalegre, Convento de São Bernardo, visita guiada por uma dúzia de irmãs vestidas a preceito, monjas que durante vários séculos ali viveram sobre a clausura das tacanhas mentalidades religiosas, interpretadas por alunas da Escola Superior de Educação da terra, curso de Turismo.
À entrada, as boas vindas por um cabo da GNR, que nos avisa, falando sobre os bicos dos pés, que ainda é cedo. Visita só ás duas da tarde. Meia hora portanto para esticar as pernas, descontados 10 minutos para ficar a saber que os géninhos são ‘ocupas’ ali do convento à falta de outro lugar que continua prometido. E já se vê lá ao fundo uma irmã a varrer o átrio, dizendo-me o condecorado que faz parte do cenário. O facto de estar a varrer no mesmo sítio há meia hora é elucidativo. Por detrás, a casinha onde se abrigava uma espécie de inspector de monjas, que mais não fazia que andar de convento em convento certificando-se do estrito cumprimento dos votos. A casinha está agora parcialmente revestida com azulejaria noventista (anos 90 do séc. XX) retratando um exemplar Gênêrrê como que a dizer “estou pronto para ir para o Iraque”!
Veio-me á memória o Convento de Mafra, também ele ocupado pela tropa regular, onde fiz instrução, inesquecíveis tempos e instruções nocturnas. Estes e sabe-se lá que mais outros lugares de retiro outrora sagrados, têm assim sido ocupados por entidades militares, prisionais, e outras mais ou menos belicistas, aparentemente opostas à natureza do espaço, adaptando-o e inevitavelmente adulterando-o a seu bel prazer. Os crucifixos e terços pendurados nos quartos das monjas e freiras, dão agora lugar aos posters das páginas centrais das revistas dos novos ocupantes, recrutas e praças. Os supostos silêncios, a suposta espiritualidade e devoção, dá lugar aos toques de alvorada, à berraria das ordens de comando, ao som das botas a pisar o alcatrão quando há que marchar. Para muitos, estas ocupações podem constituir sacrilégio, mas para mim, esperança... Talvez com o passar dos anos e com a constatação cada vez mais evidente da inutilidade das milhares de igrejas, conventos, mosteiros espalhados por toda a parte, talvez esses monumentos à pobreza de espirito do povo, possam ter no futuro maior utilidade, por exemplo, sendo ocupados por artistas, transformando-os em polos de difusão cultural, ou convertidos, como aquilo que se espera do caso de São Bernardo, em pousadas, poupando-se bastante no betão que novas construções exigiriam.
Já em plena visita guiada, fiquei a saber alguns pormenores interessantes, alguns deles comuns a outras ordens, sendo que actualmente uma tal de Ordem das Carmelitas, será a mais rígida e austera. Ainda assim as monjas de São Bernardo não podiam contactar com o mundo exterior. Aliás, nem podiam falar. Comunicavam através de gestos, como se fossem anormais (pelo contrário, há pessoas normais que não conseguem falar e comunicam por gestos como se fossem mudas e geralmente são-no mesmo). Embora assistissem á missa juntamente com o resto da maralha, estavam no entanto separadas por umas grades que no entanto tinham uma porta, que por seu turno tinha fechadura, que por seu turno tinha uma chave, que por seu turno deveria ter um bolso onde se guardava. De quem era o bolso ? Não sei, mas devia ser de alguém, talvez, com muita sorte... Quero acredita que o nome da terra, Portalegre, não esteja relacionado com aquela porta, mas, digam o que disserem, as monjas emanam uma espécie de encantamento erótico. Apesar de enfiadas naqueles capuzes que mal se lhes vê o rosto, o resto da indumentária larga não consegue disfarçar de todo as formas femininas, como que atiçando a imaginação que, como se sabe, constitui um excelente afrodisíaco para um gajo fanhoso... É que as monjas não podiam tomar banho. O contacto da água com o corpo era considerado pecaminoso, fonte de prazer que, como qualquer outro indicio mínimo susceptível de provocar qualquer espécie de satisfação, era simplesmente banido. Dizer sabonete deveria ser para elas um palavrão. Só por motivos de saúde, as monjas tomavam banho. Curiosamente o poder orgásmico da água nunca seria estudado em profundidade não constando sequer das páginas de aconselhamento intimo das actuais revistas da especialidade.
Uma vez que a falta de higiene não era considerada problema de saúde, não admira pois que o mau cheiro chegasse a léguas, concretamente às sensíveis narinas do Marquês de Pombal que ordenou a expulsão das monjas dali para fora e que já agora tomassem um banho. Inconformadas com a decisão, a monjas, que se não falar sabiam, a escrever eram um desastre. Deixaram para a eternidade nas costas dum cadeiral, dezenas de frases desconexas, a indignação pelo facto de abandonarem o convento. Mais tarde voltariam. Para regalo dos habitantes da terra, que, rezam as crónicas, logo fizeram grande festa.
Agora, perdidas as monjas, ganhas as estudantes da Escola Superior de Educação, continua a haver motivos de sobra para as tradicionais festas de sextas e sábados à noite. Portalegre é muito mais jovem que beata.

jorge b @ 10:03 AM | Obs (0)
sábado, 13 de março, 2004

Canalha terrorista da mochila ... | espécie: mundo

Os terroristas enojam-me. Se conhece-se algum, não vomitava duas vezes... Ia-lhe logo aos cornos. Então quando os imagino a festejarem o êxito das suas acções, porque quase com toda a certeza o farão, apetece-me espetar-lhes logo com o meu vocabulário nas trombas! Duzentos mortos em Madrid... Valerão um cheque, palmadinhas nas costas e uma rodada, oferta da casa, para todos, seus cabr*es ?
E depois, quando estão sozinhos, esses valentes algozes... O que estará a esta hora a fazer um gajo que tenha cumprido a sua parte, tenha há poucas horas atrás colocado uma mochila com uma bomba relógio num comboio lotado de cidadãos anónimos, já de si, coitados, pacatos trabalhadores, as maiores vítimas desse terrorismo diário que é viver modestamente nesta sociedade moderna ? Conseguirá essa espécie de mutante dormir que nem um anjo ou estará vigil a lembrar-se de quando saiu do comboio, esse preciso momento em que não teve coragem de olhar para aquelas dezenas de rostos, as vidas que passavam por si, que entravam no comboio que iria fazer explodir ?... A esta hora, esse gajo, agora sozinho e entregue a si mesmo, desprezível bandido terrorista, terá vontade de alguma coisa, motivação sequer para respirar ? Como será saber e sentir-se sozinho, assassino de centenas de inocentes ? Conseguirá o gajo ter uma erecção, sentir prazer, ter sentido de humor mais algum dia da vida ?... Como será um gajo desses olhar-se no espelho, o que verá ? Droga, álcool, a que recorrerá ele para se camuflar e não se reconhecer ? Ao fanatismo, talvez o mais eficaz esconderijo dele mesmo...
Oh desprezível bandido terrorista, és apenas um pobre e estúpido infeliz diabo. Mas tu és especial porque, se não és psicopata, és então apenas muito mais doentiamente ingénuo que todos nós, porque acreditas cegamente nesses ideais utópicos que no fundo apenas servem de desculpa para a violência gratuita e uma maldade mascarada. Essas causas egoístas que te mantêm entretido e te fazem esquecer os teus verdadeiros dramas pessoais e quantas mais frustrações... No extremo dos mais fracos e falhados, és assim especial porque descobriste a pior das razões para viver, ao ponto de seres manipulado, ao ponto de seres capaz de morrer por logros que julgas sacrossantos, pior, matar indiscriminadamente sem que te apercebas que no fundo não passarás de um fantoche manipulado por outros iguais a ti, mas muito menos parvos que tu.
Segues um caminho sem razão nem desespero, matando inocentes pelas costas, dessa forma mais cruel e bárbara. Não tens vergonha canalha terrorista da mochila, ingénuo e cobarde ?... Não tens vergonha porque é mais fácil matar e bater nos mais fracos que conheceres-te a ti próprio, mísero diabo.

jorge b @ 02:54 AM | Obs (1)
quarta-feira, 10 de março, 2004

A sanita dos meus sonhos ... | espécie: revisões da matéria

As sanitas pararam no tempo! Explico, a sanita de hoje não difere minimamente das sanitas dos nossos bisavôs.
A traça da sanita tem-se mantido inalterável, atravessando gerações, indiferente aos padrões estéticos de cada uma delas. Evoluiu tudo o que estava á nossa volta, excepto o que estava por baixo: a sanita. Até o autoclismo, até o papel higiénico teve uma evolução extraordinária, principalmente nos últimos anos. Da tradicional folha de jornal, ou, se quisermos ir mais atrás no tempo, folha de couve, passámos a rolos de dupla, tripla, quadrupla folha e por aí fora, com ou sem perfume à escolha, mais macia ou mais áspera, ao gosto do olfacto e sensibilidade de cada cum. E não é difícil adivinhar que no futuro o papel higiénico será activo no combate ao hemorroidal, à tromboflabite, à assadura, e que terá outros efeitos secundários, como o alivio do stress, o combate ao colestrol, etc. Agora, as sanitas, essas, pararam no tempo. Continuam a ser aquelas coisas brancas em cerâmica inestética, coladas ao chão, com meia dúzia de gotas de água lá ao fundo à espreita, à espera de nos salpicarem as nádegas.
Falam-me de sanitas hi-tech, que existem. Conta-me um amigo que lhe contaram a ele (está pois esta sanita no domínio da lenda) que um bar algures nas Docas, tem uma sanita, aparentemente igual às outras, mas equipada com um sofisticado sistema de rotação. I.e. o freguês que se segue, carrega num botão e não tem de se preocupar mais com quem ali se sentou anteriormente, porque se irá sentar sobre um rebordo quase novinho em folha, de tanta desinfecção que sofreu. Pois... Se eu visse uma sanita assim, gostava de ter uma fotografia dela comigo ao lado!
Quero crer que a sanita dum Papa, dum Bill Gates não será propriamente igual à minha. Mas por outro lado muito se fala sobre esses e outros senhores assíduos dos tops da Fortune, dos seus carros, iates, aviões, casamentos e divórcios, mas ninguém fala das suas sanitas. O que é suspeito. Se calhar por vergonha, se calhar porque as têm afinal iguais aos outros, as suas sanitas serão um bluff rodeado de um secretismo que para a Caras é tabu e para a CIA um segredo por desvendar à altura das armas escondidas de destruição maciça do Saddam. Apenas o destronado ditador iraquiano ousou inovar nesta área e veja-se o que lhe aconteceu. É celebre a descoberta do seu WC dourado. Sem o saber, Saddam prestava uma homenagem, foi um mártir para todos quantos mundo fora contestam as vilezas desta sociedade materialista, ao ter o prazer de cagar em cima do vil metal.
E bem que precisavam as sanitas uma (r)evoluçãozinha. Se é nítido o inesteticismo da coisa, a praticidade está pelas ruas da amargura. O mulherio massacra os homens porque salpicam tudo. Certa vez uma chefe minha, única mulher no andar, chegou espavorida á secção: Alguém tinha ousado ir mijar à sua casa de banho privativa! Mas como meu deus, como teria a gaja descoberto, pensei, tentado disfarçar. Elementar meus caros, as micropinguinhas, apenas detectáveis ao olho feminino, na tampa da sanita. Alguém que se debruçasse sobre este problema, que inventasse uma sanita hidráulica com altura regulável electricamente, de forma a diminuir a distancia. Além do humilhante mijar sentado, ou do ridículo de joelhos, não vejo outra maneira de evitar os micropingos e salpicos, e assim evitar muito divórcio e mau ambiente no trabalho. Seria a sanita dos meus sonhos.

jorge b @ 04:16 PM | Obs (3)
segunda-feira, 8 de março, 2004

Mudar a fralda ... | espécie: portugal

Oiço na TSF as palavras preocupadas de Presidente Jorge Sampaio, acerca da mais que provável elevada taxa de abstenção da próximas europeias: “(...) a União Europeia é muito importante para nós. O que teria sido de Portugal sem a Europa ?
Ao colocar a questão como colocou, como que a adivinhar uma resposta catastrófica, o Presidente passa um atestado de menoridade e incapacidade ao país, pondo-lhe mais uma chupeta na boca, endividando-o ainda mais, como que transferindo para a Europa uma soberania paternal à qual por força dum eterno agradecimento, a nação terá de se subjugar, e, de preferência, mostrar empenho e gratidão ao votar maciçamente nas próxima europeias.
O recém-nascido humano é de entre todos os primatas, a cria que mais cuidados requer. Após o nascimento e durante alguns anos, sem a ajuda e protecção de terceiros, jamais sobreviveria, de tão frágil e dependente que é... Portugal está longe de ser um recém nascido, antes pelo contrário, será dos Estados mais antigos da Europa, senão do Mundo. Quanto muito teremos uma democracia recém nascida. Mas isso não pode servir de desculpa para a imagem que se cultiva, a de um país que se assemelha a um bébé chorão, agarrado á mama da Europa, e que teima em não crescer, em não ter vergonha.
E o que seria de nós sem Jorge Sampaio ?

jorge b @ 01:35 PM | Obs (3)

Aniversário (entrada no blogger 3/3/2004) ... | espécie: extracções

É verdade, hoje este blog completa o seu primeiro ano de vida. Não posso esconder algum orgulho por ter chegado até aqui, escrevendo regularmente, diria 3 ou 4 vezes por semana. Isto conhecendo-me como me conheço, trabalhando onde trabalho, com a disponibilidade que tenho, é obra. E nem de de propósito, a frase do dia no Citador, aqui ao lado, diz Cícero que "todos acham as suas obras belas". Subscrevo.
Ainda há um orgulho extra, o de ter-me metido nisto algum tempo antes do grande boom dos blogs se ter dado em Portugal, sabendo no entanto que muitos já cá andavam muito antes de mim. Não sou portanto propriamente um pioneiro mas à medida que o tempo passa, vou sendo cada vez mais um resistente. Quanto ao futuro... só a nós pertence.

jorge b @ 10:35 AM | Obs (6)

Anedotomania (post especial: 'collectors edition') 3/3/2004 ... | espécie: revisões da matéria

Ás vezes penso que nunca terei sorte na vida. Por arrasto, nunca serei feliz. Feliz no sentido abstracto e delirante da palavra; isto é, por exemplo, andar nas nuvens a enviar e receber sorrisos de outras pessoas felizes que circulam na vida também nas suas próprias nuvens... É confortável e fácil pensar que a felicidade não existe. Mas a sorte existe e negá-la é impossível... E a sorte pode ser um excelente substituto da felicidade.
Começo a aperceber-me que a sorte sorri cada vez mais àqueles que sabem contar anedotas. Pode ser tudo uma grande coincidência, mas é o que tenho constatado. E por isso fico ainda mais desolado. Nunca tive grande jeito para contar anedotas. Nem grande nem pequeno. Sou uma nulidade. A habilidade exige expressividade e eloquência, coisas que não são propriamente dons em mim. A inteligência não é requisito obrigatório, ao contrário do rosto de quem a conta, que convém ser daquele tipo de rosto que facilmente se possa confundir com a sua própria caricatura. Além disso, a arte de bem contar anedotas exige também uma memória prodigiosa. Há pessoas com um inventário anedotal tão vasto que para elas a carie que andamos a tratar faz-lhes lembrar mais ou menos quinhentas anedotas de morrer a rir. Por exemplo, o meu dentista é um desses, e está sempre a dar-me na cabeça porque me esqueço de ir ás consultas.
Actualmente existe por toda a parte um fenómeno de anedotomania de proporções alarmantes. Na net, por mail deverão circular diariamente milhões de anedotas diferentes ou iguais aquelas que recebemos há dois anos atrás e que certamente ainda haveremos de receber várias vezes ao longo da vida. Na televisão, os malucos do riso e o levanta-te e ri exploram e reforçam a mania de forma lucrativa. Por toda a parte vemos pessoas serem brindadas, reconhecidas e premiadas com muitos amigos e secadores de cabelo, por saberem contar bem anedotas. Não há noite entre amigos numa esplanada que não vá descambar num vazio de temas e ideias, consequentemente, num chorrilho de anedotas. Nas escolas as criancinhas trocam entre si anedotas supostamente proibitivas para as suas idades. Se antigamente provar o fruto proibido era saltar o muro da escola para ir á laranja na quinta ao lado, agora os putos entretêm-se a contar anedotas porcas. E os namorados passaram a substituir as promessas de amor por anedotas. As mulheres gostam de gajos que as façam rir, mesmo que seja da forma fácil e imbecil. A anedota é um anestesiante de curto efeito, mas, se bem ministrado, é o suficiente para convencer o nosso gerente de conta a baixar-nos o spread do crédito habitação. Ou seja, saber contar bem anedotas certas, no lugar e sítio certos, hoje em dia além de poder ser um eficaz elixir para a nossa auto-estima, pode-nos abrir muitas portas e por arrasto, conseguir muitos engates.
Durante anos a fio fui incapaz de reter uma anedota que fosse. Depois de me rir á gargalhada, passados 10 minutos já não sabia do que me tinha estado a rir. Isto era dramático e melhor que ninguém, eu soube compreender muito bem o gajo do “Memento”. Defeito genético ou não, era incapaz de contar uma anedota sequer. Agora já estou melhorzinho, e cada vez que oiço uma mesmo mesmo boa, ainda consigo lembrar-me dela a tempo de escrever aqui no blog.
Para país anedótico, cidadãos anedóticos. E a este respeito julgo existirem ainda imensas minorias de gentinha iletrada sem o menor jeitinho para saber sequer quem é o Fernando Rocha e muito menos contar anedotas. Exigiam-se cursos de formação financiados pelo FSE (vulgo, cursos da CEE). Para o bem comum, qualquer cidadão devia estar habilitado a saber contar e, não menos importante, saber aceitar viver como uma anedota.

jorge b @ 10:33 AM | Obs (0)

Hermanices (post dia 1/3/2004) ... | espécie: algures

Ontem na SIC vi Herman contemplar, com um jantar á pala no seu restaurante, alguém de Torres Novas, suposto autor da melhor anedota da semana. Já no dia anterior lera eu na Maxmen que um leitor tinha sido contemplado com um jogo de pneus de automóvel, por ter sido o suposto autor da anedota do mês. Característica comum a ambas as anedotas: o cú. A do Herman, era a história da pila que andava a trás do cu, e a da revista Maxmen, a história do cartão único (C.U.). A primeira já tem barbas, a segunda já deve ter passado pela caixa de correio electrónico de metade da população dos Palops. Naturalmente que a rapaziada contemplada não foi a autora das anedotas. Mas foi premiada e porque ninguém os acusará de plágio ou reclamará direitos de autor, acabará por receber os prémios. O que acho injusto porque todas as anedotas são património da humanidade e não deveriam ser reivindicadas por quem quer que fosse para proveito pessoal.
...
Ainda ontem no Herman, depois da intervenção dramática de Lili, achei injusto o mérito daquela soberba encenação ter ido todo para a loira e também para o público que, segundo um muito modesto Herman, “esteve muito bem e não se desmanchou”. É que só não viu quem não quis ver, a soberba interpretação do humorista em noite de Oscares. Herman e aquela interpretação de pessoa estupefacta com o que ouvia, aqueles longos segundos como se não soubesse o que dizer depois de Lili se ter retirado, fingindo estar toda f*dida com ele e a sua pandilha por ser o a ceguinha em que todos batem, aquele acabrunhado “Bem, vamos para intervalo e já voltamos!”....
Naturalmente que todos nós sabíamos que tudo aquilo tinha sido uma bela representação, que depois Lili re-entraria triunfante, interpretando aquela personagem radiante a que já nos acostumou... Mas ainda assim Herman fez bem em esclarecer que tudo tinha sido previamente combinado ao milímetro. Faltou só um ligeiro gaguejar para que ele estivesse perfeito...Assim como faltou o prometido comunicado da direcção de programas para mais tarde... ah, é verdade, também isso afinal era só de faz de conta.
...
Há muitos domingos à noite que não via mais que 10 minutos de Herman. E ontem reforcei a ideia menos boa que já tinha do programa e do humorista, assim como aumentou a minha saudade das radionovelas e bonecos que outrora interpretava diariamente na rádio. O programa parece estar feito mais para ele e para trupe do costume do que para o público. São eles quem se divertem à brava quando era suposto ser ao contrário ou pelo menos em proporções menos escandalosas. Principalmente Herman, parece continuar a querer demonstrar á força, como se fosse agora o seu cavalo de batalha, um cada vez mais ostensivo “nós por cá tudo bem”. Parafraseando um dos seus bonecos, “não habia nexexidade!” Depois do seu muito falado cabelo pintado de loiro, ontem até apresentou o programa impunhando maracas e tudo, exibindo ainda, com a sua habitual displicência, as quatro estrelas da noite, debruadas nos mamilos de duas curvilíneas meninas para evitarem educadamente o top-less integral. Desfilaram várias vezes pelo écran manifestando talentos nitidamente importados directamente do strip-club mais próximo. Ok Herman, estás desculpado, as maracas serviam para manteres as mãos ocupadas... Depois de tanto faz de conta, fiquei apenas na dúvida: aquelas mamocas, seriam verdadeiras ou verdadeiras com silicone ?

jorge b @ 10:30 AM | Obs (0)
sexta-feira, 27 de fevereiro, 2004

Passagem ... | espécie: bola

No jogo de ontem à noite entre o Benfica e o Rosenborg, o jogador Nuno Gomes falhou provavelmente da forma mais escandalosa da história do futebol, um golo certo. Entre ele e a baliza a 20 cm de distancia, havia apenas ar...(uma baliza tem 7 metros de largura por quase 3 de altura). A bola veio ao seu encontro e ele remeteu-a caprichosa e incompetentemente para as mãos do guarda redes adversário. Um locutor da TVI logo acudiu em defesa do ponta de lança: "Ele não estava á espera daquela bola..." Desculpem!! Mas se ele não estava á espera daquela bola, de que raio de outra bola esperava ? Que esperava então, num lance de bola parada, ali sozinho, posicionado a menos de meio metro da baliza ? Encontrar o sentido da vida, o amor da sua vida ? Não é função de um goleador esperar pela bola, estar no sitio certo no momento certo, num sítio onde a possa receber e marcar golo ? Um matraquilho não faria melhor!
...
Durante todo o jogo, ouve-se algures um homenzinho aos berros, chamando e gritando constantemente pelos nomes dos jogadores. A camera aproxima-se e foca-o... É Camacho (Camátchô), o treinador espanhol do Benfica. É ele o principal responsável por pôr a equipa a jogar (quase) como deve ser, de os pôr a suar e a comer a relva. Futebol deve ser assim. Ainda a comem de faca e garfo, mas com Camacho, mais alguma berraria e mais algum tempo, acabarão as indigestões, virão os resultados inteiros e não apenas amostras, virão os golos e as grandes exibições, assim venha também uma nova direcção e um ponta de lança sem franjinha. O estilo de Camacho pode não agradar aos jogadores mas agrada aos adeptos, porque sentem que o treinador vibra, sente e sofre o jogo. Há muito tempo que não se sentava e levantava do banco encarnado um treinador assim.
...
No final do jogo, o locutor da TVI volta à carga, quando Nuno Gomes é finalmente substituído:
"Camacho teve ali uma troca de palavras muito interessante com Nuno Gomes quando ele se dirigiu para o banco de suplentes...
(pausa)
Camacho perguntou-lhe, Nuno estás bem ?, ao que o jogador respondeu, Sim estou bem, apenas cansado."
Shakespeare não faria melhor.
...
O Benfica ganhou por 1-0. Mais que suficiente para garantir a passagem à próxima eliminatória.

jorge b @ 09:50 AM | Obs (0)
quarta-feira, 25 de fevereiro, 2004

Até tu Tintim ?! ... | espécie: algures

As Aventuras de TinTim no país da Casa Pia ?
Quadrinhos retirados do albúm "As Aventuras de TinTim no país da Ouro Negro"

jorge b @ 08:17 AM | Obs (0)
segunda-feira, 23 de fevereiro, 2004

"A bíblia é um livro ... | espécie: deus, patrocinador oficial

"A bíblia é um livro de razões, arqueadas umas sobre as outras, impiedosas, mortíferas, cuja principal razão é provar que Deus tem sempre razão, porque está acima dela, o que é uma razão suficiente para, justamente, não ter de apresentar razões." in "Pequeno tratado para uso daqueles que querem ter sempre razão", Georges Picard

jorge b @ 09:44 AM | Obs (0)
domingo, 22 de fevereiro, 2004

O fim da tristeza ... | espécie: fora de blog

Dois artigos muito interessantes, num site de bolsa, sobre Tristeza & portugal. Ou vice-versa.

jorge b @ 08:30 AM | Obs (0)
sábado, 21 de fevereiro, 2004

Nus ... | espécie: extracções

Nus,
Numa madrugada quente,
Na obscuridade,
Conseguem ser verdadeiramente,
Sozinhos.
Não têm o mínimo medo,
Esses medos.
E podiam mesmo morrer a qualquer instante.
Sentem que sim,
Intensamente,
E amam.

jorge b @ 08:43 AM | Obs (0)
sexta-feira, 20 de fevereiro, 2004

Entrevista histórica* ... | espécie: mundo

Ontem à noite, terá sido apenas uma feliz coincidência, a entrevista de Pinto da Costa ter ido para o ar no horário habitual dos .Malucos do Riso. ?
* SIC dixit

jorge b @ 01:38 PM | Obs (0)
quarta-feira, 18 de fevereiro, 2004

1 £ = 1.325 € ... | espécie: mundo

Durante o dia de hoje, os adeptos ingleses para o jogo de logo à noite entre as selecções portuguesa e inglesa serão recebidos no aeroporto de Faro por moçoilas lusitanas que, vestidas a preceito, lhes distribuirão flores e sorrisos. Estarão também a recebê-los grupos de danças e cantares, e antes do jogo haverão ainda outras performances artísticas. Objectivo: manter os .hooligans. sossegadinhos. Isto é, dar um tratamento visivelmente especial, quase de tapete vermelho, a quem menos merece. Na sua maioria, uma cambada de fanáticos com fama e proveito de fazerem sempre porcaria onde quer que vão... Quando deveriam ser recebidos, no máximo, como os outros, talvez até com maior discrição mas subtilmente controlados.

jorge b @ 01:45 PM | Obs (0)

Bryan quem ?! ... | espécie: revisões da matéria

Slave to love . Lavado para amar
It.s only love . Isto é só amor mas passa
Will you love me tomorrow . Apesar da tua amnésia, ainda me amarás amanhã
That.s how strong my love is . Estás a ver o pilar daquela ponte, o meu amor por ti é assim
Crazy love . Amor maluco, à Julio de Matos
The price of love . Querida, esperemos pelos saldos
I love how you love me . Amo como me amas e vice versa, acho eu
This love . Fica com este amor que é o teu número
Falling in love again . Cair outra vez do amor abaixo
Love me madly again . Ama-me, mas agora pode ser á Miguel Bombarda
Is your love strong enough . É o teu amor suficientemente forte ou precisas de vitaminas
My only love . Amo-te ao de leve
Goddess Of Love . Goza-me ou louva-me
Nobody Loves Me . Ninguém me ama com este cheiro na boca
A Fool For Love - Um louco por croquetes
One Way Love . Amor com sentido único e traço continuo
I'm In The Mood For Love . Estou assim com umas ganas para amar que nem te digo
Sweet and Lovely . Doce e com sabor a groselha
Lover Come Back To Me . Amor agora por trás, faz a vontade a mim
Love Me Or Leave Me . Ama-me ou deixa-me da mão

Quem quer que cantasse tantas vezes o amor como canta Bryan Ferry, dificilmente poderia escapar a um rótulo, ser conotado de cantor pimba ou piroso, ou ver títulos de musícas suas serem parodiados num blog de quinta categoria. Ferry escapa a quase tudo isto, mas seguindo a ordem natural das coisas, mais tarde ou mais cedo começará a percorrer o calvário dos cantores românticos em decadência, fazendo primeiro os intervalos de um ou outro concurso de misses, depois pisando os palcos dos casinos, até passar a ser a atracção da noite numa ou noutra festa social mais chique... Se tiver sorte e não acabar os seus dias a fazer a 1ª parte dos Irmãos Catita no Maxim.s! Mas não me parece. E o segredo da longevidade artistica do avô Ferry, está não só na qualidade das letras, como também na sofisticada orquestração das suas musicas, ambientes sonoros intemporais muito intensos e envolventes que assentam que nem uma luva na sua inconfundível voz lamuriante. No seu ultimo álbum, .Frantic., parece ter-se virado mais para o mercado americano, indo buscar algum ritmo às baladas country e aos blues, revisitando também mais assiduamente o estilo rock n.roll dos anos 70, coisa que no entanto ele pontualmente sempre fez questão de fazer. O álbum tem em .a fool for love. o grande Bryan dos velhos tempos e em .hiroshima., 3.14 minutos do Ferry actual e em grande forma.

jorge b @ 08:05 AM | Obs (0)
terça-feira, 17 de fevereiro, 2004

A rosa anã ... | espécie: histórias infilmáveis

Um homem coloca religiosamente todos os dias uma espécie de rosa anã à frente de uma mulher que se apaixona e acaba por lhe dar tudo o que tem. E pela primeira vez na vida ela está feliz porque sente não ter mais nada a dar. Durante algum tempo vive num mundo perfeito onde as únicas flores que existem são as que recebe. Até que, inesperada e inexplicavelmente, o ritual da rosa anã pára. A mulher, de certo modo, estranha a ausência, mas continua a respirar o perfume que ainda paira no ar. E num dia que sabia ser muito especial para ela, o homem vai-se embora deixando para sempre palavras por dizer.
Longe de tudo, o homem tem um sonho onde confessa à mulher que recorre à crueldade sempre que não compreende como pode alguém gostar de rosas anãs. Haverão mais razões mas ele acorda e apercebe-se que afinal tinha sido um sonho. Aliviado, sente-se revigorado e pronto para continuar o seu cultivo.

jorge b @ 10:42 AM | Obs (0)
segunda-feira, 16 de fevereiro, 2004

O Jack é que sabia ... | espécie: fora de blog

Graças ao psicótico descubro Kerouac:.
"A Humanidade é como os cães, não como os deuses (dogs vs. gods, get it?) - desde que não fiques louco, eles mordem-te - mas fica louco e nunca serás mordido. Os cães não respeitam a humildade e o arrependimento.", Jack Kerouac dixit

jorge b @ 08:22 AM | Obs (0)
sexta-feira, 13 de fevereiro, 2004

Crime, dizem eles ... | espécie: interferências

.Quando toda a possibilidade do desejo é usurpada pela propriedade privada, a usurpação da propriedade privada é a única possibilidade de reapropriação do desejo. Contra o crime injusto, o justo crime (...) porque no mundo invertido do dinheiro, só os que se adaptam à podre tranquilidade que se ergue sobre o caos da vida de biliões e biliões de marginalizados, estão ao abrigo da lei..
in, .Manifesto pela associação internacional dos amigos do crime e do pecado, inimigos do castigo. Sejamos todos perigosos sociais!., Ilana e Emiliano

jorge b @ 08:49 AM | Obs (0)
quarta-feira, 11 de fevereiro, 2004

Pode ser que já vos ... | espécie: revisões da matéria

Pode ser que já vos tenha aparecido ou venha a aparecer na caixa de mail. Trata-se de uma sequência de imagens chocantes de um géninho (GNR) acocorado junto a um aparelho caça-multas (radar de velocidade), escondido atrás de um pilar de um viaduto sobre a A1, algures ali para as bandas de Leiria.
Deveria ter eu uns 3 ou 4 anos, lembro-me de uma vez, numa estrada de província, onde muito raramente passava um ligeiro de passageiros, lembro-me do meu pai ter passado sem parar o carro (um lendário Ford Capri) no sinal STOP de um cruzamento, tendo tomado antes, naturalmente, precauções sobre se efectivamente viria algum tractor ou carroça a passar, tarefa facilitada pela boa visibilidade do local. Logo de imediato, 20 metros mais á frente, saltaram dois géninhos de trás de uns arbustos e puseram-se no meio da estrada. A cena foi ridícula, com a minha avó nos bancos de trás num histerismo indiscritível, como se nunca tivesse visto um géninho ao vivo (se calhar não), e os cabr*es ainda a multarem o meu pai por ter o carro com os pneus carecas e com o escape livre (coisas absolutamente normais no pós 25 de Abril). Ora, a julgar pelas imagens denunciadas no mail que mencionei, géninhos escondidos à coca da multa é mal que ainda persiste, mau grado o passar das gerações. Não consigo imaginar imagem mais degradante da condição humana que ver um ser humano á espera que outro semelhante, cometa um .erro gravíssimo., seja apanhado com o pé na argola (no caso, acelerador), para depois lhe saltar hipocritamente em cima. É do mais mauzinho que há no espirito português. Deveria a Guarda ser obrigada a colocar avisos: "Géninho embuscado sorrateira e ignobilmente á caça de multa a 2 KM". Só os estúpidos ou os que se estão cagando para as multas porque têm papel e estão habituados a pagá-las, só esses seriam apanhados. E como há muitos estúpidos, o fluxo de receitas não seria afectado, pelo menos no curto prazo, fazendo-se justiça. Os estúpidos que paguem a crise, sempre disse! Porque não penalizar esta raça com estes e outros impostos, para que tendencialmente fosse extinta, e a seguir passar-se à penalização fiscal de outras pragas, uma purga à grunhice, à ignorância, ao lambe-botismo, ao filho-putismo, ao chico-espertismo e ao corta-unhismo (o pessoal que corta as unhas nos transportes públicos!) ? Este país é uma miséria e não é preciso ser-se nenhum Victor Hugo para o escrever. Precisava da implementação destas e de outras medidas estruturais urgentes que visassem atacar aquilo que verdadeiramente enferma o dia-a-dia do país real e que se tem vido a fossilizar perigosamente na mentalidade portuguesa.
Outra cena macabra, que agora me ocorre, aconteceu no verão passado. Um espanhol montado num jipe, farto de estar na fila de uma auto-estrada, galgou o fosso separador central e mudou de faixa. A cena passou com grande alarde no telejornal da SIC como exemplo de condução perigosa(!!?), com direito a várias repetições e com o Rodrigo Guedes de Carvalho chocado, quase a apelar ao Presidente da República para condecorar o gajo qualquer, português de gema, que de camera de vídeo em punho, filmara tudo, com direito a ZOOM obsceno para a matricula do espanhol. Se isto fosse um país como deve de ser, o voyeur bufo veria a camera apreendida, era obrigado a pagar ele a multa em quadriplicado e o nuestro hermano convidado a fazer uma palestra no CCB sobre condução todo-o-terreno. O raio do espanhol podia ser espanhol mas como não tinha a tolerância preguiçosa nem a pachorrice doentia dos lusitanos, obviamente não estava para estar ali a pastar horas e horas até que a pôrra da bicha andasse. Mudou para uma das faixa do sentido contrário para depois prosseguir por uma estrada secundária ou parar numa área de serviço para beber uma bejeca sem álcool, dando o seu tempo por melhor empregue. E fez muito bem! E assim toda a gente o deveria fazer, sempre que houvesse uma bicha, essa chaga civilizacional dos tempos modernos! Infelizmente neste país ninguém muda de faixa, obedece-se a tudo, suporta-se tudo ordeiramente sob o manto dum civismo falso e cobarde. E como não bastasse, ainda se paga portagem.
Não resisto a referir ainda outra obra da grande casa géninha lusitana, com direito a filmagem e passagem repetida por inúmeras vezes no telejornal da SIC com a benção novamente de São Rodrigo, padroeiro dos bons condutores. Um carro géninho, á paisana como não podia deixar de ser, começa a perseguir impiedosamente o carro de um pacato cidadão que apenas seguia com pressa. A pressa rapidamente se transforma em alta velocidade e depois em condução perigosa. E só tinha que terminar mal esta infeliz sequência. Imaginem de repente terem no espelho retrovisor do vosso bólide, um carro conduzido por uns gajos quaisqueres de bigode a tentarem colar-se a vocês. É natural que o pânico vos invada, que vos venha á memória filmes como .Terror na autoestrada. ou o .Encontros Imediatos do Terceiro Grau.. Naquela situação, acelerar é a única solução. A perseguição terminou com o despiste do carro perseguido e quiçá, a condecoração dos heróicos agentes da autoridade... Mais chapa importada do Japão para a reparação, mais tempo perdido em burocracias de seguros, mais uma entrada no hospital com ferimentos ligeiros, mais um trofeu para a colecção de candid-cameras da GNR, mais uns preciosos minutos de grande informação para a SIC, mais uma razão para nos deixar a todos indignados.

jorge b @ 10:47 AM | Obs (0)
segunda-feira, 9 de fevereiro, 2004

Quando azeda ... | espécie: interferências

A multidão saudou efusivamente a promessa de viagra à borla para todos."
- Quando fazes amor estás a gastar energia; e a seguir sentes-te bem e estás-te lixando para o resto. Eles não suportam que uma pessoa se sinta assim. Querem que estejamos sempre cheios de energia. Toda esta treta de andar cá e lá a dar vivas e a agitar bandeiras é simplesmente a forma que o sexo toma quando azeda.
"
in, 1984, George Orwell

jorge b @ 10:49 AM | Obs (0)
sexta-feira, 6 de fevereiro, 2004

As flores ... | espécie: histórias infilmáveis

Um homem vive o drama permanente de alguém que não consegue fazer estalar as norças dos dedos. Até que certo dia, numa esplanada à beira estrada nacional, conhece uma mulher que era capaz de recitar, sem mexer os lábios, um poema escrito com os olhos fechados. Além disso, a mulher tinha um assobio que se ouvia a vários litros de distância e gostava de mastigar aloe vera esmagada em cubos. O homem estava tão satisfeito e tão automaticamente apaixonado que se pôs a balir, e como tal, correu os jardins mais próximos em busca de flores viçosas para comer. A mulher ficou à sua espera na esplanada e entretanto mandou vir mais um empregado de mesa bem passado. Surgiu de imediato um prato de tremoços com o pedido, que a atendeu melhor que o prato de caracóis, e por isso mereceu melhor gorjeta. A espera pelo homem que tinha ido ás flores e nunca mais vinha, era visível no rosto dum mendigo que pedia boleia aos carros que seguiam no sentido contrário daquele para onde queria ir. Mas ninguém notava.
O homem procurava flores por toda a parte e com o passar do tempo perdera a fome e parara de balir. Na realidade havia um silêncio sepulcral por todo o seu aparelho digestivo. Resolveu que apanharia as flores não para comer, antes para as oferecer à mulher, um sinal do seu amor. Imaginava-a sentada à sua espera e isso excitava-o. Felizmente viu ao longe um lindo canteiro de flores de todas as cores e feitios. Ele sempre preferira flores com mau feito e daí os cravos serem a sua preferência. Reparou no entanto que o canteiro era guardado por dois crocodilos fêmeas que estavam entretidos a comer o poeta que escrevera o poema de olhos fechados. Aproveitando que comiam deliciadas uma estranha genitália, o homem esgueirou-se e apanhou para dentro do bolso das calças o maior número possível de flores. Mas subitamente picou-se num espinho de rosa e gritou f*da-se, o que provocou uma reacção estranha nos crocodilos. Um deles começou a transformar-se num crocodilo macho e o outro engasgou-se. Surgiu um terceiro, que seria hermafrodita, com uma tesoura numa das mãos e uma palmada nas costas na outra. O que se passou a seguir o homem não sabe porque entretanto apanhara boleia duma antiga combatente da grande guerra dos sexos. Durante o caminho contou-lhe como tinha sobrevivido ficando sempre por cima, as camas que tinha conhecido, as peças de roupa que tivera que deixar para trás... O homem parecia conhecer aquele nariz de algum lado, assim como o sabor daquele perfume.... Mas, com a conversa, tinha adormecido e sonhado que estava a chegar à esplanada onde a mulher o esperava fielmente sentada de cócoras. Subitamente o homem acordou e realmente tinham chegado sim senhor. O mendigo que pedia boleia agarrou-o por um braço e puxou-o pelo canudo do depósito da gasolina pelo que as flores ficaram num estado pior que ele. O carro voltou para trás pelo mesmo caminho, agora com os dois ocupantes que felizes cantavam uma musica chamada piloto automático que há muitos anos era utilizada como escape livre.
O homem pegou nas flores e dirigiu-se até à esplanada onde havia um fogo de artificio que formava as palavras esplanada deserta. Parecia que tudo se tinha evaporado, restando apenas as mesas, as cadeiras, e umas cascas de nós que pareciam ter ali sido estrategicamente deixadas ao acaso. Sentiu vontade de ir à casa de banho mas não viu a porta dos homens. Apercebeu-se que não existiam nem portas nem paredes, nem pneus de automóvel ou postes de electricidade. Chamou pela mulher mas como não sabia o seu nome ficou calado. Então ao longe começou a ouvir-se um assobio misturado com o barulho dum motor a diesel que parecia afastar-se cada vez mais. Passou as mãos pela cabeça e rezou para que começasse a chover tónico capilar. Atirou com as flores para dentro das goelas dum porco com peste suína que já ali estava há 5 minutos de boca aberta e fez uma derradeira tentativa para fazer estalar as norças dos dedos. Talvez aquele barulho fizesse abafar o som do assobio que entretanto se tinha transformado numa grande e invisível dor de cabeça. Como não conseguia, montou-se em cima do porco e premiu o botão start. Numa arriscada manobra de marcha atrás, viu-se cara a cara com o poeta que escrevia poemas com os olhos fechados e que entretanto se tinha transformado num estivador sem pernas nem genitália mas de olhos semi-abertos. O porco, reconhecendo-o, vomitou de imediato uma jarra de flores e desfez-se em elogios e foi preciso chamar a empregada da limpeza para apanhar aquilo tudo para dentro dum balde amarelo em forma de alicate. O estivador carregava ás costas um best-seller que o homem se prontificou a ajudar a rasgar. E assim o fizeram até não terem mais forças, nem sequer para pensar no dia de amanhã.

jorge b @ 10:37 AM | Obs (0)
quarta-feira, 4 de fevereiro, 2004

Tarde de mais ... | espécie: revisões da matéria

Daqui a pouco vou fazer mais uma tentativa para descobrir o sentido da vida.Há pessoas que, parece-nos a nós, estão sempre á beira de .qualquer dia cometerem uma loucura.. Não falo daquelas que fazem dos sapos a sua dieta diária, que heroicamente se contêm e não vão às trombas a quem merecia. Falo daquelas pessoas que facilmente podemos imaginar no alto do Empire State Building a dizerem "Adeus mundo cruel!". Esse tipo de pessoas que no fundo só dão preocupações, são umas chatas do caraças, só querem atenção e mimos que muitas vezes nada fazem para merecer, e apesar dos constantes e dramáticos queixumes e choradeiras, é vê-las renascer para a vida depois de recorrerem a pequenos elixires da felicidade, como podem ser por exemplo uma bugiganga comprada em qualquer loja dos trezentos ou o assistir a mais um episódio da telenovela.
Eu devo ser do tipo de pessoa que talvez se suicidasse, talvez possa transmitir essa sensação a quem me conhece superficialmente... ou mais ou menos superficialmente também... quem sabe, profundamente.... Mas apesar das probabilidades disso acontecer serem razoáveis (0,00000016011971%) asseguro a mim mesmo que jamais acontecerá. Aliás, escrever ajuda muito as pessoas do meu tipo. Quem sabe quantos milhares de suicídios terá evitado o Blogger! Ou pelo menos adiado. E além do mais o suicídio é um cocktail obsessivo de desespero e coragem que jamais seria capaz de beber. E por outro lado, gosto demasiado de donuts para deixar que semelhante ideia utilize os recursos de sequer um dos meus preciosos neurónios.
Lembro-me de um apresentador da TVI que há uns anos atrás se atirou da ponte sobre o Tejo abaixo. Certamente pertenceria ao grupo daqueles que nunca ninguém iria imaginar... São esses os que constituem o principal grupo de risco, os que não recorrem aos ombros dos amigos, às lojas dos trezentos, à linha SOS suicídio, os que, enganados, se têm por inúteis, que julgam já terem lido e visto tudo ou não haver mais nada a aprender, os que sofrem verdadeira e interiormente angustias inimagináveis sem o demonstrarem aos outros, os mais sozinhos do mundo, os que realmente são capazes de transformar a própria existência em algo de irresolúvel, a vida em algo de .tarde de mais..

jorge b @ 11:43 AM | Obs (0)
terça-feira, 3 de fevereiro, 2004

Fwd's ... | espécie: fora de blog

I.
.
1) Vá a www.google.pt
2) Escreva ou copie daqui: weapons of mass destruction.
3) Não carregue em Search!!
4) Em vez disso, fazer click em "Sinto-me com sorte"
5) Ler a mensagem de erro com muita atenção!

