agosto 24, 2003

E agora a reconstrução!

Li na revista ÚNICA (Expresso de 23 de Agosto de 2003) na página 8, sob o títuto “Bocas maldosas”, que o Primeiro-Ministro encarregou o Ministro da Agricultura de lhe apresentar uma verdadeira “reforma da floresta”…….
E mais adiante,
“É que a área florestal tem sido das menos prioritárias (digamos assim…) naquele Ministério. E se Sevinate Pinto é mais um reconhecido especialista em economia agrária e desenvolvimento rural, o Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural, Bianchi de Aguiar, que tem o pelouro das florestas, é engenheiro agrónomo e especialista em viticultura.”

Há dias li, com muita atenção “Incêndios: então até Maio!...” e cumprimento com muita admiração pTd. Já tive ocasião de lhe dizer por email que sou leitor assíduo do seu blog (o vento lá fora)* .
Precisamos de cidadãos capazes de expressar aquilo que sentem, cidadãos que são a voz da maioria da população responsável, que se manifestem com frontalidade, isenção, não manipulados por “forças” obscuras.

Já aqui tive ocasião de escrever que, o nosso país, só terá desenvolvimento se perseguir projectos com aquele objectivo. Mas pelo que se vê, não me parece que tal objectivo esteja no horizonte dos governantes.
O Senhor Primeiro-Ministro quere a “reforma da floresta”! Não é um projecto.
É construir uma casa, começando pelo telhado.

O problema de Portugal é uma questão de estrutura; primeiro que tudo é necessário reformar o mapa do território, que não é mexido, ao que parece, desde 1835.
A divisão administrativa do território tem de ser revista, de modo a permitir que o país seja governável a nível local. É excelente a hierarquia de governação no nosso país, juntas de freguesia e concelhos; são excelentes os técnicos portugueses (séniores e júniores) que sabem desta matéria e que certamente estão disponíveis para estudarem e proporem uma nova divisão administrativa.
E será a nova divisão administrativa que ditará a organização da agricultura e da floresta. E, paralelamente, a gestão da água.
Não se ouve falar sobre a gestão da água. E o Alqueva? Alguém sabe alguma coisa sobre o Alqueva?
E assim se constroe um projecto nacional que, colocado no terreno, dirigido por quem saiba dirigir, com um objectivo muito concreto, tem certamente o sucesso inicialmente previsto.

Mas, para se promover um projecto nacional tem de haver uma participação de todos os partidos políticos, isentos da preocupação de cuidar dos interesses partidários antes dos interesses nacionais. Daí ser legítimo perguntar aos partidos políticos:
Estão interessados no desenvolvimento de Portugal?
Estão interessados na defesa e ajuda aos que mais precisam?
Estão interessados na instrução para dotar os jovens com a necessária preparação intelectual tendo em vista torná-los capazes de perceber e interpretar o que lêem e o que lhes transmitem oralmente?

Winston Churchill afirmava que "a democracia é o pior dos sistemas, com excepção de todos os outros"
porque não nós, Portugal, envidarmos esforços para tornar a democracia o melhor dos sistemas? se calhar temos de reformar a relação entre os partidos!
No presente, o mérito de cada partido vai para a sua capacidade de dizer mal, contrariar a acção do partido que, no momento, está no poder e não cooperar com os objectivos da governação ainda que esses sejam os objectivos do país.
Os partidos políticos têm por objectivo a conquista do poder a qualquer preço, ainda que esse preço seja o que não interessa à sociedade em geral, defendem os seus interesses antes dos interesses nacionais, e têm permanentemente na mira o próximo período de eleições, porque só o poder lhes interessa.
Os membros, militantes, dos partidos, todos desejam ser políticos de profissão, obter as benesses que o partido lhes pode dar, fazer carreirismo em áreas que não dominam.
O comportamento nos períodos eleitorais é degradante, a falta de postura dos políticos é notória. Daí o estado degradado da classe política, da corporação da política.
Ora isto tem de ser modificado de raiz. Os políticos têm de ter um curso de formação em política e gestão, perseguir uma carreira, tal como é exigido para actividades como, médicos, engenheiros, militares, homens de leis, etc.

Publicado por Manuel Marques em agosto 24, 2003 09:49 PM