agosto 04, 2003

Factos da Semana

A semana foi fértil em acontecimentos, no entanto vou referir-me apenas a 3 deles.
1. O Secretário de Estado da Administração Local dá uma entrevista no “Expresso” falando do mapa do território e da necessidade da sua reforma, uma vez que não se mexe na sua organização desde 1835.
Até aqui tudo bem.
Mas, pelas palavras do Secretário de Estado pareceu-me que viria ele a ser o dinamizador e coordenador da reforma a desenvolver; então aqui tudo mal.
Vamos tentar perceber que para mexer no ordenamento do território têm de se chamar pessoas especializadas, e com provas dadas, nas diversas áreas da ciência relacionada com o território.
A análise do país é um projecto que deverá ser desenvolvido com objectivos bem definidos e envolve áreas tam importantes, como:
• A população autóctone e a imigrante
• O ambiente cultural e religioso
• O estádio de desenvolvimento e o nível de alfabetismo
não esquecendo que aqueles estudos devem ser enquadrados num todo onde deverá sobressair a componente económica e financeira.
Creio que hoje começa a não haver dúvidas quanto ao método de governação a nível local que deve ser exercido por pessoas profissionalmente formadas para aquela actividade. Só que, do meu conhecimento, não existem em Portugal cursos de nível superior que satisfaçam as exigências para o desempenho daquela função.
É desprovido de senso que hajam presidentes e vereadores de câmara, presidentes e vogais de juntas de freguesia, que o são só e apenas porque são filiados num partido político.
Este tipo de recrutamento tem de acabar ou então acaba o país.

2. É muito difícil de compreender porque, todos os anos, os fogos florestais são uma calamidade. E porque acontecem?
Há uma certeza; os responsáveis não conhecem o terreno, oportunamente, não pensam e não programam a prevenção, tam pouco elaboram ordens de operações para ataque aos fogos e definem cadeias de comando para aquelas operações. E porquê? Porque não são profissionalmente formados.
Ouvi na TV o Senhor Primeiro-Ministro, quando instado sobre a razão dos fogos, dizer que não entra em polémica e que todos os meios estão accionados. É uma resposta muito frágil, própria de quem está completamente ausente do problema, que não se apercebeu do desastre que é para a economia do país, de quem nunca pensou Portugal. O Senhor Primeiro-Ministro porventura terá uma idea sobre se Portugal é um país agrícola ou um país florestal? Se sim para um ou para outro, que tipo de floresta devemos produzir e onde? que tipo de agricultura e onde?

3.E por fim falemos da demissão do Chefe do Estado Maior do Exército.
Fiquei chocado ao ouvir na TVI, no seu comentário semanal, o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa referir-se ao jantar dos antigos CEME como uma reunião da brigada do reumático. O Senhor Professor, antes de abrir a boca, tem de pensar o que vai dizer. Pode não concordar com a atitude dos generais, está no seu direito, mas não deve pejorativamente servir-se de um “dito” que fez parte da terminologia utilizada na linguagem militar para menosprezar os generais. O Senhor Professor não pode esquecer-se que foram aqueles generais que devolveram ao poder político os destinos de Portugal e subordinaram as Forças Armadas a esse mesmo poder político.
Não cabe aqui falar do Ministro da Defesa, até porque o Professor Marcelo também não falou. Porquê?

Publicado por Manuel Marques em agosto 4, 2003 02:27 AM