.
II.
Uma petição para forçar a A.R. a debater e acabar com esse escândalo vergonhoso que é alguém, só porque é ou foi deputado, ter direito à reforma mais cedo que os pacóvios (eleitores) que votaram nele. Assine aqui.
III.
"
Os políticos são como as fraldas.
Devem ser trocados constantemente e sempre pelo mesmo motivo.

"
IV.
Uma das mais espectaculares acções terroristas (militares) de sempre dos Estados Unidos, cujo resultado pode ser visto aqui.

jorge b @ 08:44 AM | Obs (0)

Fight Clubs ... | espécie: mundo

Num claro voltar à normalidade que já tardava, após o fatídico acontecimento do anterior fim de semana, o fugaz episódio de foirada de meia noite do passado jogo de futebol em Guimarães, entre a equipa local e o Boavista, veio mais uma vez demonstrar o calibre do futebol português e constituiu um excelente teste à qualidade do mobiliário multiuso que equipa os nossos novos estádios de futebol. Temos justificados motivos para estar orgulhosos daquelas cadeiras em plástico, reforçadas com fibra de vidro, e que, como todos vimos, apesar de arremessadas violentamente contra o chão e até contra os árbitros, não se partiram ou racharam sequer.

jorge b @ 08:03 AM | Obs (0)
segunda-feira, 2 de fevereiro, 2004

Turismo Goole, pelos links de Portugal ... | espécie: mundo

Portugal, país hospitaleiro


500.001 ...
500 mil afectados pela fibromialgia, o síndroma de fadiga crónica.
500 mil incontinentes
500 mil diabéticos
500 mil com disfunção eréctil
500 mil asmáticos ou com rinite alérgica
500 mil casais inférteis
500 mil depressivos
500 mil alcoólicos
499.999 ...

Somos só 10 milhões! Poucos mas... doentes.

Fonte: sites da internet, via motor de busca.

jorge b @ 09:04 AM | Obs (0)
quinta-feira, 29 de janeiro, 2004

Avé Morpheus ... | espécie: revisões da matéria

Deixa-me chonar agora só meia horita, querida.A coisa mais importante do mundo é o sono, condição primeira para se atingir qualquer objectivo honesto na vida ou não se estar constantemente a abrir a boca. Um santo sono, é meio caminho andado para depois estarmos bem acordados. Como convém, é preciso ter previamente vontade de dormir ou até mesmo força de vontade para dormir. Infelizmente, por todo o lado, faz-se a apologia dos pouco dormidos e mal acordados. O sono dos outros é o maior dos impecilhos ao progresso das grandes contas bancárias. A dormir ninguém trabalha nem consome, e vai daí, não adormeçam, ou, melhor, durmam acordados, que lhes contamos umas estórias. É impressionante a lata dum locutor de televisão quando ás 7 da manhã dá os bons dias à malta e deseja que .fique bem na nossa (deles) companhia.. Daí a dez minutos não o vemos e já está o gajo é na boa companhia da boazona nova assistente de realização, escondidos os dois atrás das bobines das telenovelas. Ao almoço, outro locutor é capaz de voltar á carga .que bom que é tê-lo aí desse lado. e um gajo à cotovelada com outros, a lutar por um lugar ao balcão do snack-bar! E à noite, outro, em vez de ser boa pessoa e aconselhar a malta a ir para a cama, promete-nos antes bons filmes e excelentes séries se formos bons meninos e ficarmos acordados até às tantas! Se fossemos na conversa deles e mais o raio c'a parta da TV interactiva, nem precisávamos de desviar os olhos do ecrã para satisfazermos todas as nossas necessidades de consumo e afecto.
Assim como os maços de tabaco têm inscritos aqueles recados medonhos, os programas de TV, depois das 9 da noite, deveriam exibir avisos ao telespectadores incautos, alertando-os para os prejuízos que poderiam advir para a sua saúde física e mental, a longa exposição a uma televisão ligada e com boa imagem, à mais que provável ocorrência de um sono de poucas e mal dormidas horas. E a partir da meia noite, deveriam haver programas especiais dedicados a pessoas com insónias e um canal vocacionado só para sonâmbulos, verdadeiro serviço público de televisão.
Uma noite mal dormida é sempre visível num rosto com ou sem barba, por mais betumado ou bem escanhoado que esteja, por mais .look fresh cream. que se ponha á volta das olheiras. Um rosto radiante e fresco tem muito mais probabilidades de captar a atenção, de brilhar, de encantar, de engatar os outros ou as outras! Ok, ponhamos de parte a conversa maliciosa, as performances sexuais dos que se dizem capazes de estar uma madrugada inteirinha entretidos a não deixar mais ninguém dormir no prédio. Bem aventurados esses ? Tudo bem, há quem seja muito aldrabão, não pregue olho por eventuais boas razões. Mas, e no dia seguinte, como é estar ás 9 em ponto, dizer .bom dia chefe., cair para o lado e começar a roncar ali mesmo no meio do gabinete ? Mas mesmo o sexo é um elixir do sono. Prova-o os milhares de cartas de leitoras das revistas femininas, que atafulham as páginas dos consultórios sentimentais, queixando-se do sono que os parceiros sentem logo após o .agora é que estava a ser bom.. Uma resposta para todas elas: .Não sabem o que perdem.. Haverá sono melhor que aquele, o descanso do guerreiro ? Que mania têm as mulheres de se armarem em consultoras da certificação ISO para o desempenho sexual!
É incrível como é que em pleno século XXI, a meia dúzia de anos de conseguirmos cultivar batatas em Marte, o quão se menosprezem as coisas realmente importantes da vida, como a irradicação da estupidez, onde pára à noite a Marisa Cruz, ou os segredos dum sono bem dormido, essa atmosfera essencial sem a qual a vida acordada seria ainda mais irrespirável.
Truque para adormecer bem e dormir mais ou menos bem:
Coloque-se em posição fetal e começar a imaginar cenas completamente impossíveis com personagens nossas conhecidas mas com personalidades adulteradas e altamente inverosímeis: o chefe com bom senso, a colega do lado sem saltos altos, o colega da frente sem gel no cabelo, o vizinho sem dívidas, a prima com menos 50 quilos, e por aí fora, todos reunidos num ambiente surrealista a la Salvador Dali, a jogarem golf ao pé cochinho com uma bola de raguebi. Neste cenário delirante, no estado de torpor mental em que cada vez mais se encontrará mergulhado, adormecerá antes que alguém enceste a bola.
Dica para ter uma noite descansada
Livre-se de problemas de consciência. Se ainda assim tiver dificuldades, livre-se da consciência.
Estratagema para adormecer, dormir que nem uma pedra e pagar uma factura de luz exorbitante
Todas as noites faça um litro de chá de flor de laranjeira, sente-se em frente a um televisor, tire-lhe o som e vá sorvendo o chá por uma palhinha. No dia seguinte não se esqueça de desligar a televisão antes de ir trabalhar.
Manha para não estar com insónias, preocupado com o dente que vai ter que arrancar no mês que vem
Faça pela vida, tente que a sua dentista seja sua amante. A enfermeira que lhe segurar as mãos enquanto estiver de boca aberta, convém que seja um modelo em part-time da Central Models que esteja de bata branca desapertada e em top-less, e que a empregada que recepcionou a consulta tenha um fraquinho por si. Arranje estes e outros motivos (a empregada de limpeza do consultório, tenha um fetiche por ela), manobras de diversão mental para diluir a angustia no desejo. Terá um sono mais tranquilo.
Artifício para evitar dar voltas na cama à noite
Ame, apaixone-se, desde que não seja por outra pessoa.

jorge b @ 04:55 PM | Obs (0)
quarta-feira, 28 de janeiro, 2004

Reallity Death ... | espécie: revisões da matéria

Mas esta gente nunca se tinha apercebido da corda bamba que é a vida ??! O que é que pensam que isto é afinal ? Ok eu falo de boca cheia, tenho-me na mesma consideração orgânica e existencial de uma formiga. No universo, no tempo, ocupo apenas um ínfimo espaço a mais que um insecto. Sempre soube que a todo o momento um pézorro qualquer me pode esmigalhar e sempre vivi bem com isso e também bastante desconfortável às vezes. Falo eu, este ateu incurável, homem de nenhuma fé... Claro que me comovi com a morte do Feher!... Principalmente quando a ouvi anunciada na TSF, quando no dia seguinte de manhã não se falava de outra coisa, quando ouvi os testemunhos, quando repetiram aquela parte dramática do relato atá então igual a tantos outros. Mas daí a ter pesadelos, a entrar em depressão, a ficar em transe a olhar para as incontáveis repetições daquela morte na televisão, daí a ganhar uma nova ou perder qualquer perspectiva de vida ?!!...
For god sake, não entremos em histerismos, sejamos razoáveis, guardem os vossos Klennexs para outras alturas, que infelizmente a todos calham. E a morte pode ser assim, exactamente como foi naquele Domingo à noite, dum momento para o outro. Nada fotogénica, portanto. Mas também se pensarmos que neste momento meia dúzia de células com mau feitio podem muito bem estar rebelar-se algures nas entranhas do nosso corpo para nos lixar a vida, sem que sonhemos com tal, não será isso que fará com que fiquemos mal no retrato. É "simplesmente" o que pode realmente acontecer a qualquer organismo vivo com pelo menos uma célula viva! E vamos andar f*didos por causa disso ? Claro que não! Estamos é mal habituados. Em televisão nunca assistimos aos momentos derradeiros duma vida real. Nas notícias vídeo da vida real, vemos o antes e, maioritariamente, o depois, algo que é sempre mais um "reallity show" obscenamente espectacular que algo realmente dramático. De entremeio, intenções, movimentações de tropas, outras manifestações pirotécnicas, a destruição mais material que humana, a realidade mantida a grande distância, como prova o telecomando da televisão, como prova a ilusão de Poder na qual todos nos viciamos.
Aguentemo-nos à bronca porque tudo vai continuar na mesma depois do minuto de silêncio.

jorge b @ 02:50 PM | Obs (0)
terça-feira, 27 de janeiro, 2004

A quem é que passo o cheque ?... ... | espécie: algures

MONICA SINTRA pelo incrível preço de 11,00. com tudo incluído

jorge b @ 10:32 PM | Obs (0)
segunda-feira, 26 de janeiro, 2004

Oportunidade perdida ... | espécie: lugares

Bons velhos tempos.Situada na margem sul do Tejo, no Concelho do Montijo, a freguesia da Atalaia parece mergulhada numa terrível angustia. Já lá vão os tempos em que da fonte da aroeira, local da aparição de Nossa Senhora, brotava aquela água milagrosa que muito mal matava, do corpo e do espirito, tantas aplicações teria, desde curar calos até expulsar teimosas solitárias, e maus cheiro e feitios. Agora, segredo bem guardado, é aguinha 'del cano' que alimenta a fonte, outrora local de peregrinação diária para muita gente das muitas freguesias em redor.
Poucos saberão do gato que, anualmente por alturas das festas da Nossa Senhora da Atalaia, é vendido por lebre. Muito devoto por aquela altura de foguetes e farturas, ainda ali vai lavar-se e recolher o ainda afamado liquido. Mas a verdade, e como conta convicta habitante da terra da qual não vi a mínima razão para desconfiar da sua honestidade, a verdade é que não mais correu a água milagrosa desde que em 1962 a câmara municipal ali decidiu aprumar o espaço, dar-lhe outro ar mais asseado, como só as câmaras da área provinciana de Lisboa sabem dar. Construído monumento, onde pontifica um cone cuja utilidade ou razão de ser, qual monólito à boa maneira Kubrickiana, é mistério dado a muita especulação, a fonte secou de forma não menos milagrosa, e logo se tratou de ao cimento acrescentar a necessária canalização para que gota não faltasse nos meses de parca pluviosidade. E lá está aquela poça de água insalubre, de contornos devidamente acimentados, água preta, podre (mas sem cheiro, será milagre ?), apenas o suficiente para o gasto, o gasto, que é "um ou outro maluco que uma vez por outra ainda ali vai lavar a cara ou os pés" fora da época oficial.
Depois de lograda a hipótese de ter o aeroporto como vizinho, depois de muita terraplanagem feita, ter visto embargada estrada fina que ligaria a freguesia mais rapidamente ao Montijo, o habitante da Atalaia lá se vai resignando, desiludido com o seu destino feito de oportunidades perdidas: "Podia ser o culto a este sítio maior que o do santuário de Nossa Senhora de Fátima". A concorrência só podia ser salutar, e quem sabe, os dois pontos de peregrinação criariam sinergias entre si, multiplicando o número de pessoas que rastejam e o consumo de cera per capita, servindo de inspiração maior a outras localidades do país para que tivessem, também elas próprias, as suas aparições e locais milagrosos de culto, um importante factor para o desenvolvimento económico das regiões. No caso da Nossa Senhora da Atalaia, que apareceu sobre a aroeira, havia no entanto a vantagem de não existir prova testemunhal humana da aparição, coisa que, (vidé os três pastorinhos) como é sabido, nestas situações só atrapalha, levanta polémicas e climas de suspectione sobre a sanidade mental dos intervenientes, a sua vulnerabilidade e capacidades intelectuais, calunias inoportunas que perduram para sempre.
Na Atalaia, apenas uma lenda e, até há pouco tempo, uma prova testemunhal hídrica, a comprovar a breve e inglória estadia da virgem. E com a secura que os Espanhois impõem aos nossos rios, nada me admirava que tivessem feito o mesmo a esta fonte santa, secando-a, desviando a sua preciosa água milagrosa para irrigar os seus laranjais. Mal empregada água.

jorge b @ 04:18 PM | Obs (0)
quarta-feira, 21 de janeiro, 2004

Os filhos da puta têm sempre razão ... | espécie: revisões da matéria

1. Um gajo qualquer com pressa vai no seu automóvel atrás de outro que vai a 40 à hora numa recta com 50 Km mas que, vá lá saber-se porquê, tem um traço contínuo. Não vindo carros no sentido oposto, o gajo com pressa passa o traço contínuo e ultrapassa o outro que fica indignado e começa a buzinar até mais não.
Quem é o filho da puta que tem toda a razão ?

2. Um gajo qualquer com pressa vai atrás de outro que parece fazer questão de acelerar quando há uma recta sem carros no sentido oposto, e des-acelerar quando surgem carros que impossibilitam a ultrapassagem legal. Há já uma hora nisto, farto desta merda, o gajo com pressa decide ultrapassar pela direita, pela berma, atirando com terra para cima do parabrisas do outro que fica a buzinar até mais não.
Quem é o filho duma grande puta que tem toda a razão ?

3. Numa enorme fila de trânsito, há cerca de meia hora que um gajo qualquer com pressa tem o pisca aberto tentando mudar para a faixa à sua direita, que anda melhor. Repara que tem finalmente oportunidade porque o carro mais próximo está 100 metros atrás em marcha lenta. Quando começa a fazer a manobra, o animal vem lá detrás todo acelerado mas tem que fazer uma travagem brusca porque o outro com pressa meteu-se á frente. Insatisfeito, fica a buzinar até mais não.
Quem é o grande filho duma grande puta que tem toda a razão ?

* Á luz do Código da Estrada, da Lei.

jorge b @ 02:23 PM | Obs (0)
terça-feira, 20 de janeiro, 2004

Alívio ... | espécie: algures

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- Os pais da Zézinha vão-se divorciar.
- Não me digas!...
- É verdade. Mas pelo menos já lhe compraram o telemóvel com câmara fotográfica que lhe tinham prometido.
.

jorge b @ 10:13 AM | Obs (0)

Barulho ... | espécie: algures

"Faz barulho.: Inscrição luminosa na parte frente de um camião. (in, estrada de Fernão Ferro)

jorge b @ 10:11 AM | Obs (0)
segunda-feira, 19 de janeiro, 2004

Quinta ... | espécie: lugares

Não sei se existem estatísticas sobre o assunto mas arrisco escrever que a Quinta do Lago, no Algarve, será o local do planeta onde se gastam mais metros cúbicos de água por habitante. Não é que aquele tipo de habitante exagere no duche. Serão antes as características daqueles solos permeáveis, antes os campos de golfe e os jardins luxuriantes que circundam as casinhas pouco habitadas, autênticos sorvedouros.
Talvez bem ciente disto e imbuído dum espirito ecológico, o habitante da Quinta, á saída da mesma, para além do agradecimento pela visita, escrito num lindo placard, logo abaixo não deseja boa viagem mas faz um apelo: .poupe água.. Fiquei sensibilizado. Compreendamos, deve ser chato falhar um buraco porque a bola não rolou bem num naco de relva seca, porque faltou água ao green, porque algures houve quem não a poupasse.
Acho que vou deixar de regar o meu .bonsai. diariamente e passar a fazê-lo só de dois em dois dias. Custa a todos.

jorge b @ 02:04 PM | Obs (0)
sexta-feira, 16 de janeiro, 2004

Ultímo recurso ... | espécie: revisões da matéria

40% é a percentagem de homens portugueses que recorrem a prostitutas, segundo uma sondagem qualquer. Não vejo motivo para tanto alarde. Lá que mais metade dessa malta não use preservativo, isso sim é preocupante. Quanto à percentagem de clientela, o número pecará por defeito, estou em crer, tal é a avalanche de pequenos anúncios, chats, webcams, páginas de teletexto, clubes de swing, bataclãs, sites institucionais de empresas de escort girls, fortes indícios eróticos de uma forte procura e uma cada vez maior oferta, uma dinâmica de mercado que não deixa ninguém indiferente. E onde se lê erótico, leia-se pornográfico, onde se lê oferta, leiam-se mulheres de todas as nacionalidades, desde matulonas brasileiras a frágeis meninas asiáticas, passando por esculturais moçoilas dos países de leste. Ponto comum a todo este gajedo, um sotaque... E é aquele excitante tipo de sotaque, de quem se nota fazer um esforço tremendo para se adaptar á nossa complexa língua mãe, é aquela pronuncia erógena (embora um .Ai Xim, xim, num pairisze, maisze, maisze!.... beirão também terá que se lhe diga!) que faz o predador lusitano esquecer a fauna autóctone e recorrer sistematicamente a serviços pagos em euros. A verdade é que, graças à imigração, temos sido assaltados ao vivo por um novo tipo de mulher, aquele tipo que só julgávamos encontrar nas revistas que nas bancas estão sempre seladas a plástico ou nos calendários da parede da oficina do nosso mecânico. Com a chegada duma nova geração de gajedo estrangeiro, principalmente de leste, o rapazola português passou a ter permanentemente á sua disposição mulherio até então geograficamente inacessível, o tipo de mulher estilo gaja mesmo mesmo boa, muito diferente do produto aproximado, as sazonais nórdicas peles vermelhas, as quais há já muito que nem com os copos íamos. Actualmente não há bar de alterne que não apresente orgulhosamente o seu momento de strip-tease com variadas atracções internacionais, enquanto a esse nível o produto nacional arrasta-se pelos pouco rentáveis mas não menos dignos peep-shows.
É certo que as portuguesas são tão boas ou melhores que as outras. Mas é igualmente certo que o homem português padrão está a muitos suspiros luz dos ideais de beleza masculina que elas anseiam. Não temos a barba por fazer do Viggo Mortenson, os olhos de puto reguila do Tom Cruise, a farta cabelenga do Brad Pitt, a espiritualdiade do Woody Allen ou a conta bancária do Michael Douglas (antes de se casar com a Catherine) e muito menos somos príncipes Albertos. São por estes sucessos de bilheteira que elas suspiram. Delas, o vulgar portuga só recebe indiferença, demonstrações evidentes da máxima antes sós que mal acompanhadas, antes um sonho milionário que uma realidade com caspa ou mau hálito. E não raros são os casos de gajas mesmo mesmo boas portuguesas que conhecem os aeroportos e hotéis de meio mundo melhor que as Docas. A verdade é que a mulher portuguesa boazona e sofisticada (as duas coisas ao mesmo tempo) é cada vez mais inacessível ao comum mortal e ainda por cima teso lusitano. Ao contrário das outras, as boazonas e desanuviadas estrangeiras que se mostram muito mais acessíveis e receptivas a qualquer cartão de crédito, mesmo de baixo plafond.
Qualquer gajo que tenha a má sina de não ter nascido com charme, status, com o cu virado para a política ou para o show-bizz, que não tenha 40 ou 50 anos bem sucedidos e conservados, ou simplesmente não seja sócio dum clube de golfe, não está em condições de açambarcar modelos, actrizes, jornalistas e outras gajas boas topo de gama por enquanto ainda anónimas, que as há por aí aos molhos, à espera de alguém que lhes faça um back spin como deve ser.
O vulgar português se quiser ter acesso à companhia estimulante de uma gaja mesmo mesmo boa, tem mesmo mesmo que pagar ou então dar uns saltinhos ocasionais ao Algarve ou a outras zonas turísticas (Sesimbra, Costa da Caparica, Bairro Alto...) onde felizmente, mesmo em época baixa, ainda abundam estrangeiras sem fins lucrativos em busca do mito do homem latino: .Élou, ai meique colectione ofe neimes ofe biutiful uimines. Uóte ize iour neime darelingue ?.. Esta nunca falha(va)!

jorge b @ 12:01 AM | Obs (0)
terça-feira, 13 de janeiro, 2004

Bom faro ... | espécie: interferências

"Após um silêncio tão longo, um grito débil, logo abafado. É impossível saber que género de criatura o soltou e continua a soltar, se é que é o mesmo, de longe em longe. Seja como for, não é um ser humano, aqui não há seres humanos, ou, se há, deixaram de gritar. A culpa será de Malone ? Será minha ? Não terá sido apenas uma simples bufa, há-as tão pungentes ?", Beckett, in "O Inominável" (Assírio & Alvim)

jorge b @ 10:07 AM | Obs (0)
segunda-feira, 12 de janeiro, 2004

Notícias do Espaço ... | espécie: publicidade gratuita

Helena debita a lengalenga do costume para o diário de bordo, uma maquineta muda com luzinhas, como não podia deixar de ser. É o mote para mais um início dum episódio do Espaço: 1999 . 2ª Série.
A Sylvia farta do Gerry Anderson (casal que na vida real produzia o Space 1999) pediu o divórcio e quem se lixaram foram os fãs dos até então 24 episódios (1ª série). Pior sorte tiveram o professor Bergman, Paul, Kano e Dr. Mathias, que perderam o ganha pão, simplesmente desapareceram dos novos episódios sem explicação e jamais será feita uma alusão aqueles heróis (sei lá, por exemplo, o Koening num ataque de nostalgia podia dizer para o barbeiro da base lunar "Hoje faça-me um corte á professor Victor Bergman!"). Dos restantes ilustres, Sandra é agora tratada por "Sahn" e muitas vezes substituída por uma chinesa qualquer, e Alan tem uma presença irregular.
As histórias giram á volta dos casalinhos Koenig e Helena, Tony e Maya. Imaginem o Dallas passado no espaço... É quase. A Dra. Helena deixou o seu habitual ar impassível estando agora mais assanhada. Continuo a conseguir imaginá-la de lingerie e saltos altos, mas vejo-a também com um chicote na mão, o que é assustador e não faz o meu género. A recente aquisição Tony, como o próprio nome indica, é um ciumento com um sotaque estranho, obcecado pela Maya que por sua vez é mulher para deixar todos os extra-terrestres com água ou qualquer liquido similar na(s) boca(s). Os sacanas têm bom gosto. O Koenig, como já não anda mal encaminhado pelo desgadelhado Bergman, agora anda sempre penteadinho com risquinho ao lado.
Mas as alterações não se ficaram por aqui. O novo produtor americano, um tal de Freiberger, mudou a musica e o genérico iniciais e alterou radicalmente o cenário do Centro de Controlo, tornando-o mais claustrofóbico e banal. Elas agora usam saias, eles camisas com gola e casaquinhos.
Felizmente mantiveram-se os realizadores e técnicos, e algumas histórias são muito bem apanhadas, contendo diálogos de antologia, como este entre Koenig e um gajo que se materializa em pleno Centro de Controlo da base lunar Alfa, auto-intitulado de o Criador:
KOENIG: "Quem é você ?"Só uso o bigode assim para agradar a Maya!
(DEUS?):"Sou o vosso Criador."
DR. EVIL: Right!!!!.... (vide "Austin Powers")
(DEUS?):"Tudo bem, não precisam de se ajoelhar para me adorarem."
KOENIG: "Não é esse o nosso estilo."
(DEUS?):"Está a duvidar das minhas credenciais ?"
KOENIG: "Ainda não apresentou nenhumas."
(DEUS?):" Oh, não o censuro. Todos essas mui imaginativas obras de ficção a que vocês chamam de religiões, repletas de falsos deuses, atrofiaram-vos a mente. No entanto, asseguro-vos que eu sou aquilo a que se pode designar por artigo genuíno..
ESPECTADOR, EU: Sim sim, e eu sou o Napoleão! Espetem-lhe já com um raio laser no focinho!
(DEUS?):"Vocês terrestres sempre foram a mais céptica das minhas criações."
KOENIG: "É a nossa maneira de ser. Já devia saber isso.."
(DEUS?):"Cépticos, cínicos, ruins.... Talvez por isso sempre tive um fraquinho por vocês..."

jorge b @ 08:50 AM | Obs (0)
sexta-feira, 9 de janeiro, 2004

Para acabar de vez com os Reis Magos ... | espécie: revisões da matéria

Apesar de unanimemente celebrados como três gajos ricos e porreiros que ficam sempre bem em qualquer postal de natal ou quadro da Idade Média, acredito seriamente que por detrás do aspecto pachorrento dos reis magos, esconde-se algo de muito pouco nobre.
Os historiadores interrogam-se sobre se realmente teriam existido tais figuras patéticas, e a terem existido, por que raio teriam três majestades de longínquas e mal identificadas paragens que se supõe seriam lá para as bandas do actual Iraque e Irão, o que teria feito três árabes, muçulmanos portanto, deixado os seus ricos haréns, o conforto dos palácios das mil e uma noites, outras tantas odaliscas, por uma longa caminhada de camelo por desertos alheios ? Azia ? Falta de apetite sexual ? Penso que existirão sérias razões para se duvidar daquela espécie de altruismo. Não nos esqueçamos da comprometedora paragenzinha documentada, no palácio de Herodes. Não só pararam para atestar os camelos como também para encher os ouvidos do palhaço anfitrião que lhes terá implorado para que quando descobrissem em que palheiro nascera o messias, lhe viessem logo contar que também lhe queria ficar nas boas graças. Ao que parece, os tipos não bufaram, daí o maluco ter entrado em histeria e mandado matar aquela carrada de putos a torto e a direito. Centenas, talvez milhares de inocentes, sacrificados em nome de um. Deve ser difícil para alguém crescer sabendo disto.
Mas o trio não deu com a língua nos dentes, não se evitando infelizmente o morticínio, porque talvez tivesse ficado convencido de que sortiriam efeito as suas .prendas.. E que prendas levavam aqueles antepassados dos homens bombas dos nosso dias! Analisemos à luz da moderna ciência o que estes três amigos ofereceram ao puto Jesus. Chupetas, fraldas, biberões, bonequinhos da Chicco, leite em pó ?... Nada disso. É certo que também não lhe ofereceram um saquinho cheio de urânio empobrecido, mas terá sido por falta de lembrança ou então um quarto rei mago que por descuido se ficou pelo caminho. Mas o que ia nos alforges daqueles três já bastava para cumprir o objectivo: levar o caos e a destruição á família do velho José. Analisemos as nefastas prendas:
Ouro: Existirá metal mais vil, que mais sangue tenha derramado, maior símbolo do materialismo e da cobiça ? É óbvio que não. De todas as prendas oferecidas pelos três maléficos, esta era de longe a pior e mais perigosa. O reluzente ouro ao menino nada entretia e só nos bolsos dos adultos que o circundavam fazia jeito. José, tutor legal, ter-se-á apropriado do ouro com o qual terá subornado meia dúzia de pastores para que não dissessem quem ali tinha parido, liquidado alguns calotes e... Havia que dar ao cava dali para fora, que já se ouviam zunzuns da façanha do Herodes. O que terá feito José ao resto do ouro não deve ser difícil de adivinhar. Ainda não tinham sido inventadas as slot machines nem o bingo mas já naquele tempo perdições havia capazes de fazer derreter ouro e a evolução do homem era tão lenta que as tentadoras medidas do mulherio de então não era nada diferente das actuais. Que se saiba, apesar do ouro, nunca foi família que experimentasse os prazeres de uma vida desafogada, da vida num condomínio fechado com vista para a faixa de Gaza, e só alguém saberá com quantos bicos de papagaio terá ficado a mãe Maria de tanto viajar no desconforto dum burro, enquanto até o teso do Ben-hur já treinava em carroças com amortecedores. Que se saiba, não consta que em qualquer museu do mundo se encontre exposta uma pulseirinha ou medalhinha que seja em ouro com as inscrições .Recordação dos reis magos.. Talvez os bancos suíços queiram esconder muito mais do que aquilo que se sabe que escondem.
Mirra: .Mas para que raio quer a gente mirra ??!. poderá muito bem ter sido este o pensamento do afamado carpinteiro (consta que naquela noite fria, depois de ter recebido o ouro, José deixou de ir acartar lenha para a fogueira porque pensou que o melhor das oferendas ainda estaria para vir e começou portanto a esfregar as mãos de contentamento; com tanta fricção aqueceu o ambiente). É que naquele tempo, a mirra era utilizada para fazer mumificações e conservar os corpos mortos. Estou em crer que o plano dos 3 lobos muçulmanos vestidos de cordeirinhos, seria o de com o ouro provocar desavenças conjugais, trazer a discórdia á família sagrada, provocar desgraça homicida. Tudo muito bem embrulhado na mirra, ainda hoje estaria em exposição no Museu de Bagdad e muita guerra se tinha evitado.
Incenso: Caso as duas oferendas anteriores não resultassem, esta seria infalível. A desculpa era queimar o incenso para ajudar a purificar o ar, eliminando o odor nauseabundo a estrume e a sovaco que por ali se fazia cheirar. Mas se nos adultos de caixa toráxica feita, algum efeito faz, imagine-se o que fará a uma criança recém-nascida, ainda com poucos litros de ar passados pelos pulmões, respirar tetrahidrocannabinnol... Perguntem a quem quiserem, esta substancia alucinogénica, como o próprio nome inspira, está presente no incenso sim senhor, e naturalmente que os reis magos já o sabiam, sendo mais que certo que fora a .negociar. tal matéria prima que tinham enriquecido. E esta seria a jogada de marketing que precisavam para impulsionar e levar o conceito de negócio aos cinco pontos do mundo, principalmente, à América Latina.
Resumindo, decapitar o cristianismo à nascença, cannabinar o seu profeta, golpe publicitário ou aliciar a mais famosa das virgens para os respectivos haréns, a verdadeira intenção do três reis é algo que jamais saberemos. Mas a celebração do dia 6 de Janeiro, é apenas mais uma dessas celebrações sem sentido à qual só mesmo os Espanhóis ainda lhe dedicam um feriado.

jorge b @ 09:32 AM | Obs (0)
quarta-feira, 7 de janeiro, 2004

Conforto ... | espécie: portugal

Fere a vista ver filas de gente á espera da sua vez para comprar o passe mensal dos transportes colectivos. É um escândalo o trabalhador/explorado ter que despender a custos próprios as despesas de deslocação para o seu local de trabalho/exploração. Já não basta gastar tempo, horas não remuneradas na ida e volta, como ainda ter que pagar para ir trabalhar, um contracenso inumano grave. Em qualquer país civilizado, o transporte público seria á borla, rápido e de conforto superior. O melhor para quem mantém a Máquina a funcionar. E para quem quisesse ir de carro, portagens a preços exorbitantes, aos dias úteis, nas entradas das cidades.

jorge b @ 12:01 PM | Obs (0)
terça-feira, 6 de janeiro, 2004

Rédea curta ... | espécie: portugal

Não há pessoas acima de qualquer lei assim como não deve haver pessoas ou cargos acima de qualquer suspeita. Que se saiba, nos Ministros, Deputados, Presidentes, Reis, Imperadores, Papas, Cardeais, e por aí fora, quando assumem tais responsabilidades, não lhes ocorre qualquer transformação biológica ou molecular, nenhuma alteração neuronal, não ficam imunes às frustrações, aos desejos reprimidos, à natureza humana, à necessidade de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, se necessário. Já o eram antes e, que chatice, continuam a ser homens, como os outros. E como os outros, podem ser suspeitos se tiverem mesmo que ser! Que se saiba, quando se sentam nos respectivos tronos ou cadeirões, não lhes cai do céu um raio se não forem imaculados, dando-nos certeza absoluta da sua ombridade e garantido-lhes inocência vitalícia.
Os lideres dos nossos tempos têm aliás a agravante de serem exímios políticos modernos. Levam uma vida exercida de politiquice, essa perigosa mutação da verdadeira política, feita de trocas de favores, de jogos de bastidores, de lambe-botismo, de facadas nas costas e muito jogo de cintura. É desta matéria prima que é feito o caminho para o sucesso dos nossos lideres, lógica natural para se escalar hierarquicamente, atingir o poleiro, política moderna, progressão na carreira, anos e anos disto. Logo, não podem ser pessoas normais. Foi gente que preferiu passar as noites em reuniões partidárias, até tarde a planear alianças e tramóias, tácticas para conseguir poder sobre outros homens, em vez de estarem em casa a dar mimos á mulher. Gente que preferiu as companhias dos corredores, dos almoços que nunca são de graça, dos encontros secretos com outros iguais ou a abater, em vez de estarem com as amantes ou com os verdadeiros amigos. Não podem ser gente normal porque foram vítimas e carrascos dos esquemas dum sistema falido mas que ajudam a perpetuar. Sabe-se lá que cordelinhos tiveram que mexer, que lodo tiveram de remexer e, alguns, ingerir para estar nos sítios onde estão. Cada político encartado, que história esconde, o que engoliu, o que terá abdicado, sacrificado, o que terá desenvolvido durante a sua ascensão, que efeitos nefastos terão tido sobre a sua personalidade, o contacto próximo, a vivência quotidiana com o miserável mundo da politiquice dos nossos tempos. Há que andar bem em cima deles, apertar-lhes os calos, rédea curta.

jorge b @ 11:23 AM | Obs (0)
segunda-feira, 5 de janeiro, 2004

Tintim, esse herói tantas vezes incompreendido ... | espécie: algures


Quadrinhos retirados do primeiro album, 'TinTim no Congo'

jorge b @ 08:19 AM | Obs (0)
sexta-feira, 2 de janeiro, 2004

Arrependimento ... | espécie: publicidade gratuita

Manguito á chinesa!Super-Inframan aka. The Chinese Superman, foi durante muitos anos o filme da minha vida... Devia ter 5 ou 6 quando vi num cinema aquele que terá sido o tetravô dos actuais inenarráveis .Power Rangers.. Fabricado em Hong Kong .INFRAMAN looked like a giant step above Japanese sci-fi B-movies in the mid-70s. It all came down to an exciting masterpiece containing impressive visuals, plus lightning fast action and choreography the Shaw Brothers were known for. Many see this as a rip-off of the POWER RANGERS, but not many have noticed this movie being around for almost 25 years! It's that good considering its age." (É o IMDB quem o diz!) Nada ilustre como filme da minha vida (terá sido mais o filme da minha infância) mas foi o filme que me abriu definitivamente o apetite pelo cinema e aguçou-me o fascínio pela ficção cientifica. E não fui a única vítima.
Está disponível apenas para a zona 3.
Outra relíquia, Lifeforce aka. .As Forças do Universo. (salvo erro), um filme injustamente esquecido de Tobe Hooper (Massacre no Texas, Poltergeist) que passou muito discretamente pelos cinemas nacionais há uns 15 anos atrás. É daqueles que não passa nem na televisão, nem no clube de vídeo, nem nos sites da internet. Simplesmente desaparecido, DVD só zona 1 mas com 15 minutos de filmagens adicionais. Uma história muito bem produzida por italianos, sobre uns vampiros espaciais cujo passatempo preferido era sugar a .força da vida. de toda a gente que iam conhecendo. Numas cenas algo controversas para a época, Mathilda May aparecia toda descascadinha! Inesquecível! O argumento era de Dan O.Bannon (Alien, Tottal Recall).
Arrependo-me profundamente não ter comprado um leitor DVD multizona.

jorge b @ 08:49 AM | Obs (0)
terça-feira, 30 de dezembro, 2003

Para acabar de vez com o Natal ... | espécie: revisões da matéria

Se encontrarem por aí o meu pai digam-lhe onde estou.O homem de quem mais se fala todos os anos por estas alturas, não nasceu no dia 25 de Dezembro coisa nenhuma. A Sissy Spacek é que nasceu naquele dia, ela e mais milhões de anónimas pessoas em todo o mundo. O mais provável mês para o nascimento do Gajo terá sido algures durante Abril, curiosamente altura em que se celebra a Páscoa (agora imagine-se que algum dia se descobre que Ele afinal morreu em Dezembro... as comemorações estariam todas ao oirártnoc, seria de doidos!). E mais, o Fulano nasceu 5 anos antes da data convencionada. Já ouvi falar em bébés prematuros mas isto é ridículo! Estamos portanto em 1998 d.c. e a ideia de poder celebrar mais uma passagem de milénio devia, isso sim, encher os nossos corações de alegria.
Mas as PEQUENAS incorrecções bíblicas não se ficam por aqui. Reputados historiadores e cientistas que se deram ao trabalho de ler as entrelinhas e as letras mais pequeninas que nunca ninguém lê, descobriram coisas ainda mais interessantes. Quem pagou a conta da ultima ceia, é tema para se discutir ainda por muito século vindouro. Mas para se descobrir quem foi afinal o verdadeiro pai de Jesus Cristo, não foi preciso chegar aos testes de DNA. De facto, a história daquela gravidez inesperada que já deixara José com a pulga atrás da orelha mas com a comichão na testa, parecia muito mal contada. Ainda mais porque diziam as más línguas da época, que a boa da Maria andava enrolada com um soldado romano, um tal de Pantera de alcunha, de nome que não reti mas que sei era nomen tipicamente romano. José, mais velho e pai barbudo de alguns filhos de outras legítimas uniões, quiçá igualmente azaradas, já não dava para o gasto, e a Jovem Maria (o epíteto virginal foi mal traduzido da palavra hebraica que significa Jovem e não Virgem), lá inventou o mais famoso e tangueado alibi de todos os tempos para esconder a facadinha no matrimónio, e que lhe valeu uma viagenzinha de burro até outras paragens.
Posto isto, perante estes factos científicos por mim assimilados numa destas manhãs frias de Dezembro quando frente ao televisor aguardava pacientemente pela chegada dos saldos, o Natal só tem lógica até aos nossos 5, 6 anos, idades em que normalmente deixamos de acreditar nessa simpática, assumida e incontestavelmente inventada figura que é o Pai Natal. Nessas idades pensamos que o tal de menino Jesus deve se apenas mais um puto qualquer mas que terá algo de especial e portanto será o preferido do Pai Natal, o primeiro a receber prendas, tipo logo á meia noite (as minhas só chegavam por volta das 6 ou 7 da manhã, quando já raiava o sol. Estaria portanto lá para o fim das preferências do velhote).
Nesta época deviam-se comprar só brinquedos para os nossos filhos, para os filhos dos nossos amigos, para os filhos sem sorte, e para os dos vizinhos, caso fossemos assim mais a dar para o cínico.

