abril 05, 2005

A MORTE DE UM GÉNIO

Neste País de Merda, onde há mais de IV séculos impera o espírito inquisitorial, nesta terra de bufos e de maricões, às vezes atravessam-se fugazes como cometas, seres luminosos, que incendeiam as noites longas da nossa obscura mentalidade. Tive o privilégio de ser amigo de algumas destas almas benfeitoras, que são as únicas de que o futuro terá memória.
A Humanidade, alimenta-se no seu todo da Pura Essência que esses Espíritos destilam, sem esse soro já há muito que tínhamos deixado de existir.
Eles são energia pura, que carrega a força vital e que sustêm o Projecto Humano.
Quando gerações futuras olharem para trás em busca de direcção e elos para se lançarem na Vida, esses seres raros serão as únicas fontes de inspiração no deserto onde outrora brilhavam fogos factos, labaredas de vaidade que o tempo transformou em cinza.
Este Português genial dava pelo nome de “Telmo o Marroquino” e foi para nós o que um Paco de Lúcia, um Carlos Santana, um Manitas de La Plata, um John Mc Laughin, ou um Aldo di Miola, foram ou são para os povos donde imergiram com a diferença, no entanto, de não ter tido o acesso à Universalidade que esses génios da Guitarra tiveram porque teve o fatídico destino da genialidade portuguesa, ser assassinada na sua própria terra.
A viscosa inveja e a pútrida ignorância que é o veneno que polui todos os poros desta Pátria de Filhos da Mãe, que só fabricam a Crise
Transformam-se então, definitivamente em náufragos ou Filhos da Puta triunfantes. Aí cabem todos os que, apreciadores ou companheiros de profissão, deixaram ao abandono este talento desmedido que os podia ofuscar. Aí estão, os Rãos Kyaos, os Jorges Palmas, os Vitorinos, e outras Putas manhosas, que lambem os tachos de merda que o patrão das editoras lhes dão a comer, como cães dóceis abanar o rabo ao osso do sucesso.
Eu assisti a essas facadas traiçoeiras da mediocridade reinante e testemunho aqui, em nome daqueles que como eu, viram definhar o génio de Camões, de Pessoa, de Antero, de Camilo, do Rui Leitão, no Passado e no Presente, às mãos destes chacais da política do empata que tem mais adeptos do que se julga, que são da direita e da esquerda, de cima e de baixo, dos caretas e dos freaks.
Mas que são sobretudo deste país medíocre, que enterrou nas areias de Alcácer Quibir, e nunca mais levantou o estandarte do heroísmo marítimo. Foi onde conheci este Homem, nas praias da Fuzeta, onde a brisa ainda traz o cheiro da inspiração antiga, tocando nas ruas da aldeia da Maria Barroso, onde o Zeca Afonso vinha carregar a coragem do Canto Livre, e onde em profunda comunhão, navegou na Caravela do “amigo Telmo”, por todas as Grândolas Morenas que a sua alma Lusíada cantava, dos Marrocos às Índias e Africas, a sua guitarra inspirada nos transportava a alma de revolucionários de 68, “Hippies” libertários esparrachados nas areias da Ilha de Tavira entre copos e ganzas assistíamos ao nascimento da cultura mais luminosa desta civilização e é este um dos seus grandes Profetas, que agora morto, e sem funerais papais nem pergaminhos históricos, se vai afundar como os ricos Galeões do El Dorado nas Costas deste Portugal Imenso e maravilhoso, mas todo ainda perdido e escondido no fundo dos oceanos da nossa memória Planetária.
Umas pauladas nos cornos das aventesmas que somos, é o que desejo, para curar a manhosa amnésia que nos envenena a vida. Haja porrada a sério nos brandos costumes da repressão, muito sangue derramado em honra dos heróis, a guerra Santa aos Infiéis das Fátimas Fadistas, das Tascas modernistas, dos socialismos fascistas, Glória aos faróis solitários que rompem a bruma da memória e vêm o Império no fundo da latrina misturado no mijo e na cagufa de todas as raças.

Publicado por egg em 04:17 PM | Comentários (1)