julho 19, 2005

O ESTRANJEIRO QUE O PARIU


A gaja andava mal da carola, o marido desde que chegou a Portugal , só pensava nas putas, não é que na terra dele não as houvesse, até as expõem nas montras, como aos outros artigos de consumo. É isso, o gajo era um mero consumidor de putas, Portugal oferece uma variedade para ele desconhecida, morenas, narigudas, atarracadas e com o invariável, grande cu. O deutch farejava-as com o seu instinto de rafeiro netherlander.
A tipa era doida por cavalos, uma chavala quarentona afanada pelos desvarios do alterno hippie, tinha dado a volta à Índia em side-car, tal como o astronauta inter-galático, ao fim de um ano, percebeu que o tempo é relativo e que tinha vivido quase a vida toda num só ano e regressado à Europa como um habitante do planeta dos macacos.
Valha-nos o amigo Veríssimo, trinta anos no cadastro, a curtir o body building, full contact no Pinheiro da Cruz, muitas fintas de cantina e algumas rachaduras no crânio deram-lhe o humor possível neste país: assustar as criancinhas na era pós- comunista, anarquista de serviço nas ruas de Olhão a lembrar os resquícios da cultura castiça com cheiro a sardinha e alfarroba. A mula da cooperativa que nunca deu dois coices no velho telhado salarial.
Corri com a estrangeirada do meu quintal, já me basta aturar os indigentes deste país, para ainda comer com a sarna dessa Europa Viking de cabelos deslavados e olhos electrónicos à procura de energia grátis para carregarem a pilha da prótese tecnológica que trocaram pela alma.
Sou fadista, sou fatalista e tenho sempre razão, ninguém me rouba o brilho cintilante das águas trémulas do cais, filigrana de pensamentos que tecem rotas no planeta e no cérebro dos que o desvendaram. Gosto de falar com gente como eu, e nas voltas todas do mundo só os encontrei na minha terra. Sou atávico tradicionalista resisto às inovações, não gosto da cidade nem da gente que lá mora e muito menos dos que de lá fogem e vêm dar-se ares para ao pé dos indígenas, recusei um futuro promissor de Engenheiro Civil em troca de um curso de linguística animal e, posso garantir que o Rei dos animais é o Burro, por isso transportou o Rei dos Reis na mítica Jerusalém.
Percebo melhor que os burocratas anémicos que compõem o Governo que a solução para a famigerada crise económica não é inovar mas sim conservar só temos sabedoria para vender, sabedoria secular de quem tudo viveu e conheceu, sabedoria resignada ao fado da morte fatal que é filha do mar e de Portugal.
Saudades do Império mestiço, que nos pôs uma avó em cada canto do mundo, desse Oceano que levamos no peito desértico e sem fronteiras onde a fala vem sempre de Deus. Sim! Deus existe e é Português do signo Peixes e morre todos os dias no mar, multiplicando os peixes e saciando a fome dos mortais.
Tenho cérebro de golfinho, muitas circunvalações sem portagem e auto-estradas de conhecimento mais velozes que a estrábica “Net”, sou telepata e posso estar em todos os lugares ao mesmo tempo, sou eterno e renasço das minhas cinzas, não passo cartão a individualistas que confundem a essência com o boneco, e quero viver em paz para ver nascer um pôr-do-Sol em todos os planetas que somos.

Publicado por egg em 11:31 AM | TrackBack