Este post foi escrito GRAÇAS A edp, pela oportuna energia eléctrica fornecida ao meu equipamento informático, ainda que a troco duma parcela do meu ordenado.
E mais agradecimentos:
À rtp1 que oportunamente exibiu um documentário sobre a VERDADEIRA vida de Jesus.
Ao lidl que oportunisticamente importou da Alemanha a pilsener Fink Brau (4,7% vol.), companheira e musa deste post em particular.

.Presumo que fui um pai severo. Sempre disse aos meus filhos: façam o que quiserem, o enterro é de vocês..
Charles Chaplin, n.16-4-1889 / f.25-12-1977 (alguém em quem valia a pena acreditar).

jorge b @ 12:03 AM | Obs (0)
sábado, 20 de dezembro, 2003

É da época ... | espécie: algures

Que desperdício!...and...Do que é que estavas á espera ?!
(Imagem originalmente gentilmente sacada algures do cafepress.com; imagem maior e adicional, cortesia posterior de Anton)

jorge b @ 03:25 PM | Obs (0)
sexta-feira, 19 de dezembro, 2003

Uma história de Natal ... | espécie: revisões da matéria

Um filho dum deus menor!Assisti a várias matanças de porcos, principalmente quando era puto, acreditava eu ainda no pai natal. Na ultima, já homenzinho, a vítima tinha sido baptizada com o nome de Fritz. Um grupo de malta juntou-se, decidiu comprar um porquito pequeno, leitão, chinito, trazê-lo no carro e entregá-lo a um homem também 'ito', dono de uma quinta, para que, conforme previamente combinado, o cria-se com todo o 'amor & carinho' até estar bom para se matar, esquartejar, comer e elogiar o sabor da carne. De facto, o bicho desde que entrou naquele curral, fazendo companhia a novos amigos e vizinhos, esqueceu decerto rapidamente a mãe e restante família que deixara para trás, e, ganhando novas raizes, não mais saiu das nossas vidas durante alguns meses. Tinha direito a visita regular, crescimento acompanhado, atenção redobrada sobre o seu estado de saúde, peso principalmente, cenouras e bolotas que caprichosamente comprávamos e apanhávamos das matas circundantes.
Assistíamos embevecidos ao seu crescimento e indiferentes ao desaparecimento e chegada de novos amigos suínos aos quais naturalmente pouca atenção dávamos não estando os mesmos sob a alçada do nosso sustento. O nosso ?carinho?, ia todo para o Fritz, o nosso orgulho, e parecia-nos a nós ser o mais belo exemplar que ali estava, que tínhamos tido muita sorte, que o vendedor tinha sido pessoa honesta e recomendável, o tratador seguia escrupulosamente as nossas instruções: para o Fritz, apenas da melhor ração, mas de preferência, apenas dos melhores restos de comida.
Como o dia da matança estava para breve, enquanto preparava-mos as câmaras de filmar e fotografar, alguém afiava as facas e lavavam-se alguidares. E quando chegou a hora, naquela manhã fria à beira dum Natal, o bicho, estranhamente, não veio ao chamamento como sempre fazia. Não havia bolotas para ninguém e parecia que adivinhava. Os porcos também tinham 6º sentido e nós, sentido nenhum, concluí quando o ouvi guinchar, quando o vi puxado á força, quando me chamaram também a mim para ajudar e eu recusei, recuando para mais tarde ser alvo de chacota. Era preciso chamar o dono da Quinta, o pai do Fritz, sim, pai, que pai e mãe são quem cria e não quem pare. E lá veio o 'homezito', aquele seu sorriso de quem já esperava, de faca afiada, de quem já sabia que aquela meia duzia de marmanjos não conseguiria sequer apartar o bicho dos outros porcos. 'Anda cá Fritz, vá anda cá meu menino, isso amigo, vá vem...' Fritz para além de porco tinha muito de burro e lá veio na cantiga até ao local escolhido, até começar a guinchar de novo, até ser novamente agarrado por duas mão em cada pata, outras ao pescoço, na barriga, junto á fogueira que eu tinha ajudado a acender. O homezito lá espetou a faca no amigo, e nós matámo-lo, e como se não bastasse, comemo-lo.

jorge b @ 03:30 PM | Obs (0)

Da pior espécie ... | espécie: revisões da matéria

Podes crer!Imagina-se a seguinte teoria marada, saída da cabeça dum gajo qualquer: Alguns homens já nascem com uma propensão genética para serem cornos.
Continua-se a imaginar, que alguém garante ao outro lado, com a mais absoluta das certezas, que não nasceu com essa propensão genética, pelo que jamais foi ou será vítima de tal má sorte, jamais será corno, cornudo, cabrã*, por maior que seja o precipício, por muito que à beira dele se encontre. Esta certeza confessada oralmente com esta convicção, faz automaticamente desse alguém, não um gajo estúpido ou ingénuo, antes um gajo arrogante, da pior espécie.

jorge b @ 10:30 AM | Obs (0)
quarta-feira, 17 de dezembro, 2003

Drama diário ... | espécie: revisões da matéria

Pormenor dum quadro de Bruegel Vivo o drama diário de quem tem um horário a cumprir. Se chego depois dos 15 minutos de tolerância, tenho que fazer um pequeno ritual, a que muitos apelidam de .O beija mão.... e que consiste em arranjar uma desculpa plausível ao .chefe., apresentar-lhe um relatório resumido daquela nossa pontual incompetência, apaparicá-lo, se for necessário, beijar-lhe o cu. Não sei se o gajo está ciente disso mas, naturalmente que 90% das desculpas que damos por qualquer lapso temporal, são tangas inventadas durante aquele período traumático, durante aquela fase em que já só pensamos .e agora caraças ?!., em que o chegar atrasado é já um facto irreversível. É que quando saímos de casa, por mais atrasados que estejamos, pensamos sempre que chegaremos a tempo, que haverá uma conjugação de factores cósmicos e paranormais que farão com que todos os sinais estejam verdes á nossa passagem, que não hajam lesmas pelo caminho, que não haverá bicha na ponte, e outras ausências ou ocorrências de outros factores que influenciam a nossa performance a caminho do trabalho.
No caso concreto de hoje, não aconteceu aquilo que geralmente acontece entre as 7h30 e as 8h00. Hoje não parecia um maluco a fazer ultrapassagens a torto e a direito apenas para ganhar uns lugarzinhos a mais lá à frente na bicha. E quando fui ao .beija mão. (nunca lhe beijei o cu, é com muito orgulho que o digo), mais atrasado que nunca, é óbvio que não poderia dizer a verdade: Que tinha estado acordado até de madrugada porque estivera a ver o episódio "End of Eternity" do .Space 1999. em DVD, e depois, o .Cubo. na RTP2, e que, apenas por descargo de consciência, quando tinha mudado para a SIC, estava um gajo a sodomizar (parecia) uma preta (ou negra se preferirem), facto que me tirou imediatamente o pouco sono que tinha e me fez automaticamente prestar atenção à estória que, confesso, tive dificuldade em perceber. O gajo, o chefe, nunca iria compreender o porquê das minhas olheiras e barba por fazer! E lá inventei uma tanga qualquer, a qual recebeu a benção com mais benevolência que o costume, sem direito a rebocada e tudo. Interrogo-me se o gajo estará realmente ciente, de que mesmo os atrasos resultantes de noticiadas catástrofes naturais, ou monumentais engarrafamentos ou choques em cadeia, são sempre ficcionados pelas vítimas, ninguém resiste a adicionar uns minutos de pura ficção para tornar a desculpa ainda mais plausível. Talvez, aquela benevolência com que aceitou a minha desculpa, tenha sido influenciada pelo meu estado de espírito de hoje, pela descontração involuntária que demonstrei, a grande eficácia com que fiz a exposição da tanga. Resultado decerto duma nova perspectiva de .vida a caminho do trabalho. que me fizeram ver ao início do dia, da viagem: .Vai com cuidado, olha que mais vale beijar a mão ao chefe que o cu a Deus..

jorge b @ 11:35 AM | Obs (0)
terça-feira, 16 de dezembro, 2003

Estórias de meninos ... | espécie: portugal

Achei desconcertante aquela introdução .Olá ?!... Olá?!... Não estou a ouvir nada! Digam Olá!! Ah, pronto.... ... Então olá e agora vou contar-vos uma história de quando eu tinha idade para ser vítima de pedofilia... Foi assim ontem á noite no telejornal da SIC, inesperadamente, na integra, chegou-nos uma muito bem contada estória de Natal gravada ao telefone dos calabouços do EPL. Achei a ideia simpática, a SIC podia até doar permanentemente um espaço, na sua já de si mediocre programação, para tempo de antena aos arguidos presos em prisão preventiva. Ouviriamos deliciados as suas estórias, isto apesar de cá fora todos termos histórias de infância de sobra para contar.
Um sentimento ou chamemos-lhe feeling que sinto em relação a tudo o que Carlos Cruz tem feito, os recursos dos recursos, as crónicas e elogios das mulheres e ex-mulheres, os apelos e almoços filmados dos amigos, as capas de revista do casal então feliz, as estórias de Natal, tudo, acho que era tudo o mesmo que eu faria ou promoveria, se estivesse numa situação semelhante, figura pública presa e... me soubesse culpado! É óbvio que imaginarmo-nos naquela situação é um exercício díficil, e pode ser que seja apenas o estilo .1,2,3. do homem, estilo que pessoalmente nunca admirei, que já o transformou numa figura mediática da televisão, que conseguiu trazer o Euro 2004 cá para dentro, talvez aquele mesmo estilo e estratégia certa para lhe trazer a liberdade.
Embora acredite menos no Pai Natal que nele, acredito mais na Justiça e inclino-me para essa ideia feita que diz que onde há fumo há fogo. Acredito que não é de animo leve que se podem prender várias figuras mais ou menos importantes e mediáticas sem que hajam contra elas efectivamente provas fortes e evidentes. Acredito que ele teria estado envolvido nalguma coisa menos limpa, mas que talvez do seu ponto de vista não será tão suja quanto um bem engendrado complot quer fazer parecer, não se revestiria duma gravidade tal merecedora duma prisão preventiva. Ele, os seus advogados, apostarão tudo nessa convicção, nesse processo de vitimização que continuamos a assistir.

jorge b @ 05:03 PM | Obs (0)

The Game ... | espécie: mundo

Saddam. Faltam só o Bush e mais uma dúzia.

jorge b @ 09:42 AM | Obs (0)

Castanhas ... | espécie: lugares

Quando já julgava que existiriam castanhas podres em toda a parte, Setúbal, Praça do Bocage, o homem das "quentes & boas", e grandes e saborosas também, dá duas por cada podre que encontrarmos na duzia. Não encontrei.

jorge b @ 08:40 AM | Obs (0)
segunda-feira, 15 de dezembro, 2003

O Gustave é que sabia ... | espécie: interferências

"Tenho meditado numa coisa que aliviará a minha cólera (...) vomitarei sobre os meus contemporâneos o mau gosto que me inspiram.", Flaubert (1821-1880)

jorge b @ 08:49 AM | Obs (0)
sexta-feira, 12 de dezembro, 2003

Nóticias do Espaço ... | espécie: publicidade gratuita

- Na cama sou capaz de te levar á lua!Felizmente até agora todos os extraterrestres que apareceram falam um inglês impecável e há tamanhos de roupa para eles na Zara. No ultimo episódio, uma extraterrestre muito bem penteada apaixonou-se pelo comandante Koenig e o gajo deu a face. Quem começou a ver o caso mal parado foi o pai da pequena prateada que gostava mais do humano como cobaia para as suas experiencias antropológicas que como genro. A ideia de ter netos com a cara do comandante começou a atormentá-lo e vai daí, foi uma trabalheira separar os pombinhos e recambiá-lo de volta para a base lunar onde a Dra. Helena o recebeu sem cíumes e sem saber do affair.
Saruman mais novo, quando era fã dos Kiss! Os episódios sucedem-se psicadélicamente delirantes e sucedem-se as aparições de actores ainda mais clássicos que a própria série: Christopher Lee, um dos mais famosos dráculas de sempre, o Saruman do "Senhor dos Anéis" ou o Conde Dooku da "Guerra das Estrelas"; Peter Cushing o eterno Van Helsing e o barão Frankenstein, ambos dos saudosos filmes de terror dos anos 60/70 da Hammer.
Cada episódio do "Espaço 1999" é uma pequena e bem hermética obra de arte tecno-kitsh imperdível. Sempre que se justificar e não tiver mais nada que escrever, voltarei á antena com mais notícias.

jorge b @ 10:07 AM | Obs (0)
quarta-feira, 10 de dezembro, 2003

Espaço 1999 em 2003 ... | espécie: publicidade gratuita

BUY
Como qualquer gajo com mais de 30 anos, não pude deixar de ficar indiferente ao acontecimento editorial do ano: a edição de todos os episódios do .Espaço 1999. em DVD (1ª fase composto por 6 = 25 episódios). Lá mandei vir o pacote, a minha primeira compra pela Internet.
PLAY
Passados todos estes anos, senti alguma emoção quando no écran vi surgir o celebre genérico da série, com a sua inconfundível musica e a as habituais cenas do episódio que iremos ver dentro de momentos. Só por esta comoção, dei automaticamente por bem empregues as 10 mocas. Depois comecei a ver a série, vinte e tal anos mais velho.
As interpretações estão muito convincentes, os decors a la 2001 estão fabulosos e as histórias tem um dom psicadélico que justificou o encantamento de toda uma geração.
PAUSE
A lógica dos episódios do espaço 1999 acenta no seguinte princípio: .Tudo o que pode correr mal, vai correr mal.. Depois, para resolver a história, 90% das vezes sem explicação, .tudo o que deveria correr mal, vai correr bem.. É linear e para mais explicações é favor dirigir-se á inteligência cósmica suprema mais próxima da lua.
Aqui ficam algumas observações, após 3 episódios visionados. Sempre que achar oportuno, voltarei á antena.
Personagem mais dispensável:
Mr. Kano. Em vez dum bem disposto Eddy Murphy, o negro de serviço é pessimista, ri muito raramente e só nos segundos finais dum episódio. Curiosamente, era a personagem de quem eu mais gostava quando era puto. Nas minhas brincadeiras fazia sempre de Kano, enquanto os outros putos todos se degladiavam para ver quem fazia de Alan ou de Comandante. Isto pode explicar muita coisa...
Personagem mais desprezível:
Mr. Paul. É o homem de confiança do comandante Koening. Um .yes man. de bigodes desprezível que logo no 2º episódio, assim que vê Sandra perder o namorado, começa a fazer-lhe olhinhos. Não se faz! Se a minha memória não me falha, o Alan ainda lhe há-de ir aos cornos num episódio lá para a frente e que quero ver se não perco.
Personagem mais comestível:
O panorama é deprimente. Nesta primeira leva de episódios ainda não aparece a Maya, que como é sabido, era mulher e tinha ainda a vantagem de se poder transformar em qualquer outro objecto vivo. Ainda assim, a Dra. Helena leva grande vantagem sobre Sandra. Apesar desta ultima ser mais nova, é baixinha e parece presa demasiadamente fácil. A outra parece sempre mais inacessível, para a idade está muito bem conservada e, apesar daquele ar sempre impassível, consigo facilmente imaginá-la de saltos altos e lingerie preta.
Personagem mais interessante:
As Eagle. As navezinhas são um verdadeiro espectáculo. Têm manípulos de mudanças e são bastante confortáveis. Não há ali nada de imagens de síntese, apenas aqueles modelos reais que fazem um basqueiro para levantar voo e aterrarem. Gostava de receber uma daquelas miniaturas no natal.
Truque#1 para se ver da melhor maneira o .Espaço 1999.:
Aqui fica apenas mais um truque para quem quiser ver a série e suprimir por completo qualquer pequeno vestígio de tensão que eventualmente possa sentir durante o desenrolar dos acontecimentos de cada episódio: sempre que aparecer uma eagle a ser pilotada por alguém sem ser o Alan, é certo, era uma vez uma nave.
RESUME PLAY

jorge b @ 11:04 AM | Obs (0)

Discovery ... | espécie: fora de blog

Provavelmente, o blog com o título mais sugestivo da história. É da galera.
e ainda...
Acabadinho de descobrir e directamente para os meus links de eleição: A Gaiola Aberta. A par com o "Espaço 1999" um dos maiores 'musts' da minha infância. Agora em blog posted by José Vilhena himself.

jorge b @ 10:53 AM | Obs (0)
terça-feira, 9 de dezembro, 2003

Sem nunca ... | espécie: extracções

Um casal de idosos, que nunca foi a Marte, vive os seus últimos dias satisfeito porque, entre outras coisas, o filho, pessoa estimada por todos e invejada por outros, conseguiu passar pela vidinha, por esta vidinha, sem nunca dar em louco. Coisa rara, já dá para morrer feliz.

jorge b @ 11:42 AM | Obs (0)

Conversa de Mulheres ... | espécie: algures

Fico a saber, existem homens bonitos demais para o gosto das mulheres. O contrário nunca se saberá.

jorge b @ 11:39 AM | Obs (0)
sexta-feira, 5 de dezembro, 2003

Os blogs ... | espécie: extracções

Os blogs são escritos apaixonadamente por pessoas desapaixonadas.

jorge b @ 07:46 AM | Obs (0)
quarta-feira, 3 de dezembro, 2003

Todos ouvidos ... | espécie: algures

Não tenho o prazer de conhecer pessoalmente a loira Lili Caneças mas calculo que seja uma personagem absolutamente adorável. Ela sabe ser e estar, irradiando sempre uma invejável espontaneidade pura e profunda por todos os seus plastificados poros. E da sua modelada boca, de tempos em tempos, saem deixas deliciosas, pérolas de sabedoria. A juntar à colectânea que agora me proponho fazer, depois de .estar vivo é o contrário de estar morto., neste Domingo, no programa do Herman, aludindo ao esforço que o seu conpinska Carlos Castro estaria a fazer para organizar mais uma gala dos travestis: .Ele tem sido incansável, tem trabalhado 24 horas por dia e por noite..... Nós ouvimos-te Lili.

jorge b @ 09:21 AM | Obs (0)
terça-feira, 2 de dezembro, 2003

O Peru ... | espécie: mundo

A visita relâmpago de Bush ao provavelmente mais bem guardado local do mundo (aeroporto de Bagdad e cantina dos militares americanos) foi dos maiores golpes propagandisticos do século e provavelmente valer-lhe-á a re-eleição, .read my lips.!.
Embora tenha sido a ideia que transmitiu, não teve nada de heróica ou corajosa a atitude do senhor da guerra. Mas e o que têm esses valores a ver com o marketing político ? Igual a si, mais esperto que inteligente, Bush marcou pontos. As imagens dele a servir os militares ou a segurar uma travessa com um peru, são fortes e valem mais que vê-lo a comer frango assado com as mãos. Repararam como ele estava bem ? Sem duplos! Certamente que o George terá tido horas e horas de treino.
De volta à América, vestido o mesmo blusão ainda com cheiro a peru, Bush acenou para a multidão virtual que o aguardava, como sempre, fazendo adeus para as câmaras, tranquilizando e enganando todos, como eles gostam. Não o ponham a correr dali para fora que não é preciso!
...
Terminado o sorteio do Euro 2004, palavra ao futebolista da selecção nacional: .Infelizmente a sorte não nos acompanhou!. Futebolista e basta! Ok, já sabemos que todas a s equipas são boas e que as que nos calharam no sorteio, essas então, nem se fala. É sempre essa a conversa, a nossa sina. Sorte sorte era Portugal, como país organizador, estar automaticamente apurado para a final!
A ideia de que não é preciso jogar bem, antes esperar pela sorte ou pelo azar, parece estar perigosamente enraizada nos jogadores da selecção. Ponham-se a olhar para a cor das camisolas dos outros e não corram que não é preciso!
...
Oiço na rádio que o próximo hospital a construir em Loures terá uma área equivalente a três campos de futebol. A área ardida este ano pelos fogos florestais terá sido equivalente a vários milhares de campos de futebol. O meu carro percorre baliza a baliza em 22 segundos. Na assembleia da republica existem deputados equivalentes a 20 equipas de futebol. A minha casa é do tamanho duma pequena área. Apareceu-me nas coxa um inchaço do tamanho de uma marca de grande penalidade que não sei se será grave, mas custa-me correr! É urgente a publicação duma tabela de conversão das medidas futebolísticas para as do costume e vice versa.
...
Parecemos cada vez mais um país miserável á babugem de uns trocos estrangeiros. Nós e as nossas contrapartidas, sempre prontos a receber de braços e sabe-se lá que mais aberto, prestigiados eventos desportivos e outras mediáticas organizações, que venham elas. Supostamente serão estas coisas que nos darão reputação, a evolução do país está dramaticamente dependente das expos, americas cups, e euros.... Mas quem nos anda a meter estas coisas na cabeça ? Não podemos correr com as nossas próprias pernas ?
...
Os taxistas querem que as corridas a partir do aeroporto de Lisboa tenham uma taxa mínima para compensar o tempo de espera que têm de fazer. Ex: estão na bicha dos taxistas na palheta uns com os outros uma ou duas horas para depois quando chega á vez deles o cliente querer (apenas) uma corrida até Entrecampos! 500 paus ?!! Assim não rende! A lógica daqueles senhores é extraordinária: O cliente tem que pagar também o tempo que eles esperaram! Mas, alguém os obrigou a estarem ali ? Que se lixem! Quando é que o metro chega ao aeroporto, quando é que o aeroporto é servido com meios de transporte condignos ? Corram-nos dali para fora!

jorge b @ 12:20 PM | Obs (0)
sexta-feira, 28 de novembro, 2003

Zé Gaspar ... | espécie: histórias infilmáveis

Zé Gaspar vive num prédio degradado numa zona também dos subúrbios. O sentido de responsabilidade e vergonha, incutidos pela educação provinciana dos pais sempre sob a supervisão dos céus e a benção do pároco local, fez com que desde há cinco meses seja o único morador a pagar o condomínio, para além do vizinho indiano do rés do chão, actual administrador. Quantia global manifestamente suficiente para manter em pagamento a luz de passagem da escada, insuficiente para reparar o elevador, há já algum tempo condenado sem reparação pela ultima visita dum técnico que ainda hoje está a arder. É certo que os sacos do hipermercado a carregar para o 7º andar são cada vez em menor numero e mais leves, mas os degraus parecem eles próprios efectivamente mais altos e pesados, da idade. E Zé tem agora, desde o início dum ano passado à meia noite num engarrafamento provocado pela morte duma bateria, essa recompensa e o estimulo acrescidos, de ao cimo das escadas avistar a imagem irreconhecível, cada vez mais, da sua mulher, que o vem receber, a perna esquerda a rebentar pelas costuras de tanta variz, de tanta escada subida e descida, no meio do lixo que se acumula nesta que nas outras era trabalho sempre elogiado que fazia com afinco, a limpeza.
A Zé valem-lhe as breves paragens que faz quando passa pelo 5º andar esquerdo, quando bate á porta, naqueles dias incertos, aquele bater do costume, e é recebido pela vizinha que o trata por .amorzinho. e que com tanta habilidade lhe desvia a atenção das pernas em estado semelhante ou pior que a da mulher. Mas respira melhor àquela altura, vá-se lá saber porquê, ela mal casada assumida parece adivinhar-lhe a visita, e ao contrário do que o marido diz depois da 5ª imperial quantas vezes paga pelo amigo Zé, ela apresenta-se sempre lavada, com cheiro a sabão macaco debaixo do eterno pijama amarelo que, mas porquê, teima em não desbotar, e contribui para aumentar o rol das coisas que os homens têm que nunca serão bem compreendidas. Não são mais que cinco ou 10 minutos, que reforçam a pena e o misto sentimento de culpa que a mulher de Zé sente quando abre a porta e o vê chegar cansado uns dias, incertos, mais que outros, naquele estado.
Se houvesse por aí uma vida em conta, ele não hesitaria.
Fim.

jorge b @ 02:42 PM | Obs (0)
quinta-feira, 27 de novembro, 2003

Agasalho ... | espécie: extracções

Numa ainda madrugada muito fria, uma mulher qualquer bela passa um sinal recentemente vermelho com o seu recente Mercedes. Leva os ombros á mostra e só ela sabe quando os destapou. Agasalho-me.

jorge b @ 12:10 PM | Obs (0)
quarta-feira, 26 de novembro, 2003

Mulheres ... | espécie: lugares

Três mil mulheres colombianas dirigem-se em autocarros, sem escolta policial ou militar, até Putumayo (Puerto Caicedo), epicentro da guerra civil, perigosa zona onde se verifica maior actividade por parte da guerrilha na Colombia. Contra a guerra e a violência sobre as mulheres.

jorge b @ 10:13 AM | Obs (0)
terça-feira, 25 de novembro, 2003

Dah! ... | espécie: estudos

Visto a minha gabardina até aos pés, encho-lhe os bolsos com rebuçados, meias pretas até aos joelhos e os sapatos de executivo impecavelmente engraxados. Acerto o relógio da sala e saio de casa na direcção do gradeamento da escola secundária mais próxima. As minhas pistas apontam naquele sentido. Para efectuar este trabalho de campo, tenho que passar o mais despercebido possível, enquadrar-me no meio ambiente escolar. Não posso ser apenas um encarregado de educação qualquer que aparece por ali armado em tótó a fazer perguntas. Não posso correr o risco de aparecer uma auxiliar de educação interrogando-me sobre o que estou a fazer, ou um professor dando-me lições acerca da inutilidade da minha pesquisa: saber o verdadeiro significado, buscar a etimologia da genial e enigmática expressão .dah!..
Não tarda e surgem junto a mim duas teenagers. Não vou perder tempo a descrevê-las, mas uma faz-me lembrar a Britney Spears e a outra a Doutora Helen da longínqua série .Espaço 1999.. Suponho que são normais. Apesar dos avisos nas grades, passo-lhes guloseimas que elas devoram com aquele prazer próprio de quem se está borrifando para as dietas. Rapidamente começam a desbobinar tudo. A expressão .Dah!. há cerca de um ano que circula nas escolas. .Pelo menos na escola de cima também!. Muito antes, portanto, de ter sido utilizada massivamente na publicidade duma conhecida operadora de telemóveis. Não me sabem dizer os nomes dos trisavôs, e tal como acontece com as anedotas, não sabem dizer quem foi o autor, quem pela primeira vez terá proferido .Dah!.. Um momento de divina criatividade, ou vocalização espontânea... Explicam-me que recorrem vulgarmente á expressão sempre que alguém se comporta ou tem uma observação própria dum atrasado mental, nomeadamente colegas do sexo masculino, que naquelas idades é muito vulgar comportarem-se como tal. O .dah!. é acompanhado dum movimento oscilante da mão junto ao peito ou na testa, simulando um descontrolo físico ou .tapadice. que muitas vezes caracteriza os .atrasadinhos..
.Por exemplo, há bocado o Migui disse-me:
- Já vistes as mamocas da Rita todas para cima ?! Não gostavas de ter umas assim ?
- Dah!!...
(lá está o gesto da mão) Ela usa .wonderbra.!!!. (a ultima silaba arrasta-se, tal como o .dah!!.)
Por toda a parte ouvem-se toques polifónicos. Ting-tong-daing-telim-ding-beng... e por aí fora.

jorge b @ 10:06 AM | Obs (0)
segunda-feira, 24 de novembro, 2003

O inverso ... | espécie: interferências

"Não há nada que dê mais vontade de rir que um português a chorar. E o inverso também é verdadeiro: um português a rir-se dá vontade de chorar.", Ernesto Sampaio, in Diário de Lisboa, 6-2-1987)

jorge b @ 10:19 AM | Obs (0)
sexta-feira, 21 de novembro, 2003

The Resurrection ... | espécie: algures

alien 4

jorge b @ 02:04 PM | Obs (0)

Anedota de Elite #4 ... | espécie: anedotas de elite

"Manuela Ferreira Leite está no seu luxuoso gabinete e diz para um secretário:
- Vou atirar esta nota de 100. pela janela e fazer um português feliz.
- Srª Ministra não acha preferível atirar duas de 50. e fazer dois portugueses felizes?
Entretanto um escriturário ouve a conversa e diz:
- Não faça isso Srª Ministra. Atire antes 20 notas de 5. e faça 20 portugueses felizes!
Ouvindo isto tudo, sugere a senhora das limpezas:
- Porque é que não se atira a senhora da janela e faz dez milhões de portugueses felizes?"
*a circular na net.

jorge b @ 09:51 AM | Obs (0)

jorge b @ 09:30 AM | Obs (0)
quinta-feira, 20 de novembro, 2003

Idiotia ... | espécie: extracções

De temps-en-temps devíamos parar para pensar, reflectir seriamente sobre o nosso estado, se não estamos a ficar assim. Procurar esses sinais mais ou menos evidentes e tentar corrigir, inverter a tendência. É cada vez mais fácil tornarmo-nos nuns, num processo gradual e invísivel que nos passa despercebido, assim como passa aos outros porque estão como nós. Deveria ser instituído um dia nacional contra a idiotia. Pelo menos, uma vez por ano...

jorge b @ 10:47 AM | Obs (0)
quarta-feira, 19 de novembro, 2003

Felicidade ... | espécie: extracções

Há pessoas vestidas que mesmo que lhes aparecesse pela frente a felicidade toda despida, nunca saberiam o que fazer com ela.

jorge b @ 11:11 AM | Obs (0)
terça-feira, 18 de novembro, 2003

Greves ... | espécie: mundo

Pior que as gripes, aproxima-se perigosamente a época das greves. Já me preparei para não fazer nenhuma! Mas que fique bem claro, não sou um fura-greves.
Estão a ver aquele tipo que trepa pelo portão fechado a cadeado, querendo ir cumprir o seu dever laboral e contribuir com a sua microscópica parte para o futuro e progresso da nossa grandiosa civilização? Sou eu. Sou eu, contra estas greves, salto o portão para mais um dia de trabalho que é para isso que cá ando, que cá me puseram, um dia atrás do outro, eu, sozinho se for preciso, até vir o fim da paciência ou o fim do mês, que felizmente chega sempre primeiro. Sou o único a furar a greve ? Sim sou o único, mas isto não é greve que furo, digo e volto a dizer que não sou a vergonha da classe. Se acham que sim, que se lixe, não percebem nada disto! Greves para quê ?! Eu não faço greves. A greve é coisa do século ante-passado e provoca-me alergia agora nestes Invernos do Século XXI. As greves agora são peças de colecção para os sindicato e um alívio para as finanças públicas (umas grevezinhas agora davam jeito não era senhora ministra das finanças e restante séquito?). O que não se faz hoje, faz-se amanhã, o que não se fez nunca, far-se-á algum dia. Muito litro de gasóleo se vai poupar, muita electricidade, telefone e água do público e de algum privado, muito dia de ordenado. Mais uma bolha de oxigénio para o déficit asfixiado.
Ninguém faz greve, todos brincam ás greves. Eu não gosto desta brincadeira, não brinco. Todas a gente sabe que quem manda nisto tudo são os senhores Sony, Microsoft, Samsung, Hollywood, Benfica, Honda, (Sr. Honda como está ? Há muito tempo que não lhe compro um carrinho! Mas a culpa não é minha sabe...) e outros ou ninguém sabe ? Saibam então que esses é que são os nossos verdadeiros patrões, e são mais que as mães, e os Durões e Bagões todos juntos. Se pensam que lixam este par de enfeites desenganem-se, que a culpa deles vale alguma coisa mas não o suficiente para valer os nossos dias de ordenado perdido.
A greve deste século é a greve ao consumo e não ao trabalho. Que sofrimento, caraças, já se imaginaram passar um mês sem comprar nada de verdadeiramente inútil ?... Nem quero pensar!.. Mas o que é uma greve sem algum sacrifício ? Destas é que não. São fáceis de fazer, são uma brincadeira. Não se vai trabalhar e já está. No dia seguinte trabalha-se outra vez, e tudo continua a estar pior, todos julgarão estar de mãos lavadas.

jorge b @ 02:21 PM | Obs (0)
segunda-feira, 17 de novembro, 2003

Parecer ... | espécie: algures

- Se eu não lhe acertar na testa, acerta-lhe tu nos respectivos testículos!Vejo o Harrison Ford armado com um pistola que parece verdadeira, apontando-a para alguém. E por detrás dele, o mais novo Josh qualquer coisa, na mesma pose.
De geração em geração. Um gajo com uma pistola na mão parece logo outra coisa.

jorge b @ 12:34 PM | Obs (0)
sexta-feira, 14 de novembro, 2003

Amizade, uma versão ... | espécie: estudos

Num destes domingos de Outono, Domingo bonito de sol, daqueles que vingam um Sábado chuvoso, que nos resgatam de um fim de semana de sofá, quando passeava calmamente entre a lama, entre a gritaria dos feirantes, apertado com os encontrões das mulheres febris de mãos cheias de slips e sutiens mais baratos à meia-duzia, fui abordado por um indivíduo de etnia cigana (como gosto deste equilibrismo que faço para não dizer simplesmente “um cigano”) que se propunha vender-me um Breitling por 10 euros. Ora, “um Breitling é um relógio de pulso que custa nas ourivesarias, o mais barato, á volta de 1000 euros”, pensei eu. “Posso ver?”. E pude ver-me introduzido, para grande desilusão minha, não no excitante universo da receptação como esperava, antes no inútil universo das réplicas perfeitas dos relógios de luxo onde “só os ponteiros grandes funcionam e os outros são para enfeitar”. “Mas oh senhor, quem o ver não vai reparar nisso.” E mostrou-me outras marcas e modelos, mais caros, com maior requinte na imitação, mas os mesmos ponteiros pequenos, os cronómetros, os indicadores dos dias, da reserva de marcha, parados... “Os seus amigos vão pensar que é verdadeiro!”.

jorge b @ 12:24 PM | Obs (0)
quinta-feira, 13 de novembro, 2003

Adeus "Mundo Encantado dos Brinquedos do Continente"! ... | espécie: algures

Bem vindos ao "Palácio Encantado..." Quatro paredes sempre são mais seguras, menos turbulentas que o "mundo". Um Natal mais aristocrata portanto.

jorge b @ 03:34 PM | Obs (0)
quarta-feira, 12 de novembro, 2003

Lojas do chinês: o meu veredicto ... | espécie: estudos

Não tenho o espirito activista que norteia as associações que aguerridamente defendem os direitos dos consumidores. A própria palavra .consumidor. assusta-me e é vista por mim mais como uma maldição do que como esse adjectivo que afinal de forma implacável traduz a nossa condição por estes dias, aquilo que todos somos, cada vez mais, meros consumidores, desde afectos aos últimos modelos da swatch.
Defender o .consumidor. cheira a defender o .consumismo. e por isso penso que a questão deve ser antes atacada que defendida, atacando-se portanto quem fomenta o consumismo ao desbarato.
Assumindo no entanto esta realidade incontornável, a de que somos todos, e cada vez mais, antes resignados consumidores que cidadãos alertados, decidi fazer um vasto estudo tipicamente .consumista. acerca das .Lojas dos Trezentos., essas instituições respeitadíssimas, que me habituei a frequentar sempre que tinha que fazer tempo antes duma ida ao dentista ou quando tinha que comprar prendas de natal para os colegas.
É com algum desalento que tenho vindo a constatar o desaparecimento gradual deste tipo de lojas que assumiam verdadeiramente o seu preço e vocação no próprio nome. Assumiam uma honestidade e um comunismo nos preços únicos, uma excelente relação preço ridículo / qualidade dúbia que a todos tranquilizava, quando se sabia que entre lojas, sendo sempre o mesmo preço, não haveriam grandes discrepâncias, ou seja, dificilmente as pessoas se sentiriam ludibriadas até porque nem sequer se davam ao trabalho de comparar preços.
As coisas têm vido a alterar-se, a começar pelo próprios nomes das lojas, cada vez mais pretensiosos, pelos produtos exibidos nas suas prateleiras, cada vez mais inacessíveis ao consumidor teso comum, pela sensação de insegurança e desconfiança que transmitem ao consumidor tal a variedade afinal de preços.
Quando os chineses viram o Mc Donalds e outros similares ameaçarem a sua multiplicação na área da restauração, decidiram arrumar os wooks e deslocar parte do seu core business para a versão chinesa das .lojas dos trezentos.. Surgiram assim as famosas .lojas dos chinês., que de imediato começaram a proliferar um pouco por toda a cidade, trazendo com elas uma vasta panóplia de produtos típicos da barata mão de obra chinesa e que rapidamente substituíram os bibelots típicos da velha pechincha portuguesa.
Ainda assim, algo que as lojas dos chineses trouxeram de bom foi a assumida concorrência entre chineses, provavelmente entre continentais e taiwaneses. Daí, um bom consumidor de artigos supérfluos como o são 94,5% dos que este tipo de loja oferece, tem que estar atento ás oscilações dos preços dum mesmo produto entre lojas de diferentes chineses, oscilações essas que em certos casos chegam a ser escandalosas.
No sentido de concretizar o meu estudo, iniciei uma série de visitas sempre a dias e horas diferentes a 4 (quatro) .A lojas do chinês. ao calhas. E a seguir, seguem as conclusões do meu estudo, as minhas compras na loja do chinês de Campo de Ourique, que em boa hora incluí neste estudo, que é indubitavelmente a minha .ESCOLHA ACELTADA., superando todas as outras lojas em quase todos os domínios, variedade, arrumação, asseio, sotaque e, nomeadamente, quanto ao preço. Entre parêntesis acrescento a cada item o preço médio verificado nas outras três lojas do chinês.

As minhas compras na .Loja do Chinês. . delegação Campo de Ourique

- 1 sofisticado porta-chaves / cadeado em prateado com mecanismo incorporado de abertura através de uma combinação de 3 algarismos (999 combinações possíveis), em metal especial e inviolável, pelo invejável preço de 2. (não havia à venda noutra loja)
- 1 ultra-resistente barra de torção (equipamento de musculação), com molas helicoidais em aço inoxidável, tratamento anti-ferrugem e pegas em borracha para máxima aderência e conforto, por apenas 8. (9.)
- 1 termómetro de alta precisão e de dupla graduação em graus centigrados e farenheit, em mercúrio vermelho e puro, com base em madeira natural e adaptador para prego de parede, por apenas 1. (2.)
- 1 pack de dois fabulosos baralhos de cartas tipo .magic. mas com soberbas ilustrações coloridas e reflectoras, oriundas do universo manga japonês por apenas 4.. (5.)
- 1 hipnotizante imagem de nosso senhor jesus cristo com um coração brilhante nas mãos, ladeado por nossa senhora com a mesma clonada coisa nas mãos, imagem emoldurada numa requintada imitação em ouro, com efeitos especiais de luz e movimento psicadélicos, funcionando a electricidade e com 1 ano de garantia, pelo milagroso preço de 12,5. (16,75.)
- Estive tentado mas não comprei, uma bola de borracha anti-stress com a forma de um seio feminino (peça de invulgar requinte garanto-vos, que ficaria sempre bem à mão, dentro da gaveta da secretária).

Como se pode verificar, estas compras, efectuadas na .Escolha Aceltada., num total de 27,5., resultaram numa economia de 7,25., o que me deixou, e deixaria quem quer que fosse, histérico de alegria.
Como não quero estar a ser injusto para com as outras lojas do chinês, onde apesar de incógnito teso do costume fui sempre bem recebido com todos os .éles., apresento agora os pontos fortes de cada uma, sugerindo aos ávidos consumidores que se dirijam as mesmas, caso estejam especificamente interessados nos produtos em apreço.
- Loja do chinês do Rato (produtos kitsh, pop-art, limpeza e menage)
- Loja do chinês do Camões (produtos de papelaria, doçaria e carteiras de senhora)
- Loja do chinês de Alvalade (chinezices genéricas e ferramentas e bricolage)
- Loja do chinês de Campo de Ourique (gadjets, relojoaria e tudo o mais)

jorge b @ 02:29 PM | Obs (0)
segunda-feira, 10 de novembro, 2003

Chico-Espertismo ligado a si ... | espécie: estudos

A PT foi condenada pelo Supremo Tribunal de Justiça a devolver quantias ilegalmente cobradas aos (todos) seus clientes durante o ano de 1999. No mundo perfeito dos administradores e accionistas da PT, não existiam nem concorrência, nem associações de defesa dos consumidores e muito menos tribunais a dar-lhes razão. Mas paciência... Felizmente, como não guardaram as facturas dos seus consumidores referentes àquele ano, terão de ser os próprios interessados a apresentá-las se quiserem reaver o SEU dinheiro ilegalmente surripiado. Felizmente, ainda, para eles, em boa hora tiveram a esplendida ideia de devolver aos consumidores lesados e com as facturas religiosamente guardadas, não o dinheiro como moralmente deviam, antes o equivalente em crédito para aquisição futura de serviços (chamadas) ou produtos (telefones...) da PT. Até aqui, tudo mal. É visível a má fé da PT, o cinismo com que se sujeitou á sentença do mundo (ainda) real e como a está a executar, muito pouco voluntariamente, quando diz não ter guardadas as facturas dos consumidores, sabendo toda a gente que tais facturas não serão mais que registos informáticos dos quais qualquer empresa de telecomunicações daquela envergadura e de bom senso teria feito um back-up. O mais certo são esses registos existirem sim senhor, algures num disco rígido qualquer. Mas no mundo perfeito daquela empresa, não existem, hipócritamente, convém que não existam.
Mas tudo pode piorar ainda mais quando na televisão vemos um representante desse mundo perfeito, um administrador da PT, de carne e osso e gel no cabelo, porta voz da empresa, explicando, com a candura que só os grandes cara de pau conseguem ter, as inexplicáveis regras para quem quiser jogar o jogo do 'Onde pára o meu dinheiro?'.
Acho que já estamos todos habituados a suportar o chico-espertismo barato do costume. Já nos habituamos a ver políticos, areeiros, construtores civis, taxistas, nem todos e outros que não estes bem portugueses, exercerem com mestria esse autêntico desporto nacional. Muitas vezes mero aquecimento para a verdadeira actividade desportiva por excelência, a corrupção, que por acaso não virá agora ao caso. Mas quando o chico-espertismo chega-nos de onde menos se esperava, de uma empresa que quase símbolo nacional que é, deveria ser e dar exemplo de correcção e boa fé, empresa com a qual temos um vinculo contratual, a coisa pia mais fino. Na sexta feira á noite, quando soube de mais esta pérola da gestão de empresas 'made in portugal', fiquei instantaneamente desconfortável e contaminado... A PT estava 'ligada a mim', eu ligado ao chico-espertismo... Constatei que naturalmente as minhas facturas do telefone de 1999 já há muito que tinham sido recicladas. Comecei a aperceber-me que contribuía com a minha cota-parte para o ordenado recebido por aquele rapaz administrador, que de algum modo contribuía para todo aquele gel que lhe empastelava o cabelo. E ao fazê-lo estava a contribuir e a concordar com o perpetuar do chico-espertismo empresarial nacional... Não adiantava mudar de posição no sofá, não adiantava mudar de canal para não ouvir mais o gajo do gel. Adiantava sim mudar de operador telefónico, adianta mudar para a concorrência. Neste momento estarei já a pagar, não o gel, antes talvez o tratamento capilar a outro senhor administrador qualquer (não se consegue evitá-los), que isto nas telecomunicações em Portugal, ser cliente da PT, ou ser administrador da concorrência, deve causar muita dor de cabeça, muito stress e consequente queda de cabelo.

jorge b @ 10:50 AM | Obs (0)
sexta-feira, 7 de novembro, 2003

One minute post ... | espécie: publicidade gratuita

- É só carregar neste botão e transformo-me num 'serial porno-photographer'!
"One Hour Photo" ("Camera Indiscreta", de Mark Romanek, 2002, em DVD) é mais um grande filme daqueles talvez demasiadamente discretos para o gosto do público em geral, apesar de contar com o popular e versátil Robin Williams, em mais uma grande interpretação. São filmes assim que me fazem (ainda) acreditar no cinema 'made in Hollywood', filmados sem grande aparato, sem as habituais concessões à disciplina comercial dos grandes estúdios.
É uma das mais bem contadas histórias de suspense e medo dos ultímos anos. O tipo de história que faria as delícias de Hitchcock.

jorge b @ 10:35 AM | Obs (0)
quarta-feira, 5 de novembro, 2003

Singelas contribuições para o meu daltônico auto-conhecimento ... | espécie: revisões da matéria

Terei descoberto um surpreendente padrão no meu irregular consumo de revistas. Já não bastava ter chegado à conclusão que afinal orientava-me muito mais pelos gostos da maioria do que aquilo que julgava, e agora sinto-me como um chimpanzé a fazer um teste de Pavlov... Vi nas bancas a Maxmen (ex Maxim, ex Super Maxim) e senti logo o impulso de a comprar... Autêntico reflexo condicionado, comprei-a.
Tenho em casa, guardadas naquela pilha de revistas que são para guardar, os números anteriores das Maxmens compradas e que pretendo preservar para a posterioridade. Foi naquela molhada que descobri que, pondo de parte as revistas que traziam na capa a Mónica Belushi e a Denise Richards, comprei todas aquelas que prometiam mais fotos duma qualquer loira seminua no seu interior! Sendo consumidor mais ou menos regular da revista, falhei no entanto os números que, agora concluo, traziam na capa fotos de morenas ou ruivas... Se na capa vinha uma loira, foi comprada de certezinha absoluta (tirando a que trazia na capa a Alexandra Fernandes, pouco apelativa).
Confesso que nunca julguei que teria uma preferência assim tão evidente... Sempre detectei beleza em todo o corpo sobejamente feminino, independentemente da cor do cabelo, da pele, do batôn ou da altura dos sapatos de salto alto. Longe de mim recusar liminarmente qualquer tipo de contacto explicitamente mais estreito com não loiras, avesso a superstições que sou, e nunca me pareceu lógico fazer qualquer tipo de discriminações generalistas entre loiras e morenas. Há morenas feias e bonitas, assim como há loiras e ruivas e por aí fora. O que é feio e bonito é naturalmente relativo a cada apreciador que por sua vez não tem nem loira nem morena, antes sempre cinzenta, aquela parte do cérebro onde se registam as suas preferências e referências volumétricas.
Mas perante aquelas provas de compra, assumo a minha involuntária preferência: Este gajo prefere as loiras sim senhor, seminuas!... E todo o restante universo feminino, bem vestido ou bem despido, consoante... A beleza agasalha-se, esconde-se em lugares por demais visíveis...

jorge b @ 03:32 PM | Obs (0)
terça-feira, 4 de novembro, 2003

Os efeitos acústicos da bola de cimento ... | espécie: bola

Para o caso de ainda ninguém se ter apercebido, vamos ter mais 4 longos anos de altamente provável jejum no Benfica. Luís Filipe Vieira ganhou as eleições com uma vantagem, diria, escandalosa. Foi um grande feito da arquitectura e da construção civil portuguesas.
...
Mais extraordinária ainda é a acústica da grande obra. Diz quem já assobiou no novo estádio, que é espectacular o efeito .surround. 65000:1.
...
Depois de ganhar é fácil prometer: .500 mil sócios em 3 anos.. Exagero ? Claro! Mas fonte ligada ao presidente já veio esclarecer que a promessa não se referia a .sócios. mas sim a .500 mil sacos.... de cimento. Prevê-se a construção de diversas monumentais casas do Benfica. A TVI já assegurou o exclusivo das inaugurações.
...
Entretanto fala-se já na comercialização de capacetes de obras oficias do Benfica com o respectivo logotipo afixado na parte da frente. Ao contrário dos verdadeiros, estes não serão de uso obrigatório, assegurou fonte ligada ao estaleiro benfiquista.
...
A direcção encarnada prevê também a comercialização de martelos oficiais do Benfica, que utilizados no final dos jogos contra o respectivo capacete, criarão um também espectacular efeito acústico. Há que explorar as potencialidades do novo estádio, substituindo-se assim o pouco ruidoso velho ritual do pano branco, um reconhecido plágio do 13 de Maio.

jorge b @ 10:14 AM | Obs (0)

O ultimo escritor do mundo ... | espécie: algures

Por vezes chegam-nos livros de quem menos se espera: Saddam Hussein, "Zabiba e o Rei", publicado na colecção "Contemporânea" da Europa-América.-

jorge b @ 10:03 AM | Obs (0)
segunda-feira, 3 de novembro, 2003

Passatempo da Idade Média ... | espécie: mundo

Porque é preciso não esquecer, fica aqui o desafio, associar-se o nome à obra de alguns dos maiores facínoras da história, muitas vezes injustamente esquecidos:

A. Papa Pio XXII
B. Papa Nicolau V
C. Papa Inocêncio VIII
D. Papa Paulo III
E. Papa João XXII

1. Reforçou a autoridade inquisitorial em 1450.
2. Elaborou a Bula que ordenava às autoridade seculares cooperação total com os inquisidores, concedendo à Inquisição poderes judiciais e executivos em assuntos de heresia e bruxaria.
3. Apercebendo-se do potencial remunerativo que a caça à .bruxaria. traria aos cofres da igreja, concedeu poder formal à Inquisição em 1320.
4. "Mediante 80 soldos pagos à Santa Sé, consentia que os leigos dormissem com as mães e irmãs, e por pouco mais os pais com as filhas; permitia ainda aos diáconos o assassínio com as condições de darem 240 soldos; aos bispos e aos abades um pouco mais abonados, o direito de apunhalarem o semelhante, se dessem 300 libras."
5. Passava o melhor do seu tempo a gerar filhos, que depois elevava a cardeais.
(solução: A.3 . B.1 . C.2 - D.5 - E.4)

jorge b @ 02:46 PM | Obs (0)
quinta-feira, 30 de outubro, 2003

Ícone 7.0 - Denise Richards ... | espécie: ícones

'Se quizerem um sorriso comprem primeiros os dvd's dos meus filmes!'Ícone 7.0
Denise Richards personifica num só precioso canastro toda uma vasta panóplia de imagens típicas que desde sempre nutriram o imaginário de qualquer bípede agora com idade para usar uns ray-bans. Ela é a típica cheerleader, a típica filha mais nova do nosso chefe, tem os típicos lábios, um cabelo típico, a típica gaja irresistível mas que nos faria hesitar e pedir-lhe primeiro o BI para confirmar a maioridade, a típica actriz que pouco mais terá para além do sorriso bonito (mas e quem quer mais ?!), ela é o mais aproximado que os americanos conseguem ter da típica Laetitia Casta.
E se pensam que o filme onde ela aparece em melhor estado de degustação visual é o .Wild Things. (filmezinho medíocre por sinal), estão selvaticamente enganados. A pequena aparece em grande forma em .Undercover Brother., um filme de .blacks. com alguns gags de se lhe tirar o chapéu e uma Denise de se lhe tirar aquela justinha farpela branca.

jorge b @ 05:01 PM | Obs (0)
quarta-feira, 29 de outubro, 2003

Reflexões sobre o espantosamente belo ... | espécie: revisões da matéria

'Fui ontem ao Vidal Sassoon!'Reflexões sobre o espantosamente belo
Na realidade um interior espantosamente belo não existe. Apenas a beleza exterior pode-o ser.
*
Quando se fala do espantosamente belo, estou em sintonia com os gostos universais da maioria. Por maior que seja o fosso social e cultural que nos separe, a gaja que povoa o imaginário do pedinte da esquina ou daquele gajo que vai a ler o "Record" e a coçar as meias brancas, é a mesmissima gaja que povoa o meu. Dada a minha alergia ás maiorias, isto ás vezes dá-me que pensar...
*
Um mais ou menos mal disfarçado mau feito pode conferir à distinta proprietária do mesmo muita sensualidade (proporcional aos atributos fisicos visivelmente evidentes), criando num gajo a necessidade diria que cristã, de transformar a vítima num objectivo que a todo o custo necessita ser conquistado e exorcizado, conduzido para o lado do bem.

jorge b @ 12:18 PM | Obs (0)

Ideia do diabo ... | espécie: interferências

"As pessoas espantosamente belas raramente são boas, pela simples razão de que não precisam de o ser.", in "Eu, Lúcifer", Duncan, Glenn, Ed. Europa América

jorge b @ 11:12 AM | Obs (0)
segunda-feira, 27 de outubro, 2003

Orgulho nacional ... | espécie: bola

O Benfica inaugurou um grande estádio no meio de muita lama.
O estádio é bonito à vista, mas transmite a imagem duma equipa e dum país que infelizmente não existem. E mostrada a obra, o deslumbre tudo faz esquecer, sobrando unanimemente elogios vindos até de onde e para quem menos se esperaria.
Vieram-me á memória as grandes pirâmides do Egipto, aquelas obras megalómanas e milenares construídas no meio de nada, no deserto, à custa da exploração do homem pelo homem, que é como quem diz, do escravo pelo faraó. Por muita beleza que encerrem estas e outras maravilhas, não consigo deixar de esquecer a que preço foram erguidas, nem deixar de reflectir sobre a pequenez que está afinal na origem das mesmas...
Na melhor das hipóteses teremos estádio para 50 anos e ego ridiculamente inchado por pouco mais de meia dúzia. Muito pouco para tanto milhão, muito para tão pouca equipa cujo parco futebol mal chega para encher uma capelinha quanto mais uma catedral.-
*
Com tanto desequilibro orçamental, Durão Barroso só por milagre também não se desequilibrou quando se preparava para falar aos orgulhosos Benfiquistas.
A malta cumpriu com o seu decibélico dever de apupar políticos e dirigentes que não os da casa. Durão, no top, sorriso tosco mas sincero, lá se conseguiu equilibrar num discurso macio e com a serenidade de quem sabe que por mais assobio que se oiça, não passará disso, de assobio. Como se viu, é perigosamente fácil a um político pôr benfiquistas a bater palmas .
*
Foi um fim de semana em grande. Depois da festança de Sábado á noite, no Domingo Marcelo da TVI respondeu com muita pinta a um dos Pedroso Bros. Bem encenado o displiscente pormenor aquele de ter deixado quase para o fim a resposta à carta indignada. Afinal na própria carta arranjou o professor ainda mais lenha para quem se quisesse queimar. Atrevo-me a colocar Marcelo na galeria dos meus orgulhos nacionais, a par da Voxx, Mão Morta e Ena Pá 2000.

jorge b @ 05:22 PM | Obs (0)
quinta-feira, 23 de outubro, 2003

Hero ... | espécie: publicidade gratuita

Grande maralha da China!
Ao contrário desta minha sazonal gripe que me força a escrever e a conectar-me de casa, não é normal constipar-me com filmes, engripar-me com quaisquer dramas passionais, emocionar-me, por mais dramáticas que sejam as histórias que polvilham o imaginário e arquitectam os protótipos dos "sentimentos puros". A minha resistência a Shakespeare de algum modo sempre me envergonhou, acusando-me de falta de sensibilidade, de ausência de romantismo.... Mas sempre me pareceu a mim que em todas aquelas histórias passionais havia sempre alguma coisa menos impoluta nas relações, nas personagens. Muitas histórias de amor acabavam mal porque infligiam sofrimento atroz e insuportável a terceiros, cujos dramas também não deixavam de inspirar em mim compaixão e compreensão.
Temos tentações inatas para construir becos sem saída mas também a habilidade de estarmos sempre alerta e sabermos construir pelo menos uma saída de emergência. E essas vítimas dos amores impossíveis, proibidos ou condenados, sob a desculpa da loucura do amor e da paixão, sempre ignoraram a eventualidade da coisa dar para o torto.
Ou seja, não havia personagem alguma imaculadamente isenta de algum pecadilho ou defeito de fabrico, ainda que impreceptível, mas sempre oriundo desse lugar lúgubre que é a natureza humana. Ora isso sempre activou em mim um processo de desmistificação, um exercício inconsciente algo cruel para com o aparentemente sublime. Em todas as histórias, inventava interiormente alguma desculpa para a tragédia que surgia afinal como corolário lógico, .estavam mesmo a pedi-las!.. Acreditava que cada final, por mais infeliz que fosse, era afinal merecido, espécie de justiça divina que o agiota contador da história secretamente aplicava para, causa primeira, choque e sofrimento maior de quem lê, eficácia portanto, causa segunda e directamente relacionada com a primeira, poder com isso lucrar... As histórias de final feliz levava-as o vento ou prendia-as a inveja. Temos muito mais tendência para ficar a remoer uma injustiça e consolarmo-nos na desgraça alheia.
Shakesepeare de lado, histórias de amor do cinema moderno à parte, (.Paris Texas. ?! uma comédia!), dramalhões de novela à distancia, o drama bem português, logo, diversamente ficcionado, historiado e especulado, de .Pedro e Inês., sempre suscitou em mim uma anormal consideração, pelo menos na sua versão mais corrente e romântica. Aquela coisa de se arrancarem os corações pelas costas, aqueles beijos em cadáveres em decomposição, tudo aquilo dava um excelente filme gore! Mas além disso, aquele drama, história de amor casto e cristalino, assim relatada, sempre me tocou deixando-me algo desconfortável perante a injustiça, a pureza dos personagens vítimas, em claro contraste com as personagens carrascas das nossas vidas, e a vileza dos terceiros da história, movidos apenas por um paranóico e deplorável medo de perder o poder. Ora isto fazia automaticamente de mim um gajo afinal normal e não um monstro insensível como pintava este pintor de auto-retratos. Havia aqui algures uma réstea de sentimento e solidariedade pelo drama passional, algures uma lágrimazita espreitava ainda que logo de seguida se recolhesse para o sítio de onde viera. Pedro e Inês, bela e inspiradora história de amor, o romance ideal, sem traições e com sacrifícios, e lá está, um final infeliz, senão provavelmente nunca teria chegado aos nossos ouvidos como milhentas outras histórias que as haverá, de reis e rainhas, filhos e primos, com paixonetas secretas, que amores tão ou mais sublimes e intensos viveram e a sacrifícios também obrigados foram sujeitos, mas porque tiveram desfecho feliz .olha acho que já não sinto nada por ti, Que coincidência, eu também!., nem à história passaram.
Recentemente
, ouvi na Voxx, um brasileiro que em entrevista a um programa da especialidade (quartas, 21-22) dizia-se percorrer o mundo, e agora em Portugal, estudioso do homossexualismo neste país pai durante a idade média, adiantou números de perseguidos, torturados e condenados à morte pela inquisição, acusados de tais práticas desviantes, e lançou à baila o nome dum rei português reconhecido sodomita (lamento não fixei o nome) e ainda o nome de Pedro, o da Inês. Teria sido afinal bissexual o então príncipe, ao que parece, antes, durante e após Inês. Ora não sei como, expliquem-me, porque apesar desta minha tolerância pelas diversas inclinações sexuais, formas diferentes de amar ou saciar o desejo sexual, fenómenos cujas explicações só a cada um dizem respeito, se não vejo naquela história senão outra mácula, como é possível, após ter tomado conhecimento desta novidade histórica, pequeno detalhe, como é possível que todo o significado, todo o esmagador poder dramático da história de Pedro e Inês e a revolta que inspira, se tenha desvanecido quase por completo ? Hoje apetecia-me dizer que tomara não ter sabido aquele pormenor escondido da vida do, então não duvido, pervertido Pedro, tomara que ele tivesse sido fiel e heterossexual, coisa rara eu sei, mas mesmo por isso, contra a banalização do humanamente vulgar, tomara que continuasse a existir dentro de mim aquele respeito pela arrebatadora história de Pedro e Inês. É que por mais corações despedaçados pelo destino ou arrancados pelas costas, por mais sangue e lágrimas que o dramalhão protagonizado por um bissexual meta, não terá a mesma cor e tempero duma história de amor heterossexual, sem adultério (Ou com adultério também podia ser, veja-se .a insustentável leveza do ser., o quão de traição não há por ali, o quão apaixonante é a história, o quão com ela se identificou toda uma geração e outras inspira.)
E com isto, pretendia eu falar de .Hero., um filme chinês produzido por americanos, que, atrevo-me a dizer, tem a mais bela história de amor de sempre contada pelo cinema. Não é normal, mas já vi o filme 4 vezes em quinze dias, e das 4 vezes emocionei-me, descontrolei-me.
Neste momento choro dos olhos, mas é da gripe.

jorge b @ 12:52 PM | Obs (0)
segunda-feira, 20 de outubro, 2003

The Ferro Sindrome ... | espécie: portugal

The Ferro Sindrome
Pode efectivamente Ferro Rodrigues ter razão, e estar a ser alvo do populismo. Como é sabido, diz a vox populis que .a natureza é uma imensa casa de banho.. Mas, convenhamos, o segredo de justiça não fica atrás de nenhum pinheiro, não é nenhuma moita, nenhum arbusto, onde se possa cagar numa aflição! A meu ver, o caso de Ferro poderá ser do foro meramente clínico. Ponham os psiquiatras a falar dos políticos! Já alguém levantou a hipótese do líder do PS sofrer do Síndroma de Tourette* ?
* Desordem neurológica caracterizada por vocalizações involuntárias e compulsivas de obscenidades (Giles de la Tourette, neurologista francês, 1857-1904)

jorge b @ 09:58 AM | Obs (0)
sexta-feira, 17 de outubro, 2003

Encontro de blogs #1 ... | espécie: estudos

Estive a beber sumo de laranja e a comer amendoins no lançamento do livro do Paulo Querido sobre o universo blog (blogoesfera®) nacional. O evento do Mercado da Ribeira/Livro serviu de pretexto para reunir um considerável grupo de pessoal dos blogs que respondeu ao apelo do desde já promissor .guru.. Querido teve a gentileza de referir que depois de concluído o livro já tinha tido conhecimento de mais meia dúzia de blogues importantes que não estariam, infelizmente, mencionados na obra. Foi o único momento em que nitidamente senti o ego amaciado.
De resto, estiveram presentes o mais novo e o mais velho blogueiro (em idade conforme b.i., fez-se história), não houve nenhuma aparição de vulto (havia expectativa quanto à aparição do Pipi. Se apareceu não sei, não sou pastorinho!) e o livro custava 13 euros (não há milagres!). O sumo estava demasiado ácido, pouco diluído, não provei as passas e já não estive presente na sessão de autógrafos.
® Blogoesfera é um blogotermo blogoinventado pelo Blogopacheco Blogopereira.

jorge b @ 10:36 AM | Obs (0)

The Marcelo Sindrome ... | espécie: portugal

The Marcelo Sindrome
Ainda do pessoal e transmissível da TSF, desta vez o professor Marcelo Rebelo de Sousa, há já algum tempo atrás, desvendava o mistério que fazia vir ao de cima o lado mais matemático de Pacheco Pereira: Confessava Marcelo que, como não tinha tempo, lia na diagonal a maior parte das dezenas de livros que sugeria semanalmente aos domingos na TVI.
Ocorreu-me agora que para promover junto de Marcelo os seus livros, seria óptima ideia os editores imprimirem edições especiais na diagonal. Facilitaria muito a vida e o pescoço do professor.

jorge b @ 10:32 AM | Obs (0)
quinta-feira, 16 de outubro, 2003

The Freitas Sindrome Freitas do ... | espécie: portugal

Freitas do Amaral será provavelmente o menos Português dos Portugueses. Por mais que tente, não consigo imaginá-lo a beber uma cervejola pela garrafa ou comer com os dedos uma sardinha assada em cima dum bom naco de pão Alentejano. Já consigo, por exemplo, imaginar Jorge Sampaio na mesa duma tasca a jogar dominó com o Almeida Santos, queixando-se ambos do fumo que Mário Soares faz a fumar mata-ratos, e com Durão Barroso a servir .copos três. atrás do próprio balcão da tasca.
É importante sentir-se que aquele em que se vota, podia, ainda que muito remotamente, ser um dos nossos. Por ventura, o relativo insucesso na vida política de Freitas dever-se-á a esta falta de identificação que o povo votante sempre sentiu por ele. Lembremo-nos que o homem perdeu, salvo erro, duas corridas à presidência, teve vários desaires eleitorais e nas mãos um partido à beira da extinção tendo depois arrepiado caminho. Teve reconhecimentos naturalmente, mais visível quando esteve lá longe, na ONU, a muitas portas e gabinetes de diplomatas de distancia da populaça, mais louvável agora, como dramaturgo.
Dizia o dramaturgo numa recente entrevista dada a Carlos Vaz Marques da TSF, que era a favor da instituição dum Senado, algo assim paralelo à já ressonante assembleia da republica, mas mais calminho, supostamente para, nas suas palavras, tirar mais valias de centenas de homens e mulheres ligados ao estado mas sem intervenção política, e que, daquela forma sentada, muito poderiam dar à nação! Freitas a léguas de distancia do estado de espirito nacional, ainda acredita em contos de fadas e pior ainda, numa maior politização do Estado, já de si superlotado, reforçando a percentagem de políticos sentados, indo buscando homens e mulheres que, onde quer que a esta hora estejam, serão porventura úteis e darão menos chatices.
Mas o cumulo do distanciamento de Freitas em relação ao cidadão comum acontece quando a certa altura aponta um dos sinais que evidenciam a sua velhice. Se qualquer português, começa a notar os seus sinais de idade quando repara já não conseguir chamar nomes ao arbitro com a mesma pujança com que o fazia noutros tempos, Freitas diz estar velho porque .agora conhece todos os ministros mas (oh!!) não conhece nenhum secretário de estado (ohh!!)., ao contrário de outros gloriosos tempos em que conhecia aquela maralha toda.
É comovente imaginar alguém envelhecer assim. Mas é nesta amarga angustia, atacados deste síndroma, que envelhecem os políticos. Chega o dia em que nem ministros já conhecem, depois nem o primeiro ministro, o presidente da republica... Morre-se na mais profunda das solidões, rodeado apenas da família.

jorge b @ 09:24 AM | Obs (0)
terça-feira, 14 de outubro, 2003

My favorite fetish dreams #1 ... | espécie: portugal

My favorite fetish dreams #1
Eu sou paquete num hotel de luxo e sigo num elevador daqueles com paredes almofadadas em veludo vermelho, levando nas mãos uma bandeja com dois copos e uma garrafa de Martini. Abre-se a porta do elevador e entram a Manuela Ferreira Leite do PSD e a Ana Gomes do PS, e perguntam uma á outra se não se conhecem de algum concurso de misses. Depois começam a discutir sobre quem seria a mais bela e teria mais sinais que evidenciariam uma pessoa do sexo feminino que decidira dedicar a sua vida à política. Por volta do 134º andar, perguntam-me a minha opinião. Eu entretanto já tinha bebido a garrafa de Martini, encontrando-me caído no chão em coma alcoólico. No hospital, mal retomo consciência e abro os olhos, vejo a cara de Ferro Rodrigues e por momentos julgo estar no Inferno. Ele diz-me que estou despedido e só então me apercebo que estou com um hálito péssimo e que deveria ter escolhido outra profissão. Entretanto, num quarto de hotel, a Marisa Cruz, sozinha, desespera pelo Martini com paquete incluído que pediu há horas e resolve ingressar numa equipa de rugby feminina.

jorge b @ 12:47 PM | Obs (0)

Irrespirável ... | espécie: lugares

Precisamente neste momento, na Cidade do México, alguém compra por 1 euro uma máscara com 1 minuto de ar puro.
Precisamente neste momento...

jorge b @ 09:11 AM | Obs (0)

Larguem-lhe as canelas! (novos PS - provébios suaves) ... | espécie: portugal

O testemunho do menino é sempre mais falso que o meu.
Quem se mete com crianças, acorda deputado.
Tudo a seu tempo, e os nabos no parlamento.
Melhor uma mentira que dura, que uma verdade que fere.
Apanha-se menos depressa um pedroso que um coxo.
Deputados passados não comem meninos.
Quem com ferro conta, com ferro será absolvido.
...

jorge b @ 09:06 AM | Obs (0)
segunda-feira, 13 de outubro, 2003

Ilusões paralelas ... | espécie: extracções

Acordo e passados alguns segundos estou a pressionar a válvula do gel de barbear. Reparo que estou atrasado, que nunca mais corre água quente, que como de costume não terei tempo de tomar o pequeno almoço em casa. O espelho está ligeiramente torto, a barba ligeiramente por fazer e como habitualmente tenho um gato atento, sentado no bordo do lavatório, a seguir-me os movimentos. É apenas mais um começo de dia, igual a outros começos de dia, sem alternativas ao ritual pós-sono. Excepto agora, num pequeno detalhe. O mostrador do relógio tem inscritas duas letras que indicam o dia em que acordo: SU, o Domingo abreviado, em inglês.
Escrever, escrever num blog também é assim, acordar num Domingo de manhã pensado que se está a acordar numa Segunda feira de trabalho, este ritual do engano e do efémero, esta ilusão qualquer que o tempo interrompe sempre, felizmente.

jorge b @ 12:39 PM | Obs (0)
sexta-feira, 10 de outubro, 2003

Peço desculpa! ... | espécie: algures

Mantorras pá, a malta quer é golos e não desculpas!Peço desculpa!
Tive acesso em exclusivo a um dos poucos exemplares d..A Bola., que ontem saiu sem aquele erro crasso na manchete, quando citava Mantorras (quem ?! é um jogador qualquer do Benfica)! Eis a versão genuína da primeira página, o que realmente Mantorras pediu:

jorge b @ 09:48 AM | Obs (0)
quinta-feira, 9 de outubro, 2003

Dia da Liberdade ... | espécie: portugal

Dia da Liberdade
Que país é este, em que um arguido acusado de pedófilia sai duma prisão preventiva para uma medida de coacção de termo de identidade e residência, e tem uma miserável recepção daquelas ? Meu deus, até o Benfica quando faz anos tem direito a fogo de artificio! Como é possível, um tão importante momento da vida da nação, ter sido apenas transmitido em directo por 3 dos 4 canais de sinal livre ? Quantos milhares de espectadores terão perdido o espectáculo enquanto viam as sit-coms americanas do canal 2, o único que não transmitiu o acontecimento ?
Ninguém ficou indiferente àquela recepção fracamente apoteótica do arguido. Entre dezenas de figurantes e sósias contratados em cima do joelho, meia dúzia de deputados genuínos receberam o arguido Paulo Pedroso com uns mal ensaiados abraços. Estava lá muita gente, na assembleia, na sede do partido, mas eram nitidamente figuras de segundo plano do partido do arguido. Mulheres de limpeza, empregados dos bares, a senhora que faz os rissóis, é certo que não faltaram àquele abraço em liberdade, sabe-se lá aliciados com que promessas de pastas e lugares num eventual governo socialista... Perece que estou a ouvir Ferro Rodrigues .Só têm que o abraçar, só têm que o abraçar, beijinhos não!.. Mas, e as principais figuras, os históricos (atenção que aquele era uma sósia do Manuel Alegre, não vão em cantigas que o um político com um apelido daqueles nunca chora), um Mário Soares, um presidente da república que é do partido, um governador do banco de Portugal idem, comissários europeus, ex-primeiros ministros, presidentes da internacional socialista, essa gentalha toda, não deu a cara! Onde está a solidariedade e o champanhe, para brindar ao herói ? No mínimo dos mínimos, o que se exigirá dum futuro governo PS, se realmente se quiser redimir deste triste dia, será proclamar o dia 8 da Agosto feriado nacional, passando a ser este o Dia da Liberdade!
Foi um espectáculo triste e comovente! Quase que fui ás lágrimas quando Paulo Pedroso saía dum carro qualquer de luxo de certo alugado à ultima hora, e foi de imediato abordado por uma gaja qualquer pequenina, de telemóvel em riste, dizendo-lhe .é a sua mãe!.. Pedroso mostrou-se indiferente, claro está, avançando decidido para o próximo abraço ensaiado. Além da falta de solidariedade, sair da prisão e alguém lhe dizer que a mãe é um telemóvel, só podiam estar a gozar com ele. Não se faz a nenhum arguido acusado de pedófilia! Não estranhei pois, aquele black-out. Ficámos sem saber se o arguido foi dormir a casa, em que restaurante jantou o pernil de porco, se é que foi pernil de porco e não tão somente uma sopinha de caldo knorr, ou se teve algum pesadelo com o dia do julgamento que está para vir.

jorge b @ 10:24 AM | Obs (0)
quarta-feira, 8 de outubro, 2003

Job for the daughter ... | espécie: portugal

Job for the daughter
Como grãos de milho, são pequenos os escândalos que alimentam as galinhas histéricas da oposição. Na capoeira, ainda as penas não assentaram no chão e já há dois ministros demissionários. Na política é assim, os pequenos escândalos servem para demitir políticos no governo, os grandes para os manter em toda a parte.
Mas porquê tanto .cagaçal. senhores, se todos os políticos são escandalosamente .cunhados. uns dos outros ? Se naqueles antros, é através da cunha que se faz a .filtragem., se faz tão naturalmente a .selecção natural. da espécie, se perpétua a raça!
Fosse a filha do ministro discreta mas promissora activista duma Jota qualquer, e a ordem natural das coisas não seria quebrada. Gente compreensiva seria naturalmente conivente com o caso, que nem era para um .job., tal como o é tolerante com os casos dos .boys. do costume. Assim, mera civil, anónima, demasiado daughter, o contraste torna-se escandaloso, fere a vista mesmo curta, e não pode deixar de merecer castigo.
Há quem se sinta orgulhoso do sistema, há quem refira ser apenas a democracia a funcionar e a funcionar bem. Eu digo apenas, agora vingança! É o mínimo que se exige, que se zanguem as comadres!

jorge b @ 12:41 PM | Obs (0)
terça-feira, 7 de outubro, 2003

Parque das Aberrações ... | espécie: portugal

O Parque das Nações é mais um exemplo duma boa ideia transformada num enorme engarrafamento. Muito em breve o que parecia ser algo de inteligentemente concebido, motivo de orgulho nacional, transformar-se-á (se é que já não está) num espaço urbano indigesto, vítima dos patos bravos e da disparidade de estilos arquitectónicos, com uma imagem não muito próxima dum qualquer arrabalde periférico. Alguns edifícios são verdadeiras aberrações e outros, na vizinhança de outros mais emblemáticos, começam a pouco e pouco a 'diluir' a imagem destes.
Azar para quem comprou ali apartamento a preço exorbitante, na esperança de ver o "stress diluído no Tejo" ou em busca duma prometida excepcional qualidade de vida. Fica-se com a ideia de que o espaço terá sido concebido apenas para quem lá viveria, não se tendo levado em conta o fluxo de 'emigrantes' de fim de semana que ali acorrem à procura dum naco de outro ar ou de outro 'status' que o local parece prometer.
Ao fim de semana, o local é um verdadeiro caos, uma anarquia de pessoas mansas e de estacionamento selvagem. Mas parece ser assim que se mede o sucesso em Portugal. E o Parque das Nações é um verdadeiro sucesso bem português.

jorge b @ 08:36 AM | Obs (0)
segunda-feira, 6 de outubro, 2003

Top Secret ... | espécie: extracções

A suprema satisfação do dominador consiste em ser absolutamente dominado.

jorge b @ 12:24 AM | Obs (0)
quinta-feira, 2 de outubro, 2003

A burra ... | espécie: histórias infilmáveis

Uma mãezinha qualquer interroga o filho, então como foi hoje a escola ? comeste o papo-seco com manteiga ? bateram-te muito no recreio ? quando subitamente a criança diz, eu sou burro! A mãezinha fica indignada e volta à carga, quem é que te disse isso ? diz! A criança não diz. É coisa daquela professora, diz a mãezinha. Olha tu não dizes mas deixa estar que eu vou saber ouvistes ? Depois de garantir à mãezinha que ouvira, ela sai e vai à escola da criança falar com a professora da criança. A professora da criança nega tudo mas a mãezinha exige que ela jure a pés juntos. A professora tem artroses nos pés e como não consegue juntá-los, a mãezinha fica desconfiada. Contrata um detective que além da professora doente dos pés, põe sob escuta todos os professores num raio de 20 Km. Diariamente o detective passa a entregar à mãezinha, relatórios sobre todas as chamadas efectuadas. A mãezinha finge que lê os relatórios antes do jantar e depois da novela liga religiosamente ao detective para lhe perguntar, o que é que acha ? O detective, passada uma semana, não disse o habitual, olhe vamos continuar a trabalhar, disse antes, olhe minha senhora mãezinha, mais de metade das conversas dos professores são entre eles. Combinam encontros secretos, falam da bolsa, dos filmes que estreiam, dos jogos da bola, de revolveres, de problemas com queda de cabelo, combinam jogos de matraquilhos, marcam quartos de hotel... A minha principal suspeita era uma professora que fazia muitas chamadas para a farmácia e falava muitas vezes ao telefone com outro professor, e muitas vezes parecia chamar-lhe .burro.! mas depois de analisadas as conversas, concluímos tratarem-se de espirros! dava-os com muita frequência. A mãezinha conta isto ao pai, que, ainda bem, pensa, não é professor. Já desistiu de interrogar a criança que teima em não dizer quem lhe tinha chamado de burro. A mãezinha já nem põe sal em condições na massa, só de pensar quem afinal tinha incutido na cabeça da criancinha tal ignóbil ideia. Só pode ter sido alguém, um adulto, pensa, porque a criança ainda não tem idade suficiente para descorrer sozinha o que é ou não é. Telefona então para a policia, quer meter um processo contra desconhecidos, por difamação, aliciamento de menores, o que seja. O detective continua o seu trabalho, entregando diariamente milhares de relatórios que são elaborados num centro de escutas ilegais entretanto construído para o efeito, e num tribunal qualquer corre um processo contra desconhecidos havendo no entanto uma forte suspeita, a professora. A desconfiança da mãezinha foi ainda maior quando esta foi lá a casa perguntar pela criança. A criança está ? já não aparece na escola há tanto tempo. O que é que quer dela, já não lhe bastou ter-lhe chamado de burro ? Eu não tinha razões nenhumas para chamar isso à criança. E nisto juntou os pés e jurou. Tinha feito diversas operações e agora já podia fazê-lo. Estava claramente a querer apagar as provas pensa a mãezinha. Dali vai directa ao tribunal dar o nome da professora. O processo passa pelas mãos dum juiz, que manda a criança ser inspeccionada por um técnico especializado. Ocorre ao juiz que a criança esteja a dizer a verdade, que possa ser mesmo burra. Uma semana mais tarde é o processo arquivado. A criança é enviada para uma escola especial onde as crianças estão longe das mãezinhas, e nessa feliz condição faz progressos assinaláveis. Um dia recebe o telefonema da mãezinha que lhe pergunta, como estás filho ? batem-te muito no recreio ? tens comido bem ? estou mal disposto. então filho, o que é que sentes ? sinto que és burra mãezinha. A mãezinha comovida, despede o detective.

jorge b @ 03:19 PM | Obs (0)

Toc-toc ... | espécie: extracções

Para se entrar na vida de alguém, convém fazê-lo sempre pela porta principal, e nunca por uma janela qualquer, aberta de propósito ou deixada assim ao esquecimento. E deve-se sair pelo mesmo sítio por onde se entrou.

jorge b @ 09:07 AM | Obs (0)
terça-feira, 30 de setembro, 2003

Ídolos do telecomando ... | espécie: estudos

Madonna disse uma vez, e muito bem, .Ohhh, sim, sim!.!... Desculpem, cassete errada, agora sim, .A televisão só tem utilidade se for para aparecermos nela.. Foi das coisas mais inteligentes que ouvi hoje, logo a seguir ao .hoje pago eu. do meu colega. De facto, se não aparecemos na televisão, para quê estar a perder tempo a ver outros aparecer ? Talvez por isso considere de entre todos, .Ídolos. o programa mais estúpido, logo, mais didáctico, o melhor programa da televisão portuguesa.
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Sucedâneo um pouco mais soft do velho formato da Private, os famosos castings (espécie de .porno-idolos.), o .Ídolos. apela a um mesmo instinto básico comum a qualquer telespectador, o .voyeurismo.. Se no primeiro espreitava-se o basqueiro das mais ou menos atrapalhadas e inexperientes candidatas despidas, neste, a mesma matéria prima surge vestida, apostada em desviar a atenção para outros dotes. Malta qualquer, que sonha pelo milagre da idolatria instantânea (à carinha bonita, basta juntar um bom corpinho, abanar e já está).
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Com a benção do júri, assustador, experiente, com muito currículo .graças a deus., isto numa clara alusão aos machões hiper-dotados dos castings da Private que desfloram a ansiedade das aspirantes a porno-estrelas. São os júris, quem se encarregarão de decidir quem e o que é que tele-viciado irá depois consumir. Estão mandatados por ele, sabem o que ele gosta: .Epá, o aspecto vale p.rai 80%! E tu... Por mim podes sair!.. E não é que é mesmo 80%! Os gajos lá sabem.
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O programa mostra-nos o real valor da televisão, o valor honesto e verdadeiro: estamos descaradamente a ver outros a dar barraca através dum aparelho inventado afinal para esse efeito. E dá-nos um gozo do caraças, pondo-nos num embevecido estado semi-vegetativo, de total ausência de pensamento construtivo ou criativo. Tenho a certeza que era essa a intenção do inventor da televisão, criar uma alternativa sólida à vivência pelo cidadão da não menos enfadonha e estúpida política dos partidos. Infelizmente um dia alguém adulterou tudo, julgou que seria um óptimo meio de comunicação, confundindo claramente vegetação com comunicação.
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Dar barraca é saudável e pode ser divertido principalmente se não formos nós a dá-la. Toda a gente já deu barraca para mais ou menos audiência, mas fazer da barraca tempo da antena é que é mesmo bonito.
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A televisão tem sido culturalmente sobrevalorizada ao longo de muitos anos, subvalorizando-se os reais efeitos nefastos que a mesma veio trazer aos terráqueos (terráqueos, faz de conta que sou um observador de outro planeta! Há um herói da Marvel assim. Já não me lembro o nome.). Muitos programas ditos culturais ou de divulgação cientifica, de animaizinhos, não anulam a terrível verdade: ao longo destes encaixotados anos temos sido e continuaremos a ser atrofiados pelo poder esmagador das imagens, intoxicados com publicidade, esvaziados pelas estórias dos argumentistas da Globo, cegos com as interpretações da Sofia Alves, extinguindo-se progressivamente a nossa capacidade de raciocínio, de vivência, e, principalmente, a imaginação, o tal poder imaginativo que só a palavra escrita lida ou ouvida estimula, ao contrário da imagem animada, onde os conteúdos são-nos dados visualmente, de bandeja.
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Imaginemos um mundo sem televisão. O efeito da tragédia do 11 de Setembro (para todos os efeitos, a referência contemporânea mais trágica) não seria mais sentido se apenas tivéssemos tido acesso aos relatos de jornalistas e testemunhas ? As nossas cabecinhas não dariam mais voltas e voltas, tentando imaginar, fazendo a reconstrução mental dos acontecimentos, tornando assim mais intenso o sentimento daquele drama bem real ? Estou convicto que sim. Será mais perturbador imaginar o que devem ter sentido as pessoas no interior dos aviões. O embate dos aviões em sim mesmo, as pessoas a saltar desesperadas, imagens repetidas à exaustão, adquiriram uma dimensão quase secundária, quase ficcional, quase espectacular, aproximando-nos o acontecimento dos olhos, mas afastando-o do, vou dizer, coração. Mas se por acaso tivessem sido transmitidas imagens do interior de um avião, minutos, segundos antes do embate, se tivéssemos tido acesso televisionado às imagens, acredito que essa perturbação, esse sentir doloroso seria atenuado. O que estou a querer dizer, é que a televisão pode ter um efeito pernicioso sobre a nossa capacidade de sentir, de sentir compaixão. Atenua e mascara o que é doloroso, distancia-nos com uma confortável segurança, do drama real. Digo que existe uma diferença muito mais ampla e perigosa entre o escrito .in loco. e o transmitido .in videns..
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Faz parte do desenvolvimento normal dum indivíduo, mais ou menos regularmente, voluntária ou involuntariamente, testemunhar a estupidez. É saudável. O confronto com tão enraizado veneno pode servir, mais que não seja, para pôr ali os olhos e não ser-se estúpido. Para quem tenta viver o mais afastado possível da estupidez, a televisão pode ser o único elo de ligação com o fenómeno. Assim como um pai deve corresponder ao modelo de virtudes positivas para o filho, a televisão deve ser o modelo inverso, um espelho do ridículo e de maus exemplos que em circunstancia alguma devem ser repetidos na vida real. É para isso que a televisão serve. Daí, quanto mais estúpido for o programa, melhor, mais eficaz. Mas isto, ver televisão e chamo a ver televisão, ver novelas, reality shows, telejornais, publicidade, bigbroderes e ídolos, esta terapia só será recomendável cinco, no máximo 10 minutos diários, posologia esta que deveria ser seguida à risca. Meia hora para casos mais graves. Existem casos em que mestres em yoga-tv, conseguem passar um mês sem tocar num telecomando.
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Em caso de tele-depêndencia, iniciar-se-ia um programa de desmame, reduzindo diariamente 1 minuto (mais seria traumático para o tele-imbecil doente). Acima de tudo, o doente deveria estar consciente do poderoso efeito hipnótico que as imagens têm sobre ele quando, sentado num sofá, após ter pousado o jornal, portanto, intelectualmente inerte. Não deixar-se seduzir pelo telecomando que, como todas as coisas ridículas do mundo, funciona a pilhas. Á falta do melhor do mundo, á falta da visão maravilhosa de uns sapatos de salto alto esquecidos no meio da sala, ter um animal de estimação pode ser uma excelente alternativa ao telecomando, acariciando-se-lhe o pêlo, escovando-o, dando-lhe pedacinhos de fiambre barato. Há pessoas tão tele-perturbadas que já foram vistas a passear de trela telecomandos universais pela Praça da Alegria. Está claro de se ver que o porteiro da maxime vedou-lhes a entrada!
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Qualquer pessoa que não seja crítico de televisão e sinta necessidade de estar frente ao televisor mais que o estritamente necessário ao controlo do seu processo estupidológico, deve rapidamente consultar ajuda médica especializada, o seu gestor de conta, visitar a biblioteca mais próxima, contactar uma empresa de ocupação de tempos livres ou então ir à cozinha comer donuts com leite fresco. Se nada disto resultar, experimente a receita mais eficaz: desligue a televisão da tomada de electricidade.

jorge b @ 01:31 PM | Obs (0)
segunda-feira, 29 de setembro, 2003

Deus, patrocinador oficial Os construtores ... | espécie: deus, patrocinador oficial

Os construtores das primeiras carruagens de metropolitano fizeram-nas sem janelas. Afinal, não havia paisagem nenhuma para se ver. Mas as pessoas queixaram-se, e apesar de enterradas a alta velocidade, a dezenas de metros de profundidade, as novas carruagens com janelas vieram acabar com aquela sensação claustrofóbica que sentiam, dando-lhes a ilusão de espaço.
Deus é a janela duma carruagem de metro.

jorge b @ 09:03 AM | Obs (0)
sexta-feira, 26 de setembro, 2003

Más companhias ... | espécie: revisões da matéria

Más companhias
Acompanho o meu irmão à matrícula. Portalegre. Aquilo é longe e ele não tem carro. Ele não fez parte dos sessenta e tal por cento dos que entraram para a primeira escolha. Sei que se tivesse entrado para o curso que queria, até era capaz de ir a pé. Só por esse motivo, porque sou contra estes acompanhantes tipo sombra ou anjo da guarda, acompanho-o.
Causa-me uma certa impressão ver miúdas acabadas de sair do liceu, já umas mulherzinhas portanto, acompanhadas sob a alçada dos pais, manas e primas, sempre mais velhas estas companhias, essa espécie de guardiões hormonais, no acto da matrícula, e quiçá depois no primeiro dia de aulas, na entrada para a residência de estudantes, sabe-se lá até onde... Esta geração de miúdas que afinal parecem desenvoltas apenas com as teclas do telemóvel. Fico envergonhado e teclo ás escondidas. Falo destas miúdas porque a universidade vai ser delas numa relação de 5 para um. Os pais dele também lá estão. Os meus só foram companhia quando entrei para a primeira classe, não tenho a certeza. Sei que para a pré-primária estiveram, isso sei. Depois, por aí fora, nunca mais tive companhia. Para quê ?! A parte burocrática sempre foi tratada por mim. Não era só eu, éramos todos assim, uns desenrascados. O tempo nas filas era passado na galhofa espontânea, aquela que só brota naturalmente sem a presença das fantasmagóricas companhias mais velhas. É no mínimo constrangedor saber que aquele gajo de bigodaças lá ao fundo é o pai da miúda ao lado, tão... cheia de dúvidas com o boletim das estatísticas do ministério. É absurdo estar num acto de matrícula onde no ar se respira o perfume rasca da praxe misturado com os perfumes austeros das mãezinhas. Ainda mais agora que existem os gabinetes de apoio ao aluno cujas simpáticas faces visíveis desfilam orgulhosa e elegantemente em traje académico. Mesmo com o calor, as prestáveis não tiram a roupa preta, mas tiram todas as dúvidas e as fotocópias. Que melhores companhias ?
Bagão Félix, paladino da segurança social do século XXI, havia de fazer contas ás horas de trabalho perdidas, e proibir duma vez por todas a entrada dos pais, manas e primas, sempre mais velhas, nos recintos universitários.

jorge b @ 10:09 AM | Obs (0)
quarta-feira, 24 de setembro, 2003

Cristicida ... | espécie: mundo

Cristicida
Oiço na TSF que o Vaticano prepara-se mais uma vez para fazer das suas. Um cardeal qualquer lá do sítio, um cujo nome serviria na perfeição para marca de raticida, irá impôr novas regras quanto ao modus operandis das celebrações liturgicas, vulgo missas (é a mesma coisa não é ?) Se as missas já eram chatas como o caraças, este cardeal amigo, com toda a certeza ateu radical infiltrado, ameaça fazer o favor a toda a humanidade, ao torná-las ainda mais insuportáveis que uma melga filha de Deus a zumbir nos nossos ouvidos ás 4 da manhã. Quer o malandro, que a partir de agora as mulheres deixem de auxiliar o padre durante as homilias (adeus oh saudosas acólitas catequistas de mini-saia), que não se batam palmas (e agora como é que a malta acorda ?), que não se leia outra coisa que não seja a bíblia nas missas (adeus livrinhos do patinhas), exortando todos os fieis, aos que ainda tenham a pachorra e o descaramento de ir à missa, a darem largas ao seu lado bufo, fazendo queixinha á autoridade eclesiástica mais próxima caso o padre fuja a estas e mais outras, parece-me, trinta e tal regras do mesmo calibre!
Eu não faria melhor! Ora, eu e as minhas lunáticas ideias, a exterminação do cristo rei de Almada (a SIC realizou-me o sonho de pelo menos assistir do sofá a tal, numa promoção recente dos .Idolos. onde se mostravam vários monumentos entre os quais o mono gigante vizinho da ponte sobre o Tejo, a ser implodido, um regalo para a vista), o levantamento de todo aquele alcatrão, betão e cera de Fátima e posterior transformação do espaço numa bela floresta só com aparições autorizadas a esquilos, javalis, coelhinhos e outra fauna real, e a conversão de todos as igrejas em espaços de arte, galerias, locais de leitura e de concertos de musica, enfim, medidas que, apercebo-me agora, só serviriam para criar mártires e focos de resistência entre as mentes mais empedernidas que as há muitas. Assim, nas calmas, com a suavidade como só realmente os padres têm no trato, se vai fazendo a grandiosa obra do ateu cardeal Ratzqualquercoisa, cujas discretas medidas em muito contribuirão para a extinção gradual do catolicismo, como um meteoro com efeitos ainda mais devastadores que aquele que exterminou os dinossauros.
Segundo consegui saber, isto não ficará felizmente por aqui. Aguardam-se para breve novas medidas do exterminador cardeal, como sejam a obrigação de todos os fieis saberem de cor e em latim todas as passagens da Bíblia, a prescrição pelos padres de TPC.s (trabalhos para casa) aos fieis (tipo rezar 50 ave marias enquanto fazem a espargata) ou obrigar os padres a proferirem as missas em jejum de 24, 48, 72 horas e assim progressivamente até deixarem de poder ir à praça comprar nabiças para a sopa.
Ave cardeal!

jorge b @ 11:02 AM | Obs (0)
terça-feira, 23 de setembro, 2003

Finalmente ... ... | espécie: publicidade gratuita

... O Resgate do Soldado Ryan. É o filme com mais guerra que já vi. Tal como não resistiu em pintar de vermelho aquela menina anónima na Lista de Schindler, Spielberg não resiste em salpicar da mesma cor a camera que filma na praia o caos do desembarque. Sentimento e realismo à la Spielberg. Afinal quem pretende ele enganar ?
... Thomas Moore. Ainda é cedo. Mas do que li, o mais interessante é uma citação de outrém, um monge italiano, parece: .Deus vê-nos com os mesmos olhos com que o vemos a ele.. Parece-me a antítese do filho. Olho por olho, dente por dente, ficamos pois quites, eu e Deus.
... Caminhada. Depois de várias diurnas, uma nocturna. As caminhadas parecem ter cada vez mais adeptos. Várias pessoas determinadas a .mandar uma perna para a frente da outra., na maioria desconhecidas, propõem-se caminhar assim quase sem mais nem menos por caminhos também desconhecidos. À noite, isto tem ainda menos lógica e não sai mais barato: Poupa-se no protector solar mas gasta-se nas pilhas. Brevemente saberei onde e quando é a próxima.
... Túnel do Marquês. Parece estar tudo pronto para o arranque da grande obra de Santana. Assusta-me ver Lisboa transformada numa grande e moderana cidade Europeia. Lembro-me de ter atravessado Bruxelas de carro quase duma ponta à outra sempre debaixo de terra, por túneis. E um daqueles painéis que publicitavam a obra na Praça do Marquês, mostrando fotos de como era a praça há várias dezenas de anos atrás e que .felizmente. tinha havido .progresso., só vieram reforçar em mim a convicção de como seria bem mais bonita a cidade naquele tempo, e como podia sê-lo já amanhã, com menos automóveis e sem túneis. Se ao menos isto fosse uma utopia, mas não é!

jorge b @ 10:31 AM | Obs (0)
sexta-feira, 19 de setembro, 2003

Gibraltar ... | espécie: lugares

Deve ser um dos sítios do mundo com o mais alto índice de gente feia por m2. Talvez só Andorra ou a Costa da Caparica consigam rivalizar, mas não têm aqueles bares e pubs geridos por inglesas com celulite na barriga ou ingleses com dermatites seborreicas afixadas em lugares visíveis. O resto, turistas e preços um pouco por todo o lado, um aeroporto e alguns esquecimentos.
Mea culpa. Caí no erro de voltar com outros mesmos olhos ao mítico rochedo. Tinha lá estado há largos anos atrás, naquela que fora a minha mais próxima experiência duma so called lua de mel. Improvisada, correu bem. Então, as horas na fila para passar a fronteira não me pareceram minutos, mas andou lá perto. Então, não estacionei o carro passados alguns quilómetros de trava destrava e segui a pé debaixo do calor que é insuportável. Afinal, quando se está apaixonado, como se é sempre suposto estar numa lua de mel, até Fernão Ferro tem o encanto dum condomínio fechado de luxo. Ilusões à parte, Gibraltar tinha de facto um encanto especial. Ficara alojado no Caleta, hotel com duas vistas fabulosas, rocha e mar, aquilo que Gibraltar era. Haviam também os macacos á solta lá em cima. Vinham comer á nossa mão e depois roubavam-nos os pacotes de bolachas. Era um prazer ser assim assaltado e de manhãzinha, sempre à sombra da paixão, tomar aqueles pequenos almoços continentais servidos como só o sol os sabia servir.
As galerias escavadas nas rochas, grutas, a máquina fotográfica, as mãos, e a cidade lá em baixo. Aquele farol na ponta do rochedo cujo o vento nos empurrava dali para fora, mas principalmente para a rocha e mar, para ambos, rocha e mar, ambos.
Cometi o erro de voltar a um sitio onde já estivera e tinha gostado de estar. Gostado era pouco. Já tinha prometido a mim próprio nunca voltar a um mesmo sítio onde estivera e tinha gostado de estar. Aqueles, os que guardam algures no tempo as recordações, os momentos que julgamos invioláveis.
Nunca vemos a mesma qualquer coisa com os mesmos iguais olhos. Baralhamos tudo, desencantamos tudo. Não é por mal. Mas é mesmo assim.

jorge b @ 11:34 AM | Obs (0)
terça-feira, 16 de setembro, 2003

A Mosca ... | espécie: histórias infilmáveis

Duas moscas são observadas por uma quarta mosca. Estão ambas a sussurrar, interrogando-se a outra porque falam tão baixinho quando àquela distancia é moscamente impossível ouvir a conversa. A terceira mosca já não existe, ou pelo menos já não respira, já não mexe, já não apresenta sinais de vida nem chateia ninguém. Debaixo duma casca de tremoço as moscas:
- Achas que existem moscas que antes de levantarem voo já sabem qual vai ser o próximo local de aterragem ?
- Claro que há, as que têm sorte. Qualquer mosca que caia no erro de fazê-lo, qualquer mosca que perca milionésimo de segundo em tal ou semelhante pensamento, perderá o tempo suficiente que tem para escapar a um mata moscas de plástico, químico ou orgânico.
- Quer dizer que eu, que já tive desse tipo de pensamentos, tenho sorte por ainda estar viva ?
- Esse é o tipo de pergunta óbvia e desnecessária que odeio nas outras moscas. Logicamente que sim! Se estás aqui é porque tiveste a sorte de não estar um mata moscas por perto quando estupidamente pensavas no teu poiso seguinte. Repara que já estamos aqui há quase um centésimo de segundo na palheta. Tempo precioso para fugir. Só não o faço porque me sinto segura debaixo desta casca de tremoço.
- Sim mas no voo de reconhecimento não vislumbrei nenhum mata-moscas de plástico...
- Imbecil mosca, não vês que qualquer objecto é um mata moscas em potência ?
Entretanto ouve-se tossir. A quarta mosca aproximou-se, e empoleirada na borda dum copo, tenta ouvir a conversa. Tosse uma daquelas tosses que nitidamente não está a ser medicamentada, e isso irrita as outras moscas.
- Bem, vou mas é pôr-me na alheta.
- Alheira ? Não me cheira, onde ? Eu vou também!
- Alheta, vou pôr-me na alheta! Aquela macaca ali em cima está a dar granel. A imperial ainda vai a meio e para ajudar à festa a gaja pôs-se a tossir na borda do copo, a parva. Vai dar nas vistas e vamos ser notadas.
- Vamos para onde ?
- Sei lá! Conheço-te de algum lado ? Nunca penso onde vou aterrar antes de levantar voo. Pensei que isso tivesse ficado bem claro! Estavas aqui por acaso e eu aterrei aqui por acaso e conversámos umas baboseiras quaisqueres.
- Não foi por acaso... Na realidade eu ando a seguir-te há muitos segundos. Descobri um padrão nos teus locais de aterragem, uma sequência que sabes muito bem que tens.
- Tás parva ?! Eu nunca penso para onde vou. Ando ao sabor dos cheiros que encontro aqui e ali. Tenho uma certa tara por casas de banhos com autoclismos avariados, mas isso agora não vem ao caso.
Ouve-se um estrondo, as cascas de tremoço estremecem mas todas as moscas mantêm-se nos seus lugares.
- Sim senhor, isso é que é coragem! Nem pestanejaste as asas.
- Chiça que susto! Mas como vi que não voaste, também não voei.
- Estou a ver que és bastante observadora. Esta barulheira foi apenas mais uma imperial que veio para a mesa. Há gajos assim. Esquecem-se de beber as imperiais até ao fim, ou então gostam de beber devagarinho. O gás desaparece e a solução é mandar vir outra. Sorte da mosca que tosse. O bêbado pelo menos por ora não vai pegar mais naquele copo e beber o que resta sem gás. Não está suficientemente bêbado para isso. E o empregado quando vier recolher a loiça, mesmo que veja a mosca, não fará nada que faça notá-la à clientela. É má onda haver moscas numa cervejaria. Pegará calmamente no copo dando tempo à outra para se pôr na alheta.
- É por isso que gosto de ti. Admiro-te muito. Ficas sexy quando dizes alheta. Sabes tudo. Isso excita-me. Ai...
- Tás parva!
- A sério. Diz-me para onde vais agora ? Seguirei tuas asas, poderás fazer de mim o que te apetecer. Sou toda tua.
- Tu própria disseste que havia nos meus voos um padrão... Adivinha imbecil!
A mosca que ficou, ficou de rastos, prostrada junto a uma casca ainda com um resto de tremoço no seu interior. Ela sabia para onde ia voar a outra, sabia que a outra estava a executar a sequência de voos sempre iguais nº 101. Mas de alguma maneira, teria sido uma prova de amor a outra ter-lhe revelado o poiso pela sua própria boca. Não dissera. Estava de rastos e só o cheiro a tremoço aliviava a tensão dramática da situação.
Será que a mosca nem por um segundo pensara que a outra poderia ter razão, de facto nunca sabia para onde voava e que se existia um padrão, era um acaso ?... Ela não sabia, não estava consciente disso e poderia ter sido honesta para com a outra. Foi isto que a quarta mosca lhe explicou. Aproximara-se entretanto. Era uma mosca que estava sempre à espera destas situações onde podia servir de ombro amigo primeiro, consolo erótico segundo. Era assim que engatava as outras.
- Diz-me para onde me levas ? Com a tosse que tens, sugeria um sitio pouco húmido...
- Deixa-me pensar... Podemos ir para... para... já sei, para a...
Aquele cheiro a mosca morta e tremoço durante muito tempo não saiu do nariz da mosca que testemunhou o fim daquela breve história de engate.

jorge b @ 01:58 PM | Obs (0)
segunda-feira, 15 de setembro, 2003

DVD ... | espécie: revisões da matéria

Neste verão inscrevi-me num clube de vídeo. Mau sinal. Mas foi. Ultrapassados os tramites burocráticos (exigiram-me comprovativos de residência, atestado de sanidade mental e diversos testes de paternidade) pude finalmente retirar do expositor o meu primeiro filme DVD por 500 paus. Uns dias antes, imagine-se, em pleno Julho, comprara o meu primeiro leitor de DVD. Péssimo sinal, preparação óbvia para umas férias muito caseiras. A minha habitual volta por outras paragens foi sacrificada por motivos técnicos alheios. O programa lá seguiu dentro de momentos com um saltinho a Espanha (tinha que ser, tinha mesmo que ser), interior sul. Coisa pouca mas deu para fazer o gosto ao vicio das viagens e dormir uma das noites numa ?hostal? ao som da algazarra que as baratas faziam no sótão. De volta a casa, aperfeiçoei o ritual da visita ao clube de vídeo, dominando a nomenclatura das etiquetas, a localização das diversas secções e prateleiras, descobrindo todas as funcionalidades do aparelho reprodutor de DVD. A minha mão adaptou-se maravilhosamente bem ao mais recente telecomando da casa e quando saía do sofá, dava por mim a frequentar as secções de DVDs em promoção dos hiper-mercados. Foi em Espanha num "Al Campo" que adquiri oficialmente o meu primeiro filme. "El Hombre Elefant", a obra prima de David Lynch por 1500 paus. Achado do caraças, com legendas em português e opção de ouvir John Hurt em Castelhano. Ao rever o filme, dei-me conta da minha crescente incapacidade em reter as histórias e os momentos dos filmes que já vi. Estava a rever um filme mas era quase como se fosse a primeira vez. Vá lá, tinha a ideia de que a fotografia era a preto e branco e acertei. É certo que haviam passados uns bons dez anos, mas conheço malta capaz de se lembrar da marca da mota que a Pamela Anderson montava em "Barb Wire" ou descrever ao pormenor a alucinante sequência final de "Ghostbusters"! Não é fantástico!? Eu não. Esqueço-me. As memórias com que fico dos filmes são difusas, imagens mentais desfocadas, pontinhas de linhas descosidas que não levam a nada. Fica apenas a ideia reduzida do plot. Curiosamente retenho os nomes dos actores, realizador, director de fotografia e um ou outro momento mais marcante ou então um pormenor técnico, tudo matéria irrelevante quando se pretende contar o que se viu a quem de direito. A recordação quase exclusiva e compulsiva deste tipo de pormenores quase que chega a ser assustadora. Por exemplo, actualmente não me sai da ideia aquela sequência do "Panic Room" do David Fincher, com a Jodie Foster e fotografia do Darius Kondji, em que a camera, qual impossibilidade à boa maneira de "Siegfried & Roy" passa por dentro da pega duma máquina de café depois de segundos antes ter estado no interior duma fechadura. Esta minha característica afasta no entanto de mim o fantasma da Alzheimer. Mas pelo sim pelo não, a empregada do clube de vídeo está avisada. Verificará sempre na base de dados se acaso não estarei a levar um filme já visto. Caso tal aconteça e não apresente uma boa desculpa, tem ordem para ligar para um número que só nós cá sabemos.

jorge b @ 11:05 AM | Obs (0)

Emprego ... | espécie: extracções

Era o que receava. Passados que são 45 minutos, é como se já estivesse aqui há uma semana. No final do dia terão passado meses, anos, terei sido promovido mas à beira do limite legal. Aceitarei o pacote da pré-reforma e voltarei no dia seguinte para continuar a passar invisível pelo tempo.

jorge b @ 09:40 AM | Obs (0)
quarta-feira, 30 de julho, 2003

Descontinuidade ... | espécie: fora de blog

Já lá diz o blogueiro, .muita estrada, pouca entrada.. Vou de férias, Espanha concerteza que fica sempre de caminho para todo o lado.
Não terá este blog, muito provavelmente, entradas até meados de Setembro. Só mesmo se a internet me aparecer pela frente. Até lá, muito calor, hasta!

jorge b @ 10:52 AM | Obs (0)
terça-feira, 29 de julho, 2003

Cerimónias fúnebres ... | espécie: portugal

Em Portugal, as cerimónias fúnebres das pessoas iguais ás outras são de uma violência atroz. A própria concepção do evento, todos os seus cerimoniais nebulosos que quase não podiam magoar ainda mais quem está debilitado pela perda, a ganância dos agentes funerários, passando pela estética do caixão, as flores que não podem faltar, a carreta funerária de serviço, as velhas das redondezas, os comentários dentro e fora do velório, esse massacre psicológico, e a indiferença maquinal dos coveiros, todo o ritual é das coisas mais ignóbeis que se praticam em solo português, um folclore diário, cruel e ridículo que se perpetua em grande parte por culpa da igreja.
Os americanos, as habituais caricaturas do povo estúpido, têm no entanto os seus cemitérios relvados sem qualquer tipo de excesso de mármores ou terra nos sapatos. A cerimónia é algo intimista, reservada à família próxima, e a cremação é uma opção muito praticada. Em muitos países empresta-se poesia e filosofia ao evento marcadamente simbólico e sentido, e nunca ostensivo ou lugar para feira de vaidades e de lugares comuns, lugar para comportamentos .histéricotipados. ou de puro voyeurismo que muito caracterizam o funeral deselegante do país de procissões, fátimas e barrancos que somos, país eternamente condenado a estas e outras entranhadas mediocridades, práticas mais ou menos sádicas, tão pobres e despercebidas que passam...

jorge b @ 11:12 AM | Obs (0)
sexta-feira, 25 de julho, 2003

Sabor a gasolina sem chumbo 95 ... | espécie: algures

- S'ela é cineca você só tem qui ser também!
- Mas eu não sou assim... Nunca fui educada assim, não sei ser assim. Os outros que sejam, mas eu não sou assim!
- Poiz'é m'nha filha, mas nesta vida nois temos qui aprender a ser tudo... Tudo menos roubá e matá.
- Puxa vida, milagre! Pod'gi abastecê!

jorge b @ 08:38 AM | Obs (0)
quarta-feira, 23 de julho, 2003

Cais ... | espécie: estudos

O conceito da revista Cais é provavelmente a melhor ideia de sempre. Choca-me não haver prémios Nobel para as ideias que visassem tornar mais comestível a vida diária de todos nós, assim como me ofende a indiferença mal educada da maralha quando abordada pelos vendedores da Cais, que os há cada vez mais, não sabendo eu concluir se tal explosão demográfica será positiva ou negativa, se tal indiferença será sinónimo de calos nos pés.
Sempre que posso e tenho dinheiro (infelizmente coisa rara) compro a revista à rapaziada do chapelinho amarelo que está ali e muito bem e honradamente a ganhar o dela, e ao mesmo tempo a promover ao preço da chuva os artistas que colaboram com a revista. Ou seja, tem a honorável missão de pôr a cultura na rua, na taberna, na fila de bilhetes para o pavilhão atlântico, onde quer que seja. E o mínimo que qualquer frequentador da calçada portuguesa tem a fazer é dar-lhe o euro do costume e dar graças pela revista de qualidade que passa a ter entre mãos. Por isso, quando abordado, o pacato cidadão acabado de comprar o maçozito de tabaco malboro, ou a cidadã carente acabada de comprar o seu novo wonderbra, só tinham de se explicar muito bem explicadinhos porque não compravam a revista. Apresentassem atestado médico, exibissem a carteira vazia, alegassem falta de cabelo e consequente canalização dos trocos para o tratamento, o que fosse, que fizessem prova da impossibilidade imediata de contribuirem para o projecto ou chamava-se um daqueles fiscais da emel que os atarraxaria ao chão, quais veículos mal estacionados na vida pública.

jorge b @ 01:43 PM | Obs (0)
segunda-feira, 21 de julho, 2003

Decoração de interiores ... | espécie: extracções

A uma alma bem mobilada não deve faltar uma boa paixão de marca.

jorge b @ 03:28 PM | Obs (0)

Obrigado canal 2 ... | espécie: publicidade gratuita

Ver "Stachka" (A greve, 1925) de Sergei Eisenstein é como assistir ao "big-bang" do cinema.

jorge b @ 03:18 PM | Obs (0)

Sinal dos tempos nº 54687 ... | espécie: extracções

Nunca como agora houve tanta procura, tanta oferta e tão pouco negócio.

jorge b @ 03:04 PM | Obs (0)

Opinião sem blog #1 ... | espécie: algures

"Em vez de andarem por aí a bater no pai e na mãe, escrevem. É positivo, a malta solta cá para fora, toda a merda que tem lá dentro. " (autor identificado)

jorge b @ 02:53 PM | Obs (0)
quarta-feira, 16 de julho, 2003

O robalo ... | espécie: histórias infilmáveis

Numa madrugada húmida, um homem tem um pesadelo numa cama demasiadamente seca. Começa a sufocar, engasgado com uma pastilha elástica, enquanto beija uma das mulheres dos seus sonhos. Ela retoca a maquilhagem e ao mesmo tempo tenta salvá-lo com a língua que toma a forma dum anzol mas que à distancia parece apenas uma língua molhada. Pesca um robalo e o homem, aflito, começa a acenar tentando chamar as atenções, não lhe passando uma única vez pela cabeça porque é um robalo e não uma corvina que está agora ali ao seu lado, também a estrebuchar. Passa por ali perto uma outra mulher que é especialista em homens com pesadelos e espera pacientemente que a outra comece a ter a certeza sobre o que fazer mas a ficar sem saber para onde ir. Assim acontece, tendo sido vista pela ultima vez tentando à força sincronizar o passo com uma avestruz. A especialista aproxima-se e repara divertida como a cor da cara do homem condiz com a cor do robalo que só desejava que alguém lhe fizesse respiração boca sensual de lábios vermelhos à guelra. Ela podia estar ali uma contemplativa vida inteira Chega a rir mas depois apercebe-se que parece uma louca, que facilmente pode engasgar-se, e muda de expressão. A visível alteração facial faz com que do tecto do quarto comece a cair uma grande carga de carvão em brasa. O robalo, numa aflição, larga tudo o que não trazia e volta ao seu habitat natural. Mas tal foi a pressa de fugir à saraivada que o homem fica sem 8 dentes e uma espinha atravessada na garganta. A especialista transforma-se em sardinha assada e o molho que escorre pelas goelas do homem faz acender a lâmpada dum candeeiro duma mesa de cabeceira com um parafuso a menos. A pastilha e os dentes estão no mesmo lugar. A mulher ressona ao seu lado. Por debaixo da cama há mais.

jorge b @ 03:13 PM | Obs (0)
segunda-feira, 14 de julho, 2003

Antagonia ... | espécie: deus, patrocinador oficial

Não vou à bola com o feitio de Deus. Se calhar o pai dele já era assim.... Mas não há desculpa. O meu pai é do Sporting e eu nunca fui na conversa!

jorge b @ 01:49 PM | Obs (0)

Hidrotupia ... | espécie: revisões da matéria

A água podia ser fabricada já com todos os ingredientes necessários à vida. Não haviam facas nem garfos, só copos, garrafas e pedras nos rins. Bebia-se um copo de água, ficava-se enfartado e arrotava-se a enchiladas. Às vezes dar-nos-ia azia e tomaríamos umas gotinhas de água com sabor a compensame.

jorge b @ 01:42 PM | Obs (0)

Micto-Arte ... | espécie: publicidade gratuita

Andy Warhol concebeu uma série de quadros com urina e a malta agradecida comprou-os. Reza a lenda que quando não estava com a bexiga para ali virada, telefonava a amigos e pedia-lhes que passassem pela .Factory. a dar uma mijinha. Dois cafés e complexo B eram a receita dum mijo bem amarelo que ficava melhor na tela que na retrete. O Andy era marado dos cornos mas não tinha outra alternativa.

jorge b @ 01:41 PM | Obs (0)

Filosofia de Bolso ... | espécie: extracções

É fácil ter-se razão. Ainda mais fácil é perdê-la. Devo ter os bolsos rotos.

jorge b @ 01:39 PM | Obs (0)
quinta-feira, 10 de julho, 2003

A idade da proeminência ... | espécie: revisões da matéria

A partir dos trinta anos não começamos a sentir qualquer peso da idade, antes, começamos a procurar sinais da idade. Até ali um gajo não tem idade, é simplesmente novo, alegremente sem idade, nem sequer sabe o que é isso da idade. Não procura nada que não seja o próximo engate ou com insistência novas maneiras de tanguear os porteiros das discotecas para entrar sem pagar. Depois, de um ano para o outro, apercebe-se que já não pode renovar o cartão jovem, é confrontado com o facto de que afinal já começa a ter idade, e que nas discotecas o barmen deve andar a meter-lhe ás escondidas soporíferos nos copos depois do 2º vodka . Diz-se que surge aqui a primeira crise, a dos trinta.
Felizmente sou um gajo já batido em crises. Por volta dos 30 anos, já tinha 29 crises em cima do lombo, de maneira que aquela foi apenas mais uma. Mas claro, teve um saborzinho diferente, o da descoberta, o da procura dos sinais e efeitos da idade, espécie de obsessão genética. O problema é que em mim são difíceis de encontrar esses sinais e ainda mais os efeitos, é verdade! Claro que visto de cima pareço-me cada vez mais com o Santo António mas também nunca fui de fazer parar o trânsito. Tirando aqueles detalhes fisionómicos, algumas proeminências na zona abdominal de somenos importância, não encontro nada de verdadeiramente significativo. Não ocorre em mim neste momento nenhum processo de degradação física ou intelectual visível, qualquer sintoma de senilidade mental... O que é que eu estava a falar mesmo ?... Ah, a única alteração que ocorreu em mim, foi de um momento para o outro achar que tenho as bainhas da maioria das minhas calças subidas de mais. Deixei de suportar andar com a boca das calças a dançarem-se-me nas canelas quando ando. Quando aperto o passo o efeito piora. Fui eu que cresci ? Será que ainda estou a crescer ? Não exageremos, o fenómeno é sinal da idade ou então dever-se-á antes às sucessivas lavagens que fizeram encolher o tecido e, reparo agora nestas que trago, descoser as costuras em sítios embaraçosos. A partir de agora a calça tem que roçar o chão sem lhe tocar, sem que no entanto não esconda a marca da meia quando cruzar as pernas. Confesso que ainda não dou mais valor ao interior que ao exterior duma gaja mas talvez para me redimir, passei a dar mais valor à minha roupa interior que exterior. De marca, impreterivelmente, tenho actualmente um invejável stock de meias e cuecas tipo boxer justinhas de excelente qualidade. Que melhor sinal dos trinta que este!?
Também devo dizer que, outra alteração significativa, passei a dar importância ao barulho que os sapatos fazem quando ando. É verdade, o que este gajo se lembra! Continuo com a elegante mania de só usar sapatos pretos com atacadores, mas a sola e o tacão ganharam significados completamente novos para mim. De modo que naturalmente numa próxima visita á sapataria, levarei em conta tais pormenores e pedirei à empregada que me deixe medi-los antes de ensaiar o andar em diversos tipo de solo. Se virem alguém experimentar sapatos nos canteiros das plantas, teste de som em solo arenoso, muito provavelmente serei eu. Se usar boxers Colvin Kein, então serei eu de certeza absoluta.
De resto, cabelos brancos nicles, calos nos pés nicles, divórcios nicles. Estou, como diria o Herman, .melhor que nunca. e não fui acusado de pedófilia, de cheirar mal dos pés, de não ter declarado todos os meus desastrosos negócios bolsitas no IRS e não tenho ninguém atrás de mim exigindo-me uma pensão de alimentos. Sinto-me em forma e comecei a beber um litro de água por dia no trabalho, outro sinal da idade mas também resultado das leituras fugazes que faço da men.s health, por acaso outro sinal da idade.
E por este andar, com tanto sinal mas pouco efeito, assim como desapareceu a minha urticária que julgava crónica, as minhas ligeiras rugas de expressão irão desvanecer-se porque na realidade não tenho nada que me dê dores de cabeça mas também nada que me faça rejubilar por ali além. Vivo num meio termo nirvanico, conseguindo por um lado pagar as contas triviais, água, luz, aspirinas, ir ao cinema ás segundas feiras e frequentar cadeias de fast-food, mas por outro não consigo chegar a um roadster e ter uma casa com vista para o mar nas Açoteias... Não terei desgastes nem aborrecimentos e daqui a uns aninhos, muitos aninhos lá para a frente, uma miúda do liceu irá confundir-me com o namorado com quem acabou ontem porque os seus namoros nunca resultaram com miúdos mais novos que ela, e os meus amigos esquecidos da escola primária vão .reconhecer-me. à saída duma matinée dançante e imediatamente perguntar-me-ão .Desculpe, acho que andei com o seu pai na escola.. Jamais terei umas rugas de expressão (idade, velhice portanto) como o Jack Nicholson. Que idade terá o gajo... Já terá passado dos trinta ?

jorge b @ 01:53 PM | Obs (0)
terça-feira, 8 de julho, 2003

Switch ... | espécie: histórias infilmáveis

Boa tarde. Boa tarde. Queria algumas gramas de lenha. Embalada em papel manteiga ou dentro dum tupperware, partida em bocadinhos ? Era para me queimar, como acha que será melhor ? Não me pergunte a mim, sou uma pessoa muito indecisa, veja que quando entrou, estava indeciso entre atende-lo ou não. Não sou um cliente como outro qualquer ? Já piscou os olhos mais de cem vezes desde que aqui entrou. Foi essa a razão porque me atendeu, por abrir e fechar muitas vezes os olhos ? Vi que você tem o perfil ou melhor dizendo, as medidas ideais para um pequeno trabalho que gostava de ser eu a fazer mas que não tenho coragem. Tenho já trabalho que chegue, o que queria mesmo era lenha, pode ser daquela ás bolinhas cor de rosa, mas embrulhada em papel manteiga sem sal. Já reparou que tem exactamente as mesmas medidas que eu ? Apenas reparei na verruga que sai dessa sua sobrancelha mal aparada. É de estimação. Óptimo, são as de melhor qualidade. Leve a lenha que é por conta da casa, mas primeiro faça o que lhe peço. Estou tão curioso que subitamente surgiu em mim uma vontade enorme de me esfregar todo com óleo de amêndoas doces. É simples, terá apenas de se colocar na minha pele. Pouco tentador. Besunto-me se tal for sua exigência. Por lenha faço o que for preciso nem que para isso não saiba que o estou a fazer. Não demora mais que vários minutos. E o que terei de fazer depois ? Não deixar que eu me assalte.

jorge b @ 02:03 PM | Obs (0)

Choose ... | espécie: extracções

Entre o chicote e a chicotada, há quem opte por sorver os pequenos brilhos do céu a horas impróprias para consumo.

jorge b @ 02:01 PM | Obs (0)

Espelho ... | espécie: extracções

Num ginásio de musculação, o aparelho mais importante é o espelho.

jorge b @ 08:47 AM | Obs (0)
segunda-feira, 7 de julho, 2003

Festival de festivais ... | espécie: estudos

Acho que há um engano qualquer na denominação do festival Hype @ Meco. As tendas estão instalados num pinhal, muito antes da Lagoa da Albufeira, mais distantes ainda de Alfarim, e só depois temos então o longínquo Meco, ou seja, só a quilómetros e quilómetros de distancia, muito para lá de importantes localidades, temos a Aldeia que dá nome ao festival. O mais acertado seria aquele evento ao ar frio chamar-se Hype @ Lagoa ou Hype @ Pinhal, no máximo Hype @ Alfarim, ou Hype Cold @ir Festival, Exorbitant Entr@nce Price Hype Festival... Compreende-se que dado o leque de escolhas, Meco seja mais cool e comercializável. Na realidade não interessa o nome do local antes os nomes que tocam lá no pinhal. Este ano, para quem como eu já vira Moby no pavilhão atlântico, dar 7 mocas para depois andar lá a pastar de tenda em tenda era doloroso. Não pus lá os pés obviamente. Bjork e Dhzian & Kamien, que eram o que valia a pena ver, actuavam à mesma hora. O resto era .um contigente. residual de DJ.s e grupos que as rádios e jornais associados ao evento fizeram o favor de nos dar a conhecer como grandes fenómenos que toda a gente parecia conhecer menos nós.
Já me disseram entretanto que a actuação simultânea dos artistas que gostaria de ver acabou por não acontecer. Mas os atrasos e desencontros já me tinham ficado na memória do festival anterior. Assim como aquela sensação de que só mesmo pastilhado ou com os copos poderia ter extraído o máximo do festival que de maneira nenhuma é feito para espectadores cirúrgicos como eu.
Mais doloroso ainda neste e noutros festivais é o bilhete não dar direito a sequer uma bejecazita. Havia de ser tipo consumo mínimo. Ou faziam sorteios nos longos intervalos entre os concertos do palco principal, ao invés de passarem insistentemente o fastidioso spot rádio do festival. Para quê publicidade àquela hora, se quem lá estava já lá estava ?! Sorteavam bejecas e torresmos entre a malta. Por exemplo, bilhetes com o nº terminado em 02 podiam ir levantar uma malga de sopinha de caldo verde na roulote junto à tenda trance. Terminações 18 podiam ir levantar uma mini na tabanca do .Amo-te Meco., e por aí fora. Mas não. Mais que doloroso, é escandaloso não só pagar as 7 mocas como ainda andar o resto da noite com areia nos sapatos enquanto nas barracas dos comes & bebes nos pedem quantias exorbitantes por uma febra, um cachorro ou um vodkazito mal parido. Quando lá estive há um ano atrás, lembro-me que gastei lá dentro em mantimentos o equivalente ao preço do bilhete cá fora! Um gajo não se esquece destas coisas!
Mas dada a afluência, 20 mil pessoas, mais 5 mil que o ano passado, para quê mudar ? Crise o tanas. A malta paga o que pedirem, vai-se a todas. Parece que se criou uma espécie de festivalodependência militante. Não sei se a culpa não será dos comunistas, se isto não é toda uma geração que desde pequenina, pela mão dos pais, começou a frequentar o festival/festa do Avante e agora que cresceu e não tem partido, não quer outra coisa que não seja estar de copo de plástico na mão aos pulos em frente a um palco. Ao longo do Verão é vê-los deixarem as terrinhas, as casas dos pais e os apartamentos da subúrbia, rumo sabe-se lá onde, a quantas horas de bicha de distancia, em que arrabaldes, no meio do nada ou do pó, aos festivais que forem preciso, que não se é jovem não se é nada se assim não for.
Pró ano logo se vê.

jorge b @ 01:42 PM | Obs (0)

Teatro de fogo ... | espécie: publicidade gratuita

Para quem está farto de ver nas passagens de ano e outras comemorações, fogo de artíficio à borla, o festival da Inatel é uma excelente oportunidade de pagar para ver.

jorge b @ 01:41 PM | Obs (0)
sexta-feira, 4 de julho, 2003

Publicidade gratuita #2 ... | espécie: publicidade gratuita

Para quem vai a caminho do famoso e muito .in. Azeitão, vindo da mítica Coina, encontrará, quilómetros antes, os Brejos, com seu magnifico cruzamento, seus stands de automóveis á beira da estrada e o seu característico cheiro a frango assado. Também à beira da estrada, uns toldos verdes anunciam o self-service Brejoense, local equipado com portas de abrir eléctricas e onde se pode comer o bitoque mais barato do país. É verdade. Carne, ovo, batata frita e um acompanhamento à escolha, que pode ser uma das variadas saladas ou arrozes à disposição, petisco bem servido e a saber bem. É a melhor maneira que consigo imaginar para empregar quinhentos paus. São coisas destas que ainda me fazem ter alguma esperança por dias melhores.

jorge b @ 02:21 PM | Obs (0)

Vidas alternativas ... | espécie: algures

.Tenho um nome tão feminino que quase tenho vergonha de o pronunciar... Lucinda!... Será que mesmo assim poderei ser lésbica ?.
in, correio sentimental de programa de rádio concebido para a causa, primeira quarta feira de cada mês, 21-22, Voxx, 91.6

jorge b @ 02:16 PM | Obs (0)

Sinais dos tempos ... | espécie: extracções

Sinal dos tempos nº 4526
Maio e Junho são agora mais quentes mas ainda assim todos os meses surgem
cada vez mais loucos escondidos atrás das secretárias.

Sinal dos tempos nº 5624
Os blogues são agora uma verdadeira epidemia mas ainda assim a vida real triunfa: Catherine Deneuve ultrapassa Pipi no top dos quem é quem.

jorge b @ 02:07 PM | Obs (0)

Anedota de Elite #4 ... | espécie: anedotas de elite

.Um homenzinho senta-se no lugar habitual de um restaurante. Pega na ementa e nota algo de diferente na parede à sua frente. Pergunta ao empregado:
- Desculpe, não costumava estar naquela parede um grande par de cornos ?
- Não, estava era um grande espelho..
in, anedota divulgada em programa de rádio concebido para a causa, todas as terças feiras, 21-22, Voxx, 91.6

jorge b @ 02:04 PM | Obs (0)

?-?-? ... | espécie: ícones

Marisa Cruz, 89-60-90

foto: sacada do blog d'os tarados.

jorge b @ 02:02 PM | Obs (0)

Publicidad gratuita #1 ... | espécie: publicidade gratuita

Apesar de irrespiráveis, os quitamachas Romar conseguem sacar totalmente as manchas, em especial aquelas do tipo pingue, sem necessidade de esfregar e sem deixar um cerco. Há venda nas mejores lojas dos trezentos.

jorge b @ 02:00 PM | Obs (0)
quinta-feira, 3 de julho, 2003

Mezinha ... | espécie: extracções

Silicone faz bem à vista

jorge b @ 08:24 AM | Obs (0)
quarta-feira, 2 de julho, 2003

Ricos: Perigo de Morte ... | espécie: revisões da matéria

Indiferente ao caos urbanos, um velhote estilo sem abrigo deslocou-se calmamente até á faixa central para peões, e em pleno Largo do Rato, deitou-se por cima do gradeamento de uma saída de ar do metropolitano. Lá se aninhou, fechou os olhos, parecendo dormitar satisfeito, a grande distancia de tudo. Lamentei não ter uma máquina de fotografar à mão (as milhares de fotografias que não tiramos por não termos uma máquina de fotografar sempre à mão). O sono do velhote foi curto ou então foi interrompido por acção humana directa. Porque buzina, fumos de escape, barulhos dos martelos hidráulicos da obra ali perto, nada o faria despertar daquele encantamento. Passada uma hora, quando lá voltei, já não existia aquele contraste que daria cor à fotografia.
Passados uns dias, voltei a encontrar o mesmo velhote, o mesmo estilo. À saída do estacionamento, tive de travar e desviar o carro para não atropelá-lo. A mesma paz, um ressonar invejável e tranquilo, desta vez em plena faixa de rodagem... Cheguei á conclusão que o homenzito certamente não teria problemas na coluna. É sabido que dormir no chão só faz bem. E depois dei por mim a pensar o quão perigoso pode ser, ser-se rico. Lembrei-me daquele caso de uns amigos afastados, recém casados. Gente abastada, proprietária milionária daqueles barcos que atestados levam mais de mil litros de gasóleo e custam mais de mil contos por ano manter estacionados na Marina de Vila Moura. Numa das saídas em família para o mar, depois dum mergulho, o rapaz recém marido voltava para o barco. Momento em que o pai da rapariga ligou inadvertidamente o motor do barco. O rapaz foi apanhado pelas hélices e ficou sem pernas. Isto é extremamente dramático e verídico (caso raro aqui no blog) e não me vou alongar mais.
Nem eu nem aquele homenzito jamais sofreremos semelhante acidente. Jamais. E porquê toda esta certeza ? Simplesmente porque não somos ricos. Nunca morreremos ao volante dum carro com 300 cavalos, numa queda de avião nos mares da Polinésia ou picados por uma serpente venenosa da Patagónia. Poderemos morrer de tédio é certo, sermos atropelados enquanto batemos uma sorna , mas não teremos acidentes ou morter profundamente dramáticas e aflitivas, coisas que parecem perseguir os ricos. Ser rico é perigoso. Se fosse rico pensava duas vezes antes de me hospedar no Ritz de Paris e me meter dentro de um Mercedes conduzido por chauffeur à noite. Se pensasse só uma vez, fazia como o cromo do Michael Jackson. Pensam que ele não está bem ciente do perigo que corre ? Faz bem em proteger-se atrás daquela mascara, viver em ambientes os mais acéticos possível, rodear-se de um exercito de guarda costas, videntes e médicos. Enquanto os pobres são habituados desde pequeninos a conviver com toda uma vasta panóplia de vírus imundos e doenças reles ao ponto de depois de contra elas ganharem imunidades inexplicáveis pela ciência, os ricos estão muito mais expostos a síndromas selectivos e se vêem sangue desmaiam com muita facilidade. Eu sei que os hospitais civis estão a abarrotar pelas costuras de pobres. Mas 90% dos casos é hipocondria descarada, mal próprio de gente que não tem nada importante com que se queixar.
Lembro-me de outro caso raro mas que só vem dar razão a mim e ao Michael. Um tal sucateiro, história de vida que há tempos me contaram, fizera fortuna a juntar e vender ferro velho. Não satisfeito com o ainda pouco que dizia ter a todos, começa a entrar em jogadas, que parece as há muito por aí, de comprar novo a entidades muito respeitáveis como se de ferro velho se tratasse e depois vender como estava, novo em folha a outras entidades também respeitáveis. Os pormenores desta traquitana contaram-me mas não reti que sou gajo nada dado a jogadas. Mas sei que o raio do sucateiro lá conseguiu amealhar fortuna de milhões, leram bem, milhões de contos (é muito euro caramba!). E onde pensam que vive hoje o regalado sucateiro, na Quinta da Marinha, do Peru, Aroeira, apartamento nas Amoreiras ou na Expo, não ? Foi a custo que ainda há pouco tempo tiveram de o expropriar pelas vias legais da casa abarracada onde vivia com a mulher, para ali construírem uma estrada qualquer. Dizem que não se pode estar ao pé do animal mais de um minuto que o gajo tresanda a cavalo que não é lavado há mais de 6 meses que se farta. A mulher é daquelas que têm bicharocos pequeninos sem nome a viverem há muitos anos pacificamente debaixo das unhacas grandes daqueles pés gretados rodeados de calos por todos os lados. Entre bicharocos e paparazzis, os primeiros não serão mais inofensivos ? Não me admirava que vivessem felizes, sucateiros e bichos das unhas, ambos com ligeiros problemas olfactivos, algures numa daquelas casinhas da Quinta do Conde ou em Fernão Ferro. F-e-l-i-z-e-s, leia-se bem. Aquela gente poupada alguma vez vai morrer vitima duma operação plástica mal sucedida ?! De longe, o único plástico que alguma vez lhes fará mal é se alguma vez comerem gelatina Alsa num tupperware desses novos coloridos em vez de aproveitarem a mesma taça de barro onde comem os cães. Alguma vez morrerão vitimas de um acidente quando o helicóptero privado em que seguiam aterrava no telhado da sua penthouse no Mónaco ? Vive-se numa casa térrea com fossa a céu aberto e anda-se a pé que só faz bem.
Eu, se fosse rico, pensava seriamente em mudar de vida. Há tantos exemplos que poderia seguir. Mais sofisticados e dispendiosos na versão Michael, mais saudáveis e económicos na versão sucata. E o dinheiro, o que fazer a tanto dinheiro ? Ora, ora, recompensar monetariamente gajos como eu, aqueles que os fizeram ver a luz ao fundo da casa da Linha com vista para o mar. Deixá-los desgraçarem-se já que disso parecem estar tão desejosos. Tomem lá, sacrifiquem-se, espatifem-se todos ao volante dos Ferraris, naufraguem de barco á volta do mundo, morram de falta de ar numa dessas viagens de turismo espacial, tenham ataques cardíacos nos braços de Top Models internacionais!

jorge b @ 11:24 AM | Obs (0)
segunda-feira, 30 de junho, 2003

Finalmente... ... | espécie: publicidade gratuita

...Relatório Minoritário . Aquela necessidade dum final tão ostensivamente feliz, um desculpem qualquer coisinha para nos repor os abalados índices de confiança... O filme podia ser muito bom não fosse tresandar a Spielberg.
...Um Roupeiro Para o Quarto . Depois de várias idas ao Aki, uma broca partida, alguns milímetros de desalinho e muito pó do estuque nos olhos, consegui terminar a primeira fase. Eu sei que a fase das portas de correr vai ser ainda mais difícil. Mas um gajo não pode virar as costas ao alicate, tem que ter confiança nas suas capacidades e nos folhetos faça você mesmo. A bricolage é uma boa maneira de se poupar dinheiro e ficar com os dedos roxos.
...Clube de Combate - Extremamente eficiente. Os revolucionários do sofá, apreciadores de filmes que façam pensar, têm aqui mais um desses happenings consensuais mas no fundo inofensivos. A par com Trainspotting, é uma referência para um público consumidor de supostos frutos proibidos, ritual de pretensa lucidez underground e contribuição para a demanda anti-sistema! Hollywood agradece.
...Sardinhas Assadas . Opto pelo barbecue descartável. Explico, um pequeno fogareiro preto, daqueles baratos que dão vontade de dar pontapés e enferrujam facilmente, carvão, peixe, pão e umas mãos sujas com carvão... Tudo o que é preciso para uma sardinhada. No final da época deita-se fora o fogareiro e pró ano compra-se outro. Aqueles barbecues todos catitas e onde afinal também se apanham de vez em quando sardinhas pisadas, ficam bem é na casa do vizinho. Olha, lá está o gajo a puxar-lhe o lustro.
...Mulholland Drive . O pior filme de Lynch, um gajo com muito bom gosto mas incompreendido.
...Posto de Escuta . Descobri. Na realidade não devo dizer nada de absolutamente relevante ou minimamente original para merecer constar naquele repertório de tiradas da nata blogueira nacional. Já desconfiava mas é sempre bom termos a certeza. Como provavelmente só falo para as paredes, poderá ser esta a vingança do boneco ? Preciso duma garrafinha de água com gás.

jorge b @ 02:05 PM | Obs (0)

Profecia #1 ... | espécie: extracções

Façam copy & paste do que escrevo: E chegará o dia em que mandar um gajo ir blogar será pior que mandá-lo á merda!

jorge b @ 09:39 AM | Obs (0)
sexta-feira, 27 de junho, 2003

Sweet Sophie ... | espécie: ícones

- Estou inocente porque não fui eu que casei. Foi a minha irmã gemea!
Podia dar um anime a atribulada vida sentimental da Sofia Alves, uma gaja que, segundo as revistas da especialidade, parece andar com outro, ou seja, parece ter finalmente encontrado mais um homem da sua vida. Há gajas (e gajos) com muita sorte! Muito boa rapariga há por aí que nem unzinho consegue encontrar, casando e parindo, já em quase inconfessado desespero, ao mínimo sinal de fumaça. E depois é episódio de telenovela atrás do outro e o suspiro continuo pelas cenas dos próximos capítulos que muito provavelmente nunca passarão disso.
Estava longe de pensar alguma vez escrever aqui sobre a Sofia, contemplá-la como ícone. Confesso que a pequena não entrava no meu ranking onde dou primazia a gajas mediáticas e belas (boas) sim, mas com um je ne sais quoi de divinal e um subtil look mais ou menos esfomeado. È uma palavra crua e algo rude, eu sei, mas acredite-se, a mais adequada para exemplificar o meu critério. Uma certa fome dá profundidade a uma mulher. E de pouco nutrida, a Sofia não tinha nada. Uma coisa eram aquelas personagens ousadas que a actriz muito bem interpretava, que levantavam as saias e mostravam os seios (Ballet Rose, certo ?). Mas era por uma óbvia boa causa, o seu ganha-pão artístico. Outra coisa eram as suas aparições publicas, a vida real, onde inalava aquela beleza encarnada duma Nossa Senhora, a espiritualidade duma Madre Teresa e a sensibilidade duma escrutinadora do totoloto. É bom de se ver, que a Sofia tinha aquele ar de amiga solteira da nossa mãe, daquelas que aparecem ao lado dela naquelas fotografias a preto e branco do já longínquo casamento. Aquele ar nada inspirador de boa rapariga que mesmo que não fosse casada, jamais se divorciaria ou apareceria desnudada numas quaisquer páginas centrais, a não ser, claro, também por uma óbvia boa causa.
E agora, numa clara manifestação de muito sangue na guelra, Sofia surpreende todo o universo consumidor da vida alheia, desde o mundo machista, à dona de casa que é a primeira a dizer que já se esperava, que nunca, deixava o meu marido e um filho bébé para ir para África, nem por todo o dinheiro do mundo (...) e a segunda a suspirar que nem pelo Diogo Infante que, ai, é um desperdício (!). Já te estão a apedrejar Sofia! Coragem, não te deixes acertar por estes arremessos de dor de cotovelo e inveja, e segue rumo à ilha da Caras mais próxima.

jorge b @ 02:32 PM | Obs (0)

Anedota de elite #3 ... | espécie: anedotas de elite

Anedota de elite #3
"Se um dia a pessoa que amas te trair e decidires atirar-te de cima de um prédio, lembra-te:
Tens um par de cornos, não de asas."
,in minha caixa de correio electrónico

feedback de elite #1
"O duro não é carregar com o peso dos cornos, o duro é... sustentar a vaca!"
,in minha caixa de correio electrónico

feedback de elite #2
Contrariando esta tese, "na Argentina, uma mulher traída resolveu atirar-se de cima de um prédio. Caiu em cima do marido adultero que faleceu ali mesmo. Ela, dada a qualidade do amortecedor, sobreviveu, e no hospital apaixonou-se por um enfermeiro. Casaram-se e são hoje muito felizes...." (suposta história verídica. pelo sim, pelo não, vivem hoje muito felizes mas num rés do chão esquerdo)
,in minha hora de almoço

jorge b @ 08:33 AM | Obs (0)
quinta-feira, 26 de junho, 2003

Americlones ... | espécie: fora de blog

Uma infame colagem da intrigante treta MATRIXiana com a intragável treta bíblica, pode ser localizada em http://webpages.charter.nset/btakle/matrix_reloaded.html. Os americanos são especialistas em teorias da conspiração, em encontrar coincidências e ligações que mais ninguém no seu perfeito juízo encontra. Já terão reparado que na palavra Matrix, nenhuma letra se repete, começa por M e termina num X ? Isto deve significar alguma coisa...

jorge b @ 11:11 AM | Obs (0)

Sósias em casa ... | espécie: algures

Uma réplica perfeita dessa autêntica mata cabritos que é a conceituada e biguebrodarizada actriz Rita Ribeiro, pode ser localizada na saída da Rua da Escola Politécnica do metro Rato, lojinha das roupas sempre cheia de mulherio diverso. Nunca passei da montra mas as excursões até ao local são em autocarro de gran-turismo.

jorge b @ 11:11 AM | Obs (0)

(Re)produções Fictícias ... | espécie: algures

Reproduções das típicas piadas sobre os fait-divers que diariamente brotam espontaneamente entre colegas de escritório ou pessoal da estiva à hora do almoço ou durante o expediente, podem ser localizadas por volta das seis e meia da tarde em 87.5 (TSF). A coisa, que não está com nada mas lá se arrasta com o nome de .Estou quem fala., é composta por um gajo e uma gaja que, desprovidos do necessário jeito que dava jeito, lêem os textos supostamente como se os estivessem a interpretar ao telefone. É a mais recente incursão radiofónica dessa trupe pseudo-genial e em toda a parte intocável, que vai buscar sempre o osso onde quer que ele se encontre.

jorge b @ 11:10 AM | Obs (0)

Ideia para um final nem sempre feliz ... | espécie: extracções

... ela espera ansiosamente pela chegada dum meio de transporte qualquer, quando um desconhecido com aspecto de bom desconhecido lhe pergunta:
- "Desculpe, mas o que está a usar, não é Denim ?"
Ela desmaia nos seus braços e vivem assim para sempre.

jorge b @ 11:09 AM | Obs (0)

Suportável ... | espécie: extracções

Entrar numa boca inexplorada que cheire mas não saiba a tabaco é suportável.

jorge b @ 11:08 AM | Obs (0)

A trela ... | espécie: histórias infilmáveis

Uma mulher como algumas, caminha a passos largos em direcção a um largo qualquer. Calça uma espécie de sandália, projectando para a frente os dedos dos pés, que saem assim fora do alcance da sola em couro cerca de um centímetro, tocando carne com chão, no alcatrão, nas pedras da calçada, no cócó de cão e até na gravilha, consoante, porque para além do ziguezague que faz para se desviar dos automóveis mal estacionados, a rua, que é a descer, está em obras. Por incrível que pareça, ela não dá por isso, convencendo-se antes que alguém a persegue a passos curtos. Decide então parar e aguardar pacientemente que o perseguidor se aproxime, enquanto aproveita para medir com uma régua a medida atrás especulada, isto numa clara demonstração do quão pacientemente parece aguardar. É um cão, que passa por ela cheirando tudo e nem água vai nem água vem. Perplexa, a mulher agora com sede, abre o cantil que trás a tiracolo e coloca os lábios pintados no gargalo, começando a emitir sons que pelo eco denunciam um cantil vazio. Aproxima-se então dum homem que está agachado e se penteia no espelho lateral dum carro verde bem estacionado. Pergunta-lhe, com a voz ainda meio embargada da sede, que tipo de shampoo ele usa da seguinte maneira, o senhor desculpe mas julguei que estava a ser perseguida, sempre que isto acontece dirijo-me à primeira pessoa agachada que encontro e pergunto-lhe como faz para evitar a oleosidade no couro cabeludo. O homem levanta-se, sacode caspa dos joelhos e responde-lhe se entrar dentro deste carro verde eu confesso-lhe tudo. A mulher que queria a todo o custo obter uma resposta para a verdadeira questão que era porque andava sempre precisada duma boleia, entra, de imediato apercebendo-se que por dentro o carro verde é mesmo um carro verde só que com a pintura riscada. O homem senta-se a seu lado e pede-lhe com os olhos e as orelhas para ela lhe dar a mão, coisa que ela acede, tirando insidiosamente um dos anéis e uma das sandálias. Na sua mão o homem coloca-lhe uma trela de cão, colando-a com cola cuspe, espalhada uniformemente com uma língua desconhecida mas que não deixa marcas de batôn, ficando-se sem saber se houve esse cuidado. Por diversas vezes é-lhe pedido que ponha o dedo. Ela acede. Ela acede sempre. Pede-lhe a outra mão, desta vez só com os olhos. Ela acede. Ela acede sempre, mas não descalça a outra sandália porque há algo de inteligente naquela imagem reflectida no pequeno espelho de make-up. O homem descalça-se e toca com os seus dedos dos pés nos do pé descalço da mulher. Ela estranha que ele só lhe toque no pé descalço quando está o outro calçado mas também com os dedos expostos, e pergunta-lhe porque me pediu a outra mão ? Ele responde, julgava que fosse assim que gostasse. Ela volta a calçar-se e o homem visivelmente atrapalhado com aquela reacção inesperada, assobia, dando ao mesmo tempo à manivela. A porta do carro verde abre-se gradualmente e de repente a mulher é puxada violentamente para exterior indo agarrada atrás da trela. Desaparece da vista de toda a gente e não se ouve ladrar. Minutos depois surgia no local um outro homem, depois identificado como marido da mulher, que gritava desesperado se alguém vira por ali uma trela. Mais tarde, muito mais tarde, seria posto em liberdade.

jorge b @ 08:36 AM | Obs (0)
quarta-feira, 25 de junho, 2003

In case you didn't know ... | espécie: algures

"According to a major search engine the term penis en l a r g e m e n t was searched 154362 times last month. Sexual performance was searched 8092 times (...) SEE WHAT ENLARGO CAN OFFER YOU !!TODAY!!" in mail, spam.

jorge b @ 04:01 PM | Obs (0)

C.E. Standard ... | espécie: extracções

As coisas começam a ficar seriamente preocupantes quando, na mais suburbana das tascas, os pires trazem caracóis, todos com o mesmo tamanho de tripa.

jorge b @ 08:37 AM | Obs (0)

Alien update ... | espécie: publicidade gratuita

- Este não é o lado que me favorece mais...
Uma vez fiz 3000 quilómetros para ir tomar um copo ao Bar Giger no Chur, Suiça. O dia estava quente e apetecia-me algo fresco. Meti-me a caminho e isso fez de mim, automaticamente, um dos maiores fãs do homem que concebeu o monstro definitivo, a encarnação perfeita do medo. Recentemente entrei em contacto (mail) com o agente do Giger. Expus-lhe a minha ideia, possuir um original do artista, preferencialmente um quadro do tipo 'bio-mechanic landscape', aqueles que calculava seriam mais acessíveis. O agente respondeu-me informando-me que Giger já não pintava e estava inclusive apostado em recomprar muitos dos quadros que vendera, para agora .equipar. a colecção particular do seu museu. Ainda assim, se eu estivesse MESMO interessado, talvez me conseguisse algum quadro menos famoso junto de um coleccionador, mas que nunca me ficaria por menos de 5 ou 6 mil contos (!!) O pior não é não ter o dinheiro. O pior é não ter dinheiro e ter-se a certeza absolutíssima sobre o que se faria com ele se o tivéssemos...
Sou mesmo um fã, na verdadeira ascensão da palavra, do Giger, principalmente do Alien, criatura pela qual tenho um quase mórbido fascínio (há quem defenda que qualquer fascínio por aquilo só pode ser mórbido!). Como é natural sou consumidor da série de filmes, por ora, quatro obras primas do cinema fantástico, todos eles adjectiváveis mas todos quase impossíveis de ordenar por ordem de preferência. Cada filme parece ter tido o realizador e a história certa no momento certo. Ao contrário de outras sequelas, todos os filmes têm honrado o primeiro que por sua vez honrou a arte de Giger ao concretizar na tela, dessa forma tão palpável como só o cinema consegue, grande parte do universo perturbador do artista.
Esta minha lenga-lenga, serve apenas para anunciar ao pequeno mundo que me lê e que eventualmente, e porque terá mais que fazer, ande desapegado destas coisas, que o 5º filme está na forja. As filmagens podem começar ainda este ano. Sigourney Weaver não está dada como certa no filme, assim como não se sabe se a história se desenrolará no espaço, na terra ou no planeta nativo dos Aliens, hipótese mais interessante e defendida por Ridley Scott, o realizador do primeiro filme, que já mostrou interesse em participar no projecto desde que seja para acabar de vez com a série. James Cameron (realizador do 2º mas também desse monte de lixo irreciclável que é .Titanic.) poderá ser o argumentista e produtor, e Paul Anderson (Mortal Combat, Event Horizon, Resident Evil) o realizador de serviço fortemente apontado caso a opção do 5º filme seja concretizar a cantiga .Aliens vs. Predator., receita já experimentada com sucesso nos video-jogos e na BD. O competente Joss Weddon (escritor do 4º filme) é um dos prováveis guionistas também.
Melhor que a Lusa!

jorge b @ 08:17 AM | Obs (0)
terça-feira, 24 de junho, 2003

A união faz a forca ... | espécie: revisões da matéria

src="http://www.nypl.org/research/chss/spe/art/photo/hinex/empire/hanging.jpeg" align="right" width=230 height=180 alt="- Uff! Finalmente um sítio à maneira para atar uma corda e... estender a roupa!">
Se há coisa que não suporto é o concenso. Encerra em si um perigo qualquer, algo de inexplicavelmente desconfortável. Não tanto do tipo "pedra no sapato" ou "unha encravada" mas mais "comichão no toutiço". Naturalmente haverá um termo clinico para este meu sintoma. Ocorre-me a imagem dum imenso marasmo de pessoas obedientes e concordantes, maiorias que não são mais que rebanhos de carneiros anónimos, ordeiros, comandados por um pastor por sua vez caseiro dum patrão qualquer... Lembram-se do genérico do "Tal Canal" ? "Méeee! Mééé!"... Meia duzia de focas amestradas que batessem palmas sempre que aparecesse uma bola por perto também servia. "Clap! Clap!"
Não é nada recomendável ser-se chato mas ser-se do .contra. nunca fez mal a ninguém. Não ver o que toda a gente vê, não ler, não bater palmas àquilo a que todos aplaudem, não estar onde está toda a gente está, enfim, não fazer orgulhosamente parte da maralha.
Há que ter sérias reservas sobre as tendências dessa maioria unida que brame, gente que não é de confiança. Não se notam os seus nefastos efeitos colaterais por toda a parte ?
Há que pensar pela própria cabecinha. Dá trabalho, e oh meu senhores, que trabalheira! Por isso a união faz a forca ao indivíduo, oferecendo-lhe uma suave morte cerebral, a anestesia do pensamento. Poupa-lhe o labor, mas tira-lhe essa incómoda diversidade, bem cada vez mais prescindível para a maioria, só preservado e apreciado com o requinte de alguns...

jorge b @ 11:13 AM | Obs (0)
sexta-feira, 20 de junho, 2003

Bucho ... | espécie: extracções

Acabei de atravessar o largo do rato com o sinal vermelho, três bejecas, um croquete, um pastelinho de camarão e uma quantidade indeterminada de tremoços no bucho. Não tente fazer isto em sua casa.

jorge b @ 06:57 PM | Obs (0)

Novo endereço ... | espécie: fora de blog

www.especiequalquer.blogspot.com
(em 16-03-2004: neste dia o blog muda de nome e endereço. inicialmente "jorgexistence.blogspot.com")

jorge b @ 03:57 PM | Obs (0)

Bacalhau inútil ... | espécie: revisões da matéria

src="http://www.outcomesservices.com/images/hand_shake.jpg" align="right" width=200 height=120 alt="Venha de lá esse escamudo!">
Por mais que me esforce, não me consigo imaginar na pele daquele gajo e descortinar o que passará naquela cabecinha. Passo a explicar, que por força da minha actividade profissional, desloco-me frequentemente a certo local que viu reforçada a sua segurança à entrada com mais um elemento. Segurança privada, típico, um gajo que curiosamente já fizera segurança no edifício onde trabalho, velho reconhecido. Ditaram então ordens superiores, que cada pessoa que ali entrasse, fosse quem fosse presumo, teria a partir de então de mostrar a sua identificação. Compreende-se, porque é local de muita devassa, muito turista perdido ali espreita porque aquilo por fora tem ar de casa apalaçada, museu, monumento nacional pela certa. Outra gente ali vai, entre eu e muitos outros anónimos ou não, por razões que desconhecerei ou que não serão para aqui chamadas. Mas eu sou habitué, assim como sou já conhecido do segurança, um gajo que impõe respeito, correctíssimo e com uma peculiaridades na linguagem e no trato que não passarão despercebidas ao utente do local. Há sempre uma troca de bacalhaus à entrada e um até breve à saída sem que isto signifique um tu lá e um tu cá que é compreensível não existir: .Como está... Cumprimentos lá ao senhor fulano.... E o senhor beltrano nunca mais o vi por aqui... Hoje está muito calor.... Logicamente, seria de supor, sendo eu pessoa conhecida já se vê, que o segurança, tendo eu dado prova mais do que uma vez da minha identificação, não me voltasse a pedir a mesma. Mas não, o homem, cumpridor escrupuloso das suas funções, não se duvide, lá me questiona, barrando-me discretamente a entrada. E não é preciso dizer nada que eu já sei. Bacalhau (se calhar é mais escamudo=peixe parecido mas que não é bacalhau, e que por vezes é vendido em alguns supermercados como sendo) e vai-se procurar a identificação na carteira. Há que fazer prova da identidade. .É assim que tem que ser e ordens são ordens e eles mandam e nós cumprimos.. Mas porquê ??!! Porquê ritual inútil e repetitivo ? Eu não sou da casa mas é quase como que fosse. O gajo não se lembra de mim ? Estive ali ontem. Ou é como o outro do .Memento. cuja memória, o conhecimento e a lembrança de pessoas e locais não ia além dos últimos quinze minutos ? Não compreendo este excesso de zelo, o que vai naquela cabecinha. É suposto pôr-mo-nos na pele dos outros para tentar compreender as suas motivações e as causas para determinadas atitudes. Exercício no qual julgo ter alguma habilidade. Mas neste caso, que começo a julgar perdido, não consigo. Em conversa com outros colegas, todos são alvo daquele mesmo zelo e quase todos já sentiram o horror de ali terem chegado um dia esquecidos da identificação: .hoje passa mas da próxima vez...!.. Alguns que até têm inclusive confiança com o gajo segurança ao ponto de discutirem sobre bola, carros, bola e carros (!) A inutilidade é coisa que emprega muita gente neste país. Acredito que deve haver funcionários públicos em Ministérios cuja tarefa será simplesmente estarem sentadinhos junto às portas levantando-se para as abrir e fechar à passagem dos senhores da casa. E o pior é o excesso de zelo na inutilidade e na autoridade do qual é exemplo cómico aquele segurança.
Quando entro no Blogger, ele reconhece-me. Inseri uma vez a password, identifiquei-me uma vez e a máquina desde então nunca mais me pediu identificação. E nunca lhe dei um bacalhau...

jorge b @ 11:00 AM | Obs (0)
terça-feira, 17 de junho, 2003

New Feature! ... | espécie: fora de blog

New Feature!
Longe de nos propiciar qualquer tipo de exaltação, presenciar a 'morte' dum blog cria em nós uma sensação qualquer assim do tipo .eles vão-se mas nós ficamos.... Nós, os que continuamos ou os que resistimos.
A única coisa boa num funeral, principalmente quando não é o nosso, é encontramos sempre amigos que já não víamos há muito tempo. Não se tratando aqui de qualquer enterro, ficamos no entanto com a sensação de não mais encontrarmos estas espécie de amigos que nunca vimos.
Crio uma nova secção de links - R.I.P. (rest in peace, trad: .Resolveram Ir Parar.) - , com endereços de blogs que por um motivo qualquer ou por que lhes deu na veneta, bloquearam, pararam, ficaram-se durante a vigência deste meu mandato. Todos eles, merecedores duma ressuscitação isenta de milagre, que não passem de breves e suaves hibernações.

jorge b @ 01:20 PM | Obs (0)

Febre ... | espécie: extracções


- Estou a ficar febril
- Sim nota-se na tua cara que estás
- Com vontade de ir embora
- Tenho tanto para fazer
- O médico passa-te um atestado
- De certeza
- Isto é algum dente
- Tem que se arranjar
- Uma tanga não é
- Não se nota o vermelho
- Isso passa, dura pouco
- O efeito do Prozac

jorge b @ 11:27 AM | Obs (0)
segunda-feira, 16 de junho, 2003

Lábiatomia ... | espécie: publicidade gratuita

(reloaded:18.06.2003)
No Sábado estive a ver televisão até tarde, passava da meia noite. Vi o rosa choque, um programa que serve para demonstrar o quão medíocres conseguem ser gajas supostamente respeitáveis como Julia Pinheiro naquele seu esforço ingloriamente histérico de dar nas vistas/cameras, Margarida Rebelo Pinto, versão gaja que não parece mas vende livros como o caraças, ou quão espertalhona e impossível de aturar deve ser a Teresa Guilherme quando alguém lhe diz .passas-me o sal ?.. Programa didáctico como se vê. Reparo que estou para aqui a dizer mal de pessoas que não conheço pessoalmente, numa maledicência quase como se fosse nas costas delas, sem hipótese de se defenderem. (Nunca percebi esta expressão do .falar nas costas. (!). Se alguém me falar nas costas, só se for surdo não vou ouvir! Mesmo que falem muito baixinho, os sussurros ou os beijos na boca serão audíveis. Proponho a expressão .falar longe das costas.) Mas ao mesmo tempo estou a promover de borla o programa, simplesmente por estar a falar dele. Vou agora parar uns segundos para tentar arranjar mais um subterfúgio qualquer que legitime esta minha pouco recomendável atitude e esclarecer-me... Arranjei. As gajas que se expõem daquela maneira estão mesmo a pedi-las! Dê-me um sinal de televisão e lutarei com as mesmas armas, ou que venham elas sem betume na cara e dir-lhes-ei frente-a-frente o mesmo que escrevo. Paciência, é um risco que corre todo o bicho careta que aparece na televisão, local que, como diz muito bem a fabulosa Madonna, .só é bom se for para aparecermos nele.. Nem tudo podem ser rosas!
Esclareço-me desde já que o que me agarrou ao televisor não foi aquele gajedo e que tal acontecimento, raro, não significou de maneira nenhuma um sintoma duma qualquer tele-dependência latente e inconfessada. De facto vejo tão poucas vezes televisão que cada vez que a ligo, vou sempre espreitar atrás a ver se lá estão as pessoas que aparecem no écran.
E como é natural, não me fui pôr á frente do televisor à espera dos sketchs patéticos do rosa choque ou captar esse momento sublime que seria ver a Teresa Guilherme de boca fechada. Não, como pessoa decente e altamente recomendável que sou, acabara de ver o .Lugar da História. do Canal 2, documentário sobre os sodomitas Espartanos, quando fiz um zappingzinho inocente daqueles tipo .não me apetece ainda ir já para a cama, deixa cá ver se está a passar alguma telenovela erótica venezuelana.. O Herman era o convidado. Não bastaria, mas o desenrolar dos acontecimentos, aquele visível fosso cultural, intelectual, a riqueza interior entre o convidado e as gajas, aquele escandaloso contraste manteve-me acordado mesmo depois de ver a Julia Pinheiro descascar um pepino, momento crítico da noite. A fulana agarrava no pepino como se tivesse a agarrar numa faca e vice-versa. A custo lá descascou a faca, perdão, o pepino, mas da forma fálica do mesmo e muito dada a piropos, que diga-se de passagem, não se verificaram .against all odds., restou uma forma paralelipipeda tipo construção Lego, sem restea de casca, obviamente. Lá explicou o humorista acossado que umas tirazinhas de casca eram necessárias porque continham umas enzimas que facilitariam a digestão. E foi este pequeno instante crítico, que me fez pensar sobre o que é afinal preciso uma gaja ter para aparecer na televisão... Saber descascar vegetais não é certamente. O tempo das cunhas já lá vai e só é válido para empregos burocráticos que ninguém quer. De aptidões técnicas, intelectuais ou físicas estamos falados... Ora, o que é preciso ? L-Á-B-I-A. O lábio pode fazer muito pela carreira de qualquer gaja, mas a lábia é a chave mestra que permite abrir todas a portas e escalar para o topo das audiências. Enquanto nós gajos utilizamo-la para fins pacíficos, como seja sacar o número de telemóvel da repositora apetecível dos presuntos pata negra no hiper, elas utilizam-na para se armarem em boas na televisão e ainda ganharem dinheiro com isso. Rapidamente entram num circulo vicioso, televisão, dinheiro, operação plástica, televisão, dinheiro, operação plástica, com muita roupinha de marca, sessões de massagem e pedicure, e anúncios para instituições de caridade pelo meio. De gajas absolutamente normais ou até a roçar o fatela mas com lábia, passam a gajas visivelmente suportáveis e hipoteticamente comestíveis com muita lábia.
No próximo Sábado, segunda parte do documentário sobre a cidade estado de Esparta.

Ps: Aparece também no Rosa Choque um fulanito inútil que, ao que parece, disse uma vez que se não fizesse televisão matava-se. Compreendamos o desespero. Afinal, a vida não está cá fora, está lá dentro... Esta espécie de auto lobotomia pode causar este tipo de delírio que depois resulta muito bem na televisão made by teresa guilherme.

jorge b @ 03:45 PM | Obs (0)
quinta-feira, 12 de junho, 2003

Fora do penico ... | espécie: revisões da matéria

A minha maior lacuna não é não ser capaz de apreciar um bom vinho ou nunca ter ido assistir a um jogo do Benfica ao vivo. Muito menos é nunca ter estado em Novaiorque, Queluz ou no quarto da Monica Bellucci. A minha maior lacuna é não ser uma besta. E que jeito me dava. Não se confunda com a reconhecida e mui vulgar besta quadrada, versão torpe, um erro genético. Antes uma besta, simplesmente, mas com a mesma sensibilidade, bom gosto e sentido de estado que tenho. Mas infelizmente não sou... Na tropa, quando formava o pelotão, ficava para lá do meio, do lado do pessoal com menos caparro que é desta forma que se ordena o pelotão. A questão do caparro não quer dizer nada. Mas os olhos também têm medo, e a primeira impressão, a impressão do arcaboiço é a imagem de marca de qualquer besta que se preze. De longe ser eu uma besta. A minha sombra desde sempre me pareceu ridícula, principalmente quando ao sol de fim de tarde.
Sim, se eu fosse uma besta, a humanidade só tinha a ganhar. Não havia estúpido nas redondezas que já não tivesse levado no focinho ou nas trombas e aprendido com a sua própria estupidez e os meus próprios metatarsos. Consequentemente, familiares e amigos, vizinhos e inimigos dos estúpidos só tinham a ganhar com a humanização do animal. Não duvido que muitos passariam a ser bons país, melhores maridos e verdadeiros amigos do seu amigo depois de levarem nos cornos. Quiçá me ultrapassariam em virtudes e muitos depois pagar-me-iam umas bejecas tentado convencer-me a revelar-lhes o segredo da minha bestialidade. Coisa que teria sempre todo o gosto em revelar, se truque ou sabedoria fosse, assim houvessem tremoços a acompanhar a fartura da cerveja.
Hoje, por exemplo, aconteceram-me duas situações onde, só eu sei quanto, me trucidei interiormente por não ser bruto que nem uma besta. Logo ao começar do dia, pacatamente no meu automóvel, à entrada da ponte, naquela zona onde por milagre as três faixas passam a uma, isto depois de 6 terem passado a três e assim sucessivamente desde as portagens, dizia que, respeitando escrupulosamente a regra da alternância democrática, ou seja, passa agora um desta faixa, passa outro da outra e depois da outra e volta à primeira, um animal pôs-se a apitar. Só porque ia 10 cm à minha frente, julgava-se ter o direito de entrar imediatamente atrás do gajo que ia à sua frente na mesma faixa e que acabara de entrar. Obviamente que parei, baixei o vidro, sorri e... E depois lembrei-me que não era uma besta e não poderia fazer o favor que os olhos da miúda que ia com o animal me pediam: agarrar-lhe pelos colarinhos, atar-lhe a gravata ao para-choques e dár-lhe um carolo na mona (uma besta sem sempre precisa ser bruta; basta-lhe por vezes subtilmente causar a humilhação, coisa que muitas vezes é remédio santo e inesquecível). Claro que não podia fazê-lo. Sujeitava-me a levar eu no rosto, na cara. A razão dá-nos muita força, é certo, mas é mais força moral que força de braço, murro e pontapé.
Mas o pior ainda estava para acontecer. E quanto fervi interiormente, que conflito enorme entre esta minha condição de gajo desarcaboiçado e espírito rufia. Ao virar da esquina, dou com um cão a cagar em cima da nossa preciosa calçada portuguesa, e o dono, trelinha na mão, à espera, pacientemente à espera que se consumasse o atentado. O que é que um gajo pode fazer numa situação destas ? Em primeiro lugar, claro está, ter o cuidado de não pisar a merda, e em segundo conter-se ao máximo para não ir ao focinho do dono da trelinha. Neste caso, não só correria o risco de levar no rosto, como ainda levar uma dentada daquela amostra de cão que no entanto cagava como os grandes. A uma verdadeira besta bastaria ter arregalado os olhos para pôr imediatamente o dono a fazer o mesmo que o canídeo fazia. E caso o gajo se armasse em tótó e não fizesse continência, se se fizesse despercebido, trocava de cachaço à trela, e punha-o de gatas a fazer um castelinho na calçada e depois obrigava-o a trasladá-lo com o máximo dos cuidados para não desmanchar as ameias, para o caixote do lixo mais próximo. Uma verdadeira besta é assim, justa, implacável, imponente, e ninguém na sua presença pia, mia, rosna ou caga fora do penico.
Vou agora para o ginásio dar-lhe com força.

jorge b @ 03:10 PM | Obs (0)
quarta-feira, 11 de junho, 2003

Eros ... | espécie: fora de blog

A página deste blog, ao carregar, dá erros. Se são erros ortográficos, obrigadinho, eu sei. De vez em quando dou umas calinadas que só visto! Desculpo-me com o facto de ter que escrever à pressa, reler e depois publicar da mesma maneira... Estaria mais preocupado se não soubesse da existência das asneiras. Quem me lê e relê, talvez já tenha reparado que por vezes volto atrás e edito os posts. Pode ser que com o tempo a coisa melhore. Tudo melhora com o tempo... até certo dia.

jorge b @ 01:44 PM | Obs (0)

Dor nas costas ... | espécie: extracções

Carregar com mais de quinhentos quilos de terra, a balde, sozinho, dum lado para o outro, pode ser uma profunda e marcante experiência filosófica. Só faz é bem. Recomenda-se que a distância dum lado para o outro seja entre os 50 e 100 metros e que o balde seja uma daquelas latas de tinta de 25 litros. Ao final da tarde.

jorge b @ 01:40 PM | Obs (0)

Dor na barriga ... | espécie: publicidade gratuita

Tinha alguma curiosidade em provar comida africana e um dia destes, daqueles dias em que se está com tanta fome que venha o que vier marcha, arrisquei e mandei vir o prato do dia, moambada.. Rapidamente descobri que a carne vinha acompanhada de uma matéria gelatinosa e viscosa, à vista, uma espécie de cruzamento entre alforreca e massa de silicone transparente para vedar loiças de casa de banho! Aquilo é intragável! Mas é mesmo, não estou a exagerar. E qual experiência filosófica o tanas! Paguei 7 euros que me lixei que o dono do restaurante não tem culpa das minhas niquices.

jorge b @ 01:39 PM | Obs (0)

Matrix Bellucci ... | espécie: ícones

Maldita mania das fotos em macro!Icone 4.0
Acho que deve ser caso único na medíocre história da humanidade. Uma gaja com um apelido italiano faz uma aparição num filme, não mais de dez minutos, e na Premiere portuguesa aparece na capa, à frente dos dois principais protagonistas. Compreenda-se o espanto. É que na Maxmen a rapariga tem honra de capa porque merece. Agora, a Premiere, é cinema senhores! Falo de Monica Bellucci, do Matrix, e está tudo explicado e perdoado. No próximo Matrix, ao que parece, a actriz, que já foi considerada (e com ampla razão) a mulher mais desejada do planeta, terá um maior protagonismo ficando-se na dúvida sobre se os irmãos Wachowski vão saber aproveitar aquela curvilínea matéria prima e saber brindar-nos com uns planos à maneira, que são, como se sabe, os planos favoritos da malta.
O que mais aprecio na Monica, para alèm do seu apelido, é o facto de dar toda a impressão de ser uma rapariga que não consome revistas femininas. Como dizia uma colega minha, aquele tipo de literatura está cada vez mais degradante e resumido, apostado apenas em "ensinar" as mulheres a excitarem os homens. Um sentido de missão honroso e util, não duvidemos para um sem números de camaféus e gajas fatelas que infelizmente se passeiam por aí fora. E a julgar pelas tiragens desse tipo de pasquins, quantas mais não estão entre quatro paredes. Como dizia muito bem a minha avozinha, "há coisas que não se ensinam". Digo eu que "a Mónica sabe-a toda". E nós gajos, damos muito valor a gajas assim, que até parece que já nasceram ensinadas.
A Monica também entra de carne e osso no jogo para PC, baseado no Matrix, onde podemos vê-la aos beijos (a cena é a mesma que no filme com o Neo) mas com aquela capitã Niomi (creio não ser este o nome, mas é algo parecido). Do quarto das amigas para os filmes do David Lynch, das telenovelas da globo para os jogos de computador, o lesbicismo (é assim que se diz ?) é um fenómeno interessante e excitante, e que facilmente se generalizará nos próximos anos, não duvido. Há público e a malta gosta. O heterosexualismo (é assim que se diz ?) também começa a ser um fenómeno.

jorge b @ 01:39 PM | Obs (0)

Feira ... | espécie: publicidade gratuita

Volto à Feira do Livro pela segunda vez este ano, hoje de propósito para comprar o livro do dia da Editora Guimarães (das primeiras barraquinhas do lado esquerdo para quem sobe). Termos editoras que editam livros de autores como Nietzsche ou António Pocinho é actualmente a única coisa que nos distingue dos países do terceiro mundo. E por falar em Pocinho, a mui nobre editora Fenda não tem direito a barraquinha este ano. Há três anos seguidos que o .Elucidário Sexual. se mantinha naquelas bancas a 500 paus, a prenda ideal para oferecer às sogras deste miserável país. Este ano os livros da Fenda estão nas barraquinhas da Cotovia (as primeiras barraquinhas do lado esquerdo quem desce).

jorge b @ 01:39 PM | Obs (0)
sexta-feira, 6 de junho, 2003

Sentido da Vida #2 ... | espécie: lugares

Inconfundível com a Arrábida do Porto, o Portinho da Arrábida é um dos locais pequenos mais belos e inspiradores. Quem lá for ao princípio da noite, tipo fora de horas, irá perceber porquê; logo a começar pela vista do caminho até lá abaixo. É pena que aqueles restaurantes, que matam o bater das ondas, mais pareçam cais de embarque abandonados forrados a espelho e azulejo, e que no mar nunca consigamos ver os golfinhos que a tabuleta no estacionamento promete. O Portinho fica cedo sem sol, sem saladinhas de polvo, mas também sem gente. Fica apenas o indispensável e um cão .serra da estrela. que dorme como um gato.

jorge b @ 11:02 AM | Obs (0)

Filha ... | espécie: algures


Filha
Já me começa a fazer falta um jogo novo...
Pai
E para que queres tu o jogo ?
Filha
Para jogar.

jorge b @ 11:00 AM | Obs (0)

Esquecível ... | espécie: extracções

E porque é que não se consegue comer o raio duma bifana inesquecível ?

jorge b @ 10:57 AM | Obs (0)
quinta-feira, 5 de junho, 2003

Destino ... | espécie: revisões da matéria

Não acredito no destino. Não acho que algures alguém alguma vez se tenha dado ao trabalho de traçar o destino de alguém. Cada um constrói o seu e já vai com muita sorte. Qual .era o destino, tinha que ser. qual carapuça! Nalguns casos ou se tem azar ou sorte, ou então não se tem nem uma coisa nem outra e vai-se desta para melhor.
Cada um constrói ou destrói o seu próprio destino e os destinos reluzentes ou em ruínas podem cruzar-se, influenciar-se, pedirem matéria prima uns aos outros...
É que o destino está sempre em construção ou remodelação e acenta sobre os poderosos pilares das decisões que tomamos perante o imprevisto ou o previsivel. E tomamos milhares de decisões por dia. Aparentemente as mais importantes são aquelas, uma ou outra, que podem previsivelmente influenciar o nosso destino. Mas é só aparentemente. Enquanto escrevo, tomo repetitivamente a decisão sobre qual será a palavra, a letra seguinte. Tomo repetitivamente a decisão de voltar ou não voltar atrás, reler, apagar, ou continuar, caminhar para o absurdo, filosofar, ajavardar, decisões atrás de decisões mais ou menos conscientes que vão influenciar o meu destino, por mais insignificantes que possam parecer. Se demorar mais um ínfimo segundo que seja nisto, será o suficiente para quando daqui a pouco me levantar e quiser ir lá abaixo ao pequeno almoço, já não ir naquele elevador que irá avariar-se entre o 1º e o 2º andar. Descerei pelas escadas, tropeçarei num atacador e cairei desamparado nos braços duma cadeira que estava ali a arranjar. Partirei duas costelas. Na ambulância, a caminho do hospital, uma fulana da Cruz Vermelha, que preenche um boletim de totoloto, toma a decisão de me pedir seis números. Eu tomo a decisão de lhe dizer uns números quaisqueres enquanto reparo como ela não é mesmo nada de especial. Se fosse uma gaja boa tinha dito números provavelmente completamente diferentes (o número do meu telemóvel por exemplo...) mas assim sai-lhe o primeiro prémio da semana seguinte e eu nunca chegarei a saber.
Percebe-se a sequência, como todas as decisões podem influenciar outras decisões, destinos e vidas, e interligarem-se num pequeno caos de micro e macro acontecimentos e situações. Está tudo em aberto ao encontro do acaso, sorte e azar, aguardando decisões, opções e vontades que despoletarão outras, vários rastilhos que se cruzarão em novos sentidos.
Vou neste momento deitar fora a pastilha, que mastigo, já sem sabor. No lixo será lixo. No sapato de alguém será o destino.
Está tudo por escrever.

jorge b @ 10:53 AM | Obs (0)
segunda-feira, 2 de junho, 2003

Parto difícil ... | espécie: extracções

Hoje uso o do meio que me fica bem com a franjinha!
Por detrás dum comportamento rebelde e provocatório, excitante, por vezes corajoso e surpreendente, está o desejo latente duma estúpida e assustadora normalidade, que se manifestará mais tarde ou mais cedo de forma dolorosa para quem está ao lado fascinado com o toque.

jorge b @ 09:54 AM | Obs (0)
sexta-feira, 30 de maio, 2003

Os Caroços ... | espécie: revisões da matéria

Ficas com os carocos e eu com a pele, certo ?
Uma menina está a brincar à malha sozinha e ninguém está a reparar nela. Entretanto ouve um gritinho e vira-se, pensando que seja uma das suas amigas imaginárias querendo desconcentrá-la. Era uma outra menina que tinha acabado de pisar um gafanhoto daqueles grandes e castanhos. A menina continuou com o seu jogo da malha, ao pé cochinho, baixando-se para apanhar a pedrita que momentos antes tinha atirado para a frente. Descobre que afinal não se trata duma pedrita coisa nenhuma, antes um caroço de damasco. Abana-o e repara que não faz toc-toc como faz a caixa de anti-depressivos que a mãe tem secretamente escondida na cafeteira eléctrica. A outra menina, que entretanto se tinha entretido a observar as formigas que agora devoravam o que restava do gafanhoto espezinhado e que ainda esperneava, aproxima-se e começa a apagar, maldosamente, os traços no chão do jogo da malha, enquanto cantarola uma musica baseada em factos verídicos. Era mesmo maldosamente porque sempre que fazia algo por maldade, a menina punha a língua de fora e tentava com a mesma chegar a uma verruga com a forma dum paralelipedo, verruga essa bem saliente e que tinha na face mesmo ao lado do nariz, assim como quem vai na direcção do olho direito. A menina do caroço de damasco na mão pergunta-lhe, olha lá, achas certo o que estás a fazer ? E a outra responde, enquanto não encontrar o caroço de damasco que perdi ontem quando estava entretida a fazer uma lobotomia a uma borboleta, mais ninguém que esteja perto de mim, num raio de 10 metros, terá sossego na vida!! A menina do caroço de damasco na mão, discretamente faz muita força para apertar o caroço e assim o esconder. Mas a outra, que tinha ténis novos e não via a hora de os saber calçar sozinha, desconfiou e disse olha lá porque é que continuas ao pé cochinho, se já te apaguei os riscos todos do chão ? És tola ou quê ? A outra ficou tão corada com aquela observação que disse, a minha mãe está a chamar-me, tenho que ir antes que o meu pai lhe grite para gritar mais baixo. A gritaria era quase infernal mas não era diabólica. Era assim, Oh Mariiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia, Oh Mariiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia. Nisto disse a menina da verruga, de facto, só me podes estar a esconder alguma coisa porque a Maria aqui sou eu e mais ninguem. Nisto mostrou à outra uma folha de papel com uma redacção da escola com o titulo .O meu nome é Maria graças a Deus., e continuou, palpita-me que deves saber onde está o meu querido caroço. A menina do caroço de damasco na mão passou de corada a branco natureza porque entretanto a outra começou a pintá-la à trincha com uma tinta plástica hidrosolúvel. Antes de levar uma pincelada na boca, ainda teve tempo de dizer, não era melhor ires para casa antes que gastes a tinta toda aos homens na Junta Autónoma das Estr... (?) Começa então a chover, e no chão forma-se um imenso lago branco, pois a terra, saturada com as chuvas daquele mês, não absorve a água da lata e a tinta da chuva. Subitamente no local onde estão as meninas, pára de chover. Uma grua faz passar por cima delas um espelho gigante destinado ao tecto do quarto anão duma vizinha que dá nas vistas, que vive sozinha raramente no 18º direito. As meninas olham e observam as suas imagens reflectidas lá em cima, duas pequenas faces no meio do branco natureza, faces que iam no entanto ficando cada vez maiores, cada vez maiores, cada vez maiores, cada vez maiores, cada vez maiores... Ficam tão fascinadas com o que presenciam, que começam de imediato a correr da li para fora. Na atrapalhação da fuga, o caroço de damasco cai das mãos da menina que o tinha, logo seguido do enorme espelho que, no entanto, era à prova de bala, logo, no chão, apenas se partiu em quatro partes. Passado mais ano menos ano, depois de todo aquele bairro ter sido demolido e o entulho sido traficado para um país que ninguém desconfia, uma das meninas, agora mulher, é lascivamente acariciada na sua borbulha, agora em forma de cone, naquele mesmo sítio, debaixo duma árvore, quando um damasco lhe cai em cima da cabeça e se abre em quatro partes. Do seu interior salta o caroço para as suas mãos e diz, não me reconheces ? sou o teu caroço caraças! olha, o meu caroço, como terá vindo aqui parar ? Não olhes para mim, diz a outra com um caroço de nêspera escondido na mão.

jorge b @ 02:58 PM | Obs (0)
quinta-feira, 29 de maio, 2003

Panadas de Postas ... | espécie: fora de blog

Panadas de Postas de Pescada
"Os Blogs estão na moda..."

jorge b @ 11:38 PM | Obs (0)

Depurar ... | espécie: revisões da matéria


A verdade é que a mariquice das sondagens (poll) aqui no blog revelou-se um fracasso ainda maior que o próprio blog em si. Estava-me já a fazer ao Jaguar mas não tive sorte nenhuma. Se a primeira sondagem ainda teve 8 cliqueiros, esta ultima sobre se seria preferível acreditar na vida antes ou depois da morte, merecia até à data apenas um clic, um desprezível clic. Como esta e outras .features. só servem para atafulhar as templates de código e tornar as páginas mais lentas, decido retirá-la do ar. As audiências assim obrigam. É uma decisão irredutível. E só um abaixo assinado com mais de uma assinatura ou a proprietária da cervejaria ali em baixo aceitar a minha sugestão de haver uma .happy hour. todas as sextas a partir da 17h me fará voltar atrás.
Além das sondagens, já retirei outro lixo que tinha colocado, deslumbrado que estava com estas mariquices todas que desconhecia existirem. Continua lá mais abaixo o bonequinho com a informação meteorológica que acho querido (não são só as gajas que têm direito a utilizar estes adjectivos!). Muda de roupa de vez em quando, aparecem nuvenzinhas, o sol, a chuva e houve um dia que, para gáudio dos fans, tirou os óculos escuros!!
Voltando ao tema desta ultima sondagem, julgo que o fracasso deveu-se à incómoda pergunta. Basta falar de morte para sentirmos desconforto, começarmos a pensar em carretas funerárias, varizes, amendoins com sabor a mofo, .talk-shows. e morgues, enfim, aquele tipo de pensamentos que na nossa adolescência os nossos amigos mais velhos nos aconselharam a ter durante a nervosa e sempre precoce primeira vez. As questões a sondar deveriam ser mais comerciais. Tenho a certeza que uma pergunta do género .Concorda com a afirmação de Francesco Alberoni segundo a qual Nietzsche tinha consciência de que era louco ?. seriam um sucesso; o número de hits no meu blog disparava para números astronómicos e não tardaria a estar sentado na cadeira dum qualquer conselho de administração e a pedir pelo intercomunicador .tragam-me mais morangos com chocolate derretido s.f.f... Mas eu não sou comercial. Sou daquele tipo de gajo que nunca põe saldos e jamais entrará em liquidação total. Quanto muito faz descontos especiais, mas nem sempre a quem merece, infelizmente. Mas gosto terrivelmente de morangos. Já se está a ver o conflito institucional que há em mim...
Espero ter ainda muitos anos pela frente para poder falar da morte e parar de vez em quando nas bombas de gasolina para encher os furos lentos do meu carro. Na realidade já prometi a mim mesmo que quando o meu blog fizer o seu primeiro centenário, publico uma entrada com a palavra morte escrita em todas a línguas; trabalho de investigação que desde já me comprometerei a fazer mal me instale no nono círculo...
Eu não acredito na vida depois da morte e acho uma perda de tempo colocar-se sequer semelhante hipótese. Por isso, apesar de todas as contrariedades, tento acreditar ao máximo na vida antes da morte e que estará para breve um boom bolsista que nos vai salvar a todos.
Concordo com o Woody Allen, que diz assim mais ou menos, .não tenho medo da minha morte mas quando isso acontecer, não quero lá estar.. Acrescento que se alguma vez morrer, tenho a certeza que depois, onde quer que esteja, serei facilmente confundido com uma formiga ou qualquer outra bicharada que comigo morra nesse dia. Eu e toda a gente seremos confundidos. Não me confundam é com o Alberoni.

jorge b @ 04:14 PM | Obs (0)
quarta-feira, 28 de maio, 2003

Recarregado ... | espécie: publicidade gratuita

Fui ver o Matrix Reloaded. O filme começa de forma espectacular, com a Trinity a atirar-se da janela dum arranha-céus, indo desamparada aos tiros por ali abaixo com um dos maus; isto mostrado em camera lenta e com todo o detalhe. Mas depois, o 2º Matrix tem 20 ou 30 minutos bastante assustadores. Em Zion, a cidade real (de realidade), há conselheiros, políticos, generais, traições, mães de família carentes e rave partys. Tirando a parte da rave, aquela penosa meia hora em muito me fez lembrar toda aquela intriga política e mesquinha, aqueles conflitozinhos hierárquicos que há nos novos .star wars.. E há aquela conversa lamechas e demodée do .the choosen one., que tinha esperança não fosse aprofundada neste 2º capitulo. Enganei-me. Foi-lhe dito que por artes divinas ele era o escolhido e o fulano neste capitulo já não tem disso dúvidas. Tão convencido que está que a determinada altura só à segunda consegue engatar um beijo como deve ser na Monica Bellucci (faz de mulher dum traficante de informação)! Desnecessário mesmo era vermos os esfarrapados pobres de espirito de Zion (o povo) ajoelhando-se com velinhas, oferendas e pedidos aos pés de Neo. Nem ali a malta tem juízo! Uma religiosidade que é depois levada ao cumulo do ridículo com o discurso inflamado de Morpheus dirigido ás massas antes de abrir a discoteca .underground., à boa maneira .MTV live. só que com muito mais calor e esfreganço, tudo salpicado com umas cenas tórridas de entremeio entre o Keanu Reeves e a Carrey-Ann Moss.
Mas o filme encarrila e acaba por ser um ilustre sucessor do 1º. Com porrada a rodos, tudo muito bem coreografado e sincronizado, muito pouco sangue e óculos inquebráveis... É limpinho! Mas um excelente elixir para os olhos, e acima de tudo, consegue pôr-nos os neurónios ás voltas com a filosofia matrix tornando tudo ainda mais complexo, como se fosse possível depois do primeiro capítulo.
Um surpreendente delírio visual e mental que vale todos os cêntimos do bilhete de cinema das segundas feiras.

jorge b @ 12:24 PM | Obs (0)
terça-feira, 27 de maio, 2003

The one and only ... | espécie: ícones

Aqui sou mesmo eu... mas nao digam a ninguem!
Quando surgem no mercado bocas e cenas escabrosas sobre gajas públicas e altamente desejáveis a todo o custo, fica-me sempre no ar a dúvida sobre o real alcance e objectivo do mexerico. Não duvido que por vezes tratam-se de golpes de marketing pensados ao milímetro pelas próprias visadas enquanto a maralha os consome julgando tratarem-se de verdadeiros escândalos, pequenos fins do mundo que alimentam o imaginário da malta sempre á espera da próxima. Sacanice à séria ou sacanice a brincar (golpe de marketing), no final de contas há sempre uma mais valia para as protagonistas e para os tablóides que ajudaram à festa. Gajas como Pamela Anderson ou Madonna, são algumas das que vão passando e facturando enquanto os cães ladram. Os escândalos e a má língua só vêm fazer jus à máxima .falem bem ou mal de mim, mas falem caraças!.
Tem circulado aqui pela Internet um já celebre mail com um ficheiro vídeo onde supostamente se veria a Fernanda Serrana armada em vedeta porno. A rapariga lá demonstrou a indignação da praxe desmentindo tudo, que não tinha sido ela a protagonista da gemideira. A guardiã TVI investigou a origem e conteúdo das imagens, recrutando para o efeito, diz-se, os maiores peritos em p0rnografia do país entre frequentadores dos peep-shows da capital, retirados do olímpia e coleccionadores de pequenos anúncios eróticos. Rapidamente se chegou á conclusão que a artista do ficheiro vídeo era uma actriz p0rno qualquer dum qualquer país de leste.
Confesso que até aqui nunca tinha reparado na Fernanda Serrano. Não é loura, nunca apareceu descascada na Maxim (Super Maxim ou whatever) e a TVI parecia ter o exclusivo da sua imagem telenovelizada, canal e programação que por norma não vejo... Do que sabia (via) dela eram aqueles anúncios do BPI onde a rapariga publicitava produtos financeiros. Para um gajo em falência técnica como eu, sempre achei aquele tipo de anuncio ofensivo, considerando-o como mais uma brincadeira sem graça ao estilo .isto só vídeo.. Ou seja, a Fernanda (nem o nome ajudava) não me dilatava um micro-milimetro sequer da pupila.
Mas esta coisa do mail p0rno, como qualquer outra sacanice de gajas públicas, fez de mim mais uma vítima. Foi ver-me uma noite destas a teclar entre aspas o nome da actriz na caixinha do .procurar. do google. Sim, procurava mais informações sobre o vídeo, que é como quem diz, o próprio o vídeo (ficheiro .mpeg, .avi, desde que mexesse!). Um amigo meu já o tinha e mandava-mo por mail de boa vontade... Mas a minha caixa de mail só tinha disponível pouco mais de 0,5 Mb. A opção era apagar importantes ficheiros (!) ou abrir de propósito uma conta de mail para receber o vídeo da Serrano, opção que além de dar trabalho não me parecia eticamente correcta dado tratarem-se afinal de uns míseros segundos de pagode, provavelmente com uma qualidade de imagem dúbia. Daí a minha busca, a ver o que dava no google. E deu... Não encontrei o famigerado vídeo mas encontrei mais uma das mulheres mais bonitas que há memória, o que só veio mais uma vez comprovar a minha teoria segundo a qual, o país com as mulheres mais bonitas do mundo é sempre aquele onde estou de momento!
O golpe final deu-se quando entrei num site que, apesar de não ter sido por mim explorado como talvez merecesse, pareceu-me fazer uma apologia inocente e com bom gosto da Fernanda, exibindo numa das suas páginas diversas fotografias, qualquer uma delas, fazendo esquecer a imagem banalmente mediatizada da actriz/modelo e mostrando-nos uma mulher versátil e de uma beleza sofisticada, assim mesmo como a malta gosta. Não resisti e publico aqui, com a devida vénia, .a foto. da Fernanda Serrano que julgo melhor ilustrar o que escrevo.
Ou seja, Fernanda, garantimos-te, se o que te tentaram fazer foi uma sacanice a sério, não calculam o favor que te fizeram. Como eu, quantos gajos não haverá por esse país fora, que foram inevitavelmente encalhar naquele ou noutro site de tributo á tua beleza, e perante ela não ficaram rendidos ?
E agora vou parar de escrever. Está quase a começar o .Amanhecer. e além disso tenho que preencher aqui a papelada para abrir conta no BPI.

jorge b @ 10:02 AM | Obs (0)
quinta-feira, 22 de maio, 2003

Bufos & nus ... | espécie: portugal

O país está atrasado e assim não vai lá. A ultima que soube ilustra bem a falta de qualificação e formação profissional que grassa por estes arrabaldes. Numa escola secundária aqui da zona, um miúdo foi apanhado dentro da casa de banho própria para miúdos, calças em baixo, de playboy e pila, respectivos exemplares em cada mão. Uma auxiliar de educação bufa, depois de ouvir uns "barulhos esquisitos", apanhou a intrometida, o miúdo em flagrante mas legítimo delito, e denunciou-o de imediato á direcção da escola que aplicou ao efebo 2 (dois) dias de suspensão. Esta sentença aviltante que muito merecia vir escarrapachada no telejornal da TVI devia deixar-nos a todos indignados e fazer-nos reflectir sobre o cinismo que grassa até entre as auxiliares de educação. O jovem não tinha antecedentes, não estava numa via publica (logo não podia constituir um crime de atentado ao pudor), não estava na casa de banho dos professores ou das miúdas (logo não podia constituir uma excitante perversão) e praticava um acto reconhecidamente normal e próprio de qualquer idade (logo podia chamar em sua defesa testemunhos de figuras tão proeminentes como Júlio Machado Vaz) . Perdeu o jovem dois dias sabe-se lá de quão preciosas aulas, vitima da ignorância daquela auxiliar, que tinha a obrigação de estar preparada para situações como aquelas, e ao invés, feita histérica e armada em pudica, correu sabe-se lá com que abominável ligeireza até ao famigerado Conselho Executivo, onde os juizes de ocasião apenas demonstraram serem igualmente possuidores de falta de formação profissional, ao não condenarem antes a ingerência da rasca serviçal. É sempre o mais fraco que se lixa!
Se isto fosse o blog do pipi o mais provável era aquando do flagrante a história prosseguir um rumo pornográficamente normal mas quicá saudavelmente inesquecível para os intervenientes, i.e. a auxiliar fazia companhia ao jovem ou até mesmo dar-lhe-ia uma ajudazinha. Mas como não é, escreve-se aqui que a atitude correcta daquela auxiliar coitada era, obviamente, confrontada a embaraçosa situação, achar piada e dizer: "Olha eu vou sair, vou fingir que não vi nada. Mas sugiro que de futuro, para a escola tragas apenas os livros, e que faças o que estás a fazer na intimidade do teu lar." E o assunto ficava por ali. Não seria a resposta correcta e bem preparada duma auxiliar de educação bem qualificada para lidar com estas situações extremas ? Tirando o Pine Cliffs no Algarve, o mundo não é um lugar perfeito, assim como não há respostas perfeitas, comportamentos ou, tirando a Marisa Cruz, coisas perfeitas. Mas é assustador notar-se o quão fácil e cinicamente condenável pode ser este tipo de atitude de WC desviante mas afinal tão humana.
Vem-me á memória aquele .ganda maluco. que numa manifestação de requintada boa disposição, entrou no principio da 2ª parte duma final de futebol, campo a dentro, mostrando o cartão vermelho ao arbitro para logo de seguida se despir e começar aos pontapés na bola. O fulano deve ter certamente ganho uma aposta qualquer, mas ficará sujeito ao mesmo tipo de cinismo de que foi alvo o jovem canholeiro da escola secundária. Sabe-se lá que sentença, quantos dias de prisão substituídos por multa levará um gajo que ao contrário de muito doente pervertido, não fez nada ás escondidas antes pelo contrário, desarmado e inofensivo, (apenas) contribuiu para fazer história naquele jogo, provocando um momento hilariante de .enterteinment. à escala mundial. Ou acham que no futuro aquela final vai ser lembrada como mais uma final que o Porto ganhou ? Claro que não! Toda a gente vai lembrar-se da cena do gajo nu. Enquanto na escola, toda a gente vai lembrar-se de fechar a porta da casa de banho á chave, antes...

jorge b @ 11:47 PM | Obs (0)

O Porto é uma cidade!* ... | espécie: portugal

* Presidente da república, primeiro ministro, 5 ou 6 ministros, vários secretários de estado, cerca de 40 deputados de alguns partidos, entre a assistência convidada pelo FCP para o jogo de ontem. Compreendo agora a tara desesperante dos clubes em quererem construir estádios novos e maiores. Bom senso teve a malta do Bloco de Esquerda que fez questão de afirmar que não tinha sido convidada mas mesmo que o fosse não punha lá os pés! Isto é que são verdadeiros Benfiquistas!!
* Foi engraçado notar que depois do jogo, após a fase mais exuberante da festa da entrega da taça, os jogadores do Porto já não sabiam o que fazer á mesma. A certa altura é visível a atrapalhação do Vitor Baia sem saber se a deixava ali na relva ou se a carregava ás costas até ao balneário. É que o homem estava desejoso de se pôr a imitar os pinotes do Mourinho. Por sorte havia ali um gajo de bigodes por perto, que lá carregou com ela.
* No tempo em que o Eusébio ganhava taças, era vê-lo agarrado a elas aos beijos e abraços. Eram menos pesadas é certo mas o homem era capaz de dar meia dúzia de voltas ao estádio com uma taça, e diz quem sabe que para a arrancar das mãos, tinha que ser sempre sob ameaça de o porem a jogar no Porto. Grande Eusébio!
* Em vez da taça, a cerimónia podia ser substituída pela entrega do cheque. Imaginemos, um cheque com os prémios de jogo ou seja, muitos cheques colados uns aos outros que formavam um cheque gigante. Os jogadores e os árbitros no final da final só tinham de separar o respectivo pelo picotado e depois podiam dar as cambalhotas que quisessem sem o perigo de deixarem cair um monte de prata com 15 quilos em cima das botas. Podiam até dar voltas ao estádio acenando os cheques ao público que retribuiria acenando com os guardanapos onde tinha trazido embrulhados os couratos. Seria mais bonito.
* P.....ara.......béns! Já disse, pronto!

jorge b @ 03:10 PM | Obs (0)
quarta-feira, 21 de maio, 2003

O Friedrich é que sabe ... | espécie: interferências

.Há factos de carácter tão delicado que convém encobri-los e torná-los irreconhecíveis por meio duma grosseria; há certas manifestações de amor e de uma generosidade exuberante, depois das quais nada há de mais aconselhável do que pegar num bastão e dar uma sova à testemunha ocular: assim se turva a sua memória.., Nietzsche, .Para Além de Bem e Mal.

jorge b @ 09:44 AM | Obs (0)
terça-feira, 20 de maio, 2003

Sentidos para a vida: Olivença ... | espécie: lugares

Descobri ontem um desígnio nacional talvez demasiadamente esquecido. O nome Olivença não me era estranho. Sempre julguei tratar-se duma qualquer terriola meio alagada pelo Alqueva e perdida ali por detrás dum monte alentejano qualquer mandado restaurar por uma qualquer vedeta do jet-set televisivo. Não foi bem assim o que imaginei, mas acho que fica bem escrever assim. Na realidade o nome Olivença não me dizia absolutamente nada, e se me perguntassem ontem antes do meio dia onde ficava, eu dizia que ficava algures no Alentejo, e depois provavelmente até seria levado a perguntar se o nome da terra era mesmo aquele, se não seria antes Oliveiça... Isto é pura ignorância, confesso. Qualquer português que se preze devia saber de cor o nome de todas as terras que lhe foram usurpadas ilegalmente por essa malta que só tem feito má vizinhança e dá pelo nome de Espanhóis.
E Olivença é um desses casos como os há muitos, de violação flagrante do direito internacional. E qualquer dia são tantos que alguém terá de fazer o favor de arranjar uma nova designação que esta de tão gasta tem os dias contados. A região de Olivença sempre foi meio nossa, meio espanhola, meio árabe, meio de outros ocupantes políticos e militares da península ibérica, e se calhar pouco foi dos que lá viviam. O que é certo é que em determinada altura ela, a região de Olivença que ainda é tão ou maior que a península da margem sul (zona entre Setúbal e Lisboa, englobando os concelhos do Seixal, Almada, Sesimbra e Barreiro), foi nossa de papel passado e tudo. Ora naqueles tempos um papel passado tinha tanto valor como um gajo passado (daí a origem do nome). E com miufa dos Espanhóis que naquele tempo andavam com os Franceses ás cavalitas, lá lhes cedemos aquelas terras de perder a vista depois de Elvas, do outro lado do Guadiana. Só que os Espanhóis marimbaram-se para o que estava estabelecido, e queriam mais. Ai é, então não levam nada e passem para cá Olivença! Tudo se resolveria a bem com novo tratado anos mais tarde, onde o raio dos Espanhóis reconheciam o direito de Portugal a Olivença e prometiam devolver aquelas terras ao nosso mapa.... Até hoje!
Isto arrisca-se a ser uma causa não só esquecida como também perdida. É uma questão de direito internacional, mas o direito internacional é cada vez mais uma cantiga de embalar países pequeninos. Qualquer re-anexação na prática só se concretizaria de duas maneiras e qual delas mais remotamente impossível. Ou eram os próprios Olivences que diziam .Porra estamos fartos de comer tapas e tortilhas e já temos saudades dum bom cozido á portuguesa. Não nos importamos de deixar de pertencer a Espanha, país com um nivel de vida muito superior e passamos a ser Portugueses de pleno, com direito á mais baixa taxa de produtividade da Europa! Isso aí são torresmos não são ?., ou os próprios Espanhóis que, e só lhes ficavam bem, diziam .Por supuesto cono, Olivença é portuguesa, tenham paciência Olivences, sei que vão passar de cavalo para burro mas tem que ser. Somos gente séria! Contem com uns subsidiozitos para vos compensar do trauma, até para ficarmos bem com a nossa consciência pelo muito que sacámos deste pequeno território português, ainda assim maior que muitos países independentes. Não levem a mal... Olhem, boa sorte..
Toda a cronologia e tudo sobre Olivença e a sua história pode ser sabido tim-tim por tim-tim em www.olivenca.org, o site dos amigos, que vêem no caso certamente uma excelente maneira de cá se ir andando.

jorge b @ 10:25 AM | Obs (0)
sexta-feira, 16 de maio, 2003

A carraça ... | espécie: histórias infilmáveis

Alguem mas noutra encarnação
Um homem vai num comboio a ler um livro comprado numa estação de serviço. O cheiro a gasolina atrai uma melga resistente ao ar condicionado que poisa em cima duma pinhoada de marca branca, precisamente no momento em que o homem a leva á boca. Entretanto, estação a estação, o comboio vai enchendo e várias pessoas vão ora ficando sem carteira, umas, ora retocando a maquilhagem, outras. Alguém repara então que o homem que lê tem uma carraça no nariz. Mas não é uma carraça. Há uma criancinha que começa num berreiro daqueles normais. Neste momento ninguém sabe que não é uma carraça, mas toda a gente pensa que é. Todos passam, reparam e ninguém diz nada porque ninguém tem coragem de dizer olhe desculpe mas não é uma carraça o que tem aí no nariz ? Pode ser uma carraça de estimação, diz o revisor alertado por um passageiro que entretanto lhe suja os sapatos com um vomitado verde pastoso mas sem cheiro. Será melhor não dizer nada e limpar-me antes os sapatos, continuou enquanto picava mais um dedo por engano. Mais á frente um jovem com uma camisola cor de rosa abriu uma das janelas e pôs-se debruçado do lado de fora, na esperança de ser colhido por um poste plantado mais perto da via férrea. Devido ao vento que entrava na carruagem, uma senhora começou a sentir falta de ar e tentou em vão acordar o marido que a seu lado sonhava ter uma pequena loja de encadernação de fascículos na Sibéria. Ouve-se um apito seguido dum pequeno estrondo e por uma das janelas do comboio entra um sapato de salto alto de senhora ainda com a etiqueta do preço por baixo. O revisor usa-o para estancar o sangue que lhe sai dos dedos. O homem que lê chega ao fim da página 68 e isso significa que a próxima estação é a dele. Fecha o livro e repara então que tem algo escuro na ponta do nariz. Tira uma pequena pinça de dentro do bolso da camisa e retira a partícula negra do nariz. Prova para ver o que é. Todos os passageiros olham-no com expectativa e neste momento o comboio passa por um poste plantado muito perto da linha férrea. Sabe a fruto seco mas ninguém para além do homem sabe. Na loja de encadernação surge uma cliente que em russo informa o dono da loja da morte da sua esposa. O encadernador não compreende o que a mulher diz mas presume pela cara de felicidade dela que sejam boas noticias e decide fazer saldos para comemorar. É um amendoim com mel. A criancinha continua a chorar e a mãezinha diz-lhe pronto filho pronto o senhor já comeu a carraça já passou, já passou.

jorge b @ 03:26 PM | Obs (0)

La haine ... | espécie: interferências

"C'est l'histoire d'un mec qui tombe d'un immeuble de cinquante étages; au fur et à mesure de sa chute il se répète sans cesse pour se rassurer:
jusqu'ici tout va bien,
jusqu'ici tout va bien,
jusqu'ici tout va bien...
mais l'important, c'est pas la chute c'est l'atterrissage."
.La Haine., Mathieu Kassovitz, Film français (1995)

jorge b @ 02:26 PM | Obs (0)
quinta-feira, 15 de maio, 2003

Ter uma certeza qualquer ... | espécie: interferências

"Prova-o! Dá-me disso uma prova (...), já! (...) Faz-me ver isso ou, pelo menos, prova-o de tal maneira que a demonstração não dê aso à menor dúvida! (...). Preciso de uma prova. Uma prova, ouviste ? (...) Quem me dera ter uma certeza!".
Shakespeare (Otelo, Acto III, Cena III)

jorge b @ 12:26 PM | Obs (0)

Mas (afinal) de onde é que apareceu esta gaja ? ... | espécie: fora de blog

Chiça!!! Está num comentário mas merece a 1ª página caraças!
"
Aqui está finalmente uma ferramenta imprescindível para os iluminados com QI superior aos comuns mortais, e que não lêm as revistas do coração, mas encontraram finalmente uma forma excepcional de utilizar a tecnologia para se mostrarem e serem vistos pela comunidade virtual superior, sem serem pirosos, claro.
.Abençoados Blogs!
Agora já podemos ser como os outros, mas diferentes.
Confesso que estou tentada. Penso mesmo que não poderei mais ser respeitada pelo namorado nem pela familia se não demonstrar publicamente o meu Blogoego.
Efectivamente não me dou suficiente importância( alter ego...)
Somos também intelectuais virtuais, pois sim senhor.O Matrix tem muito que se lhe diga
Não só na terra como Céu! Amen
Podemos então soltar o nosso ego por esses fios e ligações de todo o mundo e acima de tudo, ver sem ser visto!
Pois vamos então despejar o nosso conteúdo e mostrar a capacidade literária e cultural a outros tantos iluminados quais voyeuristas de Big Brother para sobredotados. Apaziguados enfim e sem recorrer ao Psicólogo ( tá a ficar "out").
Até as caralhadas têm outro sabor.
São palavrões sim senhor, mas com cultura, nota-se logo a diferença.
Claro que a restante maralha não poderá alcançar o sabor da irreverência, de um humor espirituoso e intelectual.
Viva a irreverência pois dela será o reino dos iluminados, já que os outros são simplesmente broncos.
Um dia sem Blogar e já se nota o frenesim. Sim porque é mais barato que o Prozac, e tem um efeito muito mais terapêutico para o ego. Não somos carneirada não senhor!
Isso é para a camada dos shim shenores k papa as telenovelas e os reality shows.
E para os iluminados que no fundo também são gente (?) Afinal também há que aderir e Zás eis que já não és ninguém se não tens Blog, tal como revistas cor de rosa para classes incompreendidas.
Como é bom Blogar . Parafraseando o aberrante filme Titanic " I´m the King of the world", por instantes. Frustrante é olhar para o "tamanho" do próximo, que não resistimos mas nos deixa sempre com a sensação de que o nosso é mais pequeno, ou menos qualquer coisa... Perversamente voyeuristas, não ha´como escapar.
E como uma lufada de ar fresco, Blogemos enchamos os pulmões de ego que nos dias que correm bastante falta faz. Sempre ajuda a passar outras faltas e defeitos que não nos permitimos questionar.
São SOS´s da alma, mas com requinte e literados
Cada país tem o jet set que merece, e os intelectuais do tamanho dos seus metros quadrados.
"

jorge b @ 09:47 AM | Obs (0)
quarta-feira, 14 de maio, 2003

A sondagem ... | espécie: fora de blog

Resultado da primeira grandiosa sondagem (poll) ou poll (sondagem) qualquer:
Passar fome!: 37,5%
Comer comida estragada!: 62,5%
Universo: 8 cliqueiros(as).
Á boca da urna: toda a gente se lembrava dum tal filme onde não sei quê a malta se comia uma á outra porque tinham caído de avião e não sei quê e que aquilo foi mesmo real e que depois tiveram que receber tratamento psiquiátrico.

jorge b @ 08:51 PM | Obs (0)

Cabedal ... | espécie: revisões da matéria

Esta coisa de um gajo escrever e não ganhar nada com isso pode ser complicada. Convertendo-se em Euros o tempo que se despende nesta labuta, é só real prejuízo. Ganhar ganhar, ganha-se sempre alguma coisa ou alguma coisinha, um auto-enriquecimento interior se assim lhe quisermos chamar, um consolo que muito valorizamos. Coisa que só quem escreve compreende e sabe dar valor, principalmente quando olha para trás e vê o quanto enriqueceu porque quão parco foi aquilo que já escreveu há mais ou menos tempo. Uma espécie de evolução da espécie qualquer, uma mais valia muito intima que só á distancia do tempo reconhecemos.
Um gajo que se deixe de tretas e ganhe dinheiro com o que escreve, está bem porque não tem esta relação monogâmica e obsessiva com a escrita que a maior parte da maralha tem. Se ganhar bem, vender muito bem, então até põe o gerente de conta a ler e a pedir-lhe autógrafos fora da zona reservada para o efeito, o que é bom sinal.
Isto da escrita exige metade de inspiração, outra metade de jeito, e outra metade de experiência e nenhuma vocação para a matemática. Mas a metade de experiência de vida, é sem sombras a metade mais importante. A escrita e a experiência da vida enriquecem e ajudam-se mutuamente mas não coexistem pacificamente. Explico, que um gajo que escreva muito não pode obviamente viver muito e vice-versa. É que a escrita não é vida para ninguém, ocupa muito e ás vezes pode ser tão trabalhosa que se pode tornar numa espécie de 11ª praga do Egipto. Só mesmo para quem faça vida disto. E esses, os que comem e apresentam sinais de riqueza exterior á pala da escrita, dão-se ao luxo de comprar experiência porque têm tempo e capital para isso. É que são as experiências que dão origem á experiência que por sua vez dá origem ás letras que vemos impressas nos livros, blogs e afins. E as experiências hoje em dia quase que se vendem ao quilo, compram-se como quase tudo, é um mercado em expansão.
Uma gaja minha conhecida andava a ser engatada por um escritor que anda muito aí na berlinda. O tipo, casado, teria decidido .comprar. uma experiência, investindo o seu tempo nela, solteira já algo fora do prazo e digo-o claramente convencido de que ela não lerá isto, e as amigas que diziam que tudo não passava de mais uma experiência do gajo que armado em vampiro queria ir beber da excentricidade e da experiência de vida da amiga solteira e depois mandá-la dar uma curva porque era casado e ainda por cima escritor. E dar-lhe umas quecas também antes da curva, está claro de se ver. Dor de cotovelo pensei. Mas, as gajas amigas além da dor, tinham razão, estou absolutamente convencido disso. Apesar do choradinho lamentável que o tipo tem feito, um show-off típico de escritor, a amiga que não é parva nenhuma, marimbou-se para o gajo antes que ele guina-se. Mas lá está, a situação decerto serviu de inspiração para o vampiro. Nunca se perde gota de sangue nestas situações e um escritor sabe sempre que nunca tem nada a perder quando se trata de conseguir inspiração. A esta hora deverá estar a ser confortado por outra experiência qualquer e nas horas livres, i.e. em casa enquanto a mulher faz a paparoca, está o gajo a debitar pró teclado mais umas quantas ideias que em breve serão convertidas em euros. As gajas deviam cobrar direitos de autor mas contentam-se pelo enriquecimento do currículo sentimental e saem com a sensação do dever cumprido, de terem causado a tal dor de cotovelo ás amigas que entretanto se perfilaram inutilmente debaixo da dentuça do vampiro.
Ora, há por aí muito boa gente a blogar, pior, a escrever sofregamente. Não falo de mim, que escrevo sofregamente mas porque fujo do horário de expediente que tenho que cumprir. Falo de quem parece não ter vida para mais nada que não seja escrever, manter 2,3 sabe-se lá quantos blogs em simultâneo, alguns com grande competência. Como é que conseguem ? Não ganhando supostamente massa com isso, como é possível tentar dormir, trabalhar, comer, e beber ocasionalmente umas bejecas e isto só para falar do mais politicamente convencional ? Ou seja, e espaço para a experiência, para essa loucura que é a experiência necessariamente gratuita para nós amadores, que nos dá cabedal para escrever ?

jorge b @ 02:17 PM | Obs (0)
terça-feira, 13 de maio, 2003

À mercê ... | espécie: extracções

Um nick qualquer, umas bocas e já está! A partir de agora, estou à mercê da crítica. Vou dormir!

jorge b @ 11:57 PM | Obs (0)
segunda-feira, 12 de maio, 2003

Estado da blogação II ... | espécie: fora de blog

O fenómeno Blog tem uma extensão maior do que aquilo que inicialmente julguei. São aos milhares, aos milhões. Até gente respeitável como o abrupto Pacheco Pereira já tem blog e há por aí muito jornalista e politico a blogar mais ou menos á sucapa. Os blogs não são exclusivos de "malta meio marada" e "sempre com ideias". Veja-se o igualmente surpreendente O Meu Pipi que é muito mais do que uma avalanche de palavrões. É também uma avalanche de palavrões... E uma escalada ao topo do bom humor também. Se isto não é alpinismo nem liberdade, e de expressão ainda por cima, então não sei o que é. Não li os termos de adesão ao blogger mas convencido estava que algures existiriam cláusulas proibindo o uso do palavrão vulgo c*ralhada. Suspeitei que os gajos teriam um software multilingue qualquer que vasculhava a pente fino o que a malta escrevia e mais tarde ou mais cedo estavamos a levar com a marreta. Pois parece que não, mas continuarei a colocar os * nos sitios certos, pequena auto-censura que acho me fica bem.

jorge b @ 10:56 AM | Obs (0)

Visitor Q ... | espécie: publicidade gratuita

Directamente do produtor...
O ultimo filme que vejo, começa com o pai a fornicar a filha adolescente e prostituta, e acaba com ambos a mamar nos seios da mãe também prostituta e toxicodependente. O que acontece no meio é algo parecido. O filme é japonês, é sobre uma família. Filme de culto á vista!

jorge b @ 10:04 AM | Obs (0)

Ficção cientifica ... | espécie: interferências

Escrito por Sade (Marquês de), está a senhora Dolmène em convívio intimo com um dos seus amantes quando chega outro amante, dos seus mais fieis.
.- Que vejo! Traidora! Então é isso que me reservas ?
- Que diabo tens tu ? Não vejo nada que te moleste por demais; não nos incomodes amigo meu, e acomoda-te no que ainda te sobra; como bem podes ver, há lugar para dois..

jorge b @ 09:59 AM | Obs (0)

Solidariedade ... | espécie: algures

Vejo num jornal diário um desenho da menina que levou um tiro na cabeça, em leilão. No culminar duma solidariedade espontanea gerada logo pós o acontecimento, seria natural que um rabisco da criança, disputado, chegasse digamos que aos 50 contos mais conto menos conto... Seria razoável... parece-me... Mas é essa a base de licitação (!) de um dos vários rabiscos a leiloar. Ou seja, o leiloeiro certamente aceitará pagamento por cheque, mas só visado.

jorge b @ 09:58 AM | Obs (0)

Anedota de Elite ... | espécie: anedotas de elite

"Uma cliente do BES encontra uma amiga:
- Olá como estás ?
- Estou grávida!
- Ai sim ?! Então parabéns... e já falaste com o teu marido ?
- Não!.. Falei com o teu!"

jorge b @ 09:31 AM | Obs (0)
sexta-feira, 9 de maio, 2003

A crescer ... | espécie: ícones

Logo este mês que estava decidido a comprar a GQ, aparece-me a Catarina Furtado na capa anunciada mais sexy que nunca, fotografada por um nome estrangeiro. Adio a compra para o mês seguinte. Tempos houve em que era capaz de lhe pagar um copo no Bairro Alto, sonho de qualquer telespectador adolescente. Não nos esqueçamos que afinal já foi a namoradinha de Portugal. Mas uma pessoa cresce.

jorge b @ 12:18 PM | Obs (0)
quinta-feira, 8 de maio, 2003

Inside trading ... | espécie: algures

"Se tem um marido mulherengo - dicas para saber como segurá-lo" in revista qualquer estilo Maria Moderna ou Mulher Maria, nas bancas.
Dica: Experimente segurá-lo como se estivesse a agarrar numa raquete.

jorge b @ 12:53 PM | Obs (0)

Ende de oscar gous tu ... | espécie: algures

- A preta faz-me calor nos pes!
Oscar para o slogan publicitário com mais baixo teor alcoólico: Centralcer, meio .out-door., produto Sagres com: .A preta para quem gosta de preta..
Sinopse: Um copo de cerveja está tão cheio de si que começa a transbordar para fora uma espuma espessa e compacta semelhante aquela que se forma pelo bater das ondas na areia da fonte da telha quando ao largo os petroleiros limpam os depósitos. Mas para não haver confusões, o rótulo aposto no copo é revelador: aquele liquido preto não é .ouro negro., é na realidade cerveja preta sobre um fundo preto, um acessório poético e uma manobra de diversão pois toda a gente sabe que em certas zonas do Algarve, a preta, .apanhar uma preta. ou .estar com uma preta. é o mesmo que dizer apanhar ou estar com uma bebedeira. Em Lisboa, as pretas do Intendente não são aconselháveis porque o mais certo é apanhar antes uma grande camada de chatos. A preta em si mesma, i.e. mulher com .forte pigmentação. é um objecto de culto sexual, e a par do .menage-a-trois., faz parte da fantasia sexual de qualquer gajo que se preze e com menos pigmentação. Quem não se lembra daquela máquina de gritar que entrava naquele videoclip do então preto Michael Jackson, o .thriler. ? Dali saiu ela disparada para as páginas centrais de uma das playboy mais circuladas na escola das Cavaquinhas (nome ridículo do local onde andei na escola secundária).
O fundo negro do out-door esconde também algo ainda mais obscuro e mesmo nada alcoólico. Se virmos bem, na nossa adolescência, nas nossas matinés de VHS's pornográficos, todas as pilas que apareciam no écran eram mais pretas que a nossa, o que fazia com que nos interrogasse-mos secretamente se alguma vez seriamos capazes de provocar o mesmo gozo a uma gaja como fazia a .preta. do lendário John Holmes. De maneira nenhuma foi isto traumatizante pois em vez da cor, a maior parte da malta tornou-se antes secretamente obcecada pelo tamanho, o que não se pode considerar propriamente um trauma, antes uma obsessão ou melhor uma secreta preocupação. 20 cl é o padrão. A caneca, enquanto se bebe e não se bebe, nas calmas como deve ser, perde o gás.

jorge b @ 12:34 PM | Obs (0)

Hoje ... | espécie: extracções

Hoje parece mesmo que é o primeiro dia do resto do Verão. É a luz, a luminosidade, o sabor nos olhos. E o azul Verão do mar confirmou-me. O Tejo parecia quase um espelho hoje, lá em baixo, o Tejo está lá em baixo, um barco de pesca, deve ser, parece não ter ninguém, parece.

jorge b @ 10:20 AM | Obs (0)
quarta-feira, 7 de maio, 2003

Marilyn ... | espécie: publicidade gratuita

- Este ano vou passar ferias ao Vaticano!Marilyn
Tenho curiosidade em ver Marilyn Manson ao vivo. Tenho admiração pelo gajo. A musica é potente e depois há aquela provocação que acontece simplesmente quando o fulano aparece. Tudo aquilo soa a artificial mas Manson está muitos patamares acima da mera fantochada. Há ali uma excelente produção artistica, toda uma acuidade visual impressionante. Como tudo o que é artificial tem a tendência para mais cedo ou mais tarde se tornar natural, há que aproveitar enquanto é tempo. O tipo vem cá a Lisboa, parece que dia 29.

jorge b @ 12:24 AM | Obs (0)
terça-feira, 6 de maio, 2003

Ai que bom que é ganhar o campeonato ... | espécie: bola

- .Não sei explicar, é uma sensação... não tenho palavras!.
A pergunta não era propriamente o que se sente quando se está a ter um orgasmo. Estava-se antes a responder sobre o que se sentia com a conquista de mais um campeonato. E o portista anónimo (adepto do FCP, não confundir com portuense, cidadão do Porto), na rádio, lá respondeu, entre a gritaria de fundo que se impunha. No projecto imbecilitivo da nação, as gentes fanáticas do FCP parecem tomar a dianteira. São campeões disso sim senhor. Isto não é a loucura do futebol, poderoso conceito de marketing fomentado pelos media, e antes o fosse. A tal loucura, saudável loucura não existe porque sorrateiramente fomenta-se algo que dá mais lucro: a demência do futebol. Hoje o campeonato, amanha depois do jantar o mundo
Quando o que está em jogo é o capital, é grotesco ver as manifestações de suposto jubilo dos adeptos. Alguém que avise aquela pobre gente que o que estão a fazer é patético e tinha lógica no século passado. Lembram-se quando os jogadores tinham amor á camisola ? Quando os clubes eram clubes e haviam sócios honorários quando agora há empresas e accionistas maioritários ? Quando o clube representava a terra e não interesses obscuros ? Quando o vencimento dos jogadores era pago pelas cotas dos sócios e pela publicidade nas camisolas e não por encaixes financeiros duvidosos e subsídios e benesses escandalosas do Estado ? Quando os jogadores apareciam nos areais da Costa da Caparica para umas peladinhas aos domingos de manhã e agora só aparecem na Caras a mostrar a casa do Algarve ? Hei, acordem, tudo está a passar para o século passado. Comportem-se com juizinho. Vocês de azul e branco não ganham absolutamente nada. Nada. Festejar o quê ? Campeões, o campeonato ?!! O que é isso, o que é que ganham com isso ?! Actualmente no futebol a única coisa que se ganha é dinheiro e esse ganham-no unicamente os que festejam muito discretamente, acreditem. Foram vocês que o deram a ganhar e ainda sentem felicidade por isso ? Que raio de felicidade essa ? Compram algo que não têm necessidade de comprar e compram-no cada vez mais caro. E essa mercadoria que recebem em troca está inquinada, é uma bandeja dourada servida com um delicioso nada. Procurem outras fontes alternativas de prazer e alegria! Na arte, na musica, na natureza ou nos outros e nas outras, na rebaldaria da vida. Procurem e não deixem que não os deixem procurar. Resgatem a dignidade do cidadão e do Homem que deve estar muito á frente da fraca figura que fazem, de ordeiros adeptos mais consumistas do que ferrenhos e mandem a gritaria e a imbecilidade dar uma curva, atirem os diários desportivos, os cachecois, as T-shirts do clube, a Sport TV ás urtigas. Desde quando já se viu pagar para ver futebol em casa ? Ou sentem-se melhor assim, é essa a forma redutora, o pequeno grande sacrifício que cada um de vocês faz para se manter ligado ao sistema vitorioso, ao circulo vicioso do futebol que vocês orgulhosamente alimentam e que é tudo menos o clube e jogo da bola, e contribuir dessa maneira para pagar mais um litro de gasolina e mais uma das porcas que apertam as jantes especiais dos carro dos Pintos da Costa ? E quantos milhões afinal são vocês, que dá para muito, fartura de carros e casas não lhes faltam, assim como não vos faltarão sanitas no novo estádio.Volto a fazer a barba no dia em que o Benfica for campeao
Daí que as pessoas, dementes de azul e branco, não consigam explicar o que sentem e mesmo as que dizem sentir uma grande felicidade ou alegria, dizem-no porque é suposto serem esses os sentimentos .normais. que devem sentir, é o que lhes é vendido ou dado de barato pelos clubes via os média. Toc-toc... Ouvem ? Estão ocos. A própria manifestação da vitória é no adepto portista tanto mais tristemente efusiva, irreal e vazia porque, não ganhando nada na realidade, de facto houve alguém que não ganhou ou que perdeu (no caso, os restantes clubes/adeptos, ainda que também nada tenham perdido). Logo, festeja-se, festeja-se a suposta humilhação.
É com muito orgulho que faço parte dos perdedores e agradeço esta calma e lucidez que a derrota proporciona e que, pode ser, contamine, felizmente a maioria, da população da nação. E se alguma vez o Benfica (voltar a) ganhar alguma coisa, que a malta beba lucidamente uns copos e ignore os microfones da rádio e as cameras de televisão porque não lhe pagam para isso, e saiba explicar a quem terá de dar talvez satisfações, ao dono do bar, porque está, simplesmente, satisfeita, e mande vir mais uma.

jorge b @ 08:10 AM | Obs (2)
segunda-feira, 5 de maio, 2003

Damages ... | espécie: interferências

"Love can damage your health, la-la-la-la-la-la", by Telepopmusik

jorge b @ 11:08 AM | Obs (0)
terça-feira, 29 de abril, 2003

Gatos ... | espécie: estudos

Ai o malvado do gato... onde é que eu pus a fisga?...
.Há milhares de anos os gatos eram adorados como deuses. Nunca se esqueceram disso..
As coisas podem tornar-se tão fascinantes tanto mais quanto antes nunca tínhamos reparado nelas. O caso dos gatos é paradigmático. Toda esta vida foi mais com desconfiança que respeito que olhei sempre de lado para os gatos. Havia neles um misto de medo, aquela miufa ridícula e histérica que os gatos parecem ter, e uma arrogância no miar aliada a uma indisciplina provocadora que despoletavam em mim um desejo confortável e incontrolavel de fazer-lhes pontaria com a fisga armada, era eu petiz.
.Os cães vêm quando chamas por eles. Os gatos tomam nota do que dizes e, eventualmente, voltarão ao assunto.. Mary Bly
Apesar disso o sentimento acompanhou-me, confesso, mesmo depois de criança, já adulto, mesmo depois de ter adquirido em Córdoba uma fisga árabe. Até um dia, um dia de partida e de regresso, daqueles dias em que só se deve levar ou trazer, como era o caso, o que se tinha levado, o essencial. Não um, mas dois gatos escolheram-me e fizeram comigo 3000 quilómetros.
"Nos olhos de um gato podes observar o tempo, na verdade, a eternidade!. Charles Baudelaire
A distancia não significa nada. Os sentimentos podem desvanecer-se ou exaltarem-se em poucos metros. Mas quando se viaja com determinado tipo de bagagem extra, cada quilometro conta. Em cada viagem deixamos sempre algo para trás, nem sempre o irremediável, muitas vezes o inconfessável. Mas nesta viagem, o que ficou para trás foi aquele sentimento, o da fisga, o da criança cruelzinha para com os gatos.
.Deus fez o gato para que o homem pudesse ter o privilégio de acariciar o leão.. Fernand Mery
Os gatos sabem melhor que ninguém que crueldade pode haver numa criança. Os meus aprenderam depressa essa lição. Uma pessoa amiga levou uma vez lá a casa o filho, criança que mal sabia gatinhar mas que já tinha força suficiente para agarrar pelos rabo e não mais largar os meus gatos, na altura jovens de 5 ou 6 meses.
.Mesmo o mais pequeno dos gatos é uma obra de arte.. Leonardo da Vinci
Entre o constrangimento de controlar a vontade de dar dois tabefes na criancinha e a passividade dos paizinhos indiferentes, lá assisti de pés e mãos atadas. A criancinha lá se divertiu e saiu ilesa do acontecimento.
.O gato pode servir-nos de modelo em questões de higiene e como criar filhos.. Arthur Marx
Aquele pequeno episódio fez-me lembrar aqueles fulanos que na rua parecem pessoas vulgares e na porrada se for preciso comportam-se dessa maneira apesar do cinturão preto que trazem por debaixo das calças. Não querem fazer uso das suas capacidades pois imediatamente ficariam numa situação de superioridade em relação á outra pessoa; ou seja, seriam capazes de partir os cornos á outra pessoa ou simplesmente paraliza-la de medo com um simples grito e isso é algo que é muito bom saber guardar só para si em alturas de aperto, manter o sangue frio e o sorriso displicente. Coisas que muitas vezes acabam por ser dissuadoras do confronto físico porque se cria no oponente uma sensação de .aqui há gato. perturbadora.
.Há duas maneira de escapar às misérias da vida: Música e gatos.. Albert Schweizer
Assim se comportaram os meus gatos naquele dia. Por debaixo daquele miarzinho, daqueles olhinhos grandes, redondos e brilhantes, daquele pelo lustroso, aqueles gatinhos estavam conscientes que eram autênticas feras, possuidores de garras afiadissimas capazes de certamente estraçalhar a criancinha, na altura pouco maior que um coelho anão.
.Quem consegue acreditar que não há alma por detrás daqueles olhos luminosos.. Theophile Gautier
Eles lá a aturaram, com a tal calma e sangue frio dos autêntico cinturões negros vestidos á paisana, mas juraram para nunca mais. Cada vez que se aproxima alguém deles com menos de meio metro, é vê-los porem-se a milhas!
.Porquê procurar consolo no Islão, Budismo ou Catolicismo . um gato dá-te o mesmo, e ainda te aquece o colo.. Charles Darwin

jorge b @ 09:50 AM | Obs (0)

Anedota de elite ... | espécie: anedotas de elite

- Aquela barata ali em baixo faz-me lembrar o Joaquim
- O Joaquim do Poço é um filho da p*ta!!!
- Minha filha não digas isso. Não vês que todos somos irmãos, filhos do Senhor. O que dizes é muito feio!
- Mas é verdade, ele é mesmo um filho da p*ta!! O que se há-de fazer... Ele não deve ter culpa de ser assim. Certamente foram as condicionantes da vida que o levaram a ser o que é. Terá sido ele próprio vitima dum outro ou outra filha da p*ta qualquer. Depois verifica-se aquilo a que se chama o efeito dominó.
- Mas o que ele te fez minha filha, aproxima-te mais um bocadinho e conta aqui ao Senhor Prior.
- Há uma semana, ele apanhou-me ali atrás da Junta e começou-me a mexer nas maminhas, um filho da p*ta daqueles!
- Mas minha filha, jovem e roliça adolescente, isso também não é razão para agora dizeres que o moço é filho da p*ta. Mexeu-te assim ?... Eu também mexo e não sou filho da p*ta pois não minha filha ?
- Não Senhor Prior. Mas ele depois despiu-me e começou-me a tocar em baixo. Fez-me coisas com a língua... Parecia que tinha vida própria.
- Fez assim como eu estou a fazer não fez minha filha ? E eu não sou filho da p*ta pois não ?
- Não senhor Prior. Mas ele depois deitou-me e penetrou-me, o filho da p*ta.
- Mas minha filha, fez-te assim ? Vê que eu também o faço e não sou nenhum filho da p*ta pois não ?
- Não Senhor Prior, ele é que é um grande filho da p*ta porque depois do serviço feito disse-me que tinha sida!
- Ah grande filho da p*ta!!!!

Versão original: Faísca
Versão adulterada/publicada: jorgexistence

jorge b @ 09:33 AM | Obs (0)
quinta-feira, 24 de abril, 2003

Figo ... | espécie: bola

Relva nao que me faz mal a pele
Há muito tempo que não via uma boa jogatana de bola. Aconteceu ontem. No entanto já não vejo a bola como antigamente. Ela lá continua, redonda. Os jogadores é que me parecem cada vez mais quadrados ou melhor, rectangulares. Não consigo deixar de imaginar no écran 22 maços de notas atrás duma bola. E não consigo deixar de notar na falta de alegria com que se joga. O Figo é escandaloso. Se eu fosse treinador do Real rifava-o. O mister não foi tão longe e decidiu substituí-lo a meio da 2ª parte, merecido! Já nem sequer falo em prazer, no prazer de jogar á bola. O homem até pode não ter prazer nenhum em jogar á bola e a alegria essa venha do ganhar á bola. A ganhar um milhão de contos que mais milhão menos milhão ganha por ano, ao menos que disfarce um bocadinho. Não custa nada, há cursos no chapitô ou no C.E.M. O gajo que se informe. É sabido que a bolsa está em baixo, que todos temos os nossos dias mas o estilo Figo em campo é cada vez mais aquele visível frete que o número 10 parece estar sempre a fazer. E vai daí, uma sarrafada no que tem mais pernas. Amarelo, antes da substituição, merecido! Acho que se ganhasse por ano um milhão de qualquer coisa que desse para comprar uma penthouse no Mónaco e outra em novaiorque, só não pareceria o passarinho mais feliz do mundo a esvoaçar por todo o lado porque andava sempre vestido .hugo boss. (é sabido que os passarinhos não vestem roupa de marca). Agora o Figo, é daqueles casos em que obrigatoriamente tinha que comer a relva. Tivesse eu no lugar dele, coisa que juro nem que me pagassem, nem eu me sentia bem se assim não fosse. Haveria de saber de cor o sabor das relvas de cada estádio e durante o jogo, aproveitava enquanto o arbitro não via, para palitar os dentes... com palitos Guess, claro!

jorge b @ 01:45 PM | Obs (0)

Ende de oscar gous tu... ... | espécie: estudos

Fiquei viciado estava eu ainda na barriga da minha mãe!
Oscar para o maior desperdício de gasolina: Volkswagen, meio televisão, produto Polo. Sinopse do spot: Um casalinho, ela grávida e com um desejo irreprimível de comer um gelado bem servido, ele um rapaz normal como tantos outros. Como o .ti-pichas. já morreu, (nome do homenzinho que montado numa motoreta concebida para o efeito, vendia gelados/sorvetes de terra em terra, inclusive aquela onde nasci; a origem do peculiar nome ainda é hoje um mistério para a minha geração) não há nenhuma .Primetime. por perto, á Hagen Dasz só vale a pena ir quando nos mandam um vale por altura do nosso aniversário, ela é alérgica aos gelados da .Olá. e ainda não fazem entregas de gelados ao domicilio, toca a pegar no Polo, um carro especialmente concebido para situações semelhantes, e ir por aí fora. Começa-se pelo Parque das Nações (o casal supostamente residirá ali num daqueles apartamentos com vista para o Barreiro e arredores, oferecido pelos pai dela, pessoas abastadas que terão enriquecido explorando um posto de abastecimento de gasolina na segunda circular). A musica no leitor de CD.s áudio é do mesmo género da que passou numa noite em que tive no Captain Kirk, género que a minha relativa ignorância musical não me deixa identificar.
Começa então a busca pelo gelado pedido, do Parque das Nações para o interior de Lisboa. Um policia sem saber o que fazer á vida mas de bom coração, como o são todos, montado numa BMW, presta-se de imediato a escoltar o Polo, julgando porém, dado o conteúdo do mesmo, que o veículo se dirige em urgência para a maternidade mais próxima... Mas não! Não se faz. O Polo lá continua a sua viagem, desta vez rumo á margem sul. É vê-lo passar a ponte. Não se ouve aquele barulho característico que se ouve quando se passa a ponte (faixa do meio) porque continua a musica. O ritmo da musica é contagiante e a esta hora começo a interrogar-me quem afinal toca aquilo. Lá dentro do Polo, parece que estou a ouvi-la .querido, arranjas-me a porra dum gelado ou não?.. Não, não há nada de fresco na margem sul. Só prédios de 4 andares sem elevador, esplanadas repletas de desocupados suburbanos e o mesmo transito caótico da cidade. Não admira que o Polo volte á capital, desta vez á Baixa. Haveria ali uma geladaria famosa... Não, afinal era uma casa que fazia bolos rei. Continua o desbaratar de gasolina. O que faz uma mulher grávida com desejos. Até que finalmente, numa daquelas lojas típicas de vender gelados, parece-me que ali para os lados da Rua dos Bacalhoeiros, prepara-se o dono da loja para fechar o gradeamento, que isto a ladroagem o há por toda a parte, quando o marido espavorido chega, ainda a tempo de o vermos depois de gelado na mão. Menos um divórcio, por ora...

jorge b @ 12:53 PM | Obs (0)
quarta-feira, 23 de abril, 2003

Turd fun ... | espécie: algures

Foto autografada gentilmente sacada de um site qualquer onde se pode comprovar efectivamente a beleza da Carmen
Chau olhando para a sanita, falando para matéria fecal (vulgo fez ou cagalhão inteligente, hipotese aventada por Mike) que depois de entalada na sanita da casa de banho da Carmen Electra, aparece no mesmo estado mas na sanita da casa de banho dos 3 .guys., (plano magistral: a Carmen, perdão, a camera está dentro da sanita e o que se vê são as caras dos 3):
.We mean you no harm!.
Imperdível, de antologia. Todos os dias úteis no 2º canal depois do Noddy e antes da Sabrina.
Clique aqui para aprender a montar uma sanita e/ou aqui para ter um wallpaper da Carmen Electra (a cores e com a barriga á mostra)

jorge b @ 02:44 PM | Obs (0)
terça-feira, 22 de abril, 2003

Alex's strip ... | espécie: ícones

Vejo a actriz Alexandra Lencastre a dançar e a despir-se ao mesmo tempo. Isto não é assim uma habilidade por ali além mas é a prova viva de que toda a mulher é uma dançarina de striptease em potência.
Se uma boa stripteaser não pode ignorar o público que assiste e ao invés deve até interagir com ele (a assistência urra de agradecimento), uma actriz de cinema ou televisão tem que ignorar completamente a presença da camera, coisa que a Alexandra não consegue fazer. Apesar da unanimidade geral, dos artigos elogiosos vindos de todos os quadrantes, dos convites para filmar do Malkovitch, a realidade é que Alexandra pode ser uma boa stripteaser anónima mas é uma actriz limitada, talvez porque transporta de forma demasiado óbvia a facilidade do ser real e a fachada fácil da sua imagem para as personagens que interpreta.
Os grandes actores ficam conhecidos pelas suas grandes interpretações. Ficam as personagens. No caso de Alexandra fica apenas a sua beleza, fica-nos sempre só a Alexandra (o que já dá para o gasto), e as personagens que interpreta são apenas o veículo, no caso, para vender televisão ao desbarato. Poderá ser mais um exemplo dum 'inconveniente de ser bela'... Talvez quando a vemos representar nos fique a beleza e o resto passe para um menosprezante segundo plano. Mas há actrizes belas que conseguem ser belas actrizes, soberbas e inesquecíveis. Mas, pode-se ser soberba e inesquecível numa série de ficção portuguesa da TVI ? Claro que não, mas é ali que Alexandra parece estar como peixe na água.

jorge b @ 03:59 PM | Obs (0)

Telever Inestéticas, velhas, gastas e ... | espécie: lugares

Telever
Inestéticas, velhas, gastas e com má cor... Junte-se uma antena ferrujenta e a abanar com o vento e temos uma má imagem perfeita. Chama-se a isto ver televisão na provincia, onde as coisas, até esta, têm um saborzinho especial. Ver televisão numa 'radiola', começa a ser cada vez mais uma experiência marcante. Procuro agora uma 'korting'.

jorge b @ 10:11 AM | Obs (0)
quinta-feira, 10 de abril, 2003

Culinária ... | espécie: estudos

Vivemos num mundo subaproveitado. Há pessoas subaproveitadas, talentos, tempo (principalmente os minutos), beleza, ideias, espaços subaproveitados a mais. É por isso que apesar do engarrafamento em que se encontra a existência, ainda há muita coisa para acontecer, muita corda para esticar. Consciente disto, tento aproveitar ao máximo, por exemplo a gasolina que está cara, a sombra, o sol, o sinal amarelo, enfim, a generalidade dos recursos naturais, artificiais e existenciais. Em casa tento aproveitar os cantinhos, tenho uma pequena pancada por prateleiras, ou optimização dos espaços (para ser mais técnico) que não quero de maneira nenhuma deixar subaproveitados. E isto é verdade, o meu berbequim é testemunha. Digo que a pancada das prateleiras é pequena porque de vez em quando espreito uma revista de decoração onde tudo me parece grande, genial, muito bem aproveitado.
Um dos cúmulos do subraproveitamento, o Word da Microsoft, o processador de texto mais famoso que o Word Pro da Lotus. Li uma vez que apenas 10% a 15% dos recursos do programa eram utilizados pela maioria dos utilizadores. Um daqueles problemas que julgo não se resolve com mais prateleiras, antes com mais conhecimento ou então arranjando-se motivos para utilizar os outros 85% a 90% do Word subaproveitados. Pior está quem não consegue piratear os 100% do programa e tem que os pagar para só depois gozar uma ínfima parte.
Ao ver um livro de culinária, como todos, portentoso monumento á criatividade e variedade, livro esse que me mostram, pormenor importante, o livro vem até mim e não vice-versa, convém realçar, tenta-me convencer que para fazer aquelas obras de arte bastava uma ida ao supermercado, avental, tacho e colher de pau, e logo a questão do subaproveitamento volta á baila, desta vez intimamente relacionada com a felicidade dos homens. Daquela vasta colecção de livros de culinária que recheiam as prateleiras da maioria das cozinhas, se as leitoras daquela literatura, fizessem nem que fossem 1% das receitas, se as aproveitassem, haveria ementa nova todos os dias e muito semblante se modificaria quando á mesa não se sentisse aquela habitual sensação de .deja-vu..

jorge b @ 01:46 PM | Obs (0)

O Leonard é que sabe ... | espécie: interferências

"
If you want a lover
I'll do anything you ask me to
And if you want another kind of love
I'll wear a mask for you
If you want a partner
Take my hand
Or if you want to strike me down in anger
Here I stand
I'm your man

If you want a boxer
I will step into the ring for you
And if you want a doctor
I'll examine every inch of you
If you want a driver
Climb inside
Or if you want to take me for a ride
You know you can
I'm your man

Ah, the moon's too bright
The chain's too tight
The beast won't go to sleep
I've been running through these promises to you
That I made and I could not keep
Ah but a man never got a woman back
Not by begging on his knees
Or I'd crawl to you baby
And I'd fall at your feet
And I'd howl at your beauty
Like a dog in heat
And I'd claw at your heart
And I'd tear at your sheet
I'd say please, please
I'm your man

And if you've got to sleep
A moment on the road
I will steer for you
And if you want to work the street alone
I'll disappear for you
If you want a father for your child
Or only want to walk with me a while
Across the sand
I'm your man

If you want a lover
I'll do anything you ask me to
And if you want another kind of love
I'll wear a mask for you
"
by Leonard Cohen

jorge b @ 08:06 AM | Obs (0)

Obs ... | espécie: extracções

Ler ou ser lido, eis a obsessão.

jorge b @ 08:01 AM | Obs (0)
quarta-feira, 9 de abril, 2003

Santa terrinha ... | espécie: revisões da matéria

Uma pessoa sabe se tem ou não tem terra, quando está na sua suposta terra, a terra onde nasceu, e alguém perdido se aproxima e lhe pergunta onde fica a Rua qualquer coisa. Isto é raro acontecer. As setas proliferam por toda a parte e hoje em dia é raro encontrar-se alguém perdido a não ser na cervejaria ali da esquina ao final do dia. Assim como é raro encontrar-se hoje em dia alguém na sua terra. Há uma atracção e migração natural para outras terras. Mas se acontecer aparecer-nos um tal perdido, e soubermos indicar a localização da rua, será sinal de que .temos terra.. Aquilo corre-nos nas veias, sabemos quem foram aqueles dirigentes associativos e músicos da sociedade filarmónica que deram nome ás ruas, não nos esquecmos deles e sabemos onde ficam as ruas e travessas, quem lá mora ou morou.
Não saber indicar o caminho para a Rua qualquer coisa, nem sequer alguma vez se ter lembrado ouvir semelhante artéria, foi o que aconteceu comigo um dia destes, que na minha terra parei por alguns instantes, o suficiente para se aproximar um perdido e que julgando-me com razão .da terra. me fez a pergunta reveladora. Descobri que não tenho terra. Eu já andava desconfiado. Sentia falta de qualquer coisa só não sabia o que era. Nunca vi o sitio onde nasci como sendo .a minha terra.. Á medida que fui crescendo e ouvia cada vez com mais frequência .vou passar o fim de semana á minha terra. consegui ensaiar um sorriso pré-fabricado que guardava sempre para aquela ocasião, aquela, quando surgia a pergunta .e a tua terra, qual é ?.. Nascer na subúrbia é do caraças e marca-nos para o resto da vida. Ainda há sítios com alguma história ou vizinhas giras, agora o sitio onde nasci, uma correnteza de prédios em forma de .S. mal feito, ao qual se deu o infeliz nome de .Casal de qualquer coisa.... Toda a gente nasce numa aldeia, vila ou cidade... Eu nasci num Casal (!) A história daqueles prédios de três andares, um aglomerado de marquizes inesteticamente coladas umas ás outras no meio daquelas quintas quase abandonadas, escreve-se em duas linhas: Esta terra nasceu porque ali perto surgiu uma grande fábrica e foi rentável construi-la para vender as casas aos trabalhadores que vieram de toda a parte do país com as famílias e pouco mais atrás. Não imagino história mais deprimente para uma terra. Mas torna-se fácil imaginar as escassos quilómetros de distancia as chaminés da fabrica a deitar constantemente aquele fumo negro ou acastanhado nos melhores dias, e a poucos metros o pó e o fumo acumulado nos estores das janelas, resultado de dias e dias de vento sul. Por isso quando há alguns anos deixei aquela .santa terrinha., talvez por isso não me custou nada. Trouxe tudo comigo, a minha infância principalmente, memórias, e os meus amigos, e só lá ficaram as arvores onde faziamos as casas e andavamos de baloiço, os campos onde jogávamos á bola agora cobertos de mato novamente porque parece que já não há putos para jogar á bola, ir á laranja ás escondidas e fugir á frente dos cães do caseiro. Tirado tudo daquela terra onde nasci, só dela me lembro por estes dias porque por ali tenho passado, 60, 80 quilometros à hora, depressa mas o suficiente para reparar que afinal está ali uma placa a indicar a Rua qualquer coisa. Mas só travo lá mais á frente 20 quilómetros á frente, onde já sei indicar ruas e caminhos com muito orgulho.

jorge b @ 02:46 PM | Obs (0)

#1 Cockroach fun ... | espécie: anedotas de elite


"Estão uma mãe e um filho ciganos a comer azeitonas, vai o filho cigano e diz:
- Mãeinnn, as azeitonas têm pernas mãeinnn ?
- O raio do cigano tá parvo, claro que não!!!!
- Ai mãeinnn, então comi uma barata!"
in Voxx, 91.6fm, 8.Abril.2003 21:57:00

jorge b @ 08:31 AM | Obs (0)
terça-feira, 8 de abril, 2003

O Monge ... | espécie: histórias infilmáveis


Um homem de gatas prepara-se para atravessar uma passadeira com o sinal vermelho para peões. Compõe a gravata e calça uns ténis sem marca. Farta-se de se preparar e decide seguir. O condutor que faz uma travagem de 51 cm sai do carro e ajuda o homem de gatas a levantar-se ao mesmo tempo que lhe oferece um sistema informático completo multimédia próprio para h